A Arte do Caos

32 Um rolé dimencional... - P/1


Notas iniciais
Eu n morri

Doeu pra caralho. Suas costas e cabeça estavam dando fincadas de dor. Gemeu. Iria matar Natsu e Gray. Piscou várias vezes enquanto a dor da queda inesperada passava aos poucos. Estava em uma floresta, com pinheiros altos e estranhos cobertos de musgo. O lugar era úmido e podia ouvir o som das ondas quebrando de longe.

—...cy! Lucy! — ouviu uma voz feminina chamando.

Ergueu o corpo, sentando-se, gemendo algumas vezes, e analisando ao redor. Estava sozinha. Foi quando percebeu que o som vinha de um bracelete desconhecido em seu pulso.

—Shinuky? — falou.

Uma das pequenas pedras lacrima na pulseira brilhou, projetando a imagem de Shinuky.

—Graças aos Deuses! Você está bem?

—Sim, só um pouco dolorida. Onde eu estou?

A imperatriz ficou vermelha.

—Aqueles idiotas começaram a brigar no meio dos meus artefatos mágicos. Você e Acnologia foram transportados para outra dimensão.

—O que? — Exclamou. Sua última experiência em dimensões paralelas foi terrível.

—Não se preocupe, você vai voltar. O bracelete vai se alimentar de sua magia. Você deve voltar em alguns dias no máximo. Isso é, se não usar magia, o que significa que não posso continuar falando muito tempo com você. Acnologia está ai?

Olhou em volta verificando que estava sozinha.

—Não.

—Merda. — Praguejou. — Encontre-o. Ou espere o filho da mãe te encontrar. Podem ter parado em lugares diferentes nesta dimensão, mas não muito longe. Ele vai te achar e quando o bracelete carregar é só ativá-lo e poderão voltar para casa. Evite usar magia a todo custo. Quanto mais você usar da sua energia mais tempo vai demorar para voltarem. Entendeu?

Acenou.

—Ótimo. Ache um lugar seguro. Só entre em contato se precisar.

E desligou. Lucy piscou, atordoada.

—Ótimo! — Resmungou para o nada. — Estou em um lugar estranho, sozinha, e sem poder usar magia.

Levantou e começou a analisar o local. Precisava ir para um local alto para ver tudo. Subiu em um pinheiro e a primeira coisa que viu era um vulcão. E mar, muito mar. Suspirou. Estava em uma ilha, muito provavelmente. Se houvessem humanos poderia tentar conseguir ajuda. Caso não existisse ninguém, precisaria fazer um acampamento.

Foi na direção das ondas e acompanhou o litoral. Se houvessem pessoas elas estariam em algum lugar próximo ao litoral. Enquanto andava viu algo que não pode distinguir bem. Parecia um animal bem pequeno, com asas, sobrevoando a ilha em direção ao mar. Até poderia ficar assustada, mas depois de ter entrado com seu time na floresta de monstros isso não era nada.

Em poucas horas de caminhada viu um pequeno aclive rochoso e o escalou. Quando chegou ao topo seus olhos brilharam. Cabanas. Cabanas diferentes, verdes, vermelhas, azuis, prateadas, pretas, e em variedade. Eram poucas, mas indicava que ao menos meia dúzia de pessoas morava ali. No centro havia uma arena aberta e no topo, uma cabana que parecia destinadas a reuniões. Algumas pequenas torres de vigilância com aqueles estranhos animais pequenos e voadores presentes em partes estratégicas.

Era um forte.

Viu algumas pessoas saindo de dentro de uma das cabanas e indo para a arena. Quase todas possuíam elmos, machados e espadas. A fez lembrar dos livros de vikings que sua mãe lhe dava com ilustrações. Mas foi outra coisa que lhe chamou atenção. Um animal enorme, vermelho e preto, com os braços em longas e poderosas asas e garras, movendo-se com calda longa. Ele atirou fogo pela boca em um dos homens, mas não teve a intenção de acertar. O garoto pareceu gritar de volta com ele.

Um dragão!

Não tinham magia, mas com toda certeza entravam na definição de Dragão.

E como um chamariz outros humanos apareceram. Um deles, vestido com couro negro e marrom, com uma perna de metal, parecia o líder do grupo, já que todos pareciam ouvi-lo. Os outros dragões, um azul com uma calda longa e espinhosa, um prateado com uma calda de laminas ainda maior, um marrom gorducho com uma mandíbula bem grande de dentes largos e um verde de duas cabeças de pescoço extremamente longo estavam lá. Não pareciam inimigos. Agiam pacificamente com os humanos.

Aparentemente cada um deles tinha um dragão. Eles estavam próximos aos seus cavaleiros. O verde parecia ter a responsabilidade com dois deles, um homem e uma mulher, muito parecidos. Se cada um tinha um dragão, então onde estava o do líder?

Como uma maldição anunciada sentiu uma respiração batendo em suas costas. Virou-se deparando-se com um par de olhos verdes enormes de um dragão negro a centímetros do seu rosto. Gritou e pulou para trás, caindo pelo pequeno aclive e chamando atenção dos outros. Ouviu-os gritar em uma língua estranha. O bracelete reluziu e, de repente, conseguia entender tudo.

—Banguela! — Gritou o líder. — Quem é você? O que quer aqui? — E sacou uma espada serrilhada que pegava fogo, apontando-a para seu pescoço.

Os outros também se juntaram para analisá-la. Ergueu as mãos em sinal de rendição, tentando não parecer uma ameaça.

—Meu... — engoliu. — Meu nome é Lucy. Eu caí aqui. Por acidente.

—Você espera que a gente acredite? — Exclamou a mulher lhe apontando um machado duplo. — Soluço, ela deve estar trabalhando para o Vigo. Talvez tenha mais soldados no domínio.

Vigo?

De repente o dragão negro, esguio, um pouco menor que os outros, mas com certeza mais ágil, ficou a sua frente, cheirando-a. Parecia curioso. Seu medo e resquícios de hesitação perante a situação evaporaram, trazendo à tona seu fascínio por dragões.

—Wow. Você é impressionante. — Murmurou esticando a mão para tocá-lo.

Ele hesitou, mas permitiu que o tocasse. Usou os pequenos truques que sabia, e começou a coçar sua pele escamosa, indo pelo pescoço até chegar nas orelhas. Ele ronronou, satisfeito e se aproximou um pouco mais.

—Banguela? — Aquele que chamaram de Soluço murmurou.

—Ele está confiando nela? — A mesma mulher de antes, com uma saia de espinhos, cabelos loiros como os seus e olhos azuis marcantes falou.

—Ela deve estar coberta de erva de dragão, ou algo assim. — O outro, mais baixo que o lider, ao lado do enorme dragão vermelho falou.

—Não funciona. Não com Fúrias da Noite. Nem com quase nenhum Dragão. — Falou o homem com Dredes, cabelo branco e segurando uma maça medieval apoiada no ombro.

—Ehhh. — Murmurou a mulher extremamente parecida com ele, de tranças. — Nós já tentamos. Aparentemente só funciona com Gronkels e espécies de Dragões menores.

O Dragão negro lhe deu uma lambida. Riu. Isso pareceu desarmá-los.

—Quem é você? — Perguntou aquele que chamavam de Soluço.

Se endireitou o melhor que pode sem parecer uma ameaça.

—Meu nome é Lucy.

Ficou surpresa. Aparentemente o amuleto fazia eles entenderem também. A loura voltou a apontar o machado para seu pescoço.

—O que faz aqui? Está trabalhando pros caçadores de dragões? Trabalhando pro Vigo?

Franziu as sobrancelhas. Com certeza caçadores de Dragões não eram bem vistos por ali. Talvez tenham conotações diferentes em um mundo que parecia não possuir nenhuma magia.

—Eu cai aqui por acidente. Não sei quem são estes... caçadores ou quem é este Vigo. — Respondeu sincera.

O Dragão negro que chamaram de Banguela se aproximou e a lambeu. Os outros também pareceram curiosos e se aproximaram para analisar. Riu quando o azulado começou a cheirar suas costas. Eles pareceram abismados por um momento, mas a mulher se recompôs, voltando a hostilidade.

—Quem mais está aqui com você?

Piscou.

—Ninguém. Estou sozinha. Cai em sua ilha por acidente.

Não foi bem uma mentira. De fato, estava sozinha na ilha, por que se Acnologia estivesse ali já a teria encontrado a muito tempo. O faro dele era muito bom, o que significa que teria caído em outro lugar, mais distante. Eles se entreolharam e se afastaram para discutir, olhando-a por cima do ombro algumas vezes. Pareciam desconfiados, e talvez tivessem motivo para isso. Só queria saber o que estava acontecendo.

—Coloque-a na jaula. — Os dois que, finalmente concluiu que poderiam ser gêmeos, amarraram suas mãos nas costas e a levaram para a maior das cabanas ali.

Não era bem uma cabana. Tinha uma pista bem grande na frente, as portas eram de ferro com desenhos coloridos de Dragões gravados, e o lugar era grande demais para humanos. Possivelmente era lá que guardavam os dragões. O interior era ainda maior, com jaulas de troncos de madeira grossos e altos, e partes de metal. Assim que a colocaram lá dentro, desamarraram seus pulsos e a trancaram.

Lucy suspirou. Aparentemente eles não confiariam nela tão fácil. Bom, só precisava aguentar menos de uma semana. Não seria tão ruim assim.

Uma queimação se espalhou em sua barriga, mas logo foi embora. Segundos depois podia ouvir o que falavam lá fora.

—Eu sei, eu sei Astrid, só que o Banguela nunca tratou um desconhecido tão bem assim. Nem a Tempestade! Eu confio no meu dragão.

—Soluço, eu também confio na tempestade, mas não sabemos de onde ela veio. E ela pode estar mentindo sobre tudo.

Ouviu um suspiro.

—A tempestade já foi subornada a gostar da Heather com coxas de galinha. — Uma galinha cantou o que pareceu um protesto. — Desculpe galinha!

—Tudo bem. — Soluço voltou a falar. — Vamos fazer uma busca. Não temos provas de que ela está ligada ao Vigo e não vamos condenar ninguém até ter certeza. Montem nos dragões e vasculhem a ilha.

Eles chamaram por eles. Rugidos e grunhidos apareceram pouco tempo depois. E silêncio. Eles partiram.

Suspirou de novo. Tinha um azar do cão. Sentou-se, respirou fundo e passou a mão no peito. Aparentemente as coisas poderiam piorar.

~*#*~

Já era noite. Ou quase. O resto de luz do dia estava cada vez menor na janela. E sua fome também tinha chegado. Suspirou de novo e ouviu passos. A porta se abriu e o tal Soluço apareceu com seu Dragão, Banguela.

—Você disse a verdade. Está sozinha.

—É. Eu disse.

Ele passou um prato de comida pelas barras. Uma sopa. Agradeceu, mesmo vendo que seus olhos verdes estavam desconfiados.

—Mesmo assim não confiamos em você. Mesmo não sendo dos caçadores.

—E é assim que tratam todo mundo então? De onde venho não julgamos as pessoas pelo acho, mas por suas ações. — Ele pareceu um pouco culpado e indeciso.

Seus olhos mudaram para a desconfiança de novo.

—Não costumava ser assim. Já perdemos muito confiando em pessoas que não deveríamos.

Lucy suspirou, parando de tomar a sopa.

—Olha, eu sei que não confia em mim. Queria que confiasse e que soubesse que estou dizendo a verdade. Não quero fazer mal nenhum a vocês, e não sei o que está acontecendo. Poderia me explicar, por favor?

Ele a analisou e hesitou. Seu dragão lhe deu uma cutucada com a cabeça em incentivo. Aparentemente ele decidiu seguir o conselho.

—Estamos em guerra contra uma organização de caçadores de dragões liderados por Vigo, seu irmão e mais alguns comparsas. Eles caçam Dragões em todo o arquipélago, procurando várias espécies raras para matar e vender pelo maior preço possível. Já levaram vários a extinção. — Automaticamente ele começou a acariciar a cabeça de seu dragão. Ele ronronou em resposta. — Já houve uma época que entramos em guerra com eles. Descobri como eles são criaturas fantásticas e decidi protegê-los. Lutamos para libertá-los.

Lucy sorriu, simpática.

—É uma missão muito nobre, Soluço. — Ele ergueu as sobrancelhas castanhas. Percebeu que cometeu uma gafe e sorriu amarelo. — Vocês não falam muito baixo por aqui.

Ele coçou a cabeça parecendo envergonhado.

—Eu não sei se vai conseguir confiar em mim, mas se precisar de ajuda eu gostaria de tentar apoiá-los. — Olhou para o Banguela e sorriu. O pequeno virou a cabaça de lado indicando familiaridade. — Acho seus Dragões criaturas incríveis. Gostaria de ajudar a defendê-los também. — Falou sincera.

Soluço não disse nada, entretanto pareceu indeciso e pensativo. Ele e Banguela se retiraram. Sentiu outra queimação se espalhar por seu corpo lhe provocando algumas pontadas de dor suportáveis por alguns segundos. Viu uma formiga carregar um pedaço de pão. Do outro lado da sala.

