A Arte do Caos

33 Um alfa não prova que é alfa, ele apenas é.


-Ah, isso! — Exclamou deleitosa.

As mãos passaram por sua coluna fazendo pressão e estalando todas as vertebras, sendo acompanhada pelo óleo quente e cheiroso.

—Meu deus isso é muito bom. — Levy comentou ao seu lado.

O se era. Meu deus era magnífico. Massagem completa em um spa era a melhor coisa que poderia ter naquela missão irritante. Pelos deuses queria ficar ali para sempre.

Reino de Alanor, muito famoso e conhecido por seu clima nevado e bonito, auroras boreais e fontes termais divinas, Ah, claro, e dos resorts com spas dos deuses. A missão era bem simples: Todos os países reuniam seus príncipes e reis para uma competição saldável de caça esportiva, onde os futuros governantes provariam seus dons de estratégia e força caçando um curioso animal chamado Impus. Um Impus era semelhante a um servo, porém mais astuto, inteligente e com poder mágico para se camuflar e usar suas galhas perigosas e douradas cheias de veneno. Uma bela merda em sua opinião, mas este encontro de rivalidade saudável evitava guerras e gerava negócios; muitos e muitos negócios.

Por que estavam ali? Bom, a realeza toda reunida em um lugar só podia gerar ideias interessantes para ladrões e opositores. Cada reino vinha com sua guarda pessoal, cozinheiros e, claro, um reforço dos melhores magos de seu país. Como poderia recusar? Comida, bebida e conforto de graça pelos próximos dias, receberia uma bolada e em troca talvez tivesse que parar algum idiota ladrãozinho. Muito lucrativo e interessante para ser desperdiçado.

—Onde você deixou Sett e Vi? — Perguntou pelos seus dois sobrinhos pestinhas. Sim, eram gêmeos.

Levy gemeu ao ser pressionada na coluna novamente antes de responder.

—Bisca e Mira. Eles quiseram ficar lá para serem mimados.

—Hum... — gemeu também em concordância.

As praguinhas fariam 5 anos em breve, mas já eram espertas e espoletas suficiente para dar dor de cabeça. Os genes de dragão faziam com que crescessem mais rápido.

—Muito bem garotas. Faremos uma pausa. Vão para as fontes termais e comam bem. A tarde teremos a limpeza de pele. — O massagista chefe também conhecido como Deus da Massagem Jim, falou.

Ele era negro, alto, bonitão e todo definido. Se não amasse Acnologia e achasse ele mil vezes mais gato, com certeza estaria babando pelo cara. Ele era muito carismático e educado.

Pegaram os roupões e foram para a área de banhos feminina. Entraram em uma das poças de pedra naturais, quentinhas e deliciosas que formavam um contraste com o clima frio.

—Oh, isso é que é vida. Não quero sair daqui nunca mais! — Murmurou Levy, fechando os olhos e encostando a cabeça em uma das rochas enquanto relaxava.

Dava até pra tirar uma soneca. Suspirou.

—Sim...

Suspiraram juntas outra vez.

—Glória por pegarmos essa missão primeiro.

—Glória! — Ela concordou.

Erza, Natsu e Gray tinham ido a um treinamento no norte para magias físicas. Um que o mestre conseguiu. Por motivos óbvios não precisavam ir, então quando o pedido chegou Levy e Lucy estavam lá, prontinhas para pegá-lo.

—Vamos ficar aqui pra sempre...

—Sim....

E tudo teria continuado muito bem se não fosse a maldição da Fairy Tail. Aquela de sempre encontrar problemas e pessoas podres no caminho.

—SAIA DA MINHA FRENTE!

~*#*~

Tédio. Tédio à beça.

Ficou olhando para as nuvens e abanando as mãos na água termal. Admitia que Lucy tinha conseguido uma missão muito lucrativa e fácil, mas a maguinha se enfiou nos prazeres do spa e o abandonou para as moscas. Admitia também que o lugar caro tinha mimos bem agradáveis e coisa e tal, mas era muito irritante o fato de estar dividindo uma terma com ninguém menos que Gajeel.

—Ai. Que água boa... — ele exclamou do outro lado do poço mediano, infelizmente lembrando-o de sua presença.

Não, seu rancor não se esvaiu nem mesmo após quase cinco anos, mas a amizade de suas companheiras estava forçando a barra na convivência dos dois. Suas bestas gostavam disso? Não. Eles gostavam disso? Não. Mas a barra tinha que ser segurada por que as duas não estavam nem aí pra natural rivalidade draconiana e suas peripécias.

“Se fodam ai. Somos amigas.”

Era mais ou menos isso. Como consequência estava ficando puto por ter que ficar pelado com o ferro velho em um spa. Mas, Lucy tinha razão, a comida e os mimos ajudavam a superar um bocado da situação.

Suspirou, encostando a cabeça na pedra e ignorando tanto ele quanto a besta, que rosnava em seu interior.

—Dizem que mau-humor e raiva matam sabia?

Uma veia saltou em sua testa, mas continuou encarando o céu.

—Cala a boca e fica quieto.

Após alguns segundos de silêncio Gajeel suspirou e voltou a falar para o seu desprazer.

—Olha, eu sei que a gente não vai muito com a cara um do outro e tal, mas Levy gosta de Lucy e Lucy gosta de Levy, o que significa que precisamos conviver um com o outro. Eu agradeço que anos atrás você tenha... — Ele hesitou.

Só que já sabia o final da frase, e a completou com sarcasmo.

—Que eu tenha sido capaz de me controlar bem o suficiente para não matar você a tampinha nem seus filhos.

Gajeel prendeu o ar por um segundo. Dizer isso era bem simplório. O instinto Alfa de Acnologia era infinitamente maior que o seu, e tinha uma razão para ser. Se lembrava bem da sensação do poder dele naquela batalha. Nem mesmo seu pai tinha tanto poder assim. Não fazia a menor idéia de como ele se controlou tão bem. Agradecia a Lucy e aos Deuses pelo que quer que seja que o manteve sob controle.

Conhecia o seu lugar, e lhe faltava muitos anos e treinamento pesado para começar a pensar a lutar contra ele.

—Eu não ia dizer essas palavras.

Deu uma rizada seca.

—Não tente ser educado. Eu sou um puto de um assassino a sangue frio. Você sabe qual é a única opinião que me importo, então foda-se.

É. Lucy era a única opinião que ele se importava, e a única que refreava sua sede de sangue. Isso não mudou em nenhum momento nesses últimos 7 anos que estavam juntos.

—Voltando ao assunto, vamos ter que trabalhar juntos várias vezes por um tempo, então seria bem mais fácil se você não agisse como um idiota com dor na bunda. — As palavras saíram antes que pudesse refreá-las.

Mas Acnologia não ficou nenhum pouco ofendido ou irritado. Sua reação foi por algo diferente, mas o caçador de ferro não percebeu de imediato.

Sua besta veio a tona, seus olhos ficaram vermelhos e seus dentes afiados. Se ergueu em um rompante das águas termais quentes, com as mãos em garras, pronto para se transformar.

—Foi mal. Desculpa, não foi assim que... — Gajeel começou a titubear.

—Não to nem ai pra isso idiota. Sinta!

Os instintos dele eram bem inferiores aos seus, então ele levou um tempinho para notar. Se levantou também em um rompante com a sensação de alerta e, de um momento pra outro, as coisas mudaram. A inimizade rancorosa de repente foi esquecida e uma aliança temporária se formou. Uma que visava proteger aquilo que lhe era mais precioso: suas companheiras.

E que deus protegesse o filho da puta.

~*#*~

—Repete isso!

Lucy a encarou novamente a vagabunda arrogante que teve o desprazer de conhecer nos últimos cinco minutos.

—Ela disse que você não tem o direito de tratar as pessoas assim! -Respondeu por Levy.

A megera de cabelos ruivos a sua frente estreitou os olhos e estalou a língua.

Ajudou a pequena empregada a se levantar. Tudo aconteceu por que a “madame” entrou de uma vez dentro da área das águas termais. Uma das portas duplas batel na pequena empregada que repunha as toalhas da área e ela caiu na frente da ruiva arrogante. Claro que ela, como pessoa estúpida que era, não pediu desculpas, mas começou a xingar a pobre moça pelo ocorrido. Obvio que as tanto Levy quanto Lucy se viram no dever de interferir.

—Não se preocupe... — A menina sussurrou baixinho. Mas suas mãos estavam tremulas e sua cabeça baixa.

Isso só a deixou com mais raiva.

—Vocês tem idéia de quem eu sou? Eu sou Rutt Vontroff!

A baixinha se revoltou.

—Eu não sei quem e você e não me interessa! Sua obrigação mínima é ter respeito! — E se levantou em um rompante.

O movimento brusco fez com que parte de seu roupão cedesse na lateral do ombros, dando visão de parte de sua marca dracrônica. A megera apertou os olhos quando a viu.

—Ah, então você também é uma companheira. Vou lhe mostrar seu devido lugar de merda!

Ela ergueu a mão e Lucy viu. A marca estava na palma de sua mão e se estendia um pouco sobre o braço; uma marca de dragão marrom, que ganhou um leve brilho verde musgo.

—Ajoelhe!

Lucy sentiu o calafrio de lambido quente que lhe veio do peito ao estômago, espalhando por seu corpo com um calor convidativo. Sua própria marca se ativou, espalhando-se por ventre, a calda longa do dragão negro se tornando azul e esticando-se por sua perna, as asas por seu peito e braço. De início apenas estranhou o comportamento ridículo da mulher que se achava uma rainha, mas depois ouviu um arfar ao seu lado.

—Levy! — Exclamou quando viu sua amiga suar e apertar o peito, parecendo que suas pernas fraquejariam.

Por impulso a agarrou pensando que ela poderia cair. Em qualquer outra ocasião isso seria problemático. Já tinham se encostado antes, depois da marcação, especialmente quando as coisas estavam um pouco mais tensas entre seus caçadores, o que ocasionou em marcas repelidas e os dois dragões bem putos. Apesar da briga feia entendiam que eram os instintos dos dois, mas isso não impediu de ambas mandarem um foda-se e os obrigarem a lidar com a sensação desagradável do conflito de marcas.

Só que dessa vez foi diferente; a marca não repeliu ou nada parecido. Levy parou de tremer no exato momento que a tocou, parecendo voltar ao normal em segundos.

Virou-se para a possível causadora do problema para xingá-la por fazer o que quer que seja com sua amiga, mas se deparou com uma expressão furiosa.

—AION! BASKIM! — Ela berrou parecendo fula da vida. — Suas vadias! O que pensam que estão fazendo!

Segundos depois uma pequena tempestade de areia apareceu atrás da mulher, e quando ela sumiu estavam dois homens: Um musculoso, mais baixo de cabelos marrons escuros e olhos verdes em fendas, as orelhas ligeiramente pontudas e ao seu lado, portando as mesmas orelhas, estava um homem mais alto e magro, um pouco menos musculoso, de cabelos prateados um pouco puxados pro azul, olhos glaciais como os de um gato.

O mais troncudo a encarou como se fosse um ser inferior, enquanto o maior a encarou mais apático e tristonho.

Soube quase imediatamente por instinto: Eles eram Dragões.

—Ei! Vocês não podem entrar aqui! — Uma mulher gritou.

A presença de Acnologia foi como uma brisa reconfortante para sua tensão. Ele e Gajeel invadiram o espaço feminino, também seminus, indo direto em sua direção. Seu olhar se afixou no seu quando se aproximou, tocando seu ombro com uma expressão séria.

—Você está bem? — Questionou.

Levou alguns instantes para responder por causa da tensão e da fúria que sentia contra a mulher.

—Sim...

De imediato seu olhar passou para a ameaça a frente. Os olhos afiados e totalmente voltados para os dois dragões que estavam atrás da mulher.

Levy, sentindo-se melhor e tomando a fúria de volta, continuou a falar em desmedida. Algo que sempre ocorria quando estava irada.

—Essa maluca derrubou a pobre coitada e agora ta pagando de louca mandando a gente ajoelhar! Eu e que vou mandar você pedir desculpas e sair fora!

O dragão troncudo as costas da mulher, deu um passo à frente, ficando com os olhos estreitos.

—Meça suas palavras com minha companheira, mestiça.

A tampinha começou a ficar vermelha como um tomate, do busto ao último fio de cabelo.

—Como é que é seu porco brutamontes?

Gajeel, consumido pelo instinto de proteção e com os hormônios em fúria, pronto pra briga, também se aproximou dela em sua defesa, tentando impor sua energia ali.

—Meça você suas palavras com a minha companheira!

O outro igualmente começou a impor sua energia. Notoriamente ele era mais poderoso que Gajeel, mas o dragão de ferro não sentiu a pressão e não ficou preocupado, por que de alguma forma aquilo não lhe afetava, sem falar que a lembrança vivida de alguém muito mais poderoso estava na sua mente, e ele estava bem ao seu lado.

—Como vocês ousam! — A ruiva berrou. — Por que aquilo não funcionou? AION! — Ela parecia indignada com algo.

Lucy também já estava a ponto de entrar na briga sem medir as consequências.

—Ei vocês... — Foi interrompida pelo dragão, puxando-a para trás de si e falando por cima.

—Pedimos desculpas.

Levy, Lucy e Gajeel o olharam estupefatos. Isso era algo que com certeza fazia jus a expressão” é de cair o cu da bunda”.

—Ouve um acidente, sua companheira não reagiu bem a isso e nem a nossa. Não estamos em posição de criar uma confusão aqui, então vamos deixar isso de lado. — O tom era ameno, mas soava quase como uma ordem.

Lucy estava de boca aberta e os olhos como pratos. O que estava acontecendo? Acnologia, O SEU ACNOLOGIA, nunca, nunquinha mesmo, fugiria de uma briga. Não, pelo contrário, era ela quem tinha que pará-lo, e agora quando pela primeira vez desejava que ele caísse na porrada com toda aquela testosterona ridícula masculina e fizesse a megera e a porra do companheiro dela beijarem o chão, ele recuava?

O analisou de pé a cabeça. A fera estava lá, seus olhos vermelhos vivos, músculos tencionados e totalmente pronto pra cair na briga se fosse necessário. Sentia isso, sabia disso, então por que?

—Mas nem... — a megera foi interrompida pelo homem de cabelos brancos.

—Não faça cena Rutt. Se algo acontecer não receberemos recompensa e estaremos em problemas. Vamos! — E mandou um olhar significativo para o outro.

Aion agarrou o braço da companheira e a conduziu para fora. Ainda pode ouvi-la praguejar.

~*#*~

—DESDE QUANDO VOCÊ VIROU UMA GALINHA? — Levy foi a primeira a soltar com um grito agudo assim que entraram no quarto.

Isso também a tirou do choque inicial.

Acnologia a ignorou, já acostumado com a convivência tortuosa de Mecgardem em sua vida. Pegou uma toalha e passou pelos cabelos para terminar de remover a água.

—O que aconteceu ali? — Lucy perguntou.

Suspirou. Sabia que eles não entendiam sua calma naquele momento. Sua virulência em pró da violência era algo que aparecia com frequência.

—Apesar de me considerarem um animal por causa do meu instinto e da besta que vive em mim, sei plenamente reconhecer uma enrascada. Estamos no meio de uma missão, onde fomos contratados para proteger o rei, o príncipe e o reino de Fiore, em um evento com cerca de mais trinta outros reinos que fizeram o mesmo. O que vocês, idiotas, pensam que resultaria uma briga de dragões aqui, no meio das confraternizações, horas antes do início das caçadas? Sem falar que é obvio que eles também estão aqui contratados por alguém.

De repente os três se sentiram idiotas estúpidos. Não lhes passou pela cabeça aquilo, não em meio a raiva. Guerras seriam geradas, os magos seriam caçados, dragões seriam ainda mais execrados. Seria péssimo para um evento que simboliza a paz.

Mas a baixinha lembrou de algo interessante.

—Aprecio que tenha lembrado disso pela gente, mas desde quando você se importa com isso? Tu é o foda-se em pessoa!

Os olhos vermelhos azulados baixaram para ela, colocando a toalha ao redor do pescoço.

—Seu companheiro pirralho deve ter esquecido de dizer, mas nossa prioridade sempre será manter vocês seguras, e uma briga com dois reis no meio de magos não é nada seguro. Mesmo com meu poder seria impossível garantir a segurança de vocês, e barganhar com a vida de Lucy é algo que não estou disposto a fazer. — A última parte saiu com uma frieza gélida. Mesmo após tantos anos, a lembrança da perda era uma talha gélida e mortal na sua mente.

Gajeel ignorou o pirralho. Como disse, reconhecia sua posição. Era jovem em termos de vida e poder dracônico, lhe falta experiência. Não tinha percebido que eles eram reis.

—Eles eram reis? — Perguntou Lucy.

—Sim. — Respondeu prontamente.

Reis eram poderosos, soberanos em seus elementos, tal como os pais de seus amigos.

—Agora faz sentido aquela louca se achar rainha! E o que foi aquilo? Que estupido! — A maga estelar ralhou.

Levy ficou um pouco calada com suas palavras, e percebeu isso.

—O que foi?

A azulada apertou os lábios antes de responder.

—Quando ela disse aquilo...eu senti. Senti como se tivesse que obedecer e realmente me ajoelhar, mas parou quando você me segurou. O que foi aquilo?

Suas sobrancelhas vincaram.

Suspirando o dragão falou.

—Vinculo de comando. — Murmurou, indo a cômoda e abrindo a gaveta para pegar um short seco. — Aparentemente a conexão dela com aquele rei da terra permite que ela comande outros e os force a submeter. Em suma, não é diferente do poder que você tem de me comandar. — Respondeu naturalmente. Essa parte da sua conexão com Lucy não era mais um segredo desde o incidente nas montanhas.

—Rei da terra? — Levy perguntou.

—É. — Falou sem olhá-la. — Acho que eles não sabem quem somos, mas senti a magia. Rei da terra e do gelo.

As sobrancelhas de Lucy vincaram mais.

—Por que eu não fui afetada? E por que a ordem não concluiu?

Acnologia se virou para sua companheira, os olhos vermelhos indicando a besta.

—Um alfa só pode mandar em alguém inferior. — A besta respondeu.

Então as peças encaixaram. Rutt possuía as limitações de Aion, da mesma forma que Lucy possuía os atributos de Acnologia. Era uma questão simples e arcaica de dotes e títulos. Seu dragão era o alfa mais forte até o momento, o rei dos reis. Sendo o Dragão do Apocalipse que come todas as magias, Aion não tinha como lhe dar ordens. Mas Gajeel era jovem e ainda fraco em comparação com alguns determinados dragões.

—E aquela coisa de mestiça? — Lucy questionou.

—Tem a ver comigo. — Foi a vez de Gajeel responder. — Não sou um dragão como eles. Meu pai era um dragão mas eu sou mestiço. Um dia, quando realmente conseguir ficar forte, talvez eu possa me transformar em um, mas ainda assim sou meio humano, o que torna minha companheira uma companheira de um mestiço. — O mago deu de ombros. — Acho que eles são preconceituosos também.

