A Arte do Caos
35 O Rei Destruído
A cidade chacoalhou com os ventos da tormenta, trazidos pela fúria de um Rei, a muito, esquecido. O guardião do farol olhou para a nevoa negra que finalmente recuava pouco antes do nascer do sol, depois de ter deixado rastros de destruição nas ruas de Águas de Sentina. Estremeceu até a alma, ainda sentindo o calafrio que aquela mensagem lhe trazia. Ele tinha retornado.
As pressas, desceu os degraus, acionando a lacrima de comunicação. Não demorou muito para que Lahar atendesse. Antes que o conselheiro lhe dissesse algo, ou ficasse irritado pelo horário, balbuliçou em desespero, quase aos gritos, enquanto limpava o suor da testa com um pano de bolso.
—Ele voltou! — Brandou diante da lacrima. — As nevoas das ilhas das sombras vieram. Ele voltou Lahar! Depois de mil anos....
—Fale devagar homem! — Praguejou Lahar de volta, passando a mão no rosto para tirar o sono. — Quem?
Engolindo em seco, ele sussurrou:
—O Rei! O Rei Destruído! Ele voltou!
~*#*~
Acnologia praguejou.
—O reino já está abusando. Duas convocações de emergência no mesmo ano? O apocalipse está próximo e não fomos informados? — Comentou, pegando as mochilas enquanto saiam do trem.
O clima húmido e quente de Águas de Sentina os atingiu como um bafo, lhe dando aquele choque térmico forte. Ouviu Levy praguejar por isso também, logo atrás.
—Bom, você é o famoso Dragão do Apocalipce. Supostamente não seria você a inicia-lo? — Lucy devolveu com um meio sorriso, não conseguindo evitar a piada.
O dragão sorriu de volta e um pouco do seu mau humor com a viagem enjoativa e a missão obrigatória se foram. Andaram até a saída da estação, encontrando Lahar à espera da guilda.
—Sejam bem vindos a Águas de Sentina. — Recepcionou ele.
Atrás dele estava um homem alto, cabelos loiros curtos, usando o típico uniforme branco do conselho e uma capa cinza. Ele parecia sério.
—Esse é Gairo. Ele é um dos melhores especialistas de guerra que temos. — Apresentou. Gairo deu um meio sorriso.
—Qual é o problema dessa vez? Mais assassinos? — Gray perguntou, impaciente e cruzando os braços.
Lahar suspirou.
—Pior.
—Estamos lidando com um antigo Rei. — Respondeu Gairo. — Ele é chamado de Rei Destruído pelas lendas. Seu nome e sua origem se perderam a mais de mil anos. O que sabemos é que, há um milénio, ele veio até a ilha das bençãos e exterminou toda nossa população de antigos sacerdotes, e, de alguma forma, contaminou o lugar com seu poder. Desde então a ilha e amaldiçoada por uma névoa negra que mata e consome tudo o que toca. A ilha é proibida desde então, sendo renomeada como ilha das sombras.
Ele fez uma pausa, abrindo as folhas da pasta em suas mãos.
—Como bem sabem, de tempos em tempos as tormentas aparecem em vários lugares do reino e do continente. Movimentos da névoa que destroem as coisas em seu caminho. Recentemente essas tormentas estão ficando mais frequentes, e as ilhas começaram a ficar ativas. — Ele subiu os olhos para os magos. — O trabalho de vocês será defender a cidade, enquanto elaboramos uma barreira definitiva para conter a névoa. Vocês serão integrados na força de magos e vão destruir todos os emissários da névoa que chegarem ao terreno de Fiore. Isso é tudo. — Instruiu. — Acomodem-se e preparem-se para a vigília.
Ele se virou e saiu andando. Lahar deu um suspiro cansado e olhou para os magos como se pedisse desculpas, antes de segui-lo. Aparentemente aquele comportamento seco era comum em Gairo.
Os burburinhos dos magos vieram logo em seguida. Suspirou e sentiu Levy se aproximar, junto com Gajeel. Ela parou, cruzou os braços e continuou olhando os conselheiros se afastando enquanto falava.
—Personalidade do ano. — Ironizou. — Alguém mais está se sentido privado de informação? — Resmungou. — As tormentas não são novidade, mas por que do nada elas estão assim? E como conseguem ir pra todo lugar do reino? Como vamos pará-la? O que é a merda dessa névoa? Essas perguntas ele não respondeu.
Lucy apertou os lábios.
—O problema é que ele não parecia saber responder. — Murmurou. — Será que nem mesmo eles conseguiram descobrir? — Perguntou.
—É provável. — Respondeu Gajeel. Todos o olharam. — Quando trabalhei pro conselho ouvi que um repórter queria informações a respeito das misteriosas ilhas das sombras, mas o conselheiro que o atendeu disse que não existia nada. Aparentemente, todos que o conselho mandou para investigar na ilha, ao longo de mais de 500 anos, não voltaram. Desde então pararam de mandar, e resolveram ignorar o problema.
Lucy bateu o pé, impaciente. Seu instinto dizia que tinha mais por ai.
—Eu fico com a biblioteca central. — Levy declarou.
—Eu com as da periferia. — Lucy respondeu.
Ambas ajeitaram as mochilas nos ombros e andaram para fora da estação. Acnologia olhou para Gajeel. Os dois suspiraram.
—Lá vem ela de novo... — O caçador resmungou.
—A sensação de que vai dar merda. — O dragão concluiu.
Mesmo assim, seguiram suas companheiras.
~*#*~
Rosnou, se jogando no sofá da biblioteca e colocando a cabeça no colo de Lucy, esperando roubar um pouco sua atenção do milionésimo livro que ele tinha pegado. Já fazia mais de 3 dias que estavam patrulhando Águas de Sentina e a 5 vez que passavam o dia em uma biblioteca a procura de informações sobre o antigo rei louco, mas nada novo aparecia.
Os livros apenas contavam de como eram as ilhas das bençãos, repletas de curas milagrosas e águas cheias de vida. Após a vinda do velho rei a mais de mil anos, seu exército obliterou o lugar, procurando algo que ninguém jamais soube o que é. Com sua espada amaldiçoada ele transformou as ilhas da vida em ilhas da morte. Ninguém retorna de sua nevoa vivo.
As tormentas enviam essa névoa de maneira misteriosa ao redor de todo o continente, matando tudo o que toca. Já tinha visto a névoa a séculos atras e seus instintos sempre diziam para se manter longe. O problema é que ela nunca foi tão constante quanto agora. Precisavam estar ali para evitar o pânico, salvar pessoas e, claro, entrar na linha de frente caso alguma coisa algum dia resolvesse sair da ilha.
