A Arte do Caos
36 Um novo amigo, um grande amigo.
Ao contrário dos outros, deu graças a Deus quando começou a ver o céu negro e os dedos da névoa no horizonte ao longe. Isso significava que estavam chegando à ilha. Estava de boa por que Wendy usou a magia de Grandyne para que não vomitassem as tripas e chegassem acabados, mas sentia que o efeito passaria em breve. Escorou no para peito do navio, analisando o horizonte negro que se apresentava.
Sentiu a presença de Viego ao seu lado, mas não se virou para olhá-lo, continuando a analisar a névoa.
—Tem certeza que consegue nos deixar indetectáveis? — Questionou.
—Treash vai conseguir sentir nossa presença em algum momento quando chegarmos perto do núcleo da ilha, mas consigo manter nossos números camuflados. Ele nos sentirá chegando, mas não saberá nos identificar. Se conseguirmos quebrar o receptáculo de seus espíritos, o domínio de toda a névoa negra será meu e poderei arrancar a imortalidade dele.
Apertou os olhos quando finalmente começaram a entrar na neblina negra. Pouquíssima luz passava pela névoa, não que fizesse diferença para seus olhos. A névoa não os atacou, tal como Viego havia dito, mas seus movimentos agitados continuavam a deixá-la assustadora.
—O que ele pode fazer?
Viego mudou o peso da perna antes de responder.
—Ele ganha poder das almas que coleta. Pode invocar os monstros da névoa, além de ser um guerreiro traiçoeiro.
—Pensei que você controlava essas criaturas.
O rei negou com a cabeça.
—Controlo os espectros apenas. Só posso controlar as almas dos que matei com minha espada. Ele pode controlar as almas mortas pela névoa.
A costa rochosa da ilha finalmente foi avistada. As rochas das antigas construções destruídas pelo tempo e pelo mar, algumas rochas flutuavam pela névoa negra, o brilho reluzente das almas em meio a ela. A neblina densa parecia querer devorá-los no instante em que se aproximaram da ilha, mas então a coroa de energia esverdeada com azul surgiu na cabeça de Viego. Com um movimento de mão, a névoa recuou, passando de agressiva para protetora, esgueirando seus dedos ao redor do navio.
Aquilo lhe deu um arrepio.
—O que é esse receptáculo?
—A lanterna. Ele carrega uma lanterna como uma lamparina. Ele as armazena e usa sua energia para controlar os espectros. Ele usa uma sentença, um gancho para arrancar as almas das pessoas. Se estiverem debilitadas ele consegue arrancar. — Viego o encarou. — Não podemos deixar que ele consiga fazer isso com Lucy. Ele pegará a alma das duas.
Viego estremeceu quando os olhos do dragão se tornaram vermelhos e um sorriso macabro brotou em seus lábios.
—Ele não vai encostar nela.
O barco ancorou com um baque ao lado de uma rocha pontiaguda da ilha. Serviria de ponte para descerem.
O time desembarcou e o capitão — que suava nervoso – Prometeu que voltaria para buscá-los em 6 horas, mas não esperaria mais que 15 minutos. Não o culpava por isso. A névoa das ilhas não fazia bem a aqueles que queriam continuar vivos.
—Vamos. — Erza ordenou. Sua armadura brilhou e ela mudou para uma negra com uma espada vermelha. — Viego você nos guia.
Ele maneou a cabeça, andando na frente. Acnologia foi logo atras e manteve Lucy ao seu lado.
As ruinas milenares do que um dia foram as ilhas despontavam em meio a uma paisagem tenebrosa. As árvores cresciam sem folhas, as trepadeiras invadiam algumas construções, as casas de pedra desmoronavam nas laterais. À medida que iam para o centro da ilha, mais construções apareciam, porém, eram mais complexas que as outras. Templos, praças, o que um dia foram fontes decorativas, e no centro uma arquitetura no nível de um palácio. Bom, isso se não estivesse em ruínas.
—A antiga fonte das águas está embaixo do templo. — Viego declarou. — Fiquem alertas. Ele ainda pode usar os runas da ilha para canalizar a névoa para si.
O gancho da sentença passou a centímetros da cabeça de Erza, mas ela foi rápida o suficiente para desviar. O gancho acertou uma velha casa que desmoronou ao ter sua parede lateral destruída. Os olhos do grupo seguiram a corrente que começou a ser recolhida até sua origem.
Uma caveira verde ocupava o lugar que deveria estar o rosto, com chamas verdes ao seu redor, vestida com uma armadura estranha e um sobretudo antigo e clássico. Sua mão direita estava o gancho da sentença e, na esquerda, uma lanterna verde que pulsava.
—Trash! — Viego gritou.
Em um instante o rei estava vestido com uma armadura completa e sua espada estava em suas mãos. Ele teleportou, envolvendo-se na névoa e atacou o carcereiro.
Entretanto, o homem era esguio. Ele usou o gancho e a névoa para parar o ataque, empurrando Viego para trás.
A risada dele arrepiava até o ultimo fio de cabelo.
—Seu poder é meu aqui, Viego. — A voz espectral ressoava mortífera. — Não vamos nos delongar mais. Mil anos já foram o bastante.
E ele ergueu a lanterna. Subitamente ao seu redor começaram a se erguer paredes verdes, quase transparentes, na forma de um pentágono enorme cobrindo uma área bem grande. Dentro do pentágono começou a sentir sua magia ser sugada.
—Não tentem passar pelas paredes! — Viego advertiu.
Treash riu e lançou mais uma sentença, dessa vez na direção de Lucy.
Acnologia se transformou rápido em sua forma humanoide e entrou na frente. O gancho e a corrente se enrolaram em seu braço.
—Tolo! — Treash debochou antes de puxar. — Sua alma agora é minha!
Os pés de Acnologia cravaram no chão e ele usou sua força para puxar de volta. Incapaz de contrapor a força do dragão, o carcereiro se reposicionou e, com um movimento fez a corrente se desenroscar e voltar a sua origem.
—Como? Como sum ser sem alma pode viver? — Ele não parecia muito feliz.
Ah, agora tinha entendido. Sua alma estava dentro de Lucy. Não tinha como puxar uma alma de um corpo que não é mais seu receptáculo.
Isso era uma faca de dois gumes. Agora não precisava temer a sentença, mas se ela tocasse em Lucy já era.
—Todo mundo, ataque ele! — Erza ordenou. — Acnologia cuide para que essa sentença não possa ser usada!
Se antecipando a isso, vários espectros da névoa de Treash começaram a sair da lanterna, um exército interminável deles.
A batalha começou pra valer. Todo o time tentava liberar o caminho, impando aquelas criaturas medonhas para abrir caminho para que Natsu, Erza, Viego e Acnologia atacassem o seifador, mas não parecia ser muito efetivo.
Quanto mais tempo passava mais ficava óbvia a razão para aquilo. A caixa drenava suas magias e os colocava em um estado exaustivo de combate. Em breve ficaria sem magia e o maluco da lanterna poderia usá-la para si. Algum instinto em sua cabeça lhe dizia que seria uma má ideia tentar atravessar aquela parede da barreira, então teria que dar um jeito de acabar logo com isso, ou as coisas começariam a complicar.
Acnologia agarrou a sentença, mas o velho era esguio. Ele conseguia evitar a espada de Viego, que parecia cada vez mais cansado. De fato, ele tinha dito algo sobre não poder usar seu poder total já que Treash o sugava e o bloqueava em algumas coisas.
Suas chamas pareciam assusta-lo. Gostou disso, mas não poderia atacar o ceifador se tinha que ficar a cabo de segurar aquela corrente, caso contrário seria a alma dos seus amigos em jogo. Impediu-o de jogar a sentença em Erza. A cabeira bufou, nitidamente irritada com sua intromissão. A lanterna o provia com um escudo poderoso e difícil de atravessar.
Algo lhe dizia que a espada rúnica conseguiria fazer estrago, mas Viego estava fraco. Ele era o coração da nevoa negra, mas Treash sabia manipula-la, como um dos primeiros habitantes das ilhas. Uma ideia passou por sua cabeça.
Fechou os olhos. Precisava da besta.
`Vamos dar poder a ele.`
“O que?”
Ela não gostou da sua idéia. Claro que não, mas não tinha tempo para isso.
`Prefere que a magia de Lucy acabe e a gente morra?`
Foi direto. Não tinha tempo de conversar com aquele lado irracional que só Lucy conseguia dobrar. A menção de Lucy morta era o bastante.
O poder doce e sombrio daquela fera o percorreu de forma brutal. Seu corpo mudou, tornando-se a fera negra e impiedosa que apareceu apenas algumas vezes nos últimos anos. Seu trunfo.
Seus sentidos estavam ao máximo, o que lhe permitiu investir de forma rápida e agarrar a corrente com as garras. Fincou as garras dos pés no chão e enganchou as asas e a calda nas construções mais próximas. Não permitiria que aquele gancho saísse de suas mãos novamente.
Olhou para Viego. Sua espada estava apoiada no chão e ele estava com o joelho dobrado. Apesar de seu estado prostrado, seus olhos refletiam fome, vingança e vontade de lutar.
Só esperava que ele não fosse queimado vivo.
Seu círculo mágico apareceu embaixo dele. A insígnia talhada do dragão do apocalipse. Suas chamas o engoliram, a magia entrando em sua armadura e espada.
Havia uma magia antiga que permitia um dragão ceder temporariamente seus poderes a alguém, o problema era o poder que isso custava. Uma de suas reservas inteira foi sugada. Arfou com a perda abrupta de poder. Tinha que sustentar a magia.
Quando as chamas acabaram, Viego sentiu seus sentidos mais afiados, seus olhos viam coisas que não eram capazes antes e seu cansaço foi substituído por uma força enorme. Ele o encarou.
—Mata logo esse desgraçado!— Gritou sem tempo para dar mais explicações.
Mesmo com seu poder enorme, sustentar aquilo, ter a magia sendo sugada pela caixa e ainda manter a sentença de Treash presa, era algo que estava consumindo cada gota de esforço e magia.
Ele pareceu entender isso por que partiu para cima.
O ceifador não contava com a melhoria de sentidos que deu a Viego. A maestria do velho rei com a espada e o combate se fez clara. Ele aproveitou a brecha que Natsu e Erza criaram, desviando-se de suas correntes e garras e cortando a lanterna ao meio. A espada, banhada com chamas, atravessou-a como manteiga.
—Não! — A caveira gritou, tentando segurar a lanterna.
Os espíritos saíram de seu aprisionamento com um barulho horrendo e, antes que o carcereiro se recuperasse, Viego o rasgou ao meio.
A caixa desapareceu, assim como o corpo e espirito de Treash.
Caiu de joelhos no chão assim como a maioria dos magos, e desfez sua transformação. Exaustivo. Sua magia tinha ido quase toda pro saco. Tinha gastado a maior quantidade de magia que se lembrava.
Isso não combinava nadinha com a exaustão das últimas semanas que passaram nessa missão. Seu corpo doía.
Queria uma cama.
~*#*~
—Terminamos o trabalho. Alguém me explica o que estamos fazendo nesse lugar? Ele me dá calafrios! — Gray resmungou, enquanto olhava freneticamente para os lados.
Os espectros da névoa faziam sons de arrepiar a espinha, as almas sendo libertadas em um fluxo constante. Arrepiava os cabelos da bunda.
—Precisamos de um plano. — Lucy declarou. — Lahar pode estar disposto a negociar, mas tenho certeza que se Viego pisar naquele píer, o conselho pedirá a execução. Precisamos de uma forma de mantê-lo viável para que o mesmo perdão concedido a Acnologia e a Jellal sejam validados.
Acnologia suspirou, sentado e apoiando os cotovelos nos joelhos e, com os dedos transformados em garras, voltou a esculpir o pequeno toco de madeira. Um hábito que adquiriu.
Erza empurrou a lenha para dentro da fogueira com a ponta da espada.
—Um uso público. — Ela falou. — Naquela época o conselho precisava de cães de caça, por isso aceitaram os dois. Agora não precisam de mais. O que usaremos como desculpa?
Viego se sentou na roda, abaixando a cabeça e coçando os cabelos, recostado no muro de pedra antiga que talvez fosse um canteiro um dia.
—Desculpe por fazer vocês passarem por isso...
Sua voz estava gasta. Mil anos de maldição, talvez Lucy e seus amigos pudessem trazer Isolde de volta, mas isso não significava ter uma vida. Seriam caçados onde quer que fossem. Não era isso que queria para sua amada, mas era uma consequência que teria que arcar.
—Se eles reclamarem a gente só queima todos eles na porrada.
Natsu e suas soluções simplistas. Revirou os olhos.
—Isso, cace guerra com o próprio reino. — Levy ironizou.
—Eles precisam de uma arma bélica. — Gajeel interveio.
Todos olharam para o caçador que estava escorado no que um dia foi uma antiga pilastra estilo gregoriana.
—O que?
Ele suspirou antes de explicar.
—É informação confidencial. Os reinos de Gália e Freyord estão a ponto de declarar guerra. A única coisa que os impede de fazer isso é Fiore estar parcialmente no meio do caminho, territorialmente falando. O rei tem negociado e, uma das coisas que ainda os mantem no lugar, é o fato de Fiore ter magos poderosos e dois dragões que podem ser usados como armas bélicas.
Acnologia e Baskin. Os dois reinos faziam fronteira com Fiore, uma guerra em larga escala os obrigaria a passar pelo território do reino. Nenhum dos estados vizinhos queria guerra e Fiore muito menos. Dragões equivaliam a legiões inteiras, não só pelo poder destrutivo, mas por sua capacidade irrestrita de locomoção e por serem ridiculamente difíceis de abater. Eram um tanque de guerra móvel e inteligente.
Se o reino entrasse em guerra todas as guildas eram convocadas, isso incluía os dragões.
—A única forma de salvar o pescoço de Viego é ele concordando em ser um novo recurso bélico do reino.
Viego o encarou e falou com a firmeza de um rei.
—Eu serei o que vocês julgarem necessário que eu seja. Se isso vai me permitir ter Isolde de volta e ter uma vida, eu aceito.
Lucy pode ver a firmeza nos olhos verdes. Apoiando os braços nos joelhos, inclinou-se para frente e disse:
—Conte-me mais sobre o conflito.