—Faz sentido. Já deu pra ver pelo ego deles. — Levy falou raivosa.

—Quanto a você Mecgarden, — Acnologia falou olhando para a maga. — me deve uma por não ficar com o nariz no chão. — E foi para o banheiro com as roupas em mãos.

Ah, a marca. Elas não se repeliram, se uniram, Acnologia colocando Gajeel como aliado temporário, como dois lobos alfas em uma matilha temporariamente para combater outros bandos.

Levy começou a praguejar ao seu lado, mas não deu atenção.

—Ah! — Acnologia parou na porta do banheiro e olhou para Gajeel. — Fiquem juntos o tempo todo. Ficar separado vai ser uma merda e não confio em nenhum deles. Fiquem alertas, não posso garantir a segurança de vocês dois o tempo todo. — Sua voz saiu mais séria do que nunca.

Ambos assentiram e, quando os olhos vermelhos azulados passaram para Lucy ela entendeu que de agora em diante não sairia de suas vistas. E pela primeira vez não se sentiu desconfortável com isso.

~*#*~

Foi no meio da noite que ela apareceu, remoendo em seu âmago, iniciando aquele mesmo bolor de instintos que apareceu a alguns anos. Suspirou encarando a pia antes de lavar o rosto com uma quantidade generosa de água e encarar a pia de porcelana branca por alguns segundos. Pensou que era algo relacionado a presença dos dois dragões reis irritantes que quase matou hoje, gerando um incidente internacional.

“Você está bem quieto.” — A voz de Lucy retumbou em sua mente através da ligação, notando sua ansiedade.

Soltou outro suspiro enxugando o rosto. A pouco mais de 4 anos, quando foderam loucamente nos fundos da Fairy Tail, sua conexão com a maga evoluiu para algo ainda mais firme e sólido. As correntes que o ligavam a ela eram bem mais firmes, podia sentir a presença e os sentimentos dela de uma forma bem mais fácil, mesmo que ela estivesse a quilômetros — e tinha gostado disso, lhe passava mais conforto e segurança ao saber constantemente se ela estava bem – e, claro, uma espécie de comunicação psíquica. Não usavam muito isso por que consumia muita concentração e poder mágico, além disso era muito estranho e falho.

Enfim, nenhum dos dois estava a fim de compreender melhor essa parte melhorada da conexão.

Segundo Shinuky, esse fenômeno de remarcação era extremamente raro, e só acontecia quando a ligação de ambos já estava tão forte que podia ser renovada, ampliando suas características e dotes. Se perguntou quantos outros dotes poderia dar a Lucy na época.

Largou a toalha na pia e foi pro quarto. Ela estava de bruços, abraçada a um travesseiro gordo no meio da cama enorme do quarto – da área reservado ao reino de Fiore – pensativa. Inclinou o rosto a observando olhar fixamente para um veio de madeira na parede, enquanto seus pés balançavam inquietos. Estreitou os olhos reconhecendo bem essa atitude da maga.

—Desembucha. — Murmurou indo a cômoda guardar sua bolsa com itens de higiene pessoal.

Ela estalou a língua e começou a argumentar olhando para a parede.

—Dragões só marcam uma pessoa na vida. — Não era uma pergunta.

Mesmo ficando confuso, respondeu como se fosse uma.

—É..

—Vocês odeiam ficar perto de outros dragões e caçadores quando marcam alguém. Prova disso é que até Gajeel, depois de marcar Levy, fica com cara de pau no cu quando a Saber nos visita na guilda.

Estreitou os olhos para a maga, irritado com a descrição tanto de si quanto do dragão de ferro, mas incapaz de discordar por que era verdade. O frenesi e o desejo pós marcação eram difíceis de controlar e de se conter; tudo era uma novidade que os consumia com prazer. Tolerar qualquer um próximo enquanto tentavam lidar com a enxurrada de sentimentos era algo insuportável.

—É...- Murmurou.

Ela fez uma pausa erguendo as duas mãos e olhando para a parede como se tentasse descobrir a origem do universo.

—Então por que dois? — Expôs o pensamento de uma vez.

Piscou sem entender.

—Que?

—Por que dois dragões? Tá, deu pra ver que um era claramente o companheiro dela, e coisa e tal. Como rei da terra ou seja lá o que for, ele provavelmente viria sozinho, mas ele saiu com o outro emo lá.

Uma parte ciumenta e irracional sua começou a dar as caras quando percebeu que ela estava pensando nos dois dragões e não em si. Por isso coçou os cabelos e respondeu.

—Eu sei lá! — Falou rispidamente. — Reis não...

Seu ciúme sumiu de uma vez quando entendeu o ponto dela, se interrompendo quando realmente parou para pensar.

Reis eram territoriais, mais do que qualquer outro dragão ou caçador. Sabia disso por que ele mesmo era um fodido territorialista pau no cu. Quando a confusão com Levy se estabeleceu anos atrás, Lucy o tinha ordenado não matar os dois – indo contra seu instinto primário. A ordem foi dada com razão e decoro, por que (obviamente levou alguns meses para racionalizar e entender isso) Gajeel, Levy e seus filhos não representavam ameaça alguma para si. Tá, beleza, tinha um rancor do capeta por ele ter ameaçado Lucy, mas o dragão de ferro nunca ia lhe alcançar em poder tão cedo, ainda mais com seu treinamento e as constantes evoluções de poder geradas pela marca.

Não... na época queria matá-los por que era uma alfa! Tal como as mulheres normalmente acusavam os homens, era literalmente uma competição de quem mija mais longe. Queria reafirmar sua superioridade e a presença deles o atiçava, mas só queria fazer isso por querer se sentir superior. Ai veio aquela merda toda das montanhas e etc, mas isso foi depois.

Como infernos um dragão com companheira marcada tolerava junto de si em um mesmo território outro rei igualmente poderoso? Não conseguia conceber isso na sua mente.

Tá, era o Rei dos Reis até que algum imbecil tentasse tirá-lo do posto, naturalmente mais territorial e problemático que os outros, só que a questão permanecia a mesma. Não toleraria outro constantemente próximo a si. O desejo de privacidade, o egoísmo em ter sua companheira apenas para si durante vários momentos, era algo que acompanhava a marcação.

Aguentava tranquilamente agora Gajeel, Natsu, Laxus e o escambau a quatro por uma questão muito simples: eles não eram constâncias. Tinha aprendido – e gostado – de conviver com a guilda e tudo mais com o tempo, mas tinha em mente que a qualquer momento poderiam ir pra casa ou pras montanhas, onde a teria só pra si pelo tempo que quisesse, com eles fora de seu território, mantendo seus encontros apenas em solo neutro.

Mas o Rei do Gelo respondeu juntamente com o dragão da terra, o que não faz sentido algum...

—Ménage?... — Ela perguntou ao ar.

Sua mente travou de novo.

—Que? — Exclamou.

—Um ménage. Ela está com os dois ou, sei lá, os dois marcaram ela. — Espanou as mãos. — Como se... sei lá, você e Natsu tivessem me marcado.

A besta o transpassou, deixando seus olhos vermelhos e um rosnado grave e territorial saiu de sua boca ao mesmo tempo em que mostrava os dentes – comprovando mais uma vez seu territorialismo natural.

—Nem vem! — Ela ergueu a mão antes que pudesse dizer algo. — Estou em uma crise de teoria da conspiração agora. Você sabe muito bem que não existe a menor possibilidade disso acontecer, então só colabora com minhas teorias por um minuto!

Uma pessoa normal, lidando com uma pessoa menos maluca que Lucy, teria continuado a discussão. Porém foi só olhar pra cara dela que todo o seu ciúme desapareceu por completo de novo. Estava escrito na testa dela que ela ainda estava indignada com a situação que ocorreu mais cedo, e estava em um copilado de ideias, misturando todos os livros de ficção que escreveu e leu na vida em uma hipótese mais próxima de sua realidade. Era a típica personalidade barraqueira e leitora compulsiva dela saindo ao mesmo tempo. Se Levy estivesse ali provavelmente ele e Gajeel estariam escutando sobre orgias entre dragões e sua relação com o fim do mundo.

Apertou a ponte do nariz e suspirou.

—É impossível, você sabe disso. — Respondeu. — Você sabe como a marcação funciona, então teorize outra coisa.

Ela respondeu na lata.

—Na verdade não sei. As vezes que você fez isso em mim eu praticamente desmaiei.

Piscou.

Ah...

“Nós somos uns bostas” A besta sussurrou em sua mente, até mesmo ela se esqueceu do ciúme bobo.

De fato, já tinha explicado a Lucy como a ligação funcionava, mas não como ela era feita. Obviamente nem tentar adivinhar ela poderia, já que da primeira vez fez questão de que ela estivesse mergulhada em prazer para não sentir a dor, e em todas ela desmaiou de cansaço assim como ele mesmo.

A 3 anos atrás, quando a remarcou sem nem saber que era possível, o fluxo foi tão arrebatador que ela desmaiou em seu colo, ainda com seu pau dentro dela. E não foi diferente consigo, uma vez que caiu no sono logo depois. Muito provavelmente por causa desse detalhe já teriam acordado bem dispostos a transar de novo – algo que era muito bem vindo entre os dois — mas dormiram em uma posição tão ruim que os dois pareciam 2 velhas de 200 anos com todo tipo de torcicolo possível. Foi a pior volta pra casa do mundo, mas repetiriam a doze sem medo.

—Ok. — Murmurou.

Sentou-se na beira da cama, com as costas apoiadas na cabeceira, de forma que ficou de frente pra Lucy.

—Quando escolhemos uma companheira para ser nossa utilizamos muito mais que magia. Eu coloco meu veneno em seu corpo por que ele se torna um catalizador. Depois disso a minha alma e cada grama de magia que eu tenho no meu corpo vai fluir pra dentro de você. Quanto mais magia e mais eu resistir ao puxão da minha alma, mais forte se torna a ligação. — Fez uma pausa. — Damos a uma companheira nossa fonte de vida para que vivam até o fim de nossas vidas. Isso não é algo que seja fácil de ser feito, e se houver alguma dúvida ou hesitação de qualquer um dos lados, a marca é quebrada. Por causa do colapso e da quantidade de magia, se isso ocorrer, companheira morre durante o processo.

Ela ficou calada, absorvendo as palavras, enquanto observava sua reação. Depois de um tempo, ela falou.

—Então é por isso que não queria ficar em Magnolia depois de ter me remarcado. — Murmurou.

Suspirou, cruzando os braços. Ela era esperta.

—Sim. — Respondeu. — Dar a uma companheira nossa marca é nosso maior desejo, mas existem riscos. O processo e desgastante, ficamos sem magia e totalmente expostos. Qualquer um, dragão, caçador ou mago, está apto a nos matar depois que concluímos a marca. Só nos recuperamos horas depois.

Dependendo do quão bem sucedido fosse, a recuperação mágica poderia levar dias.

—Hum... — Ela murmurou, processando por alguns instantes. Um sorriso traiçoeiro brotou em seus lábios. — Você poderia ter me dito isso na época ao invés de ficar com aquela cara de rabugento querendo ir embora.

Vincou as sobrancelhas segurando um “tsc”, enquanto subia na cama indo em sua direção. O sorriso provocativo dela aumentou ao mesmo tempo em que ela se virava para cima.

—Não me provoque. — Contra-atacou sabendo que seria em vão.

—Ah, por que não provocaria? Afinal de contas você perdeu os culhões de Rei dos Dragões. O Acnologia que eu conheço teria colocado aqueles dois calangos pra correr. — A medida em que fazia a provocação, o sorriso aumentava.

Subiu em cima dela, prendendo-a com seu corpo maior, e jogando o peso para um dos braços, podendo assim agarrar seu queixo, encarando-a com um sorrisinho de ponta, entrando em seu joguinho. Seus olhos ficaram vermelhos azulados, a besta aparecendo um pouco insultada por sua companheira provocá-lo colocando seu poder e dominância em cheque.

—Eu sou o Rei. A senhorita sabe muito bem disso, e principalmente viu como cheguei a esse posto. — Ah, sim. Se lembrava bem. As montanhas de cadáveres humanos e draconianos enterrados nas catacumbas de Crocus. Todos obliterados e esmagados por Acnologia. — Não se engane achando que sou bonzinho só por que sou manso com você. Você é minha, e só por isso, te dou uma colher de chá.

Ela enganchou os dedos em seus cabelos e o puxou para um beijo voraz. Apertou-se ainda mais contra ela, fechando os olhos e sentindo seu gosto inebriante. O ronronar involuntário começou a surgir tímido em seu amago.

Ela puxou seu cabelo outra vez, quebrando o beijo e encarando-o, com os rostos quase colados e dividindo a respiração descompassada.

—Que bom. Porque eu te amo, e da próxima vez que rosnar assim pra mim, é bom que estejamos transando.

Ele entendeu o recado. Seu ciúme bobo era uma perda de tempo que só o deixava rabugento, e, tinha que reconhecer, era insuportável rabugento. Entretanto, não conseguiu resistir; mostrou os dentes afiados e rosnou pra ela.

Lucy riu.

—Seu cuzão! — Exclamou e o puxou para mais um beijo.

As mãos finas começaram a percorrer suas costas, e ela levantou os quadris para se esfregar contra os seus. O rosnado foi inevitável; seus quadris institivamente se moveram contra os dela, curvando-se ainda mais sobre o corpo curvilíneo. O beijo se quebrou para tomarem ar, e seu nariz começou a descer por seu pescoço, respirando o cheiro que o deixava louco e embriagado. Mordeu seu pescoço querendo puni-la pelo poder que ela tinha sob seu corpo.

—Seus dentes estão afiados... — ela murmurou, o desejo irradiando do seu corpo.

O conflito com os dragões pela manhã o tinha deixado muito arisco, com a besta mais presente em sua mente e corpo.

—Desculpe.. — Murmurou de olhos fechados, incapaz de parar de lamber sua pele e de sentir o cheiro de sua excitação, porém preocupado por ter machucado.

—Você sabe que eu não ligo. — Ela respondeu, puxando-o outra vez para um beijo.

As mãos dela desceram para seu peitoral, pressionando-o de leve, o bastante para entender o que ela queria. Enfiou a mão em suas costas e a puxou para cima, erguendo-se juntamente com ela e ficando ajoelhado na cama com Lucy em seu colo, com as pernas enganchadas em sua cintura. A segurou quando ela quebrou o beijo e o soltou para tirar a camisola.

No segundo em que seus seios ficaram expostos, mergulhou neles. Nunca se cansava disso. Ela gemeu, jogando cabeça para trás. Seu abdômen se apertou, o prazer espalhando-se por seu corpo, indo direto para seu pau pulsante.

Uma onda de prazer que não era sua o atingiu. A puxou contra si novamente, incapaz de conter o instinto de esfregar os quadris contra os dela. Sua mente nublou.

—Por favor, não faz isso... — Suplicou.

Quando a remarcou as correntes ficaram mais justas, mais prazer, mais sentimentos, mais tudo. Isso nublava seus sentidos ao ponto de até mesmo a besta não conseguir assimilar nada. Quando mergulhasse nesse prazer se tornava indefeso. Não seria capaz de sentir outra coisa além de Lucy, num ponto em que não conseguia sentir a presença de indivíduos indesejados com más intenções; vulgo os outros dragões.

—Mas posso sentir... Você quer... — Ela murmurou, a voz grogue pelo prazer.

Estremeceu. Sim, queria. Como poderia não querer? Aquele era um duelo entre a mente e os instintos de seu desejo. Uma dualidade.

Quando mergulhou nos olhos castanhos cheios de prazer, mandou sua mente e os alertas estranhos que ela lhe mandava se foderem.

A beijou novamente, prensando-a com uma força desnecessária contra seu corpo, deixando todo seu desejo e voracidade saírem. Ela gostava, podia sentir que gostava. Não importava como decidia demonstrar seu desejo, Lucy sempre se deleitava nele.

Agarrou a lateral de sua calcinha e a rasgou, impaciente demais para esperar que retirasse ela toda.

Ela gemeu um resmungo.

—Eu não tenho muitas na mala.. — Reclamou.

—Foda-se. — Rosnou impaciente. Que parasse de usa-las quando decidisse provocá-lo então.

Puxou seu pênis da cueca samba-canção, empurrou o que restava da calcinha para o lado e se enfiou para dentro dela. Rolou os olhos em deleite ao sentir o canto apertado e quente lhe receber de bom grado. Arfou quando recebeu o prazer dela logo em seguida, seus sentidos começando a falhar, tudo sendo direcionado a ela; o cheiro o deixando incapaz de pensar, e sua mente sendo completamente engolida pelo prazer.

Ela apoiou os joelhos na cama, subindo e descendo em seu colo enquanto a segurava pela cintura. Enfiou o rosto em seus seios outra vez, fechando os olhos, sentindo o prazer do sobe e desce molhado, sua parte mais sensível sendo esmagada e provocada prazerosamente, as cordas o puxando cada vez mais pra um abismo que não queria sair nunca. Ela gemeu, esfregando-se contra si, chegando perto do limbo.

Seus dentes começaram a arranhar seu pescoço e sua garganta, o veneno enchendo sua boca enquanto mordiscava. Foi ai que percebeu.

Estava acontecendo de novo...

O instinto voraz começou a esmagar em seu abdômen, subindo e contaminando cada músculo e cada grama de seu ser. Lucy gemeu, deixando-o mais perto disso também.

Tentou buscar sua consciência, mas sabia que seria em vão.

“Precisamos... Faça!” A besta rosnou, também claramente em conflito.

A presença dos dois dragões ativou muito mais do que seu instinto de supremacia. Mas fazer isso ali, sem segurança alguma...

Sua cabeça latejou e o prazer o arrematou de novo. Não seria capaz de se impedir, mas precisava avisa-la.

—Lucy...- Murmurou, olhando para seus olhos castanhos. — Eu preciso...

Não conseguiu completar. Mas a conexão já estava tão profunda que ela foi capaz de entender. Como queria que ela lhe desse uma ordem para não fazer; assim poderiam estar mais seguros. Mas ela era Lucy, sua companheira. Ela nunca permitiria sentir a dor que viria com a ordem, nunca negaria seu desejo — não importando o qual obscuro fosse- e, principalmente, ela nunca negaria sua marca.

Ela o beijou, passando a língua por seus dentes afiados, sem medo ou hesitação. Quando o beijo se quebrou, a maga moveu-se até sua orelha e sussurrou.

—Apenas faça.

Foi como jogar fogo em uma bomba pronta para explodir. Seus dentes rasgaram seu pescoço, o poder se drenou de seu corpo, sua alma foi puxada e, por fim, veio o prazer. Ela gritou seu nome, e gemeu, sendo esmagado por mais sentimentos do que poderia suportar.

~*#*~

Acordou sentindo os dedos finos tirando seu cabelo do rosto. Abriu levemente os olhos, grogue e sonolento, vendo sua linda loirinha vestida e arrumada olhando para si com um sorriso lindo.