—Impossível! — Lucy exclamou frustrada, agarrando o livro aberto em frente ao rosto com ainda mais força. — Como não tem nenhuma informação sobre as ilhas? Ninguém registrou nada dessa merda de período? — Grunhiu.
Olhou para cima, tendo uma bela visão de seus seios e de seu rosto. Gemeu baixo, sentindo-se abandonado como um filhote, e carente também. A dias só patrulhavam e buscavam informações. Era ganancioso e egoísta e estava perto de implorar a atenção dela de volta.
—Eu sei que muita informação se perdeu na guerra, mas poxa! — Resmungou outra vez.
—Talvez ele só estivesse atrás do que todos os reis querem: Poder. — Conjecturou só para atrair a atenção dela para si. — Ilha dos milagres, tesouros, você sabe...
Funcionou. Ela fechou o livro e olhou para baixo; parte dos cabelos caiam como uma cascata ao lado de seu rosto. Ver seus seios daquele ângulo estava fazendo sua boca salivar, mas logo seus olhos ficaram indecisos se olhavam para os olhos castanhos profundos ou para sua boca.
—Essas palavras certamente se encaixariam em você se fosse um Rei. -Fez uma pausa. — Bom, um rei com um reino, no caso...
Passou a ponta da língua em seu dente afiado, erguendo a mão para acariciar sua bochecha.
—Eu poderia pensar em coisas melhores para conquistar. — Sussurrou, passando o polegar por seus lábios. — E coisas melhores para fazer também....- Se interrompeu, os olhos ficando vermelhos de repente. — Mas infelizmente não posso te foder com alguém nos espionando. — Falou mais auto, o olhar passando para uma fileira de prateleiras próximas.
O barulho dos livros caindo fez Lucy erguer a cabeça rapidamente. Saindo às pressas de trás da prateleira, uma mulher bonita, negra, cabelos encaracolados arranjados em um dred cumprido, e olhos verdes, vestindo uma roupa de couro negra com uma capa branca na lateral, apareceu. Nas suas costas, uma enorme arma de metal estava pendurada, quase tão grande quanto ela mesma.
Ela os olhou, arrumando o cabelo e pigarreando, acanhada.
—Minhas desculpas... — Pediu, pegando os livros que caíram e colocando-os na mesa perto do sofá. — Hum... eu... Ouvi que queriam saber do rei e... — Tentou justificar. — Enfim, me desculpem. — E virou-se para sair.
—Espera! — Lucy se ergueu, fazendo Acnologia rosnar por novamente ter sua atenção para outra coisa. — Você sobre de alguma coisa sobre a ilha? Sobre o rei?
A mulher parou, se virando para olhá-la, mas logo desviou o olhar.
—Deixa pra lá. Não é uma história que as pessoas gostam, ou acreditam de todo jeito. — Abanou a mão, retomando o caminho para a saída.
Mas a maga foi mais rápida, agarrando seu braço.
—Eu não ligo para o que dizem! — Exclamou. A mulher se virou, olhando para sua mão em seu braço. — Me desculpe. — Murmurou retirando a mão.
A garota colocou uma mão na testa, fechando os olhos, como se sentisse uma breve dor. Abriu os olhos novamente e analisou a maga celeste.
—Meu nome é Lucy. — Resolveu se introduzir, ignorando a observação. — Viemos para ajudar com a maldição das ilhas. Qualquer coisa ajuda. Por favor.
Acnologia apertou os olhos em sua direção, caso ela tentasse algo. Entretanto, a garota se aprumou e disse:
—Senna. Meu nome é Senna. — Murmurou, retornando para perto da mesa da biblioteca. — Olha, eu só conheço essa história por que ela e passada pelo meu povo. Todos acham um boato. Não tem como ter certeza.
Lucy balançou a cabeça.
—Não me importo. — E provando isso, puxou a cadeira e se sentou, batendo na mesa, indicando o acento ao lado.
Acnologia saiu do sofá, sentando-se ao lado de sua companheira, analisando a garota. Havia algo no cheiro dela que era estranho, mas não sabia ao certo o que.
Senna suspirou e se sentou.
—Viego. — Murmurou, olhando para as próprias mãos. — O nome do antigo rei é Viego. Nas histórias diziam que ele era um bom e poderoso rei, perdidamente apaixonado por sua esposa, Isolde. Ele fazia tudo por ela. — Sorriu, como se lembrasse da história. — Mas um dia tentaram matá-lo com uma adaga de veneno, só que Isolde entrou em sua frente para salvá-lo. Desde então ele enlouqueceu, tornando-se insano e indo atrás de qualquer coisa que pudesse trazer sua amada de volta.
Acnologia se mexeu na cadeira, desconfortável.
—Viego ouviu falar sobre as águas milagrosas das ilhas e foi até lá encontrá-las. O povo da ilha não queria permitir que ela fosse ressuscitada. Para eles usar as águas dessa forma era proibido. Era contrariar a lei da natureza.
Mais uma vez o Rei se sentiu em um dilema familiar. Ele já tinha quebrado muitas leis pétreas da natureza. Seu melhor amigo, Zeref, tinha quebrado a maior delas, e sofrido com suas consequências. Não o surpreendia que outros também tentassem.
—O rei não quis ouvir. Então ele foi até as ilhas, subjugando a todos no caminho com seu poder, e mergulhou Isolde nas águas da vida. — Desviou o olhar. — Ninguém sabe o que aconteceu lá, mas uma maldição foi liberada, e o rei condenou todas as ilhas a Ruina. Dizem que até hoje ele busca uma forma de dar vida a sua esposa. Dizem que ele controla a névoa que, no passado trazia a vida, e agora condena a morte. Seu poder e tão grande quanto sua loucura e ele não vai descansar até que a morte devolva o amor de sua vida.
Mais uma vez o Rei ficou desconfortável. Esse tipo de depravação, insanidade e obsessão eram tão familiares para si... tão naturais. Quando Lucy quase morreu, caso houvessem boatos dessa ilha, não hesitaria nenhum segundo em cometer um genocídio para trazê-la de volta. Não era um preço alto. Não existia nenhuma atrocidade que não pudesse cometer para tê-la em seus braços outra vez.
Por um instante sentiu compaixão pelo Rei Destruído.
—Como você sabe disso tudo? E como isso não está nos registros? — Lucy questionou.
Senna sorriu amarelo, encarando os próprios dedos enquanto os remexia, hesitante.
—Minha família foi a última restante, descendente dos Sentinelas da Luz. Os guerreiros guardas das ilhas das Bençãos e também os únicos a escapar com vida. Este conto foi passado para mim, e acredito nele. — Murmurou, mas era quase como se quisesse convencê-los do que a si mesma.
