A Arte do Caos

37 Acerto de contas.


Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS, PESTINHAS.

As vezes as coisas não saem como planejado e as vezes pendências voltam para obrigá-lo a acertá-las.

Pelo menos essa pendência pensou que podia fingir demência como se nunca tivesse acontecido, mas estava errada. O passado persegue firme as pessoas.

Os arquivos da Fairy Tail eram enormes e precisavam ser constantemente organizados. Quando Mirajane pediu sua ajuda não hesitou em vir. Os relatórios de missões precisavam ficar constantemente organizados caso houvesse algum problema, o que era problemático tendo em vista o volume enorme de missões que a guilda fazia.

Não eram a guilda mais forte só por poder, mas também eram uma das que mais realizavam missões. Competentes, embora destrutivos.

Além disso mira estava separando missões boas e lucrativas para que Viego e ela pagassem a casa, o terreno e as reformas. Uma mão lava a outra.

Ouviu a porta se abrir e fechar enquanto colocava as caixas de papelão em ordem nas prateleiras de alumínio do galpão dos arquivos, organizando tudo em uma numeração sistemática.

—Mira? — Chamou. — Estou quase terminando as missões de janeiro. Já organizei as prateleiras de A a F. Você já tirou tudo que vai pro arquivo morto?

A pergunta morreu quando viu quem apareceu no corredor. Alta, os cabelos brancos da irmã, tinha crescido consideravelmente e seus olhos azuis e corpo magro a faziam parecer uma legítima modelo de passarela.

O corpo de Lissana era completamente diferente do seu. Seus seios eram grandes, os dela eram pequenos, ela era mais alta e, tirando Levy, era uma das mais baixas da guilda. Resumindo ela era o corpo ideal das grandes modelos de revistas de moda e linda, em todos os aspectos. Sua personalidade, entretanto, não era tão linda assim. Pelo menos não em sua opinião pessoal.

—Lissana. — Forçou o sorriso. — Não esperava você aqui. Pensei que fosse sua irmã com mais arquivos. — Foi a mais educada que conseguiu.

Nunca esqueceu do que a Staruss mais nova tinha feito consigo anos atrás, apenas fingia que nada aconteceu. Desde que voltou a guilda, ambas se evitaram constantemente e o assunto foi totalmente enterrado, mas nunca resolvido. Nenhuma das duas pareceu querer trazê-lo a tona, talvez pela mesma razão: Mirajane.

O problema de forçar a enterrar o problema e que ele nunca se resolvia e só piorava uma relação que nem se quer existia. Sempre quis saber o porquê da raiva que ela sentia por si e a causa de ter virado Natsu – mesmo que tivesse sido por um tempo – contra si também.

Na verdade, nunca entendeu nada direito. Quando saiu Natsu tinha um comportamento, mas quando voltou parecia ter retomado a consciência. De qualquer forma o medo de estragar as relações boas que tinha agora, relembrando o problema, era maior que sua vontade de resolvê-lo.

Os olhos azuis frios se apertaram. Ela largou a caixa de arquivos ali mesmo, provocando um barulho rude que ecoou sobre o lugar.

—Fique sabendo que um dia as coisas voltam a ser de quem elas deveriam ser. — Ela falou como uma ameaça, se virou e foi embora.

Ficou lá, parada, sem entender uma palavra.

Após alguns instantes retomou a postura.

—Tudo bem então. Voltamos a nos ignorar. Eu acho...

E retomou a organização dos arquivos.

~*#*~

A frase "morrer de tanto trabalhar” nunca tinha entrado em seu vocabulário antes e nunca tinha feito tanto sentido. Agora que ele, Lucy, Viego e Isolde finalmente tinham conseguido garantir os chalés e o terreno das montanhas, tinham que ralar para pagar as prestações, tanto do terreno quanto das reformas que tiveram que fazer para conseguirem se mudar para os chalés. Ainda havia muito a se fazer até que se tornassem perfeitos, mas o dinheiro acabava mais rápido do que conseguiam ganhá-lo.

Nunca tinha ganhado tanto dinheiro na vida e nunca tinha visto tanto dinheiro sumir tão rápido, mas valeria a pena. Finalmente teriam um lugar para ficar em definitivo em Magnólia, indo para as montanhas apenas quando precisassem sumir da cidade por exigência do reino. Seria perfeito.

Viego tinha se provado ser o rei divino das administrações financeiras como um dia tinha sido em Camavora. Ele pegava parte daquilo que ganhavam nas missões e reinvestia em alguns fundos para terem uma renda que não dependesse apenas das missões da guilda. Alguns desses investimentos já tinham até mesmo dado retorno e ajudado a pagar a casa, mas, como ele mesmo havia dito, o dinheiro de fato só começaria a fluir daqui a no mínimo um ano e, até lá, teriam que passar os próximos meses trabalhando como 4 condenados para realizarem seus sonhos.

Ainda assim valeria a pena.

Entretanto isso significava que estava morto e acabado, tão morto e acabado que, enquanto Lucy e Isolde estavam em uma missão para fazer vestidos para uma revista de moda – Lucy servindo apenas de assistente – e Viego ajudando o mestre com as finanças e aplicações da guilda em troca de mais prioridade em missões lucrativas, estava lá, aproveitando uma única horinha de descanso num sofá no canto do Hall da guilda.

Nem mesmo pensou. Viu o sofá, tirou a blusa suada e as botas e se jogou ali como se não pudesse dar mais um passo. Deitado de barriga para cima, colocou o braço em cima dos olhos e apagou.

Essa rotina estava tão exaustiva e privativa quanto as missões do governo, mas tinham um propósito. Desde que voltaram a ser reconhecidos como cidadãos — embora ainda fossem obrigados a deixar a cidade quando a realeza vinha já que eram um `risco potencial a vida da realeza`- sentia que queria finalmente se acomodar.

Viego tinha razão quando disse que nunca tinha pensado em coisas para dar a Lucy – como a aliança — e nem nas próprias necessidades de espaço. Parte disso era pelo seu estilo de vida antigo e por causa das confusões que foram suas vidas quando voltaram a Magnólia nos primeiros anos, mas agora que estavam estáveis queria ter um lugar para chamar de seu.

As montanhas eram boas, mas eram longe de tudo e todos e o apartamento — além de ter subido muito o aluguel – era pequeno. O lugar sempre teria seu carinho, mas queria uma área mais ampla que se sentisse mais confortável. Muvuca de centro de cidade e vizinhos próximos eram claustrofóbicos para sua natureza selvagem, principalmente por causa de seus sentidos sobre-humanos.

Lucy também parecia concordar em ter um espaço mais amplo, mas ainda queria viver em Magnólia, o que tornava aquele terreno com os chalés um achado enorme que encaixava perfeitamente em seu desejo e Viego e Isolde, após tantos anos nos holofotes quando eram reis, também pareceram querer uma vida mais isolada e sua convivência fácil com ambos permitia que vivessem facilmente naquele terreno.

O sacrifício de todas aquelas horas com pouco sono, uma missão atras da outra e o pouco tempo que tinham um com o outro valeriam a pena.

Mesmo assim iria continuar reclamando mental e verbalmente sobre. Queria poder deitar e dormir direto durante umas 12 horas seguidas e depois transar com ela até o esquecimento. Já fazia um tempinho que não tiravam tempo um para o outro, apenas com rapidinhas aqui e ali como adolescentes, o que, sim, o levava a ter um caso de saco roxo, especialmente quando descobriu alguns livros de romance erótico que sua maguinha sapeca tentava esconder em meio aos próprios livros e a outros mais leves.

Ela já tinha revelado seu desejo oculto de gostar de apreciá-lo perder a cabeça e gozar e recentemente tinha descoberto um correlacionado, principalmente quando leu parte do livro — já que não tivera tempo de finalizá-lo- que seria vê-lo se masturbar.

A ideia de se dar prazer com as próprias mãos tinha sido completamente broxante desde que a tomou como companheira. As mãos de Lucy sempre seriam mais agradáveis, entretanto a ideia de fazer isso enquanto ela o olhava tinha – admitia – deixando-o de pau duro. Entretanto esse momento deveria ser apreciado, e não tinham tempo para isso.

Mas isso não o impedia de sonhar com o momento desde que foi apresentado a idéia.

Neste momento o pouco tempo livre que tinha arrumado estava sem Lucy e acabado demais depois de concluir uma missão de reunir várias cabeças de gado que tinham escapado para a floresta. Não era um trabalho difícil, mas pagava muito bem e era cansativo. Mesmo com suas habilidades naturais de caça, aquilo lhe tomou bastante tempo.

Estava dormindo tão pesado que com toda certeza se atrasaria para a próxima missão, não que quisesse fazê-la, mas o pagamento era auto para caralho.

O fotografo pervertido de Mirajane queria colocar os magos da Fairy Tail para serem os modelos da coleção de verão de praia que sairia essa semana, fomentando as vendas já que o calor estava de matar. Segundo ele, Mirajane, Canna, Elfman e outros estavam ideais para as coleções de roupas, mas os biquinis venderiam muito mais se fossem vestidos pela misteriosa dupla de casais das fadas.

Não gostava da ideia de ser um modelo tanto quanto Viego que não disfarçou o desgosto e gostavam menos ainda da ideia de Lucy e Isolde serem modelos e estamparem capas de revistas por toda Fiore durante o próximo mês, mas o número de zeros no cheque era irrecusável. Pagaria por toda a reforma das duas casas.

Já tinham se mudado para os chalés após fazerem as reformas básicas, mas ainda precisavam de uma ajeitada para ficar do jeito que queriam e também para colocar uma banheira bem grande. Pois é, tinha pego o hábito de Lucy de ficar em banheiras, não pelo banho mas pelo que poderiam fazer dentro dela. Seria delicioso ter a mão de sua companheira seguindo as linhas tribais de seu corpo enquanto se deliciava com suas expressões.

Via de regra ninguém o tocava. Lucy o fazia por que tinha o direito e nenhum medo de qualquer reação que tivesse, podendo simplesmente enfiar as mãos em qualquer lugar. Isolde o fazia para acordá-lo por que já estava habituado a sua presença, mas mesmo assim era só alguns poucos toques e cutucões. O resto tinha medo, não só pelo instinto, mas pelas reações que poderia ter ao ser tocado – uma coisa que não mudou muito mesmo com seu controle – por que era instintivo repelir qualquer outra pessoa que não fosse sua maguinha.

A mão tocou sua barriga e desceu na direção de seu pau não era de Lucy Heartphilia.

Foi impossível suprimir o instinto defensivo, despertando voraz em repulsa ao toque, as chamas saíram furiosas de sua pele, os músculos enrijeceram e acordou abruptamente, já transformando suas garras, a besta, pela primeira vez em muito tempo, saindo um pouco de seu controle, pronta para dilacerar quem os havia tocado.

O grito de dor feminino foi estridente e ouvido por toda a guilda. Quando estava prestes a se arremessar do sofá para arrancar a cabeça de quem quer que fosse, seus olhos rubros identificaram a figura, caída no chão, encolhida em forma fetal, chorando, segurando o braço queimado vermelho e sangrando. Os olhos azuis estavam repletos de pavor e medo cru.

—Lissana? — Questionou totalmente confuso.

A besta rosnava para ela, seu corpo repleto de magia nas veias, pronto para a briga, mas sua mente ainda letárgica de sono e confusão. A única coisa que o impediu de matar a Staruss foi a sorte de tê-la reconhecido antes de retalhar seu corpo com as garras e queimar mais do que apenas seu braço.