Suspirou. Isso seria um problema.

Terminou sua sopa.

~*#*~

Talvez fosse carma de integrantes da Fairy Tail.

Não. Com toda certeza era uma maldição conectada ao fato de ser integrante da Fairy Tail.

De que outra forma as pessoas acordariam ouvindo explosões? E não só uma vez, mas várias e várias vezes.

—Gêmeos! Apaguem o fogo nas cabanas! — Ouviu soluço gritar. — Perna de Peixe, catapultas! Astrid, Heather, peguem os soldados que estão no solo. Melequento, você me ajuda com os navios!

Outra certeza: Eles tinham nomes estranhos.

Estavam sendo atacados. Muito provavelmente pelas pessoas que não gostavam do fato deles salvarem dragões. Ouviu mais explosões. Eles precisavam de ajuda. Suspirou. Quanto mais magia usasse mais tempo o bracelete levaria para recarregar. Além disso não correria o risco de invocar diretamente seus espíritos em uma dimensão desconhecida. Teria que usar o Star Dress.

BUM!

Não era hora de pensar nisso. Pegou a chave de sagitário na cintura e usou seu poder emprestado. Suas vestimentas mudaram e um belo arco apareceu em sua mão. Esperava que funcionasse. Fez uma flecha com pouca energia e mirou na corrente. Ela explodiu facilmente. Saiu e correu para o lado de fora do pavilhão.

—Wow! — Exclamou.

Muitas coisas estavam em chamas. Catapultas eram lançadas, dragões atacando, pessoas indo atrás das outras. Era uma loucura. Bom, não tão diferente de uma festa na Fairy Tail. Alguns homens em dragões não pareciam nada com o Soluço. Acorrentavam os dragões voando em cima deles e obrigando-os a fazer o que queriam. Não gostou disso.

Pegou o arco e mirou nos homens que voavam atrás da que supunha ser a Astrid. Atirou três flechas de uma vez e explodiu seus alvos com raios impressionantes, livrando os dragões. Viu a garota a olhar, abismada.

—Ei! — Um dos invasores com máscara de couro e uma maça medieval gritou. Outros viera com ele.

Foi na direção deles, desviando de seu golpe e usando o arco para derrubá-lo e nocauteá-lo. Eles eram bem mais lentos em comparação aos magos. Era quase fácil demais. Natsu os fritaria em segundos.

Usou o arco para bloquear a espada. Girou o corpo e golpeou sua mandíbula com o cotovelo. Curvou-se quando o outro veio por trás com um machado. Girou o arco nas mãos e o acertou enquanto estava de costas. Ele caiu do pavilhão há uns bons seis metros do chão.

Viu o amigo de Soluço que montava em um dragão vermelho vindo em sua direção, tentando escapar de mais caçadores. Tomou distância, correu e pulou, bem na hora em que ele passou, caindo nas costas de seu dragão.

—Que!? — Ele exclamou.

Não esperou para explicar. Mirou nos homens que os perseguiam e atirou. A descarga elétrica de suas flechas mágicas os fritou e os dragões foram embora.

—Uau. Você é uma gata com truques escondidos. — Murmurou, tanto ele e o dragão, com seu pescoço enorme, estavam olhando para ela.

—Cuidado! — Exclamou.

Ele gritou e desviou bem a tempo de uma das cabanas.

—Porcaria de soldados do Vigo. Acaba com eles Dente de Anzol! — Resmungou.

O dragão rugiu e foi em direção ao mar, onde vários navios estavam e jogou bolas de fogo em algumas catapultas.

—É! — Comemorou.

Viu mais dragões perseguindo e atirando em um dragão prata. O Dragão de Astrid se aproximava do Dente de Anzol. Correu pela asa enorme do dragão vermelho e pulou, abrindo os braços. Aterrissou bem em cima do dragão azulado. Ele chiou de surpresa.

—Como você...? — Não esperou.

Correu por sua calda longa e pulou novamente, caindo bem nas costas do dragão prateado. Mirou rapidamente com o arco e atirou. Mais soldados caíram do céu.

—Nossa. Você é boa. — Virou-se para a garota que comandava o Dragão. — Obrigada.

Ela tinha olhos verdes e um cabelo negro como a noite, vestindo uma armadura prateada igual as escamas de aço de seu dragão.

—Não há de que.

—Meu nome é Heather.

Sorriu para ela.

—Lucy.

—Como você faz isso? Suas flechas aparecem do nada! — Astrid quem perguntou dessa vez.

Seu dragão voava pareando com o de Heather.

—Acho que não é o momento para explicar. — Murmurou.

Armou o arco mais uma vez e atirou nas catapultas de rede nos navios. Elas explodiram gloriosamente como se fossem atingidas por raios. Astrid prensou os lábios, parecendo contrariada consigo mesma.

—Suba. Me ajude com as catapultas.

Entendeu que ela não parecia muito convencida que era digna de lealdade. Pulou para as costas de seu dragão. Sobrevoando os navios, ela perguntou.

—Consegue atingi-los?

Lucy agachou nas costas do dragão, equilibrando-se facilmente.

—Me dê uma curva de cento e oitenta em quarenta e cinco graus. — Pediu.

A garota acenou, entendendo o que quis dizer.

—Vai Tempestade! — Exclamou.

O dragão pegou velocidade e voou ao redor dos navios, se inclinando na curva, deixando as costas expostas. Lucy localizou todas as catapultas e lançadores de arpão no grupo de navios que cercavam. Carregou uma flecha. Um pequeno círculo mágico apareceu em sua ponta e a flecha mudou a cor dourada para azul.

—Saraiva. — sussurrou.

E atirou. No meio do caminho a única flecha se dividiu em várias, cada uma indo para um alvo diferente, acertando e explodindo todas as catapultas.

—Pelos Deuses! — Astrid exclamou, aparentemente incapaz de acreditar.

Bom, já devia esperar isso de uma dimensão sem magia. Da mesma forma que estava impressionada com os dragões, sua fartura, e habilidades eles também estavam surpresos com as suas. O dragão negro passou voando como um raio, e um dragão vermelho também estava atrás dele.

—Soluço! — Astrid gritou.

—Deixa comigo. — murmurou.

Fez outra flecha, só que dessa vez verde e mirou bem.

—Pega ele. — murmurou.

E lançou. O homem viu sua flecha por reflexo e virou para o lado. O viu rir. A flecha desviou também, perseguindo-o. O sorriso sumiu. Ele tentou desviar de novo, mas a flecha o seguiu, acertando-o em cheio ao som de um grito doloroso.

Soluço e Banguela pararam, voando ao seu lado, olhando-a de um jeito que a fez rir. Uma trombeta soou e os navios e os homens começaram a recuar. O dragão menor, marrom e troncudo, com um homem mais forte e um pouco gordo se aproximou. A fera e o homem não poderiam ser mais parecidos.

—Soluço, eles estão recuando. Devemos segui-los?

Ele piscou, parecendo sair de seus próprios pensamentos.

—Não. Deixe eles irem. Vamos apagar os incêndios. — Ordenou.

Os dragões pegaram baldes enormes e já preparados e apagaram os focos por toda a ilha rapidamente. Aterrissaram na cabana mais alta da ilha. Havia uma mesa até bem interessante no centro. Ela era poligonal com uma fogueira no meio. Um tubo ficava em cima dela e ia até o teto funcionando como um exaustor e levando a fumaça para fora. Olhou em volta, impressionada. As casas ficavam a bons metros do chão. Imaginou que isso não seria problema, principalmente com dragões.

—Esse lugar é incrível. — Elogiou.

—Obrigado. — Respondeu Soluço. — E, ah... Obrigado por nos ajudar hoje.

Sorriu. Ele parecia não saber por onde começar.

—Como você fez aquilo? — O gêmeo de dread perguntou, se aproximando demais e empolgado demais. — Você é descendente de Thor por acaso?

Franziu os lábios.

—Não. Não sou descendente dele, seja quem for... eh... — não sabia seu nome. Olhou para Soluço.

Ele piscou e bateu a mão no próprio rosto.

—Desculpe. Esqueci de apresentar-nos.

Pigarreou.

—Este é o Cabeça-Dura, e aquela é sua irmã gêmea, Cabeça quente. — Apontou para ele e a mulher de tranças absurdamente parecida que acenou em comprimento. — Aquela é a Astrid. — Apontou para a loura de olhos azuis que portava um machado afiado.

—Já nos conhecemos. — Ela murmurou, mas mesmo assim acenou.

—Aquele é o Perna de Peixe. — Apontou para o maior e mais gordinho que usava uma grande roupa de coro marrom.

—E ai!? — Ele parecia animado demais. Como se segurasse um monte de perguntas.

—Aquele é o Melequento. — Apontou para o menor que montava o dragão vermelho.

—E ai gata?! — Ele piscou.

Ergueu as sobrancelhas. Acnologia iria devorá-lo.

—E esta é a Heather. — Apontou para a dona do dragão de metal.

—Nos conhecemos também. Você consegue se equilibrar e lutar muito bem em cima dos dragões.

Sorriu. Você não faz idéia!

—Tenho muita pratica com coisas semelhantes. — Respondeu. — E quanto a eles? — Apontou curiosa para os dragões.

Ele retomou as apresentações.

—Esta é a Tempestade. — Apontou para o dragão de Astrid. Ela ergueu o pescoço para se apresentar. — Aqueles são Vômito e Arroto. Pertencem aos gêmeos. — Apontou para o dragão verde de duas cabeças. — Aquele é o Dente de Anzol. — O dragão vermelho se incendiou rapidamente como se quisesse se exibir. — Aquela é a Tesoura de Vento. — Apontou para o dragão metálico. — Aquela é a Batatão. — Apontou para o rechonchudo e marrom. — E este é o Banguela. — Apontou para seu próprio dragão negro.

Sorriu e fez uma reverência.

—Prazer. Meu nome é Lucy. — Apresentou-se mais uma vez.

—Tá, já chega. Agora fala como a gente faz essas paradas de destruição maneiras. — A gêmea falou.

Ela e o irmão pareciam gostar muito de destruição incalculável. Olhou para o arco em suas mãos. Decidiu que mereciam a verdade. Aos poucos.

—Quando disse que caí em sua ilha falei a verdade. Não pertenço a esta dimensão. — Falou, em seguida desfazendo o Star Dress.

Sua forma se desintegrou como um monte de vagalumes minúsculos e voltou a sua roupa anterior: um Short Jeans e uma camiseta com o desenho das fadas estampado.

—Wow! — Exclamaram em conjunto.

—Espera ai. — Disse Soluço. — O que você quer dizer com isso? Não existem outros mundos.

Lucy sorriu. Já esperava que eles ficassem céticos. Pessoas sem magia tinham a tendência de acreditar em algo tão tolo. Não era sua primeira vez em outra dimensão, e conhecendo a Fairy Tail, provavelmente não seria a última.

—Você voa em Dragões, Soluço. Vai a lugares onde ninguém jamais foi, ou irá. Você tinha uma imagem de seu mundo antes de conhecer o Banguela. Acredito que isso tenha mudado muito depois de conhecê-lo. — Fez uma pausa.

Pelo seu rosto seu argumento não estava errado. Decidiu fazer outro truque, um que não usava quase nada de magia. Juntou as mãos e uma esfera de luz apareceu entre elas.

—Seu mundo é bem maior do que imagina. — E a lançou.

A esfera explodiu no ar e os inúmeros flocos de luz criaram um mapa tridimensional do sistema solar e das estrelas.

—Eu reconheço essas constelações! — Exclamou Perna de Peixe.

—Então você as conhece. — Disse a ele. Então, mesmo em dimensões diferentes e sem magia, o sistema solar era o mesmo. — Este é o sistema em que vivemos. Mas ele é só um de muitos outros.

Fechou a mão. O sistema solar diminuiu até virar galáxias. Todos olharam, maravilhados.

—Nós sabemos disso. Mas não poderíamos imaginar... quer dizer, dimensões!

Deixou que o sistema desaparecesse. Percebeu que os dragões tentavam pegar os flocos de luz. Riu com isso.

—E como fazemos para explodir! — Falou Cabeça Dura novamente. Seu líder o olhou feio.

—Na minha dimensão existe magia. Sou uma das pessoas que pode controla-la. Quando puder juntar magia suficiente poderei voltar.

—Magia? — Repetiu Melequento repetiu.

—Você caiu sozinha na nossa ilha de outra dimensão? — Perguntou Heather.

Torceu os lábios.

—Na sua ilha sim. Mas meu companheiro caiu em outro lugar. — Achou melhor não dizer que Acnologia era um Dragão. Seria muita coisa para um só dia.

—Companheiro? — perguntou Soluço.

—Eu não menti para você. Ele não está nessa ilha.

Ele abanou a mão como se considerasse isso irrelevante agora. Podia quase ver as engrenagens girando em sua mente. Banguela se aproximou. Acariciou sua cabeça delicadamente, analisando sua pele quente e escamosa.