Lucy apertou os olhos.
—E o depoimento deles não foi para registros públicos? — Inquiriu.
Senna suspirou e a encarou com os olhos verdes.
—Viego matou muitos. De um bom homem se tornou um monstro. Raiva, ódio e rancor é algo que humanos sabem cultivar muito bem. — Ela a encarou profundamente, mergulhando-a nas íris verdes, passando-lhe a impressão que aqueles olhos já viram demais. — É muito mais fácil odiar alguém quando você o rotula como um monstro insano e sem propósito. Odiar alguém que faz qualquer coisa por quem se ama é muito mais difícil por que, no fundo, é algo que todo mundo faria. Dizer que Viego massacrou por amor o humanizaria, então as pessoas preferem fingir que ele é só um monstro ganancioso, por que, lá no fundo, sabem que fariam atrocidades semelhantes por coisas bem mais fúteis, como poder e dinheiro.
Ela voltou a olhar as mãos.
—E, cá entre nós, as pessoas preferem ignorar o fato de que também podem se tornar monstros.
Todo mago da Fairy Tail sabia disso. Se tornar um monstro para defender aqueles que amavam era uma decisão que nem hesitavam em tomar. O mundo não era um conto de fadas onde justiça prevalece e a vida só se vive uma vez para ficar só olhando os outros tirarem tudo o que você tem.
Ela fez uma pausa, respirou fundo e continuou.
—De qualquer forma levou muito tempo para o ódio ser esquecido. Mil anos de novas gerações fizeram esse processo se findar. Mas também, depois de um tempo, novas histórias sobre o rei foram dadas como inventadas, então mesmo se eu contasse hoje, quem acreditaria?
Ninguém. Passou muito tempo, fatos não podiam mais ser afirmados. Podia dizer por aí que o rei estava atrás de um elefante cor de rosa que o efeito seria o mesmo daquela história.
—Bom... — Começou Lucy. — Eu acredito. Se você pu...
Senna se levantou em um rompante, arrastando a cadeira no chão e provocando um ‘SHI!’ da coordenadora da biblioteca.
—Desculpe! — Exclamou já saindo. — Está tarde, tenho que ir! — E se foi, perdendo-se entre as estantes.
—Espera! — Lucy exclamou, levantando-se também.
—SHIIIIIIIII!- A guardiã da biblioteca a repreendeu com um olhar mortal.
Se encolheu no lugar, sendo tarde demais para segui-la.
—Que estranha. — Murmurou para Acnologia. — Mas de alguma forma acredito nela.
O rei apertou os olhos na direção que a estranha tinha ido. Um rosnado abafado retumbou em seu peito.
—Ela não mentiu. — Informou a maga. — Mas está escondendo algo.
Lucy apertou os lábios, olhando para as estantes. Também tinha notado isso.
~*#*~
Empurrou mais um livro grosso para a estante.
—Eu pensei que tendo o nome do Rei teríamos mais sorte. — Murmurou.
A missão já durava 3 semanas. Vinte e um dias sem muito descanso, amontoados em um hotel com quartos coletivos e fazendo turnos, matando os demônios que saiam das tormentas. Era fácil matar aquelas criaturas magricelas humanoides, mas seu número deixava a cidade em risco, e os magos ficavam cansados. A névoa em si era quase intocável. Todos os instintos de Acnologia diziam para se manter longe de suas partes mais densas e, tudo isso, era bem trabalhoso.
Sentia-se tentando matar uma única formiga por vez de um formigueiro. Uma bosta.
Estava estressado e cansado. Apesar de odiar passar o pouco tempo que tinham em bibliotecas, elas eram melhores que o hotel coletivo, ou ouvir as reclamações dos soldados. O silêncio era uma benção.
—Não encontramos a garota de novo. — Rosnou, passando as mãos no cabelo, evidenciando sua impaciência e estresse. — Levy não encontrou nada?
Encostou-se na estante. Estavam no fundo da biblioteca, próximo aos livros sobre impostos e registros. Ninguém gostava deles.
—Não. A biblioteca central não tem registro de nenhum rei chamado Viego. Mas Levy encontrou algo sobre um reino antigo chamado Camavora, que desapareceu da história mais ou menos no mesmo período. Não há muitos registros sobre ele. — Murmurou, encostando-se na estante a sua frente e pegando outro livro da pequena mesinha ao lado que ficava em alguns dos corredores.
Os olhos azuis afiados analisaram Lucy. Hoje em especial ela vestia uma blusa de manga, bem fina, de poliéster, um pouco folgada e sua típica mini saia. Alguns fios rebeldes escaparam do rabo de cavalo, caindo próximo ao seu busto, apertado pelo sutiã que ela usava por baixo.
Seu corpo se moveu antes que as ações passassem por seus pensamentos. Segurou sua bochecha com a mão, acariciando a pele lisa e fazendo-a olhar para cima. Ela abriu os lábios na intenção de dizer algo, mas os seus a cobriram antes que as palavras saíssem.
Devorou sua boca, prensando o corpo dela contra a estante, impossibilitando-a de fugir, usando a outra mão para puxar sua cintura contra sua pelve. Ouviu o livro que estava em suas mãos cair.
Suas calças ficaram subitamente apertadas e seu pau doía. Toda a frustração daquela missão demorada, o estresse, o tesão acumulado pelas semanas sem privacidade, saíram sem controle por seu corpo. Ergueu-a com uma das mãos, pondo-a sentada na pequena mesa frágil e cheia de livros, voltando a prensá-la com mais força do que deveria.
Estava sendo um bruto, usando força demais e ignorando totalmente o lugar que estavam, mas não conseguia controlar. Sentia que se não extravasasse iria explodir.
—Acno! — Lucy protestou, tentando afastá-lo com as mãos, enquanto quebrava o beijo e descia com os dentes e a boca por sua garganta. — Não...
Mesmo tentando impedi-lo, seu corpo se projetava contra o dele, ansioso.
Ela se interrompeu quando passou a língua por seu pescoço e puxou sua intimidade contra seu pau, ainda com as roupas, se esfregando nela como um animal no cio. Ela gemeu baixinho, mas se firmou em continuar.
—Não podemos... Fazer isso aqui! — Sussurrou apertando seus ombros. — É uma biblioteca pública!
Apesar de seus protestos, o cheiro de seu desejo o inebriava, estimulando ainda mais o seu, drogando-o fortemente. Sentia que só com aquele cheiro doce e a fricção entre seus corpos o faria gozar nas próprias calças. Suas bolas doíam para gozar, mas queria entrar nela. Sentia que fazia uma eternidade.