—Olá dragãozinho. — Ela murmurou baixinho, o sorriso alargando-se a medida em que acordava um pouco mais. — Como se sente?

Espreguiçou-se sem entender como ela poderia estar de pé.

—Acabado. — Respondeu.

Seu corpo estava pesado e preguiçoso, seus sentidos e instintos pareciam estar despertando em marcha lenta, mal sentindo a área envolta, e as cordas ressoavam, conectadas a Lucy, de uma forma suave e relaxante. Sua reserva mágica estava uma merda, mas parecia estranhamente mais cheia do que da primeira vez que a remarcação aconteceu. Podia sentir que o fluxo de magia estava se repondo muito mais facilmente também. Bom, graças aos Deuses não chamou atenção com isso e tudo ocorreu bem, mesmo estando em um território nada neutro e protegido, principalmente durante as horas que apagou.

Ela riu suavemente.

—Que terrível. Eu acordei ligada ao 2.0. Não me sinto acabada como da última vez. — Ela comentou.

Enfiou a cabeça no travesseiro inspirando fortemente, sendo dominado pela preguiça.

—Interessante saber, sua ladrazinha de vitalidade. — Não sabia por que ela não se sentia morta, mas sabia de onde sua energia vinha: dele.

Ela riu, e lhe deu um beijo no coro cabeludo.

—Desculpe acordá-lo. Levy me chamou pra um banho de ervas. É de graça, não dá pra recusar.

Torceu o nariz.

—Vocês vão virar uvas passas. — Resmungou. As duas não saíam do spa, restaurante e banhos revitalizadores desde que pisaram naquele lugar.

—Não exagere. Isso tudo custa caro, temos que aproveitar enquanto pudermos. Amanhã teremos que acompanhar os príncipes na caçada. Ai acabou-se paraíso.

Mais uma coisa para se lembrar que não queria ser lembrado. Pelo menos estava sendo bem pago.

—Estou indo. Tchau! — Ela lhe deu um beijo, pegou a bolsa e saiu.

Lembrou-se de algo.

—Fique longe do...

—Já sei. — Falou alto perto da porta. — Ficar longe dos dois malucos e não caçar confusão com a megera. — Não olhou, mas notou que ela fez uma pausa na porta antes de sair. — Se recupera, ta? — Ouviu a pequena nota de preocupação antes dela sair.

Inspirou e suspirou forte, ouvindo os passos dela pelo corredor, junto da baixinha. Virou-se para cima na cama encarando o teto branco, pensando se voltava a dormir.

Lucy não precisava ficar preocupada com sua recuperação, mas conhecendo o coração de sua maguinha, ela pensava que a marcação lhe custava sempre mais do que estava disposto a dar – tal como suas ordens – mas isso era uma mentira. Não existia prazer maior do que poder reforçar sua ligação com ela, de novo e de novo, quantas vezes pudesse.

Decidindo não dormir, levantou-se e foi tomar um banho. Enxaguou os cabelos cheios de Shampoo e suspirou outra vez.

Encarou sua mão e as chamas que fez surgir nela; a coloração azulada se recusando a morrer para a água. Sua magia estava voltando rápido. Estava fraco, mas conseguia sentir que estava se recuperando. Encarou a si mesmo no espelho enorme do banheiro que era virado para o chuveiro. Mais marcas. O azul escuro profundo, rasgando sua pele de forma tribal e medonha.

“Estamos mais fortes.” A besta falou de repente em sua mente, quase lhe dando um susto.

Praguejou terminando de se enxaguar e saindo do chuveiro para se secar.

—O poder é gradual. Você sabe disso. Vamos ter que esperar para saber o que mais essa nova ligação vai gerar. Até lá estamos fracos demais para encarar dois Reis de Frente.

“Não temos que esperar” Ele retalhou rosnando em sua mente. “Se eles tentarem dar ordens a nossa companheira de novo, morrerão” Ele rosnou, deixando claro sua intenção. “E você não vai me conter”

Não, não iria. Queria matá-los também, exterminar a ameaça e mostrar a eles o que aconteceria se tentassem submeter Lucy outra vez. Entretanto...

—Estamos sem muita magia. Isso vai ter que esperar.

Esse rosnou, se agitando em seu âmago.

“Não temos! Se você não tem, use a mim!”

—O que você...

Teve que se segurar na bancada da pia quando sentiu. Magos, assim como toda criatura viva, quando chegavam ao máximo de seu poder, só poderiam ter suas reservas de magia; a primaria e a secundária que desenvolviam com idade e treino. O tamanho delas podia aumentar com muito esforço, mas não passava disso. Sua marca conseguia fazer com que elas expandissem, conseguindo assim gerar mais poder, além de deixar mais solido e denso.

Mas não sentia suas duas reservas mágicas, sentia três. A terceira superava as outras, emergindo em um mar oceânico de poder. Ela estava bem vazia no momento, mas se enchia muito rapidamente, mais do que as outras.

A besta ronronou.

“Este foi o presente dado a nós por ela ontem.” Murmurou, ronronando.

Sua marca gerou outro dote vindo de Lucy; outra reserva mágica. Quando se recuperasse, ambos os reis seriam fáceis de derrotar.

Teria isso em mente caso precisasse lutar. Trocou de roupa e saiu. Quando abriu a porta se deparou com a presença indesejada de Gajeel, encostado na parede do corredor, de braços cruzados, o encarando.

A fera rosnou ao mesmo tempo em que fez uma careta.

—O que você quer? — Ralhou, fechando a porta e andando pelo corredor. Seu bom humor foi pro espaço.

Ele correu um pouco e lhe seguiu.

—O que foi isso ontem? — Ele perguntou direto. — Eu senti! Não tenho idéia do que raios foi, mas eu senti! Tive que usar o meu poder para tentar cobrir o seu por que pensei que os dois dragões imbecis iam sentir do outro lado do resort!

Claro que ele sentiu. Seu quarto era apenas a algumas portas de distância. Tinha se esquecido desse detalhe.

—Não é da sua conta. — Respondeu seco, abrindo a porta do Hall que os levaria ao restaurante com o buffet do café da manhã.

Ele parou a sua frente, impedindo-o de fechar a porta enorme.

—Tem razão, normalmente não é. Mas se isso tem a mínima chance de me afetar nessa situação, eu preciso saber. Não tem que me contar tudo, mas eu preciso saber!

Torceu o lábio. Ele tinha um ponto. Tinha estendido sua proteção e união a ele naquele incidente com Levy nas termas, apenas pelo tempo que essa situação conflituosa durasse. Ele tinha o direito de saber que talvez sua proteção não estivesse 100%.

—Eu remarquei Lucy. — Soltou de uma vez, rápido e ríspido.

Virou-se, entrando no restaurante e indo em direção a comida, passando pelos remanescentes do café da manhã tardio. O caçador demorou alguns segundos para processar e segui-lo.

—O que? — Exclamou. — Como você pode re... — ele se cortou, olhando para os lados, certificando que ninguém ouviu. — Como você pode ter feito isso? — Reformulou.

Pegou o prato e se serviu, ao mesmo tempo que respondia e ele fazia o mesmo.

—Não sei. Acontece as vezes. Uma amiga minha disse que é raro e que aumenta algumas habilidades. — Resumiu o que Shinuky tinha lhe dito na época.

Gajeel mordeu a língua. Sabia que não adiantaria perguntar, até por que nem ele mesmo contaria. Os dotes entre um dragão e uma companheira eram sigilo total por um motivo, não importava quem fosse, mesmo que fossem melhores amigos, jamais contaria a ninguém. Mesmo assim, as palavras saíram.

—Que dons você ganhou?

Acnologia sorriu com ironia e deboche.

—Posso te contar, mas ai teria que te matar. A baixinha e seus filhinhos iam me encher o saco por décadas. — Falou com todo o cinismo que possuía, largando a bandeja de comida na mesa e se sentando logo em seguida.

Gajeel sentou-se a sua frente.

—Pergunta imbecil. — Ele mesmo se rotulou.

—Ainda bem que sabe. — Respondeu ironicamente comendo os bolinhos.

Gajeel suspirou antes de fazer o mesmo e começar a falar.

—Espero que se recupere logo. — Sua voz saiu preocupada, tendo em vista que sentiu a quantidade de poder que o Rei tinha usado. Mudou de assunto antes que pensasse ainda mais em problemas. — Eu andei pesquisando ontem. Eles são de uma guilda mercenária do reino de Narhi.

Ergueu as sobrancelhas meio interessado. As vezes esquecia que o caçador de Ferro era o espião mais habilidoso da guilda. Esperou ele comer um bolinho para prosseguir.

—O Rei de Nahri tem uma competição bem exibicionista contra Fiore e Noxus. Eles souberam que nós iriamos ajudar o príncipe na caçada, e os Noxianos tem os Navi, então ele achou uma boa idéia contratar os Dragões de uma guilda mercenária.

Ponderou, compreendendo onde ele queria chegar. As caçadas seriam mais fáceis para Fiore e Noxus pelo dom que tinham nas caçadas. Os Navi, magos da floresta, eram tão bons na arte da caça quanto os dragões. Em teoria os príncipes tinham que caçar e apenas levar a escolta, mas aquilo era política e uma disputa de quem é o melhor. Como diz o ditado, o que os olhos não veem...

—A história deles é esquisita. A mulher tem fama de pensar apenas em dinheiro e benefícios, o companheiro dela não parece ser tão diferente. Só o emo do Baskim não pareceu animado em receber o triplo do que estão nos pagando.

Acnologia engasgou com o suco. Estavam lhe pagando muito bem pra uma missãozinha ridícula dessas – embora uma guerra pudesse estourar por um mínimo desentendimento a qualquer instante. Tirando isso a missão era fácil.

—Por que estamos trabalhando pra Fiore? — Perguntou com ironia.

Gajeel deu de ombros.

—Os Narhi querem pegar o melhor acordo de taxas de exportação de ferro. Vieram com tudo para tentar roubar o lugar de Fiore e Noxus como estrelas do Show.

Bufou.

—Presumindo que eles vão pegar o Impus primeiro. — Debochou.

Gajeel sorriu, maligno, sabendo muito bem o que acontecia quando Acnologia estava estimulado a caçar.

—Pois é...- Comentou. — E pra encerrar, parece que Baskin odeia Rutt. Ele não a suporta.

Vincou as sobrancelhas.

—Então por que ele faz time com ela?

Gajeel deu de ombros.

—Boa pergunta. Ninguém que perguntei sabe. Talvez seja amigo do Aion, sei la.. Mas...

Ele não precisou completar. Reis não faziam amizade facilmente com outros reis. A dominância era forte demais, e as disputas sedutoras demais. Tornou-se amigo de Natsu e Gajeell por que Lucy já os tinha em seu cotidiano, mas nunca foi algo que iniciou por conta própria.

Já tinha sentido a presença das duas quando entraram no saguão, mas não esperava que ambas viessem reto até eles, e Lucy batesse as mãos na mesa com um rompante. Quem diria, ficou ainda mais surpreso quando viu ambas com o robe enorme do salão de massagens. Antes que pudesse processar isso tudo, ela jogou, deixando os dois ainda mais confusos.

—Ménage!

Isso com certeza provocou uma tela azul de erro em seu cérebro.

—Que? — Gajeel foi capaz de soltar primeiro.

—A megera tem duas marcas. — Levy explicou, antes que tirassem outras conclusões.

—Isso é impossível. — Responderam juntos em um rompante, mas ainda lerdos demais para iniciar a discussão de por que estavam usando um robe.

Lucy soltou um “tsc” e agarrou seu braço, puxando-o para longe do seu café da manhã com bolinhos. Levy fez o mesmo com Gajeel, arrastando-os do salão.

Alguns minutos depois, Levy obrigou o caçador a usar a magia das sombras que roubou de Rogue, e transportá-los pelo recanto arbóreo das termas femininas. A área de piscinas naturais possuía um spa próprio, mas parte da mata foi deixada para decoração ambiente.

—Venham logo! — Levy resmungou, embrenhando-se com Lucy pela frente da mata.

—Não são vocês que nos ameaçam de morte caso a gente queira espionar mulheres? — Gajeel pôs em cheque o paradoxo.

Não que um dos dois estivesse interessado nisso, as duas seriam suas eternas musas e podiam velas peladas todos os dias. Mas, este detalhe técnico tinha de ser ressaltado, afinal Erza quase matou os tree mans a algumas semanas por espiarem nas termas da Fairy Tail.

—Fiquem quietos. Vocês vão ver. — Que ironia. As duas os chamaram para ver uma mulher pelada que não estavam nem um pouco a fim de ver.

Acnologiia rosnou, abaixado atrás do arbusto, e o caçador externou sua antipatia em palavras.

—Isso é impossível. Ponto. Não há o que ver. — Sussurrou, não querendo ser pego por outras mulheres que com certeza ficariam furiosas.

—Ah é? — Disse Lucy com desdém. — Então o que é aquilo?

E agarrou a cabeça dos dois, puxando-os pouco acima dos arbustos e forçando-os a ver algo que nunca deveria existir.

Rutt estava lá, nua e em pé em uma das termas, passando um óleo em seu corpo. Em seu braço, subia a partir da mão uma marca simplória — obviamente se comparada a sua – do Rei da Terra, circundando seu braço até o ombro. Mas o real choque foi ver a marca azul gélido de um segundo dragão, vindo por suas costas, sendo maior que a primeira, a calda enrolando por sua perna.

Aquilo não era uma tatuagem. Era uma marca. Podiam sentir.

Sua besta rosnou em afronta, saindo dos confins de seu âmago e refletindo em sua face e em seus olhos.

“DESGRAÇA! DESONRA!”— Brandiu furiosa, e carregada de ódio.

Gajeel também se sentiu ultrajado, por que usou magia das sombras os levando pro outro lado da floresta, antes que fizesse uma merda.

Mal saíram das sombras e já começou a andar, de um lado para o outro, puxando os cabelos e sentindo o ódio correr livre pelo seu corpo.

—Viu? — Murmurou Levy como uma vencedora de apostas. — Nós avisamos. Ela tem duas marcas.

Estava fulo demais para responder civilizadamente, mas Gajeel tomou frente com uma voz séria e gélida.

—Não conte isso como vitória Levy. Isso é um insulto para nós. Algo como isso deveria ser impossível.

Ao chamar a baixinha pelo nome, ambas ficaram sérias, percebendo que aquilo não era algo simples pra nenhum dos dois.

—Por que seria um insulto? — Lucy perguntou.

Gajeel puxou os cabelos negros antes de responder, visivelmente com raiva.

—Está em nosso sangue Blonde. Não é algo que conseguimos ignorar. Pode nos chamar de cachorros ou o que for, mas só conseguimos ser leais a uma única pessoa, e somos egoístas o bastante para querer vocês apenas para nós, o tempo inteiro e sem dividir. — Rosnou a última palavra. — Não somos gentis. Somos territoriais e irracionais. Não gosto nem mesmo de dividir o tempo de Levy com você, não só por causa do seu companheiro, mas por que somos egoístas demais. Eu e Acnologia aprendemos com o tempo, e passamos a nos acostumar com o fato de vocês duas precisarem de mais convivência do que nós, mas isso é algo que não sentimos falta. Eu amo a Fairy Tail, e gosto de todos os companheiros que temos lá, mas se me perguntasse se eu gostaria de passar um século longe de tudo, apenas com a baixinha em algum lugar, eu apenas diria sim.

Aquilo não era exatamente uma novidade pra nenhuma das duas, mas ouvir todo aquele egoísmo sendo jogado em sua cara era algo chocante.

—Mas... — A baixinha hesitou. — Eles a marcaram. Eu entendo o orgulho dos dragões ser ferido por isso. Mas por que vocês estão encarando isso como se fosse nosso problema?

Dessa vez Acnologia respondeu, virando-se em um rosnado; As marcas medonhas destacadas pelas partes descobertas e seu corpo, e os olhos vermelhos felinos com um ar perigoso.

—Nós damos a vocês nossas almas, nosso espírito, por que esperamos não viver nem mesmo um segundo a mais do que vocês. Viver em um mundo sem vocês é a maior desgraça que poderia acontecer. O fardo de viver milénios sem nossa companheira é pior que a morte. Saber que tem a mínima possibilidade de alguém tentar usurpar um direito que nos pertence, me faz sentir ódio!

As palavras de Acnologia vieram com um peso diferente, rasgando-as por dentro. De repente Lucy se sentiu desanimada e triste. Elas impactaram por que o Rei sabia o que era uma realidade sem sua companheira, e seus olhos revelavam aquele inferno; um que não estava disposto a revisitar, custe o que custar.

—Além disso, — Murmurou Gajeel após o silêncio cortante. Sua voz grave denunciava sua única certeza. — Marcar a mesma companheira significa que ela teria que aguentar a magia de dois Reis. E isso não é possível!

Nenhuma delas disse algo contra. Se lembravam bem da quantidade massiva de magia que eles forçavam em seus corpos. Não havia como alguém sobreviver ao dobro disso.

Mas então, como foi possível?

~*#*~

Estalou a coluna andando em meio a floresta. O assunto das marcas foi completamente abandonado durante os três dias que se seguiram, mas não esquecido. A escolta ao príncipe nas caçadas o acompanhou até a primeira base do acampamento aos pés da cordilheira de montanhas. Quando chegaram lá, apenas os magos contratados e a escolta privada do herdeiro prosseguiram. Estava acabada de tanto andar.

Finalmente encontrou alguns galhos bons o bastante para serem usados como lenha — função na qual fora incumbida de realizar – e começou a ajuntá-los. Em poucas horas, minutos antes do Sol nascer, Acnologia guiaria o príncipe ao Impus que tinha rastreado para que ele pudesse matá-lo e exibir a soberania de Fiori na disputa.

Novamente: Grande bosta.

Estremeceu.

—Que saudade do quarto de hotel... — Murmurou para si mesma

Foi quando achou mais um galho promissor que esbarrou com ele, com a mão estendida indo capturar o mesmo galho que queria. Baskim estava lá, os olhos azuis gélidos lhe encarando, segurando mais um bocado de lenha para sua fogueira. Ele estreitou os olhos em sua direção e soltou um:

—”Tsc”. — E capturou o galho que estava quase em suas mãos.

Embasbacada, sua indignação se manifestou com um delay mental, quando ele lhe deu as costas.

—Ei! Seu grosso! Esse galho era meu.

—Vá ordenar que seu escravo o tire de mim, companheira irritante. — Debochou.

A raiva em suas palavras parecia ser genérica, mas era originada de algo muito pessoal. Lucy, com a maturidade que tinha, pegou sua raiva e irritação, usando-a para arremessar uma pedra direto na nuca do Rei do Gelo.

—Ai! — Pego desprevenido, ele levou em cheio a pedrada, largando toda sua lenha no chão. Obviamente uma pedra não machucaria um dragão, mas ainda assim...