~*#*~
—Eu quero fazer um acordo. — Lucy declarou a Lahar assim que desceram do píer.
Ao notar a ausência de Viego e o olhar decidido de Lucy, o conselheiro não teve escolha a não ser levá-los para o escritório privado e ouvir.
—Que tipo de acordo, Lucy? — Questionou, depois de servir um chá para todos e sentar-se no sofá da frente.
Ele tentava ignorar o arrepio que Acnologia lhe causava, escorado na parede ao fundo da sala. O barulho sinistro das garras de seus dedos passando pelo toco de madeira, moldando-o como se afiasse uma faca na pedra, subiam um alerta por sua espinha. Por alguma razão sentia sua gana protetora de uma forma um pouco mais sinistra, e evitava olhar em sua direção. Não gostou nenhum pouco da sensação.
—Providencie uma cidadania para Viego e Isolde viverem em Fiore, e uma alforria por seus crimes. — Foi direta.
Lahar depositou a xícara no pires com cuidado. O que ela pedia era loucura. Ninguém concordaria. Entretanto, como o histórico mostrava, duvidar das razões da Fairy Tail em proteger alguém poderia ser algo bastante catastrófico. Além disso não podia usar a palavra ‘impossível’ pois já havia tornado isso possível para Acnologia e Jellal. Ambas as adições tornaram o reino de Fiore incrivelmente mais poderoso, influente internacionalmente, e suas contribuições em missões importantes eram inquestionáveis, lhe dando uma influência ainda maior no conselho mágico e no próprio governo. A palavra do rei de Fiore tinha um peso, mas agora ela era forte como aço.
—Poderia me dizer o porquê? — Perguntou.
—Ninguém jamais concordará com isso! — Seu companheiro, Gairo, emburrado por outro lado tinha outros planos.
Lucy o encarou frígida, como se já esperasse por isso.
—Vão sim por que vocês estão desesperados por magos poderosos. — Afirmou. Lahar apertou os olhos. — Eu sei sobre a tensão com os países do norte. Gália e Freiord estão querendo reavivar uma guerra, e o reino de Fiori está no meio. A única coisa que mantem a paz agora é o fato do nosso reino estar no meio do caminho e impor um problema territorial para o conflito. O Rei nem o Conselho querem entrar em uma guerra e escolher um lado. Uma guerra obrigaria nossos aliados a decidirem lados também. A única opção viável é que os outros reinos permaneçam neutros ao conflito e que Fiori tenha poder o bastante para manter a tenção apenas em palavras rudes, como já tem feito usando as guildas como a Fairy Tail, os magos santos e Acnologia para isso. Você não foi promovido atoa.
Lahar se aprumou. Então ela sabia. De fato, os conflitos estavam esquentando, e, por mais louco que pareça, a única forma de manter a paz era o reino de Fiore se provar como soberano fazendo com que ambos os reinos ficassem com medo de uma retaliação. Devido ao ódio entre as duas nações a solução para a paz era bastante arcaica: quem começar essa guerra receberá, ao raiar do dia, o rugido dos dragões e uma pitada de Eterion no café. Quem tem a arma maior dita a regra do jogo, e ter alguns trunfos na manga era algo vital.
Gairo ia dizer algo, mas levantou a mão para impedi-lo.
—O que propõe? — Foi direto.
—Use Viego da mesma forma que tem usado Acnologia, Baskin e todos os outros. Ofereça um acordo em troca do uso bélico. Ele permanecerá sob custódia da Fairy Tail e sob minha observação. Acnologia é o único capaz de freia-lo. O Rei Destruído é tão poderoso quanto suas lendas dizem, então acredito que se encaixe naquilo que vocês estão procurando. Além disso, informe que nossa guilda não está disposta a abrir mão deles, e que um conflito interno seria bastante problemático em um momento delicado como esse. — A proposta não era apenas um acordo vantajoso, era uma ameaça.
O fato da névoa negra poder ir a qualquer lugar do continente sem aviso prévio e causar a destruição que presenciaram nos últimos anos era um trunfo poderoso, e ter aquele que a controla mais ainda.
Estava presente quando foi convocado para a primeira reunião que tentava apaziguar o conflito das duas nações. Foi intrigante observar o rei de Fiore negociar enquanto os dois monarcas trocavam insultos. Em um momento de fervor das duas partes, que tentavam pressionar para que o reino das fadas se unisse a um deles, seu rei calmamente disse que se ambos não se comportassem, talvez um dragão negro aparecesse em suas janelas pela manhã.
O poder daquelas palavras fez ambos os lados se sentarem e passarem o resto da reunião civilizadamente, e qualquer ideia de invadir Fiore foi pelos ares. Nenhum acordo foi firmado, mas ambos os reinos se tornaram mais cautelosos com a retaliação vinda do reino entre eles.
Acnologia era uma arma bélica, e ironicamente era a razão da guerra ainda não ter estourado. Isso e as armas famosas do conselho mágico.
De qualquer forma o conflito precisava ser mais suprimido. Se ambos entrassem em guerra, mesmo que Fiore não entre em nenhum lado, inevitavelmente o conflito invadiria suas fronteiras e, não importa o poder bélico do rei dos Dragões, do Rei do Gelo, ou qualquer outra coisa; nenhum reino era capaz de lutar em 2 frontes para se defender, manter o país e ainda receber refugiados de toda parte.
Não sabiam que o Rei Destruído era o rei da antiga Camavora, entretanto uma vez que esta informação foi comprovada, isso tornava o acordo ainda mais benéfico. Em seu reinado, Viego sozinho foi capaz de forçar a paz entre 4 reinos diferentes: Noxus, Demácia, Piltover e Haru. Tornar essa informação pública depois de torna-lo um aliado de Fiore colocaria ainda mais pedras em uma guerra entre Gália e Freiord, especialmente por que Freiord tinha pavor do Rei Destruído e de sua névoa negra.
Uma velha lenda dizia que se a espada do Rei se erguesse para o norte, os Observadores – criaturas míticas, deuses do gelo negro – voltariam para esmagá-los. Talvez a névoa possa fazer ainda mais do que imaginava.
Lahar coçou o queixo por um segundo.
—Gairo, avise aos conselheiros e ao rei que teremos uma reunião amanhã.
Gairo não pareceu satisfeito ou de acordo com sua decisão, e saiu sem dizer uma palavra, pisando duro e batendo a porta com força.
—Ele não parece contente. — Lucy comentou.
O conselheiro pegou sua xícara e deu mais um gole antes de responder.
—Ele é jovem, como eu já fui. Um dia vai entender que as vezes vale a pena passar alguns panos para se ter um futuro. Se este acordo vai parar uma guerra que matará milhares, eu prefiro fazê-lo, mesmo que signifique perdoar um assassino. — A indireta também foi para o Rei, mas ele não estava nem aí.
—Obrigada. — Ela devolveu com um sorriso.
Depositou a xícara vazia na mesa e complementou.
—Eu cobrarei por esse favor Lucy. Vou colocar minha reputação em risco para conseguir um outro acordo dessa magnitude.
A maga apertou os olhos.
—O que quer?
—Apoio. — Foi direto. — Já fazem muitos anos que não gosto de algumas condutas no conselho, quero promover reformas no exército, inibir comportamentos abusivos e muito mais. Entretanto não posso fazer isso sem poder. Em alguns anos vou tentar chegar a liderança do conselho mágico, e quero a Fairy Tail me apoiando, e todos os contatos que vem com a guilda, é claro. — Sorriu ao finalizar.
A razão da Fairy Tail dar nos nervos do Conselho Mágico não era apenas pela quantidade de magos poderosos e anormais da guilda; A maior parte das guildas e pessoas poderosas do país gostavam da guilda das fadas, eram amigos dos magos que os apoiariam contra o Conselho mágico. Se uma guerra civil se instaurasse, o conselho não teria a menor chance. Mais uma razão para pegarem tanto no pé.
Lahar já tinha se provado bastante alinhado com as diretrizes da guilda. Se a razão pelo qual faziam algo era justa, ele ajudava a limpar a barra.
—Isso eu posso fazer.
O sorriso dele aumentou.
—Ótimo! — Exclamou. — Onde Viego está?
—No mundo celestial.
Piscou. A maga era esperta. O velho rei seria preso no segundo em que pisasse em Águas de Sentina. Mandá-lo para o reino dos espíritos o forçava a ter essa reunião.
—Bom. Então vamos por algumas regras. — Murmurou. — Mackrov está ciente de que ele será membro da guilda?
—Sim. Falei com ele por lácrima enquanto estávamos no navio. Ele concordou.
Balançou a cabeça positivamente.
—Informe a Viego como são as regras do Reino e da Guilda. Atualize-os. Ele e Isolde. 1000 anos se passaram eles vão precisar. Vou precisar de tempo para providenciar a documentação. Ele está sob sua responsabilidade, então qualquer coisa que acontecer também será uma violação ao seu acordo.
—Estou ciente.
—Bom. Nada de missões chamativas. Missões pequenas. Não quero que as pessoas o associem ao Rei Destruído tão rapidamente. Provocaria um surto coletivo. Não peguem missões classe S ou de grandes proporções pelos próximos 2 ou 3 meses.
Lucy vincou as sobrancelhas.
—Eles não são perigosos.
Lahar respirou fundo, e pegou o bule para se servir com mais chá.
—Lucy, infelizmente não tenho uma forma educada de dizer isso a você, então me desculpe por ser rude. — A encarou. — Você dorme com alguém que é o maior pesadelo de nações inteiras, e é o motivo de grande parte delas não quererem confusão com Fiore. Um de seus amigos é o Rei dos Dragões de gelo, que também é a razão de muitos temerem Fiore. Você se acostumou a ver Acnologia destruir ilhas inteiras, mas esse poder vai muito além de qualquer senso comum, e a única razão para não ter medo dele como eu tenho agora é por que você o ama e, seus colegas da Fairy Tail, são tão longe do senso comum quanto, o que, em uma analogia, se torna normal uma vez que doidos não enxergam outros doidos como doidos. Ah, e não vamos esquecer que você acaba de fazer amizade e afiliar um Rei lendário e poderoso de um reino de mil anos atrás, que me fez deslocar 5 batalhões para proteger uma orla. Então me perdoe, mas você não é parâmetro para entender o que as pessoas comuns temem.
A fera rosnou dentro de Acnologia com a audácia de Lahar.
Lucy sorriu amarelo. Tinha merecido essa.
Sabendo que tinha vencido essa parte da discussão, o conselheiro levou a xícara a boca e finalizou.
—Sem missões chamativas. E enfie os dois em algum buraco até o fim dessa semana para que eu providencie os documentos. Não quero incidentes antes disso.
~*#*~
—Consegui. — Lucy informou, assim que tirou Viego do mundo celestial.
O velho Rei lhe deu um abraço apertado por impulso.
—Obrigado! — Exclamou.
O rosnado de Acnologia o fez pular para trás. Quando a soltou ele automaticamente passou um braço pelos ombros da maga, e seus olhos felinos se mantinham em si, desafiando o a tentar toca-la de novo.
Não teve tempo de pensar sobre isso. Natsu pulou em suas costas e enganchou seus ombros com o braço
—Bem vindo a guilda! — Ele exclamou, bagunçando seus cabelos com a mão livre.
De todos os magos, Natsu era aquele que mais facilmente se enturmava e perdoava. Era uma característica louvável sua incapacidade de guardar rancor, e de saber identificar pessoas ruins.
Isso o surpreendeu. Ergueu a cabeça e viu todos aqueles magos sorrirem e lhe darem boas-vindas.
—Seja bem-vindo a família Viego. — Erza falou de forma mais astuta.
—Obrigado. — Respondeu verdadeiramente grato.
Há muito não encontrava pessoas genuinamente gentis e conviver com espíritos que matou em uma ilha não fez bem a sua cabeça.
—Vocês vêm com a gente? — A ruiva questionou a Lucy.
—Ah, não. Vou resolver o problema de Isolde dentro de mim primeiro. Vamos para a guilda em alguns dias, provavelmente.
A capitã concordou positivamente.
—Vou pedir Mira para já adiantar a papelada então. — Disse para logo em seguida ditar ordens. — Todos vocês para os trens! Já passamos tempo demais aqui. Natsu, Gejeel! Se vocês nos atrasarem outra vez serão punidos!
—Essa é a nossa deixa. — Acnologia falou, subindo a mochila nas costas e puxando Lucy consigo.
—Vamos. — Ela chamou Viego.
Depois de mais ou menos 15 minutos de caminhada, já tinham entrado na mata, longe do porto. Mais alguns minutos e estariam distantes o bastante.
—Por que estamos em uma floresta? — Viego questionou.
A dúvida já perdurava em sua cabeça há algum tempo, mas não quis ser mal educado. Lucy riu, entrando na pequena área menos arbórea e cheia de coqueiros do lugar.
—Acnologia não pode se transformar em uma cidade. — Respondeu, pegando a mochila do companheiro. — As pessoas entrariam em pânico.
As sobrancelhas brancas vincaram.
—Transformar?
Em sua mente veio aquela forma humanoide diacrônica da batalha, mas em alguns segundos notou que sua imagem estava totalmente errada.
Acnologia entrou em chamas e, segundos depois, um enorme dragão negro que quase passava a copa das árvores apareceu em seu lugar. Quase caiu para trás. Já tinha ouvido muito sobre, mas nunca tinha visto um dragão a sua frente. Intimidador não era a palavra correta, mas era a mais próxima que achou.
A fera abaixou a frente e, sem hesitação alguma, Lucy subiu em suas costas, agarrando seus chifres como apoio.
—Ele ainda fica maior. — Ela o informou. — Vamos. Quero falar com Shinuky ainda hoje.
Maior.
Horripilante.
Seguiu a maga, olhando o tempo todo para os olhos e a boca de Acnologia, buscando qualquer sinal de que ele o atacaria. Os olhos azuis se reviraram percebendo seu medo.
Quando voaram o dragão atravessou rapidamente as nuvens, usando-as para ficar longe dos olhos populares. Quando atravessaram a camada branca, Viego viu o que elas escondiam, e ficou sem fôlego. O sol refletia em laranja nos montes brancos, o azul e o roxo vinham para lembrá-lo das cores no fim da tarde. Era uma visão estonteante.
