A Babá.

10 Capítulo 10


POV REGINA

Emma foi tão segura quando disse que eu não perderia Henry, que me apeguei a isso. Assim como me apeguei a ela, as sensações que sentia quando estava com ela. Eu procurei uma advogada, Ingrid, pois confiava muito nela. Chamei-a na prefeitura, o histórico de safadeza dela era enorme e não estava a fim de passar raiva com isso.

— Você e Robin separaram? Como assim? — Perguntou curioso.

— Ele.. Me traiu. — Falei com certa resistência.

— Rapaz.. — Falou arregalando os olhos. — Ele é louco de te deixar. Mas enfim, porque me chamou? Não foi pra falar de coração partido, né?

— Não estou de coração partido, Ingrid. Quero seus serviços de advogada. — Falei revirando os olhos.

— Não está de coração partido? Conta outra! — Falou debochada.

— Digamos que eu esteja em outra "coisa". — Falei tentando ser minimamente discreta.

— Você também tem outro! Não acredito, logo você que tem aversão a traição, não creio. — Falou com a boca aberta. Que raiva desse ser humano.

Alguém bateu na porta no momento em que pensei em jogar o telefone em Ingrid.

— Emma está aqui. — A garota da recepção disse. Sorri instantaneamente e pedi que mandasse entrar.

— Desculpa atrapalhar.. — Falou corando assim que viu Ingrid.

— Tudo bem, ela é a advogada. — Falei. — Aconteceu alguma coisa?

— Não, é que eu queria saber se você está bem e avisar que quando você sair daqui, nós vamos no cinema. — Falou animada.

— Nós vamos? — Perguntei arqueando a sobrancelha.

— Sim, porque eu e Henry decidimos e somos maioria. — Falou. — Deixa eu voltar, porque ele está com a professora. — Me deu um beijo rápido na bochecha e saiu.

— Acho que você não tem outro, você tem outra! — Ingrid disse animada.

— Fica quieta! Ou vamos ver computadores voar. — Falei revirando os olhos.

— Está do lado negro da força, ou devo dizer colorido? Que escolha ein, se um dia cansar, me da o número.

— DESISTO DE VOCÊ INGRID. — Falei visivelmente nervosa. — E fica longe daquela loira.

— Ciumenta, tem que dividir as coisas.

— Vou dividir um tapa em cada lado de você. Sério, preciso saber se há chances de Robin ter a guarda de Henry.

— Tem, não é novidade pra ninguém que você é louca por serviço, Regina. Uma excelente prefeita, porém peca na parte de família. E Henry não tem idade legal para escolher.

— Eu faço qualquer coisa para não perder meu filho, Ingrid, ele é tudo que tenho.

— Vou tomar ciência da ação que ele abriu, ver os prazos, vou fazer tudo que puder Regina.

— Obrigada. — Falei, porém não havia me acalmado.

— Mande beijos a sua namorada. — Falou saindo da sala.

“Minha namorada”, ri ao pensar nisso, não tínhamos algo definido, apenas estávamos juntas. Passei o resto da tarde pensando nessas duas palavras que significavam tanto. Concentrar-me em qualquer coisa foi difícil. Quando deu cinco horas que sai, lé estavam os dois brincando de lutinha, duas crianças. E a recepcionista os olhando de cara feia, isso estava começando a me incomodar.

— Vocês não deveriam estar aqui. – Falei apertando os olhos.

— Como não? Eu avisei. – Ela disse sorrindo e se levantando. – Eu acho que essa menina. – Falou olhando sem disfarçar. – Gosta de você e me odeia, porque até Henry se incomodou com os olhares dela.

— Vou dar um jeito nisso. – Falei a olhando por alguns segundos.

— Então vamos mãe! – Henry disse animado pegando minha mão.

Esperei que todos saíssem e tranquei a prefeitura. Fomos em meu carro, os dois foram cantando umas musicas ruins de criança, Henry nunca gostou dessas coisas, era até estranho vê-lo daquela forma. Eles se davam realmente bem, tinha até inveja disso.

Henry escolheu o filme Coraline, sentamos eu, Emma e ele. Ele prestava atenção no filme e ela estava inquieta.

— Que foi? – Perguntei alcançando sua mão.

— Não gosto desse filme, já viu essas pessoas com esses botões no lugar dos olhos? Não dá não. – Falou, a pouca iluminação ainda permitiu que eu visse sua expressão sem jeito.

— Que medrosa. – Falei e ela fez bico.

— Xiu. – Henry fez para nós e rimos..