Se virou com um olhar furioso, deparando-se com olhos castanhos em igual raiva.

—Seu porco sem educação! Não é de se admirar que sua companheira seja uma mal educada como você! — Ralhou de volta, ofendidíssima pela forma como ele a tratou e como falou sobre seu companheiro.

Talvez Baskim tivesse parado para admirar a coragem da garota por ameaçar um dragão sem seu companheiro por perto, mas uma coisa em sua fala o fez ficar fulo.

—Nunca... — E se aproximou, apontando para Lucy com os olhos mais felinos e rosnando as palavras com os dentes crescidos. — Nunca me compare com aquela vadia!—Rosnou, as escamas aparecendo ligeiramente em sua pele.

Qualquer outra pessoa recuaria ao ver a ameaça de transformação de um dragão, mas não a maga celestial. Sentir o arrepio na espinha do perigo que era provocar um dragão era apavorante, mas Lucy já tinha presenciado as de Acnologia. As transformações do rei eram brutais e selvagens; muito mais perigosas do que aquela.

—Então não me insulte me tratando como lixo! Você não me conhece para me xingar a troco de nada! — E se manteve firme sob os olhos dracônicos de gelo.

Isso fez Baskim parar por um instante, realmente começando a se impressionar com a firmeza da garota. Se fosse Rutt ela já teria chamado ele e Aion para resolver o problema com base na força. A loira baixinha e peituda a sua frente não havia feito nenhuma menção de fazer isso. Por que?

—Não importa. — Retalhou, voltando a forma normal, mas mantendo a voz neutra. — Companheiras são todas iguais... — E se virou, indo pegar sua lenha.

Lucy piscou, a raiva anterior se deteriorando e sendo consumida pelas dúvidas trazidas por suas palavras. Sua voz e seu jeito lhe deram uma única certeza nos últimos 5 minutos: Ele odiava companheiras, inclusive a sua própria. Por que?

Era Lucy Heartphilia, e não sairia sem respostas.

—O que você quer dizer com...

Parou sua pergunta na metade quando o viu gemer, levando a mão ao peito e agarrando a própria camisa, como se tentasse agarrar algo dentro de seu tórax, até por fim cair de joelhos no chão.

Largou sua lenha e correu para acudi-lo.

—Oe! Você está bem? — Perguntou, se abaixando perto dele, mas, sabiamente, se lembrando de não o tocar. Sua marca se ativar não seria algo bom no momento.

Ele abriu a boca, parecendo fazer menção de mandá-la embora, mas um gemido de dor angustiante saiu em seu lugar.

De repente reconheceu aqueles sintomas. Já os tinha visto antes em Acnologia em várias de suas aventuras quando ficavam separados por muito tempo. Era a marca, cobrando seu preço por um afastamento, ou por recusar uma ordem. Aquilo era cruel e, podia não saber o que estava acontecendo, mas odiava ver isso. Os olhos de dor de Acnologia ficaram marcados em sua alma da última vez que aquilo aconteceu, quando ele demorou a encontrá-la quando foram para outra dimensão.

Havia duas formas de parar aquilo. Uma temporária e a outra definitiva, mas ele não parecia querer recorrer a definitiva.

Pegou a chave de gêmeos e invocou seu star dress, tomando para si a cópia dos poderes de seu grande amigo Gray. As pressas, criou uma grande estalactite de magia e estendeu a ele.

—Coma! — Falou.

Os olhos semiabertos encararam a magia de gelo em suas mãos.

—Coma logo. Não é nada legal ver alguém se contorcendo de dor. — Ralhou, embora a preocupação transparecesse um pouco.

Ele aceitou sua oferta, comendo a magia de gelo. Dragões eram parte dos elementos que dominavam. Consumir essa magia ajudava a amenizar efeitos colaterais de várias coisas, incluindo a punição dolorosa do afastamento.

Um bom tempo se passou com ele comendo sua magia. Recostaram-se em algumas árvores próximas enquanto continuava a abastece-lo com magia – algo que ele aparentava estar precisando, por que estava prestes a dizer que não era restaurante delivery. Fez mais uma e estendeu a ele. O Rei pegou ao mesmo tempo que fez um movimento de mão indicando que já bastava. Ainda bem, por que ele tinha consumido mais da metade da sua magia. Desfez o star dress, resmungando mentalmente de como Dragões eram glutões.

Ele comeu e recostou a cabeça na árvore, fechando os olhos e parecendo tentar absorver o restante, suprimindo os sintomas lentamente. As expressões dolorosas tinham desaparecido do rosto pálido, dando lugar a uma mais serena. Entendeu isso como uma melhora.

—Eu não sei o que está acontecendo. — Murmurou, erguendo-se e limpando a saia das folhas secas. — Mas é melhor resolver logo. Isso só vai piorar.

Quando estava prestes a dar um passo ele perguntou:

—Por que me ajudou? E como sabia? — A voz carregada de uma angustia que não pode compreender.

Virou-se encontrando os olhos gélidos, pela primeira vez percebendo que ele sofria, mas não era apenas com aquela dor. Havia outra mais profunda em suas íris azuis prateadas, uma da alma. Decidiu ser sincera.

—Ao contrário de Rutt eu tenho empatia, e gosto de ajudar as pessoas. — Não conseguiu evitar a farpa a companheira ruiva dele. — Ver pessoas sofrendo é algo que abomino. E meu companheiro é um dragão, é obvio que eu saberia reconhecer os sintomas de um afastamento.

Ele olhou para baixo, mas rapidamente subiu o rosto para encará-la com uma raiva feroz.

—Ele também tentou se afastar de você, não é? — A raiva de seus olhos não chegou a suas palavras. Percebeu que ele tentava ser mais educado.

Arregalou os olhos e cruzou os braços.

—Que? — Questionou incrédula. — Claro que não. Nós passamos por isso quando, sem querer, caímos em uma outra dimensão temporariamente, mas caímos em lugares separados.

Ele apertou os olhos, parecendo analisar se estava mentindo. Desde Edolas, dimensões paralelas não eram uma novidade tão grande. Ele suspirou e voltou a encostar a cabeça na árvore. Todas as suas perguntas pareciam ser hostis pelo fato de ser uma companheira, o que a levou a retomar a pergunta.

—Por que odeia sua companheira? Ou no caso todas as companheiras?

Ele continuou de olhos fechados por um bom tempo antes de responder.

—Por que vocês são um fardo. Infelizmente minha raça é infeliz o bastante para ser obrigada a conectar nossas vidas a um ser egoísta que só quer usar e abusar de nosso poder.

De todas as humilhações que tinha passado na vida, Lucy pensou que essa era a pior. O desgosto dele, assim como suas ofensas, a atingiram em cheio na boca com um sabor amargo. Sentiu-se diminuta, mas a raiva não veio como antes. Rutt deve ser alguém ainda bem pior do que compactuou em suas especulações com Levy.

Além disso, estava estranhamente familiarizada com essas palavras. Elas já tinham saído da boca de Acnologia antes, quando eles se conheceram e ele não queria uma companheira por que pensava que iria aprisioná-lo em uma gaiola como um pássaro.

Em uma bela ironia do destino, ela odiava dar ordens a ele, e o Rei e sua fera raivosa quase imploravam para que ela desse ordens. Sabia que ele adorava exibir seu poder, como se fosse um cão de guarda feroz. Ele gostava das caçadas dramáticas de deixar os inimigos pensarem que poderiam pegá-la, para depois humilhá-los com sua supremacia Alfa. Até hoje não entendia o tesão que ele via nisso, mas também nunca se deu ao trabalho de perguntar.

Resumindo, ele gostava de brincar com a comida, e adorava seu aval e autorização para tal. Não podia ser culpada por se apaixonar por ele e permitir que o garoto brincasse.

Por isso, foi capaz de responder calmamente.

—Meu companheiro foi a melhor coisa que já aconteceu em minha vida. Ele me salvou de mim mesma e aceitou um coração em pedaços. Não admito que o trate assim, como se fosse um objeto para meu uso pessoal. Ele é o amor da minha vida, e não uma arma. — Fez uma pausa. — Suas palavras me deixam com raiva o bastante para querer espancá-lo com minhas próprias mãos por dizer isso. Não me importo que me insulte, mesmo que não me conheça; pode pensar o que quiser de mim, mas não admito que menospreze a marca que ele fez em mim.

Não parou para ver o efeito de suas palavras nele. O fato dele ter ofendido seu elo com Acnologia foi o bastante para deixá-la furiosa. Pegou seu monte de lenha e saiu, deixando-o lá para se recuperar.

Talvez se tivesse se virado, veria a agonia confusa de Baskin, e sua irredutível surpresa com suas palavras.

~*#*~

Pela vigésima vez, passou a esponja lotada de sabão pelo corpo com fúria, para logo em seguida entrar na água corrente de novo, sabendo muito bem que teria que repetir o ritual de novo.

Grunhiu de ódio.

Seu grunhido foi acompanhado por um rosnado de Acnologia, que também realizava o mesmo ritual.

A caçada tinha sido perfeita. Fiori pegou um belo Impus para que o príncipe pudesse se exibir nas últimas reuniões de negociação do evento que aconteceria a noite, finalizando a missão. O problema foi que, na volta, quando as frotas dos reinos se encontraram, algum idiota da guarda de Ferus conseguiu despertar um Adoc e ainda levá-lo na direção de todos.

Adocs eram insetos nojentos e verdes, gigantes, obviamente, e que pareciam percevejos. O problema é que quando morriam, sua carapaça expelia uma gosma fétida que contaminava tudo ao seu redor. Nem precisavam encostar na gosma para ficar com aquele cheiro podre. Suas roupas estavam completamente queimadas e descartadas.

Notificados do incidente, o Risort preparou as alas do banheiro coletivo para o retorno das tropas. Nada pessoal, mas os outros hospedes ficariam desconfortáveis com o cheiro, além de ser dispendioso mandar a equipe de limpeza desinfectar cada quarto.

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—Esse cheiro não vai sair nunca? — Reclamou.

—Nem me fale. — Acnologia murmurou. Por ter um faro apurado, aquilo estava acabando com seu temperamento.

Ele nem deveria estar ali, já que aquele era um pavilhão para magas. Mas não é como se alguém fosse capaz de parar sua presença dominadora, ou como se alguém ligasse para as determinações do hotel.

Ele abriu os olhos após enxaguar o Shampoo do cabelo, vendo a silhueta de Lucy coberta por alguns flocos de espuma pelo corpo, parecendo uma musa. Foi inevitável o desejo percorrer seu corpo, despertando um ronronar em seu peito, e fazendo seu interior inteiro contrair.

Em um movimento, puxou sua cintura, fazendo-a girar e colidir contra seu corpo, colando seu ventre ao dele, e mandando um choque de desejo direto do seu pau pro cérebro. Sem hesitar, agarrou os cabelos loiros com a outra mão, puxando-os e capturando os lábios com os seus. O beijo foi ardente, os estalos mudos aumentando seu ronronar involuntário e seu tesão. Lentamente, foi empurrando-a com seu corpo para a parede de mármore cinza do boxe, onde planejava prensá-la e usar de apoio para comê-la.

Lucy desceu a mão por sua barriga, puxando seus cabelos com a outra, empurrando seu ventre em direção a sua pelve... provocando...

—Nem pensar! Vocês não vão transar aqui não! — A fala de Levy os fez dar um pulo.

O rosnado que saiu por seus dentes foi ridiculamente ameaçador. A tampinha era a maior Empata-Foda-do-caralho que já tinha conhecido na vida.

—Eu vou te matar. — Ameaçou. Obviamente era uma ameaça vazia, já que Lucy não permitiria.

—Não vai não. — Intercedeu Gajeel.

Ele também ignorou as regras e estava no box ao lado. Os outros magos de Fiori também ignoraram as regras e se dividiam nos outros 9 boxes do pavilhão, tentando desesperadamente se livrar do cheiro, então nem prestavam atenção nos magos da Fairy Tail.

Com outro rosnado, soltou Lucy com relutância, voltando a esfregar o corpo para tirar os últimos resíduos do cheiro forte. Não era pútrido como o de um cadáver, era ácido e estranho, grudando no nariz.

Seus olhos não o obedeceram, entretanto. Eles desceram, olhando a bunda e o ventre de Lucy, antes de subir para os seios quando ela se virou. O que daria para estar comendo ela agora... Mesmo com o cheiro irritante, ela ainda o inebriava como álcool. Parecia que ela tinha os mesmos pensamentos, já que olhou seu abdômen, mordendo o lábio com os bicos dos seios duros e desejosos.

Só podiam estar muito loucos devido a amplificação dos desejos que sentiam após a remarcação para considerarem transar num box com outros 9 boxes ocupados lado a lado com mais umas 15 pessoas. Mas fazer o que, fazia dias que não se tocavam por causa da caçada, e o desejo os comia no âmago, reforçados por seu elo aprimorado.

Seus pensamentos foram quebrados quando ambos escutaram os estalos do que visivelmente seria classificado como um beijo. Lucy e ele se entreolharam, entediados e vingativos.

—Ah, mas vocês não vão transar aqui mesmo! — Falaram juntos.

Levy soltou um palavrão e Gajeel rosnou. A vingança era doce.

—Merda. — Resmungou o caçador. — Relaxa aí Bony. — Terminou num rosnado frustrado.

Foi instintivo que rosnasse de volta em defesa de sua companheira, mostrando os dentes em direção a parede cinza onde o caçador se encontrava atrás. Gajeel sabiamente conteve o instinto de retalhar também.

—Essa desgraça de cheiro não sai? — Levy desviou o assunto, falando mais alto que o necessário devido a barulhada do lugar.

—Boa pergunta. — Resmungou Lucy terminando o trigésimo banho, e se cheirando na ponta do box, onde a água não chegava. — Eu ainda to fedendo? — Perguntou a Acnologia, desesperadamente precisando de seu olfato aguçado.

O Dragão terminou de se enxaguar e se aproximou, cheirando-a.

—Hum...- Murmurou analisando o cheiro. — Acho que já foi. — Respondeu, para logo depois fazer o check-up em si mesmo.

Dragões adoravam uma desculpa para tocar em suas companheiras, e vê-las nuas estava sendo difícil de resistir. Desligando a água, ambos pularam para a parte da frente do boxe, onde havia uma área para que pudessem se vestir, com uma prateleira de pedra no nível de um banco, onde deixaram as roupas limpas e toalhas.

O lugar era projetado assim por que todos os banheiros serviam as enormes 16 quadras de diversos tipos de esportes ali presentes. Os boxes eram grandes para que, um hospede pós treino, pudesse se trocar e tomar banho tranquilamente.

Acnologia suspirou depois de se secar, guardando o interessado pênis dentro da calça bege de modelo militar. Desconfortável. Lucy também se vestiu, mas não ajudou muito. Apenas o tentou a querer arrancar as roupas novamente.

—Se não fosse esse Adoc do inferno, — Murmurou Levy enquanto saíam os quatro do banheiro com suas mochilas nos ombros. — esta seria a missão mais fácil e prazerosa que já fiz na vida.

O assunto teria continuado, mas, assim que saíram do pavilhão, Baskin apareceu. Ele passava uma toalha no cabelo, secando os resquícios de seu banho – provavelmente vindo do pavilhão ao lado – e parou na porta ao vê-los.

Acnologia congelou de imediato em uma posição defensiva, Gajell fez o mesmo, congelando ao lado de Levy. Os olhos do dragão de gelo pularam de um em um, até parar em Lucy. O rei percebeu isso, tomando uma postura defensiva mais intensa, posicionando-se um pouco a frente de sua maga, quase na intenção de tampá-la de sua visão.

Baskim não pareceu perceber a ameaça.

—Seu nome é Lucy não é? — Perguntou, parecendo ansioso. — Lucy Heartphilia da Fairy Tail?

A maga podia sentir o rosnado grave que Acnologia prendia entre os dentes agora, quando os trincou. Sentindo a tensão e ficando curiosa por ele ter questionado direto com ela, respondeu.

—Descobriu meu nome então, senhor mal educado. — Resmungou cruzando os braços. — O que quer?

Já tinha contado a Acnologia sobre seu encontro infortúnio. Após a raiva de não estar lá caso acontecesse alguma coisa, ambos ficaram intrigados com os sintomas que ele demonstrou.

—Meu nome é Baskim. — Respondeu, para logo em seguida ter uma reação bem estranha; suas bochechas pálidas ganharam um rosado leve e sua feição apática ganhou um ar envergonhado. — Eu sei que isso vai parecer estranho e tudo mais, mas eu poderia ir até a guilda de vocês? Só por uns dias?

90% de seu cérebro entrou em choque com a surpresa, e os olhos suplicantes que ele usava para lhe encarar. Aparentemente a reação dos seus amigos foi a mesma. Graças aos Deuses os outros 10% lhe lembraram sabiamente que se Acnologia não os tinha matado antes agora com certeza o faria. Nem precisava da conexão para sentir sua gana assassina. Agarrou seu pulso de forma firme para contê-lo, ao mesmo tempo em que falava:

—Por que? — Sentia o corpo de seu dragão tremer com um rugido prestes a sair.

Baskim olhou para o chão, parecendo indeciso em como responder.

—Digamos que... — Ele ergueu a cabeça e deu um sorriso amarelo, mas seu olhar foi sincero. — Eu não quero estar perto de Rutt agora, principalmente quando ela comemora os fins de missão.

Estreitou os olhos e apertou os lábios. Sua curiosidade fervia bruta a respeito do primeiro dragão que conhecia que odiava veemente a companheira que tinha. Sua curiosidade a impelia a permitir, apenas para ver se conseguia espremer de onde vinha todo esse ódio, e o por que pedir logo a companheira de outro dragão um favor. Ele era suicida?

Só que não eram suas vontades em jogo. Ter ele por perto significaria um Acnologia sempre alerta que não gostaria nada disso. Isso o forçaria a se controlar, provocaria sua outra parte e seria um tormento por inúmeros motivos. Jamais obrigaria seu companheiro a fazer algo que não queria. Ele já havia concedido ajuda a Fairy Tail e sua complacência a sua amiga e seu companheiro. Foram dois presentes que apreciava muito, mas não faria uma terceira vez.

Estava prestes a negar quando Levy a interrompeu.

—Dá só um minuto. — A baixinha respondeu agarrando a ela e Gajeel pelo braço, e puxando para um canto isolado do pavilhão.

Acnologia veio junto por tabela, por ter agarrado seu pulso. Formaram uma rodinha.

—Não!— O Rei já enfatizou. Os olhos vermelhos vivos indicando que sua besta já estava no limiar de explodir, e não toleraria mais nenhuma gracinha de Levy Macgardem.

Ela o encarou, apesar do arrepio na espinha, se manteve firme.