—Uau! — Exclamou.
Lucy riu ao seu lado. Ao contrário dele ela não se agarrava aos chifres de Acnologia como se sua vida dependesse disso. Sua confiança era tanta que ela sabia que não iria cair.
—Eu disse a mesma coisa quando ele me trouxe para voar pela primeira vez. — Confessou. — É lindo, não é? Não importa o quanto eu fique pra baixo, essa vista sempre me volta os ânimos.
Viego acenou positivamente.
—Imagino. — Mas não se sentia tão a vontade quanto Lucy, sentindo a besta de pura magia selvagem logo ali, e estando a centenas de metros do chão.
Mas por um segundo imaginou-se dividindo aquela visão linda e esperançosa com Isolde, e, se tudo desse certo e a amiga de Lucy fosse mesmo tão talentosa assim, em breve poderia. Um bolor de esperança encheu seu estômago com a expectativa. Depois de mil anos...
—Não pense que verá isso muitas vezes. — Acnologia falou, só para sacanear.
Tinha percebido que Viego tinha relaxado um pouco em suas costas. Algo que mudou rápido com sua voz dracônica.
—Eu... — Ele tentou dizer algo mais interrompeu.
—Chegamos.
Em meio a floresta densa pode ver uma casa em um lugar quase inacessível para pessoas normais, na encosta de uma montanha tropical. A casa era relativamente pequena, mas moderna e incrível. Enormes janelas de mais de 4 metros se estendiam na lateral da parede, dividindo espaço com a madeira e pedras que compunha a outra parte da casa. Um chalé maior e moderno. Incrível.
Ao lado um pequeno córrego improvisava uma cachoeira modesta, que fazia queda na lateral onde o vidro daria uma vista sensacional.
Acnologia aterrissou em frente a porta de madeira, se destransformando quando saíram de suas costas.
Nem precisaram bater na porta de madeira talhada com um adorno da rosa dos ventos. Ela se abriu, revelando um homem alto de cabelos negros, sem camisa, segurando uma xícara de chá, e os olhos com íris que constantemente mudavam de cor como as nebulosas do espaço, cheias de poeira das estrelas. Ele se escorou casualmente no batente, cruzando os pés descalços.
—Quanto tempo Lucy. — Ele cumprimentou antes de levar a xícara aos lábios.
—Sky! — Exclamou. — Apareceu finalmente! — Zombou.
O companheiro ridiculamente poderoso de Shinuky: Sky, o dragão das estrelas capaz de controlar tudo que o universo compunha. Ele dava uns sumiços as vezes e voltava. Shinuky gostava de se envolver no mundo humano, e Sky gostava de liberar seus poderes em alguma outra dimensão onde não machucasse ninguém. Apesar dos meses afastados, quando se reencontravam passavam séculos juntos outra vez. Uma dinâmica livre na relação dos dois, e bastante curiosa.
—Não me provoque. — Ameaçou na brincadeira. — Vejo que trouxe um amigo...- Ele pausou, seus olhos mudaram para um azul brilhante enquanto olhava fixamente para seu peito. — Ou amigos.
Sorriu amarelo.
—Precisamos de uma ajudinha. — Admitiu, sabendo que ele notou Isolde.
Sky suspirou. Assim como Acnologia, ele não gostava de dividir seu tempo com sua companheira, mas ao contrário do Rei, Sky era educado.
—Entrem. — Disse entrando na casa e liberando a passagem da porta.
O seguiram, encontrando Shinuky pouco mais a frente, na cozinha, colocando uma bandeja com alguma coisa no forno.
—Shinuky! — Lucy cumprimentou alegra, saltitando até o balcão de granito que fazia a divisória da cozinha com a sala.
—Lucy! — Ela respondeu de volta, aproximando-se. — Eu vou ficar magoada. Você só me visita quando tem um espirito dentro do seu corpo e quando seu novo amigo é um rei louco? — Fez um biquinho falso.
A maga apertou os olhos.
—Como...?- Mas se interrompeu.
Shinuky era Shinuky. Aquela praga conseguia informações sabe-se lá como. Não duvidava nem mesmo que ela soubesse quantas vezes o rei de Fiore ia ao banheiro por dia. De que buraco ela tirava isso era um eterno mistério.
Cruzou os braços.
—Nós te visitamos a poucos meses. Você é esguia e sabe disso. Some e reaparece do nada. Bem pior que Zeref! — Acusou.
A Dragõa lhe lançou um olhar desdenhoso.
—Você me visitou por que queriam saber mais o motivo de sua marca evoluir do nada em alguns momentos quando transavam. — O sangue subiu para suas bochechas com a vergonha, mas antes que se defendesse, ela interrompeu. — Mas admito que não sou fácil de achar. Então, o que lhe traz aqui hoje?
Antes que abrisse a boca para falar Viego o fez, expondo toda sua ansiedade com a questão.
—Eles me disseram que você poderia dar um jeito. Podia fazer algo para trazer Isolde de volta, e mover sua alma do corpo de Lucy. É verdade? — Cada uma de suas palavras revelava seu desespero, e seu olhos verdes refletiam sua angústia e esperança.
Shinuky o encarou, calmamente cruzando os braços sob o balcão.
—Viego, O Rei Destruído. O Monarca de Camavora, arruinado que enlouqueceu após a morte de sua rainha. — Fez uma pausa. Os olhos dracônicos refletiam os segredos que ela já sabia. — Eu adorava os doces que eram vendidos na praça central quando você era rei. Eu não esperava que ia conseguir suportar a maldição das ilhas. Impressionante sua alma e a dela não terem sido destroçadas. De fato, é tão poderoso como disseram.
Ela fez uma pausa, pegando um dos biscoitos no pratinho ao lado do bule de chá e o comendo, em uma ação muda que revelava que não diria mais nada sobre os tempos acidentalmente apagados da história. Os segredos que não voltariam agora.
—Sim, eu posso dar um jeito nisso. — A esperança brilhou forte nos olhos verdes, e Viego se apoiou na parede como se não pudesse acreditar no que ouvia. — Você é um baita sortudo sabia? Posso criar um corpo físico para ela, mas a magia de uma maga celestial que poderá colocar a alma dela em um novo receptáculo. Posso usar minha magia para fazer tudo isso, mas...
Seus olhos passaram para Acnologia.
—A marca está incompleta e o feitiço foi defeituoso. Será necessário a magia de um dragão poderoso que permita a existência dessa ligação falsa e tome a responsabilidade por ela.
Viego ficou ainda mais pálido do que já era.
—O que quer dizer com isso?
—Dragões e suas marcas são sagradas. — Disse Sky, que estava sentado no tamborete ao lado do balcão. — Para começar odiamos as fraudes e heresias que tentam fazer com uma ligação tão preciosa para nós. Isso significa que um dragão teria que não só usar seu próprio poder para conceder e finalizar sua marca como também teria que tomar frente para destruir qualquer um que tentasse questioná-la e revogá-la. Resumindo, outros dragões podem não ficar felizes com isso e tentar matá-lo, e ele teria que colocá-los em seu devido lugar.
—Nossa espécie respeita poder. — Disse Shinuky. — Você pode até ter se tornado poderoso, mas ainda não é um dragão, e somente um de nós pode repelir outros de tentar revogar uma decisão.
—Algum de vocês pode fazer isso?- A pergunta saiu esganiçada e desesperada de sua boca.
Ter o gostinho de esperança para logo sentir que ela poderia ser arrancada de si era a mais pura agonia do mundo.
—Impossível. Meu poder é incompatível, eu não fico nessa dimensão por muito tempo para dar conta de qualquer problema que aparecer e o poder de Sky é complicado. — Poder massivo demais para ser absorvido por aqueles dois. — Entretanto O Rei dos Dragões parece ter uma compatibilidade muito fortuita com você, além de ninguém ser capaz de questionar uma decisão do emissário do Apocalipse.
E os olhos espertos pousarão em Acnologia, que estava de braços cruzados atras de Lucy.
—Rei dos Dragões? Emissário do Apocalipse? — Viego questionou.
Acnologia suspirou.
—Isso e conversa para depois. — Respondeu.
Shinuky cruzou as mãos, apoiando os cotovelos na bancada e o queixo nas mãos cruzadas.
—Você concederá a marca a ele? — Ela perguntou direta.
Viego o olhou como um cão abandonado que caiu da mudança a muito tempo. Podia quase ver a alma que ele não tinha mais saindo do corpo de ansiedade por sua resposta.
Fechou os olhos, apertando-os com o polegar e o indicador, ponderando a situação. Aquilo seria outro tabu que quebraria tal como fez quando ajudou Baskin. Sua magia permitiria a ligação, assim como terminá-la caso Viego se tornasse uma ameaça.
Pela primeira vez em seu âmago não via tanto problema assim. Sua similaridade com o Rei arruinado lhe deu uma empatia muito irritante. Não duvidava que tinha feito a mesma cara que ele quando Lucy voltou para seus braços, do mesmo jeito que ele naquele quarto quando permitiu que Isolde viesse a tona no corpo de Lucy para dar um oi.
Mas não era o único a se considerar.
A besta ronronou em seu interior, andando por seu âmago, avaliando. Como o Rei que era ele se ergueu, brutal, expondo os dentes por um segundo. Aquela criatura também tinha sentido o mesmo que sentiu antes. Se Viego se tornasse um aliado... um amigo, não haveria nada entre o céu e a terra que pudessem temer. A névoa negra cobria suas fraquezas, sua força bruta mordaz cobria as dele. A magia de ambos era terrivelmente compatível.
Potencial que sentia que precisavam explorar. Lucy e Isolde, jamais seriam tocadas pela morte outra vez.
“Diga a ele”
Abriu os olhos, os azuis tornando-se carmesins, e se aproximou dele, impondo sua energia. Viego se inclinou para trás, sem entender.
—Se um dia tentar algo contra meu elo, contra Lucy, eu vou lhe enterrar em uma ruina muito pior do que passou nos últimos mil anos.
Viego se aprumou, os olhos verdes ganharam uma determinação incrível e, naquele momento, não estavam diante de um homem despedaçado, mas de um verdadeiro Rei que ele um dia foi.
—Já tenho um grande débito com vocês dois. Jamais faria algo contra Lucy. — Sua voz saiu firme e determinada, a coroa reluzindo com poder, rivalizando ao que Acnologia emanava.
“Bom.”- A besta aprovou.
—Eu quero sua palavra. — Acnologia declarou, estendendo a mão.
Um círculo mágico contornava seu pulso, reluzindo contra suas marcas tribais. Um contrato da verdade. Um elo onde suas palavras seriam contratuais, e, uma vez quebrado por qualquer uma das partes, resultaria em morte.
Viego encarou sua mão antes de sustentar seu olhar outra vez.
—Apenas se me der o mesmo. — Sua mão se estendeu, segurando a dele, mas um círculo mágico contratual verde reluziu ao redor de seu pulso. — Dê sua palavra que não fará mau a minha rainha.
O contrato era delicado. Não era a vida deles que estava ali, mas a de seus elos. Quem morrerá caso quebrarem o contrato será Lucy e Isolde.
Mas Acnologia não hesitou.
—Se cumprir com sua parte, então estará feito.
Os dois círculos de cruzaram formando uma corrente brilhante antes de sumirem, firmando o acordo.
—Já que resolvemos essa questão, vamos ao que interessa. — Shinuky saiu de trás do balcão, indo para o pequeno quintal da casa.
Mal pisaram na grama e ela já havia criado um enorme círculo mágico, seu símbolo adornado no centro, tomando boa parte da área do lugar.
—Eu vou pegar a alma de Isolde em Lucy. — Ela avisou. — Vê se não surta com isso.
E o processo começou. Não era segredo que Shinuky possuía uma quantidade enorme de magia, mas o que impressionava de verdade era sua facilidade em dominar qualquer uma delas e coloca-las em prática de uma forma eficiente e ridiculamente precisa.
Uma massa de energia começou a se formar no centro do círculo. Ela estendeu a mão e, com um simples gesto, sentiu a magia dela invadindo o corpo de Lucy e capturando a alma invasora. Apertou os dentes, segurando o forte impulso de repudiar o contato.
A alma de Isolde saiu, uma pequena esfera nevoada e branca, parecendo frágil como um floco de neve. Ela se juntou a esfera massiva de magia no círculo. Shinuky movimentou as mãos e as inscrições mágicas foram se moldando e modificando como as engrenagens de um relógio. A esfera desforme começava a tomar forma, unindo e decaindo, tomando a forma humanoide até que, por fim, o corpo de uma mulher de cabelos negros longos e vívidos emergiu, flutuando a poucos metros do chão.
—Isolde! — Viego exclamou, quase se jogando para cima dela.
Sky o segurou e apontou para o círculo mágico.
—Não interrompa.
Viego se encolheu. O desespero lhe subiu à cabeça. Seria estranho se depois de mil anos não o tivesse.
Shinuky olhou para Acnologia. O sorriso convencido nunca a abandonava, pois, de alguma forma, ela sempre sabia o resultado final.
—Quase pronto. Posso ter sua chancela, emissário do Apocalipse? — Ela desdenhou.
Suspirou. Não havia razões para não dar. Se Viego o traísse poderia revidar, destruindo a ligação. Deixou seu poder fluir. As chamas azuis tomaram conta do círculo, sendo absorvidas e entrando no corpo de Isolde.
Era uma sensação estranha, sentir sua autoridade de marca se estendendo a outra pessoa. Isolde nunca teria os dotes que Lucy possui e o único poder que teria sobre ela é sentir vagamente sua presença e destruir aquele elo quando bem quisesse. Se seu âmago não tivesse concordado, as chamas devorariam as inscrições, queimando a alma da costureira para sempre.
Shinuky estruturou a ligação com o poder dracônico, dando a ela estabilidade. Não seria, nem de longe, tão poderosa ou igual a sua própria, mas conectaria os dois pela eternidade e não mais destruiria a alma da rainha e de Viego.
Tinha que reconhecer que o Rei era poderoso e com culhões. Suportar a punição da conexão falsa e impedir que ela se rompesse exigia mais do que só poder, exigia vontade. Uma que poucos tinham no mundo.
—Agora o toque final. — Shinuky declarou.