—Lissana? — A voz de Mirajane ecoou no hall vazio da guilda, acompanhada de outros passos apressados e preocupados.

Elfman pulou do segundo andar correndo até a irmã mais nova. Natsu, Lucy, o Mestre, Viego, Isolde, Gajeel e Laxus vieram também, cada um de um lugar, o mais rápido possível.

—O que aconteceu? — Elfman perguntou desesperado.

Soluçando e se encolhendo para perto do mais velho ela falou, a voz retalhada com a dor que sentia.

—Ele me queimou! — Praticamente gritou, se enterrando ainda mais em soluços e lágrimas.

Ah, pronto. Passou a mão no rosto, o resto de sono passando imediatamente e a tenção virulenta começando a dominar o seu corpo. Apertou os olhos esfregando-os com os dedos.

—Você queimou a minha irmã?! — A voz de Mirajane saiu furiosa e nem precisava olhar para saber que ela estava prestes a usar uma de suas transformações.

Abriu os olhos para encará-la e sua marcha furiosa foi interrompida, congelando-a no lugar por instinto. Seus olhos estavam vermelhos e sua esclera completamente negra. O instinto de autopreservação falava mais auto que sua fúria pelo estado da irmã. Ela não era a única puta ali. Odiava ser tocado por qualquer um que não fosse Lucy.

—Não foi intencional. — Tentou esclarecer, buscando uma calma que não tinha.

Odiava a irmã de Mirajane pelo que ela tinha feito com Lucy, mas nunca fez nada primeiro por que sua maga nunca quis tomar partido sobre as águas passadas e segundo pelo respeito a amizade que tinha desenvolvido com a maga demoníaca ao longo dos anos. Durante todos aqueles anos apenas a ignorou como se fosse uma mobilha no canto da sala.

Buscou Lucy com os olhos. Ela estava confusa, os lábios torcidos e indecisos, olhando para Lissana e depois para si, claramente tentando entender o que havia acontecido.

O queixo de Mirajane se ergueu, os olhos apertando friamente com a raiva quando falou.

—É melhor começar a explicar! — Exigiu.

Teve o ímpeto de colocá-la em seu lugar usando sua aura de alfa, mas suprimiu. Sabia que isso vinha do descontrole da fera que não aceitava imposições de ninguém além de Lucy.

Apertou os lábios olhando para Lissana, mergulhada na dor nos braços do irmão e depois voltou-se para Mira.

—Eu estava dormindo no sofá e acordei com ela tentando agarrar o mau pau. — Foi curto, grosso e direto.

Os humores e lados na sala mudaram rápido. Alguns ficaram extremamente confusos, Lucy olhava para a maga albina no chão com uma raiva imensa, Natsu parecia – incrivelmente – puto, e não entendeu por que, já que seus olhos raivosos também estavam direcionados a Lissana e não a si. Mirajane ficou chocada, Laxus não sabia o que fazer, o Mestre puxou uma bebida do paletó e Elfman ficou possesso.

—O que? — O mago musculoso exclamou. — Você queima minha irmã e ainda fala isso dela? — Sua raiva queimava em cada palavra. — Eu vou te matar! — Gritou, já deixando a irmã no chão e se levantando para a briga.

—Já chega! — Surpreendentemente Mirajane quem falou.

O irmão mais velho parou, chocado.

A aura da maga classe S desapareceu do ambiente, ela suspirou, colocando as mãos no rosto e o esfregando, parecendo ganhar 10 anos de velhice por alguns segundos.

—Mira-ne? Por que? — Questionou.

—Por que acredito nele. — Isso deixou todos chocados.

—Como você... — Elfman começou bravo mas foi interrompido.

—Por que meu marido é um caçador de Dragões, Elfman. Acnologia pode ser muitas coisas mais não é mentiroso. Eu sei o que acontece quando alguém que não é uma companheira tenta tocar um deles. É um instinto de defesa. Além disso Acnologia é uma pessoa de natureza violenta, mas sua violência é absolutamente previsível. Queimar pessoas do nada não faria sentido algum.

Franziu o senho. Violência previsível?

Elfman encolheu por que sabia que ela tinha razão, mas sua raiva ainda estava lá, só não sabia a quem direcionar agora. Olhou preocupado para a irmã que chorava, a dor impedindo-a de assimilar o que acontecia ao seu redor.

—Vamos levar Lissana a Wendy. — Decretou. — Depois resolveremos o resto.

~*#*~

O ensaio de fotos foi remarcado por ordens de Mirajane. O fotógrafo não questionou. A maga raramente pedia remarcações então não hesitou em fazê-lo quando pediu.

Lissana precisou ser atendida por Poluska. A maga tratou as feridas e sedou a maga de forma pesada, já que ela gritava de dor cada vez que tentava tocar em seu braço.

—Voltem amanhã. — A curandeira decretou. — Os sedativos só vão perder efeito amanhã e vamos reavaliar o braço, mas já aviso que não sei se conseguirei reverter o estrago sem deixar cicatrizes. — E olhou brevemente para o dragão, antes de fechar a porta na cara de todos.

Suspirou, jogando-se na cama de casal depois de um banho demorado. Sua mente estava exausta. Já sabia que haveria sequelas. Suas chamas não eram normais e normalmente as pessoas sequer saiam vivas quando tentavam encará-las.

Lucy se deitou ao seu lado e o encarou, tirando os cabelos que caiam na frente de seu rosto.

—Você está bem?

Suspirou, pegando sua mão, levando-a a boca para dar um beijo e depois acariciando-a com o polegar.

—Sim...

Ela abaixou a cabeça, o nariz próximo ao seu.

—Mas?

Não conseguia esconder nada dela.

—Mas tem alguém querendo falar com você. — Murmurou.

A besta estava calma, porém inquieta. Ela possuía a mesma insegurança que sentia, mas estava muito mentalmente cansado para lidar com a questão agora, então seria um preguiçoso e deixaria nas mãos de sua outra parte para esclarecer. Não é como se ele não gostasse de ganhar a dominância quando permitia.

—Hum. -Ela murmurou antes de beijá-lo. — Deixe-o vir. — Sussurrou entre seus lábios.

Segurou-a pelos cabelos, enquanto ela fazia o mesmo com as mãos em sua face, aprofundando o contato. Deixou que a besta assumisse.

Seus dentes ficaram mais pontiagudos, os olhos vermelho com a esclera negra e as tatuagens mudaram de seu azul característico para um vermelho vivo. Sua segunda metade, depois de muitos anos, conseguia se manter completamente humana, mudando apenas algumas poucas coisas.

Lucy quebrou o beijo e olhou em seus olhos. Suas mãos, agora espalmadas no tórax nu, tremeram com o breve ronronar. Ele acariciou sua bochecha com a mão, inclinando o rosto para o lado.

—Você está brava por eu ter queimado a garota?— A voz draconiana parecia preocupada. Não pelo que fez, mas pelo que pensaria.

Apertou os lábios, tamborilando os dedos sob as marcas vermelhas.

—Não. — Confessou.

Coçou os cabelos e suspirou frustrada, desabafando.

—Eu me sinto mau por me sentir bem por você ter feito isso. Eu não gostei nadinha do que ela fez, mas ao mesmo tempo não quero brigar com Mira ou com Elfman, mas isso também significa que eu vou ter que desenterrar um passado morto a anos, algo que eu também não quero fazer. Mesmo assim amanhã eu quero descascar Lissana e entender por que ela fez isso e saber por que ela me odeia tanto.

Grunhiu, enfiando o rosto no peito quente e se apertando contra sua pele.

—Eu estou confusa. — Admitiu, a voz soando fraca e abafada pela posição, mas sabia que ele ouviu.

As mãos quentes entraram por sua blusa e seu nariz começou a futricar por seus cabelos.

—Que bom.

Ergueu o rosto para encará-lo, apertando os olhos em desaforo.

—Que bom por que estou confusa? — Questionou incrédula.

Ele ignorou facilmente sua raiva, erguendo um pouco a cabeça para passar os dentes e a língua em seu pescoço.

—Que bom que não está brava comigo.— Esclareceu.

Bufou incrédula. Obvio que a noção de empatia daquela parte era um pouco reduzida. Ou melhor, ele não tinha.

—Eu posso começar a ficar brava com você agora se quiser. Caso não tenha notado, nós estamos com um problema em mãos! — Ralhou, tentando ignorar a sedução lenta que ele fazia em sua clavícula.

Além de toda a questão de revirar o passado e poder ganhar a inimizade de parte de seus amigos, havia a questão que nenhum membro da guilda podia machucar outro sem uma boa razão, e instinto defensivo – mesmo que se tratasse de um assedio — não estava bem na lista, muito menos provocar danos permanentes.

Claro, como os magos lutavam entre si, machucar o outro era algo comum, mas nunca foi algo tão grave e unilateral. O Mestre com certeza daria uma punição e ainda tinham que pagar as prestações em dia por um bom tempo.

—Eu ainda sinto uma raiva vindo de você. — Falou, naturalmente ignorando os outros problemas.

Obviamente para sua parte animalesca questões políticas e sociais eram irrelevantes. Tudo se resolvia na força com aquele ali.

—O que é? — Perguntou finalmente tirando os dentes de seu pescoço.

Suspirou, sabendo que se aprofundar em outro assunto que não fosse os dois seria infrutífero com aquela besta. Deitou a cabeça de lado em seu peito, ignorando sua pergunta e passando as pontas dos dedos pelas enormes riscas vermelhas. Elas serviam de aviso para qualquer um que tentasse desafiá-lo, mas para si eram fascinantes e lhe dava vontade de lambe-lo.

Desceu o dedo por uma delas, contornando próximo ao mamilo, e ficando tendenciosa a querer descer mais, acompanhando uma próxima linha que desceria por sua barriga até o umbigo, mas não o fez.

—Ai! — Resmungou quando ele mordeu seu couro cabeludo.

—Responda. — Sua palavra era uma ordem, mas sua voz era um resmungo.

Seu tom e domínio alfa não funcionavam consigo e, quando ele queria alguma coisa, ele ficava amuado e resmungão já que não podia obrigá-la a responder.

Suspirou. Reconhecia muito bem o tipo de raiva que ele estava querendo saber sobre. Era seu ciúme. Seu coração estava apertado com a possibilidade de ficar em maus lençóis com uma amiga tão querida quanto Mirajane, mas seu ciúme e um pouco do rancor que sentia pelo que Lissana fez, a impediam de se sentir culpada por Acnologia possivelmente deixar uma cicatriz permanente na garota.

Permitiu que sua mão descesse pelo caminho que tinha desejado fazer enquanto falava.

—Eu estou com raiva. — Admitiu, as bochechas coradas.

Os músculos poderosos se contraíam a medida em que traçava suas linhas, a barriga tencionando a medida em que descia, sempre correspondendo ao seu toque.

—Eu odiei a audácia dela de tentar te tocar. — Até mesmo sua voz saiu raivosa e irritada.

Fez uma pequena volta ao redor do umbigo antes de descer mais, acompanhando a linha em V que descia pela pelve. A estria vermelha viva descendo, sendo escondida dentro da calça, como se indicasse um caminho delicioso o qual conhecia bem. Parou no limiar do elástico, passando o dedo entre a pele exposta e a roupa.

—Eu me sinto culpada por gostar do fato de você tê-la queimado por isso, mas não consigo ficar triste por isso. — Assumiu.

O ronronar retumbou grave embaixo de sua orelha. Um volume que já tinha dado sinais desde que começou a passar os dedos em sua barriga ficou mais evidente, escondido embaixo de suas calças. Por que ele ainda não havia se jogado em cima de si era um mistério. Controle não era uma característica dessa parte de Acnologia.

