A Babá.

12 Capítulo 12


POV REGINA

O que foi que aconteceu entre mim e Emma? Essa era a pergunta de um milhão de dólares que eu vinha me fazendo a três dias, desde aquela briga. Eu nunca tinha visto-a daquela maneira e nunca tinha visto alguém falar comigo daquele modo, sem medo.

Ela foi corajosa, porém cruel, cada palavra dela me cortava lenta e dolorosamente. Eu merecia cada uma delas, no tempo que passou em casa ela presenciou o meu melhor e o meu pior. Gostaria que fosse diferente, gostaria que tivesse continuado com isso que criamos, mesmo que não tenhamos oficializado nada, quando estávamos juntas, ambas sabíamos que nos pertencíamos.

Mas não foi, não deu. Nesses dias em todas as noites eu tive o mesmo sonho, a cena da briga no quarto se repetindo várias vezes. Eu acordava assustada tampando os ouvidos, não queria ouvir mais, não conseguia mais suportar aquilo.

Uma noite eu acordei gritando para ela parar, Henry apareceu na porta do meu quarto com a cara assustada. Eu ainda estava com medo de perdê-lo, o chamei para minha cama e vi o olhar assustado dar olhar a um sorriso.

— Posso dormir aqui, mamãe? — Ele perguntou.

— Pode, vem cá. — Falei o aconchegando em meus braços. Lembro-me de ter feito isso há anos atrás.

— Mesmo? Você não vai brigar comigo pela manha? — Perguntou ainda desconfiado.

— Dorme.. — Sussurrei e dei um beijo entre seus cabelos.

— Te amo, mamãe. — Falou e vinha falando todos os dias desde que Emma se foi. Isso sem contar que ele perguntava pelo menos três vezes no dia sobre ela.

Dormi tranquilamente com ele ali e quando acordei ainda estávamos na mesma posição. Uma lágrima me desceu, Emma sempre ficava com ele daquela forma, eu estava com saudades do jeito leve dela, de ouvir os dois gargalhando enquanto eu tomava banho, de tentar ver filme com eles e sempre ser um fiasco, dos carinhos e toques dela.

— Droga Emma.. — Falei baixinho.

— Emma? Ela vai vir aqui mamãe? — Henry disse pulando da cama.

— Não meu amor.. Mas que tal a gente ir passear hoje? A mamãe a prefeitura, é rapidinho e depois podemos ir ao parque, você pode brincar com seu barquinho. — Falei me sentando e o abraçando.

— Mas não tem a Emma pra brincar, você nunca brinca. — Ele respondeu cabisbaixo.

— Me ensina a brincar, que tal? — Tentei e vi seus olhos brilharem.

— Vou brincar com a Mamãe, ebaa! — Ele disse fazendo uma dancinha na cama, comemorando. Como não rir.

Henry era meu filho, eu tenho consciência que perdi muito dos momentos de mãe e filho e só agora que estava na corda bamba, quase o perdendo, estava me dando conta disso, graças a Emma.

Ele tinha aula, enquanto a professora estava lá eu fui a prefeitura. Quando contratei Emma havia sido em termos legais. Fiz todos os documentos necessários da demissão, pagaria tudo, pois sempre soube da condição dela. Porém minha intenção mesmo, era usar isso como desculpa para vê-la.

O envelope continha documentos rescisórios, o dinheiro referente a isso e uma carta. Não queria que ela me perdoasse, porque não tinha porque, só queria que pudéssemos tentar. Mais uma vez. Nunca tive nada parecido com o que tínhamos, tão único, tão intimo e em tão pouco tempo.

Voltei para casa, peguei Henry e segui até a casa dela.

— Emma.. — Henry disse reconhecendo. — A senhora sabia que ela tinha um monte de brinquedo? Um montão mesmo, me trazia aqui para brincar com eles.

— A é? A gente pode comprar um monte pra você também. — Comentei e ele assentiu.

Apertei a campainha, a chamei e nada. Longos minutos, a cada um deles eu ficava mais nervosa. Quando estávamos quase desistindo, uma senhora atendeu.

— Ela se mudou moça. — Ela gritou e nos viramos. — Ontem mesmo ela deixou a casa.

— Não.. — Falei sentindo um nó na garganta. — A senhora tem endereço dela ou sabe para onde ela foi?

— Tenho esse aqui.. — Falou e entrou. — Ela deu para que eu lhe mandasse depois algumas coisas que deixou na casa.