—É impressionante o que conseguiu aqui. O maior presente que conseguiria em sua vida é a lealdade de um Dragão.

Ele pareceu voltar a realidade.

—O que quer dizer com isso?

Olhou para ele e voltou a acariciar Banguela.

—Uma vez que você consegue a lealdade de um dragão é para sempre. É um respeito mútuo que pode até mesmo desafiar um Alpha.

Ele apertou os olhos.

—Alpha? O que quer dizer com isso? Você fala como se tivesse muito conhecimento sobre dragões! — Seu tom foi acusatório, mas não se deixou abalar.

Será que deveria contar que seu namorado era um dragão e que era um dos mais poderosos que existiam? Ou sobre Shinuky? Era melhor não.

—Olhe em volta. Você é o líder deles. — Apontou para os outros. — E, naturalmente, Banguela é o líder deles. — Apontou para os dragões. — Não sei de onde você veio, mas com certeza você também possui um líder e uma hierarquia. Dragões também a possuem. Eu não conheço esse lugar e tenho certeza que existem Alphas em algum lugar. Dragões mais fortes que defendem ou não os mais fracos.

Ele pareceu se perder em lembranças. Ficou calado dando a entender que seu palpite estava certo.

—Quanto ao meu conhecimento... — Apertou os lábios e deixou parte da verdade escapar. — De onde eu venho também existem dragões. — As sobrancelhas castanhas se ergueram. — Não tantos quanto aqui. Eu nunca vi tantos na minha vida. Lá eles são muito poucos e discretos. A maioria das pessoas morre sem nunca ter visto um. Eu dei sorte... — Pausou repensando. — Eu dei sorte algumas vezes quando encontrei alguns dragões.

Se fez silêncio por muito tempo. Perna de Peixe se aproximou olhando para o chão e batendo as pontas dos dedos. Ele parou e ergueu o rosto.

—O que aconteceu com os dragões de lá? — Ele perguntou receoso.

Aparentemente ele também amava os dragões, e tinha medo da resposta. Suspirou.

—Houve uma guerra. Lá nem todos os dragões eram bons. Alguns queriam a morte dos humanos, e outros queriam defendê-los. Foram muitas baixas. Poucos sobraram.

Decidiu não entrar em detalhes. Principalmente sobre os DragonSlayers. Achou que não seria muito adequado no momento.

—Incrível! — Ele exclamou. — Você poderia nos ensinar algumas coisas.

Apertou os lábios.

—Que tal uma troca? — Propôs. — Também estou fascinada com a habilidade que vocês possuem com eles. — Murmurou acariciando Banguela novamente, que ronronou.

—Eu estou interessado em quem vai fazer o jantar! — Reclamou Melequento.

Soluço pensou por um instante.

—É justo.

Sorriu novamente. Antes não era muito afeiçoada a Dragões. Normalmente eles tentavam matá-la. Incrível como as coisas mudaram depois de alguns anos.

—Oiiiiiii?? Jantar! — Berrou Melequento novamente como uma criança mimada.

—Eu ajudo com o jantar. — Se ofereceu. Seria o mínimo pela hospedagem. Não era lá a melhor das cozinhas, mas nas missões era bem pior. — Podemos falar um pouco a respeito dos seus dragões!? — Sugeriu.

Perna de Peixe pareceu animado. Pegou alguns salmões e analisou os temperos que tinha. Sua bolsa mágica com artigos de emergência também tinha alguns que ajudariam. Estava no meio da tarde, e estranhou o quão cedo eles comiam, mas levantar e passar a manhã toda combatendo um monte de inimigos em dragões devia ser bem cansativo.

—Aqui nós colocamos os dragões em Classes e espécies. Facilita na identificação de novos dragões e nos registros.

—Sério? — Falou interessada terminando de temperar as postas. — Qual a espécie dos seus?

—Os gêmeos tem a espécie Ziper Arrepiante. O Melequento tem um Pesadelo Monstruoso. A Astrid tem um Nader Mortal. A Tesoura de Vento é um Chicote-Cortante. A Batatão é um Gronkel e o Banguela é um Fúria da Noite.

—Fúria da Noite? — Achou engraçado a forma como eles davam nomes. Nada bonitos, mas com toda certeza a intenção não era beleza e sim retratar a encrenca que estaria se metendo.

—É. Essa espécie é considerada a cria diabólica do Raio e da própria Morte. — Ergueu as sobrancelhas sem tirar os olhos do fogo. — De onde você vem os dragões tem classes?

—Sim. — Murmurou. — Mas não como vocês. Classificamos eles pelo tipo de poder. Existem os dragões de fogo que dominam este elemento, existem os de gelo e de outras afinidades. É bem simples. Dentro de cada reino de dominação existe um rei, como por exemplo o Rei dos Dragões de Fogo que é o dragão mais forte deste elemento. Entre os reis existe um rei dos reis. Chamamos ele de Rei dos Dragões.

—Dragões que dominam elementos? — Soluço falou sentando-se na mesa. — Mas isso é incrível!

—É sim. — Falou, colocando o jantar na mesa.

~*#*~

Acordou de repente no meio da noite. A dor e a queimação voltaram. Sentiu as pontadas de agulha começando em seu abdômen e se espalhando por todos os seus ossos. Fechou os olhos e mordeu o lábio, evitando fazer barulho e acordar Astrid. Ela ainda era um pouco desconfiada, e propôs sua cabana para que ficasse de olho. Obviamente ela não disse isso quando ofereceu, mas viu isso nos olhos dela. Não a culpava por tentar proteger seus amigos.

A dor sumiu. Elas só pioravam. Precisava encontrar Acnologia logo. Sentia que ele a estava procurando, e sabia que seria mais fácil deixá-lo ir até ela. Estava preocupada com ele. Este era um mundo onde se caçavam Dragões e, mesmo sabendo que nenhum deles teria a menor chance, não conseguia evitar seu coração preocupado.

~*#*~

—Você não se importa mesmo? — Perguntou Soluço pela milésima vez.

—Não. Já disse, gostei dos dragões. Além disso até que eu consiga energia o bastante para ir para casa eu não tenho nada pra fazer. — Respondeu.

Sem contar que seria uma ótima forma de espalhar seu cheiro pelos ares e fazer Acnologia encontrá-la.

—Então tá. — E depois voltou o foco para a operação. — Recebemos informações de que os caçadores vão receber uma remeça de Dragões hoje no estreito. Eles estão aguardando o pôr do Sol em uma ilha para não chamar atenção. A distribuição será a noite. Vamos a ilha libertar os dragões e depois vamos entregar uma remeça diferente aos caçadores no estreito.

Os gêmeos gritaram em comemoração ao seu lado.

—Eles vão comer fogo no jantar! — Falou Cabeça Dura.

—Vamos poder testar coisas destrutivas que o Soluço nos proibiu de testar no Melequento! — Respondeu sua irmã, igualmente animada.

—O que? — Exclamou a possível vítima.

Ajeitou-se na Tesoura de Vento e olhou para Heather. Ela lhe olhou de volta de balançou os ombros.

—Olha, só tentem fazer o que eu mandei tá legal?!

Astrid riu.

—Isso é outro dos seus projetos impossíveis.

—Vamos! — Exclamou. E os dragões começaram a descer.

Passou o dia anterior inteiro descobrindo como o grupo funcionava. Aparentemente, apesar de Soluço ter planejado por horas e falado o plano por horas, alguns integrantes de sua equipe não seguiam normas. Tinha percebido também um leve ar romântico entre ele e Astrid. Aparentemente eles preferiam uma discrição.

A palavra discrição era estranha até em sua mente. Não existia tal coisa na Fairy Tail. Nem privacidade. Ou planos. Ou regras inquebráveis. Aliás não sabia se de fato existiam regras.

Ao sair da proteção das nuvens eles mergulharam rapidamente em direção a floresta da pequena ilha para evitar serem avistados. Desceu do Dragão e ajeitou um Short básico de caminhada que conseguiu gerar com os poderes de Virgo. Já estava abusando. Precisava parar de usar magia. Só em casos específicos. Iria discutir com Shinuky a respeito desta absorção super lenta de magia no bracelete. Uma hora mataria alguém.

Eles caminharam seguindo Soluço que se guiava por um mapa da ilha que tinha conseguido com algum comerciante. Não demorou muito para os dragões ajudarem a localizar o local. Uma clareira, cheia de homens transportando dragões em jaulas ou amarrados nas carroças. Eles pareciam tristes, fracos e mau tratados. Alguns até mesmo tinham feridas.

Lucy voltou a sentir as pontadas de dor. Soltou um resmungo sem querer e os outros se viraram, percebendo que ela estava com dor. Ela logo passou.

—Você está bem? — Surpreendentemente quem perguntou foi Astrid.

—Sim. — Falou já sem as pontadas para incomodar. — Isso acontece às vezes.

Sua audição e visão estavam perfeitas e aguçadas. Sabia que sua força física e reflexos também estavam aprimorando consideravelmente. Um efeito colateral que só iria piorar com o tempo.

Eles não pareciam muito convencidos com sua explicação.

—Vamos derrubá-los pelos flancos e interrogá-los depois. Nossa prioridade é salvar os dragões.

A nova audição de Lucy captou uma conversa.

—Consigo ouvi-los. — Murmurou.

—O que? — Exclamou Perna de Peixe. — Isso é incri...

Os Gêmeos taparam sua boca de maneira brusca.

—Apesar de adorarmos uma boa gritaria, no momento isso não é nada furtivo! — Sussurrou.

Todos o olharam como se ele estivesse possuído por uma outra entidade.

—O que estão dizendo? — Soluço retomou o assunto.

—Que esse tal de Vigo que vocês tanto falam está comprando uma frota e que esta frota nova deve ficar pronta e ser entregue em poucos dias. Ele também disse que quer o máximo de homens possíveis ao norte para fazer a captura dele, de um dragão especial. Parece que ele é raro. Um tal de Rayke vai fazer a troca e depois vão direto pra lá.

—É o irmão dele. — Soluço pareceu pensar. — Vamos fazer como o planejado. Quando atacarmos Rayke vamos capturar alguém que nos diga exatamente onde será essa troca. — Ele parou a olhou por um momento. — Depois que terminarmos aqui, vamos te ajudar a encontrar seu amigo. Eu prometo. — Ele ofereceu, nobre.

Sorriu agradecendo, mesmo sabendo que Acnologia a encontraria primeiro.

Ficou impressionada. Quando queriam eles conseguiam ser uma equipe bem coordenada. Evitando usar magia, continuou nos arbustos. Embora pudesse facilmente lutar, preferiu ver como eles lidavam com as coisas. Vomito e Arroto espalharam uma grande névoa de gás verde pelo lugar. Os homens focaram confusos procurando sua origem, entretanto tudo foi pelos ares em uma explosão. Artrid coordenou com Tempestade, usando os espinhos de tua calda para espetá-los no chão e nocauteá-los com seu machado.

Melequento, por outro lado, preferia a força bruta e as chamas potentes de seu dragão, queimando todos. Perna de peixe se concentrou em libertar os dragões das jaulas e Soluço e Heather faziam um belo trabalho nocauteando os fugitivos. Foi rápido e eficiente, sem nenhum dano colateral para os que não tinham nada haver. Seu time tinha tanto a aprender com esta eficiência.

—Resolvemos o problema aqui. Agora vamos interceptar os navios que aguardam no estreito. — E gesticulou para que subisse no Fúria da Noite.

Partiram de uma vez em direção as nuvens, ganhando cobertura.

—Soluço! — Chamou seu amigo, pareando seu dragão. — Pra que você acha que o Vigo precisa de tantos homens para pegar um único dragão?

—Eu não sei, mas boa coisa não é. Talvez tenha haver com a nova lente do olho de Dragão.

—Podemos discutir isso depois. — Falou Astrid. — Os navios estão ali. E eu estou vendo o Rayke.

Aparentemente eles o viram também. As comportas do deck do navio se abriram e delas saíram mais homens montados em dragões acorrentados. As bestas e catapultas estavam apontadas também. Que enrascada.

Não querendo utilizar magia pegou seu chicote. As redes foram lançadas em sua direção. Usou o chicote ilimitado para redirecioná-las.

—É impressão minha ou estão mirando bastante em você? — Disse se segurando enquanto banguela girava no ar, escapando das flechas.

Ele riu, sem graça.

—É que eu sou o favorito deles.

Lucy pescou a ironia.

—Quanto amor. — Murmurou.

Ele mergulhou rápido, explodindo algumas catapultas. Era notório sua dificuldade em contra-atacar mais de dez navios. Navios com pessoas furiosas com ele, diga-se de passagem.

—Soluço! — Gritou Astrid. — Estamos em desvantagem. Vamos recuar.

Como um carma bem preparado, neste exato momento seu dragão foi atingido por uma flecha. Não entendeu muito bem o que ouve, mas Tempestade começou a ficar paralisada sem conseguir voar. Não precisava ser um gênio pra saber que era um tipo de veneno.