—Me escute primeiro, idiota! Eu não o quero por perto tanto quanto você. Gajeel é meu companheiro, e apesar de não ser tão explosivo quanto você ele também não vai querer isso, mas preste atenção: A Fairy Tail é Pública. Ele pode ir a Magnólia com ou sem a nossa permissão. Eu sei que vocês estão super preocupados com essa coisa de 2 marcas, e adivinha só: o melhor jeito de descobrir e tendo ele por perto. — Fez uma pausa. — Meu ponto é: Melhor vigiar o inimigo de perto do que dar de cara com ele na surpresa.

A baixinha tinha um ponto.

—Mesmo assim baixinha, é um risco. Não sabemos as intenções dele. Não temos garantias. — Respondeu Gajeel, cruzando os braços.

A azulada bufou, colocando uma mão na cintura e abanando a outra.

—Fala sério! Lucy disse que ele estava com sintomas gravíssimos vindos na marca. Olhem pra cara dele! — Murmurou, dando uma olhada por cima do ombro. — Ele deve estar mais fraco que a gente por causa disso. O funeral é dele! Baskim está escolhendo ir para a guilda mais poderosa de Fiori, onde, no mínimo, ele sabe que temos 4 caçadores de dragões.

Ela fez uma pausa, olhou para Baskim e depois encarou fundo Acnologia e Gajeel.

—E sendo bem sincera, me respondam pra valer. Isso vale para essa sua aberração que vive dentro de você também. — Apontou para Acnologia, e antes que Lucy a xingasse, completou. — Vocês não estão curiosos? ... Quer dizer... O que faria um de vocês dois odiar tanto a gente que iriam preferir definhar de dor até a morte só pra não estar no mesmo lugar que nós?

Pela primeira vez até mesmo a besta que vivia dentro de Acnologia ouviu as palavras da Mecgarden. Olhou para Lucy. Não existia nada que o fizesse querer ficar longe, muito pelo contrário; queria ser uma presença constante. Não conseguia viver sem seu cheiro, seu sorriso, ou sua alegria para contamina-lo. Pouco lhe importava a consequência física. Lucy era seu mundo, e não conseguiria abandoná-lo.

Tinham suas desavenças, discordâncias e pequenos problemas, mas sempre se acertavam e resolviam as coisas. Cada um se ajeitando um pouco a forma do outro viver. Relacionamento também significa concessões, e com o tempo aprendiam a dar. Mas independente disso, nunca houve nada que o fizesse querer afastar-se dela. A idéia lhe causava repulsa.

A maga celeste suspirou. Levy tinha um ponto, mas não importava. Mesmo que os três concordassem, a decisão de Acnologia era a que importa, pois no fim, além de ser o mais sensível a essas questões territoriais e de proteção, era ele quem teria que por mais a mão na massa se algo desse errado.

Só que não iria pedir.

—Eu não vou obrigá-lo. — Falou, respondendo tanto a ele quanto a besta em seu âmago. — A decisão é totalmente sua. Independentemente do que decidir, eu vou apoiar.

O dragão coçou os cabelos e logo em seguida fechou os olhos, apertando a ponte do nariz com o dedão e o indicador.

“É uma ameaça!”— A fera ralhou no mesmo instante.

Ela não estava raivosa como a minutos atrás, antes do discurso de Levy, mas o desejo de matar e de ressaltar sua dominância estava presente. Seria difícil de administrar.

“A tampinha tem um ponto. E ainda não sabemos como duas marcas podem existir” — Respondeu de volta.

A raiva da besta ao lembrá-lo desse detalhe, fez seu corpo tremer com a magia. Sabia que suas marcas tinham se ressaltado por um segundo, mas não abriu os olhos para ver a reação dos outros. Permaneceu imóvel.

“Mais um motivo para matá-lo”

“Se não soubermos o que está acontecendo, isso vai ser um problema. “ — Retalhou.

A besta rosnou. Seria bem mais difícil manter o controle se ela não cooperasse, e como Lucy não iria ordenar, usou uma arma que sempre machucaria o ego de ambos.

“Vai mesmo negar isso a Lucy? Aceitar o risco de ele tentar fazer algo pelas costas e machucar ela? Não é o mesmo que dizer que não conseguiríamos lidar com um misero Rei, enfraquecido por uma conexão instável?”

A fera que vivia em si era seu próprio reflexo, por isso sabia bem que, apesar de sua irracionalidade, pegaria no seu orgulho. Ela se retorceu, mas imediatamente respondeu quase em um rugido.

“Que seja!”

E voltou as catacumbas de sua mente.

Abriu os olhos dando de cara com os castanhos sedutores de sua companheira. Suspirou.

—Você não fica sozinha perto dele. Nem por um segundo. Entendeu?

Ela sorriu, por causa de sua possessividade. Virou-se indo na direção de Baskim antes que ficasse aprisionado nas íris chocolates. Parou em frente a ele, encarando-o de cima com os olhos vermelhos sangue. Os olhos prateados se arregalaram, o corpo encolhendo em defensiva, finalmente parecendo notar sua irritação.

—Tente alguma coisa contra Lucy e você morre. — Disse seco e saiu, indo na direção do hotel para buscarem as outras coisas.

Lucy apareceu em sua frente em seguida.

—Vamos sair em algumas horas. Não se atrase! — Sorriu e saiu logo atrás, sabendo que Acnologia não queria ela muito perto dele.

Gajeel foi o terceiro.

—O mesmo vale para mim. — Falou firme.

Levy o analisou; o corpo branco, alto e magro, as olheiras grandes dando sinais claros de que ele realmente não estava bem, somado a um poder mágico oscilante.

—Mas que mato sem cachorro você quis se enfiar. — Jogou a mochila nas costas e rumou na direção dos outros enquanto falava. — Não nos responsabilizamos por danos corporais.

~*#*~

Estava bem na cara a surpresa de Baskim quando retornaram a guilda. Ele ficou parado uns bons minutos, com os olhos esbugalhados incomuns em sua feição apática, observando a zorra que se instaurava a sua frente.

Nada novo na guilda mais baderneira de Fiore.

—Tadaimaa! — Exclamou Lucy.

Acnologia bocejou e entrou, indo em direção ao balcão. Viagens de trem eram horríveis. Bom, pelo menos estava em melhor estado que o cara pálida, que parecia que ia morrer na viagem.

—A missão foi completada Mira. — Levy respondeu, depositando o comprovante na mesa e ignorando os malucos.

—LUCYYYYYYYY!- Natsu, Happy, Erza e Gray, saíram das disputas e vieram em sua direção.

—Como você ousa nos abandonar! — Natsu exclamou com indignação.

Lucy o encarou entediada.

—Vocês foram pra um treinamento que eu não podia ir. Eu não ia ficar plantada aqui sem fazer nada.

—Oe, oe. Por que Acnologia não veio também? Ele e um mago de combate! — Gray ressaltou.

A presença do Rei em suas costas lhe deu um arrepio na espinha, mas o Mestre, bebendo sua cerveja em cima do balcão, respondeu.

—Tente tirar Acnologia de perto de Lucy. Eu te desafio... — Murmurou com uma rizada embriagada.

Não é como se o rei fosse precisar de um treinamento, não mais do que ele mesmo já treinava todos os dias. Mas esse detalhe também era relevante perante ao fato de que ele nunca deixaria Lucy por uma semana.

—Hum, mudando de assunto... Quem é o novato? — Questionou, encarando Baskin que parecia indeciso em se aproximar ou não do grupo.

—O nome dele e Baskin. Um dragão que conhecemos na missão. Ele pediu pra vir conhecer a guilda. — Levy respondeu.

90% de todo o álcool no sistema de Mackrov evaporou no mesmo instante e ele tirou a caneca da boca. Todo mundo congelou e ele olhou para Acnologia e depois para o garoto que tomou a iniciativa de se aproximar.

—Oe, está tudo bem? — Questionou o mestre em um sussurro- Um segundo embate em Magnólia vai ser problemático.

Acnologia suspirou e esfregou a testa.

—Não é como se eu pudesse impedi-lo de vir...

Como Levy disse, a guilda era pública. O salão e o restaurante eram famosos na cidade. Não podia proibi-lo de visitar. Intimida-lo sim, mas isso poderia levar a uma rixa problemática.

—Além disso, não estou disposto a entrar em uma rixa com o conselho depois do acordo com Lahar. — Esclareceu, aceitando uma bebida de Mirajane para manter as mãos ocupadas.

O Mestre acenou em positivo, entendendo o recado. Desde que Lucy não entrasse em risco, ele iria segurar as rédeas de seu temperamento.

—Então você é o Naskim! — Natsu começou com seu dom de ser sociável.

O dragão fez uma careta, finalmente alcançando o grupo, voltando ao rosto neutro.

—É Baskim.

—Baskim! — O Mestre intercedeu. — Meu nome é Mackrov, mestre da Fairy Tail. Seja muito bem vindo e fique a vontade. — Disse com um sorriso, mas logo seus olhos se tornaram sombrios. — Mas por ser de outro país e outra guilda, aconselho seriamente que procure respeitar as regras. Só de aviso, claro.

O albino entendeu bem que não era só as regras locais que se referia; era também as dos dragões, afinal dois de seus caçadores tinham companheiras. Acenou em concordância, entendendo plenamente o pé atrás.

—Não planejo procurar confusão em Fiore senhor. Realmente só preciso espairecer, e fiquei curioso com o tipo de guilda seu reino possui. — Seus olhos pousaram em Lucy. — Garanto que não vou incomodar.

Acnologia percebeu seu olhar, e fechou os olhos apertando o copo em sua mão, tentando conter sua gana. Seria mais difícil do que imaginava. Fazia muito tempo que tinha parado de lidar constantemente com esses impulsos. A última vez que teve que lidar com eles, foi durante o nascimento das crias de Gajeel, quando as coisas ainda estavam terminando de se assentar.

Uma mesa saiu voando pelo How, espatifando-se logo em seguida. Baskim ainda encarava a baderna com estranheza. Ninguém ali parecia estar lutando a sério, mas mesmo assim...

—É sempre assim? — Questionou, as orelhas pontiagudas subindo de leve.

O mestre riu.

—Bem vindo a Fairy Tail!

Natsu, com sua zero noção, pulou em cima do ombro de Baskim, que quase caiu no chão.

—Oe, você é um dragão ne? Que magia você tem?

—Gelo... — Respondeu um pouco acanhado e incomodado com a brusca invasão.

—Sério? — Gray já entrou no assunto.

E assim foi. Ele obviamente percebeu segundos depois de quem Lucy tinha copiado a magia de gelo para ajudá-lo.

O dia se passou tranquilo. A guilda começou a partilhar os casos das missões enquanto comiam na grande mesa. Os olhares observadores de Acnologia analisavam o dragão e percebeu duas coisas.

A primeira é que ele parecia realmente fascinado com a rotina da guilda, intrigado com o companheirismo raro que lá existia. A segunda é que ele observava muito tanto ele quanto Lucy, Gajeel e Levy. Reparou que suas feições mudavam para uma indignada meio confusa sempre que um dos dois casais brincava um com o outro, ou se retalhavam. Nada novo para duas pessoas apaixonadas, mas ele parecia não entender.

A noite se adentrou nas danças e bebidas, alguns caíram no sono ali mesmo e, quando Mirajane disse que a cozinha ia encerrar, todos entenderam aquilo como um toque de recolher.

Cana levantou-se e espreguiçou antes de falar.

—Hora de ir pra casa galera.

Os murmúrios concordando, bocejos e cadeiras sendo organizadas a acompanharam.

—Eu ainda tenho que organizar as coisas. — Lucy murmurou.

—Luce. — Natsu falou. — Temos que pegar as roupas que esquecemos no seu apartamento.

Imediatamente a maga se irritou.

—Eu não sou empregada sabia? Vocês ainda invadem a minha casa, e sabem que não gosto de roupa suja, por isso lavo a de vocês! Parem de ser folgados. -Ralhou, sabendo que não adiantaria nada.

Natsu só respeitava o território das montanhas, altamente demarcado pela presença voraz de Acnologia. Seu pobre apartamento já tinha se conformado em ser o cabaré da guilda; o lugar que todos invadem.

E como imaginou ele ignorou e se virou para Baskin.

—Você é gente boa cara! Mesmo sendo caladão!

Baskim abaixou a cabeça, as bochechas novamente ganhando uma cor suave enquanto coçava os cabelos.

—O que foi?- Perguntou Gray.

—Eu esqueci de passar em um hotel e reservar...

—Oh...

Isso era um problema. Já passava da meia noite e os hotéis em Magnólia raramente faziam late check-out.

Mas a pior parte foi todos do seu time e da guilda virarem a cabeça em sua direção. Não precisava ler a mente de ninguém para entender o que significa.

—Vocês querem explodir Magnólia?

~*#*~

Aparentemente sim. Eles queriam explodir a cidade das flores.

—Valeu Luce! Meu colete está limpinho! — Exclamou Natsu quando lhe devolveu a trouxa de roupas dele.

Gray e Levy ajudaram a arrumar a cama improvisada em sua sala. Gajeel se aproximou de si quando suspirou.

—Desculpa Bonny. Mas eu realmente não tenho espaço na casa com duas crianças lá... E além disso...

Ele não precisava completar. Admirou a boa vontade de Gajeel de tentar assumir a frente, mas os gêmeos já ocupavam bastante espaço, e o instinto paterno não permitiria duas crianças próximas de uma possível ameaça. Abanou a mão.

—Já estou acostumada com esses abacaxis que a vida me dá.

E já estava mesmo. Olhou para Acnologia que estava sentado, com as pernas e braços cruzados, olhos fechados, bem na poltrona do fim da sala. Se aproximou dele, tocando seu ombro.

—Você está bem? — Perguntou de praxe.

Ele abriu os olhos, vermelhos intensos como sangue, parte da esclera negra como a noite. Qualquer outra pessoa teria voado pro outro lado da sala de medo. Apertou os lábios, a culpa e a indecisão corroendo-a. Não tinha sido ela a pedir, e não tinha aceitado, mas devia ter insistido no não. Pergunta idiota.

Ele suspirou, voltando a fechar os olhos e apertando a ponte do nariz.

—Só me lembre como a gente acabou aceitando isso mesmo?— Sua voz estava um pouco alterada pela outra parte.

Apertou os lábios e soltou sincera.

—Eu não tenho idéia. — Exclamou, cansada. — Olha, se você quiser...

—Não. — Ele a cortou. - Está tudo bem. Eu também quis isso no fim das contas. — Sim, mesmo com a compulsão na borda de escapar, ainda queria aquele dragão ali para saber como conseguiram duas marcas.

Saber se talvez exista uma forma de outro dragão reivindicar Lucy mesmo sendo contra sua vontade era uma prioridade. Não importava se tivesse que trincar os dentes para se conter. Era arriscado deixar isso com Gajeel, colocar as crianças em risco, e tendo ele ali talvez poderia arrancar alguma coisa.

Sorriu um pouco, acariciando a mão de Lucy quando viu a preocupação latente em seus olhos.

—Eu estou bem. — Afirmou. - Só não sei se vou conseguir ficar totalmente humano durante esses dias....— Justificou, referindo-se aos olhos vermelhos e dentes afiados, e, talvez, mais algumas mudanças a caminho.

Lucy sorriu de volta, acariciando sua bochecha com a outra mão que estava em seu ombro. Ela o conhecia bem.

—Sabe que não ligo.

Sorriu, novamente sendo inundado pela gratidão dela o aceitar tão facilmente. Viu de canto de olho o dragão observar sua conversa, mas ignorou.

A presença dele o impelia, mas ainda não podia chamá-lo de ameaça; ao menos não pelo seu poder (pela marca dupla talvez). Sentia a reserva mágica oscilante. As penitencias da marca estavam sendo bem severas, mas ele escondia bem. O fato dele ainda pensar que era apenas um caçador — como pode perceber durante as conversas da guilda – lhe dizia que seus sentidos estavam bem afetados.

O Rei do Gelo estava definhando, e não era pareô para si em um embate.

—Bom, arrumamos tudo aqui. — Disse Levy. Seu corpo travou por um momento ao ver os olhos de Acnologia. — Precisam de mais alguma coisa? — A pergunta era dupla.

Levy sabia bem dos riscos que haviam ali. A maior parte da guilda não. Marcas e suas peripécias eram um segredo profundo. A maioria só sabia o básico, por isso não viram problema e empurrar o novato para a casa da maga de coração aberto. Melhor que continuasse assim.

—Não. — Respondeu Lucy firme. — Obrigado. Só expulsem Natsu e Gray daqui quando saírem por favor. Eu vou tomar um banho. — Incumbiu, ouvindo os dois assaltarem sua preciosa geladeira na cozinha.

—Sim senhora. — Respondeu Gajeel brincalhão e indo atrás dos dois.

Normalmente não veria tantos problemas deles ficarem também. Natsu era tão criança que a muito Acnologia deixou de considerá-lo uma ameaça a seus domínios e Gray definitivamente era só irritante com seu péssimo hábito. Tinha se acostumado a eles com o passar dos anos. Não gostava, mas aprendeu a conviver. Magos da Fairy Tail não conheciam privacidade. Não sabiam o que era isso. A companhia deles não era de todo ruim também.

Entretanto, lidar com a presença de um dragão, um caçador quase chegando ao estágio intermediário e um mago seria um pouco demais para a sanidade do rei Dragão.

Deixou que seus amigos se entendessem e terminassem de instalar o inquilino e foi para o banho. Enxaguou os cabelos deixando as águas a acalmarem.

Estava se sentindo um pouco culpada por aquilo tudo, mesmo não pedindo nada. Não gostava de ver Acnologia sofrer. Mesmo com sua curiosidade em saber o porquê daquela tristeza e ódio tão profundos do albino, não queria arrastar seu companheiro nisso.

Suspirou encostando as mãos e a cabeça na parede do box, enquanto a água castigava suas costas.

Pulou de susto quando o corpo de Acnologia grudou em suas costas, puxando sua bunda contra sua pelve, enquanto a outra mão subia e apertava seu seio.

—Eu já disse que eu decidi isso. Você não me arrastou para nada. Pare de se preocupar, isso me deixa ainda mais fulo por essa situação incomodar você!— Rosnou com os lábios grudados em seu ouvido.

Claro que ele sabia. Podia sentir tudo que sentia.

—Mesmo assim... — Murmurou em resposta, seu corpo começando a derreter em seu peito, sentindo os lábios dele percorrerem seu pescoço. — Eu me sinto um pouco culpada por isso. Por que quis ajudá-lo acabamos nessa...

Ele a interrompeu, mordendo-a no ombro, forte o bastante para soltar um “ai”, mas sem romper a pele.

—Você tem empatia pelo sofrimento dos outros, Lucy. É quem você é, e não tem que se sentir culpada por isso só por que talvez possa me afetar. Eu não tenho muita empatia além daquela que tenho com você, e não ligo se os outros morrem na minha frente. Mas você liga. Eu não suportaria que você deixasse de ajudar alguém só por que eu tenho uma fodida parte egoísta. Então não se preocupe com algo assim.— Esclareceu.