Seus dedos agarraram seus cabelos e ele deu um leve puxão neles, indicando que ele queria ver seu rosto. Ergueu-se um pouco, apoiando-se com o cotovelo no colchão e mantendo a mão em sua barriga como apoio.

Ele trouxe seu rosto para perto e roçou os lábios nos seus. Um sorriso pendia no canto de seus lábios.

—Posso queimar muito mais se quiser.— Ronronou deleitoso. — Posso matá-la.

Ah. Então ele gostava de vê-la sentir ciúmes. Por isso estava tão controladinho agora.

—Não! — Exclamou meio preocupada com a forma simples que ele dizia aquelas palavras. — Não vai matar ninguém. Especialmente Lissana.

Sua expressão saiu de uma deleitosa e brincalhona para uma raivosa séria. Seus olhos se tornaram mais rubros e brilhantes.

—Ela te machucou.— Falou referindo-se ao passado.

Acnologia nunca tinha perdoado Lissana pelo que fez. Nenhuma das duas partes.

Suspirou, baixando o rosto um pouco para perto dele.

—Eu sei, mas isso não é motivo para matar alguém. Além disso sou um pouco grata a ela por isso.

O rosnado foi tão carregado de ódio e grave que seu corpo chacoalhou também. Ele expos os dentes em total desagrado a sua fala.

—Ela merece...

—Me escute. — Falou interrompendo-o. — Ela tinha razão. Na época eu era dependente demais do meu time para muita coisa. Eu precisava de tempo e de treinar a mim mesma, não só em poder mais em minha confiança. Eu precisava de mais amor próprio. — Esclareceu.

De fato, era sempre dependente de Natsu, ou de Erza. Eram um time, times serviam para complementar fraquezas, mas sentia que estava de fato ficando para trás. Precisava se conhecer melhor, ser mais independente e forte por si mesma para complementar melhor o time mais forte da Fairy Tail.

—Além disso, se ela nunca tivesse feito aquilo eu nunca teria ido para uma cidade no meio do nada e não teria conhecido você.

Sua expressão azedou em uma careta, mas a raiva saiu. Era óbvio que ele não tinha como refutar esse argumento.

—Eu não posso pedir que a perdoe, mas quero que esqueça essa história de se vingar por mim. Acabou e, por mais que tenha sido doloroso na época, isso me deixou mais forte e me trouxe uma alegria imensa: você.

Era meio intrigante como aqueles olhos mortais e sinistros adquiriam uma aparência de cãozinho abandonado quando recebia um elogio certo. Era tão fofo que queria morder seu nariz e apertar suas bochechas.

Ele a puxou para beijá-la. Os dentes afiados mordendo carinhosamente seu lábio inferior logo antes de se deixar levar.

—Eu vou deixá-la viver.— Rendeu-se. — Mas vou queimá-la de novo se ela tentar algo outra vez. — Impôs.

—Ótimo. — Sua mão desceu, enfiando-se em sua calça e agarrando seu pau. — Por que só eu posso fazer isso aqui.

E enfatizou masturbando-o lentamente, deslizando a mão pelo comprimento sedoso, chegando ao cume apertou suavemente e esfregou o polegar na glande. Ele gemeu fechando os olhos e apreciando o prazer. O beijou mais uma vez, mantendo a mão em seu pênis, e masturbando-o embaixo do tecido.

Ele agarrou seu pulso com uma mão, parando seus movimentos e puxou seus cabelos com a outra, quebrando o beijo. Ele ronronou, o nariz raspando no seu antes de falar.

—O que você quer que eu faça? — Murmurou em um tom rouco.

Ele apertou sua mão, acompanhando-a no movimento, e fazendo-a esfregar o cume que já estava um pouco húmido. Isso deixou óbvio suas intenções e aquela parte tinha uma tara enorme em realizar seus fetiches.

Suas bochechas ficaram vermelhas. Ele tinha descoberto mais uma das coisas que queria experimentar. A ideia de vê-lo se masturbar a deixava molhada e seu ventre pulsava com a expectativa. Observar aquela criatura sexy e selvagem se desdobrando em prazer era incrivelmente satisfatório, mas...

—Não. — Respondeu lhe dando um selinho e sorrindo. — Hoje não.

Ele ficou um pouco confuso. O fez soltar seus cabelos e foi descendo, marcando seu peito e barriga com beijos e seguindo as linhas vermelhas com a língua.

—Hoje eu quero outra coisa. — Completou puxando seu pau para fora das calças.

Ele saiu duro, o cume avermelhado e húmido. Sua boca salivou em expectativa.

Tinha odiado pensar no fato de Lissana, mesmo que por alguns segundos, tivesse tocado aquela barriga sexy que salivava só de olhar, ou o presentinho prazeroso pouco abaixo dela. Sentiu uma necessidade primitiva e ciumenta de lambe-lo, beijá-lo e ama-lo, declarando sua posse sobre aquele corpo magnífico.

E foi o que fez quando o abocanhou. Talvez não fosse tão diferente assim da parte territorial de Acnologia.

Ele gemeu, jogando a cabeça para traz, mergulhando nos travesseiros e agarrando seus cabelos.

Sugou o cume molhado, sorvendo um pouco de seu sabor, antes de esfregá-lo com a língua e tomá-lo mais fundo na boca. Ele puxava seus cabelos, mas não forçava sua cabeça.

Ele dobrou um dos joelhos, ainda mantendo as pernas abertas. Sabia que ele fazia isso para evitar ceder ao impulso de empurrar os quadris contra sua boca e machucá-la. Isso era uma delícia.

Soltou o pênis com um `poc` e desceu, lambendo-o até chegar nas bolas. Puxou-as mais para fora da cueca e as sugou para a boca enquanto mantinha-se masturbando o pau com a mão. A pressão em seus cabelos aumentou e ele gemeu. Admirou-o morder os lábios com os dentes afiados, os olhos fechados, parecendo em transe. A fina camada de suor começava a aparecer por sua pele, deixando-o mais sexy.

Seu ventre pulsou.

Abocanhou-o outra vez, sugando-o forte, sempre esfregando a língua em sua parte mais sensível.

—Lucy... — Ele gemeu.

Sua mão se fechou como garras no edredom da cama e os dedos da outra puxaram mais bruscamente seus cabelos. Ele estava perto e queria gozar.

Queria que ele o fizesse também. Usou as duas mãos para segurar seu pau, usando-as para masturbar a base enquanto a boca cuidava do cume. Sugou-o com mais força, tomando cuidado com os dentes, esfregando a parte mais sensível com movimentos repetitivos.

Conseguiu manter os quadris dele no lugar com as mãos, mas o tronco se retorceu para cima. Sua pelve tremia para se mexer furiosamente contra sua boca e pode sentir o liquido pré-ejaculatório em sua língua.

Fazia tempo que não se tocavam. Ele não duraria muito.

Acelerou os movimentos, aumentando a pressão no falo rígido. Ele cedeu.

Gemendo, seus quadris se ergueram um pouco e ele gozou em sua boca. Os longos jatos pareciam intermináveis enquanto ele prendia a respiração, sendo atropelado pelo prazer bruto.

Engoliu e o soltou, usando sua calça para limpar os cantos da boca. Ele ainda não havia largado seus cabelos, mas sua respiração arfante e seu corpo jogado na cama apontavam o quão avassalador tinha sido.

Sorriu. Isso inflava seu ego. Fazer um mago tão poderoso ficar a sua mercê dessa maneira lhe dava tesão e deixava seu orgulho feminino nas alturas.

Subiu com beijos outra vez, passando a língua pelos contornos definidos da barriga trincada, sugando os mamilos rígidos, mordendo a garganta até chegar a seus lábios.

Ele abriu os olhos assustadores e lhe tomou em um beijo. A mão forte puxou seus quadris para cima dele e ele de ergueu, recostando-se na cabeceira, deixando-a ajoelhada, a bunda em suas coxas enquanto a prendia ali pela cintura.

Desceu a mão por entre seus corpos e agarrou o pau semi rígido outra vez. Ele gemeu contra sua boca quando voltou a masturbá-lo outra vez, o órgão crescendo novamente a cada movimento que fazia.

Quebraram o beijo para respirar.

—Quantas vezes será que consigo fazer você gozar com minhas mãos? — Perguntou na brincadeira.

Ele gemeu, beijando seu pescoço até a base de sua orelha.

—Eu sou seu.— Declarou. Um calor tomou só coração de uma forma avassaladora, se espalhando por seu estômago. Eram palavras que nem sabia que queria ouvir e amou ouvi-las. — Faça o que quiser.—Completou, tirando a cabeça de seu pescoço e a encarando com amor.

Por alguma razão ele parecia querer encarar sua brincadeira.

Os olhos vermelhos e a esclera negra não a intimidavam, lhe davam coragem e admiração. Amava eles azuis, adorava o vermelho. Todo dia tudo que queria era beijar aquele homem e, agora, ele aceitava facilmente seus desejos.

—Eu te amo. — Sussurrou, os lábios quase colados nos dele.

Uma das mãos quentes voltaram a agarrar sua nuca e a puxá-la para mais um beijo. Sua outra mão capturou a sua livre e a guiou para seu pau, agarrando as duas com a sua maior, e fazendo-a se mover, mais rápido e forte, mostrando qual o ritmo que queria enquanto gemia contra sua boca.

~*#*~

Poluska não queria tantas pessoas assim no quarto da enfermaria, mas quando viu que ninguém estava disposto a sair e o assunto era sério ela desistiu.

Lucy, Acnologia, Mirajane, o Mestre, Laxys, Viego, Isolde, Elfman e Natsu estavam lá. Não entendia o que o dragão de fogo fazia ali, mas nunca tinha visto ele tão sério na vida, então não quis questionar. Viego e Isolde eram dois fofoqueiros que se recusavam a sair e estavam ali para defender ferrenhamente o dragão. Todos observavam, seja com ansiedade, raiva ou imparcialidade, o momento em que Lissana começava a acordar.

Os olhos azuis tremeram e ela finalmente despertou, parecendo mais letárgica que o normal. Obviamente a curandeira injetou morfina em seu corpo para que não sentisse dor e pudesse ter uma conversa civilizada.

—Mira...? — Ela questionou com a voz rouca, já que a irmã foi a primeira pessoa que viu, uma vez que estava mais próxima a cama.

Então ela começou a assimilar os fatos, finalmente parecendo relembrar o que ocorreu ao ver o braço coberto por uma camada fina de gaze e uma quantidade enorme de um composto esbranquiçado com cheiro forte de ervas. Logo em seguida ela começou a notar que existiam outras pessoas no quarto, mais ao longe da cama, escoradas em algum canto.

Quando seus olhos caíram em Acnologia o medo genuíno os tomou. Sua pressão subiu e ela se encolheu para longe, indo na direção da irmã.

—Mira! — Ela exclamou em desespero. — Tire-o daqui! Ele me queimou Mira-nee!

Mirajane aparou a irmã, mas suas feições estavam imparciais. Lissana percebeu isso, já que ninguém se moveu para tirar Acnologia do quarto.

—Mira? — Questionou, encarando a irmã de forma confusa.

—Por que você tentou assediar Acnologia? — Mirajane foi direta e seca, o que surpreendeu a todos.

Só que isso não era surpresa para os dois irmãos. Lissana estava com um comportamento inconstante a muito tempo. Passaram pano por pensar que fosse relacionado com seu retorno de Edolas e sua saída da adolescência, mas tudo tinha limites.