Voltou os beijos por seu pescoço, erguendo o rosto e agarrando seus cabelos pelo rabo de cavalo – agora completamente bagunçado — forçando-a a olhar para cima e encará-lo. Mostrou os dentes.
—Essa missão está me deixando louco. — Confessou entredentes. — Está durando uma eternidade, não avançamos em nada a cada dia, não consigo suportar ficar cercado por tanta gente o tempo todo naquele hotel ridículo, e ainda tem aquela névoa que faz o você-sabe-quem vir à tona e me deixar mais violento! — Rosnou.
Fez uma pausa, rangendo os dentes.
—Eu preciso de você Lucy ou eu vou matar alguém!
Sua outra mão soltou o aperto em sua cintura, descendo pelo corpo dela, sem cerimônia invadindo sua calcinha e enfiando dois dedos em sua vagina. Seu pequeno pedaço de paraíso o recebeu com facilidade, molhada e lisa, apertando seus dedos fazendo seu pau doer ainda mais com a necessidade.
Ela arfou, abrindo as pernas involuntariamente, os olhos se arregalando e a boca se abrindo em um O. Brincou com o polegar em seu clítoris enquanto movia os dedos. Ela gemeu baixinho, seu corpo e suas mãos se agarrando a seus ombros. Suas pernas enlaçaram sua bunda, puxando-o para mais perto.
Não era o único com tesão acumulado. Se não fosse seus anos treinando seu autocontrole da besta, ela já estaria nua, a biblioteca pegando fogo com suas chamas e ambos gemendo de prazer.
—Além disso você claramente também precisa disso. — Conjecturou com um sorriso sacana, a boca quase colada na dela.
Ainda bem que Lucy o amava e jamais se assustava consigo, pois tinha certeza que ela sentia seu corpo tremer com o ronronar que suprimia e via seus olhos vermelhos sangue.
—Se formos pegos... -A interrompeu com outro beijo.
Em outra ocasião poderia consola-la dizendo que ouviria qualquer um que se aproximasse, mas estava tão drogado e desesperado que não se sentiu capaz de manter a promessa.
Enquanto as mãos dela se enfiavam por baixo de sua blusa para arranhar sua barriga com as unhas, abria o cinto da calça de couro e o zíper, folgando-a o bastante para livrar o seu pau do aperto desconfortável. Suspirou de alívio antes de retomar o beijo e empurrar a saia dela para cima.
Com pressa, enfiou os dedos na calcinha fina, empurrando-a para o lado – ciente que ela brigaria se a rasgasse – agarrou seu pau e sem cerimônia se embainhou para dentro.
Interrompeu o beijo, mordendo os próprios lábios para não gemer com o prazer. Os dentes de Lucy morderam o seu pescoço na tentativa de abafar seus sons também. Seus ouvidos poderosos captaram o gemido abafado, e, junto da mordida, quase o fez gozar.
—Porra! — Praguejou.
Seus quadris começaram a se mover automaticamente em um ritmo forte e rápido. De repente foi atingindo como um soco pelo fluxo, o prazer dela o arregaçando como um trem de carga o atingindo a mil por hora com dez mil toneladas.
Novamente seu corpo reagiu antes de seus pensamentos, jogando e prensando o corpo dela com força contra a estante de metal. A estrutura rangeu, mas ficou em pé, por ser chumbada ao chão. A violência a fez arfar.
—Lucy! — Repreendeu, os dentes afiados colados no pescoço fino, quase em uma ameaça.
Só que ela não se intimidou.
—Isso é pelo risco de sermos pegos. — Murmurou, arfante, tentando se controlar para ninguém ouvir.
Rosnou contra sua pele. Ela lhe deu uma punição prazerosa por seu comportamento descontrolado.
As pernas dela se apertaram em sua cintura e ela usou seu corpo como apoio de pivô para erguer os quadris e rebolar em seu pau, tomando a iniciativa de se mover novamente. Rolou os olhos com o prazer e, segundos depois, foi atingido por outro trem. O prazer dela quase o fez gozar de imediato.
Uma de suas mãos agarrou seus quadris, mantendo-o no lugar, sua outra mão foi para seu pescoço, as garras ameaçando a pele fina e seu corpo inteiro a prensou ainda mais, limitando seus movimentos. A encarou mostrando os dentes outra vez.
—Pare com isso ou seremos mais do que expostos.
A biblioteca com certeza ia pegar fogo. E muito mais.
Lucy o encarou de volta, tranquila, sem sentir medo algum de suas garras, seus olhos ou sua força. Seu corpo protegido pela marca aguentava aquilo tudo e sua certeza de que ele nunca extrapolaria ao ponto de machucá-la era tão concreta quanto a gravidade.
—Foi você que quis uma rapidinha na biblioteca. O que está esperando? — Murmurou, a voz cheia de tesão, mas parou o fluxo.
A iminência de serem pegos deixava tudo mais excitante.
O dragão moveu a mão para sua nuca, voltando a atacar sua boca e a mover os quadris sem dó. Os movimentos eram rápidos e precisos e o beijo abafava seus gemidos. Em um dado momento, começou a arfar, sentindo o prazer chegando, se acumulando como uma tempestade em seu interior.
Lucy escondeu o rosto em seu pescoço, agarrando-se cada vez mais a seu corpo, apertando suas pernas em seus quadris, dificultando seus movimentos, apertando-o por dentro, indicando que estava perto.
E então ela gozou. Os dentes nada afiados morderam seu ombro com força e sua buceta apertou seu pau de uma forma deliciosa. Seus próprios dentes se fincaram em seus lábios, machucando-os e impedindo-o de rugir quando, poucos movimentos depois, gozou dentro dela.
O prazer o arrebatou, levando todo seu estresse, sua virulência e, por alguns segundos, só existia ele e Lucy no mundo; a eterna dona de seu coração e de sua alma.
Sentindo as pernas um poco bambas, ainda mantendo-a consigo, usou sua força para manter seu peso e coloca-la sentada na mesa outra vez.
Fechou os olhos, enfiando o nariz em seus cabelos enquanto ela descansava a cabeça em seu peito. Se recusou a sair de dentro dela ou de perto dela. Queria se manter assim, naquele momento pós orgasmo, por horas.
Aquele pequeno momento não era o bastante, mas já era o começo para acalma-lo. Sentiu o pequeno corpo de Lucy rir baixinho.
—Seu louco! — Ela acusou. A voz grogue e cansada, também não parecia nenhum pouco a fim de sair dali. — Só você mesmo para me fazer transar em uma biblioteca!