—Astrid! — Todos os seus companheiros berraram ao mesmo tempo.

Ela caiu no deck do navio, sacando seu machado para defender a ela e a seu dragão. Todos voaram em sua direção. A distração foi grande o bastante para que os outros também fossem acertados. Aparentemente não funcionou em Batatão, e Soluço conseguiu desviar indo em direção a sua companheira, que lutava contra os inimigos. Ela foi desarmada e os capangas colocaram uma faca em seu pescoço.

Sentiu a tensão e o desespero emanando de Soluço. Mais do que um desespero de um amigo. Rayke riu.

—Venham aqui, e saiam dos dragões. — Ele ordenou.

Reforçando a ordem de seu chefe o soldado apertou a faca na garganta dela. Os outros, que caíram também se renderam em nome da colega. Sentiu a fúria e o medo de Soluço. Ele aterrissou no deck e ergueu as mãos. Um dos homens atirou uma flecha paralisante em banguela. Ele guinchou de dor.

—Não! — Ele exclamou.

Mais homens vieram e o seguraram, rendendo-o. Os homens também tentaram agarrar Lucy com hostilidade, mas desviou nocauteando-os e, quando um deles colocou as mãos em si, chamas azuis saíram de sua pele, queimando-o vivo. Ele gritou desesperado e pulou no mar. Seus colegas não pareceram se importar, temerosos. Rayke ergueu a mão, surpreso. Seus homens recuaram. Após um tempo, ele riu.

—Então você é a nova desconhecida com habilidades estranhas que meus homens falaram? — Ele fez outro aceno. Os homens apontaram flechas para si. — Ótimo. É melhor que fique parada. Pode escapar de meus homens, mas duvido que escape de suas flechas. Sem falar que não quer que seus amigos se machuquem, não é? — E sorriu. Aquele sorriso nojento de quem sempre pensa que é superior.

Sentiu raiva dele. Seu soldado apertou ainda mais a faca e o pescoço de Astrid, que sangrou. Soluço o a olhou com desespero. Ergueu as mãos, mas ninguém ousou tocá-la. Apenas flechas e lanças a continham.

—Aparentemente ficamos em desvantagem durante muito tempo, treinador de dragões. — Ele riu. — Descobri que vocês são poucos, então, para proteger meu negócio, comecei a andar com escolta. Foi bem fácil. Devia ter feito isso a mais tempo.

Soluço relutou nos braços dos homens que o mantiveram preso.

—Você e seu irmão são uns covardes! — Cuspiu.

Rayke abanou a mão.

—Você acha que somos monstros por matar dragões, mas isso não é diferente de um comércio de ovelhas e cordeiro. Dragões podem servir para dinheiro, e é isso que fazemos. Matamos eles para que sirvam a uma finalidade maior.

Lucy se sentiu enjoada. Matar criaturas para comer e viver é bem diferente de matá-las por prazer e dinheiro. Parecia uma caça esportiva financiada por pessoas sem um pingo de moralidade.

—Os couros e chifres dos seus dragões servirão para muitas pessoas, e seu Fúria da Noite... — falou, chegando bem perto de Soluço. — Ele será vendido como uma espécie rara nos leilões do Norte.

—Você me enoja. — Disse a maga.

O homem a olhou, superior. Sua barba cortada e rosto cheio de cicatrizes revelava muito dos últimos tempos com Soluço em seus negócios.

—Como é querida? — Ele a olhou, lambendo os lábios. — Você vai me mostrar cada truquezinho seu e vai usá-lo da forma que eu mandar você usar se quiser que seus amigos fiquem vivos!

Neste momento Lucy sentiu um arrepio que veio da base da coluna e esquentou a boca de seu estômago. Ela riu. Gargalhou como uma lunática em frente a Rayke. Ele pareceu furioso.

—Do que acha que está rindo? — E sacou a espada de metal esverdeado e longo.

O encarou em desafio.

—Quer dragões Rayke? — Falou com escárnio e todo o nojo que sentia por gente como ele. — Então pegue o meu!

O arrepio familiar aumentou e sua marca se ativou, espalhando-se por todo seu corpo, e o Dragão azul brilhante se enrolou em seu braço, tornando-se vermelho.

Das nuvens negras de chuva surgiu um dragão enorme e negro, cheio de escamas com detalhes azuis, maior do que qualquer um de seus navios. Ele rugiu. As águas do mar ficaram turvas, empurrando os navios em direção as rochas pontudas que emergiam do estreito. Viu as pernas de Rayke ficarem bambas e ele tropeçou, caindo no chão enquanto olhava a fera enorme. Seus homens ficaram nervosos e desesperados, pegando todas as armas disponíveis.

O Dragão Rei desceu em direção ao navio, aterrissando os pés em algumas das rochas que emergiam do estreito e uma das mãos em um dos navios que se partiu ao meio. As flechas disparadas se quebravam sem efeito nas escamas grossas. Apenas magia DragonSlayer atravessaria sua armadura. Nenhuma arma dali conseguiria fazê-lo. Sua cabeça se esgueirou para o deck do navio, olhando para Lucy. Seu olhar não ficou amigável ao ver as armas apontadas para sua companheira. Ele mostrou os dentes, rosnando baixo. Os soldados largaram as armas e seus amigos vikings recentes, correndo para o outro lado do navio.

Lucy encostou a mão no focinho enorme e quente, acariciando-o com gentileza. Acnologia ronronou em familiaridade. Inclinando a cabeça ela usou seus chifres como apoio e subiu em suas costas. Os outros navios continuaram a atingir Acnologia com catapultas e flechas inúteis. Ele rosnou. Sua calda se ergueu e ele empalou um dos navios e o arremessou para longe contra as rochas. Vendo isso, os outros navios pararam de avançar. Olhou para Rayke.

—Se eu fosse você, seguiria as minhas ordens e pularia deste navio. Agora. — Falou.

Ele hesitou, mas seus homens obedeceram rapidamente. Não demorou para que ele fizesse o mesmo.

—Pegue o navio por favor.

Acnologia obedeceu, segurando o navio em uma das patas e voou para as nuvens. Apoiando-se em um dos chifres, olhou para baixo.

—Vocês estão bem? — Perguntou.

Pela primeira vez os olhou de fato. Eles estavam em choque e mortificados. Viu Melequento desmaiar como um morto. Perna de Peixe gritou antes de fazer o mesmo. Astrid sacou o machado instintivamente, assim como Heather e Soluço permaneceu com a boca a aberta e os olhos em pratos. Os dragões pareciam receosos e com um certo medo, mas não podiam se mexer por causa do veneno paralisante. Exceto Batatão que rosnou em nome de seus companheiros.

Acnologia a olhou e inclinou a cabeça com curiosidade. Parecia um falcão olhando para um pardal rebelde.

—Eles me ajudaram quando cheguei. — Esclareceu ao Dragão.

Ele fez um meio ronronar em concordância. Lucy lhe indicou a direção da ilha deles. Não era longe. Levou poucos minutos de silêncio constrangedor até chegarem. Ele pousou com cuidado na praia, sem danificar as cabanas do acampamento. Colocou o barco no chão, mas permaneceu segurando para que ele não tombasse. Os dragões gemeram com dor.

Isso fez Soluço sair do tranze. Ele correu até Perna de Peixe o chacoalhando para acordar.

—O antidoto! — Exclamou quando ele começou a reagir. — Antidoto! — Falou mais auto.

Ele abriu os olhos em um rompante e se levantou. Pegou um pote em sua pochete de couro e começou a dá-lo aos dragões. Parecia um suco de uva leitoso. As feras ganiram, mas pareceram melhorar aos poucos. Nesse meio tempo Melequento também começou a acordar.

—Por Odin! Essa é a máquina de matar mais magnifica da história! — Gritou Cabeça Dura. — Oh! grande fera, eu humildemente ofereço minha irmã, Cabeça Quente, para o sacrifício em seu nome. — E a empurrou na direção de Acnologia fazendo uma reverência.

O dragão inclinou a cabeça para o lado tentando entender o que se passava na cabaça dele.

—Pelos Deuses! — Melequento gritou em desespero. Sua voz até afinou um pouco. — Temos outro Morte Rubra que vai nos matar. Alguém perguntou para a forasteira se ela tinha um dragão de cem mil toneladas? Não! Vamos ter que elaborar essas perguntas na próxima por que, puta que pariu! Nós vamos morrer! — E continuou o chilique.

—Ninguém vai morrer! — Lucy falou de volta.

Subiu usando os chifres e deslizou pelo focinho enorme como um escorrega chegando no navio.

Soluço passou a mão no rosto transtornado.

—Você usa magia, é de outra dimensão e tem um dragão gigante como companheiro. — Ele a olhou. — Tem mais alguma coisa que você esqueceu de falar? — Ele parecia puto.

Lucy sentiu o gosto amargo da desconfiança em sua boca. Não queria enganá-los, mas também não queria que eles surtassem ao contar tudo de uma vez.

—Eu não menti! — Exasperou, sentindo que estava de volta a estaca zero.

Ele emburrou, montando em Banguela. Todos voaram do navio para aterrissar no acampamento. Fechou a cara e pulou na pata de Acnologia, deslizando entre suas garras e indo para o chão. O Dragão arremessou o navio para longe e ele caiu no raso da bacia.

—Eu só não queria que vocês surtassem. — Explicou.

Ele se virou.

—Surtasse com o que? Já sabemos que você não é daqui. Agora sabemos como você luta tão bem em cima de Dragões. Então me diz, o que poderia ter feito a gente surtar?

Melequento apareceu.

—É gata, você vacilou com a gente. — Ele falou.

Fez uma careta. Acnologia desceu a cabeça como sabia que faria e mostrou os dentes a ele.

—Eu vou matar você se falar isso de novo. — Falou naquela voz tenebrosa.

Eles paralisaram de novo.

—Ele fala... — Disse Melequento e teve um semi-desmaio, com as pernas bambas, caindo sentado no chão.

Suspirou.

—Acnologia, regresse. — Pediu.

O Dragão se cobriu de chamas azuis e em segundos se transformou em um homem intimidador protetoramente na frente de Lucy e que olhava para uma certa pessoa de uma forma assassina. Nunca tinha visto alguém ficar tão pálido quanto Soluço e seus amigos. Pensou que fossem desmaiar. Até mesmo os dragões ficaram com o pé atrás. Levantou uma sobrancelha para ele.

Depois de uma eternidade, ele falou:

—Eu surtaria.

Ignorando todos eles Acnologia puxou a cintura de Lucy contra seu corpo e passou um dos braços por cima de seus ombros.

—Você está bem? — Ele perguntou sério.

Os olhos azuis profundos a fizeram estremecer.

—Sim.

Ele a analisou.

—Bom. — Murmurou. — Primeiro você vai me explicar o que está acontecendo aqui. Depois você me diz como vamos voltar pra casa para que eu possa matar Natsu e Gray. Lentamente.

Riu. E parou na mesma hora ao ver que ele não estava brincando. Ergueu a mão com o bracelete.

—Shinuky me disse para não usar magia. Só quando precisar de verdade. Quando o bracelete carregar, o que deve acontecer em mais alguns dias, posso abrir um portal e vamos para casa.

—Como, em nome de Thor, ele pode virar um dragão! — Astrid gritou para Soluço.

Acnologia ignorou e suspirou.

—Onde estamos? E em que você se meteu? — Ele pareceu aceitar muito bem a situação em que estavam. Estranhou.

—Esta dimensão não possui magia como a nossa. A única que temos é a que podemos gerar. Aqui existem dragões, como os deles. — Gesticulou em direção as feras que Soluço habilmente treinava. — Aparentemente são bem amistosos. Existe um grupo de caçadores que os mata para vender as peles e coisas do tipo a qual eles lutam contra. Gostei da ideia deles e, como eles me acolheram me ofereci para ajudar. — Jogou tudo de uma vez.

Os olhos de Acnologia mudaram para um azul escuro avermelhado, indicando que não ficou muito feliz com sua decisão. Entretanto já sabia que isso seria esperado levando em conta seu protecionismo e o fato de terem ficado tanto tempo separados sem saber o paradeiro uns dos outros.

Após alguns minutos ele analisou o grupo e suspirou.

—Pode me apresentar?

Lucy falou o nome de cada um e de seus dragões. Virou-se para o grupo.

—Este é Acnologia. Meu companheiro. — Esclareceu.

A cara de Acnologia se contorceu um pouco quando ouviu os nomes, entretanto não disse nada. Ele cruzou os braços olhando para Soluço.

—Então você salva esses... dragões? — Falou mais para quebrar o clima ruim.

Era estranho como as definições eram diferentes em outras dimensões. A conotação do nome ainda era muito poderosa. Em uma dimensão sem magia eles também deviam ser sinônimos de poder. O líder franziu os lábios parecendo um pouco confuso em absorver as informações que Lucy tinha dado.

—É. — Respondeu simplesmente.

