A Babá.
11 Capítulo 11
POV EMMA
Eu e Regina tivemos uma noite maravilhosa, a tensão da brilha desfez-se em gemidos, toques, carinhos. Porém quando acordei a primeira coisa que fiz foi pensar nas coisas que ela avia dito, que Robin havia dito. De onde tiraram a ideia de que eu tinha interesse em Henry? Amava aquele garoto, mas jamais havia pensado em algo assim.
Levantei com cuidado para não acordá-la, sai na área da casa e vi o email sobre a vaga, na verdade uma seleção para trabalhar numa escola particular na cidade onde nasci, o salário era realmente agradável, juntando os benefícios e tudo mais, uma oportunidade muito boa e completamente na minha área.
— Bom dia. – Ouvi a voz de Henry atrás de mim.
— Oi meu pequeno, vem cá. – Sentei-me em um tapete que havia ali e coloquei-o em meu colo.
— A mamãe está brava porque te liguei? – Perguntou manhoso.
— Não e se ela brigar com você, me fala e se acontecer de novo, me liga mesmo, ok? – Perguntei e ele assentiu.
— Olha aquela nuvem, parece um avião. – Falou apontando e olhei.
— Parece e aquela parece uma banana.
Passamos longos minutos olhando as nuvens, ele sempre falava alguma coisa de Regina, deveria ser ela ali e não eu.
— Vai acordar a mamãe, Henry. – Falei e ele fez uma expressão triste.
— Ela me mata. – Falou.
— Vai e diz que eu mandei. – Falei me levantando.
Entrando em passos curtos no quarto, ele estava todo animado, disse que fez isso uma vez na vida e levou uma bronca. Fiquei na porta olhando quando ele pulou nela gritando “ACORDA MÃE”, ela tateou a mão e acendeu uma luminária em seu criado mudo, sua expressão não era nada feliz.
— MENINO, SAI DAQUI. – Falou em alto e bom tom.
— Emma deixou. – Falou ainda animado, vi seu olhar me fuzilando, nem suavizou a expressão.
— Vou matar ela no seu lugar. – Falou revirando os olhos.
— NÃO! – Ele disse abraçando minhas pernas. – Emma não pode morrer, quem vai ficar comigo? – Perguntou levantando os braços para ganhar colo. O peguei com o coração na mão. Não sei o que foi pior, a carinha dele ou a expressão de Regina ao ouvi-lo dizendo essas coisas.
— Não vou morrer meu lindo, o que acha de ler o livro que a professora te mostrou? – Perguntei o levando até seu quarto. – Fica aqui até eu voltar.
Sai de lá e juntei coragem para falar com Regina, ela é alterada demais com o garoto.
— Você é louca? Porque mandou ele aqui, Emma? – Perguntou quando entrei no quarto e a vi sentada na cama alisando os cabelos.
— Pelo amor de Deus Regina, é só uma criança. Qual o problema do seu filho te acordar? São momentos assim que ele deveria guardar com você. – Falei me sentando na cama.
— Eu odeio isso. – Falou revirando os olhos.
— Por Deus qual seu problema? – Perguntei indignada.
— Meu problema é não ser acostumada com nada disso e você não entender. – Falou com a expressão séria e triste.
— Eu tento entender vocês desde o dia em que pisei dentro dessa casa. “Nada disso”, você não é acostumada a ser mãe? Como assim Regina? Se não quisesse filho, era só não ter feito! De qualquer forma já foi, Henry nasceu, é uma criança linda, adorável e divertida, porém é retraído por causa dos pais! Um pai ausente e louco que tem outra família e uma mãe que não é acostumada a ser mãe e o trata como uma pessoa da rua. Você gritou com ele só porque ele te acordou, brigou com ele porque ele anda com a cobertinha na mão sempre, e se aquela cobertinha é como se fosse a sua mão que ele não pode pegar? Você e Robin são dois irresponsáveis, sinceramente, brigam na frente dele como se ele nem estivesse ali. É uma criança, são essas imagens que ele guardará em sua memória. Você não pensa nisso? – Quando terminei de falar meus olhos estavam lacrimejados, porque enquanto falava voltei a minha infância, as lembranças que eu guardo, aquelas ruins que eu jamais consegui me desprender. Não queria que Henry fosse assim. Mas sabia que depois de dizer tudo aquilo, a ultima coisa que eu saberia era sobre a vida do menino e menos ainda de Regina. Estourei com ela o que guardei todos esses dias.