Sorriu contra seus cabelos.
Ela suspirou, se ajeitando mais contra seu corpo.
—Mas eu admito que foi uma delícia, e que precisava disso.
Também se sentia estressada. Esse tipo de missão vaga e demorada, que os tirava de casa por tanto tempo, era incomoda. Mas o fato mais estressante era ser uma missão do governo, sem prazo para acabar e que não podiam simplesmente desistir e ir embora.
Já tinha pegado missões de até três meses, mas essa ausência de desenvolvimento e conclusão dessa estava dando nos nervos. Sem falar na falta de privacidade. Todos os quartos eram pra 4 pessoas e os banheiros eram coletivos e ainda tinha os horários exaustivos de ronda. Era por isso que estava investindo o pouco tempo que tinham em informações. Queria desesperadamente terminar essa missão.
Por essa razão a ideia de rapidinhas com o corpo gostoso e sensual de Acnologia, além de muito interessantes, eram terapêuticas.
Acnologia sentiu o próprio corpo pulsar, voltando a ganhar vida, ansiando para o próximo round.
Só que no mesmo momento, seus sentidos saíram da névoa nebulosa que o cheiro de Lucy e o sexo o envolviam, e lhe trouxe notícias.
Abriu os olhos, erguendo o rosto e encarando para além das estantes.
—Senna está aqui. — Murmurou a Lucy.
A maga se aprumou imediatamente.
—Que? — Questionou.
Ele abaixou o rosto e a encarou.
—A garota está aqui. Eu sinto o cheiro. Estava próxima. Consigo ouvir os passos dela. Acho que ela está saindo da biblioteca.
A expressão de Lucy congelou por um instante antes de espalmar as mãos em seu peito para empurrá-lo.
—Precisamos ir atrás dela! -Exclamou.
Recuou, saindo de dentro dela com um gemido. A maga pulou para fora da mesa e, por um instante, perdeu o equilíbrio. Agarrou seu braço para mantê-la de pé. Lucy respirou, tentando se organizar por um segundo, apertando o prendedor de cabelos frouxo, e voltando a calcinha e a saia pro lugar.
A acompanhou, colocando o pau semiereto para dentro outra vez, mantendo os olhos na maga. Ela obviamente estava com problemas para se manter de pé, seja pelas pernas bambas ou por sua intimidade excessivamente molhada pelo orgasmo.
Pensar nisso o fez ficar duro.
A seguiu quando ela saiu correndo meio aos tropeços por entre as estantes, indo em direção a saída da biblioteca e procurando Senna. Quando saíram do lugar a maga parou na calçada ensolarada, olhando para ambos os lados da rua, os olhos atentos a sua busca. Muitas pessoas, comerciantes e carruagens, mas nada da garota negra com uma arma gigante.
Ela grunhiu frustrada.
—Pra onde? — Questionou.
Acnologia inflou as narinas, concentrando em seus instintos e pegando o cheiro.
—Por ali! — Apontou para a descida, tomando a frente.
Lucy seguiu ao seu lado, os dois em uma corrida leve. Percorreram alguns quarteirões, viraram algumas esquinas e, por fim, lá estava Senna, andando a passos apressados.
—Senna! — Lucy gritou, acenando em sua direção enquanto corria.
A garota pareceu congelar, virando o rosto para o chão e encarando os próprios pés. A maga celeste vincou as sobrancelhas. Ela parecia querer que um buraco se abrisse sob seus pés e sumir dali.
—Senna! — Falou mais calma, porém arfante da corrida, quando se aproximou. — Nós te procuramos por todo lugar! — Exclamou.
—Eu... — Ela começou a falar, olhou em seu rosto, corou e abaixou os olhos de novo. — Desculpe! — Pediu acanhada.
Ela estava morrendo de vergonha.
Em um estalo a resposta veio a sua mente. Tinham sido pegos no flagra. Talvez ela tivesse visto ou ouvido algo.
Corou como uma pimenta, ficando vermelha do pescoço a testa.
Acnologia por sua vez só ergueu uma sobrancelha, não escondendo o fato de que era cara de pau. Só ficou um pouco puto consigo mesmo. Estava realmente drogado e com tesão, pois não sentiu ou ouviu a garota se aproximar. Era difícil de concentrar em outra coisa quando estava com Lucy desse jeito, mas mesmo assim era uma falha de segurança que precisava corrigir.
Vendo que sua maguinha também congelou de vergonha, tomou frente mudando de assunto.
—Você sabe mais sobre as ilhas, não sabe? — Perguntou direto. — Sobre Viego.
Isso pareceu fazê-la esquecer a vergonha e o acontecido de imediato. Ela ficou séria, encarando-o.
—Eu não...
—As tormentas estão ficando piores e mais fortes. A névoa está mais constante. Alguma coisa vai acontecer e parece que você não pode impedir, e a única forma de fazer isso é falando o que sabe pra gente. — Cortou-a. — Nós sabemos que você esconde algo. O tempo é curto então é melhor falar.
Seus olhos vermelhos a fizeram encolher e estremecer. Tinha a sensação de que ela já conhecia esse tipo de olhar. Um olhar que impunha uma energia superior e monárquica. Apertou os olhos.
—Por favor. — Completou Lucy de forma mais amigável e estendendo a mão. — Queremos ajudar!
Senna olhou para a mão estendida de Lucy, o encarou e voltou a olhar para a maga, decidindo.
—Tudo bem. — Ela cedeu de vez, suspirando. — Mas não posso falar agora. Me encontrem no píer antigo amanhã, no fim da tarde. — Encarou Acnologia. — Eu prometo contar tudo.
Ouviu os batimentos dela e sentiu o cheiro de sua sinceridade. Olhou para Lucy acenando positivo.
Sua maga a encarou.
—Tudo bem.
~*#*~
Respirou fundo sentindo-se novamente estressada ao entrar no banheiro coletivo. Bom, ao menos ainda não tinha ninguém lá, então poderia aproveitar um pouco de privacidade e escolher seu box.
Tinha informado a Erza e Lahar a situação. Ambos acharam melhor manter essa informação em sigilo, apenas com a Fairy Tail por enquanto. A garota claramente não confiava em qualquer um, então, por segurança, apenas o seu time iria ao encontro marcado no fim da tarde no dia seguinte. Tirando isso precisaram fazer mais um turno. As tormentas estavam tão frequentes que os turnos e revezamentos estavam exprimidos uns nos outros, deixando quase nenhum descanso.
Não precisava dizer que os ânimos não estavam bons por causa do excesso de trabalho.