—Eh, Soluço? — Chamou Perna de Peixe. — Podemos falar com você por um segundo?

Ele olhou para o amigo ainda meio fora do ar.

—Claro, claro. Podem esperar um minuto? — Perguntou aos dois.

Acnologia deu de ombros e Lucy acenou. O grupo de afastou deles se reunindo para conversar atrás de uma das cabanas. Obviamente se esqueceram que a audição da maga estava temporariamente aguçada e que os ouvidos do Dragão eram impecáveis.

—Você viu como aquela coisa carregou e destruiu os navios dos caçadores como se fosse papel? — Já falou Melequento parecendo prestes a surtar.

—Vi, e foi magnifico! — Falou Cabeça Dura.

Sua irmã concordou.

—Ele é uma máquina de destruição em massa.

-Concordo com suas palavras sábias, maninha. A pergunta é: Como ganhamos um dragão desse de presente? — E virou-se para seu líder. — Soluço, treina um para gente?

—Eu mereço. — Murmurou.

—Eu não acredito que vou dizer isso, mas os gêmeos e o Melequento estão certos. Ela não mentiu, mas não nos disse tudo também. Pode ser um risco para nós. — Disse Astrid.

—Eu discordo. — Disse Heather. — Está claro que eles têm capacidade para nos destruir fácil. E eles salvaram nossas vidas. Mais de uma vez.

—Heather tem razão Astrid. Se ela quisesse nos fazer mal teria ido embora e nos deixado com Rayke. Parece que na dimensão dela há muitas coisas que não compreendemos e que não acreditaríamos ou entenderíamos logo de cara. — Ele fez uma pausa. — Como um homem que pode se transformar em um Dragão medonho. — A última parte pareceu mais murmurada para si mesmo.

—É onde eu quero chegar Soluço. — Finalmente se pronunciou Perna de Peixe. — Imagine os conhecimentos de dragões que podemos adquirir? Sem falar que, pela primeira vez em muito tempo temos uma vantagem contra o Vigo. Se eles aceitarem nos ajudar enquanto estão aqui podemos impedir que muitos dragões sejam capturados, podemos até impedi-lo de pegar o tal dragão raro.

Outro suspiro.

—Eu sei. Só que isso é muito maior para que apenas eu decida. Se vamos pedir ajuda eu quero que todos concordem.

—Ver aquela criatura magnífica mandar Vigo pelos ares? Tó dentro! — Exclamou Cabeça quente.

—Eu não teria falado melhor. — Disse sua outra metade.

—Eu concordo. — Disse Heather. — Toda ajuda é bem-vinda. Podemos chamar seu pai e meu irmão para elaborarmos um plano de ataque contra ele.

—Apesar de desconfiar um pouco, acho que vocês têm razão. — Disse Astrid.

—Ah, tá bom. Tanto faz. — Murmurou Melequento.

—Ótimo. Estamos todos de acordo.

E apareceram de trás da cabana. Soluço foi em sua direção.

—Lucy, eu sei que a gente não começou muito bem...

—Ouvimos tudo. — Cortou Acnologia seco.

Lucy sorriu amarelo. Seu companheiro a olhou. Ela mudou o rosto para um olhar pidão e um sorriso esperançoso. Ele suspirou forte.

—Tá. — Respondeu.

Soluço deu um sorriso rápido.

—Obrigado. — E virou-se para os outros. — Heather, chame seu irmão. Precisamos dele. Perna de Peixe vá com ela. — Ela acenou positivo. — Astrid e eu vamos falar com o meu pai. Melequento, vá com os gêmeos falar com a Mala e diga que preciso que ela venha.

—Pera ai! — Protestou erguendo as mãos e apontando pros gêmeos. — Por que esses dois idiotas têm que ir comigo?

Ele apertou os olhos.

—Por que eu me recuso a deixá-los sozinhos para tomar conta do acampamento!

Seu amigo pareceu ter encontrado uma luz nesta justificativa.

—Faz sentido.

—Éhhh. A gente colocaria fogo em tudo! — Disse cabeça quente.

Com outro suspiro Soluço se virou para os dois.

—Eu sei que não é muito legal, mas podem ficar aqui? Isso deve levar algumas horas e vocês dois podem ficar aqui no domínio. Usem o que precisarem. — Pediu.

Lucy sorriu.

—Tudo bem!

Acnologia a garrou pela cintura e saiu puxando-a.

—Vamos conhecer a ilha. -Falou arrastando-a.

Antes de saírem escutaram:

-Temos Dragões selvagens soluço. Acha que seria uma boa idéia? Eles não sabem domar Dragões.

—Acorda Perna de Peixe! — Gritou Melequento. — Você viu o tamanho daquela coisa? Os dragões vão virar jantar!

~*#*~

—Você só me coloca em furada sabia?

Lucy sorriu, se acomodando mais em seu colo para que não caísse de cima da árvore.

—Nem vem. É uma boa causa. Viu como aqueles dragões são fofos? Além disso você não tem mais nada pra fazer até voltarmos.

Acnologia a arrastou para o outro lado da ilha, em meio a uma mata densa, onde achou uma árvore para subir. Ele encostava as costas no tronco principal, sentando-se em um de seus galhos. Por segurança suas asas se engancharam em outros galhos próximos, assim como sua calda. Ele a puxou em direção a seu corpo duro.

—Eu posso pensar em algumas coisas. — Ronronou dando um meio sorriso e mostrando os dentes pontiagudos.

A maga sentiu sua ereção por baixo de sua calça. Seu interior se aqueceu com a idéia.

—Por mais tentador que seja não quero passar o pouco tempo que temos em uma dimensão desconhecida sem ver e aprender nada. Podemos fazer isso em casa.

Ele sorriu mais largo e seus olhos mergulharam naquele azul profundo que amava. Sentiu as mãos dele se esgueirarem por baixo de sua blusa. Suspirou, apoiando as mãos em seu peito. A marca ainda estava lá, embora a cor tivesse voltado ao azul de antes.

E não era apenas seu corpo que tinha sofrido mudanças. Os olhos de Acnologia estavam bem próximos de como ficavam quando estava prestes a se transformar. Seu corpo estava mais quente e seus dentes ainda mais pontudos. Acariciou seus cabelos que agora eram compridos e batiam nos ombros. O deixou mais sexy, em sua opinião. Lhe dava um ar misterioso e intimidador também.

Desceu as mãos pela pele nua, passando por sua barriga até chegar ao cinto da calça.

—Por quanto tempo você acha que esses efeitos vão durar? — Perguntou.

Uma das mãos dele subiu para agarrar um seio. Ele retorceu os lábios.

—Não sei. — Fez uma pausa. Seu peito retumbou em um ronronar quando desafivelou seu cinto. A forma como seus músculos estavam rígidos e estressados revelavam o quando ele precisava de algo físico. — Eu senti quando ela começou a aumentar suas habilidades. Me desculpe por isso. É doloroso. Eu devia ter te encontrado mais rápido. — E apertou o bico de seus seios. Seu ventre contraiu.

Bufou.

—Não seja bobo Acnologia. Você me encontrou mais rápido do que pensei. — Abriu o zíper retirando seu pênis de lá. Ele saiu como um belo presente de natal. O pegou nas mãos e olhou em seus olhos. — Eu sei que você também teve efeitos colaterais por isso. Nenhum de nós sabia que eles seriam tão imediatos.

Apertou a cabeça inchada subindo e descendo ritmicamente com as mãos. Ele ficou tenso por um instante antes de responder. Suas duas mãos apertaram seus seios com força.

—Sentir minha magia aumentar a cada segundo e ter compulsão em me transformar é diferente de sentir dor, Lucy. — Ele desceu uma mão por sua cintura, enfiando-a em seu short sem cerimônia. — Eu não sei quanto isso vai durar, mas quanto mais tempo eu ficar com você mais rápido podemos voltar ao normal.

Ele tentou apaziguar mais sabia que era uma mentira. Suas compulsões eram ainda mais dolorosas, e a sua ausência física também.

Assim que sentiu os dedos dele entrando em sua calcinha, apertou mais a glande entre seus dedos. Ele sibilou. Lucy riu.

—Acho melhor você parar de rir. — Ele murmurou, dedilhando para encontrar seu clitóris. A posição a deixava em vantagem. — Levando em conta que estou bem mais tendencioso a minha outra natureza eu estou me comportando muito bem agora. Mas se me provocar isso pode mudar.

A maga sorriu de novo. O fato de Acnologia estar se segurando para não fazer besteira enquanto estava na frente de outros só o deixava mais desesperado. Não duvidava que ele quisesse apenas pegá-la naquele navio e ir voado para algum lugar só pra transar. Não reclamava disso. Sua parte draconiana só conseguia se comunicar fisicamente, seja através da violência para proteger, ou do sexo para acalmar. Eles eram naturalmente instintivos, e a parte humana não respondia integralmente a parte animal. Não bastava apenas dizer "oi, estou aqui". Seu corpo tinha que sentir isso.

Não era ruim então aceitava numa boa. E as asas inquietas assim como sua calda que só se enroscava mais no tronco delatavam o quanto ele estava desesperado por isso e para gozar.

Enfiou a mão em sua calça para retirar as bolas e acaricia-las também. Aumentou o ritmo. Notou que ele se desconcentrou totalmente quando ele errou o ritmo dos dedos em sua vagina e apertou ainda mais seu peito. Sorriu. Inclinou-se para frente começando a beijar seu pescoço. Seu peito ficou tenso e os gominhos talhados apareceram ainda mais. Ele desistiu de tentar fazer um bom trabalho em sua intimidade e retirou a mão para subir sua blusa e ver seus seios.

Viu seus olhos se apertarem e sua mandíbula travou. Lambeu sua garganta descendo para os mamilos. Apertou um deles nos dentes antes de lambe-lo. Sentiu a respiração quente em sua nuca e uma de suas mãos foram para seus cabelos. Ele puxou-a para trás para que pudesse abocanhar um de seus seios.

Ele gemeu auto contra o monte macio. Sentiu o sêmen quente molhando sua mão e barriga. Continuou com os movimentos enquanto Acnologia a puxava para mais perto. O fez gozar rápido de propósito para aliviar sua tensão. Soltou os testículos para passar a mão por sua barriga. Ela estava dura feito uma pedra enquanto se contraia. Seu ventre se apertou de novo.

Ouviu um estalo e se virou para ver o galho onde Acnologia enroscou a calda se partir. Ele o soltou e enrolou em outro. Riu.

O dragão mergulhou a mão em seus cabelos e a puxou para beijá-lo. Os dentes afiados rasparam e morderam seus lábios. Obviamente apenas isso não saciaria Acnologia nesta forma. Ele gemeu quando voltou a massageá-lo. Suas mãos desceram por seu corpo, agarrando a parte da frente de seu short e rasgando-o.

Lucy gemeu insatisfeita.

—Eu não consigo fazer muitas roupas com a magia de Virgo e você sabe! — Protestou.

Ele mordeu o seu pescoço.

—É nessas horas que você deveria usar uma saia. — Murmurou.

Fez um bico.

—É. Seria super confortável usar saia enquanto voo em um dragão. Principalmente com outras pessoas por perto.

Ele agarrou suas coxas com ambas as mãos para erguê-la em seu colo.

—Eu tinha me esquecido disso. Dessa vez eu peço desculpas. — Só que sabia que ele não se arrependia nenhum pouco.

Agarrou seu pênis para posicioná-lo e puxou a calcinha para o lado. Ele a abaixou lentamente. Gemeu jogando a cabeça para trás quando o sentiu entrar. Ele ronronou encostando a cabeça na árvore e fechando os olhos.

—Sempre apertada. — Murmurou baixinho como uma prece.

Lucy rebolou. Estar em cima de uma árvore sem ter muito em que se apoiar limitava bastante o movimento dos dois. Começou a fazer movimentos curtos da forma que conseguiu com o pouco apoio que encontrou, e reforçou rebolando e contraindo o ventre de propósito. Acnologia praguejou em um rosnado.

—Sua bruxa! — Exclamou, não gostando nadinha de estar tão perto de gozar outra vez.

Seus quadris se ergueram da forma que podia em uma reação automática. Encontrou o botão mágico entre suas pernas e o apertou, admirando vê-la gemer até gozar.

~*#*~

—Só não entendo o porquê desta urgência toda. — Ouviram uma voz mais grossa se aproximando.

—Eu sei pai, mas o que você vai ver é diferente de tudo que já vimos antes. — Essa voz reconheceu. Era de Soluço.

Acnologia já tinha lhe avisado que sentiu o cheiro dele no ar. Voltou a se concentrar nos outros peixes no espeto que pescaram e resolveram comer na sala social da cabana principal. Seu namorado já estava mandando o segundo salmão para dentro. Ainda estava no primeiro e duvidava que sairia dele.

Soluço entrou com um homem mais velho usando um elmo arrojado, roupa de couro, uma barba ruiva bem trançada e braceletes nos braços musculosos. Ele era enorme e alto. Seu machado era bem decorado com desenhos.

