A Babá.
15 Capítulo 15
Notas iniciais
POV REGINA
Foi uma das maiores felicidades da minha vida ouvir as ultimas palavras do juiz, Robin protestou, porém foi em vão. Eu realmente consegui, ela conseguiu. Quando finalmente saímos daquela sala, eu abracei Ingrid com lágrimas nos olhos.
— Sei que tem dedo seu nisso. – Falei.
— Sim, mas você está abraçando a pessoa errada. – Falou me soltando. Olhei e Emma já não estava ali. – Vai atrás dela.
Sai quase correndo olhando para os lados para ver se a via, a encontrei do lado de fora no telefone. Meu coração estava tão acelerado, que se eu prendesse a respiração conseguiria ouvi-lo. Meus pensamentos rodavam sobre o que dizer, poucos metros nos separavam, ela poderia ir embora sem ao menos saber que eu estava ali. Pelo menos era o que eu achava.
— Ou é você ou alguém tem seu cheiro. – As palavras soaram baixas, não contive o sorriso morno. Pude notar seus olhos vermelhos, resquícios de lágrimas pelo rosto.
— Oi Emma. – Falei depois de alguns minutos com o olhar preso ao dela, lembrando-me de muitas coisas.
— Oi Regina.
— Eu preciso de uma coisa. – Falei e dei um passo até ela.
Nós nos entendíamos em meio a olhares, a alcancei abraçando-a. Afundei a cabeça no vão do seu pescoço, sentindo seus braços me contornarem e apertarem-me contra si. A saudade transbordava de todas as formas possíveis, com ela eu me sentia em casa. Como encontrar um lar nos braços de alguém.
— Está tudo bem. – Ela disse afagando meus cabelos.
— Obrigada, Emma! Nada que eu faça vai compensar o que fez por mim hoje. Eu já estava convencida de que era perdido.. – Falei a olhando, porém não a soltei.
— Eu sempre vou voltar. – Falou passando a mão em meu rosto secando.
Sorri e pousei em cabeça nela, a apertando. Não queria que ela fosse embora, não queria sentir aquela dor novamente, de não conseguir alcança-la. Era tão devastador sentir-me dessa forma, uma insegurança e um medo de falar qualquer coisa errada, logo eu que sempre fui tão firme e certa de mim.
— Emma. – Falei a soltando. – A gente ode conversar? – Ela olhou para os lados e voltou a me olhar assentindo.
Seguimos até uma lanchonete a poucos metros, ela pediu um suco e pedi uma água, minhas mãos tremiam, minhas pernas estavam bambas, queria conversar, contudo não sabia certo se seria capaz de pronunciar uma palavra.
— Não achei que voltaria aqui. – Ela falou por fim.
— Achei que não fosse mais te ver. – Falei contornando a boca do copo com o dedo.
— Você ainda tem essa mania. – Comentou dando um sorriso morno.
— Eu sinto sua falta. – Soltei buscando seu olhar. – Droga, eu não sei o que te falar.
— Também sinto sua falta Regina. Henry.. Como ele está? – Seus olhos brilharam ao perguntar dele.
— Está bem. Quero vê-lo, quero abraça-lo e ter certeza de que vai ficar comigo.
— Ele é seu. Queria vê-lo..
— Vamos comigo.
— Regina.. – Ela advertiu e meu coração apertou.
— Você não sente mais nada? – Perguntei e ela abaixou a cabeça. Não soube interpretar sua reação, quando pensei em falar, ela me surpreendeu.
— Você não deveria nem pensar em me perguntar tal coisa. Eu estou aqui, Regina. Ingrid jogou uma bomba em minha mãe e desapareceu. Os segundos iam se passando e aumentando meu desespero, porque merda, eu teria que te encarar para poder te ajudar, eu teria que estar de frente com todos os meus sentimentos novamente, eu teria que sentir tudo de novo, depois de finalmente conseguir me acalmar, não esquecer. E vim, e estou me sentindo exatamente como imaginei, perdida. Eu olhei para você naquela sala, eu te abracei há alguns minutos e assim como antes, dói te ver nesse estado. Dói estar aqui. Então não faz isso, não brinca com as palavras. – Falou me olhando, mexendo as mãos uma na outra sobre a mesa.
— Desculpa.. – Como era complicado isso, afinal o que era essa conversa? Uma despedida? A conversa que não tivemos? – Eu queria consertar as coisas. Não, eu quero. Eu quero.. – Comecei, mas parei ao vê-la olhar para trás.
— Meu táxi. – Ela disse fazendo um gesto para que esperasse. – Regina, eu sinto muito. — Ela se levantou e arregalei os olhos. Como era possível sentir uma dor maior que a anterior? Olhamo-nos fixamente, por alguns segundos. Queria ter poderes e nos tirarmos dali.
— Emma, não! – Levantei-me e contornei a mesa pegando sua mão. – Não foge.
— Eu não consigo lidar com isso, dói. – Ela disse e seus olhos marejaram. Me deixa ir, por favor.
— Emma eu não posso te perder de novo! Eu errei há uns meses atrás, eu não deveria ter te mandado embora, eu não deveria ter dado espaço de tempo para que você fosse embora. O que a gente criou foi real Emma e está tão vivo dentro de mim. Eu olho os cômodos daquela casa e lembro-me de você brincando com Henry e todos os dias eu sinto o vazio daquela cama sem você. Foram poucas vezes, foram poucos dias, mas foi verdadeiro, é verdadeiro. Não estou te pedindo em casamento, ainda. Estou te pedindo pra ficar.
— Porque você está fazendo isso? – Perguntou com o dedo limpando a lágrima que passa em seu rosto.
— Porque eu não quero que você vá! Porque eu quero ir brincar com você e Henry no parque. Você corre atrás dele e eu chamo a atenção dos dois, quero ouvir vocês gargalhando enquanto eu tomo banho, quero você brigando comigo quando eu trabalhar demais, quero você perto, Emma. Porque eu gosto de você. Alias, gostar não é a palavra.
— Qual a palavra certa? – Perguntou me olhando e o táxi buzinou.
— Fica, por favor. – Tentei mais uma vez.
Ela passou a mão em meu rosto e virou-se. Encostei-me no pilar ao meu lado a vendo ir. Gritar, chorar, fazer escândalo, nada adianta. Não posso falar por dois, posso falar por mim. Qual a palavra certa? Gostar com certeza é pouco perto da imensidão de sentimentos que me tomaram de inicio lentamente, porém agora vinham com impacto, me deixavam sem estruturas. Amor é uma palavra tão forte, sempre defendi a tese de que o amor leva muito tempo para nascer e se desenvolver. Fiquei tão imersa em meus pensamentos, era como olhar para frente e não enxergar nada, não vi o que houve, quando foquei no táxi, ele estava indo embora e Emma estava lá, parada me olhando.
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