Ela encostou a cabeça em meu ombro olhando e brincando com minha mão. Meu coração estava acelerado, sempre ficava assim quando estava com ela, sempre a calmaria que eu desconhecia, que era estranha por vezes. Isso que eu estava me permitindo viver é de longe a maior loucura, se der errado, eu sei, vou me devastar.

— E agora? – Henry nos assustou, eu nem havia visto o término do filme.

— Vamos pra casa, vim direto do serviço. Estou cansada. – Falei me levantando.

— Emma, sorvete? – Ele perguntou a ela com aqueles olhos pidões.

— Não Henry! – Falei.

— É rápido Regina. – Ela disse com um sorriso morno.

— Não Emma, se for sempre assim, eu falando não e você dizendo sim, fica complicado.

— Mas você pode ser mais maleável, quinze minutinhos. – Tentou mais uma vez e neguei. Ainda sim eu era mãe e sabia o que era melhor ao meu filho.

Ambos foram de cara fechada embora. Chegamos e fui tomar banho. Do banheiro pude ver eles rindo sem parar. Fiquei curiosa para saber o que era e sai logo.

— Qual a piada? – Perguntei.

— Henry me fazendo cócegas! – Ela disse sorrindo lindamente.

— Crianças. – Falei indo pra cozinha.

Emma o colocou pra tomar banho e nem note que vierá até mim.

— Criança não faz isso. – Falou abraçando minha cintura e beijando minha nuca. Arrepiei completamente.

— Não.. – Falei com a voz falha e me virei.

Ela estava sorrindo, passou os dedos em meus cabelos colocando para tras e me puxou contra si me beijando. Seus lábios nos meus me deixaram perdida por alguns instantes. Segurei em seu braço, apertando mordendo seu lábio inferior. Tão viciante. Sua mão passou dentro de minha blusa arranhando minhas costas, enquanto demos passos até a parede.

— Não faz assim.. – Tentei falar quando minhas costas chocou contra a parede e sua perna ficou entre as minhas pressionando.

— Eu estava com saudade disso.. – Falou me beijando novamente, intensamente , apertando minha cintura.

— Dorme aqui.. – Falei em seus lábios, dando chupadinhas.

— Eu vou em casa e já volto. – Falou sorrindo marota.

— Volta mesmo? – Perguntei a soltando.

— Sempre vou voltar. – Falou em soltando e dando um beijo em minha testa. – Henry está no banho, lembra? – Gritou e saiu.

Respirei fundo e fui tirá-lo do banho, sorrindo abobada.

POV EMMA

O que eu estava vievendo com Regina beirava um sonho bom, apesar de fechada, como ela era simplesmente ela, sem abrreiras, sem grosserias ou qualquer outra coisa. E eu simplesmente amava o jeito dela.

O que me incomodava era ela não conseguir quebrar a barreira com Henry, por mais que tentasse, me sentia em intermédio entre os dois.

Em casa tomei banho, dei uma arrumada em tudo. Vi meus e-mails e havia um que me chamou a atenção. Uma vaga de emprego na cidade onde eu nasci. Eu abri, quando ia ler meu celular começou a tocar.

— Regina? – Falei vendo que era ela quem ligava.

— Não é ela Emms, é o Henry. Vem aqui, agora. – Falou chorando.

— Eles estão brigando, vem Emms, por favor.

Desliguei o celular e fui quase correndo até a casa deles com o coração na mão. Chegando perto pude ouvir a voz de Regina gritando, porém outra voz também estava no fundo. Entrei sem bater e vi Henry encostado no batendo com o rosto banhado em lágrimas.

— Hei. – Falei e ela veio correndo e abraçou minhas pernas. Apontou pra cozinha e vi Regina, Robin e uma moça morena brigando.

— Você é muito cara de pau de trazer essa vadia aqui! – Regina gritou e tampei os ouvidos e de Henry.

— Ele é meu filho, tenho direito de vê-lo! – Robin gritou. – E não xinga Marian.

— Chega! — Entrei na cozinha com o garoto em meu colo e os três me olharam assustados. – Tem uma criança aqui, isso tem que parar. — Falei friamente olhando os três. – Vocês são pais, cade a responsabilidade?

— Ótimo, a mamãe dois chegou. – Robin falou irônico. – Sabe Regina, essa menina cuida melhor de Henry que você.

— Chega Robin, já falei! Você tem direito sobre o Henry, mas não tem direito de trazer sua outra mulher aqui. Que palhaçada!