—Lucy! — Ele falou quando a encontrou mexendo no fogo no centro da mesa.

—Oi. — Ela falou de volta. — Tomei a liberdade de fazer um pouco de comida. Se importa? — Ele tinha dito que poderiam usar o lugar.

—Não, não. — Ele falou rápido e balançando as mãos. — Pai, esta é Lucy e aquele é seu companheiro, Acnologia. — Ele hesitou ao pronunciar o nome pouco familiar. — Este é meu pai, Stoico. Ele também é o chefe em Berck.

—Prazer em conhecer. — Falou Lucy. Acnologia apenas acenou. — Quer um pouco? Tem molho de manteiga.

O chefe agradeceu e virou-se para o filho, sussurrando acreditando que não ouviriam.

—Não estou vendo o que tem de tão especial neles filho.

—Apenas espere os outros chegarem. Confie em mim.

Como uma previsão certeira Melequento aterrissou com os gêmeos na varanda. De carona vinham um homem e uma mulher muito bem vestidos. A mulher portava uma Katana na cintura e vestia uma roupa elegante de couro negro e desenhos dourados. Apesar de fino era notório que a roupa era bem tática. Seus cabelos louros eram curtos e seus olhos verdes. Atrás de si vinha um guarda costas igualmente vestido e armado com um machado.

—Mala. Que bom que veio. — Soluço cumprimentou.

—Olá, Soluço Haddock. Gostaria de saber por que me convocou com tanta urgência. Seus amigos não quiseram dizer muito a respeito.

Cabeça Dura riu.

—Você vai ficar chocada ao ver aquilo.

—Eh! — Sua outra metade concordou.

Mais dragões apareceram, incluindo um novo marrom, roxo e amarelo que desconhecia. Nele estava um outro homem ruivo, com cicatrizes no rosto, vestindo uma armadura de couro e ferro com um símbolo de outro dragão talhado no peito.

—Irmão! — Ele gritou pulando de cima do dragão e abraçando Soluço. — A quanto tempo.

Eles não eram irmãos, dava pra ver. E ouvir as costelas do pobre estalando.

—Dagur. — Cumprimentou o Chefe. Mala também acenou com a cabeça.

—E então filho, o que tinha que nos mostrar com tanta urgência.

Seu olhar passou para a maga. Viu em seus olhos que precisava da sua ajuda para convencê-los. Aquelas pessoas pareciam mais ver para crer.

—Lucy, você se importa? — Ele perguntou por educação.

Deu uma cotovelada em Acnologia. Ele suspirou, mas se levantou contrariado.

—Venham. — O líder dos cavaleiros chamou.

Desceram em direção ao centro do acampamento próximo a praia, onde não haveria problemas. Já era fim de tarde, em poucas horas o Sol desapareceria. Lucy ajeitou a nova saia por hábito.

—Eu chamei vocês aqui por que queria que conhecessem Acnologia e Lucy. — Ele fez uma pausa tomando ar. — Eles não são daqui. Vieram de outra dimensão e podem fazer coisas que ninguém pode.

—Outra dimensão? — Repetiu Mala.

—O que quer dizer com isso filho? — Ele já parecia mais cético.

Dagur estava sério e desconfiado, entretanto parecia não duvidar das palavras de Soluço.

—Eu poderia explicar, só que vocês dificilmente acreditariam. Então acho melhor mostrar a vocês. — E virou-se para os magos.

Lucy virou-se para o dragão.

—Acnologia. — Pediu calmamente.

Ele suspirou. Seu corpo se cobriu de chamas azuis que só aumentavam. Em poucos segundos um dragão enorme estava a sua frente. Os líderes ficaram espantados e sacaram suas armas.

—Pelos Deuses! — Exclamou Stoico.

Surpreendentemente foi Astrid quem defendeu a ideia.

—Eles possuem essas habilidades impressionantes e aceitaram nos ajudar contra o Vigo. Descobrimos que ele está usando todos os recursos possíveis para ir atrás de um dragão específico. Esse seria o momento perfeito para um ataque. Podemos finalmente destruir seu negócio para sempre.

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Eles abaixaram as armas.

—Destruir? Nós vamos massacrá-los irmão! — Gritou Dagur novamente, erguendo os braços em vitória antecipada.

Acnologia regressou a forma humana outra vez.

—Onde conheceu essas pessoas, Soluço? — Perguntou seu pai, e seus olhos não paravam de olhar para os magos.

—Ela caíram na nossa ilha e meio que salvaram as nossas vidas duas vezes.

—Nunca na minha vida poderia imaginar que alguém não só possuísse a alma de um dragão como o corpo de um. — Mala fez uma pausa. — Isso vai além do que tudo que eu e minha tribo já vivenciamos. Irei apoiá-lo nesta empreitada por que você já nos provou mais de uma vez que podemos confiar em você.

—Obrigado Mala. — E se virou para o pai.

O velho Viking o olhou e suspirou.

—Você me mostra coisas impossíveis desde o dia em que domou este Fúria da Noite. Eu duvidei de você naquela arena uma vez. Não vou fazer a mesma coisa outra vez. — Aprumou o corpo. — Reunirei os cavaleiros e os deixarei em posição. Descubra onde este desgraçado está e nos apresente um plano. Iremos lutar com você.

—Pode contar com meu povo também Soluço! — Disse Dagur, erguendo sua mão em punho. — Afiaremos os machados e partiremos para a batalha ao seu lado.

—Vigo foi um inimigo nosso por muitos anos. Será uma honra ajudá-lo a acabar com o sofrimento que ele impõe aos dragões. Vou procurar informações sobre seu paradeiro.

Ele sorriu pelo que pareceu a primeira vez em muito tempo.

—Obrigado pessoal.

—Vamos explodir tudo, galera! — Gritaram os gêmeos.

~*#*~

A água quente era relaxante contra sua pele. Suspirou prazerosamente. A noite viria em breve. Acnologia lhe abraçou, puxando-a para mais perto de seu corpo quente. Ele ainda tremia um pouco. Como sempre ele tinha suavizado a situação para não a preocupar.

Na noite anterior, depois da reunião que Soluço fez e deles terem colocado os magos em uma das cabanas provisórias, acordou com um gemido dolorido. Era Acnologia. Seu corpo estava fervendo de tão quente, ao ponto de suar e sua respiração estava ofegante. Suas escamas apareciam e desapareciam em seu peito fazendo-o gemer de dor. Impedir a compulsão de se transformar era algo brutal.

É comparável a impedir a sí mesmo de gritar enquanto sua perna é arrancada. Colocou as mãos no peito molhado dele e colou suas testas, sussurrando palavras de conforto para acalmá-lo. Ele a abraçou para evitar quebrar alguma coisa. Quando a compulsão passou ele tombou a cabeça para trás, exausto. Foi quando percebeu mais uma coisa: Acnologia não dormia a dias.

—Não podia dormir sem te encontrar. Além disso, se eu tiver uma compulsão enquanto durmo é pouco provável que eu me controle antes de me transformar.

Essa foi a resposta. Uma que obviamente não lhe agradou. Se transformar no dragão negro que ele tinha despertado durante a batalha a alguns anos tinha suas consequências. Ele se tornava muito menos humano e perigoso. Ele só assumia essa forma quando ordenava, ou quando estava em perigo. De qualquer forma, ter Acnologia com todo aquele poder reagindo compulsoriamente através do instinto não era nada bom. Felizmente, tanto suas dores quanto suas crises diminuíram depois que voltaram a ficar juntos.

—Você tem que dormir. — Insistiu com ele enquanto ajeitava a blusa embaixo da água.

Estavam próximos ao acampamento e não queria ser vista nua por ninguém.

—Não vou dormir em um lugar onde não conheço nada. Eu posso ter uma crise também. Não é uma boa idéia. — Ele falou se ajeitando melhor nas pedras.

Encontraram um pequeno córrego vindo do degelo da montanha. Não foi difícil desviá-lo um pouco para fazer uma pequena piscina. O corpo quente de Acnologia fez o resto, deixando a água fervendo. Um bom contraste contra o clima frio.

Acomodou-se em seu colo e ergueu o rosto para cima, olhando-o nos olhos.

—Acno... Você precisa dormir. Está acabado. Não é uma dimensão perigosa para nós. Além disso estamos em uma ilha bem protegida. Não vou deixar você ter uma crise e você sabe. — Ergueu a mão para fazer um cafuné.

Suas olheiras estavam um pouco marcantes e seus olhos pesados e cansados. Sabia que ele não resistiria muito. O esforço físico recente, as transformações dolorosas e a busca exauriram suas energias. Sabia que ele só estava se mantendo de pé usando magia. Era fácil perceber isso em um lugar onde nada gerava magia. O fluxo era claro como uma lanterna ofuscante no meio do deserto noturno.

—Tudo bem. — Ele murmurou. Sua voz saiu arrastada.

Ele a puxou mais para perto, curvando o corpo e apoiando a cabeça em seu ombro. Continuou fazendo o cafuné, sabendo que no estado em que ele estava, desmaiaria de sono em qualquer posição que fosse. Ele dormiu rápido e profundamente.

Um bom tempo se passou e até começou a sentir sono por causa da água quentinha. O que a despertou foi o barulho de uma conversa e passos. Reconheceu as vozes que se aproximavam. Um machado rompeu a vegetação dos arbustos densos e de trás deles surgiram Astrid e Heather. Elas pararam a olhando surpresa.

—Oi. — Cumprimentou de dentro da piscina quente.

—Ah. — Astrid olhou para a água quente. — Oi. — Fez mais uma pausa. — Isso não estava aqui. — Apontou.

Corou, pela primeira vez pensando que não teria sido uma boa idéia.

—É. Eu e Acnologia fizemos. Quer entrar? Vamos voltar tudo ao normal depois. — Respondeu.

O dragão continuava dormindo como uma pedra em suas costas. A loira hesitou, mas Heather não.

—Eu aceito o convite.

E desfez a trança dos cabelos negros e tirou tudo o que era desnecessário, as armas, as botas e a armadura, permanecendo com a blusa e a saia, entrando na água.

—Está quente! — Ela exclamou surpresa.

Lucy sorriu.

—Acologia tem muitas qualidades. Isso não é difícil para ele.

Astrid não disse nada, mas fez o mesmo que a amiga e entrou do outro lado. Fez um minuto de silêncio em que ninguém quis se pronunciar, até que Heather pigarreou.

—E então Lucy, todos os dragões em sua dimensão são assim?

—Nem todos. Alguns não conseguem tomar a forma humana. E a maioria não gosta de outras pessoas.

—Vocês dois parecem muito próximos para serem colegas. Sem querer ofender. — Header parecia curiosa com seu mundo. Enxergou nisso a oportunidade de se aproximar mais deles.

Sorriu.

—O termo companheiro é diferente em minha dimensão quando se trata de dragões. Para eles somos seu bem mais precioso. Alguém por quem morreria para proteger. Uma conotação um pouco maior que casamento.

Ela lhe encarou por alguns segundos e, na medida em que o tempo passava, suas bochechas foram ficando vermelhos.

—Vocês são casados? — Astrid quem exclamou, alguns tons mais alto, logo se arrependendo e colocando uma mão na boca.

Acnologia se remexeu, tirou a cabaça de seu ombro e se encostou mais na terra e nas pedras em suas costas, apoiando a cabaça na beirada. Suspirou aliviada. Ele estava exausto. Se estivesse em plena saúde ele teria acordado antes mesmo das duas se aproximarem.

—Somos. Por assim dizer. Ter um vínculo com um dragão é bem mais do que isso. — A curiosidade a cutucou. A pergunta escapou antes que pensasse se deveria fazê-la. — E você e Soluço? parecem bem próximos.

Astrid hesitou um pouco, mas resolveu responder.

— Somos noivos. Vamos nos casar quando for o momento apropriado. — Falou com um breve sorriso.

Percebeu, entretanto que ela amoleceu um pouco quando falou disso. Ela estava sonhadora e até um pouco entusiasmada com isso. Sorriu sabendo bem como era estar em um frenesi apaixonado.

—Onde ele está falando nisso?

—Foi atrás de mais informações. O pai dele foi junto para ajudar.

Heather parecia se esforçar mais por simpatia. Se perguntou o porquê. A conversa não durou tanto quanto gostaria que durasse. Com mais algum tempo de palavras trocadas elas saíram e foram ajudar Perna de Peixe com os suprimentos. Foi interessante, pelo menos, descobrir que seus nomes estranhos vinham da superstição de que afastariam seres místicos. Achou intrigante.

Voltou a se acomodar em Acnologia e dormiu.

~*#*~

O aperto em seus pulsos era firme. Ainda podia sentir a presença fantasma de sua mão em seu pescoço, quando ele a agarrou para colocá-la onde queria. O pânico corria em suas veias, mas respirou fundo, tentando se acalmar e agradecendo o fato de estar mais resistente no momento. Era só mais uma compulsão. Já tinha lidado com aquela parte agressiva de Acnologia antes.