Usando seu poder ela os enlaçou e colocou o corpo de Isolde em um quimono de seda branca, descendo-a para o chão.
A garota começou a despertar e, quando seus pés tocaram o chão, ela cambaleou. Viego correu em sua direção, não sendo mais parado por Sky, e a pegou nos braços antes que caísse.
—Ressurreição concluída! — A dragoa exclamou.
—Isolde? — Sua voz era baixa, mas esganiçada com tantos sentimentos que teve dó.
A costureira se apoiou nele, apertando os olhos, parecendo se sentir meio zonza e com dor de cabeça.
—Eu estou bem. — Ela murmurou, levando a mão a testa e a esfregando enquanto abria e piscava os olhos. — Funcionou? Eu me sinto meio zon...
Ela foi interrompida bruscamente quando o velho rei a abraçou forte, segurou seus cabelos e a beijou. Ainda parecendo zonza ela segurou nos ombros dele, retribuindo o amor que ele sentia. Depois de um longo tempo ele a soltou, ofegante e a abraçou, chorando.
Shinuky interviu depois de um tempo, colocando um clima mais ameno e os zuando sobre beijarem por tempo demais.
Olhou para Lucy, que ria da cena a sua frente, vendo Viego finalmente se revelar outra vez, saindo daquela pose fria, raivosa e insegura, enquanto voltava a receber xingamentos e tapas de Isolde pelas coisas que tinha feito, para logo em seguida receber beijos. Alegria substituiu toda aquela agonia e desespero.
Duas palavras que conhecia bem e ainda estremecia por lembrar.
~*#*~
—Sejam bem vindos! — Declarou Lucy quando passaram pela porta da pequena casa das montanhas. — Sintam-se em casa, até por que vocês vão ficar com a gente por um bom tempo. — Comentou empolgada.
Não recebiam visitas lá. Ao menos, que convidassem, e não as invasoras. A Fairy Tail não conhecia o conceito de convite.
Viego, que parecia incapaz de tirar Isolde de seus braços, passando-o possessivamente na cintura da velha maga costureira, analisou o lugar e, sorrindo, falou com a educação de um rei.
—Obrigado Lucy. Nem sei o que dizer sobre o quanto estamos em débito com vocês dois. Espero um dia ser capaz de pagar essa dívida.
Lucy balançou a mão, desdenhando.
—Não me deve nada. São nossos companheiros de guilda agora e nossos amigos.
Ela abriu um dos pequenos armários de madeira na sala, pegando travesseiros e colchas extras.
—O quarto de vocês e naquela porta ali. — Apontou para a pequena porta adiante no corredor que ficava após a porta da cozinha.
Tinham feito uma pequena expansão na casa a cerca de um ano e meio. As visitas que a guilda fazia eram mais frequentes, e não gostava de deixar seus amigos dormindo no chão. Além disso, todo ano Acnologia encontrava um caçador perdido durante alguma nevasca no inverno, tentando caçar raposas e linces da neve. Tinham que ajudar os pobres coitados para não morrerem de frio, enxotando-os com ameaças de como as montanhas eram perigosas assim que o sol se levantava.
Eles não cometiam o mesmo erro duas vezes.
Abriu a porta do lugar para apresentar a eles.
A cama era de casal, mas era pequena. Não tinha armário, apenas uma grande cômoda com gavetas grandes de madeira. Um criado mudo ficava ao lado da cabeceira e uma pequena porta para o banheiro ficava do lado direito. Não era la grande coisa, precisariam melhorar aquilo já que eles iriam morar ali até se estabilizarem e também durante o “expurgo”.
—Vamos ter que comprar um armário. — Acnologia declarou quando entrou lá, entregando um bolo de panos nas mãos de Isolde. — Peguei umas roupas minhas e de Lucy. Devem servir por enquanto.
Lucy terminou de ajeitar a cama e concordou com Acnologia, completando os planos.
—Podemos comprar amanhã, junto com as roupas novas. Vocês vão precisar.
Não era indelicadeza. Sua armadura era feira com a nevoa negra e não queria andar por ai com ela. Sinistra demais e não o deixava amigável para sua nova vida. Mas só conseguia ver isso como sua dívida aumentando. Era um rei, não estava acostumado a ter dívidas.
—Não precisa de tudo isso. — Isolde se apressou em dizer, notavelmente desconfortável também. — Já nos ajudou muito. Vamos conseguir dinheiro para...
—Não sejam idiotas. — Acnologia resmungou. — Vocês estão sob nossa tutela, esse foi o acordo. Além disso não tem um tostão e as missões só serão liberadas semana que vem.
Viego sabia que ele estava certo, mas ainda assim se sentiu ainda mais envergonhado e grato. Não podia se queixar, pois a única coisa que importava em sua vida estava agora em seus braços outra vez, mas seu orgulho de rei ainda se sentia incomodado. Não poderia deixar que Lucy e Acnologia ficassem com todo o trabalho. Iria se esforçar dali em diante para retribuí-los ao máximo para pagar aquela dívida impagável.
Antes que conseguisse devolver suas palavras Lucy falou:
—É isso. Acho que vocês têm muito o que conversar, quer dizer... mil anos e bastante tempo. Se sentirem fome fiquem livres para ir à cozinha. Eu estou exausta e acredito que vocês dois também. Descansem. Amanhã colocaremos vocês dois a par de tudo. — E saiu, fechando a porta para os dois.
E aparentemente sua dívida acabou de aumentar. Lucy percebeu que precisava ficar a sós com Isolde pela primeira vez em mil anos.
A porta mal se fechou e seus lábios capturaram a boca de Isolde, desesperado por ter seu amor de volta e repor todo aquele tempo perdido.
~*#*~
Assim que ela pregou os selos na porta do quarto, a envolveu com os braços, enfiando a boca em seu pescoço, mordendo a pele fina com os dentes afiados e sentindo a artéria pulsar sobre sua língua. Ronronou em deleite, deixando o cheiro dela lhe contaminar.
—Finalmente sozinhos. — Murmurou em seu ouvido antes de virá-la e puxá-la contra si.
Os seios fartos se espremeram contra seu tórax, deixando seus músculos duros em antecipação ao que viria. Lambeu os lábios quando os olhos castanhos se ergueram para encará-lo.
—Quase. Temos visitas no quarto ao lado.
Grunhiu, aproximando-se de sua boca doce.
—Irrelevante. — E a beijou com fome.
Suas mãos agarraram a bunda da maga, puxando-a para cima, fazendo-a enlaçar sua cintura com as pernas. Ela riu quando libertou seus lábios por um momento durante o movimento. Enfiou as mãos por baixo de sua blusa, espalmando as costas miúdas, enquanto ela se apoiava em seus ombros nus. Ela estava vestindo muita roupa para seu gosto. Queimou a regata e o sutiã, finalmente apreciando os seios dela diretamente contra sua pele.
Ela não pareceu ligar para seu vandalismo.
—Eu não entendo sua tara em me carregar. — Murmurou com um lindo sorriso no rosto. — Não que eu esteja reclamando, por que eu adoro, mas eu sou pesada, sabia?
Foi a sua vez de rir. Gargalhou, jogando a cabeça para trás e segundos depois voltou a enfiar o nariz em sua clavícula. Simplesmente adorava fazer isso e odiava qualquer espaço entre eles. Era prático.
—Até parece. — Desdenhou.
Nem precisava tentar se esforçar para carregá-la. Com a força que tinha o peso da maga poderia ser comparado a um travesseiro.
Lambeu seu pescoço até a orelha recebendo um suspiro de deleite. Colou a boca em seu ouvido para falar:
—Mas já que insiste...
Ela deu um pequeno grito quando se virou bruscamente e se jogou de costas na cama, deixando-a em cima de si. Ela levou um segundo para processar o que fez, apoiando as mãos em seu tórax. Sorriu, travesso, colocando as duas mãos atras da cabeça, e se afundando nos travesseiros.
Dessa vez não tinha que ter pressa. Poderia saborear o momento, brincar, fazerem o que quiserem. Sem mais tempos limitados e ausência de privacidade. Apenas os dois, a besta insaciável que agora controlava habilmente em seu interior, e a gloriosa primavera que vinha modesta, desabrochando as pequenas flores corajosas que despontaram primeiro nas montanhas.
Ela sorriu com seu claro pedido de “vamos lá, divirta-se e me use”, abaixando mais o rosto e reiniciando o beijo faminto.
Lucy facilmente cedia a seus desejos na cama sempre que queria, e na maioria das vezes era quem tomava a frente, por isso apreciava esses momentos em que se sentia controlado o bastante para deixá-la livre, com sua fome sob um certo controle. Sempre descobria algo novo para provocá-la depois nesses momentos. Era um deleite.
Ela quebrou o beijo, descendo um pouco por seu tórax, chegando na velha cicatriz, quase invisível, dando lhe um beijo. O ronronar que tremia eu seu peito se tornou mais rouco e espaçado. A reverencia que ela tinha consigo o fazia se sentir único e especial. Suspirou apreciando aquela sensação extraordinária.
Ela ergueu o corpo, arrastando as unhas por seu abdômen como uma gatinha preguiçosa. Uma de suas mãos foi para o short de lycra que usava. Os olhos castanhos lhe encararam pedintes.
—Uma ajudinha? — Solicitou.
Ok, isso poderia fazer.
Agarrou o pano bege e o queimou as roupas, levando junto também suas calças, e, assim que os eliminou do caminho, enfiou uma das mãos entre suas pernas, usando os dedos para explorar sua intimidade. Poderiam renovar o guarda roupas amanhã.
O cheiro delatava o quão excitada ela estava, estimulando seu próprio pau a querer entrar logo em seu corpo divino, mas sempre queria ter certeza que ela estava molhada o bastante para levá-lo. Enfiou dois dedos no recanto quente, usando o polegar em seu botão sensível. Ela jogou a cabaça para trás, gemendo, e seus quadris começaram a se mexer contra sua mão.
Rosnou satisfeito e retirou os dedos, voltando a manter as mãos atrás da cabeça, em um claro sinal de que ela teria que se virar. Ela o olhou um pouco indignada por ter parado. Achou graça e sorriu, mostrando os dentes.
Ela agarrou deu pau e seu sorriso morreu, transformando-se em um suspiro ansioso pelo que viria. Lucy o guiou para dentro, descendo vagarosamente, até engoli-lo por inteiro. Gemeu, contendo-se para não agarrá-la pela cintura e erguer os quadris.
E então veio. Seus movimentos começaram curtos e tímidos, suas bochechas estavam coradas meio escondidas pelos fios loiros que caiam para todos os lados de seu rosto. Nem parecia aquela garota que o montou no banheiro coletivo quase 3 dias atrás. Esse era um vislumbre de sua pequena, tímida e inocente Lucy do passado.
Uma inocência que arrancou cada pedaço e a desmantelou quase por completo nos anos que estavam juntos.
Oh, aquele olhar tímido lhe dava ainda mais vontade de devorá-la, virando-a na cama e fazendo-a se submeter com o seu corpo. Era como um mero coelhinho branco diante de um lobo, mas não ia devorá-la. Não agora.
Ergueu o corpo um pouco, o bastante para capturar seus lábios por um breve momento, enfiando os dedos em seus cabelos, até por fim levar os lábios a sua orelha e sussurrar.
—Ora Lucy. — Ronronou, o nariz se esfregando em sua garganta por um momento antes de voltar. — Seja o que estiver pensando é bom parar. Eu quero você me fodendo do mesmo jeito que fez naquele banheiro quando estava com ciúmes, ou eu não vou tocar em você. — Ameaçou.
Ela poderia ordenar, mas ela jamais o faria. Sabia o quanto ela gostava de seus toques, e também o como sua mente funcionava. As vezes ela voltava a inocência do passado e pensava que estava sendo promiscua demais. Estaria mentindo se não dissesse que achava aquilo fofo e excitante, por que podia arrancar aquilo dela de novo e de novo, mas não gostava de quando ela sentia que fazia pouco por si. Lucy ceder a sua promiscuidade era uma das maiores dádivas que recebeu. Ela aceitava sua fome sem medo e ainda o fazia desejar mais.
Ela abriu a boca para falar o que tinha certeza que seria um pedido de desculpas, sendo assim, enfiou sua língua nela, roubando-lhe um beijo, finalizando com uma mordida um pouco brusca em seu lábio inferior, usando suas presas, mas sem romper a pele.
—Ai! — Ela resmungou.
—Ative o fluxo. — Exigiu, antes de voltar a se jogar no travesseiro e tirar as mãos dela.
Ela piscou com sua exigência. Raramente pedia isso – especialmente com visitas próximas — mas dessa vez queria perder o controle e, sempre que ativava o fluxo, Lucy se soltava, revelando seus desejos mais íntimos e lhe mostrando o que mais lhe dava prazer.
Ela resolveu não questionar, ativando aquela conexão única e emaranhada de sua ligação, que jogava em seu corpo todos os seus sentimentos, amplificando seu prazer em uma bola de neve incontrolável.
Fechou os olhos sentindo o pulso prazeroso enrijecer sua musculatura, seu corpo tentando se preparar para o que viria. Sua marca dançou por ela, reluzindo e se expandindo, a tatuagem tribal de si mesmo tomando o corpo de Lucy, apoderando-se dele como seu. Suas próprias marcas reluziram com o fluxo, entrando em sinergia com os desejos de sua companheira.
Ela fechou os olhos, jogando a cabeça para trás e se inclinando um pouco, reiniciando os movimentos de uma forma mais decidida, se concentrando em seu prazer como queria que fizesse.
Lucy gemeu, apoiando uma mão em sua coxa para ajudar nos movimentos. Cada onda de prazer o invadia de forma brusca e incontrolável, obrigando-o a ranger os dentes e a enrijecer o corpo, tentando se conter para não meter contra ela. Ela gemeu de novo, descendo a mão livre pelo próprio corpo, os seios pulando a cada vez que de enfiava naquele paraíso apertado. Os dedos finos chegaram até o clítoris e o apertaram contra a fricção de seu pau.
Além de ser atropelado pelo prazer dela quando tocou naquele botão sensível, teve que lidar com o seu próprio, quando sua buceta o apertou e ela rebolou.