As palavras dele lhe aliviaram. Sempre tinha medo de força-lo a fazer o que não gostava, mas, aparentemente, esse não era o caso. Ele não gostava da situação tanto quanto ela, mas também sentia que precisavam fazer aquilo, não só pela curiosidade, mas por que realmente precisavam saber o que poderia levar alguém a um estremo tão grande. Nenhum dos dois queria que isso acontecesse com a própria ligação, e não permitiriam isso.

Suspirou, passando a mão por trás do pescoço forte e agarrando seus cabelos negros ao mesmo tempo que erguia a cabeça para olhá-lo.

—Tem alguma coisa que facilite a barra pra você? — Questionou. A resposta não foi bem o que esperava.

Sua mão puxou com força seu quadril contra sua pelve, e a outra mão agarrou seus cabelos, capturando sua boca com voracidade. A língua dele invadiu sua boca, os dentes afiados raspando na sua. Ele levou a palma da mão a sua vagina, rodeando a borda molhada com os dedos, antes de levar dois em seu interior, e começar a simular uma foda lenta, usando a palma para esfregar seu clitóris.

Gemeu contra sua boca, as pernas bambas se abrindo para seu toque. Ele quebrou o beijo, voltando os lábios para seu ouvido.

—Não ative o fluxo.— Ordenou. — Eu ainda não me recuperei da remarcação e meu controle está por um fio. Eu preciso de você, mas se ativar o fluxo eu vou pirar.— Avisou com o pouco de sanidade que ainda tinha.

Precisava desesperadamente de sua maguinha. A remarcação o tinha deixado mais arisco de novo, fazia dias que não a tocava por conta da longa caçada burocrática dos reinos, dias sem qualquer contato mais íntimo. Sua cabeça estava um caos. Precisava se focar em outra coisa que não fosse o dragão em sua sala de estar, mas se ela ativasse o fluxo, iria explodir. Não conseguiria controlar mais nenhuma outra emoção nesse estado.

—Eu não vou... — Respondeu grogue pelo prazer dado por seu toque.

Era tudo que precisava ouvir.

Puxou seus cabelos outra vez, beijando-a com voracidade. Aumentou o ritmo dos dedos dentro dela, empurrando sua pelve contra sua bunda. Seu pênis duro se acomodou bem entre os montes macios. Ela gemeu contra sua boca, deixando-o mais excitado, as pernas se abrindo e ficando bambas. Tirou a mão de seus cabelos e a levou a cintura fina para impedi-la de cair.

Ela não ligou quando usou seus dentes afiados para morderem seu lábio, nem com a forma bruta que a pegava, incapaz de ser mais gentil. A virou, curvando-se um pouco e chupando seu pescoço, mordiscando a pele e lambendo até chegar nos seios. Agarrou um deles com a boca, sugando o mamilo duro e esfregando a ponta entre a língua e os dentes. Ela gemeu, agarrando e puxando seus cabelos húmidos.

O barulho do chuveiro a suas costas e os selos que colocou na porta do quarto impediriam o inquilino de ouvir.

Seu pau pulsou, ansioso por tomar o lugar de seus dedos. As pernas dela tremeram, demonstrando que estava perto e que não se manteria em pé. Por mais que apreciasse dar muitos orgasmos a Lucy, hoje estava especialmente impaciente e violento. Não conseguiria esperar que ela se recuperasse para a segunda rodada.

Tirou os dedos dela recebendo um resmungo como resposta. Oh, ela não devia se preocupar, uma coisa melhor ia substituí-los. Agarrou suas coxas, puxando-a bruscamente contra seus quadris, direcionando sua entrada para seu pau. Ela ajudou, agarrando-o e guiando-o para dentro. Prendeu o ar em um sibilo quando se embainhou.

Apertada. Sempre muito apertada a ponto de fazer suas bolas doerem. A besta rosnou em sua mente. Fechou os olhos. Não queria pensar em mais nada agora, ou se lembrar de mais nada. Seus quadris começaram a se movimentar bruscamente.

A apertou contra a parede de azulejos, as marcas em seu corpo ficando mais evidentes, as chamas saindo de sua pele quando sugava seu mamilo macio, raspando os destes na carne sedosa.

Sua mente se tornou profundamente mergulhada nela e, pelos Deuses, precisava disso.

~*#*~

—Vocês vão pegar outra missão? — Perguntou após agradecer o café da manhã.

—Não Sei. — Lucy respondeu a Baskim enquanto terminava de arrumar a cozinha. — Tudo depende do que encontrarmos lá. Se tiver um pedido bom a gente pega, senão a gente tira uma folga.

Ele se virou para Acnologia, que estava sentado na ponta da mesa, de baços cruzados, o encarando com os olhos vermelhos.

—Obrigada pela hospitalidade. Dos dois. Me desculpem pelo inconveniente...- Respondeu educado.

Bom, ao menos ele sabia que estava sendo inconveniente. A noção parecia estar em dia. Antes que ele pudesse falar algo mais a porta se abriu, revelando Erza e Levy.

—Bom dia! — Elas falaram. — Ponha seu biquini! — Instruíram.

Lucy franziu as sobrancelhas e perguntou confusa.

—Por que?

Levy capturou um dos bolinhos da mesa antes de falar.

—O mestre terminou as reformas da piscina. Finalmente vão liberar. Não tem nenhuma missão que preste então vamos fazer um churrasco! Mira já está preparando a comida e Cana convocou todos para a bebedeira.

—As 10 da manhã? -Rebateu.

Erza ergueu os ombros.

—Cana... — Disse como se fosse a explicação.

Lucy se absteve por um momento antes de um sorriso tomar seu rosto e ela ficar animada. Virou-se para ambos os dragões.

—Vamos nadar! — E sorriu maligna. — Hora da vingança no vôlei aquático contra Natsu!

~*#*~

Deitou na espreguiçadeira enquanto enchia uma das enormes bolas de piscina. Quando terminou, vedou e jogou para Wendy. Lucy abandonou as bolças ao seu redor e lhe deu um beijo, indo em direção a piscina e pulando no lado do time de Erza.

A revanche tinha iniciado. Isso significava que poderia ficar olhando os lindos seios de Lucy pulando na água enquanto ela esmurrava a bola em direção a cara de Natsu. Teria algo melhor? Prazeroso e excitante ao mesmo tempo.

Notou Baskim deitando-se na espreguiçadeira do lado, mas dessa vez, não se incomodou muito. Tinha acordado de bom humor e, por alguma razão, se sentia mais no controle. Lucy marcou um ponto que decidiu o set, e, naturalmente, esnobou na cara de seu colega de time. Natsu por sua vez ralhou com ela e tentou empurrá-la para baixo da água.

Entretanto, como o bom filho da puta que era, assim que suas mãos agarraram os ombros da maga ativou a marca e suas chamas o repeliram. Ele recolheu as mãos, mandando-lhe um olhar feio, antes de mudar de tática e começar a jogar água em cima dela. Obviamente o filho de Igneel não seria tão facilmente ferido por suas chamas.

O lugar estava bem cheio. Muitos visitantes tinham pagado a entrada e estavam aproveitando. A maior prova disso era Mackrov, do outro lado do clube das fadas, rindo enquanto bebia. Isso só acontecia quando ele estava ganhando muito dinheiro.

—Isso é normal? — A voz de Baskim lhe tirou do momento em que apreciava sua companheira afogando Natsu com uma chave de braço no pescoço.

Por trás dos óculos escuros que usava, viu ele olhar para todos com uma certa estranheza e curiosidade de antes.

—Se considerar essa loucura como normal, então sim. — Respondeu vago, voltando-se para admirar Lucy como um bom baba ovo que era.

Mas Baskim não pareceu notar que estava prestando atenção em outras coisas.

—A loucura da destruição são famosas, mas vocês parecem tão... família. — Revelou.

Isso fez seu foco mudar.

—O que esperava? — Perguntou de uma vez.

A besta que parecia ligeiramente mais fácil de controlar hoje, também pareceu ter interesse, além de querer matá-lo.

Ele apertou os lábios antes de responder.

—Competição. Hierarquia. — Vendo que Acnologia não entendeu onde queria chegar, ele completou. — Minha guilda não tem algo como amigos. É uma disputa para quem pega os melhores pedidos e, cooperação é o melhor que pode se esperar.

O Rei não ficou surpreso quando o ouviu dizer isso. A Fairy Tail e as guildas aliadas eram exceções, mas a maioria era apenas uma imitação regularizada de guildas das trevas. Uma ferramenta de sobrevivência onde se faz dinheiro e fama. Saberthoo foi assim durante muitos anos.

—Não existe isso aqui. — Murmurou, e voltou a observar a piscina.

Baskim voltou a falar.

—E com sua companheira? Vocês ficam sempre nessa...- buscou a palavra. — Harmonia?

E lá estava o assunto. Apesar de odiar ele perguntar por Lucy, ele entrou em um campo que também queria entrar.

—Se você está perguntando se eu odeio minha companheira ou se ela em algum momento é uma vadia como a sua, a resposta é não.

Não se virou para ver sua reação, mas por ele não ter nem se comovido por ter chamado a preciosa ligação de vadia, dizia muito sobre o nível tóxico daquele relacionamento. Se alguém chamasse Lucy de vadia na sua frente provavelmente já estaria sem a mandíbula.

Correu os olhos pelo ambiente vendo as duas pestinhas, também conhecidas como crias da MecGarden, brincando na piscina rasa a poucos metros de onde estavam. Os gêmeos, uma menina e um menino. Ambos puxaram a cor de cabelo da mãe e os olhos do pai. Lucy adorava aquelas proles barulhentas. Sim, os filhos da tampinha eram umas pestinhas, sempre aprontando, mas eram absurdamente inteligentes para se safar na maioria das vezes.

Eles sempre ficavam um pouco sentidos por seu comportamento perto deles, ambos ainda eram muito jovens para que seus instintos herdados do pai aflorassem, e ainda era cedo demais para explicar a natureza de seu mau humor. Tinha administrado isso com os anos, até gostava dos dois – apesar da dor de cabeça que a geração de ambos tinha lhe causado – mas ainda era um animal no corpo de um homem e ainda não tinha paciência para crianças.

Buscou pela tampinha e pelo pai rapidamente com os olhos. Gajeel estava ajudando com o som e com os equipamentos, enquanto Levy resolveu ajudar Mirajane com as mesas.

Bom, os dois pestinhas já tinham idade para brincar sozinhos, afinal tinham pregado uma bela peça em Makao a alguns dias. Uma bela lata de tinta vermelha caiu sobre o velho em uma armadilha elaborada na semana passada. Ninguém descobriu que foram eles, mas sabia pelo cheiro e por terem pego eles no flagra, saindo pelos fundos da guilda. Ambos o olharam pedindo piedade e imploraram para que não contasse.

Deixou passar em branco com a condição de que eles não o amolassem.

—Você nunca se arrependeu de tê-la marcado? — Perguntou depois de um tempo.

Teria dado um soco na cara dele caso outra coisa mais importante não tivesse chamado sua atenção e a de seus instintos. Dois homens, magos, começaram a se aproximar das duas crianças que brincavam com as boias infláveis. Os dois filhos de Levy não notaram a presença deles. O mais magro olhou para trás e ao redor, como se procurasse os pais. Como não viu nada olhou para as crianças com um olhar desejoso.

A intenção de matar e seu rosnado grave os fizeram congelar no lugar. Eles o viram. Ergueu os óculos escuros, os olhos vermelhos assassinos acesos e mostrou os dentes afiados. Os dois ficaram pálidos.

Por sua intenção assassina estar direcionada aos dois, ninguém além deles e Baskim percebeu.

—Sett, Vi! — Chamou. Os dois se viraram na hora. — Venham pra cá e brinquem naquela piscina. — Disse apontando para a pequena jacuzzi que ficava mais próxima a piscina grande onde a maior parte dos magos da Fairy Tail estavam.

Levy podia ser uma mãe maluca e despreparada para muitas coisas devido a idade, mas pelo menos uma coisa ela ensinou bem a seus filhos: Quando o tio Acnologia estiver com os olhos vermelhos obedeçam sem questionar. Os dois pegaram os brinquedos e correram para a jacuzzi.

Com todo o instinto protetor e assassino que tinha, mandou outro olhar para os homens que pareceram entender rápido, já que pegaram suas coisas e foram em direção a saída.

Elas não eram suas crias e havia uma tenção sempre que tinha que se controlar demais, mas Magnólia era seu território agora, e todos daquela guilda pertenciam a ele. Ninguém ia mexer com os filhos de Levy enquanto estivesse ali.

—Uau. — Baskim comentou. — Essa é a primeira vez que vejo um caçador defendendo a cria de outro.

Baixou os óculos no rosto outra vez, bufando. Ele ainda achava que era um caçador.

—Você parece ser o mais forte entre eles aqui. — Murmurou, percebendo uma certa hierarquia invisível. — Ainda assim não deveria ser instintivo ignorá-los?

Normalmente ele estaria certo. Se fosse a uns anos atrás, antes de conhecer Lucy, ou quando a tinha recém marcado, teria ignorado. Não por maldade, mas por que seria instintivo ignorá-los, ou até mesmo eliminá-los, mas o tempo passa, seu elo com Lucy tinha ficado brutalmente mais poderoso e estável, e tinha uma razão para se controlar melhor.

—Essa é minha guilda. Não vou ignorar uma merda dessas aqui. — Respondeu a primeira coisa que lhe veio a cabeça.

Franziu a sobrancelha. Isso tinha soado estranho. Era territorial, mas não era apenas egoísta...

Baskim mudou de assunto.

—Não esperava que a convivência entre companheiros fosse ser assim. — Ele murmurou mais para si mesmo do que para Acnologia.

Mas as palavras já tinham saído de sua boca. Impaciente, deu uma dentro.

—Por que diabos marcou Rutti se você odeia ela ate os ossos?

Baskim apertou os lábios, olhando para as próprias mãos, ficando calado por um momento.

—Nem tudo é uma escolha... — Murmurou.

Que?

Quando estava prestes a perguntar Mirajane apareceu a sua frente.

—Acnologia! — Exclamou aliviada. — Pode por favor, porvavorzinho, pegar mais barris de cerveja nos fundos? Eu tenho que pegar mais carne na cozinha. Eu pediria a Laxus ou alguém, mas parece que todo mundo está ocupado.

Olhou para a recepcionista demoníaca que parecia desesperada. Ficou com dó.

—Sem problema. De quantos precisa?

—Uns 3. — Ela deu uma olhada para o bar e viu Canna la. — Ou quatro.

A Alberona tomaria um inteiro sozinha provavelmente.

—Levo lá em um minuto. — Disse se levantando.

—Hum, posso ajudar? — Exclamou Baskim de boa vontade.

—Claro! Obrigada. — Mira disse grata e saiu correndo para organizar os outros pedidos.

O Rei do gelo o seguiu calado até chegar no armazém enorme atras da guilda. Podia sentir o cheiro de sua hesitação em perguntar, mas ele finalmente soltou.

—Você ainda não respondeu minha pergunta. Não se arrepende de marcá-la? De não ser mais livre?

Seus dedos quase viraram garras, se enterrando na madeira do enorme barriu de cerveja que tinha acabado de segurar. A besta rosnou em seu âmago querendo rasgá-lo em pedaços. Foi estranhamente fácil controlar a compulsão dela e manter um pouco da calma.

—Não. — Respondeu áspero. — Lucy é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida e é a única razão que tenho para estar vivo. Se perguntar isso mais uma vez eu vou te esfolar. — Decretou.

Canalizou a raiva para os músculos, puxando o barriu da prateleira e indo para o próximo. Baskim foi para a prateleira e começou a puxar mais um também.

—Ela disse a mesma coisa sobre você.

Prendeu o rosnado na garganta, ignorando o fato de que ele tinha conversado com Lucy sozinho em uma floresta antes. Ela o contou. Não essa parte, mas ainda assim o fato dele poder ter tentado algo contra ela lhe dava nos nervos.

Jogou o barriu sob o ombro e pegou o outro para fazer o mesmo. O Dragão pegou os barris antes de voltar a falar.

—Por que...

—Você também não respondeu minha pergunta. — Cortou saindo do armazém. — Por que marcou Rutti se a odeia?

Ele veio atrás de si, parecendo prostrado.

—Não foi uma opção. — Respondeu incisivo.

Acnologia o olhou furioso.

—O que quer dizer com não foi uma opção? — Inquiriu impaciente. Já irritado, perguntou na lata. — Isso tem algo a ver com ela ter a marca de vocês dois?

Baskim arregalou os olhos, surpreso.

—Você viu... — Ele sussurrou, ficando em choque.

Antes que pudesse xingá-lo e obriga-lo a responder sua pergunta, o corpo albino se curvou para frente, largando os barris que caíram estourando cerveja pelo chão. O rosto de Baskim se retorceu dolorosamente e ele gritou com a dor, tentando agarrar o próprio peito.

—Oe! — Exclamou.

Mas ele convulsionou, seus olhos se reviraram e ele desmaiou. Foi rápido o suficiente para se transformar e parar sua queda com a calda, uma vez que as mãos estavam ocupadas.

—Merda! — Praguejou.

Colocou a cerveja no chão e segurou o dragão desfalecido. Suas veias estavam ficando azuis e seu corpo tremia de frio, embora sua temperatura estivesse alta o bastante para confundi-lo com Natsu.

Duas vezes merda. Dragões de gelo não sentiam frio, muito menos tinham a pele quente como a de um dragão de fogo.

—Wendy! — Gritou, ciente de que a pequena DragonSlayer seria capaz de ouvi-lo.

Em menos de um minuto a caçadora, assim como Lucy, Levy, Natsu, Gajeel e todo o seu time vieram vestidos com roupas de banho. Lucy ergueu as sobrancelhas ao vê-lo desmaiado em seus braços. A tampinha logo inquiriu:

—O que você fez?

A pergunta era justificável, já que queria matá-lo, mas a ignorou e explicou para Wendy e Lucy.

—Ele está tendo outra reação por negar a marca.

—Negar a marca? -Wendy questionou sem entender, mas já colocando as mãos em cima do Rei.

Assim que o fez a maga dos ventos ficou pálida, e nem se preocupou com a resposta a pergunta.

—Precisamos levá-lo a Poluska já! Não vou conseguir ajudá-lo sozinha! — Sua voz exibia um tom emergencial que nunca tinha visto antes.

—Então vamos! — Erza ordenou.

~*#*~

Observou-o finalmente se remexer, gemendo com a dor remanescente para acordar. Lucy se desencostou de seu corpo para observá-lo melhor, esperando que acordasse por completo.

—O que aconteceu? -Ele perguntou ainda meio confuso.

—Você quase bateu as botas. — Levy respondeu, do outro lado do quarto, de forma ríspida.

Ela estava cansada assim como todos ali. Gray estava morto no sofá da sala de Poluska depois de ter doado praticamente toda sua magia para aquele dragão. Foi uma confusão danada que levaram o dia inteiro para resolver, seguindo ordens da curandeira rabugenta e de Wendy para tentar reverter um pouco as consequências.