— Só sai daqui, por favor. – Ela disse com os olhos tão marejados quanto os meus.
— Tem certeza, Regina? Vai me mandar embora porque eu simplesmente fui sincera? Quanto da verdade você pode ouvir? – Perguntei me aproximando.
— Para Emma! Você está sendo cruel! Você apareceu na minha vida, fez eu me sentir bem sabe? Fez eu me sentir querida por alguém e ao mesmo tempo está me devastando com essa história de como eu crio o meu filho! Eu não posso lidar com isso, então para! Eu já tenho uma ação que tenho certeza que vou perder, não preciso de mais uma pessoa buzinando no meu ouvido o quão ruim eu sou como mãe. Henry não foi planejado. – Falou e senti a sinceridade dura em suas palavras.
— Não importa se ele não foi planejado, colocou no mundo, você e Robin tem a obrigação de cuidar, dar algo além de coisas materiais. O que me dói é que eu estava tentando aproximar vocês Regina. Você avança um passo com ele e volta três. Coloca na sua cabeça que Henry é uma criança e não um adulto ou um animal que você adestra. E paralelo a isso, eu gosto de você, tentei te fazer bem, sinto muito se não consegui. – Falei de cabeça baixa na porta.
— Emma, eu sinto muito também. – Foram as únicas palavras dela, eu falei um livro e ela usou pequenas e poucas palavras. Uma lagrima desceu e fechei a porta.
Henry estava no quarto ainda, sequei a lágrima busquei meu melhor sorriso e entrei lá.
— Ei. – Falei chamando sua atenção. – Vamos conversar um pouquinho?
— Vamosss! – Ele assentiu e pegou minha mão me puxando pra cama.
— A tia vai precisar sair um pouquinho, uns dias. Você promete cuidar da sua mamãe? – Perguntei segurando o ar para não chorar.
— Ela me mandou embora, Emma? – Perguntou com cara de choro.
— Não meu amor. Eu preciso resolver umas coisas da minha vida. Robin não está mais aqui, então agora você é o homem da casa! Cuida de tudinho. – Falei fazendo um movimento e ele riu.
— Eu sou grandão né? Posso ser o homem da casa! – Falou todo animado.
— E mantenha a calma com Regina ok? Ela só é brava, não a irrite, nunquinha, promete?
— Sim. Eu sei que ela gosta de mim Emms, ela só grita comigo porque é o jeito dela, porque ela fica brava com as pessoas na prefeitura e com o papai, mas ela gosta de mim. Não gosta?
— Ela te ama! Quando você for dormir de agora em diante, fala pra ela que você ama ela também, ela vai ficar muito feliz. Agora eu preciso ir.
Levantei-me e o peguei no colo, dei um abraço apertado e não consegui conter a lágrima que desceu.
— Amo você meu pequeno. Cuida de tudo, ein.
— Vou cuidar, volta logo Emma. – Falou fechando a porta.
Respirei fundo pensando no que fazer. Não permaneci muito tempo com eles, mas tempo suficiente para transformá-los na minha família aqui nessa cidade. Permaneci sozinha aqui por um bom tempo e de repente eles apareceram e foi como ter um lar novamente. Senti-me frustrada, mal de verdade, porque no fim o meu esforço de aproxima-los foi em vão. Eu estourei, ela estourou e era tão óbvio que isso aconteceria. Mas sempre fechamos os olhos para coisas óbvias quando outras coisas boas aparecem em nossas vidas, grande erro.
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