Entrou no box com sua pequena mochila. Ao menos aquele hotel tinha uma vantagem naqueles banheiros coletivos. A área de banho era um box imenso e individual, dividido em duas partes: A primeira era pequena, com prateleiras de pedra, para que pudesse deixar suas coisas e se trocar. A segunda, fazendo divisória com uma segunda porta ficava o chuveiro.
Abriu as torneiras deixando a água fria forte cair em seu corpo todo, esperando aos poucos que ela esquentasse. Fechou os olhos, apoiando as mãos na parede a frente, usando os jatos massagearem suas costas. Gairo, o chefe da missão, parecia cada vez mais impaciente e desesperado por uma solução e os espremia, jogando seu estresse nos soldados e magos. A ideia da barreira de contenção não estava sendo promissora. A névoa era forte demais.
Abriu os olhos massageando os próprios ombros. A barra estava ficando pesada de segurar.
Seu coração quase saiu pela boca de susto, quando viu as sombras se moverem pela parede de granito, lentamente tomando forma humanoide, até por fim tomar a forma de Acnologia completamente pelado.
—Mas que porr... — ia xingar, mas ele a engolfou com seu corpo e a devorou com os lábios.
O rei a prensou contra a parede outra vez e, quando finalmente parou o beijo, a encarou, mantendo seus rostos próximos.
—Essa missão está me irritando. — Desabafou. — Não aguento mais ouvir aquele imbecil do conselho reclamar, ou escutar a merda dos soldados discutindo no banheiro. Ou nos quartos. Ou no refeitório. Merda. Eu já estou reclamando bastante e ser capaz de ouvir todo mundo reclamando também em qualquer lugar está me deixando puto!
Rosnou e escondeu o rosto em seu ombro, fechando os olhos e gemendo uma lamúria. Seus sentidos afiados as vezes eram um chute no saco. Havia um limite do quanto podia suprimir a si mesmo e, mesmo em sua condição mais limitada, qualquer um dos seus sentidos era mais eficiente do que qualquer um dos magos ali.
—Eu odeio missões do governo.
As mãos de Lucy subiram e acariciaram seu couro cabeludo e sua nuca, dando um beijo entre os fios negros.
—Me sinto da mesma forma. Mas isso não é motivo pra quase me dar um ataque cardíaco! — Exclamou. Ela fez uma pausa, olhando para os lados e tentando ouvir antes de sussurrar em seu ouvido. — Esse é um banheiro coletivo feminino, seu maluco. Alguém pode nos ouvir. Temos sorte de estar vazio agora, mas eu não quero ser pega no flagra de novo. Eu gosto de nossa vida intima, intima!
Acnologia se afastou um pouco. Um gemido ficou preso em sua garganta quando seus olhos devoraram o corpo de sua companheira, nu e húmido pela água. Os cabelos loiros grudados nos seios de forma sexy, teve a sensação de que tinha uma eternidade que não os via. Seu pau cresceu apontando para ela e não poderia esconder.
—Parece que faz décadas desde que pude te ver assim... — Ele sussurrou, a voz rouca arrastada.
Acariciou a bochecha dela, descendo a mão pelo pescoço e agarrando o monte macio com um gemido de deleite. Agarrou-a pela cintura, puxando-a para mais perto, e apertando o bico entumecido e excitado com o indicador e o polegar, sem encontrar resistência alguma pelo caminho.
Lucy arfou, deixando seu corpo ser entregue, agarrando seus braços fortes. Ela também sentia que fazia décadas que não podia vê-lo por inteiro, apreciá-lo... amá-lo. Por mais que os riscos existissem não iria pará-lo. Precisava daquilo; sair do ar, senti-lo, mergulhar em sentimentos prazerosos e renovadores que vinham amplificados pelo amor que sentiam um pelo outro.
O dragão a beijou brevemente e depois desceu com selinhos por seu rosto, bochecha e garganta, fazendo-a abraçá-lo e puxa-lo para mais perto.
Gemeu no momento em que pode sugar o seio macio para dentro de sua boca, curvando-se contra ela e brincando com o botão duro com sua língua e dentes de forma delicada e deleitosa.
—Não podemos der pegos. — Ela sussurrou perto de seu ouvido enquanto sua mão agarrava seu cabelo, forçando seu rosto contra os seios macios. — Você normalmente escuta quando chegam. Por que.. — Ela se interrompeu, incapaz de completar, gemendo quando sua mão apertou sua bunda enquanto esfregava o bico contra sua língua e o céu da boca.
Não precisava que ela completasse. Sabia o que ela ia dizer. Não era a primeira vez que seus desejos e inibições os levavam a fazer coisas inapropriadas como se fossem dois adolescentes malucos. Sempre conseguia sentir ou ouvir se alguém viesse pegá-los no pulo. Seus sentidos aguçados lhe permitiam extrapolar limites.
Soltou a boca de seu seio, beijando sua clavícula e apertando o monte com a mão livre, deleitando-se com o gemido abafado.
—Não sei... — Murmurou entre as carícias. — Estou estressado, irritado e carente. Mal toco você. Me sinto drogado. — Arfou, incapaz de ignorar os seios lindos por mais tempo. — Não... não consigo focar em nada além de...
Ergueu o rosto, esquecendo-se do que ia falar e a beijou. Precisava tocá-la em todos os lugares.
Desceu de novo pelo corpo esbelto, lambendo sua barriga e se ajoelhando diante dela, ficando quase de frente com sua intimidade. Pegou uma de suas pernas e a jogou por cima de seu ombro, ajustando a posição para que sua vagina ficasse aberta diante de seu rosto.
O cheiro de sua excitação fazia suas bolas apertarem. Sem delongas foi direto em seu clítoris com a boca, massageando-o com a língua por entre os lábios, impedindo que seus dentes afiados raspassem na estrutura sensível. O corpo dela reagiu, jogando-se mais contra a parede e empurrando os quadris em sua direção. Uma das mãos finas agarrou seus cabelos com força, enquanto a outra tapou a própria boca para abafar o barulho.
Não gostava disso, mas ignorou o impulso de impedi-la de se reprimir por que realmente não podiam ser pegos.
Voltou a focar no prazer dela, enfiando um dedo em seu interior enquanto trabalhava com a boca. Cada vez que aquele recanto húmido e macio apertava seu indicador seu pau pulsava, envergado para cima, desesperado para substituí-lo. Apertou-o com a outra mão usando um pouco de força, refreando seu próprio desejo. Esse momento era de Lucy, e queria vê-la gozar.
Soltou-se, voltando a segurá-la pela coxa em seu ombro e enfiou um segundo dedo, indo mais fundo. Ela tentou forçar seu rosto outra vez, e mordeu a própria mão. Sentia pelas contrações que ela estava perto.