Todos se foram, mas Levy, Gajeel, Natsu, Acnologia e Lucy ficaram para tirar satisfações.

Baskim suspirou, sentando-se melhor na cama.

—Desculpe.

—Desculpa nada. — Levy ralhou. — Comece a falar. Por que está renegando a marca? E por que Rutti pode ter duas? Você não parece ser ruim como aquela vaca, mas posso mudar de ideia se continuar a nos dar esses sustos.

Os olhos azuis claros do dragão de gelo analisaram todos no quarto, vendo que não teria escapatória a não ser contar. Deu outro suspiro longo e encarou as próprias mãos em cima do edredom antes de começar a falar.

—Rutti não é apenas humana. Ela é uma hibrida humana com Ninfa.

Isso foi uma surpresa. Ninfas eram criaturas muito raras, espíritos que se alimentavam da energia dos elementos e das florestas. Elas nasciam pela energia mágica da grande mãe Natureza, mas raramente produziam herdeiros, em especial com outra espécie, o que tornava o fato duplamente surpreendente. Essas estranhas criaturas tinham a capacidade de manipular facilmente qualquer elemento mágico disponível, o que as tornava poderosas e traiçoeiras.

—Ela é mais humana que Ninfa na verdade, e seus pais morreram quando era jovem. A única coisa que ela puxou da mãe foi a habilidade de ser adaptável a qualquer magia e o poder nojento de feitiços de encantamento. Entretanto sua reserva mágica sempre foi um lixo, o que limitava muito sua capacidade de manipular os elementos como sua mãe fazia, tornando-se poderosa e eterna. Isso se deve ao sangue humano.

“Um dia ela tentou fazer um feitiço que forçasse a expansão de sua reserva mágica, para que pudesse se tornar mais poderosa e manipular o tempo, vivendo o quanto pudesse em sua forma jovem. Foi um belo fracasso. O feitiço teve efeitos colaterais enormes, tornando mais difícil para ela manipular magia e ela começou a envelhecer.

Desesperada ela começou a procurar por todo o continente uma forma de reverter seu erro, e foi quando ela encontrou o Rei dragão da terra, Aion. Os dois são igualmente egoístas e gananciosos por poder. Não me admira que ele a escolheu para ser sua companheira. Em teoria, a marca de um dragão iria anular os efeitos colaterais do feitiço e daria a ela o que sempre quis: um corpo mais forte, capaz de receber magia e a imortalidade vinda da enorme longevidade dos dragões. O problema é que Aion é um dragão da Terra.”

—E o que isso tem haver? — Levy interrompeu bruscamente.

Baskim a encarou.

—Dragões possuem algo em seus corpos chamado de veia dracrônica. É o que nos permite absorver e manipular grandes quantidades de magia. Quanto mais forte e maior essa veia mais forte o dragão se torna. Isso é via de regra, mas com dragões do tipo terra essa veia é bem pequena e quase escassa para compensar sua própria natureza.

A cara que Lucy fez deixou bem claro o quanto a explicação dele foi uma merda. Interviu.

—Encare isso como um jogo de tabuleiro. — Acnologia iniciou, chamando a atenção. — Você tem os magos, atiradores, soldados e os tanques da front line. Dragões da terra são equivalentes aos tanques. Eles sacrificam sua capacidade de absorver magia e de acumular grandes quantidades de poder mágico em troca de ter o corpo mais forte e as escamas mais duras da espécie. Isso os torna lentos e teoricamente com a menor quantia de magia entre todos os dragões, mas não é como se fossem precisar de muita, já que a maior parte de seus oponentes sequer consegue arranhar suas escamas.

—Ahhh! — Todos exclamaram, compreendendo.

Baskim piscou com a facilidade que Acnologia explicou aquilo. Os olhos azuis o olharam ameaçadores, o incentivando a continuar.

—Isso. A ligação de Aion não é capaz de fornecer magia o bastante para suprir as falhas que ela mesma causou no próprio corpo, muito menos para conseguir evoluí-lo. — Suas feições se retorcerão amargamente. — Foi quando os dois tiveram uma ideia.

“Ninfas eram muito boas em controlar grandes cargas mágicas em seus corpos, e remediar os efeitos colaterais, então percebeu que só precisava de outra fonte de magia que pudesse absorver constantemente e corrigir a si mesma. Um outro dragão que tivesse uma grande aptidão mágica era a melhor opção. Aion vivia em um território próximo ao território que eu vivia. Ele me atacou. Nossa luta não tinha o objetivo de vencedores, apenas de diminuir meu poder mágico o bastante para que Rutti conseguisse me drogar com Marmorion.”

—Marmorion? — Interrompeu Levy novamente. — Não é aquela planta estranha?

—Marmorion restringe nossa magia tampinha. — Respondeu Gajeel. — No geral não nos afeta muito, mas se estivermos fracos uma poção concentrada dela apaga nossos sentidos. Seria o equivalente a ficar muito bêbado.

—Isso. — Confirmou Baskim.

—Mesmo assim não daria para fazer você marcá-la mesmo nesse estado. — Desconfiou Acnologia. — Não importa se estivermos drogados. A marcação não acontece se não gerarmos o celo.

O Rei de gelo sorriu triste.

—Acredito que tenham conhecido o dote de Aion aquele dia. — E olhou para Lucy. — Embora não saiba como resistiu. — Comentou. — Rutti e Aion ganharam o dom de comandar aqueles mais fracos que eles e, naquele momento, eu era mais fraco.

Se lembrava bem. Aquela humilhação no banheiro coletivo e a marca de Acnologia a defendendo. A raiva voltou a queimar em suas veias. Um sabor amargo veio a sua língua junto com um enorme desejo de justiça e vingança por Baskin. Rutti tinha pego a melhor coisa que aconteceu em sua vida e deturpado ao ponto do pobre dragão a sua frente não ter vestígios de desejar viver em seus olhos.

Suas ultimas palavras saíram amargas.

—Eu não me lembro bem o que aconteceu, mas minha carca estava nela. Desde então ela usa o poder de Aion para me manter acorrentado a isso. Não posso desfazer a ligação por que ela é inquebrável uma vez que é feita, então só me resta resistir o máximo a ela. Rutti pode usar meu poder, mas eu prometi que nunca a ajudaria. Ela tenta me dar ordens, mas consigo resistir, entretanto meu corpo paga o preço.

O silencio se apoderou do quarto por longos minutos. Baskin foi o primeiro a cortá-lo.

—Desculpe incomodá-los com isso. Eu vou embo...

—Não seja estúpido! — Levy o cortou.

—Você não vai a lugar nenhum até darmos um jeito de cortar essa ligação. —

Ninguém, absolutamente ninguém, esperava que essa palavras saíssem da boca de Acnologia. Primeiro por que isso ia contra a seu egoísmo natural e segundo por que a ligação era algo sagrado e as palavras ‘quebrar a ligação’ eram quase um tabu.

Mas esse tabu seria quebrado neste caso.

Gajeeel o olhou, com as feições sérias antes de passar os olhos para Baskin.

—Comece nos contando um pouco mais sobre a ligação dela com Aion e vamos descobrir um jeito de acabar com isso.

Baskin ficou embasbacado. Seus sentidos estavam fracos mas ainda era capaz de sentir pelo cheiro que eles estavam falando a verdade.

—Como...? Espera! Isso não é problema de vocês. Por que me ajudar? Só vai trazer uma guerra a vocês. Rutti não vai desistir do poder que deseja e Aion é o Rei da Terra. Estou fraco demais para lutar com ele e...

Lucy lhe deu um tapa atras da cabeça. Ele levou a mão aos cabelos brancos, surpreso. O tapa não doeu, mas o fez calar a boca.

—Isso não é óbvio? — Ela respondeu séria, o encarando como se fosse um idiota. — Você precisa de ajuda. A Fairy Tail ajuda as pessoas e não vamos deixar de ajudar só por que podemos ter que entrar em uma briga.

Natsu riu, desviando o foco de todos. Suas mãos e braços começaram a pegar fogo enquanto ele sorria maligno.

—Uma briga de brinde seria um bônus. Posso transformar esse Aion em um delicioso churrasco de lagarto! -A empolgação e o instinto de vingança fluiu por todos, sendo contaminados pelas chamas ardentes que inflamavam o desejo pela batalha.

O Rei do gelo piscou.

—Mas...

—Desista. — Cortou Levy pela milionésima vez. — Guilda mais destrutiva de todo o reino, lembra? Uma boa briga é nosso oásis.

—Além disso... — A maga celeste disse em um tom ácido. — Não compactuamos com esse tipo de gente escrota. Nós temos companheiros, nosso laço é sagrado. O que Rutti fez com você merece a morte.

Baskin tremeu. Suas mãos agarraram o edredom com força e ele abaixou o rosto, mas todos já tinham visto seus olhos marejados. Acnologia pode sentir o cheiro de um breve pingo de esperança emanando daquele corpo sofrido. A besta em seu interior rosnava apesar da compostura que mantinha. Por mais que odiasse a presença de outro dragão forasteiro, seu desconforto foi quase totalmente suplantado pela fúria.

O Rei do gelo merecia uma vida. Baskin merecia uma companheira de verdade. Por alguma razão seu poder borbulhava em seu interior, correndo por suas veias com um desejo protetor que não compreendia.

O albino respirou fundo, retomando um pouco da compostura antes de falar.

—Eu agradeço, mas mesmo que aceitasse o laço é inquebrável. Rutti foi capaz de manipular a magia dele em seu próprio corpo para manter duas marcas. Não há como desfazer mesmo com minha morte.

Sim, mesmo que morresse seu poder iria para ela, assim como sua alma ficaria aprisionada em seu corpo enquanto o elo com Aion a manteria viva.

Por isso nunca tinha tentado suicídio. Ao menos sua alma merecia ser livre.

—Bom, é melhor pensarem em uma maneira logo. — Poluska interrompeu entrando no quarto, demonstrando que tinha ouvido tudo, com uma prancheta nas mãos. — Seu núcleo mágico está se deteriorando. Mesmo você sendo um dragão poderoso não poderá viver longe dela se continuar assim. Se seu núcleo se quebrar por completo você vai viver o inferno em vida, pior do que agora.

Quando um núcleo mágico se quebra totalmente o individuo sofrerá como se fosse empalado em uma fogueira durante o resto de sua vida. Para um dragão isso seria uma longa eternidade de sofrimento puro e agonia, apenas gritando de dor.

—Vocês conhecem algum jeito de quebrar? — Levy questionou. — Nunca achei nada sobre isso na minha pesquisa.

Gajeel deu um tapa na nuca da baixinha.

—Ninguém sabe tampinha. Seria um tabu só de alguém falar. Isso nunca aconteceu antes. O único jeito de acabar com a ligação é a morte.

A azulada fez um bico massageando a cabeça.

—E você, velho de guerra, sabe de algo?

Acnologia a fuzilou com o olhar por tê-lo chamado de velho. Resolveria essa pendência depois.

—Não. Como ele disse ninguém nunca quis quebrar uma ligação dessas antes. O sacrifício até de nossa própria energia vital é um método bem eficaz de concretizar isso de forma sólida. — Coçou o queixo, encarando brevemente o teto enquanto remexia os lábios. — Mas, se tem alguém que vai saber algo sujo assim é Shinuky. Se existe um meio ela vai saber.

Lucy socou a mão fechada na outra aberta.

—É mesmo! Como não pensei nisso antes? Ela pode dar um jeito.

—Shinuky? — Baskin questionou.

—Uma velha amiga. — Respondeu Acnologia. — Uma que gosta de segredos. Podemos tentar ir lá amanhã. Não tem neve nas montanhas ainda então ela ainda deve estar por aqui.

Uma bandeja com poções, comida e ervas foi colocada na lateral da cama de Baskin. Poluska o encarou séria.

—Até lá você fica aqui e come tudo isso. Não posso curá-lo mas posso melhorar sua condição e retardar os efeitos. Vai precisar estar melhor do que esse cadáver ambulante se quiser sair desse poço.

~#~

Estava encarando o espelho da pia a muito tempo, mais do que tempo o bastante para que Lucy percebesse e o abraçasse pelas costas.

—Fiquei surpresa hoje. Você decidiu ajudar Baskin. Não esperava isso. Estou orgulhosa.

Suspirou, sorrindo com o calor que se espalhou em seu corpo pela última palavra e agarrou sua mão que estava na cintura, acariciando-a com o polegar.

—Eu apenas odiei saber de tudo isso. Não é grande coisa. Ninguém merece viver acorrentado a alguém que odeia.

Ela o encarou pelo espelho.

—Mas...?

Claro que ela notou.

—Mas isso vai levar inevitavelmente a uma batalha com Aion e, por mais que eu deseje arrancar sua cabeça, eu ainda estou fraco.

Quase riu com a cara que Lucy fez.

—Se você é fraco eu sou o que? Uma formiga? — Sua voz saiu esganiçada. — Não existe absolutamente nada de fraco em você Acnologia!

Sua maguinha sabia como fazer seu ego inflar. Virou-se para ela e lhe deu um peteleco na testa fazendo-a resmungar e esfregar o local.

—Caso não se lembre eu gastei muita magia recentemente. Quis dizer que estou fraco no momento para enfrentá-lo, bobona.

Percebeu que ela se lembrou quando seus olhos se arregalaram e sua boca abriu em um O.

—Ahhh... A marcação. Tinha esquecido.

Sua peripécia no hotel durante a missão o tinha deixado bem abaixo de sua performasse normal. Sua reserva de magia só se recuperaria daqui a no mínimo uma semana.

—Mas você não tinha ganhado uma suuuuper reserva mágica nova? — Questionou saindo do banheiro junto com ele. — Com a quantidade de magia que você tem dentro dela não seria o bastante?

—Eu ganhei a capacidade de armazenar uma quantidade imensurável de magia, mas não a magia Lucy. Minha reserva mágica ainda está se enchendo e eu não quero subestimar um Rei. Ele chegou lá por alguma razão, sem falar no dom de comando.

Lucy piscou várias vezes e se jogou na cama, confusa.

—O que isso tem haver?

—Os dons das marcas em geral são diferentes. Dificilmente terão 2 habilidades iguais. Só que a habilidade de comando é uma exceção. Apenas quem é poderoso pode ter algo parecido.

Lucy franziu as sobrancelhas enquanto se vestia.

—Mas eu posso mandar em você. E ele nos outros. Não entendi.

Se deitou na cama, puxando-a para seus braços e encarando o teto enquanto passava os dedos por suas costas.

—Quer dizer que ou eu sou mais poderoso do que ele, ou ele será mais poderoso do que eu.

Pela primeira vez o coração de Lucy se apertou. Desejava ajudar Baskin, mas a possibilidade de Acnologia se ferir lhe deixava aflita. Tomara que Shinuky tivesse uma solução mais simples.

~*#*~

O rosto de Shinuky não mudou, mas seus olhos sim. Sentada na poltrona de sua casa nomeio da floresta nas montanhas, as enormes janelas de vidro que iam do chão ao teto, permitiam uma iluminação natural, mas, de repente, a folhagem deixava o ambiente ainda mais sinistro. O castanho se tornou um dourado perigoso. Ela estava puta.

Suas mãos continuaram cruzadas em frente a boca por um longo tempo enquanto ela olhava fixamente para o nada. Conhecendo aquele velho dragão ela estava pensando em todas as técnicas que poderia usar para destruir a ligação e punir Rutti.

—Acho que existe algum jeito. — Ela falou por fim.

—Traduz. — Acnologia resmungou. — Defina acho.

Ela revirou os olhos e falou.

—A primeira é simples e ao mesmo tempo complicada. Quer dizer, se desse para ordenar que Rutti quebrasse o equilíbrio que ela criou a marca de Baskin perceberia o notável erro e consumiria a outra. Obviamente isso mataria Ritti e Aion, mas eu não to nem aí. Só que não conheço ninguém mais poderoso que Aion com esse dom para dar a ordem. Nesse caso terei que ir para minhas terras e fabricar uma forma de quebra-lo a força.

Acnologia era poderoso, mas seu dom era de ser comandado por sua companheira não de comandar outros.

—Ele não tem muito tempo disponível. — Levy lembrou.

Shinuky suspirou.

—Eu sei. — E se levantou do sofá. — Acho que tenho algo que pode ajudar por enquanto.

E saiu, entrando em uma porta a direita. Depois de um pouco de barulho ela saiu de lá e em suas mãos tinha uma esfera branca com uma flor azulada dentro. Era como uma esfera de gelo estranha.

—Um núcleo de flor da neve! — Baskim exclamou, empolgado e surpreso.

—Um o que? — Gajeel perguntou.

—É um núcleo de uma árvore que só nasce em meio a nevasca. Ela é muito rara e difícil de achar. Seu núcleo mágico só se forma após dois mil anos. Dizem que da pra fazer remédios milagrosos com ela. — Levy explicou.

—Exato. — Shinuky confirmou. — Mas nesse caso quando ela e consumida por um dragão do gelo ela ajuda a restaurar seu poder. — E estendeu a esfera em sua direção.

Baskin ergueu as mãos e balançou a cabeça, negando.

—Não posso aceitar. É uma raridade...

—Cala a boca e come logo. — Shinuky ralhou. — Eu não tenho tempo para discutir. Tenho que elaborar um feitiço e depois punir aquela desgraçada do pior jeito possível. Manda pra dentro. Agora.

Intimidado pela imperatriz, Baskin aceitou o núcleo e o devorou.

—Agradeço.

—Não há de que. Bom, podem ir. Eu vou para o norte elaborar uma solução para isso. A lácrima deve te ajudar a se manter são e vivo pelas próximas duas semanas pelo menos. Entrarei em contato em breve.

E assim ela os expulsou da casa, provavelmente abrindo um portal e indo em busca do que queria.

Os cinco desceram as montanhas, entrando na densa floresta para voltarem a Magnólia. Foram longos minutos de silêncio antes que Baskin começasse a falar.

—Obrigado. Eu nem sei como começar a agradecer... — Ele coçava os cabelos, nervoso e sem saber o que dizer

—Você não tem o que agradecer. — Levy falou, girando um pequeno galho na mão que pegou durante o caminho. — Não é justo o que fizeram com você.

Baskin sorriu.

—Mesmo assim eu gostaria de agradecer.

—Apenas seja um pouco mais positivo então. — Lucy falou. — Teve um azar enorme uma vez, mas um dia, quem sabe, encontre alguém legal.

Acnologia, que estava à frente de todos, parou e rosnou.

Revirando os olhos achando que era ciúme, a maga começou.

—Acno, menos...

Ele ergueu a mão, olhando fixamente para frente. Todos pararam. O rosto alegre e esperançoso de Baskin endureceu também e ele tomou a frente ao lado do dragão.

Saindo da floresta e entrando na trilha, duas silhuetas vieram, tornando-se mais definidas a medida em que se aproximavam.

—Ora, ora, ora. Quem diria que você teria culhões de fugir com essas putas. — A voz de Rutti era nojenta.