Ela soltou o ar antes de falar, parecendo incrédula, não com a acusação mas com a irmã.

—Assediar? Eu nunca assediei ninguém! Eu ia pedir para ele sair do sofá para que eu limpasse o salão e ai ele me queimou sem motivo algum! — Praticamente gritou, tentando parecer desesperada.

Lucy abriu a boca para defender Acnologia, mas Mirajane foi mais rápida.

—Você sabe que não pode acordar um caçador assim. A mesma coisa quase aconteceu quando você foi me visitar e eu expliquei o que aconteceria se tentasse acordar Laxus o tocando. Você sabia que Acnologia a queimaria e, embora eu esteja furiosa com ele por isso, eu acredito nele quando ele disse que reagiu por instinto e principalmente onde ele disse que você o tocou.

O rosto de Lissana ficou branco. Ela notoriamente tinha pensado que a maga classe S ficaria ao seu lado e, aparentemente, tinha esquecido o que quer que tivesse acontecido com Laxus.

—Já tenho tolerado seus comportamentos explosivos a um tempo Lissana. — Completou de forma dura. — Eu quero uma explicação!

—Eu... eu... — Ela engoliu, retomando um pouco de firmeza. — Eu não fiz isso. Ele está mentindo! Como pode acreditar nele e não na sua irmã?

Seja o que for que Mirajane fosse falar foi interrompida por Natsu. O mago jogou em cima da cama um pote de vidro com tampa verde. A primeira vista parecia um pote comum de creme hidratante e, quando viu o pote caído a sua frente, Lissana ficou tão pálida que parecia que ia desaparecer.

—Você está usando essa merda nas pessoas novamente, não é? — O tom de Natsu foi ácido. — Eu desconfiei. Eu fui na sua casa e encontrei isso no seu quarto. Eu te avisei que se visse você usando isso de novo eu não ficaria calado. Que merda Lissana! Você precisa procurar ajuda. Isso é doente!

Ok. Ninguém sequer se moveu, pois tentavam processar o que acontecia.

Nunca viu Natsu ficar tão furioso. Nunca tinha visto ele falar tantos palavrões. Nunca tinha visto ele parecer a ponto de arrancar a cabeça da Staruss.

O que diabos Natsu sabia?

—O que é isso? — Elfman perguntou, pegando o pote nas mãos e abrindo-o para analisar o conteúdo.

—Marmorion com Verbena. — A resposta veio de Poluska que entrou no quarto com alguns vidros de remédio em mãos.

A menção da droga que Rutti tinha usado para drogar Baskin fez Lucy congelar no lugar, a raiva subindo por sua espinha.

—Mar o que? — O mais velho questionou confuso.

—É uma droga. — A medica continuou. — Marmorion é uma erva que tem a capacidade de diminuir temporariamente o poder de um dragão, constringindo a quantidade de mana que ele consegue acessar de seu núcleo ao bloquear suas veias de mana centrais, que é o que os torna poderosos. A Verbena por outro lado é uma droga zumbi. Ela facilita a absorção de outras drogas, mas na pureza e dosagem correta ela deixa a pessoa sugestionável, basicamente se tornando uma escrava por um breve período de tempo.

Ela colocou os remédios na bancada e continuou falando de costas para todos.

—Uma mistura precisa dessas duas drogas não só faz com que a restrição do poder seja mais efetiva como transforma o alvo em um quase zumbi. Obviamente a efetividade e a duração do efeito depende de pessoa para pessoa.

—O que? — Mirajane brandou, chocada, olhando para a irmã com pavor.

As peças começavam a encaixar, mas o medo de confirmar falava mais auto.

—Como você sabe disso sem nem olhar o pote? — Questionou Laxus.

Ela se virou para todos os presentes.

—Enquanto tratava o braço dela achei uma parte com um composto que não foi queimado. Procurei saber o que era para evitar qualquer reação alérgica ou adversa no tratamento.

Os pontos se ligaram facilmente.

—Você tentou drogar Acnologia? — A voz de Lucy foi estridente.

Ela avançou a passos largos na direção da cama, dessa vez considerando matar Lissandra. Acnologia a barrou, segurando-a pelo cotovelo.

—Não! — Lissana tentou defender, mas sua voz não saiu firme e seu rosto desesperado delatava tudo.

—Lissana, pare de tentar mentir! — Natsu brandou, avançou também. As veias de seu pescoço saltavam com sua raiva e sua magia colocava uma certa pressão na sala. — Você tinha me dito que ia procurar ajuda. Eu confiei em você!

—Qual é o seu envolvimento nisso Natsu? — O Mestre finalmente interviu.

O caçador suspirou forte, passando as mãos no rosto para tentar se acalmar e puxando os cabelos.

—Há mais ou menos 10 anos Lissana arrumou essa merda e usou em mim. — Confessou.

Lucy ficou pálida.

—No início eu nem lembrava muito das coisas, mais depois, eu não sei por que, ela foi perdendo efeito e eu percebi que meu próprio comportamento estava estranho e minha magia não fluía bem. Eu estava ajudando Lissana a fazer missões depois que ela voltou de Edolas para voltar ao ritmo daqui. Foi quando eu percebi que toda vez que saíamos eu voltava mais letárgico. Ela passava essa porcaria em mim sem que eu percebesse quando me tocava.

—A duração tende a diminuir com o uso prolongado. Seu corpo adquiriu resistência e com sua magia voltando a fluir normalmente a verbena não consegue fazer efeito nos dragões. — Esclareceu Poluska.

Natsu suspirou e olhou para Lucy com um certo pesar.

—Eu não lembro direito de muita coisa, mas lembro que ela me fez destratar alguns amigos. — E voltou-se para Lissana outra vez. — Quando descobri eu a ameacei e disse que ia contar para todos. Ela me implorou para que não contasse. Eu aceitei ficar calado por que já estava triste por Lucy ter sumido em um treinamento em algum lugar desconhecido e por Mirajane e Elfman. Lissana tinha acabado de voltar e eu não quis gerar mais uma discórdia. Eu a fiz prometer que nunca mais iria usar isso de novo e a procurar ajuda médica em troca do meu silêncio. Ao que parece isso não aconteceu. — Finalizou seco e com um olhar frigido para a velha amiga.

Mirajane desabou. Laxus a segurou antes que caísse de joelhos no chão e a colocou em uma cadeira de madeira que estava perto da cama. As mãos da Staruss mais velha tremiam e seus olhos refletiam pânico absoluto.

—Isso é verdade? — Elfman perguntou com a voz dura.

Lissana abaixou o rosto e começou a chorar.

—Eu... Eu... Só queria... — Seja o que for, os soluços travavam sua voz.

—Só queria o que? — Apertou Elfman.

—Que vocês prestassem atenção em mim! — Ela praticamente gritou, olhando para o irmão.

Ela enxugou parte das lágrimas e falou com um pouco mais de firmeza.

—Quando eu voltei de Edolas vocês me deram atenção. Mas depois de um tempo continuaram suas vidas enquanto eu fiquei deslocada. Meus irmãos tinham grupos de missão e Nastu, que era a única pessoa que nunca tinha feito um grupo na vida agora tinha um com uma maga celestial que eu nunca tinha visto. Depois disso, no grupo dos jogos mágicos, eu nem mesmo fui cotada para entrar com Natsu. Vocês seguiram suas vidas como se eu ainda não estivesse aqui.

Fez uma pausa, tomando fôlego, com as lágrimas ainda descendo pelo rosto.

—A droga fez vocês olharem um pouco pra mim outra vez e com Lucy indo embora vocês finalmente me enxergaram. — Um sorriso apareceu brevemente, entretanto morreu segundos depois. — Mais ai ela voltou com um namorado vindo do inferno que era tão poderoso quanto um de nossos magos classe S e que roubou a atenção de todo mundo outra vez. Não bastasse isso ele era Acnologia, o Rei Dragão que quase nos matou explodindo a ilha de Tenrou, e que vocês perdoaram com uma facilidade tremenda. — Disse com ironia.

Seus olhos passaram raivosos para Lucy.

—Eu fiquei ainda com mais raiva. Você gostava de Natsu e, quando eu o fiz te ignorar, você continuou seguindo em frente perdoando todo mundo e ainda por cima voltou toda feliz com o amor da sua vida. — Bufou, baixando os olhos para a mão enfaixada. — Como você conseguiu seguir em frente? Eu continuei me sentindo presa a Edolas e você simplesmente sai por ai, encontra um cara que te ama e volta mais forte.

De repente a raiva que sentia de Lissandra murchou e o que restou foi pena. A menina estava claramente perturbada. Aquilo era tão superficial que chegava a beirar o ridículo.

—O que acontece no passado fica nele. — A Maga Celestial falou calmamente. — Não podemos recuperar aquilo que tivemos no passado, só nos resta procurar algo melhor no futuro.

O silêncio prevaleceu por alguns segundos. A albina torceu a cara como se não acreditasse em suas palavras.

—Você gostava de mim? — Perguntou incrédulo e com a voz esganiçada de quem não acreditava.

Aquilo com certeza quebrou o clima de uma forma completamente inapropriada. Teve vontade de socá-lo por se focar na parte errada do assunto.

A maga colocou as mãos no rosto, massageando a própria testa com os dedos como se quisesse amenizar uma enxaqueca. A aura sombria de alfa de Acnologia começou a tomar conta do quarto.

—A questão é o que diabos eu vi em você para um dia ter gostado de você. — Ralhou.

—Como você pode ser tão burro, Natsu? — Laxus jogou na lata. — Era óbvio.

—Eu não me lembro de muita coisa dessa época. — Tentou se defender.

—Era bem óbvio que ela gostava de você muito antes de Lissana voltar. — Contrapôs o caçador.

Sua cabeça realmente começou a doer e a pressão que a magia de Acnologia fazia começou a ficar mais pesada. Era a vez dele de ser consumido pelo ciúme que tinha sentido no dia anterior.

—Eu não sabia disso. Não era nada óbvio. Posso até ser meio lerdo para muita coisa, mas Happy teria notado e falado comigo. Ou seja, ela que é muito ruim com essa coisa de romance.

Disse o encalhado. A raiva subiu por sua espinha quando falou.

—Você não saberia identificar alguém que gosta de você nem se tivesse escrito em um outdoor na sua frente! — Ralhou. — Você realmente espera que um gato enxerido te diga quem gosta de você? Quão lerdo você é?

—Por que simplesmente não falou então? — Ralhou de volta.

—Eu era tímida! — Rebateu.

—Como diabos você fez quando se apaixonou por Acnologia então?

—Chega! — O Mestre cortou a discussão. — Estamos fugindo do ponto aqui. Acnologia eu não sou Lucy para te dar ordens, mas nem pense em fazer confusão aqui. — Sua voz soou dura.

Natsu finalmente olhou para o Rei dragão. Seus olhos estavam rubros e sua aura perceptivelmente alterada. Pulou para longe da maga celeste por instinto, suprimindo a própria presença em submissão para não provocar ainda mais ciúmes ou raiva. Não queria confusão.

—Lissana. — O Mestre chamou. — Por que tentou drogar Acnologia? — A pergunta foi fria e exigia uma resposta sem rodeios.

Ela baixou os olhos para as mãos novamente.

—Eu não sei. Eu pensei em fazê-lo traí-la ou algo assim. — As lágrimas voltaram. — Eu só queria afastá-lo.

Estava possessa e ao mesmo tempo calma. Lissana pela primeira vez parecia mostrar a verdade. Ela tinha se tornado mentalmente doente pelos traumas que sofreu. Não viu falsidade, mas uma clara incapacidade de lidar com as próprias frustrações, transformando-a em uma pessoa cruel.