—Porra! — Soltou, fechando os olhos, forçando a cabeça contra o travesseiro e agarrando suas coxas.
Não impediu os movimentos dela, mas apertou a carne tentando ter algo para se segurar e manter a mente na Terra.
Suas bolas estavam apertadas. Enrijeceu mais os músculos tentando pensar em alguma coisa que o distraísse.
Tinha que tomar cuidado como que desejava.
Lucy aumentou o ritmo, rebolando contra o pênis rígido, aos quadris enlouquecidos, enquanto usava os próprios dedos para perseguir o orgasmo.
Ela gemeu e o prazer veio em uma explosão doce que o contaminou como uma bomba. Mal aguentou esperar que ela terminasse antes de agarra-la pela cintura, puxando-a brutamente contra seus quadris, erguendo a pelve furiosamente e explodindo com algumas estocadas.
O suor descia por seu abdômen com o esforço, e suas chamas, modestas, apareciam em seus músculos. Lucy se deitou em cima de seu corpo, recuperando o fôlego, sem ligar para as chamas azuis contra sua barriga.
Soltou o ar, tentando se recuperar e respirar. Ficar sem ar não era algo que seus pulmões dracônicos tinham se acostumado. A arma mais poderosa que tinha eram eles, e ficar ofegante era algo que só acontecia quando Lucy Heartphilia estava nua em seus braços.
Acariciou suas costas com uma mão e os cabelos loiros com a outra.
—Eu te amo... — Ela murmurou baixinho contra seu peito.
Gemeu, sendo contaminado por toda sua paixão. Puxou os cabelos dela, erguendo sua cabeça o bastante para poder devorar seus lábios.
—Você não pode... — Murmurou entre o beijo. — Falar algo assim depois disso e com o fluxo ativado. — Rosnou.
Ergueu o dorso sem deixar que ela se afastasse um centímetro de seu corpo. Aquilo era demais. Receber aquele sentimento mandava sua cabeça, suas dores, e qualquer mínimo sacrifício que algum dia tivesse feito para os ares. Caralho, como amava aquela mulher.
A virou, tomando a dominância outra vez, colocando seu corpo embaixo do seu, finalmente deixando toda sua virulência tomar conta e sua selvageria se instalar. Soltou sua boca para enfiá-la em seus seios, puxando seus quadris um pouco mais contra si, mantendo a conexão intima.
Sugou o monte macio com a boca, esfregando o bico sensível com a língua, ao mesmo tempo em que – sem se mover um centímetro de seu interior – esfregava a pelve contra o botão inchado e sensível de sua vagina.
Lucy gemeu e arqueou, contorcendo o corpo para cima, oferecendo- se ainda mais para sua fome e falando seu apelido eloquentemente.
—Acno... Acno... Acno...- Murmurou enquanto o prazer a percorria.
Aquele mesmo prazer pulsava em seu corpo como se fosse seu, quase fazendo-o entrar em chamas.
Continuou a se esfregar ali, incisivamente, até deixá-la a beira de um orgasmo sem mal se mover. Ronronou. Lucy aceitava seus toques tão bem que era fácil deixá-la a beira do precipício. A única coisa que precisava era ser ele mesmo e, ao ouvir aquelas palavras, estava determinado a algo mais.
Soltou-a de repente. Ela não teve tempo de protestar por que em segundos a ergueu na cama outra vez, puxando-a para seu colo e grudando as costas dela contra seu peito antes de se enfiar para dentro outra vez. Ficou assim, ajoelhado na cama com ela apoiada por seus braços e de pernas abertas. A posição era ridiculamente excitante, pois ficavam virados para o espelho de corpo inteiro que ficava pregado em uma das paredes do quarto. Podia vê-la se contorcer de prazer enquanto entrava nela.
E foi o que fez.
—Lucy... — Ronronou em seu ouvido, iniciando movimentos fortes e rápidos.
Ela se contorceu, jogando o corpo contra o seu e gemendo mais auto ao ver a cena do amor bruto dos dois espelhada na parede do quarto, seu pau entrando e saindo de si, enquanto a mão que não prendia sua cintura agarrava um de seus seios e sua boca castigando sua garganta.
Seu interior ficou ainda mais molhado e apertado, o prazer se acumulou como um pico de montanha russa. Seu orgasmo estava próximo e seu prazer invadindo seu corpo e dobrando o seu próprio estava o deixando louco.
Não seria capaz de parar por nada naquele mundo, mas iria.
Quando sua maguinha estourou em um orgasmo, apertando-o e jogando aquela onda massiva de prazer para si, transformou ainda mais seus dentes, deixando-os mais proeminentes, e as mãos em garras negras. Mordeu com força o lábio inferior, tirando sangue, e fincou as próprias garras em seu braço, o que não penetrou a pele como seus dentes, mas se infligiu dor o suficiente para parar seu próprio orgasmo.
Solou o ar, que nem notou que estava pendendo, e passou a língua nos lábios, sorvendo o próprio sangue na boca. A ferida se curou rapidamente com a nova dádiva vinda com a remarcação de um ano e meio atrás.
Lucy ficou mole em seus braços, apoiando a cabeça em seu ombro, tão embriagada com o prazer que tinha acabado de experimentar que nem percebeu que ainda estava duro dentro de si, pulsando para encontrar novamente aquela sensação que tinha interrompido.
Não a esperou recuperar-se. Iniciou os movimentos batendo forte e rápido, precisamente atingindo os lugares que ela mais gostava, e levou a mão livre ao clitóris.
—Não! — Ela exclamou, agarrando seu braço e tentando afastar-se de seu corpo.
Ela estava hipersensível naquele momento, sentindo como se seu corpo não fosse suportar mais nenhum toque.
Era isso que queria. Essa era a sensação que tinha toda vez que ela dizia “Eu te amo”. Iria fazê-la ter um pouco disso do seu jeito.
Não cedeu a suas negativas, tomando sua boca enquanto castigava o feixe de nervos com os dedos e com o pau. Ela gemeu contra sua boca, desistindo se lutar e virando um pouco o dorso para que pudesse agarrar seu rosto e seus cabelos, tornando o beijo mais profundo.
Separaram-se para conseguirem respirar em meio ao ritmo frenético que impunha. Ergueu o braço que prendia sua cintura, apertando seus seios com as garras. Uma pequena parte se sua mente sabia que tinha posto força demais — não o bastante para romper a pele – mas estava perto demais de estourar para se importar com isso, e os gemidos de prazer que Lucy dava lhe diziam que ela também não se importou.
—Acno, Acno, Acno... — A entonação voltou quando ela estava perto de novo. — Acnologia! — Ela exclamou, envergando o corpo em seu aperto férreo enquanto gozava.
O prazer o estourou. As chamas romperam em sua pele, rugiu e a lançou de volta na cama, cobrindo seu corpo com o seu, agarrando seus seios com ambas as mãos, enfiou o rosto em suas costas ao mesmo tempo em que seus quadris enterraram fundo, jorrando um prazer que parecia não acabar nunca e que o virava do avesso.
Ela arfou ainda mais quando recebeu parte de seu peso quando seu corpo fraquejou e sua força foi para a lama. Os últimos resquícios de seu prazer pareciam não acabar nunca, fazendo-o tremer naquela onda amplificada.
—Pesado. — Ela reclamou, com o rosto virado e o corpo prensado contra o colchão e os travesseiros.
Forçou seus músculos a colaborarem, sentindo que seu corpo pesava milhares de toneladas, como se estivesse com o peso se sua forma dracônica na forma humana, incapaz de se sustentar. Gemeu com o esforço, se jogando para o lado e puxando o quadril fino com o seu.
Não estava pronto para sair dali ainda. Não enquanto aquela onda do pós-orgasmo não passasse.
Lucy suspirou, tão cansada quanto si, esgotada, e parecendo não querer se mover um centímetro, sem se importar com sua invasão ainda estar lá.
—Então... — Ela começou casual. — Toda vez que eu estiver a fim de ter minha mente e o meu corpo em estado de quase óbito basta eu dizer “Eu te Amo” enquanto você está dentro de mim?
Rosnou tentando repreendê-la, mas o som saiu como uma lamuria estranha, como de um resmungo de cachorro, e seu corpo não o obedecia.
—Continue dizendo essas palavras e eu vou fazer isso com você de novo.
Não era uma repreensão por dizer aquelas palavras deliciosas, era um estimulo. Simplesmente toda vez que as ouvia era tomado por uma necessidade de retribuí-la de forma física — a forma que mais apreciava e sabia fazer bem.
Ela riu.
—Você não tem força para isso. E eu não sobreviveria.
Se acomodou melhor nas costas da maga, deixando um braço relaxado em volta de sua cintura e o outro enfiado dobrado por baixo do travesseiro que apoiava a cabeça.
—Não me desafie. — Retalhou, enfiando o queixo sem seus cabelos.
Ela riu de novo de forma preguiçosa, sendo embalada pelo calor natural de seu corpo, que a direcionava para o mundo dos sonhos.
—Posso não sentir o que você sente, mas a sua marca me diz que você está acabado depois de gozar daquele jeito. Eu também senti. E eu estou morta, então não se atreva a terminar de me enterrar com outro orgasmo, ouviu bem?
Sorriu e ronronou.
—Perfeitamente. — Respondeu. -Mas devo lembrá-la que a primavera chegou.
Lucy suspirou em um misto de ansiedade e pavor. Ah, sim. Acnologia ainda tinha um lado animal – agora sob controle – que lhes dava um buff de hormônios mais ou menos no meio da primavera. Era absolutamente prazeroso a forma como ele usava seu corpo para dar prazer a si, de novo e de novo, deixando-a bêbada com a euforia. Entretanto também tinha um certo pavor daquela fome. Tinha certeza que um dia iria morrer fodendo e nem sabia se era possível. Não ativava o fluxo nessa época, por que provavelmente mataria os dois, mas sempre lhe batia uma tentação e uma curiosidade...
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!—Vou me preocupar com isso quando ela de fato chegar. No momento estou sem cérebro.
Enfiou o nariz nos cabelos dourados e seu ronronar se tornou mais tranquilizador. Será que ela sabia o que aquelas palavras faziam com seu ego?
Provavelmente não, mas não queria estragar o clima contando algo que unicamente servia para alimentar o ego masculino.
Suspirou finalmente sentindo resquícios de suas forças retornarem e apenas o cansaço do sexo vir para embala-los em um sono merecido após uma missão cansativa.
Moveu os quadris se removendo lentamente do paraíso húmido, ridiculamente mais molhado que o normal. Quando saiu totalmente estremeceu, percebendo que Lucy tinha razão.
—Eu gozei demais. -Reclamou, mas nenhum pouco disposto a fazer menos.
Se ficasse ali mais tempo seu corpo poderia ter outras ideias que sua mente não suportaria no momento. Droga, já estava ficando duro só por sentir o quanto ela estava molhada por seus orgasmos e tão receptiva. Precisava tirar a mente da cabeça de baixo.
Ela soltou um bufo.
—Eu senti. — Falou outra vez, depois suspirou, cansada. — Eu devia tomar um banho, mas não sinto minhas pernas... ou meu corpo. Vou tolerar dormir suja por hoje.
E mais uma vez suas palavras inflaram seu ego. A puxou para perto, respirando fundo seu cheiro fundido com o dela e sexo. Uma delícia. Um cheiro que gritava para todo mundo o quando ela era sua.
Lhe deu uma mordidinha do couro cabeludo.
—Você não está nada suja. — Retrucou.
Cansada demais para retrucar de volta, ela apenas abanou a mão. Deixou um minuto de silêncio se passar antes de entrar em outro assunto, para tentar colocar sua mente em volta do corpo.
—Qual seus planos para Isolde e Viego? — Questionou.
Ela se contorceu, virando a parte de cima do dorso para si, apenas para encará-lo por um momento.
—Você realmente não liga deles ficarem um tempo com a gente? — Seus olhos castanhos buscavam a verdade.
É, normalmente não gostava de ninguém com eles, mas...
Suspirou, levando a mão de sua cintura para seu rosto e tirando alguns fios rebeldes do caminho enquanto falava.
—Eu já te disse o que penso. Não ligo. De verdade. Viego tem o mesmo tipo de amor que tenho por você e... eu não sei... apenas...
—Você fez seu primeiro amigo de verdade. — Ela substituiu suas palavras.
Não podia discordar. Todos na Fairy tail eram seus amigos – uma amizade que demorou a cultivar – mas ninguém lá o entendia profundamente.
Viego não era um dragão, mas era poderoso, tinha os mesmos vícios virulentos que possuía e, principalmente, tinha o mesmo amor que possuía por Lucy. De certa forma ele entendia tudo o que tinha passado e sentia empatia por isso. Não o via mais como uma ameaça propriamente dita, mas como um forte aliado no qual poderia contar para destruir os inimigos que ameaçassem sua companheira e Isolde.
Quando uniram-se para matar Treash, Acnologia sentiu que unindo forças, não havia nada no mundo que poderia desafiá-los. Nem se quer era uma unisson Ride, mas já fizeram um estrago e tanto. Sua natureza selvagem e poder bruto cobriam as fraquezas do rei destruído, e a magia ardilosa dele e sua capacidade de controle e combate cobriam as suas.
Além disso seu amor por Isolde deixava claro que ele nunca tentaria algo contra Lucy a não ser que sentisse uma ameaça. Esse instinto era fácil de se entender e contornar. Duas histórias muito semelhantes que convergiam para o mesmo ponto.
—Quase. — Murmurou, pegando uma de suas mãos com a sua. — Ele passou pelo que eu passei. Não acho que exista duas pessoas com situações tão próximas. Eu apenas...
—Não vê ele como ameaça. — Ela completou novamente, o interrompendo.
Sorriu.
—É por ai. É mais fácil conviver com alguém que tem os mesmos problemas e pontos de vista. Ele quer proteger Isolde e eu quero proteger você, além de nossa magia ser convenientemente muito compatível.
Lucy apertou os lábios e franziu as sobrancelhas.
—Vocês não estão planejando alguma coisa destrutiva, né? — Perguntou carregada de desconfiança.
