A Babá.
16 Capítulo 16
POV EMMA
Em minha mente eu estava rezando para o juiz considerar minhas palavras. Regina estava ao meu lado, eu sentia seu olhar sobre mim, mas não tinha coragem de encará-la, não tinha coragem de encarar meus sentimentos. Estava quase tendo um ataque do coração com o silêncio que veio após minhas palavras. E um alivio sem igual ao ouvir o juiz dizer que o garoto ficaria com Henry. Deliciei-me com a cara e protestos de Robin.
As pessoas começaram a sair e foi minha deixa, meu minha chance de sair, de fugir, de ser covarde com todas as letras. Porque eu não queria me envolver e me machucar de novo. Porém dessa vez ela estava lá, a primeira vez eu fui sem nenhum impedimento. Naquele momento o perfume dela entrou pelas minhas narinas fazendo meu coração parar. Eu deveria ter ido, ou não, não sei.
Não sabia o que dizer, tantas palavras perdidas, presas e algumas soltas até demais. Eu a olhava e queria tanto a beijar, a abraçar, deixar as lágrimas saírem, mas com ela me segurando. Mas não. O táxi chegou e eu tinha uma decisão a tomar, pela segunda e ultima vez. As palavras que vieram assim que ela viu o táxi e sabia que eu estava prestes a ir embora me fizeram perder as forças nas pernas. Qualquer sopro me derrubaria.
Caminhei lentamente até o táxi, uma lágrima desceu tão lentamente quanto meus passos. Eu o paguei e disse que poderia ir, que eu não iria precisar mais. O vi indo embora, pensando no que aconteceria depois disso. Virei-me e Regina estava me olhando com a expressão surpresa.
Eu passei as mãos uma na outra sem saber o que fazer, não me movi de onde estava, entretanto Regina se aproximava, a cada passo eu sentia meu coração acelerar com seus passos.
— Se você fosse, eu juro que ia te caçar, mesmo que fosse no inferno. – Falou sorrindo.
— Mas eu vou para o céu. – Sorri de volta, olhando para baixo.
— Porque ficou? – Perguntou pegando minhas mãos.
— Pela mesma razão que me pediu para ficar. – Respondeu apertando minha mão, levantando o olhar para mim. – Nós precisamos conversar, Regina.
— Pode ser depois, porque Ingrid vai me trazer Henry.. – Ela disse e seus olhos brilharam.
— Tudo bem. – Respondi ansiosa para vê-lo também, estava com saudades.
Nós permanecemos ali paradas não sei quanto tempo, eu a olhava, buscava todos os traços que me encantaram uma vez e continuam me encantando. Regina era tão linda, os cabelos curtos a deixava com uma expressão mais forte. E seu olhar era perturbador, evasivo, mas eu amava tanto isso.
— Podem desfazer essa bolha de vocês. – Ingrid disse me assustando.
Henry estava em seu colo, com aquele sorrisão e os olhos atentos. Meus olhos lacrimejaram ao ver o garoto, ele pulou do colo de Ingrid correndo para o meu. Uma das maiores felicidades que senti em minha vida, ele me apertou todo animado, afundando a cabeça no vão do meu pescoço.
— Você voltou! – Falou enrolando os dedinhos em meus cabelos.
— Acho que sim. – Falei bagunçando seu cabelo, enchendo seu rosto de beijos.
— Você foi embora! A mamãe ficou brava. – Falou olhando para mim com a carinha séria, vontade de apertar muito esse menino.
— A mamãe sempre fica brava, não conta. – Brinquei.
— É verdade. Mas agora você vai ficar lá em casa né?
— Henry, não.. – Falei me levantando com ele em meu colo.
— Mas você não pode ir, Emma. Ela vai deixar você ficar, não vai? – Falou olhando para Regina.
Olhamo-nos e eu não sabia o que dizer. Ele pulou para o colo dela e pude sentir um alivio sobre seus ombros, o sorriso a tomou por completo, com o garoto ali.
— Ela pode né? – Perguntou novamente, ela assentiu.
— Vamos pra casa né? Você quer comer? – Perguntou a ele.
— Quero sorvete!
— Não guloso, vai comer comida. – Falei bagunçando seus cabelos novamente.
— Antes você era mais legal. – Falou fazendo bico e todo mundo riu.