—Que merda de dia! — Alguém exclamou.
Ouviu os passos de 3 mulheres entrando no banheiro.
Isso sobressaltou Lucy por um segundo, mas não ia permitir que ela saísse daquele momento. Dobrou os dedos em seu interior, mexendo nos lugares que conhecia com maestria e foi mais incisivo com a língua, castigando o botão sensível até que ela explodisse.
Ela mordeu a mão com mais força e fechou os olhos, jogando a cabeça para trás enquanto sua buceta apertava seus dedos. Segundos depois ela largou a mão, respirando forte e ficando mole com as pernas. A sentiu apoiando todo o peso em si. Não era um problema.
Tirou os dedos e a boca, mas esperou um pouco antes de colocá-la no chão outra vez. Ela mudou seu apoio para a parede as suas costas quando se ergueu. A beijou já na intenção de agarra-la pelas coxas e embainhar-se para dentro, apenas dando-lhe mais alguns segundos para recuperar-se.
—Urg! Essa missão está me matando! O que eles pensam que somos? Maquinas? — Ouviu as mulheres reclamarem enquanto se organizavam nos boxes, a conversa ecoando alta pelo banheiro.
—Não é? — Disse a outra. — Sem falar que temos que aturar aqueles ridículos do esquadrão do reino. — Retrucou. — Eles acham o que? Só por que ganham mais podem sair falando merda para a gente?
As mãos finas espalmaram seu peito e ela o empurrou para trás, forçando-o contra a parede do outro lado do boxe. Ela o agarrou pelos ombros e ficou na ponta dos pés, sussurrando em seu ouvido.
—Você não é o único com saudade aqui. — Ronronou.
Ela beijou sua garganta, descendo com os lábios e a língua por seu corpo, fazendo o mesmo processo que tinha feito nela. Mordeu os lábios, apreciando o momento e se impedindo de gemer.
A língua travessa esfregava em seu mamilo, ao mesmo tempo em que as unhas sapecas arranhavam os músculos de sua barriga, delineando suas marcas tribais e os contornos de seu tanquinho.
A conversa feminina e os novos passos que entravam no banheiro eram um lembrete constante de que não estavam sozinhos e que precisavam se manter discretos. Por que a atmosfera parecia ainda mais carregada e seu pau ficou mais duro?
Ela desceu com a boca por sua barriga e, antes de se ajoelhar, provocou-o, colocando seu pau entre os seios macios e o esfregando. Trincou os dentes, engolindo o rosnado.
—Lucy... — Repreendeu em foz baixa e áspero. Não estava em condições de receber provocações.
Ela sorriu, novamente ignorando suas represálias, e se ajoelhou, segurando o pênis rígido diante do rosto, encarando-o por um breve instante antes de engoli-lo.
Fechou os olhos, jogando a cabeça para trás, tentando lembrar a si mesmo que não podia penetrar suas garras no granito. Usando a mão na base para ajudar a masturbá-lo, sua boca subia e descia, a língua provocando-o em diferentes ângulos. Em um dado momento ela o agarrou com ambas as mãos e usou a língua e a boca para se focar na cabeça sensível, esfregando-a em movimentos rítmicos.
Seus quadris automaticamente foram para frente e, para evitar quebrar algo, sua mão agarrou seus cabelos, puxando-os um pouco. Conteve o impulso de empurrar em sua boca. Não gostava de força-la a engoli-lo. Apreciava quando ela tomava o que podia, seguindo seu ritmo e gemia contra seu pau.
Ela voltou a engoli-lo mais profundamente, ainda dando mais atenção a cabeça, como ela sabia que gostava, e enquanto uma mão continuava a ajuda-la na base, a outra desceu, agarrando seus testículos e massageando-os com cuidado.
Soltou o ar, entredentes. Estava ficando difícil não gemer.
Se distraiu por um momento com sua língua travessa e com o prazer que se acumulava abaixo de seu estômago que não percebeu sua intensão e só saiu do transe quando a sentiu enfiar um dedo em sua bunda. Sabia o que ia acontecer, sabia o que ela ia fazer, mas mesmo assim foi pego de surpresa quando o dedo travesso encontrou sua próstata inchada e sua língua se focou na cabeça de seu pau.
Explodiu, gozando sem conseguir avisa-la antes. Puxou os cabelos dela para se impedir de quebrar algo e mordeu o lábio com as presas, arrancando sangue, e jogando a cabeça para trás. O rosnado de engabelou em sua garganta enquanto fechava os olhos com força, ouvindo o sangue martelar em seus ouvidos por conter uma reação tão brutal.
O fogo do prazer se alastrou por sua barriga, revirando seus olhos e fazendo cada músculo contrair. Passados alguns segundos, soltou o ar, devagar pela boca, algumas chamas azuis saindo de seus pulmões e se desfazendo rapidamente no ar.
Olhou para baixo enquanto tomava respirações profundas e vagarosas, vendo Lucy limpar os cantos da boca com auxílio da água corrente do chuveiro enquanto mantinha seu pênis meio mole em uma das mãos.
Ela se levantou com sua ajuda e, assim que o fez, a puxou para um novo beijo. Podia sentir resquícios de seu gosto em sua boca, mas não ligou. Tudo aquilo só o deixava mais excitado e o lembrava a quanto tempo estavam privados de terem um contato mais íntimo e um pouco de privacidade.
—Sim, sim, parece mesmo que aquele cara não tem ideia do que está fazendo. — As vozes frustradas voltaram a alcançar seus ouvidos, ainda alheias ao que ocorria em um dos boxes. — Quer dizer, estamos aqui a semanas e ninguém falou nada sobre o que são aquelas coisas. Tudo bem que são fracas, mas puta merda, quanto tempo mais vamos ficar aqui?
—Isso é o que me frustra...
Desceu a boca para o pescoço de Lucy, beijando a pele fina e ronronando baixinho em seu ouvido, enquanto voltava e empurrá-la vagarosamente com o corpo para a outra parede do box, encurralando-a. A água quente caia em suas costas, contribuindo ainda mais para a barulhada do lugar.
A massagem leve que a mão pequena fazia em seu pênis enquanto se beijavam outra vez foi o bastante para prepará-lo de novo.
—Se segure em mim. — Sussurrou com a boca colada em seu ouvido.
Ela obedeceu, abraçando seus ombros e enlaçando sua cintura com as pernas enquanto a agarrava pelas coxas, segurando todo o seu peso e usando a parede como suporte. A maga firmou as pernas em sua cintura, deixando consigo todo o trabalho de equilíbrio e de força, usando seu quadril para impulsionar o próprio mais para cima e agarrar o seu pau.