Mirajane se ergueu da cadeira, encarando Lissana com os olhos cheios de água.

—E em nenhum momento você pensou na irresponsabilidade disso? — Questionou com a voz chorosa e raivosa ao mesmo tempo. Seus olhos estavam molhados, mas as lágrimas ainda não tinham caído — Você sequer imaginou o que aconteceria se a droga realmente funcionasse e você obrigasse Acnologia a traí-la com alguém? Você não é ingênua Lissana! Você sabe um pouco sobre o vínculo por ter contato comigo e Laxus. Além da imoralidade das suas ações você sabe muito bem que Acnologia iria matar quem quer que fosse no instante em que tocasse nele.

Ela estremeceu, finalmente parecendo se dar conta sobre seus atos impensados. Ela seria a direta responsável pela própria morte, ou pela morte de outra pessoa.

Com efeito da droga ou não, a marca era absoluta. Da mesma forma que as chamas dele a queimaram por meramente tocá-lo, seu corpo rejeitaria violentamente quem quer que fosse, queimando sua carne até os ossos.

—Você foi estúpida. — Declarou Poluska, entrando na conversa. — Além de não ter ouvido o conselho de Natsu seu plano é totalmente ridículo.

—Poluska! — O Mestre tentou censurá-la, mas a médica não teria chegado onde chegou se ligasse para os outros.

Lissana riu, mas era uma risada seca e sem sentimentos.

—Eu podia mandá-lo explodir a guilda. — Declarou.

A curandeira pegou o pote nas mãos de Elfman e o abriu.

—Quanto maior a veia de fluxo menos efeito ela tem. — Sem medo algum pegou o braço de Acnologia, passou os dedos na mistura pastosa e colocou-a sob a pele do dragão.

As chamas azuis consumiram a droga rapidamente. Acnologia apertou os olhos para a curandeira, indeciso sobre o que fazer e o que ela pretendia com isso. Não a repeliu por respeito.

—O fluxo de magia de Acnologia é tão grande que a droga não funcionaria, mesmo com o Marmorion bem refinado. Além disso você deveria saber, ou ao menos presumir, que sua habilidade de defender- se é bem superior ao dos outros aqui. Você mesma se condenou a isso. Se está se sentindo destrutiva o bastante para ir de encontro a morte você precisa de ajuda Lissana. E essa pode ser sua última chance.

Ela não citou o fato de que só Lucy podia comandá-lo, mas sua intenção ficou clara. Lissana tinha ido longe demais e colocado tanto a si mesma quanto seus companheiros de time em risco com essa maluquice. A albina estremeceu.

—Eu não... — ela hesitou. — Eu não deixaria que ele machucasse ninguém! Não fisicamente. Eu ordenaria...

—Você continua sendo tola. — A médica a interrompeu, os olhos frigidos ao ponto de fazê-la encolher. — Só existe uma pessoa capaz de controlar Acnologia e este alguém não é você. A única coisa que suas ordens fariam é liberar algo muito mais perigoso e incontrolável. Você poderia ter feito metade da cidade ir pelos ares.

É claro que Poluska sabia da besta dentro do dragão. Lissana pareceu notoriamente confusa com a última parte, mas a curandeira a pressionou com outro assunto.

—Onde conseguiu isso? — Perguntou erguendo o pote verde.

Era obvio que Lissana não teria conhecimento para forjar a mistura. Ela estremeceu, desviando o olhar.

—Uma loja de alquimia. — Murmurou baixinho. — O homem me vendeu.

A médica suspirou, já imaginando a história. Ela provavelmente apenas procurou algo para incapacitar um mago forte. Seja quem for esse alquimista, não poderiam fazer nada já que ele apenas vendeu a mistura, não forçou sua utilização.

—Isso é o bastante por hoje. — O Mestre voltou a chamar a atenção. — Acnologia. — O dragão o encarou. — Embora tenha sido alto-defesa, como mestre, não posso deixar de punir isso.

Machucar de forma tão grave alguém da própria guilda poderia ser até mesmo expulsão.

—Dadas as circunstâncias eu vou suspendê-lo das missões por 4 dias. Você auxiliará nas tarefas da guilda e fazer uma missão escolhida por mim sem remuneração.

Mordeu a língua. A suspensão era uma pena ridiculamente leve, mas no momento tudo o que queria era fazer missões para pagar as dívidas. Queria protestar, mas se lembrava bem do estado que o braço de Lissana ficou. Aquilo era uma pena branda.

—Tá. — Respondeu seco.

O mestre apertou os olhos e ignorou sua irritação.

—Lissana, você vai me contar exatamente tudo o que fez com essa droga e, até segunda ordem, está suspensa da guilda.

Lissana parou o protesto na garganta, abaixando a cabeça com os olhos cheios de água e respondeu com a voz tremula.

—Sim, Mestre.

—Vocês já podem sair. — Ordenou.

A verdadeira punição da albina ainda seria discutida depois de todos os fatos serem apurados. Seria uma longa semana.

~*#*~

—Não se preocupe com isso. Mirajane já remarcou as fotos para semana que vem e tem uma retirada boa de alguns investimentos que fiz em uma empresa cafeeira. Não ficaremos apertados. — Viego falou após ver que estava estampado na sua cara a preocupação de manter as contas em dia.

A proibição do mestre tinha sido muito leve. 4 dias sem fazer missões era fichinha, o único problema é que ele tinha dado ela neste momento em que corriam atras de dinheiro. Já sabia que um deslize não iria prejudicá-los, mas mesmo assim estava louco para quitar as dívidas das reformas e da compra.

Encolheu os ombros.

—Foi mal. — Pediu desculpas mesmo assim.

—Relaxa. Eu teria cortado o braço dela. — O rei confessou. — Além disso você precisa de um dia de folga ou vai explodir. Eu cuido do resto. É o mínimo que posso fazer. — Respondeu já indo em direção ao escritório da guilda.

—Obrigado.

Ele sumiu na virada do corredor. Por outro lado, Mirajane apareceu, escorando no parapeito do segundo andar com um rosto extremamente cansado e triste.

Suspirou indo até ela e se apoiando no parapeito também e, enquanto observava o hall praticamente vazio, falou outra vez.

—Desculpe por queimar a sua irmã. — A desculpa era inteiramente para Mira, pois não tinha arrependimentos do que fez com Lissana.

Ela respirou fundo.

—Embora eu não goste nenhum pouco do que você fez eu entendo por que você fez. Vou superar e ela também.

Fez uma pausa antes de questionar.

—O que quis dizer com violência previsível?

Mirajane riu, mas era um riso um pouco fraco.

—Acnologia! — Exclamou quase debochada. — Eu posso te chamar de filho da puta, socar a sua cara, te xingar de lagartixa que cospe fogo, o máximo que você vai fazer e me olhar feio e rosnar e no mínimo fazer o que sempre faz: ignorar minha presença como se eu fosse uma mosca.

Ela se virou para encará-lo como se debochasse do fato de não enxergar a si mesmo com clareza.

—Mas, se eu chamar Lucy de vadia puta, seus olhos ficam assassinos na hora, do mesmo jeito que estão neste momento. E eu aposto que se não fosse eu, a amiga de Lucy que você aprendeu a gostar, já teria arrancado a minha cabeça do pescoço e me queimado até as cinzas.

Nunca tinha parado para analisar este comportamento. Ela tinha razão.

—Eu preciso de um banho... — Ela comentou com um suspiro, começando a se retirar. — Depois entro em contato para falar das missões.

E saiu.

Queria ter reforçado o pedido de desculpas e desejar melhoras a sua irmã, mas as palavras seriam tão falsas que se sentiria mal por dizê-las. Ela melhor ficar quieto.

~*#*~

Poluska tinha dito que as queimaduras no braço de Lissana seriam complicadas de serem tratadas e que, por tanto, nenhuma punição ou pressão maior poderia ser colocada até que o tratamento terminasse.

As chamas de Acnologia eram perigosas por uma razão. Suas chamas azuis eram tão quentes que mal deixavam cinzas para trás, além de, muitas vezes, ser combinada com uma magia misteriosa que só ele conseguia gerar após comer tantos tipos de elementos diferentes e forçar seu corpo ao limite durante a grande guerra. O que não te mata o torna mais forte.

Mesmo com a proteção da marca, no início, o rei tinha medo de ferir até mesmo Lucy com elas. Levy as tinha apelidado de fogo verdadeiro. Seja lá o que isso signifique.

O fato era que estava pouco se fodendo para a ordem de Poluska. Tinha se contido em nome de Mirajane, mas dessa vez não seria passiva e coitadinha na história.

Invadiu a enfermaria pela janela durante o início da noite, enquanto a maior parte da guilda comia e atendia os clientes do hall. Os olhos noturnos que conseguia pegar parcialmente de seu dragão através da marca serviam bem ao propósito de invadir sem chamar a atenção com as luzes.

O pequeno quarto estava aceso e sabia que ela estava sozinha lá quando abriu a porta.

—Lucy? — Lissana se assustou, erguendo-se na cama e se sentando com o apoio da cabeceira. — O que faz aqui? — A voz saiu um pouco temerosa quando fechou a porta atras de si e ela viu os olhos azuis felinos de Acnologia no lugar dos seus.

—Não se faça de burra. — Foi ríspida. — Você sabe por que eu estou aqui. Você tentou drogar Acnologia e controla-lo. Se está pensando que vou apenas ficar calada no meu canto como fiz a dez anos atrás pode tirar o cavalinho da chuva. A única razão de eu não espancar a sua cara neste exato momento é por que amo sua irmã, mas é melhor você começar a me dar um bom motivo para fazer isso antes que eu mude de idéia.

Lissana se encolheu, estremecendo. Lucy Heartphilia raramente sentia raiva de verdade de alguém, mas era assustadora quando isso acontecia. Tinha passado uma linha perigosa dessa vez.

—Há 10 anos atrás a única coisa que eu tinha restando de esperança era que Natsu me amasse, mas eu voltei e você era a pessoa que ele mais admirava. — Os olhos azuis se ergueram ciumentos. — Você tirou ele...

—Tirei o caralho. — Interrompeu bruscamente, cruzando os braços e mantendo a postura firme. — Existiam várias formas de você conquistar o amor de Natsu e você nunca perdeu a amizade dele para início de conversa. Eu não sou uma maníaca vilã de novela para ficar separando os outros. Se ele gostasse de você teria todo o meu apoio para seguir a vida com ele, mesmo que na época eu gostasse dele e mesmo que isso me doesse. Você fez isso por que é egoísta e não quer encarar os próprios problemas que Edolas lhe causou de frente. Você só foge deles.

A boca de Lissana se retorceu, rígida, por que ela sabia que era verdade e não podia refutar.

—Se já sabe de tudo isso para que você veio aqui então?

Lucy se inclinou, ameaçadoramente.

—Eu segui em frente. Deixei tudo o que aconteceu no passado e refiz minha vida me tornando melhor para mim mesma. Eu não contei a ninguém e não te incomodei por que águas passadas não servem para nada, mas você resolveu fazer merda novamente e dessa vez com alguém que eu amo, então vou perguntar de novo: Me dê uma razão para não meter a mão na sua cara agora!

Lissana riu falho, o medo começando a percorrer suas veias por que nunca tinha visto a maga falar assim.

—Você não bateria em alguém acamado, principalmente por que a pessoa que você ama me queimou a um ponto que vou ficar cheia de cicatrizes!