Eu sabia que ainda teríamos que conversar, que ambas estávamos adiando isso a cada minuto. Fomos para casa de Regina, ela preparou comida enquanto eu brincava com Henry. Ele me contou das coisas que fazia com Regina e eu fiquei verdadeiramente feliz, porque ela evoluiu muito, ela rompeu suas próprias barreiras e seus medos em relação a ser mãe.
Depois de comermos ele me chamou em seu quarto e dormiu abraçado ao meu braço. Uma cena tão linda. Essa hora pensei em como seria ser mãe, quando estava com ele sempre me sentia tão próxima disso e era tão bom.
— Tão bom ver isso. – Regina apareceu na porta.
— Bom estar aqui. – Falei alisando os cabelos de Henry, saindo da cama lentamente.
— Vem.. – Falou e me puxou pela mão para seu quarto.
Olhei em volta, lembrando-me das vezes que dormimos juntas, dos beijos, toques, a ultima vez, fiquei abalada.
— É estranho. – Falei me sentando na cama ao seu lado. – É estranho estar aqui e não conseguir pensar por onde começar.
— Eu já disse isso Emma, eu quero uma segunda chance para nós. Eu sei que você acredita em nós, senão não estaria aqui, não estaria encarando seus sentimentos de frente, não estaria me encarando. – Falou sentada a minha frente.
— Eu tenho medo. – Falei sincera. – Eu estava aqui sozinha, de repente veio você e Henry e eu senti coisas que nunca havia sentido na vida! A intensidade dos sentimentos me pegou de modo avassalador, Regina. E você estava tão insegura, eu sabia disso, eu sentia isso e deu no que deu. Eu errei, eu deveria ter ficado e ter conversado com você. Mas se eu ficasse, nós teríamos brigado mais e mais e nos machucado mais e mais, pelo menos em casa eu consegui esclarecer minha mente, apesar de me sentir morrendo dia após dia. E você também errou. E por isso o medo, porque as chances de dar certo, são.. mínimas? – Terminei a olhando fixamente.
— Talvez seja, talvez não tenha nenhuma chance de dar certo. Mas eu prefiro arriscar. Se envolver é como se atirar de um precipício Emma, eu pensei que daria de cara no chão, eu me estrepei quando vi que você tinha ido, mas estou disposta a pular de novo. Quão louco isso pode ser? Todos os dias eu olho essa calma e o vazio dela pesa igualmente ao vazio que ficou sem você aqui. O laço que criei com você é inexplicável, é demais para mim. Eu só queria entender, queria viver isso.
— Sabe o que eu não entendo? – Falei com os olhos queimando e uma decisão quase tomada, dependeria unicamente das palavras que eu sabia que ela estava segurando, por medo ou algo do tipo. – Porque arriscar tão alto?
— Emma.. – Sua voz saiu falha. Suas mãos soltaram as minhas, lentamente.
— Eu preciso de algo seguro Regina, não posso ficar com a insegurança.. Eu nunca consegui ser assim.
— O que mais você quer de mim, Emma?
— Quero saber o que sente!
— Eu te amo. – Regina disse de modo quase inaudível olhando para baixo. Coloquei o dedo em seu queixo a fazendo me olhar, seus olhos brilhavam marejados. – Nunca senti isso de fato, nunca fiquei tão desesperada com um sentimento, nunca surtei tanto tentando encontrar respostas para perguntas que eu nem conseguia formular, nunca me senti assim. É maravilhoso quando está aqui, mas é destruidor quando não está.
O desespero saia junto com suas palavras, com as lágrimas. Passei o dedo em seu rosto, secando a palavras e avancei sobre ela a abraçando. Apertei Regina, como se aquilo a fizesse se acalmar e nunca mais sair de perto de mim. Minha mão subiu afagando seus cabelos de modo carinhoso.
— Não posso te perder, de novo. – Sussurrou e me afastei.
— Não vou a lugar nenhum. – Falei. Ela fechou os olhos ao sentir minha mão em seu rosto, rocei meus lábios nos seus, dando inicio a um beijo urgente, carregado de sentimentos. Suas mãos pousaram em minha cintura, prendendo em minha blusa, apertando, buscando todo e qualquer contato. Seus lábios nos meus me causavam um choque tão gostoso, tão bom. Estava feito e eu posso dizer com toda certeza, o sentimento sempre foi recíproco.
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