Sua mente já podia ver a bomba atômica que seria uma união dessas. Um rei exímio com armas, capaz de controlar e conquistar continentes, com o dom de ressuscitar os mortos como seus soldados, tendo ao seu lado um dragão com escamas indestrutíveis, sentidos apurados, e uma fonte praticamente inesgotável de poder. Um alarme soou em sua mente, mas estava cansada demais para imaginar as possibilidades. Talvez nem preferisse imagina-las. Ignorar o problema era melhor.
Riu, a apertando mais contra o corpo.
—Não. — Murmurou. — Mas admito que a possibilidade de não haver nada que possa nos enfrentar é deveras interessante.
Piscou.
—Vou fingir que não ouvi e vou dormir. — Finalizou ajeitando-se no travesseiro.
Ela pegaria no sono em breve. Teria menos privacidade enquanto ambos vivessem junto com eles, mas podia lidar com isso por um tempo.
Havia outra razão também. Além da personalidade tanto de Viego quanto de Isolde não o incomodarem, existia a questão da imortalidade do elo dos dois.
Viego agora era conectado a Isolde, e sua vida perduraria por milênios a fim, já que eram conectados a água da vida, e só morreria caso Isolde morresse, assim como só morreria quando Lucy morresse.
Um dia os amigos de Lucy morreriam.
Não era algo que falavam muito. Magos normais podiam viver até um milênio (caso sua vida arriscada não o levasse primeiro). Os descendentes dos dragões podiam viver alguns milênios, dependendo do quão forte se tornassem, mas o fato é que nenhum deles viveria mais que ambos. Lucy gostava de ter amigos. Viego e Isolde viveriam tanto quanto ambos, uma amizade que poderiam cultivar até o fim dos tempos.
Não seria um assunto que colocariam na mesa tão cedo, mas seria bom ter uma família. Alguém mais além dos dois que seriam sempre constâncias na guilda das fadas.
É, seria bom ter amigos.
~*#*~
Beijou sua testa, sentindo todo o calor e a proximidade daquele corpo quente, em comparação ao seu frio. Queria ficar assim para sempre, dentro daquele quarto pequeno e dos edredons simples. Isolde se remexeu, abrindo os olhos e erguendo o rosto para encará-lo. Resistiu ao impulso de querer apertá-la ainda mais em seus braços.
—Desculpe. — Murmurou. — Te acordei?
Ela se espreguiçou um pouco antes de se aninhar mais em seus braços.
—Não. — Sua voz saiu um pouco rouca de sono. — Mas e você? Dormiu bem?
Enfiou o nariz em seus cabelos negros e fechou os olhos, aspirando seu cheiro que o infectava com uma felicidade que sonhou em ter novamente por mais de mil anos.
—Bem não é a palavra que eu usaria meu amor.
Não dormia há muito tempo. O sofrimento lhe tirava a capacidade de dormir ou sonhar. Nem mesmo o sofrimento de um milênio para atravessar os domínios da morte e controlar o poder da névoa eram lembranças fortes o bastante para atormentá-lo quanto a perda de Isolde.
—Poderia ficar aqui com você para sempre.
Ela sorriu, rindo contra sua pele e enfiando o rosto em seu peito, deixando um beijo lá.
—Eu também poderia, mas precisamos levantar. Temos que falar com Lucy e Acnologia. Ainda temos um acordo a honrar.
Viego suspirou, afastando-se um pouco para encará-la com os olhos verdes, finalmente brilhantes e com vida. A esclera negra tinha ido por hora, enquanto suprimia o poder da névoa. Isolde não ligava para ela, ou para o buraco em seu peito, mas achou prudente esconder suas características amaldiçoadas enquanto estivessem em público.
—Você realmente não se importa em viver uma vida de maga de guilda? Viver sob a custódia dos dois por um tempo... Está feliz com isso?
Não o leve a mau, o acordo que Lucy tinha conseguido era de longe muito fantástico. Mesmo em seus melhores sonhos nunca imaginou que talvez conseguisse ter uma vida minimamente normal depois que conseguisse Isolde de volta. Agora tinha conseguido um acordo de anuência, amigos e um futuro, mas não hesitaria em abrir mão caso sua amada não o quisesse.
Ela sorriu.
—Eu passei de plebeia a rainha durante um tempo Viego, mas minha vida nunca foi ambiciosa. Gosto da ideia de voltar a costurar, fazer missões com eles e viver. — Ela acariciou seu queixo, olhando-o nos olhos. — A questão é, você, o antigo rei de Camavora, ambicioso por batalhas, vai querer uma vida simples com aventuras?
Foi sua vez de sorrir.
—O trono nunca foi minha ambição. O tomei por causa da morte prematura de meu irmão. Desde que esteja de novo com você em meus braços, ser um mago de guilda não me incomoda nenhum pouco.
Isolde sorriu, lhe dando um beijo breve.
A verdade é que não a agradava o fato de Viego ser cotado como arma de guerra e uma ferramenta para manter a paz, mas já tinham lucrado muito apesar de seus pecados, então engoliria esse sapo sem reclamar.
O beijo se aprofundou, e Viego jogou parte do corpo sob Isolde, agarrando seus cabelos longos com uma mão enquanto a outra passeava pelo corpo esguio. Estava faminto por ela, por sua voz, por suas risadas, por seu corpo... foram mil longos anos sem felicidade, e agora queria se afogar nela.
Entretanto, ela puxou seus cabelos e o parou.
—Eu realmente amaria ficar aqui com você, mas precisamos mesmo falar com os dois. Estamos com uma certa dívida, meu rei, e essa casa não é nossa. Quero contribuir para viver aqui com eles e temos que entender os detalhes do acordo que foi firmado.
E sua rainha tinha razão. Sua vontade era ficar ali, curtindo sua amada, o dia todo, mas precisava retribuir aquilo que Lucy e Acnologia fizeram. Era uma longa dívida, era melhor já começar a pagá-la.
Percebendo sua hesitação, Isolde se aproveitou da distração e escapuliu de seus braços, pulando para fora da cama e o hipnotizando com seu corpo nu. Ela riu quando viu seu olhar e foi em direção a cômoda para analisar as roupas que tinham sido cedidas.
—Viego! Vamos logo. Podemos nos divertir de novo a noite, mas eu preciso saber como contribuir e o que mudou a mais neste mundo. Além disso estou curiosa para conhecer nossos novos amigos. — Os olhos azuis reluziram de empolgação.
Diante disso o Rei de Camavora ergueu as mãos, se rendendo e também foi analisar as roupas.
Isolde escolheu um short jeans e uma camiseta com os dizeres “eu amo chocolate”, enquanto pegou uma calça cinza folgada com bolsos e uma camiseta preta lisa.
Quando abriu a porta sentiu um cheiro delicioso doce e de ovos. O barulho os levou a cozinha, onde se depararam com uma cena inusitada. Lucy se esticava tentando pegar uma garrafa de calda de panquecas da mão de Acnologia, que erguia a garrafa para cima, enquanto ria do esforço dela para pegá-lo. Acnologia estava sem camisa, apenas com um short preto folgado e a maga com um pijama de camiseta e shortinho de morangos vermelhos, o que deixava a cena ainda mais hilária.
Em dado momento, Lucy apertou os olhos, impaciente, pulando em cima do dragão. Sem escolha ele teve que se reposicionar, segurando sua bunda para que não caísse, enquanto ela enlaçava sua cintura com as pernas, apoiando em seus ombros e finalmente agarrando o recipiente.
—Peguei! — Comemorou, soltando as pernas de sua cintura e aterrissando no chão outra vez.
Acnologia continuou a rir, apoiando-se na bancada, cruzando os braços no peito e, com um sorriso convencido e maléfico, falou.
—Bom dia pra vocês dois. — Disse olhando para o casal que estava parado na porta da cozinha.
O corpo de Lucy congelou e ela se virou. Suas bochechas ficaram rosadas quando se deu conta que ambos viram o que aconteceu. Obviamente o dragão já tinha sentido o cheiro dos dois e sabia que sua companheira ficaria envergonhada pelo que acabou de acontecer. Ela sorriu, fingindo demência do acontecido, e falou:
—Bom dia! Estão com fome?
Acnologia estourou em outra gargalhada, colocando as mãos na barriga enquanto praticamente chorava de tanto rir.
Surpreendendo os dois, Lucy pegou uma bola de papel toalha ao lado do fogão, a acendeu no fogo da frigideira e a jogou na direção do dragão. Ele a capturou com as mãos nuas antes que atingisse sua cara, parando de rir, mas mantendo o sorriso. Sem cerimônia ele devorou a bola de chamas antes que atingisse algum lugar.
—Bom dia! — Isolde disse animada e fingindo não ter visto nada.
Achou a cena bem fofa. Era incrível como os dois tinham sinergia e tinham um certo fluxo natural. Bem, a parte de engolir fogo foi esquisita. Quem engolia fogo?
Mesmo tendo acesso a parte das memórias da maga celestial, assim como ela tinha das suas, e sabendo que aquilo era algo normal para o dragão, não era algo que conseguisse se acostumar tão facilmente.
—Bom dia! — Disse Viego de forma cordial no sotaque antigo.
Sua voz estava mais normal, sem o eco do poder da névoa, uma vez que a tinha suprimido para voltar mais a forma humana.
Encarou a mesa percebendo que tinha comida demais ali. Uns 3 tipos de suco, panquecas, frutas, sanduiches, ovos mexidos e mais um monte de outras vasilhas. Lucy percebeu o olhar analítico de ambos para a mesa e esclareceu.
—Não sabia do que gostavam de comer então acabei fazendo um pouco de tudo. — Deu de ombros, tirando a última leva de panquecas da frigideira e colocando na mesa junto com o pote resgatado.
—Não precisava se preocupar tanto Lucy! — Isolde falou, acanhada pela preocupação da maga em agradá-los. — Comeríamos o que tivesse e não precisava de tanto! — Em sua mente passava quanto trabalho ela teve para fazer aquilo tudo.
A loira ergueu uma sobrancelha.
—Vocês passaram mil anos aprisionados. Merecem um café da manhã decente depois de tanto tempo. E o que a gente não comer o buraco negro ali come. — Disse apontando o polegar para Acnologia. — Sentem-se. — Gesticulou para os acentos na mesa.
Viego duvidava que alguém conseguisse comer aquilo tudo.
A mesa retangular tinha 5 cadeiras. Quatro em cada extremidade e uma no canto. Uma sexta cadeira impediria a abertura da geladeira. Sentaram de um lado enquanto os anfitriões sentaram no outro.
Enquanto se serviam a conversa começou a fluir.
—Obrigada novamente por terem ajudado a gente. — A rainha falou com a voz carregada de gratidão.
—Não tem que agradecer isso. — Disse Lucy antes de devorar um sanduiche.
Apesar da vontade, não quis insistir na gratidão que sentia por já o ter feito antes e poder parecer algo incômodo. Ao invés disso puxou outro tema.
—Gostaríamos de saber as regras da casa e como poderíamos ajudá-los até conseguirmos algo para nós.
—Também quero saber um pouco mais sobre o acordo e o que devemos fazer e talvez algumas informações de como está o mundo hoje, por gentileza. — A cordialidade de Viego o fazia ter um vislumbre da imagem de rei que um dia foi.
—Bom, nós passamos a maior parte do tempo em Magnólia e voltamos para cá quando estamos de saco cheio ou quando tem algum evento do rei ou do conselho mágico na cidade, já que somos ameaças perigosas. — Acnologia ironizou a última parte, levando o suco de laranja a boca antes de voltar as panquecas.
Lucy revirou os olhos. Obviamente os dois ficaram confusos.
—Apesar do nosso poder de barganha, ainda somos subordinados ao governo e ao conselho. — Lucy esclareceu. — Apesar do rei ter um pouco mais de afinidade conosco, Anologia é uma bomba atômica e uma ameaça à segurança da família real e aos velhos chatos do conselho mágico. Sendo assim, a não ser que sejamos convocados para fazer parte do evento ou do sistema de segurança, temos que dar o fora da cidade e fingir que não existimos até eles irem embora. Você se encaixa nessa regra também.
—Entendo... Faz sentido. — Concordou o Rei.
Não precisava explicar muito mais até por que Viego já foi rei. Lucy continuou.
—Quanto as tensões e as novas nações, vou ter que te mostrar no mapa depois. Tirando isso, você poderá pegar missões conosco a partir da semana que vem. Até a aprovação de Lahar não poderá fazê-las sozinho, pois ele quer uma prova de que você não será um perigo a Fiore. O mestre fará o relatório quando concluirmos um determinado número de missões e com base na reputação.
Ambos acenaram positivamente.
—Se a guerra estourar, algo que acho que será improvável já que Fiore é o maior polo de magos de combate do continente junto com Noxus, seremos obrigados a ir. Mas como disse não acho que vai acontecer. Ninguém quer ter Fiore e Noxus como inimigos e nenhum de nós está interessado em guerra.
O instinto de rei e governante em Viego reluziu em seus olhos, querendo entender com mais profundidade o conflito e seus possíveis desdobramentos.
—Gostaria de saber mais sobre as questões políticas atuais e sobre as negociações.
Lucy acenou positivo.
—Temos alguns arquivos e jornais, mas fica mais fácil explicar com o mapa. Esclareço depois.
Viego concordou, gesticulando que continuasse e que não iria mais interromper.
—Quanto a regras da casa nós não temos algo assim. Sintam-se em casa. Já estávamos planejando algumas reformas extras e, já que vamos comprar mobilha e outras coisas para vocês, seria ótimo se opinassem.
Acnologia contrapôs com uma regra.
—A não ser que tenha uma emergência grave e o mundo estiver acabando, não entre no nosso quarto depois que fecharmos a porta a noite.
Lucy o chutou por baixo da mesa e ele mostrou a língua para ela.
Isolde riu, chamando a atenção de ambos. Um pouco envergonhada, ela esclareceu.
—Vocês são fofos juntos.
Lucy sorriu para ela.
—Digo o mesmo de vocês dois. — disse verdadeiramente. — Ignorem o idiota aqui. A casa e suas também a partir de agora.
Sentindo-se desconfortável, Viego contrapôs.
—Mesmo assim queremos contribuir. Já foi um rei Lucy, e apesar da fama que temos, eu não conseguia ficar muito tempo desocupado. Gostaria de contribuir.