A maga celeste apoiou as mãos na barra de ferro na lateral da cama e se inclinou ainda mais. A voz saiu mordaz e sem vida.

—Deu sorte dele estar cansado e não ter transformado seu braço em cinzas. — Lissana ficou mais pálida do que já era e seu sorriso morreu. — Desembucha. Eu não vou perguntar de novo.

E de repente a ficha da albina caiu. Lucy não estava brincando. Forçou-se a engolir o bolo na garganta e começou a falar.

—Eu já disse. Na hora me pareceu uma boa idéia.

Irritou-se com a resposta, mas quando ia pressioná-la ela continuou.

—Acnologia é poderoso. Eu estava com problemas até para fazer missões. — Ela se encolheu cabisbaixa. — Poluska me disse que é por causa da minha... depressão — relutou em admitir- e outras coisas agora, mas o fato é que eu estava frustrada. Natsu não faz mais nenhuma missão comigo nem que eu me pinte de ouro. Mira está sempre ocupada assim como a maioria da guilda.

A albina suspirou, passando a mão boa pelo rosto.

—Quando eu te vi no deposito eu tinha voltado de uma missão fracassada. Eu estava com raiva e fiquei com... inveja. Você estava construindo seus próprios sonhos outra vez, fazendo facilmente uma missão atras da outra. — Ela vez uma pausa, encarando o cobertor. — Me pareceu uma boa ideia na hora. Eu faria Acnologia me ajudar nas missões e de quebra colocaria um pouco de caos na sua vida perfeita.

Quanto mais ouvia mais sua raiva passava e mais sentia pena da garota e dó. A vontade de socá-la até a morte ainda residia firme, alimentada por seu ciúme, mas não podia socar alguém que sentia pena. Lissana se perdeu mental e fisicamente para si mesma. Inveja, depressão, medo, tudo isso era resultado de algo que ela mesma se infringiu, mas não sabe como parar.

Não ia chutar cachorro morto.

—Eu realmente espero que escute o conselho dos outros e busque ajuda dessa vez Lissana. Você já sabe que tem um problema. Lide com ele. Eu não vou ficar quieta uma terceira vez.

~*#*~

A banheira quente era reconfortante. A capacidade de Lucy de pechinchar por um quarto com varanda e banheira no hotel, enquanto as reformas e instalações da nova casa se finalizavam, era realmente incrível. Aproveitariam mais 2 dias naquela suíte antes de finalmente voltarem ao novo lar.

A hidromassagem o ajudava a relaxar um pouco depois do dia caótico. Fisicamente não estava cansado, mas mentalmente parecia que um trem o atropelou.

Abriu os olhos vendo Lucy se aproximar da banheira redonda e espaçosa que ficava no quarto, dando vista para o mar. Ela tinha ficado na guilda e tinha acabado de retornar, decidindo juntar consigo nas águas quentes. A observou entrar, nua, com toda sua beleza que não cansava de devorar com os olhos.

—Por que demorou tanto?

Os olhos castanhos o fuzilaram enquanto ela se sentava dentro da banheira ao seu lado direito.

—Eu estava ajudando Mira. — Ela resmungou na defensiva. -Vai me policiar agora?

Achou graça. Quem visse de fora pensaria que era um ciumento controlador.

—Nope. Mas fiquei curioso. Que tipo de ajuda Mirajane solicitou para que você roubasse o poder dos meus olhos?

O corpo dela congelou enquanto se ajeitava na banheira. O sorriso se alargou em sua boca a medida em que ela virava o rosto em sua direção, devagar, como se tivesse sido pega no flagra pela polícia.

Com os lábios apertados e os olhos defensivos ela falou:

—Impressão sua. — Disse baixinho.

Riu.

—Lucy Heartphilia! — Exclamou, passando um braço por seus ombros e a puxando para perto, enfiando, por instinto, o nariz em seus cabelos para sentir seu cheiro, antes de descer para perto da sua orelha. — Você tem o direito de tomar tudo de mim. Pode pegar meu coração, meu poder e até meu livre arbítrio, mas não pode mentir para mim. Eu sinto toda vez que você usa meu poder, espertinha.

Ergueu o rosto para encará-la. Ela estava com um bico.

—Agora, para que você precisava dos olhos de um dragão?

Ela suspirou, jogando a cabeça para trás e relaxando os ombros em um claro sinal de desistência.

—Ver no escuro. Eu fui atrás de Lissana na enfermaria.

Ergueu uma sobrancelha, surpreso.

—Hum... E?

Ela bufou.

—Eu queria espancar a cara dela! — Soltou furiosa como um gatinho pronto para arranhar as garras na cara da primeira pessoa que entrasse na frente. — Estou morrendo de ódio pelo fato dela ter tentado te drogar e por descobrir que ela já fez isso com o meu melhor amigo. Alguém que supostamente ela amava! — Ela gesticulava as mãos freneticamente como se imaginasse a si mesma esganando Lissana.

A menção de Natsu o fez torcer a cara. Verdade que já tinha deixado de considerá-lo uma ameaça a muitos anos e não estava mais se importando com a amizade que ele tinha com Lucy, mas a menção de que um dia ela já foi apaixonada por ele no meio da discussão da enfermaria, reinflamou seus ciúmes e territorialísmo.

A ideia de socar o dragão de fogo era reconfortante. Principalmente depois que ele praticamente a insultou dizendo que era burra demais para se confessar a alguém. Ela era tímida, imbecil do caralho. Não que Natsu algum dia fosse perceber que alguém gostava dele. O idiota possuía os sentidos de um dragão, podendo, literalmente, sentir o cheiro de sentimentos e não percebeu que duas garotas gostavam dele na época.

Tinha que ser muito burro.

—Devo esperar mais uma punição do mestre? — Perguntou até um pouco animado.

Era raro ver Lucy possuída de forma violenta pelos ciúmes e protecionismo. Isso aquecia seu âmago de uma forma viciante.

—Não. — Ela resmungou, apoiando a cabeça em seu ombro e cruzando os braços no peito. — Ela está tão mentalmente perturbada que não importa quanta raiva eu sinta, a minha pena é maior. Socar ela seria o mesmo que chutar um deficiente. Ela precisa de ajuda para lidar consigo mesma e com o que ela fez. Isso não a exime das responsabilidades e consequências, mas acho que ela já está destruindo a si mesma o bastante.

Respirou mais uma vez o cheiro doce em meio a seus cabelos. Não sabia bem o que opinar sobre isso. Teria socado ela.

—Ela disse algo de novo?

Lucy encolheu os ombros.

—Não muito. Aparentemente, depois que Poluska a avaliou, ela descobriu que tem depressão e alguns outros problemas. Ela não consegue mais controlar direito seu poder mágico o que estava fazendo com que ela falhasse em muitas missões e se sentindo cada vez mais frustrada por isso. A única novidade é que ela pretendia te usar para concluir as missões. Além de me provocar, é claro.

O rosnado que segurava a um bom tempo tremeu em seu peito, chacoalhando o corpo dela. A ideia de que alguém, que não fosse Lucy, tentar controlá-lo lhe deixava um gosto sanguinário na boca. Apesar de Levy Meckgarden chamá-lo de cão adestrado, receber ordens ia contra sua natureza livre e alfa. A ousadia de Lissana despertava o desejo de fazê-la se curvar sob seus pés, colocando-a em seu devido lugar de origem.

Tinha controlado suas reações por Mirajane e para não se complicar ainda mais com o Mestre, mas ali, com Lucy, era livre para ser quem era.

—Quanta ousadia para alguém tão fraco. — As palavras refletiam seus pensamentos e os da besta em seu corpo.

Lucy vincou as sobrancelhas, olhando para a vista marítima enquanto falava.

—Lissana já foi mais forte. Não forte o bastante para te enfrentar, mas, agora que parei para pensar, ela já foi bem mais forte. Ela... — Buscou as palavras. — Parou de evoluir.

As rugas no rosto de Lucy não pararam de aumentar a medida em que começou a expor seus pensamentos.

—Agora que paro para pensar ela fez o oposto. Eu busquei ajuda e fortalecer a mim mesma. Ela se fechou nos próprios problemas e, mesmo tendo um pouco de culpa na guilda que não prestou atenção nela e em seus comportamentos explosivos, ela deu ouvidos ao seu pior lado. Quer dizer, como uma pessoa mergulhada na própria tristeza vai conseguir se tornar melhor como mago? Isso me lembra as histórias de Zeref antes de Mavis.

Grunhiu. Eram poucas as vezes que sentia raiva do coração bondoso da maga, mas essa era uma das vezes.

—Não venha me dizer que vai perdoa-la e virar amiguinha dela agora?

Lucy fez uma careta e o encarou.

—Não seja bobo. Não acho que algum dia seremos amigas. Eu já a perdoei pelo passado, mas para o que ela fez agora eu não estou nenhum pouco perto disso. Apenas estou expondo uma conclusão que cheguei depois da conversa.

Suspirou forte.

—Ainda não sei como você pode perdoá-la por espancar você. Eu quero espancá-la. — As últimas palavras saíram com uma sede de sangue tenebrosa.

Aquilo ia muito além dos hematomas no corpo de Lucy. Era pessoal. Um desejo que ardia em seu âmago.

Os braços finos contornaram sua cintura embaixo da água, o abraçando apertado enquanto sua cabeça se apoiava em seu peito, esperando que baixasse os olhos para olhá-la. Relutante o fez. Como imaginou, foi capturado pelos castanhos vivos, cheios de amor e ternura.

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—Eu já disse. — Ela murmurou, o queixo cutucando sua pele. — Revirar o passado e perda de tempo. Não ia mudar nada. Além disso, aquilo me fez ter coragem de abandonar Magnólia para treinar e me fez conhecer você. Já imaginou o que aconteceria se ela não tivesse ficado louca e eu não tivesse partido?

Apesar de ela já ter exposto este ponto de vista antes era a primeira vez que imaginava de fato o que poderia ter acontecido.

Provavelmente nunca teria se encontrado com Lucy. O mero pensamento fez seu corpo inteiro enrijecer como uma pedra, enquanto seu coração era esmagado por uma agonia enorme. A besta ganiu, instintivamente querendo se transformar e envolvê-la com seu corpo, desejando negar qualquer mísera possibilidade de aquilo acontecer.

Lucy permaneceria na cidade das flores. Lissana poderia enlouquecer ainda mais e matá-la, ou Lucy poderia entrar na mesma depressão profunda, ainda maior do que quando a conheceu, enquanto a droga fosse usada para controlar seus amigos. Qualquer ângulo que olhasse era pior que o anterior.

Por pior que aquilo tenha sido foi o que a trouxe para seus braços.

—Viu? — Ela deve ter notado o pânico completo em seu rosto por que um sorriso brotou em seus lábios. — Eu não vou agradecê-la por isso, mas também não posso negar o favor que ela me fez. Me preocupo com ela por que ela, mesmo depois do que fez, ainda pertence à família da Fairy Tail. Toda família tem desajustados e ovelhas negras. Nós já fomos os desajustados, agora é a vez dela. Não preciso amá-la, mas preciso aceitá-la e entender que ela não está em um momento em possa receber completamente a culpa por uma ação ruim, mesmo que hedionda.

Inclinou a cabeça.

—Você já queimou o braço dela, o que com certeza foi bem doloroso e vai deixar uma marca para sempre. Já é o bastante. Posso chutar a bunda dela quando estiver curada e capaz de entender o porquê merece aquele chute como resposta a suas atitudes imprudentes.

Fez mais uma careta e suspirou.