— Obrigada! Precisamos ir, obrigada mais uma vez. — Falei saindo.

— Ela foi embora? Ela disse que só viajaria.. — Henry disse com os olhos marejados. Partiu-me o coração ambas as coisas.

— Ainda quer brincar? Tomar sorvete.. — Falei depois de um longo tempo dando voltas, pensando no que fazer.

— Quero! — Henry disse.

Fui ao correio e encaminhei o envelope para o endereço que a mulher havia dado. Eu poderia ligar, mas não tinha esse direito.

Os dois foram se passando lentamente. Emma queria me aproximar de Henry, ela conseguiu de qualquer modo. À medida que os dias passavam eu deixava uma a uma das minhas barreiras caírem e acompanhava mais a vida do meu filho. Cada dia mais próximo de irmos saber quem conseguiria a guarda dele, cada dia mais apreensiva com isso.

Com o passar do tempo ele foi perguntando menos sobre Emma, antes era de manha, à tarde e a noite principalmente. Depois só de noite. Depois parou. Nenhuma palavra, eu sabia que ele sentia falta dela, assim como eu.

Eu esperava receber o envelope de volta, com a assinatura dela e quem sabe um bilhete? Quando o carteiro batia aqui, eu faltava correr para ver o que havia chegado e ficava extremamente desanimada com era algo qualquer.

Mas então.

— Mãe! — Henry me chamou da sala.

— Que desespero é esse, pequeno? — Perguntei e ele estava segurando um envelope. — Tá escrito Emma aqui. — Mostrou as letrinhas pequenas.

Arregalei os olhos e peguei.

— Já volto. — Falei e me enfiei no quarto, completamente nervosa. Sentia-me uma adolescente que havia terminado de receber uma carta de um namoradinho/a.

Abri e peguei tudo que havia dentro. A rescisão assinada, juntamente com todo o dinheiro que havia mandado, fiquei confusa. Coloquei de lado e ainda havia um envelope pequeno dentro e uma carta. Minhas estruturas se abalaram enquanto eu desdobrava o papel.

"Antes de tudo, eu não quero esse dinheiro. Porque no momento que passei a amar Henry e me apegar a você, deixou de ser um emprego.

Bom dia? Boa tarde? Ou boa noite? Considere o mais adequado.

Eu gostaria de te bater Regina, sendo sincera mesmo. Eu estava ai do seu lado, eu estava tentando e foi preciso eu sair para você se aproximar do seu filho. Isso me leva a pensar em como a vida é cheia de coisas estranhas. Eu precisei entrar na sua vida, para mostrar como você estava agindo mal, porém era só essa a minha missão, te fazer abrir os olhos, pois enquanto permanecesse ai, você jamais se aproximaria dele de fato, pois seria mais cômodo deixá-lo comigo.

Quando brigamos aquele dia, eu não entendi isso, mas depois de alguns dias, quando estava voltando, eu consegui ver com clareza. Em algum momento você teria que enxergar seu filho, como um filho.

Eu li sua carta, eu sinceramente gostaria de não ter lido, gostaria que tivesse sido seca, grossa, fria, para ser mais fácil lidar com qualquer coisa vinda de você. Pois eu segui a vida, um dia antes de brigarmos havia recebido um e-mail de uma vaga, ia conversar com você sobre, eu iria ficar ai, mas ai aconteceu tudo aquilo e não deu. Aceitei, não sei te dizer quantas lágrimas foram necessárias para eu me remontar depois do furacão que você e Henry foram em minha vida. Mas eu estava convencida de que havia conseguido. Até ler essa carta.

Agora parece que voltei à estaca zero. Mas não importa.

Eu estou aqui torcendo para que você consiga a guarda dele, pois se estão como mencionou na carta, você merece isso. Alias, mesmo quando não era próxima dele, você merecia, só pelo fato de ter dado cuidado e bem mais atenção que o pai dele.

Enfim é isso, apesar de tudo, obrigada pela carta. Eu sinto saudade de vocês, não mande beijo para Henry, pois sei que ele já me superou, mas dê um beijo nele por mim. Espero que ele sempre diga que te ama, como eu disse a ele.

Espero que fiquem bem.

Com carinho, Emma Swan.

OBS: O envelope contém algumas coisas que podem te ajudar a ter a guarda do pequeno"

Notas finais
No próximo vaaamos ter a inicio da audiência sobre a guarda do garoto, segurem..