Olhou sua íris vermelhas e a esclera negra. As garras raspavam em sua pele quase provocando dor.

—Acnologia. — Murmurou em um tom de voz sereno, mesmo que por dentro estivesse a ponto de surtar.

Suas costas doíam por ter sido jogada contra uma árvore. Ignorou isso também. Ele começou a cheirá-la, respirando em seu pescoço. Ele largou uma de suas mãos para voltar a prendê-la com as garras em sua garganta. Ele estava mais agressivo do que de costume.

—Acno. — Pediu com carinho e toda a calma que conseguiu reunir. — Pode me soltar. Por favor?

As garras pontudas se firmaram mais em sua garganta ao invés. Isso era ruim. Apesar de agressiva aquela parte dele não costumava recusar seus desejos. Ele rosnou um barulho frustrado antes de encará-la novamente.

—Você....Você está bem? — Acnologia parecia ter ainda mais dificuldade em encontrar palavras que de costume.

—Sim. — Garantiu a ele querendo deixá-lo calmo. Remexeu um pouco os pulsos presos por sua outra mão. — Pode me deixar tocá-lo? Por favor? Pode me soltar? — Tentou novamente, usando outra tática.

Um rosnado a repreendeu tão fortemente que se encolheu, tentando parecer pequena.

—Não. — Ele respondeu. Foi ríspido e seco, mas pareceu arrependido pelo tom. — Não... estou bem. Não consigo me... controlar.

Era óbvio que a parte humana estava brigando com sua parte inumana, aparentemente mais surtada que o normal. A parte cruel dele tinha ganhado força e domínio com o tempo que passaram separados. A parte humana e racional estava desgastada, cansada e desmoronando física e psicologicamente. Isso era agonizante.

—Deixe-o sair. — Murmurou sentindo as pontas afiadas em sua garganta, sem fazer movimentos bruscos.

—Você está louca? — Quase gritou, bravo.

Ele fechou os olhos tentando se concentrar e ganhar domínio outra vez, mas parecia estar cada vez pior.

—Eu já lhe disse que não tenho medo de nenhuma parte sua. Já lidei com isso antes e consigo lidar outra vez. Ponha-o pra fora.

—Eu estou insano Lucy. Não é como das outras vezes.

Encarou-o nos olhos quando ele os abriu de novo.

—Deixe-o sair. Ele não me fará mau.

Ele hesitou por um longo minuto, mas sua fadiga já era tanta que não aguentaria muito mais. Cedeu.

O rosnado ecoou de seu peito como um trovão, as escamas romperam a pele e os olhos ficaram ainda mais negros e vermelhos. O corpo coberto pela armadura negra prensou o seu com violência. Não conseguiu deter o gemido de dor ao ter suas costas esmagadas contra a arvore dura. Ele agarrou seus cabelos, puxando sua cabeça para o lado antes de fincar as presas em seu pescoço.

Arfou com a dor e, embora conseguisse impedir o grito, não conseguiu impedir as lágrimas de se acumularem em seus olhos. Se gritasse os amigos de Soluço poderiam ouvir e isso seria catastrófico. Respirou fundo tentando se acalmar e afastar a dor. A única vez que Acnologia a tinha mordido dessa forma foi quando a marcou. A sensação que sentiu em seguida foi parecida.

Sua marca se espalhou por seu corpo ao controle dele, queimando como fogo, e sua magia draconiana assim como seu veneno começaram a fluir a partir do local avariado. A dor veio de toda parte. Não conseguiu deter o choro e nem seu corpo de perder as forças. Se ele não a estivesse prensando tão forte contra a árvore com toda certeza teria desabado no chão.

Ele tirou os dentes e lambeu seu pescoço no local ferido. Sentiu cicatrizar da mesma forma do dia em que foi marcada, mas sem a anestesia do prazer e o carinho que ele teve no dia. De fato a experiência podia ser terrível, como estava sendo agora.

As mãos desceram apertando sua cintura e uma massa enorme de magia começou a fluir ainda mais para dentro de seu corpo. Ele estava passando magia para si. O problema era que o poder não cessava e Lucy sabia que sua capacidade de reserva mágica não era nem de longe tão grande quanto a de Acnologia, que aparentemente não tinha pensado nisso. O excesso de poder mágico começou a lhe causar dor. Uma cólica perfurante que espetava seus órgãos internos como agulhas sem cessar, espalhando-se por seu ventre.

Mais lágrimas saíram com outro gemido de dor. Fincou as unhas em seus ombros cobertos por escamas em um ato de desespero, tentando afastá-lo.

—Acnologia, pare! — O pânico aumentou sua voz em algumas oitavas.

Sua ordem foi completamente inútil. A dor começou a se tornar insuportável e suas emoções instáveis. Chorou tentando empurrá-lo para longe e impedir a transferência, mas não teve efeito algum contra sua força, ele nem percebia por se focar demais no que fazia. A dor embrulhou sua mente em uma sensação de impotência e pânico, tudo o que queria era que parasse e, por um breve instante, sentiu medo de ele não parar.

Acnologia soltou a respiração bruscamente e saltou para trás em um instante. Caiu de joelhos no chão, tremula, mas feliz pela dor parar e seu corpo se acalmar aos poucos.

—Você teve medo de mim? — A voz dele saiu esganiçada como uma facada agonizante.

Não conseguiu responder de imediato, respirando fundo para recuperar o fôlego e a ânsia de vômito causada pela dor. Ergueu os olhos vendo-o parado a alguns metros de distância com os olhos desesperados e magoados.

—Eu... — Respirou tomando fôlego. Obvio que ele sentiu o cheiro, não adiantava negar. — Tive medo de você não me escutar.

Pela primeira vez ele pareceu analisá-la de fato, vendo seu estado. Era impossível esconder os resquícios de lágrimas, as contusões nos pulsos, pescoço e nas costas onde a roupa não cobria. Embora essa situação não pudesse passar em branco Lucy sabia que não era sua intenção machucá-la. Os descontroles aconteciam quando a ligação ficava instável, a questão é que nenhum dos dois sabia a intensidade. Estremeceu rezando que a razão disso fosse apenas estar em um lugar inteiramente desconhecido e novo.

Acnologia baixou a cabeça antes de fazer uma coisa que a deixou realmente puta. Ele regrediu. As escamas voltaram a ser pele, os olhos ficaram azuis e as marcas — que normalmente eram azuis quando sua outra parte aparecia – ficaram negras. Como a consciência humana do dragão estava gasta e exausta ele caiu no chão, desmaiado.

—Não, não, não. — Lucy praguejou se levantando rápido e ignorando as dores. — Não ouse! — Brandou se ajoelhando ao lado do corpo inconsciente.

Ele estava se alto suprimindo. Isso era ruim de uma forma maior do que poderia imaginar. Desde o seu pequeno incidente, onde conheceu mais fortemente a personalidade inumana de Acnologia, tinha estudado sobre dragões. Se sua fera se suprimisse a parte humana não conseguiria usar todo o seu poder. E precisava dele, já que mal podia usar o seu!

Problema número dois: Quanto mais sua outra parte se suprimisse mais os efeitos colaterais da ligação se agravariam, o que levaria ambos a estaca zero outra vez. Problema número três e principal: Amava aquela porcaria de parte dele assim como todas as outras e vê-lo sumir era desagradável de muitas formas, começando pela angústia em seu coração.

—Acnologia volte aqui agora, seu idiota! — Sacudiu seu peito e de relance viu seus machucados serem curados pela ligação.

Rosnou indignada vendo que ele não respondia. Se concentrou e ativou a marca. Pois bem, se Maomé não quer ir a montanha, alguém deve chutar sua bunda e obrigá-lo a ir lá.

—Acnologia eu ordeno que você apareça. Agora!

Ele tentou recusar, mas no fim viu as tatuagens começando a retomar o tom azul. Ele não podia recusar ou quebraria totalmente a ligação e tinha certeza que isso não era uma opção para ele. Os olhos vermelhos se abriram e as escamas negras aparecerem em seus devidos lugares outra vez, voltando para a forma intermediária humanoide. Ele gemeu consternado, girando o corpo para o lado. Lucy suspirou enquanto o olhava.

—Fugir do problema não vai fazê-lo sumir. Recomponha-se. Eu sei que não tinha a intenção de me machucar, seja lá o que estivesse tentando fazer. — Houve um minuto de silêncio.

Olhou em volta, para a floresta que estava começando a ser devorada pela noite. Ele continuou deitado no chão, virado de costas para si, aparentemente não querendo encará-la. Como se fosse deixar isso barato, ainda mais com a pergunta que chamuscou em sua cabeça.

—O que estava tentando fazer Acnologia? — Perguntou genuinamente curiosa.

Ele não respondeu. Espremeu os olhos antes de agarrar seu ombro e puxá-lo. Ele caiu deitado de peito para cima outra vez, mas virou a cara para não a encarar. Que ótimo! Mudança drástica de leão faminto para criança emburrada.

—Fala logo.

Ele soltou um estalar de língua meio bufado antes de responder, buscando as palavras na memória.

—Meu veneno tem o poder de te curar quando entra no seu sangue e minha magia pode reativar a marca passando meu poder para você. — Ele murmurou em um muxoxo, ainda consternado pelo que tinha acontecido. — Queria ter certeza que estava tudo bem.

Claramente a necessidade dele de protegê-la sempre passava na frente de seu pensamento. Por exemplo ele poderia ter checado se estava machucada antes de mordê-la, ou podia ter avisado para que se preparasse psicologicamente e, principalmente...

Deu um cascudo em sua cabeça.

—Idiota. Minha capacidade mágica não é tão grande quanto a sua. Fale comigo primeiro antes de agir.

Ele nem se quer rosnou pelo cascudo, continuando com a cabeça virada para o lado e não a encarar. Apertou os olhos e espremeu os lábios. Sabia como forçá-lo a mudar de idéia.

Jogou seu quadril por cima do dele e sentou-se em cima de sua barriga. A reação foi imediata; seu rosto se virou para o seu instantaneamente com os olhos arregalados.

—Lucy...

—Nada de Lucy. — Interrompeu. — Você cometeu um erro... Dois na verdade. Agora que já sabe deles basta que se concentre em não fazer isso novamente. Tenha em mente que meu poder nem se compara ao seu antes de mandar tudo para dentro de mim. Isso dói e eu não gosto de dor. E pare de forçar sua parte humana. Eu sei que você não gosta da idéia de estarmos em uma dimensão desconhecida com coisas desconhecidas, mas você já me encontrou, então pare com isso. Se quer aparecer basta me mandar um sinal, não se alto-destruir.

Soltou outro suspiro pelo nariz, encarando-o com ternura. Suas mãos deslizaram pelo peito coberto de escamas até chegar no tórax. Elas eram quentes, lizas e macias ao toque. Conseguia sentir como os pulmões embaixo delas eram poderosos como deveriam ser. A maior arma de um dragão era seu rugido que vinha dos músculos poderosos de seu peito. Mesmo estando sentada em sua barriga ele ainda respirava com facilidade. Tudo nele a fascinava facilmente. Sentia-se como uma criança sortuda, escolhida entre milhares, que tinha ganhado a permissão de tocar no Sol.

A comparação era bem válida. Veja bem, ninguém costumava chegar tão perto de um dragão e sair vivo.

—Você é meu Dragão Acnologia. — Falou baixo, como um segredo sussurrado em meio a um sorriso calmo. — Eu sabia disso desde o dia em que concordei em ser sua. Só que as coisas não param por aí. É uma relação, comentemos erros, a ligação estava instável e essa provavelmente não será a última vez que isso vai acontecer. — Esticou a mão para acariciar seu rosto. — Vamos trabalhar nisso e superar.

Ele hesitou por um longo momento – podia ver seus olhos vermelhos desviando em alguns instantes – mas por fim ele colocou as mãos enormes em suas pernas e abaixou a cabeça.

—Desculpe. — Ele murmurou baixo.

Sorriu alegre com o progresso.

—Vou te desculpar quando me levar de volta para a cabana em segurança. Não enxergo nada nesse escuro. — Brincou para que ele se sentisse melhor.

Era uma quase mentira já que a marca tinha deixado seus olhos um pouco mais poderosos temporariamente. Ele suspirou, parecendo melhor, mas ainda um pouco incomodado.

—Hai. — Respondeu.

E se ergueu como se não tivesse nenhuma pessoa com mais de cinquenta quilos em cima de seu peito. Foi pega de surpresa quando deslizou para seu colo, apoiando as mãos em seus ombros para se equilibrar. Olhou para cima para encará-lo novamente.

Mesmo sentada em seu colo ele era mais alto. A sua forma intermediária não acrescentava apenas músculos e escamas, ele ficava mais alto também. Um dia gostaria de saber até onde ele conseguia manter a forma humanoide. Ele inclinou o rosto parecendo curioso, mantendo o peso do dorso com os braços apoiados no chão.

—Você está fazendo uma cara estranha. — Murmurou, os olhos vermelhos curiosos a analisando.