Percebendo seu desconforto, principalmente com a ideia de pensarem nele como preguiçoso, a maga falou:
—Vocês não poderão receber por missões até o registro com Lahar, mas já que querem ajudar, podem fazer missões com a gente e damos parte do dinheiro para vocês. Assim podem economizar e usar para o que precisarem. Mas não vamos pegar missões nas próximas semanas. — Sorriu simpática. — Aproveitem esse tempo juntos. Vocês merecem. Mil anos é muito tempo para colocar em dia.
Viego sorriu, sentindo a bondade e ainda mais simpatia pela Hertphilia. Antes que pudesse agradecer, Acnologia cortou a felicidade da companheira.
—Na verdade temos que fazer missões semana que vem. O aluguel do apartamento aumentou. — Lembrou-a.
Lucy congelou, respirando fundo e raivosa.
—Aquela velha megera. — Resmungou, comendo compulsoriamente um pedaço de panqueca.
—Eu sei que você gosta de lá, mas ela já está abusando. Vamos ter que procurar outro lugar.
Confuso, Viego perguntou.
—Do que estão falando?
—Temos um apartamento em Magnólia, mas o bairro se modernizou e a governanta não para de subir o aluguel desde então. Não é todo dia que temos missões com pagamento alto, então acaba ficando cansativo fazer um monte delas só para pagar as contas. — Disse o Dragão enquanto comia.
Lucy coçou os cabelos antes de falar.
—Vamos dar uma olhada nas imobiliárias e casas disponíveis nas próximas semanas. Embora ainda vá demorar um pouco, eu sei que vão querer um lugar para vocês, então seria bom virem com a gente para darem uma sondada.
A maga falou de forma que entendesse que ela não queria chutá-los dali e que seriam bem vindos pelo tempo que precisassem.
—Seria perfeito! — Isolde exclamou animada. Logo em seguida conjecturou. — Já que passam tanto tempo em Magnólia, por que não compram uma casa lá?
—O plano é esse. — Ela respondeu. — Mas temos que juntar um valor bom para dar de entrada e pra isso precisamos ver como andam os valores.
De repente uma idéia surgiu na mente do rei destruído que o empolgou. Era uma forma de começar a pagar o débito que tinham com eles.
—Lucy, vocês permitiriam que eu reinvestisse uma parte do que ganharem nas missões?
Isolde arregalou os olhos, e sorriu animada, entendendo a ideia de seu marido e onde queria chegar.
—Como assim?
—Viego era um investidor brilhante em Camavora. Ele pode ajudar vocês a ganhar algo a mais sem precisarem depender de missões. Isso ajudaria a comprarem uma nova casa.
Os olhos de Lucy começaram a brilhar quase dourados. Ser um mago de guilda era tudo de bom, mas tinha que admitir que a renda instável era problemática e estressante. Ter uma renda que não viesse apenas das missões seria um sonho.
—Sério? Sério mesmo?
Viego sorriu com a animação da garota e com a ideia de que realmente poderia ser o início de sua retribuição.
—Claro. Precisarei de um tempinho para reestudar o mercado, mas seria muito bom. Já tinha planos de fazer isso por mim mesmo para conseguirmos dinheiro e nos reerguer.
—Seria ótimo. Obrigada. — Disse a maga.
—Mudando de assunto, temos que ir mais cedo para a cidade providenciar as roupas e tudo mais. — Lembrou Acnologia.
Isolde se animou.
—Se não for pedir muito, poderíamos comprar uns panos? Adoraria voltar a usar minhas agulhas outra vez. Seria ótimo se pudesse fazer algumas peças, inclusive para vocês.
O rei maneou a cabeça e gabou-se da rainha.
—Isolde é a melhor costureira que poderão encontrar. Ela consegue usar encantamentos nas peças que produz.
Acnologia e Lucy ficaram surpresos.
—Isso é bem raro. — O dragão comentou.
Equipamentos e vestimentas encantadas tinham um alto valor de mercado. Era extremamente difícil de fazer, mais ainda de fazer bem.
Lucy olhou para o relógio e levantou.
—É melhor irmos então. Hoje é sábado e os melhores produtos vão embora cedo.
O casal, já satisfeito, ergueu-se da mesa, concordando.
—Vou ajudá-la a guardar a comida. — Disse Isolde.
Da soleira da porta, Lucy questionou.
—Que comida?
E quando ambos olharam para a mesa viram o ultimo pedaço de panqueca entrando na boca de Acnologia.
~*#*~
Respirou fundo, decidindo finalizar o treino por hoje. O corpo suado lhe incomodava um pouco, então entrou naquele rio de degelo que cortava sua pequena área de treinamento. As águas gélidas que vinham do topo da montanha não faziam muito efeito contra sua pele naturalmente quente. Lucy por outro lado teria pulado em seus braços para se esquentar.
Mergulhou no rio, molhando e passando os dedos pelos cabelos cumpridos. Já foram maiores, mas davam muito trabalho, embora a maguinha os adorasse para aprontar em cima de si, trançando-os e brincando de cabelereira. Não deixaria daquele tamanho de novo, pouco abaixo dos ombros já estava bom.
Flutuou, pensando nas decisões que tomaram nos últimos dias. Aquele lugar era perfeito. Quando foi com Lucy, Viego e Isolde procurar uma nova casa, não esperava encontrar um lugar assim em Magnólia que o agradasse tanto.
Um terreno montanhoso, próximo ao mar, cercado por florestas e uma clareira de campo aberto que possuía duas casas pequenas, antigas, que lembravam vagamente chalés. Uma era virada para ter uma vista da cidade, a outra tinha uma vista do penhasco, que ficava na lateral do terreno, e para o mar. O lugar inteiro era lindo e comungava com as necessidades dele e de Lucy.
A casa ficava em Magnólia e a 30 minutos a pé da guilda, era isolada, o que caia em seu gosto de não ter vizinhos e ter privacidade. O terreno arborizado lhe acalmava e o estilo antigo das casas fez os olhos de Lucy brilharem, mas o terreno era o olho da cara.
Os herdeiros da pobre velhinha tentavam vendê-la a alguns anos, mas ou as pessoas não gostavam do preço exorbitante, ou não gostavam do isolamento do lugar. Sem falar que as casas precisariam de uma reforma pelo tempo de desuso. Há, claro, também havia o desejo da falecida de que o terreno só seria vendido se os moradores preservassem o local, o que destruiu completamente os planos de alguns construtores de fazer um hotel no local.
Isolde tinha se apaixonado pela casa com vista para a cidade, e o interior em estilo vitoriano a lembrava de Camavora.
A ideia dos quatro surgiu na hora. Mesmo vivendo com eles a apenas alguns dias, era fácil lidar com os dois e eles não incomodavam seus instintos. Podiam dividir o terreno e morar juntos. O território era um pouco menor do que o das montanhas, o que deixava bem fácil para si controlá-lo, além dos espectros escravos da névoa e de Viego fazerem uma proteção extra bastante interessante.
A questão era o dinheiro para dar entrada na compra. Não podiam pedir um empréstimo, pois, assim como o matrimônio, ainda não eram permitidos a ter alguns direitos civis então teriam que ralar e dar a sorte de pegarem uma missão com um pagamento alto na semana seguinte.
Em último caso talvez apelasse para aquela velha rabugenta da Shinuky. Que ela não soubesse que pensou isso.
Saiu do rio gelado, jogando os cabelos para trás e tirando o excesso de água.
—Ai está você! — Viego gritou do topo da colina.
Ele não precisava gritar. Podia ouvi-lo facilmente, além de já ter sentido seu cheiro a algum tempo. Aparentemente ele ainda não tinha se acostumado com seus sentidos mais aprimorados.
O rei desceu o barranco que deformava aquela clareira vindo em sua direção, vestido com um conjunto de calça e camiseta preta. Tinham comprado algumas roupas básicas na última semana junto com os armários e algumas outras coisas para deixá-los mais confortáveis, mas Isolde insistiu em criar um guarda roupas inteiro para todos com os panos que pegou. Aguardavam a nova linha de rouparia que sairia em breve.
Ele parou a alguns metros de si depois que as chamas tomaram seu corpo por alguns segundos, secando-o por completo.
—Prático. — Ele murmurou para si mesmo baixinho. — Lucy me disse que estava treinando aqui. Tem umas coisas que eu queria falar com você.
Ergueu uma sobrancelha. Já tinha uma idéia do que poderia ser.
—Você também sentiu, não é? A compatibilidade entre nossas magias.
Acnologia foi em direção a pequena bolsa que trouxe consigo e a abriu na intenção de pegar sua camiseta.
—Sim.
Suas chamas se mesclavam bem a névoa negra e a espada rúnica. Ambas eram criadas com um poder imenso e devoraram tudo em seu caminho, absorvendo mais poder no processo. Da mesma forma que Viego podia devorar inimigos e transforma-los em fantoches, aumentando seu poder, Acnologia devorava magia, tornando-se imune a elas e deixando as chamas mais e mais poderosas.
Era uma combinação perigosa e viciante.
—Houve um tempo em que eu pensei que era poderoso, mas isso foi até Isolde ser tirada de mim. Esse poder... eu sinto. De alguma forma eu sei que se pudéssemos fundir as duas magias não haveria nada neste mundo que pudesse ameaça-la novamente. Nem ela nem Lucy.
Os olhos azuis encararam os verdes. Entendia muito bem isso.
Tanto ele quanto Viego eram poderosos e, antes de conhecerem Lucy ou Isolde, eram famintos por poder. Buscavam poder pelo vício de senti-lo correr em suas veias, por que gostava da sensação de devorar aqueles que os desafiavam. O rei era sensato e usou isso para ter fundações fortes em Camavora, e o dragão era meramente um psicopata que gostava da guerra.
Sua busca por poder agora tinha outro foco: Protegê-las. Mesmo sendo tão poderosos Lucy e Isolde já foram arrancadas deles antes por pessoas que queriam mais poder. Isso ressuscitou sua vontade em ficar mais poderoso, por isso treinava todos os dias e se disciplinou ao ponto de ser capaz de controlar a besta e se forçava a descobrir como podia melhorar suas chamas e o que poderia fazer com elas ao extremo.
Suspirou, coçando os cabelos e admitiu.
—Isso passou pela minha cabeça. -Murmurou e o encarou. — O que sugere?
Viego se aprumou antes de dizer.
—Unisson Ride. Acho que podemos criar uma nova magia com a fusão de duas.
Era possível. Não... era certeza. Suas chamas eram mestras em absorver magia, a compatibilidade não seria um problema, mas talvez precisasse acertar na quantidade de magia.
Por que não tentar?
~*#*~
Foi arremessado contra a grama fofa. Seu corpo inteiro ficou suado e seus pulmões lutavam por ar. Que porra foi aquela? As memórias de Viego foram jogadas fragmentadas em sua mente. Aquela névoa era mais poderosa do que pensou. Se arrastou para se apoiar em uma arvore próxima, tentando se sentar no processo. Estava muito zonzo.
—Que... porra foi essa? O que é aquilo? — O rei tentou falar, estando igualmente sem fôlego enquanto o encarava completamente confuso e intimidado.
—Cala a boca. — Resmungou passando a mão pela testa, limpando o suor e tentando assimilar o que aconteceu.
Eram compatíveis demais. Unisson Ride perfeita. Foram poucas as vezes que ouviu falar sobre isso, quase ao ponto de se tornar um mito. Viego e ele eram tão compatíveis que não fundiam apenas suas magias, podiam se fundir em uma forma projetada para a batalha, uma que destruía as fraquezas de ambos e os tornava uma máquina perfeita e sem fraquezas. O único problema era controlar isso.
A besta em seu interior se remexeu com toda força. Apertou os olhos para força-la para dentro. Ela não se importou com a fusão ou com Viego ter acesso a seu poder – na verdade ela até gostou do novo poder que ganharam com isso – mas quando a ligação começou a completar e ele percebeu que isso o daria acesso a ligação que tinha com Lucy, ficou furioso.
Maníaco maldito. Quase matava os dois. A interrupção foi desagradável, mas iria acontecer. Receber as memorias de outra pessoa na sua cabeça é uma forma bem forte de tirar a concentração de alguém.
Encostou a cabeça no tronco da árvore, fechando os olhos e respirando fundo. Alguns minutos de silêncio se perduraram enquanto tentavam se recompor.
—Essa ligação de vocês tem mais coisa? E o que diabos e aquilo? — As perguntas voltaram.
Suspirou. Não tinha como arrancar as coisas da cabeça dele.
—Você não me disse que podia escravizar a alma de qualquer pessoa que matasse. — Revidou. Não era o único a receber novas informações.
O encarou, apertando os olhos em desafio. Viego ergueu as sobrancelhas e piscou, como se finalmente se desse conta disso.
—Ah. Eu posso. Antes era difícil de fazer já que Treash tentava roubar as almas, mas agora que tenho controle absoluto da névoa é fácil.
Ele estava sendo sincero. Provavelmente não tinha falado nada por que estava grudado 24h com Isolde nas últimas semanas. Suspirou novamente.
—Sua conexão é básica, apenas conecta sua alma a Isolde. — Explicou. — A minha não é tão simples e quanto mais poder eu tenho mais complexa ela se torna...
—Então Lucy te dá ordens se quiser, você consegue rastreá-la em qualquer lugar do planeta e pode sentir seus sentimentos? — Falou com a voz esganiçada.
De repente as feições dele ficaram mais pálidas do que já eram, quase translúcido.
—Você pode queimar qualquer um que encoste em Lucy?! — Sua voz saiu com legítimo pavor. — Você poderia ter me transformado em cinzas! E Isolde?
Rolou os olhos.
—Não sou tão psicopata. -Respirou fundo, verificando se a dor do impacto com o chão nas suas costelas já tinha passado. — Não tenho nenhuma razão para ativar minha marca contra você.
Viego olhou para a grama e sorriu.
—Obrigada. — Mas logo seu sorriso morreu. — Mas... e quanto a... isso pode talvez ativar contra nós? — ele estava hesitando em falar.
Podia sentir um certo medo vindo dele. Esse sentimento vinha da possibilidade de ter que lutar contra a besta, sendo que finalmente tinha feito um amigo e achado estabilidade.
—Eu não sou completamente humano e, por causa do meu poder, tenho uma parte não muito sociável. — Esclareceu. — Eu o tenho sob controle.
