POV EMMA

O emprego de Babá me caiu feito uma pena. Não era exatamente o que eu queria, mas muito útil e agradável. Eu amo crianças, e cuidaria de um garoto de 5 anos, todos os dias até à hora que a mãe dele chegasse.

Ela é a prefeita da cidade e não me lembro de tê-la visto alguma vez na vida. Trocamos duas palavras no telefone e só. Ficou acertado que eu começaria no dia seguinte, receberia um salário e benefícios, teria disponibilidade de horário. Ela me falou tudo, menos que o garoto era terrível.

Quando cheguei na casa, ela já havia saído, tinha um bilhete na porta dizendo para eu ter paciência. Caligrafia bonita a dela. Assina como Regina Mills, nome forte.

— Eu odeio você, odeio, odeio, odeio. Todas as babas não me aguentaram, porque eu odeio todas e odeio você. — O menino, que chama Henry e nem tem tamanho de gente apareceu gritando pra mim. Isso explica o bilhete.

— Odeio você também! — Falei dando de ombros pra ele. — Nos odiamos, uhul. — Ele parou de gritar de ficou me olhando como se eu fosse um ET. Pegou a coberta e foi para o sofá assistir desenho, que menino louco.

— Quer comer alguma coisa? — Perguntei sentando no outro sofá.

— Odeio você ainda. — Ele respondeu com o voz mansa.

— Também te odeio. Mas vamos comer alguma coisa nos odiando. — Falei me levantando, ele me olhou desconfiado, mas assentiu.

— Cereal, é o que eu como toda manhã. — Falou apontando para o armário.

— Pão, bolacha, bolo, donnuts, coisas de criança você não come? — Perguntei olhando os armários, só tinha coisas saudáveis e nada de criança.

— Minha mãe não deixa. — Ele falou acuado no sofá.

— Coloquei cereal com leite e levei pra ele. Peguei um pote de Nutella na minha bolsa e uma bolacha que sempre carregava comigo.

— Que isso? — Ele perguntou aparecendo na cozinha com a coberta pendurada.

— Isso são coisas gostosas. Que não vou te dar porque me odeia.

— Minha mãe não deixa eu comer essas coisas. — Ele disse olhando para a Nutella, aquele olhos pequenos e pidões.

— Come. — Falei entregando uma bolacha pra ele. — Sua mãe nem vai saber. — Ok, isso foi um erro, ele comeu quase toda minha bolacha e depois disso ficou elétrico.

Logo no início soube o problema dele. Carência. Ele só queria atenção e quando eu mostrei que não iria embora e ainda dei a bolacha, ele derrubou o muro do "eu te odeio" e me puxou pela casa toda me mostrando tudo, até seu quarto. Cheio de livros, lápis, cadernos, mas e os brinquedos? Nenhum.

Henry era extremamente inteligente, muito mesmo, mas era para uma criança e precisa de coisas de criança, contudo nada naquela casa tinha um ar infantil. É uma casa de adultos, isso me incomodou, o tempo que estivesse com ele o ensinaria como se divertir de verdade.

Brincamos de esconde esconde, pega pega, ele estava aprendendo a escrever e brincamos de forca para ele treinar a escrita, letras de forma desajeitadas. Almoçamos o que Regina havia deixado escrito em um bilhete no fogão e brincamos mais a tarde, até ele cansar e dormir em meu colo na sala.

— Não acredito. — Ouvi uma voz que olhei. Acho que a mãe dele. Uma mulher baixa, com salto, cabelos curtos, olhos castanhos claros, muito bonita. Pendurou a bolsa num ganchinho próximo a porta de modo mecânico e veio até nós.

— Oi, sou Emma. — Falei estendendo a mão e me mexendo o minimo possível para não acordá-lo.

— Sou Regina Mills. Você é a primeira pessoa que consegue passar um dia inteiro com ele. — Falou me cumprimentando e mexendo em seus cabelos. — Ele disse que te odeia também? Que odeia o mundo?

— A sim, foi a maneira que ele me recepcionou "eu te odeio" várias vezes. — Falei rindo, observando como estava tranquilo. — Mas é um amor de criança. Amanhã eu retorno. — Falei meio sem jeito. Ela era muito chique e eu, uma menina de 19 sem ter onde cair morta.

— Certo. — Ela disse abrindo a porta.

— Posso levar ele a minha casa amanha? Ele tem alergia a alguma coisa? — Perguntei já do lado de fora.

— Não encha ele de doce, ele fica muito elétrico. Guardei seu rosto, se algo acontecer a ele, eu te mato. — Ela disse sorrindo e assenti virando as costas. Que mulher louca.

Fui pra casa andando mesmo, pois era apenas a umas quadras dali, tomei um banho, comi comida congelada e abri um bau que estava escondido embaixo da minha cama. A muito tempo não mexia ali. Quando o abri, as lembranças me tomaram., juntamente com as saudades. Ursinhos, jogos de cartas, lego, bonecas, carrinhos, bonequinhos, minha coleção de miniaturas de animais, toda minha infância estava ali. Fiquei até altas horas da noite limpando algumas coisas e separando outas para mostrar a Henry, aquela criança iria aprender a ser criança. Pelo que percebi Regina o tratava feito um robô.