— Pai quem é ela? – Henry perguntou olhando, coçando os olhos.

— É a outra mulher do papai, querido! – Regina disse furiosa.

— Henry meu anjo. – Robin disse se aproximando de nós. Colocou as mãos para pegar o garoro, porém ele se agarrou mais ainda a mim. – Vem comigo.

— Não! – Falou sem olhá-lo.

— Deixa ele Robin. Isso não é fácil, ele é uma criança, vocês estão o machucando. – Falei tentando manter a calma.

— Você quer tirar meu filho de mim, não é Regina, é você! – Robin disse em tom acusatório.

— Não tenho culpa que você não dá atenção a seu filho. Toda criança precisa de cuidado e quando cheguei aqui o que encontrei foi uma criança carente. Não me culpe pelos erros de vocês. Vai embora, até onde eu sei você já abriu uma ação com o pedido de guarda, se eu de rparte que está aqui, pode ter certeza, suas chances vão de 1% a nada.

— Você é louca Regina, nem sabe quem é essa garota. – Falou saindo batendo porta. Fiquei observando a mulher, Marian, o ser não teve boca para dizer nada.

Não falei nada a Regina, levei Henry para a cama dele e foram quase vinte minutos para conseguir acalmá-lo e fazê-lo dormir. Eu estava brava, havia três adultos na cozinha e nenhum pensou no garoto, ambos disputando quem é melhor ou qualquer coisa assim.

Sai do quarto e Regina estava sentada na mesa da cozinha, contornando a boca do copo com o dedo. Mania dela. Pude ver as lágrimas descendo de seu rosto, respirei fundo e fui até lá.

— Porque ele te ligou? – Perguntou sem me olhar.

— Ele estava desesperado, Regina. O que fizeram foi errado, imaturo. – Falei séria.

— Ele tinha que trazer ela, Emma? Tinha que esfregar na minha cara que encontrou alguém melhor que eu? – Falou me olhando e meu coração doeu.

— Você ainda gosta dele, isso é tão claro quanto a luz do dia. – Falei admitindo isso a mim mesma. Que facada.

— Não. Mas tivemos um casamento e a sensação de ser trocada me machuca. Você só troca algo que não é bom. Agora Henry está me trocando por você. – Arregalei os olhos ao ouvi-la pronunciar essas palavras.

— Você acha que eu quero roubar seu filho de você, Regina? — Perguntei lembrando das palavras de Robin, isso só poderia ser brincadeira.

— Não.. Mas ele te trata como mãe.. Eu não sei, Emma. — Falou me olhando.

— Eu me recuso a ouvir isso. — Falei saindo da cozinha. — Cuida do seu filho Regina, não quero roubar ele. Fui muito trouxa de acreditar que conseguiria unir vocês.

Sai da cozinha e fui em direção a saída da casa, porém sua mão firme me fez parar com as mãos na maçaneta da porta.

— Emma.. – Falou e me virei, seus olhos estavam marejados.

— Não quero conversar Regina, estou chateada com você. Se ficar aqui vamos brigar. – Fui sincera.

— Desculpa.. eu estava nervosa, Robin me deixou confusa. – Faloue arqueei a sobrancelha.

— Imagino, você precisa admitir que ainda gosta dele e se desprender disso. Mas não me use para isso, porque eu tenho sentimentos.

— Não estou te usando! – Ela gritou quando eu já estava do lado de fora.

— Não? Você estava desesperada ali por causa da outra mulher dele! – Falei me virando.

— Eu não estava desesperada por ele ou qualquer coisa assim. – Falou com lágrimas descendo de seu rosto. – Você não entende a droga do sentimento de ser trocada, você não sabe. – Falou com a voz falha, ambas nos aproximamos e nem vimos isso.

— Eu não entendo, nem tenho culpa. Não desconta de mim. – Falei passando o dedo em seu rosto, nas lágrimas.

— Desculpe.. – Falou alcançando minha mão.

— Regina, temos algo a conversar. – Pensei no email, na vida, neles.

— Amanha. – Ela falou e me puxou para dentro.

Me deixei levar, ela me prendeu contra a porta e me beijou de modo urgente, no meio do beijo pude sentir o gosto salgado de lágrimas e me concentrei em fazê-la relaxar. Apertei as mãos contra seus cabelos e dei beijos em seu pescoço. A conduzi até o quarto distribuindo beijos por todo eu rosto. Ela me jogou na cama e pude ver sua expressão mudar, seus olhos brilharam. Sorri a puxando para junto de mim. Deixaria o assunto pra outro momento.