Bom... na maior parte das vezes.
Viego ficou introspectivo por um momento.
—Posso ver isso. Nas suas memorias essa parte fala com Lucy... Eu posso falar com ela?
O encarou como se fosse um maluco totalmente sem noção da realidade.
—Não sabia que queria morrer logo depois de ter saído daquela ilha. — Ironizou.
Viego torceu a cara.
—Não quero morrer. Quero conhecer essa parte. Fizemos uma Unison Ride completa. Quero ter certeza de que ele não vai nos explodir de novo ou machucar Isolde.
Suspirou pela milionésima vez e coçou os cabelos.
—Escuta, não pense que pode fazer o mesmo que Lucy só porque te considero um amigo. Deus sabe como ela controla aquela coisa. Confie em mim quando eu digo que você está querendo suicídio.
Ele ergueu as sobrancelhas e fez uma cara surpresa.
—Eu confio em você. — Ele falou com firmeza.
Isso o surpreendeu. Lucy era a única pessoa que confiava em si plenamente. Ter outra pessoa confiando em seu instinto era no mínimo... estranho.
—Falando em memórias, — começou, deixando o assunto da besta de lado por um instante. — eu tinha me perguntado por que vocês não têm uma aliança. É sério que você não deu um anel pra ela? -ralhou.
Revirou os olhos. Aquilo era uma besteira total.
—Acho que a tatuagem de um dragão enorme já é o bastante.
Viego bufou.
—Isso tem um significado enorme para sua espécie, aparentemente, mas pro mundo de gente normal isso não significa nada.
Apertou os olhos pro seu quase amigo, ficando com raiva da forma como ele menosprezou sua ligação. Antes que falasse algo, ele completou.
—Lucy ama você, mas claramente tu é péssimo com romance. Ela pode não sentir falta, mas com toda certeza gostaria de ter um anel e ganhar algumas coisas clichês de vez em quando. Ela lê livro de romance!
Romance erótico também.
Mas ele tinha um ponto. Romance nunca foi seu forte e, não importa o quanto sentisse raiva, sua marca não passava de uma tatuagem qualquer perante a pessoas comuns. Nunca passou pela sua cabeça dar um anel a Lucy.
—Pelo menos meu presente não vai ser em vão. — Ele comentou animado, puxando sua atenção.
O anel com o símbolo de seu antigo reino reluziu e em suas mãos apareceu uma caixinha de veludo azul escuro forte. Um anel espacial.
Ele estendeu a pequena caixinha em sua direção. A pegou.
—Eu pedi a Orn, uma das almas que me servem e que é um grande forjador, para refazê-los de uma forma que combinasse mais com vocês dois.
Abriu a tampa de veludo e, lá dentro havia um par de anéis, um masculino e um feminino. O feminino era adornado com uma pequena pedra azul marinho de uma cor bonita e reluzente, onde claramente havia um encantamento. Enrolado de forma sutil envolta dela, dormindo, estava um pequeno dragão delicado e prateado. A aliança era leve, sutil e elegante na medida certa.
A masculina por outro lado era seu oposto, embora não muito indiscreta. Mais grossa e arrojada o dragão estava bem acordado e com as garras bem cravadas na rocha azulada. De certa forma, refletia muito bem tanto ele quanto Lucy. Ficou surpreso.
—Minha família foi a inventora dos anéis espaciais. Eles têm a capacidade de colocar aquela casa inteira aí dentro. Eu também adicionei os mesmos encantamentos do meu, permitindo que vocês usem o poder da minha névoa para se deslocar pelos portais que estou criando, dessa forma você não tem que pegar um transporte ou nos levar voando toda vez pra todos os lugares. Ele também serve de comunicador.
Ergueu os olhos para ele. Estava verdadeiramente chocado. Um anel espacial que coubesse 1 metro cúbico já podia ser vendido por milhões e milhões de Jowells, sem o menor esforço. Eles eram raros, caros e difíceis de se fazer. Somente os ricos dos ricos os tinham. Um anel com mais de uma função podia ser comparado aos tesouros da família real de Fiore.
E ele estava lhe dando isso como se fosse nada.
—Eu... — começou a falar, mas foi interrompido.
—Me diga se estiver largo ou apertado. Orn pode fazer os ajustes. Se não gostar ele também refaz o designe, mas acho que é a cara de vocês dois. A quele cabrito velho sabe acertar nas coisas.
Piscou, tentando achar o que falar, mas Viego começou a tagarelar de novo.
—Ah, tem mais uma coisa que eu quero te dar.
A coroa sinistra adornou sua cabeça e o triangulo oco em seu coração também se fez presente. A névoa se acumulou ao seu lado e ele enfiou uma das mãos nela e, de lá, tirou um frasco pequeno com algo branco brilhante.
—Aqui. — Ele estendeu para sí.
Pegou o pequeno frasco. O vidro era tão pequeno e frágil que teve medo de quebrá-lo com o movimento errado. Não parecia haver mais do que uma gota do que quer que fosse ali dentro.
—O que é isso?
—Uma das últimas 2 gotas da fonte das águas da vida. — Ergueu os olhos para encará-lo, sem entender e ele prontamente continuou a explicar. — Antes de corromper as águas, eu usei esse frasco para canalizar 3 gostas mais puras da fonte das águas das bençãos.
Ele suspirou, olhando para cima.
—A primeira eu usei para tentar ressuscitar Isolde no ritual, o que deu meio certo, como você já sabe. Se uma pessoa tomar uma gota da água da vida enquanto está vivo ele ganha uma `vida extra`, por assim dizer. Se essa pessoa sofre um ferimento letal em vida, a água irá se consumir e, em troca, sua vida será poupada.
Virgo o encarou, os olhos verdes esperançosos e divertidos.
—Não funciona com os mortos, mas Lucy e Isolde estão bem vivas. Se der isso a ela será uma garantia extra de que nada de ruim acontecerá no futuro. Eu dei a outra gota a Isolde ontem. Gostaria que nosso passado, assim como o seu, não se repetissem, então tomei a decisão de dar isso a vocês dois também.
Sua mão se fechou em torno do pequeno vidro. Aquilo era algo tão precioso que seu coração se apertou. Seus maiores pesadelos dificilmente aconteceriam. Aquela gota seria uma carta na manga, uma que cobriria seus erros. Uma que manteria Lucy consigo para sempre.
Viego podia mantê-la consigo e ter 2 cartas brancas caso algo acontecesse novamente com Isolde, mas escolheu dividir aquele tesouro precioso, que muitas pessoas dariam de tudo para ter, consigo. A besta em seu interior ficou completamente muda, chocada com a possibilidade que se desdobrava em sua mente.
Aquele pequeno pedaço de vidro foi a gota que faltava para varrer por completo o resquício do medo que ainda tinha daqueles anos nojentos.
Isso fez cair a ficha do quanto ele confiava em si.
Apertou os dentes. Ele merecia algo em troca.
“Ele é digno.” — A besta rugiu, aprovando sua idéia de retorno.
—Me dê sua espada. — Pediu.
Ok, quase mandou.
Viego ergueu as sobrancelhas, surpreso.
—O que?
—Só me dê logo!
Confuso, o rei fez a espada aparecer em suas mãos e a entregou. A Zweihänder era longa e firme, balanceada e afiada. Uma espada de difícil manuseio, mas absurdamente letal para quem sabia usar corretamente.
Feita com o lendário ferro rúnico, aquela espada sem dúvida era única.
Se levantou. Seria a segunda vez que faria algo assim.
Seus pulmões começaram a se encher com a magia densa e pura de suas chamas. Os preencheu com suas chamas mais poderosas e letais antes de joga-las sob a Zweihänder.
—O que você está fazendo? — Viego quase gritou, um pouco angustiado ao ver as chamas engolirem sua espada.
As chamas não a destruíram, mas sim a envolveram, reforjando e retemperando o aço para algo ainda mais poderoso. Quando acabou a espada reluzia. Em seu núcleo, a espada antes verde transparente, agora possuía uma veia azul que percorria toda sua lâmina.
Entregou-a de volta a Viego.
Assim que ele a pegou, a lâmina reluziu e as chamas azuis apareceram em seu fio, a medida em que movimentava a espada cortando o ar.
—O que você fez?
—Temperei sua espada com minhas chamas. Agora ela pode cortar até as escamas de um dragão. Minhas chamas podem ser usadas por você só por você.
Ele girou a espada enorme, sentindo seu peso e observando as chamas o obedecerem de acordo com seus movimentos.
—Incrível! — Exclamou.
Revirou os olhos.
—Você disse que tinha um ferreiro como alma, não é? Esse anel é muito bonito, mas o tamanho é um pouco grande.
Viego o encarou e logo em seguida chamou o espirito.
—Orn.
A névoa saiu das sombras e começou a tomar uma forma enorme. Uma criatura com chifres enormes de bode, vermelha rubi como o fogo, barbas ruivas e o peito peludo desnudo. A coroa mais simples em cima de sua cabeça eram um lembrete de sua posse por Viego. Se lembrava desse rosto.
Bom, não do rosto em si, mas das lendas que ilustravam os livros. O deus da forja, Orn, aquele que domava o fogo e fazia armas tão poderosas que apenas por portá-la o indivíduo já ganhava fama e poder. Diziam que ele estava cansado de forjar coisas que os humanos pediam e queria sumir e ser esquecido.
—Você pode ajustar os anéis que...
O velho rei foi interrompido pelo deus.
—Me dê essa espada. — Ele exigiu.
Viego devia ter alguma consideração e respeito pelo bode, por que não ficou irritado com a insubordinação. As outras almas não tinham essa liberdade. Ele o entregou a Orn.
Os olhos vermelhos antigos analisaram a espada rúnica, atentos. As mãos grossas de ferreiro passando pelo metal com uma destreza única.
—Um dragão banhou sua espada com as chamas?
Ainda mais curioso com o olhar inquisidor do ferreiro, Viego apenas respondeu:
—Ao que parece sim. Ele acabou de fazer. — Disse apontando para o dragão. — Esse é meu amigo, Acnologia. Ele é um dragão. — Esclareceu.
E então o bode finalmente pareceu notar sua presença. Os olhos vermelhos se apertaram e a barba espeça se mexeu com interesse.
—O que esse idiota fez para receber tamanha benção? — A voz calma e rouca questionou calmamente.
—Ei! — Viego protestou.
Deu de ombros.
—Ele a mereceu.
—Entendo. Mas você sai forjando essas armas para qualquer um?
Os olhos de Acnologia ficaram vermelhos com sua suposição.
—Nunca. Apenas minha companheira possui itens banhados com minhas chamas.
Há muito tempo atrás usou suas chamas para banhar o chicote mágico de Lucy, para deixá-lo mais poderoso e potente, de forma que nunca fosse quebrar e que lhe proporcionasse uma segurança a mais.
Viego ficou irritado.
—O que diabos tem de tão especial nisso? Parem de agir como se eu não estivesse aqui!
Sem se sentir abalado, Orn se virou para dar atenção a seu protesto e começou a explicar, mas sem tirar o olhar de Acnologia.
—Qualquer ferreiro sonha em fazer uma arma com materiais e principalmente as chamas de um dragão. Metais martelados e forjados com as chamas de um dragão são os mais poderosos que existem e só podem pertencer a pessoa a qual ele quis destinar as chamas.
Finalmente olhou para Viego.
—Quando forjei essa espada rúnica ela poderia partir montanhas e até suportar o poder da maldição das ilhas, mas agora não existe nada que ela não possa cortar. Armas banhadas pelas chamas de dragões podem se tornar lendárias só por esse fato. Um ferreiro medíocre pode fazer uma arma digna de um rei apenas por ter essas chamas.
Ele estendeu a espada de volta para o velho rei.
—Use-a com responsabilidade Viego. Essa, provavelmente é a arma mais poderosa deste mundo inteiro. Seu amigo deu a você um tesouro capas de cortar as escamas de sua própria raça como se fosse manteiga. Nenhum dragão oferece suas chamas para forjar uma arma e, as poucas que foram forjadas, tem um poder que não deve ser menosprezado. Já ouvi falar de maldições sagradas que foram cortadas por armas forjadas por dragões. De agora em diante, você é imune até mesmo a esse tipo de magia. Então tenha cuidado.
Os olhos verdes de Viego o encararam arregalados, parecendo finalmente perceber o que tinha lhe dado. Nem mesmo as escamas de outros dragões fariam frente a aquela lâmina. A Zweihänder agora também seria uma matadora de dragões e uma ameaça a seus inimigos.
Antes que ele pudesse falar alguma coisa Orn questionou Acnologia.
—Os anéis que fiz estão do tamanho errado? — Ele suspirou. — Eu já esperava, já que esse idiota não me deu um tamanho para seguir. Me passe os tamanhos e eu os ajustarei. — E estendeu a mão enorme.
Acnologia encarou a mão e depois os olhos rubros.
—Eu gostaria de fazer um pedido. Poderia forjar um punhal para mim? Com minhas chamas?
Orn recolheu a mão e cruzou os braços.
—Você não tem cara de que usa um punhal.
Balançou a cabeça.
—Quero dá-lo a minha companheira.
Orn passou a mão pela longa barba.
—Dragões realmente fazem qualquer coisa por suas companheiras em? — O velho bode deu de ombros. — Minha única alegria na vida é forjar em paz e, como um bom ferreiro, jamais perderia a chance de forjar com as chamas de um dragão. Que material quer usar?
Acnologia balançou os ombros.
—Não entendo de metais. — Esclareceu. — Mas quero que use isso.
Transformou-se parcialmente na forma humanoide. Enfiando uma das mãos na boca, agarrou uma de suas presas afiadas e a arrancou. O dente afiado curou-se em poucos segundos e, em suas mãos, estava um belo dente longo e pontudo.
Os olhos do antigo ferreiro brilharam. Usar partes do corpo de feras poderosas podia criar metais e ligas incríveis.
—Diga o metal que for mais adequado. Eu darei um jeito de conseguir.
Orn abriu um sorriso.
—Não se preocupe. Esse punhal é algo que terei orgulho em fazer.
“Nós, serial killers, somos seus filhos, somos seus maridos, estamos em toda parte. E haverá mais de suas crianças mortas amanhã” – Ted Bundy
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