Ela se aproximou, vestida com um vestido, totalmente inapropriado para o lugar, mas arrogante como ela. Aion era uma sombra as suas costas, olhando para todos como se fossem inferiores a ele.

—Agora que já se divertiu com sua insolência, vamos embora. — Ela ordenou.

O corpo de Baskin congelou, os músculos da face, assim como todos os visíveis, contraindo com força. Seus olhos ficaram dracônicos e o ar ficou mais gelado. Ele contrapunha a ordem, forçando seu corpo e magia a permanecerem no lugar com pura força de vontade.

—Eu não sou seu fantoche! — A voz saiu carregada com um ódio e uma raiva de alguém que desejava profundamente que o outro morresse. — E não vou obedecer a suas ordens!

Rutti riu. Debochando da coragem de Baskin de resistia a algo tão doloroso apenas com o próprio poder e força de vontade.

—Você não tem opção. — Respondeu seca. — Venha! — Dessa vez a ordem foi mais firme.

Ele tentou resistir, mas seu corpo não colaborou. Movendo-se como um robô, os passos forçados, o dragão do gelo começou a ir na direção da ruiva, que sorria com sua dor a cada passo torturado que dava.

Lucy chegou a puxar uma de suas chaves para se transformar e dar uma surra na mestiça, mas, assim que Baskin passou ao lado de Acnologia, ele pôs uma mão no ombro do dragão e todo o seu corpo parou de retesar.

A dor das amarras que o destruíam por dentro, invisíveis e atormentadoras, desapareceram. Tomou fôlego sem ser assolado pela dor, encarando as próprias mãos sem entender por que a ordem parou.

Rutti rangeu os dentes e berrou.

—Venha logo!

Baskin esperou a dor recomeçar, as amarras puxando-o em direção a mulher, mas nada aconteceu. Nada. Atônito, encarou a única coisa lógica que podia ter gerado a anulação da ordem dela: a mão de Acnologia em seu ombro.

Os olhos azuis começaram a mergulhar em vermelho e, com uma voz poderosa que quase o fez ceder de joelhos, ele falou:

—Baskin não vai a lugar nenhum.

Por alguma razão a voz de Acnologia estava diferente. Ela passava uma sensação estranha no ar... algo intimidador e marcial, que seria seguido, não importa o que. Gajeel estremeceu, sentindo uma estranha necessidade de fazer valer as palavras que ele pronunciou. Ficou atônito com o próprio pensamento, confuso do por que pensar assim.

Rutti ergueu o queixo em desafio.

—Seu caçador imundo! Você não decide nada! Eu tenho o dote do comando. Ele não tem escolha a não ser se curvar diante de mim. Baskin, eu ordeno, venha até mim, AGORA!

Mas a ordem não o atingiu. Sentia-se leve, como se uma força, quase uma barreira, impedisse que cumprisse o que ela desejava.

—O seu companheiro idiota não lhe avisou? — Debochou. — Você só pode dar ordens a alguém inferior.

A voz dracônica da besta fez Baskin pular surpreso, mas a reação de Aion foi bem maior. Ele agarrou Rutti pela cintura, saltando alguns metros para trás e recuando, entrando em posição de defesa. As escamas marrons começavam a destacar ainda mais sua natureza inumana.

—Aion!- A mulher ralhou, tentando se soltar do companheiro. — Faça com que ele obedeça! Me solte e mate este caçador f...

—Cale-se! — Aion berrou. Isso pareceu chocá-la, já que ele olhava fixamente para Acnologia. — Ele não é um caçador.

Baskin voltou sua atenção para o dragão.

—O que? — Sua voz saiu falha.

—Mate-o! — Rutti gritou.

Aion se transformou. Todos usaram movimentos evasivos, tomando distância e, em segundos, um enorme dragão marrom, troncudo, uma mandíbula curta, porém grossa. As escamas eram pronunciadas como grandes placas grossas e, na ponta de sua calda, uma bola espinhosa que parecia ser letal. Aion parecia um tanque de guerra.

Ele rugiu, um som rouco e ecoado que retumbou pela floresta.

—Eu não vou permitir! — Baskin praticamente gritou antes de se transformar.

O ar ficou gélido e, assim como aconteceu com Aion, em segundos um enorme dragão azul prateado, maior, magro, uma calda dividida em duas, e asas quase transparentes que refletiam o sol, apareceu, rugindo. O som era agressivo e não retumbava oco como o de Aion. As escamas prateadas eram notoriamente mais frágeis que as do rei da terra, mas ele era notoriamente mais ágil.

Eles começaram o embate. Baskin, em sua fúria, esqueceu-se por um momento que não estava nem perto do poder que tinha antes. Seus ataques eram completamente inúteis contra a armadora espessa de Aion e, em um deslise, o rei da terra o empurrou para o chão, prendendo seu pescoço com as garras de uma mão e o mantendo preso ao chão. Baskin ganiu, tentando usar a calda dupla para se desvencilhar, mas o outro as ignorou como se não fossem nada contra sua armadura.

—Você vive para nos servir, rei do gelo. Eu sou o mais poderoso dragão vivo. Sua tolice em nos desafiar não passará impune!

A risada de Rutti foi cruel.

—Nunca mais desobedeça às minhas ordens. Mate esses magos. Agora!

Entretanto, novamente, não foi afetado pelo comando. Não sabia por que, mas iria aproveitar aquela liberdade mesmo que fosse seu fim.

—Va a merda!

Aion rosnou.

—Seu...

Não conseguiu terminar. Uma quantidade massiva de energia o atingiu na lateral do corpo, forçando-o a soltar Baskin e ganindo com a dor da pancada. Ele procurou a fonte do poder, vendo Acnologia, com o braço coberto de escamas e com as chamas azuis se extinguindo lentamente dele.

—Já acabaram? — Desdenhou. — Vocês não vão levá-lo daqui. Agora ou vocês saem do meu território ou vou matá-los. Escolham.

A risada de Aion na voz diacrônica oca era debochada e irritante.

—Ninguém lhe disse que coragem demais o leva a morte? Pirralho, cale-se! — Ele ordenou, usando o dote do comando.

Apesar de ser inefetivo contra o rei, o dom tinha um outro efeito, o de deixar tanto ele quanto a fera irritados. Com os olhos vermelhos ele falou.

—Ninguém me dá ordens! -Rosnou.

E se transformou. Das chamas, emergiu o enorme dragão negro com os olhos vermelhos sangue. Ele rugiu. Ao contrário dos outros dois o som foi estrondoso, ecoando em toda floresta em uma clara demonstração de poder e superioridade.

—Quem é...

Mas Acnologia já tinha partido para cima dele, socando sua cabeça e o mandando para o chão. Devorar tantas magias, colocar seu corpo no limite e gerar um poder desconhecido lhe deram uma vantagem injusta. Suas escamas eram mais maleáveis e leves que de Aion, mas mais resistentes do que elas, e era mais ágil do que Baskin.

Indignado o Rei da terra rosnou, tentando acertá-lo, mas era inútil. Acnologia era maior, mais forte, mais ágil e tinha muito mais magia. Aion podia sentir isso em cada soco que recebia, o impacto penetrando suas escamas e causando danos a seus órgãos internos. O pânico começou a tomá-lo quando Acnologia penetrou suas escamas com as garras, abrindo uma ferida na lateral de suas costelas.

Rugiu de dor, usando as asas e a força para se impulsionar o mais longe possível do inimigo.

—O que está acontecendo Aion! — Rutti gritou do solo. — Derrote-o! Você é o rei! Acabe com isso de uma vez!

Compelido pela companheira e pela sensação de que só tinha uma chance, Aion rugiu. A massa de energia mágica se chocou com Acnologia, levantando poeira e detonando grande parte da floresta. A risada que ecoou na névoa espeça o fez ter calafrios. Os olhos vermelhos apareceram em meio a poeira quando a voz retumbou.

—Rei? Você é fraco demais para ser um rei.

O rugido de chamas negras se chocou direto na ferida que abriu em suas costelas O machucado se abriu ainda mais e o lançou direto para o chão com um rugido de agonia. No segundo seguinte, Acnologia estava em cima de Aion. Usava o peso de seu corpo para mantê-lo no chão, enfiando as garras em suas costelas fazendo-o berrar com a dor. Agarrou o pescoço curto, barrando um pouco de sua respiração e limitando seus movimentos. O rei aproximou o rosto da orelha de Aion e falou.

—Você não passa de um sapo em um poço. Coaxando tão auto lá do fundo que nenhum outro se dá ao trabalho de ir lá ver. Você subjugou Baskin depois da prostituta da sua mulher o drogar. Você não é forte. É só um idiota que deu sorte até agora.

E voltou a erguer o pescoço, como um verdadeiro rei, olhando a presa de baixo.

—Por você ser um rei eu pensei que teria trabalho, mas mesmo estando amis fraco agora, você não passa de uma pedra no meu caminho.

Isso o irritou. Impossibilitado de rugir, Aion moveu a única parte de seu corpo que conseguis: A calda. Se retorceu, gerando impulso o suficiente para a maçã espinhosa ir na direção da cabeça de Acnologia.

A forquilha negra na calda do rei dragão a interceptou no meio do caminho. As lâminas afiadas torceram a calda e se fecharam. O grito de dor de Aion foi ensurdecedor. A ponta de sua calda, amputada pelo movimento, caiu no chão com um estrondo.

—Aion! -Rutti gritou.

A ruiva olhou, cega, para Lucy. Viu nela uma oportunidade de matar Acnologia, quando começou a conjurar um feitiço.

—Ajoelhe.

Seus joelhos cederam automaticamente. A tentativa de resistir aos cabos invisíveis a fizeram gritar de dor.

—C...COMO? — Olhou atônita para as próprias mãos.

Acnologia ronronou.

—Acho que foi este o comando que deu a minha companheira não foi?— O focinho negro e os olhos avermelhados se aproximaram da ruiva. — Eu me lembro bem. Não é muito legal receber ordens que não quer cumprir não é mesmo?

A ficha começou a cair na mestiça de ninfa. Aion, durante muitas décadas, tinha sido o mais poderoso dragão a aparecer, então nunca passou por sua cabeça que houvesse alguém mais forte, que apenas decidiu ficar nas sombras. Um dragão negro que impunha tamanha pressão mágica apenas com sua presença.

A lenda lhe veio a mente. O dragão que pensavam que estava morto a séculos.

—Você é o dragão do apocalipse! — A voz saiu falha, a medida em que seus olhos se arregalavam.

—Desprazer em conhecer.— Debochou. — Remova a marca de Baskin de seu corpo.— A ordem ecoou pelo corpo da mulher.

Ela estremeceu sentindo a dor percorrer cada músculo por tentar resistir.

—N...NÃO! — Exclamou em desespero, as lágrimas descendo por seu rosto como um rio. — POR FAVOR, NÃO!

—Nós morreremos se a ordenar a fazer isso!— Aion berrou, desesperadamente tentando sair das garras de Acnologia.

—E quem disse que me importo com isso?— Os olhos vermelhos encararam Ritti, despertando medo em sua alma. — Agora!

A ordem era impossível de ser recusada. Chorando e soluçando súplicas de piedade, ela começou a entoar a magia das ninfas. Quando a marca do dragão azul começou a sumir Rutti e Aion começaram a gritar de dor se contorcendo freneticamente durante vários e vários minutos, em pura agonia, até o momento em que pararam. Os dois ficaram imóveis, a respiração se findou e, com dor e agonia, eles morreram.

Não conseguiu sentir pena.

~*#*~

Baskin olhava para as próprias mãos, tremendo. Estava em choque. Sentado na cadeira de madeira da guilda, tentava absorver o fato de que agora estava livre. Não sentia mais as cordas restritivas, a dor ou sua magia sendo drenada e rechaçada continuamente. Pelo contrário, agora sentia seu corpo se revitalizando, sua reserva mágica se reestruturando e seus sentidos retornando a precisão antiga.

Apesar dos ferimentos da batalha, estava livre.

—Você está bem? — A voz de Lucy retumbou em sua mente.

Ergueu o rosto, lentamente, vendo-a curvada a sua frente, encarando-o preocupada. Sua cara de descrença devia estar preocupando a maga. Ou melhor sua salvadora.

—Estou, estou... — respondeu apressando. — Apenas não estou acreditando. Estou livre! — Exclamou, passando a mão pelos cabelos.

—É. — Acnologia apareceu ao seu lado. — E já pode vazar.

A simpatia dele durou até o momento em que o elo se quebrou. Agora ele era só mais um rei em seu território e, apesar de não estar incomodado como sua presença, estava rançoso com a atenção que a Heratphilia estava dando a si por causa de sua cara catatônica.

—Você era um dragão! — Exclamou pela primeira vez, agora que sua mente tinha começado a aceitar o fato de que era livre.

Acnologia cruzou os braços e revirou os olhos.

—Eu sempre fui um. Você que estava um bosta de tão fraco e não percebeu.

As ofensas eram irrelevantes.

—Como consegue ser tão...humano? — Continuou. Ele não portava nenhuma característica dracônica quanto estava tranquilo. — Você é Acnologia! Supostamente a quantidade de magia que tem deveria...

—Eu apenas posso. — Cortou-o. — Pare de me encher com perguntas irrelevantes.

Baskin piscou, apertando os lábios antes de soltar.

—Só mais uma... Você é mesmo o dragão do apocalipse? Aquele que matou e consumiu a magia de mais de 300 dragões no...

—Sim! — Ele o cortou, quase rosnando.

Lucy soltou uma risadinha o que cortou, por poucos segundos, o seu mau humor.

—Ele é o bicho papão das histórias. — A maga contextualizou. — Não falamos nada por que não sabíamos as suas intenções. Agora que você está livre, o que vai fazer? — Questionou curiosa, fazendo Acnologia torcer a cara outra vez, já que queria monopolizar a atenção da maga.

Baskin sorriu.

—Eu não tive a oportunidade de pensar muito sobre. Eu nem sei como agradecer o que vocês fizeram. Estou em dívida com vocês Lucy. Em uma dívida bem alta... mas, será que eu poderia abusar mais um pouco e pedir uma coisa?

A maga piscou.

—Fale.

Ele hesitou, abrindo e fechando a boca, os olhos dracônicos prateados a encarando e desviando, como se não soubesse como pedir.

—Fale logo antes que eu o ordene! — Ralhou Acnologia, desejando que ele continuasse a hesitar apenas para testar mais um pouco a habilidade recém descoberta de comando.

—Posso entrar na guilda?

~*#*~

—Acho que o Mestre vai beber a semana toda para superar essa. Dois dragões poderosos na guilda. Bom, Baskin implorou. Acho que ele quer achar uma forma de retribuir, mesmo que não seja necessário.

Acnologia rosnou, jogando-se de cara no travesseiro.

—Isso significa que vou ter que aturá-lo aqui.

Lucy apertou os olhos, voltando a analisá-lo antes de se esgueirar para o lado dele na cama.

—Você não parece muito chateado com o fato dele estar perto, mas sim com o fato dele ter ficado subitamente falante e tirar a minha atenção de você durante a festa. O que aconteceu?

O questionamento era mais amplo. Acnologia tinha sido capaz de ordenar Rutti a fazer algo contra sua própria vontade. Apesar do desdém de Acnologia, Aion era um oponente forte. Mas foi derrotado com uma facilidade que não deveria existir. Mesmo com toda a experiência de matar dragões e todo o novo poder dado pela marca, ele não deveria ter sido derrotado tão fácil. Suas escamas eram as mais fortes dos dragões da terra, famosos por sua resistência, mas, ao contrário de Baskin que também era um rei mesmo que fraco, as garras de Acnologia atravessaram sua armadura como manteiga.

—Eu não sei exatamente. — Ele confessou. — Acho que aquela remarcação abriu muito mais do que uma terceira reserva dentro de mim.

Ele se virou para encará-la, pegando uma de suas mãos entre a sua. As tatuagens azuladas ficaram vermelhas e sua mão começou a se transformar, as garras escuras e escamas impenetráveis surgindo até o antebraço. As lâminas afiadas passavam com suavidade e delicadeza pela pele da maga, provocando um arrepio excitado, nunca ferindo, mas sempre dando a sensação de que elas cortariam sua mão do pulso com uma facilidade assustadora.

—Posso controlá-lo... A besta. Ela está aqui ainda, mas posso quase que inteiramente controlá-lo. Todo seu poder flui fácil em mim. Percebi isso quando lutava contra Aaion. Apesar de ter tomado a forma da fera... a minha forma verdadeira... eu que estava no controle. Eu apenas me lembro de pensar: 'por que estou me dando ao trabalho de subjugar alguém tão fraco?’.

As garras contornaram seu pulso vagarosamente.

—Quando vi Rutti olhar em sua direção eu soube que ela pensava em te matar. Dessa forma ela me mataria também e ela e Aion sairiam livres. Eu fiquei furioso e me lembrei de quando ela tentou fazer você se curvar. Foi quando quis que ela também se ajoelhasse por pensar em fazer isso com você. Fiquei tão surpreso quando você quando minha ordem teve efeito nela.

As garras foram lentamente retornando a mão humana original. Lucy apertou os lábios.

—Quer dizer que agora você e tipo um lobo alfa que controla os outros? Você pode controlar todo mundo?

Acnologia inspirou antes de responder.

—Eu não sei. A extensão disso é algo que vou ter que descobrir com o tempo, embora tenha certeza de que posso mandar Natsu limpar a bagunça que fez na guilda.

A maga ergueu as sobrancelhas, interessada.

—Hum...- Quase podia ver as engrenagens girando com as formas que poderia usar isso para compensar os anos que o caçador a colocou em furadas.

—A outra coisa que tenho certeza é que não posso dar ordens para você.

—Oh!- Ela exclamou, unindo as sobrancelhas, mas logo em seguida retorceu o corpo como um gatinho, sorrindo e tirando algumas mechas da face. — Não se preocupe senhor rei. Farei questão de atender suas ordens.

Sorriu, a agarrando pela cintura e se projetando para cima do corpo dela.

—Lucy Heartphilia! — Brandou em falsa braveza.

E a beijou.

Notas finais
Demorou para um caraleo. Eu sei que esta cheio de erros mas eu cansei de tentar corrigir e atrasar ainda mais. Vida que segue sem beta. Eu planejei um final mais complexo, mas acabou que não saiu como eu planejei e eu desdobrei isso nos próximos caps. Eu também prometi postar a parte 2 do cap do problema interdimensional, mas adivinha so EU NAO CONSEGUI TERMINAR E ENTAO RESOLVI SOLTAR O PRÓXIMO ANTES QUE VCS VENHAM COMER MEU CU. Isso se alguém ainda ler esta merda. Agradeço a todos os comentários e mensagens no direct que não me deixaram desistir. Responderei em breve. O próximo cap ja esta pronto e sai semana que vem. Ou mês que vem. Vai depender dos comentários e SIM EU VOU MENDIGAR. Beijos na bunda de todos vocês e se preparem pro hot ficar quente HEHEHEHE Eita dei spoiler.