—Já entendi, já entendi. Você ganhou. Não vou matar Lissana por mais que tenha vontade.

Ela piscou. A mão fina em sua barriga desceu em linha reta, agarrando seu pau. O órgão semirrígido começou a se esticar em sua palma, inchando e respondendo com uma intensidade ridícula a seu toque, a medida em que ela subia e descia lentamente por sua extensão.

—Muito me surpreende que tenha vontade de fazer alguma coisa depois do que fiz ontem. — Ela fez uma falsa cara de inocência. — Peguei muito leve?

Rangeu os dentes, fechando a cara para a maga.

Não era possível que ela achasse que sua brincadeira fosse, de forma alguma, leve. Não se lembrava de algum dia ter gozado tantas vezes e com tanta força. A fera a deixou brincar com seu corpo a bell prazer sem impor limite algum, forçando-o a extremo. Ela o drenou tão violentamente que sua parte violenta e bestial nem mesmo deu as caras durante a discussão na enfermaria.

Simplesmente não tinha energia para brigar.

—O que acha de eu fazer o mesmo com você, para ver se o que fez foi leve.

Ela sorriu, debruçando-se mais sob seu corpo até que sua boca ficasse perto de seus lábios, olhando-o de forma sedutora. Sua mão continuava a instigá-lo em uma sedução lenta, pesando sua respiração.

—Eu ia amar. Quando terminarmos a casa, talvez? — Sugeriu.

A idéia o fez lamber os lábios. Oh, então poderia abusar dela também. De repente se viu ansioso para terminar as reformas.

—Mas isso é sua culpa, sabia?

Ela subiu para o seu colo, apoiando os joelhos ao lado de suas cochas. Suas mãos subiram por seu peito, passando por seu pescoço para agarrar os cabelos de sua nuca. Sua boca próxima, sedutoramente. Seu pau ficou roxo de tão duro. Por que estava se segurando mesmo? Ah, sim. A sedução que Lucy fazia era tão deliciosa quanto fodê-la.

—Como você mesmo disse, você me deu permissão para tomar o que quiser e eu amo beijar e tocar seu corpo em todos os lugares.

E para reafirmar isso, ela o beijou. Agarrou seu corpo, puxando-a contra o seu por que era incapaz de não tocá-la. Tinha a sensação de que se a largasse por um segundo que fosse, iria se perder para sempre. Sentir seu corpo junto ao seu era a única maneira que tinha de extravasar e não ser engolido por todo aquele sentimento que comprimia seu peito mais forte do que qualquer um de seus rugidos.

Demorou muito tempo para que ela aceitasse o poder que tinha sob si, muito por sua inexperiência e timidez, mas agora que ela simplesmente se agarrou com todas as forças a seus desejos e sentimentos, tinha de admitir, era o que mais amava.

—Eu te amo, seu dragãozinho fofo. — Ela murmurou quando seus lábios se separaram.

Seu corpo inteiro estremeceu com as palavras. Ela não precisava de força física para colocá-lo de joelhos. Apenas com pequenas palavras e ações ela já o fazia.

—Lucy... — Gemeu seu nome.

Antes que fizesse algo, ela agarrou seu pau, guiando-o para dentro daquele paraíso que estava incrivelmente húmido para recebê-lo. Ela o engoliu, sentando nele de uma só vez, jogando a cabeça para trás e mordendo os lábios enquanto fechava os olhos, aproveitando o prazer.

Mordeu seu pescoço para tentar permanecer em orbita. Como exatamente ainda conseguia ficar duro e faminto depois do tanto que gozou antes era um mistério. Esse era o poder que aquela loirinha maldita tinha sob seu corpo.

—Cada pedaço... — Murmurou, agarrando-a ainda mais para grudá-la a seu corpo.

A posição a deixava um pouco mais alta, fazendo-o olhar ligeiramente para cima e salivar com os seios lindos próximos a sua boca.

—Cada pedacinho é seu. — Ronronou. Ela corou, tomando o ar pela boca. — O que você quer agora?

Apesar de manter os quadris parados, estava difícil controlar o desejo de erguê-los furiosamente contra ela.

—Bom...- Ela quase gemeu.

Uma das mãos lentamente desceu por sua nuca, passando por seu peito e parando para delinear sua barriga até próximo a junção de seus corpos. A boceta apertada praticamente o esmagou com uma contração, fazendo-o gemer e arfar. Seus quadris se moveram automaticamente para cima, enquanto os olhos castanhos o dissecavam. Estava perdendo o controle. Muito rápido.

—Acho que peguei seus maus hábitos com ciúmes. Ainda fico com raiva de saber que Lissana o tocou aqui. — Ela murmurou, passando a mão e as unhas pelos músculos, até perto da junção entre seus corpos, que se contraíram com desejo e êxtase. — Mesmo que eu saiba que ela nunca poderia fazer isso.

Gemeu, por que era a única coisa que conseguia fazer com a boca. Puxou-a de novo para perto, lambendo seu corpo.

—Lucy... — Murmurou enquanto subia por seus seios. — Eu nuca vou... — Não pode terminar.

Ela agarrou seus cabelos parando sua boca em seus seios e, com os olhos castanhos cheios de desejo e as bochechas coradas como morangos, ela lambeu os lábios e suplicou.

—Por favor.

Não precisava de uma tradução. Uma de suas maiores fraquezas e desejos. Aqueles mamilos sensíveis que uma vez a tinha feito gozar apenas por chupá-los. Um dos momentos mais prazerosos que já teve na vida.

O abocanhou. Ela gemeu. O som entrou em seu ouvido como um deleite poderoso. Fechou os olhos, concentrado, chupando o bico sensível, trabalhando-o com a língua e os dentes. Ela respondia ridiculamente a cada mínimo movimento seu. Ela rebolou, incapaz de manter os quadris parados, mas sem querer se mover e tirar sua boca dos seios macios. Ela se esfregava contra si enquanto o esmagava em seu aperto.

Gemeu contra os seios macios. Não conseguiria mais manter os quadris parados. Precisava de margem de manobra ou o desejo iria matá-lo.

Agarrou sua bunda com uma mão e suas costas com a outra, erguendo-se da banheira e se curvando sob ela em pé.

Ela respondeu a seu movimento, agarrando seus ombros e firmando as pernas em sua cintura. A cama estava longe demais e não havia uma parede próxima para ser seu pivô. Foda-se. A magia corria quente por suas veias e o peso da Heartphilia era nulo.

Mantendo os quadris dela presos com uma mão e fornecendo apoio o suficiente em suas costas com a outra, seus quadris começaram a se mover, furiosamente. Ela se contorceu em seus braços, recebendo estímulos da sucção em seus seios e de suas investidas.

Lucy estava perto. A forma como seu corpo se movia, desesperado, lhe dizia isso. Ela sempre gozava rápido quando a estimulava assim. Mudou se seio, chupando o bico duro e negligenciado com vigor. Ela gozou, retorcendo-se e estremecendo em seus braços antes de ficar mole.

Soltou o monte macio, puxando-a para uma posição mais ereta enquanto continuava. As contrações deliciosas de seu corpo após o orgasmo foram o suficiente para acabar com sua razão. Enfiou-se o mais profundo que pode quando gozou, aproveitando o prazer e o fogo que subia por seu corpo, destruindo-o por dentro.

Suas pernas ficaram bambas, mas, por ela não ter ativado o fluxo, ainda tinha força o bastante para se manter de pé.

Ela beijou seu rosto enquanto arfava, abraçando-o com os braços e as pernas.

—Hum... Você é um dragãozinho tão fofo.

Riu contra sua garganta.

—Pare de me chamar de dragãozinho fofo. Eu ainda estou dentro de você sabia? — Toda vez que ela dizia isso ficava em dúvida de a punia ou se a matava com cocegas.

Ela o apertou, fazendo-o estremecer e dar um passo para trás com a sensibilidade.

—Não só sei como sinto. — Murmurou sedutoramente. — Mas isso não tem nada a ver com o fato de você ser meu dragãozinho e ser fofo. — Murmurou em um tom completamente diferente e brincalhão.

Mudou a posição para poder encará-la.

—Por que? — Resmungou. — Você só faz isso por que sabe que vai sair impune.

Ela abriu um sorriso alegre.

—Então você prefere dragãozão? Lorde das trevas? Bicho papão? O grande portador do Apocalipse?

Rosnou mordendo seu nariz.

—Sua insolente!

Ela riu. A rizada fez seu estômago se revirar como um monte de borboletas.

—Não dá. Você é muito fofinho pra mim. Ah, se é com o frágil ego masculino que todos os homens têm que está preocupado, fique sabendo que você é bem grande em todas as partes. Apesar de não poder fazer comparativos sobre paus, partindo de um cálculo visual com Gray e os outros...

—Lucy Heartphilia!! — Esbravejou, mordendo seus lábios e logo em seguida rindo de sua conjectura.

Como ela conseguia fazê-lo se sentir tão leve e feliz?

—Eu vou aceitar o dragãozinho, sua pestinha. Agora pare de falar sobre pênis.

Ela riu, beijando por todo o rosto.

—Relaxa. Eu não vou deixar ninguém saber. — E deu uma piscadela.

Suspirou extasiado. Aquela mulher era sua vida.

—Agora, poderia por gentileza, caro dragãozão, me colocar de volta na banheira? Realmente preciso de um banho. Você fez uma lambança ali embaixo.

A apertou mais contra seu corpo e apoiou o queixo entre seus seios, olhando-a de baixo.

—Hum... Vou aceitar seu pedido. — Murmurou, mas deu um sorriso sapeca. — Mas não agora.

~*#*~

—Sim. Nós reformamos a janela do banheiro. A banheira vai ter uma vista maravilhosa das montanhas e do mar. — Lucy falou animada com Levy e Canna no balcão.

—Fico feliz que as coisas estejam indo bem com a reforma Lucy. Vocês merecem. Estão trabalhando tão duro para isso. — Mirajane elogiou depois de ouvir a conversa do outro lado do balcão.

Ela ainda estava abatida pelo que aconteceu, mas não parecia guardar mágoas do casal. Lissana receberia tratamento médico de agora em diante. O Mestre disse que não iria expulsá-la da guilda caso ela seguisse à risca o tratamento e as regras. Além disso, quando voltasse a fazer missões, seria supervisionada e uma parte do dinheiro seria paga a guilda como indenização aos colegas que ela tinha drogado. Acnologia também faria uma missão assim.

Inclusive ele já tinha saído para concluí-la logo. Não demoraria mais do que um dia.

—Obrigada. — Disse com um suspiro. — Nós vamos passar a morar lá em dois dias. As reformas vão finalmente acabar de vez. As prestações ainda vão pesar um pouco por um tempo, mas vamos conseguir.

—A ideia de vocês quatro comprarem o terreno e reformarem as 2 casas foi inteligente. Seria impossível apenas 2 pessoas arcarem com as despesas, mas 4 já torna tudo possível.

Os olhos de Lucy brilharam.

—Sim! A gente se dá bem, então vai ser tranquilo.

Cana riu, tirando o gargalo da cerveja da boca e falando:

—Tradução: O amor de Viego por Isolde é tão doentio que não vejo ele como ameaça e acabei aceitando-o como amigo.

Já tinha ficado meio óbvio essa parte para a guilda toda o motivo de Acnologia ter cedido tão fácil a essa demanda.

Lucy mostrou a língua. Isolde, do outro lado do balcão ajudando Viego e ouvia a conversa, levantou o dedo do meio.