Tinha dado bandeira? Claro que tinha. Bom, pelo menos isso estava o distraindo. Como sabia que Acnologia gostava quando dizia a verdade, não hesitou em falar.

—Estava me perguntando a extensão de seu poder e de suas habilidades. Sou curiosa.

O tremor do ronronar começou embaixo de suas palmas. Seus olhos faiscaram parecendo animados.

—O que quer saber? — Questionou, instintivamente inclinando a cabeça em sua direção.

Apertou os lábios.

—Eu não sei. Ainda não pensei em nada específico. Você sempre me surpreende. — Foi sincera, não achando nada na cabeça.

O corpo grande se inclinou ainda mais em sua direção. Sentiu as garras da mão dele através de sua blusa quando ele agarrou sua cintura com uma das mãos. Os dentes brancos e afiados apareceram em um quase sorriso.

—Pergunte. Eu quero responder. — Ele insistiu.

Acnologia sempre tinha uma vontade imensa de cumprir seus desejos e sempre parecia muito animado quando seu interesse se direcionava para ele. Quando essa parte assumia comando não duvidava que poderia perguntar o seu segredo mais vergonhoso e ele responderia. Não importa o quão humilhante fosse, como aqueles segredinhos de criança que todo mundo guarda; algo que escondeu dos pais, ou que fez algo imoral ou sujo com alguém, tanto faz, ele contaria.

—Hum... — Resmungou e deitou a cabaça em seu peito ao mesmo tempo em que abraçava sua cintura. — Não sei mesmo o que perguntar nem por onde começar. Queria saber tudo, onde você pode chegar, quais são seus poderes, suas fraquezas... Mas não sei formular nada em perguntas. Então deixa pra lá. Um dia você pode se exibir pra mim.

Sem dizer uma palavra ele pegou sua mão e a colocou em cima de seu peito com delicadeza, fazendo-a passar os dedos por suas cicatrizes e pelas junções das escamas. O encarou com as sobrancelhas vincadas sem entender.

—Com a arma certa e magia, se mirar entre minhas escamas enquanto me transformo posso sofrer um dano grave. — Ele fez uma pausa, inclinando a cabeça para o lado sem deixar de encará-la. — Mas para me matar você teria que morrer.

Piscou com a intensidade de sua fala, corando com o aperto em seu estômago. Lhe deu um tapa no ombro com a mão livre sabendo que ele mal sentiria.

—Idiota! — Exclamou. — Eu não quero saber como faz pra te matar. Eu gosto de você bem vivo.

Ele ronronou com um meio sorriso.

—Eu sei. Eu gosto que você saiba tudo sobre mim. Principalmente como me ferir.

Sua fala poderia parecer confusa e masoquista, principalmente quando fora de contexto, mas de algum modo Lucy entendeu de primeira o que ele queria dizer. Havia uma frase que dizia: “Amar alguém é dá-lo a capacidade de destruí-lo, confiando que ele não o fará.” Não duvidava que um dos mais secretos segredos dos dragões era onde atingi-lo para matá-lo e contar isso era uma prova de confiança absoluta.

—Além disso a única forma de realmente me matar é matando você. — Ele murmurou, logo passando para sua feição ameaçadora. — Uma coisa que não vai acontecer. — Sibilou num rosnado.

Lucy sorriu, mas voltou ao assunto.

—Quero que me prometa que não vai ficar se forçando assim de novo.

Ele apertou os olhos vermelhos para os seus. O ouviu apertar a mandíbula e esperou que ele buscasse as palavras na consciência humana outra vez.

—Tá. Os efeitos vão sumir com o tempo. Quanto mais perto de você mais calmo eu fico.

—E sua parte humana? — Questionou objetiva.

Ele rosnou virando a cara ao mesmo tempo em que expôs os dentes.

—Está acabada por resistir. Vai voltar aos poucos.

—Hum... — Murmurou em concordância. — Então se comporte por que vamos ajudar o Soluço.

Seu rosto se virou rapidamente em sua direção, rosnando. Os olhos vermelhos contrastados com o preto podiam provocar um belo cagaço em qualquer um, mas Lucy não se intimidava, já bem acostumada a eles.

—Ajudar? — Sua voz saiu a draconiana intimidante que ele usava para fazer ameaças. — Eles são uma ameaça. Viemos parar em uma maldita dimensão de dragões que nem conhecemos.

Sua versão poker face apareceu, nenhum pouco abalada por sua feição furiosa que tinha um espirito de querer queimar o rabo do primeiro infeliz que aparecesse.

—Eles são legais. Nós vamos ajudá-los. — Inquiriu sem dar chances para negativas. Mudou seu rosto para um divertido. — Os dragões são fofos. Principalmente o Banguela. Dá vontade de apertar de tão fofinho. — Disse agitando as mãos como se apertasse um urso de pelúcia.

Acnologia se impulsionou um pouco para frente quando rosnou de maneira brusca. Lucy sorriu, identificando claramente o ciúme colérico. Não deixaria que ele matasse Banguela.

—Eles são pessoas muito boas, Acno. Além disso...

Impulsionou o próprio corpo contra o dele, empurrando seus ombros de volta para o chão. Ele cedeu por ter sido pego de surpresa. Apertou as cochas ao redor de seu abdômen para fazer pressão, fazendo-o entender que queria que ele permanecesse assim. Sorriu travessa, descendo as mãos de seus ombros por seu tórax, dedilhando as escamas quentes.

—Vai me dizer que meu Dragão não consegue dar conta de um bando de caçadores humanos e uns dragõeszinhos? — Perguntou irônica, deixando os cabelos caírem por seus ombros enquanto espalmava seu tórax.

O peito dele retumbou sob suas palmas enquanto ele rosnava e expunha os dentes.

—Eu posso destruí-los em um rugido. — Ele cuspiu entredentes, irritado.

Lucy se abaixou ainda mais, quase colando os seios em seu peito. Viu-o descer os olhos de relance.

—Que bom. Então quer dizer que eles não são uma ameaça, então não temos que nos preocupar.

Ele expôs os dentes afiados outra vez.

—Eu não gosto deles! — Exclamou.

Apoiou-se totalmente em seu peito, deixando seu rosto a centímetros de distância dele.

—Mas eu gosto. E eu sei que a única razão para você não gostar é por que você não gosta de nenhum outro ser vivo perto de mim. — Resolveu jogar pesado, ciente de que essa parte dele sempre queria ser o centro das atenções. — Você disse que gostava de realizar meus desejos. Eu não quero ver Banguela ser transformado em um tapete.

Quando ele cerrou os dentes e bufou, soube que ele obedeceria.

—Malditos dragões minúsculos. Quero matá-los. — Ele resmungou.

Sabia que Acnologia só queria matá-los por que eles chamavam a curiosidade de Lucy, desviando seu foco do rei.

—A culpa é sua. Foi você quem me deixou curiosa sobre dragões, e aqui eu posso aprender um monte sobre vocês.

Ele rosnou.

—Use sua curiosidade em mim. — Retrucou como um garoto mimado.

Sorriu travessa.

—Eu vou. — E se ergueu, montando em sua pelve e sorrindo ainda mais maligna. O rei fixou os olhos em si, engolindo o seco. — Você deve estar no limite. Nos encontramos a pouco tempo, então se você foi afetado constantemente da forma como eu fui deve ser quase um milagre você não estar em sua forma completa.

Tirou a blusa e o top que estava por baixo, ficando parcialmente nua. Ele ronronou instintivamente.

—Deve ser difícil pra você permanecer nessa forma, e deve ficar mais difícil ainda se você regredir um pouco mais. — Apoiou as mãos em seu peito com um olhar convencido de quem ganhou na loteria. Quase podia ouvir sua mandíbula estalar, confirmando que tinha razão. — Regresse mais um pouco. — Murmurou como um sussurro ao vento.

Ele obedeceu, tentando voltar a forma humana intermediária que conseguia alcançar. Não obteve êxito. Como Lucy sabia que aconteceria, o instinto dele estava tão a flor da pele e sua parte humana tão acabada que ele manteve o tamanho e boa parte das escamas do corpo, deixando apenas algumas partes do rosto e do corpo em pele. Sorriu. Bom, as partes que interessam estavam humanas novamente, e nunca se importou com a forma draconiana. Hora de fazer pressão.

—Você não vai atacar os dragões ou seus pilotos, e sabe por que? — Curvou-se sobre ele novamente, espalmando as mãos pelo peito forte e sentindo sua quentura e firmeza. — Por que você vai ficar sem energia pra isso. — Fez uma pausa, lambendo os lábios. — Eu não vou ordenar. Você vai ter que se concentrar em manter sua forma humana, conter seu poder para não chamar atenção e vigiar os arredores com seus sentidos para que não sejamos pegos por ninguém. Eu vou odiar ser pega no flagra. Vai ter que fazer tudo isso enquanto faço tudo aquilo em você de novo. — Deu um sorriso cruel.

Ele desceu o olhar para seus seios e gemeu em uma quase derrota. Sobrecarregar Acnologia podia parecer malvado, mas realmente precisava de ajuda e domar a fera.

—E depois disso tudo você vai me levar pro acampamento, sem procurar nenhuma confusão, como pedi mais cedo.

E o beijou, sem lhe dar a oportunidade de resposta. As mãos dele lhe agarraram na cintura e na nuca. Sentia as garras afiadas contra sua pele, abençoando sua resistência momentânea. Só que dessa vez iria brincar pra valer.

Quebrou o beijo e desceu para sua orelha para ordenar.

—Não me toque.

As amarras da conexão, mais afiadas do que de costume, o restringiram na hora. As mãos caíram e as garras rasgaram a rocha de frustração. Gemeu e rosnou de indignação ao mesmo tempo.

Lucy não se deixou abalar, descendo com beijos e lambidas por todos os músculos fortes. Podia sentir a respiração forte e agora inconstante dos pulmões de aço. As escamas intransponíveis, porém maleáveis ao toque era mais uma parte que compunha o conjunto brutal. Dragões eram poder e força, e cada parte de Acnologia exalava isso, desde a magnitude de sua magia a sua presença que intimidava pelo simples fato de estar lá. Nunca deixava de se admirar e se assustar com o quão mais forte ele era do que si.

Ficava mais chocada ainda quando se lembrava que ele a tinha escolhido para se tornar sua companheira. Alguém que colocaria um empecilho em sua liberdade e soberania absoluta. Alguém que poderia obrigá-lo a se submeter contra a sua vontade.

Ele sabia de tudo isso, mas ainda assim a marcou voluntariamente. Agradecia por isso. Todos os dias.

Ele tinha lhe dado a felicidade outra vez.

Desceu as lambidas pelo abdômen duro chegando a seu objetivo. Lambeu o pênis até a ponta, antes de olhar as íris felinas e vermelhas, com caninos afiados mordendo o próprio lábio enquanto a olhava. Ele sabia o que ia fazer e viu seus músculos se contraírem em antecipação.

Sorriu.

~*#*~

Cambaleou ao aterrissar na área externa da cabana que foram destinados. Suas pernas estavam bambas e fracas demais para fazer qualquer coisa além de tentar se arrastar em direção a cama e apagar. Lucy dormia serena em seus braços, confiando que faria o que tinha prometido. Firmou os pés para não cair no chão e fazer barulho, acordando todos.

Olhou em volta. A cabana do líder, que possuía o tal Fúria da Noite, era visível de praticamente todos os lugares.

Apertou os dentes e cerrou os olhos, emitindo um tremor em seu peito que não chegou a formar um som.

Lucy estava certa em dizer que ele implicava por que não gostava de ter a atenção dela desviada de si. Entretanto, além de seu ciúme, aquele dragão o deixava com os instintos de batalha a flor da pele. Sabia o que era isso. Seu corpo reagia com um calafrio arrepiado, liberando sua magia para os músculos em precipitação a batalha, uma sensação de ameaça constante e poderosa. Um Alpha.

Aquele dragão negro estava muito perto de se tornar um, e como Rei dos Reis, seu instinto de Alpha reagia a ameaça, mesmo que não estivesse em seu território. Partir para a briga era algo natural para quem estava no topo. Só que o desejo de Lucy era mais importante.

Além disso ela tinha razão. Não tinha energia para gastar em uma briga com outro, mesmo que esse não passasse nem perto de seu poder destrutivo no momento. Espirrou para o lado quando a poeira entrou no nariz e seus joelhos tremeram. Se firmou para manter a maga nos braços sem cair.

Suspirou meio bufado deixando os ombros caírem, andando para dentro da cabana. Isso ficaria para depois. Precisava dormir.

Notas finais
Gente eu to viva. Tenho mais 3 capitulos incompletos de mais de 20 mil palavras. Postei uma fic nova. To estudando horrores pq quero uma bolsa. So posso pedir perdão e paciência. Dividi esse cap em 2. Deve ta cheio de erros pq não consigo corrigir tudo e to sem beta. Os outros tb estão enormes. Pf comentem o que acharam. Acho que vcs vao gostar das finalizações. Bjs. Vejo vcs depois