A porta do Hall de entrada abriu. Havia poucos magos naquela hora de fim de tarde. Um homem alto, velho, barba branca que ia até a metade do peito, olhos estranhos, quase roxos, com uma bengala e sobretudo preto entrou na guilda, calmamente, analisando o lugar e parando alguns metros à frente.

Um de cada lado havia mais dois, igualmente com sobretudo preto, mas jovens de uns 25 anos. Um deles segurava um terceiro individuo, vestido com um colarinho e terno. Aparentemente o paletó tinha sido removido. O homem estava com alguns hematomas e suava muito, olhando para baixo.

—Bem vindos a Fairy Tail. — Mirajane tomou frente, saindo de trás do balcão e indo até alguns metros a frente do senhor para recebê-lo. — Em que posso ajudá-lo? — Perguntou com um sorriso.

Apesar de descontraída, a Staruss estava atenta.

—Mirajane, eu presumo. — Disse o senhor cordialmente, alisando a barba com a mão livre. — Eu procuro sua irmã, Lissana.

A feição amigável de Mira falhou e seus olhos ficaram um pouco mais ácidos. Todos na guilda entraram em alerta.

—Infelizmente ela se machucou e não está podendo receber visitas. Poderia saber do que se trata? Talvez possa ajudá-lo a resolver. — Apesar do tom amigável ela não estava nada inclinada a ajudar o homem.

—Que pena. — Ele disse, batendo a bengala no chão.

O homem pálido foi arremessado ao chão pelo sujeito de sobretudo.

—Este ordinário aqui é um de meus vendedores. Ele me disse que a senhorita Lissana quis devolver um de meus produtos. Como alquimista, preso muito pela qualidade do que faço e não gosto de saber que um dos meus produtos foi devolvido.

O corpo de Lucy congelou. Aquele era o homem que tinha vendido o produto a Lissana.

Mantendo a compostura a albina prosseguiu.

—Se ela está lhe devendo algo posso pagar devidamente.

Vender veneno e drogas não letais não é ilegal. O alquimista podia ser imoral, mas não havia nada que pudessem fazer.

—Não, não. Ela nunca foi devedora, mas eu gosto de saber as razões para a devolução de um de meus produtos.

—Infelizmente não poderá falar com ela...

—Mira-nee! — Lissana apareceu na saída da enfermaria.

Assim que ela bateu o olho no velho ela ficou translúcida. Era a milésima vez que poderia confundir a irmã de Mirajane com um fantasma.

O senhor a analisou, parando demoradamente em seu braço totalmente enfaixado com uma camada grossa de gaze e bandagens da queimadura.

—Senhorita Staruss! — O homem exclamou em uma falsa alegria. — Que prazer em revê-la. Espero que possasse recuperar logo de seu incidente. Peço perdão por incomodá-la enquanto está injuriada, mas poderia me responder a razão de devolver um de meus produtos? Es incompetente por acaso vendeu-lhe algo defeituoso?

Ela estremeceu e permaneceu meio escondida atras da pilastra quando respondeu.

—Não senhor. Apenas não tenho mais uso para ele.

Os olhos arroxeados faiscaram.

—Oh. Então ele funcionou apropriadamente, mas você quis parar de usá-lo?

Ela estremeceu.

—Interessante. — Fez uma pausa. — Infelizmente não posso aceitar sua devolução. Você sabe das políticas da loja. Preciso saber a máxima efetividade dos meus produtos e todos devem ser usados até o fim, só podendo ser devolvidos em caso de resultados insatisfatórios.

Lissana olhou para todos na guilda, parando os olhos em Lucy. De repente ela ficou com raiva e sua postura mudou completamente, desafiando o alquimista.

—Não vou mais usar a droga. Me recuso a drogar meus amigos novamente. Eu vou mudar!

O velho riu, cinicamente.

—Lissana... todos que procuram meus produtos tem inveja, raiva, ódio e muitos outros sentimentos como esses. Você me procurou desesperada e eu lhe dei uma solução. A única coisa que quero em troca são os resultados. Você sabe que terá que trabalhar para mim se quebrar este contrato.

Apesar das pernas bambas, a albina mais nova se manteve firme.

—Eu não vou usar seus produtos! Me recuso!

O velho ficou notoriamente com raiva.

—Devo pedir que se retire de nosso estabelecimento. — Mirajane falou em um tom seco, deixando claro que não era um pedido.

Os dois magos atras do velho entraram em posição de batalha. Os magos da Fairy Tail responderam à altura, sacando suas armas e entrando em posição para entrar em batalha a qualquer momento.

O velho sorriu.

—Senhorita Mirajana, eu não teria me tornado o maior alquimista do mercado negro se eu não tivesse como cuidar de alguns magos poderosos.

E bateu a bengala no chão. Os selos mágicos surgiram pelo chão e os magos da Fairy Tail caíram de joelhos, sentindo seu poder ser sugado.

—Não importa quão poderosos vocês sejam, anti-magia sempre será superior.

Os subordinados não foram rápidos os bastante, mas o velho foi. A névoa os engoliu, mas o mais velho se protegeu com uma barreira mágica.

—Ah, o novo mago. Que poder interessante. — Ele disse para Viego.

O Rei manteve a névoa envolta dos integrantes próximos.

—Não é magia. Mas não vai atravessar minha barreira. — Ele bateu novamente a bengala no chão. Os magos começaram a suar. — Antes que alguém pergunte, quanto mais você investir contra minha barreira mais mana vou sugar de seus amigos para mantê-la. Você não quer matar seus amigos, quer?

Os olhos verdes ficaram perigosos.

—Basta que eu te mate. — Respondeu.

A espada rúnica apareceu em sua mão, suas roupas mudando para a armadura da névoa e o coração negro sendo exposto.

O barulho da porta lateral sendo aberta chamou a atenção. O clima mudou para um tipo diferente de tenção quando Acnologia entrou no Hall.

Os ombros relaxados, mãos no bolso da calça, mas a postura ainda imponente, com os olhos vermelhos sangue.

—Acredito que nossa anfitriã ordenou que se retirasse. — Ele murmurou.

Lissana se encolheu, escorada na pilastra. Era óbvio que tinha medo de Acnologia.

—Há! — Exclamou o mago. — Mais um mago arrogante. — E bateu novamente a bengala no chão.

Um círculo de anti-magia apareceu nos pés do dragão. Os olhos roxos se arregalaram.

—Uau. Você de fato tem uma quantidade boa de poder mágico. — Ele sorriu, cruelmente. — Ótimo. Vou aceitar você como pagamento.

Acnologia o olhou, entediado.

—Quer me conter com essa magia tosca?

Ele pisou no círculo, e ele rachou. O velho ficou sério, perdendo o sorriso.

—Vamos ver como se sai se ficar sem magia.

Ele estendeu o cajado e outro círculo apareceu, maior e mais forte.

—Eu vou sugar toda sua magia para mim e controlá-lo!

Acnologia, casualmente, sem se importar com a quantidade massiva de magia que o velho drenava, coçou a nuca, fechando os olhos. Quando os reabriu sua esclera estava negra e as pinturas azuis tribais mais brilhantes ao ponto de transparecerem pela blusa preta.

—Eu odeio essas palavras. — Comentou. — Eu já poderia ter te matado, mas já que quer tanto minha magia...

A pressão mágica no salão se tornou escabrosa. Os magos começaram a suar frio, tentando se manter conscientes.

—IMPOSSÍVEL! — Brandou o velho parecendo desesperado. — COMO VOCÊ TEM 3 RESERVAS MÁGICAS? COMO ALGUÉM PODE TER TANTA MAGIA?

O rei dragão apenas o encarou.

—Ninguém me controla.

Incapaz de parar o feitiço e de suportar a magia, a barreira se quebrou, o cajado que ele usava explodiu em pedaços e ele foi arremessado porta a fora, desmaiado, o nariz e os olhos sangrando.

Os olhos vermelhos desceram para a albina encolhida a poucos metros de distância.

—Se tentar me tocar outra vez eu te mato. — Decretou.

Ela pulou de susto no lugar e balançou a cabeça veemente.

—E... eu...NUNCA MAIS FAREI ALGO ASSIM! ME DESCULPE! — Ela pediu com os olhos marejados e abaixando a cabeça.

Acnologia apertou os olhos e inspirou.

—Ótimo. Se tiver mais um maluco desses te procurando é melhor falar agora. Lucy me disse para te perdoar, mas eu não posso fazer isso agora. Entretanto você ainda pertence a Fairy Tail.

Suspirou, os olhos voltando ao normal.

—Eu vou te dar uma segunda chance, mas não uma terceira.

Lissana olhou para cima, os olhos cheios de água.

—Obrigada! — Ela gritou abaixando a cabeça novamente.

Mirajane suspirou de alívio enquanto os outros magos estavam chocados com outra coisa.

—Você tem TRÊS RESERVAS? — Natsu gritou, praticamente.

O dragão apertou os olhos.

—Vá amarrar aqueles caras antes que o conselho chegue. E cuide da sua vida.

Mas ele não obedeceu.

—Como isso é possível. — A Mecgarden buliçou.

Gajeel, um dos únicos que sabia, apenas pegou uma cerveja deixada no balcão e a virou de uma vez, suspirando e já esperando a bronca da baixinha no fim da noite.

—Ei! — Cana exclamou. — Mentiroso do caralho. Lucy manda na sua bunda a hora que ela quiser!

A maga celeste suspirou. Mais um dia na Fairy Tail.

“Alguns pensam que resistir nos fortalece, mas às vezes é desistir que faz isso”

Notas finais
Feliz ano novo. Espero que esse ano seja menos arrombado do que os últimos. Expectativas quase inexistentes. EU NÃO DO PONTO SEM NÓ, VOCÊS PENSARAM MESMO QUE EU IA ESQUECER DESSE DETALHE? NÃO MESMO. Bom, vamos a parte importante aqui. Esse era para ser o último cap dessa historia maluca que eu comecei há sei la quantos anos, eu tava no ensino médio kkkk. Como gosto de escrever uns capitulos soltos, vou manter essa historia com alguns extras, como falei pra vocês antes. Esses extras não tem data p sair, vão sair quando der na telha. Quanto ao cap especial de como treinar seu dragão, gente eu estaquei nele. Ele vai sair, mas não vou me forçar a terminá-lo de forma meia boca, então não vou dar previsão. A partir de agora eu vou me focar na minha outra fanfic Acnolu, espero que acompanhem e gostem. Esclarecendo isso queria perguntar algumas coisas p vcs. O que vcs acham de uma one-shot de trisal, Acnologia, Lucy e Natsu? Eu tive um devaneio safado e quis escrever algo assim. Segundo, eu estou pensando em criar um patreon e fazer comissões. Vocês provavelmente não sabem, mas minha nova profissão é Ilustradora digital. Eu estou estudando bastante para me tornar alguem bem foda na área. Pensei em fazer algumas fanarts e desenhos hots de alguns casais. Obviamente nem tudo seria gratis, afinal tenho que pagar meus cursos nada baratos, mas seria um preço acessível. Queria saber a opinião de vcs se seria algo interessante e que tipo de conteúdo vcs gostariam de ver caso eu realmente abra um. O plano é fazer isso em fevereiro, quando estarei manos atolada. Cresci muito vendo fanarts de casais que nunca se concretizaram na historia original, e quero perpetuar criações assim. Seria muito incrível. To pensando ate em abrir uma conta no insta p isso. É isso galera, espero ver comentários e suas opiniões sobre, eles me deixam feliz e me estimulam a continuar e decidir os novos rumos de meus projetos. Espero vê-los novamente em breve, principalmente na minha próxima historia. Bjs XD