Agarrou sua bunda, empurrando-a para cima, ajudando-a a se erguer um pouco mais, fazendo assim com que ela conseguisse encaixá-lo e guia-lo para dentro. A desceu devagar, apreciando o momento mais lentamente e sendo agraciado as expressões prazerosas da maga, quando jogou a cabeça para trás, apoiada no granito, e fechando os olhos, apreciando as sensações que apenas ele poderia dar a ela.
Era um sinal de entrega completa. Estava livre para fazer o que quiser. Engoliu o ronronar de aprovação, evitando o barulho. Era por isso que essa era sua posição favorita.
A relação dos dois era livre e madura. Depois de tantos anos juntos, de vários desafios, problemas e aventuras, a base do relacionamento de ambos estava sob pilares firmes e concretos, algo bem diferente daquele amor avassalador e sem apoio que era no começo. O amor continuava, obviamente, sendo tão avassalador quanto, mas agora já tinham mais confiança um no outro, sabiam seus limites, manias e necessidades. Isso e algo que veio com o tempo.
Sendo assim a relação intima dos dois também evoluía. Ao contrário de si, Lucy não tinha experiência alguma com o sexo, então deixava ela se descobrir, abrindo-se para aquilo que queria ou não explorar entre os dois, deixando-a encontrar o que gostava ou não, enquanto em contra partida descobria formas de regrar a si mesmo para aproveitar mais aqueles momentos, controlando a fera (sem falar, é claro, do poder que ganhou com sua ligação tão única). Só que algo curioso aconteceu.
Simplesmente não conseguia mais suportar a posição do famigerado ‘de quatro’ e seus variantes, amada por tantos. Antes de Lucy gostava muito dessa posição, mas agora simplesmente a odiava. Precisava vê-la quando entrava nela; ver seus olhos castanhos nublados de prazer, sua boca se contorcendo, seus seios raspando em seu peito, vendo seu corpo se contorcer cada vez mais sob o seu, implorando por mais prazer.
Ela suspirou, apertando seus ombros e erguendo os seios em sua direção como se implorasse “toque-os”. Oh, sim. Era isso que o fazia quase gozar antes da hora, apertando suas bolas a um ponto de dor.
—Quem aqueles idiotas pensam que são? Nos deixando as cegas? — A conversa paralela prosseguiu.
Se aproximou do ouvido de Lucy e sussurrou.
—Espero que a gente consiga continuar mantendo o silêncio.
Não deu chance de ela responder, iniciando os movimentos firmes e precisos, batendo a pelve contra seu clitóris, e se posicionando para atingir exatamente onde sabia que ela gostava. Lucy chupou o ar, fincando as unhas em seus ombros, tentando manter-se em silêncio e descontando a reação em seu corpo.
Por sorte, as conversas paralelas e o barulho dos chuveiros eram tão autos que o barulho erótico de seus quadris arremetendo contra ela passaram despercebidos no eco ensurdecedor do banheiro coletivo.
Enfiou a boca nos seios oferecidos a si, usando-os para abafar os próprios sons e a respiração ofegante. Arremeteu contra ela uma serie de vezes, mantendo seu apoio firme com as mãos em sua bunda e sustentando o peso. Pouco tempo depois Lucy começou a apertá-lo, puxando-o contra ela. Sua vagina o esmagava forte, suas pernas ficaram inquietas, apertando-o, quase o impedindo de se mover para mais longe que um centímetro e ela buscou o refúgio de seu pescoço.
Oh, ela estava perto. Ainda bem, por que também precisava se liberar. Com mais algumas estocadas precisas, ela gozou, mordendo forte seu ombro e as panturrilhas puxando-o mais fundo para dentro. Não foi necessário se mover muito mais. As contrações e o aperto férreo o ordenharam, fazendo-o gozar pouco depois dela.
Agarrou sua bunda com força, os dedos marcando a pele temporariamente e voltou a afundar os dentes nos lábios para não gemer, contendo o rugido na garganta. As chamas romperam por suas costas, em pequenos focos, onde Lucy passava as unhas. Abstinência não era a sua mesmo.
O orgasmo foi mais avassalador que o primeiro, estremecendo-o até a base e deixando suas pernas meio instáveis.
Apenas sua força inumana o manteve de pé, mesmo assim, depois de tomar um pouco de fôlego, a puxou para seus braços, escorando as costas na parede do boxe e escorregando até sentar-se no chão de porcelana molhado. O chuveiro agora batia na base das costas de Lucy e em suas cochas. Ela se manteve escorada a seu peito, enquanto acariciava suas costas. Ambos retomavam fôlego e as energias, finalmente apreciando um pouco de paz e carinho.
O silêncio era bom....
—Aquele cara é um escroto! — Mais mulheres entravam enquanto outras saíram.
Bom, o silêncio entre eles era bom. Mas nem mesmo a confusão do banheiro agora estragaria seu humor.
—”Uma gostosa como você não devia carregar uma espada por ai.” — Uma delas exclamou com desgosto em uma clara tentativa de imitar a voz de um homem aleatório. — “Espadas são pesadas demais para suas mãos delicadas”. Urg! Sério, se eu ver esse desgraçado de novo eu vou arrancar as bolas dele!
Acnologia abriu os olhos, parando de fuçar os cabelos de Lucy com o nariz e apoiando o queixo em sua cabeça. Era um homem invadindo o banheiro feminino, é claro que as ameaças e discussões contra o seu gênero eram, no mínimo, curiosas.
—Nem me fala. — Uma segunda mulher respondeu. — Ele acha que só por que tem patente, um cabelo loiro e um par de olhos azuis, que pode falar assim com a gente. Beleza não é tudo, mas é óbvio que um homem não tem cérebro para saber disso. Ou pensar!
Vincou as sobrancelhas.
—Sim! — Comemorou a outra. — Treinamos por anos, somos tão competentes quanto eles, mas só por que temos peitos e não temos uma vara no meio das pernas eles acham que podem nos assediar e sair barato! — Resmungou, abrindo mais um dos chuveiros.
—Seria melhor se não precisássemos deles. — A outra gritou do outro lado dos banheiros, entrando na conversa como se fosse algo normal.
—Total! — Falou outra.
—Mas vocês já repararam que esses escrotos aparecem só nesses idiotas de patente alta do exército? Os que acham que ter um par de olhos azuis bonitos e o bastante? — Jogou na mesa. — Aqueles magos que vieram para reforçar poderiam dar um pau neles, não só em poder como em educação. Eles nos enxergam como pessoas capazes de lutar também.
Desceu a boca para o ouvido de Lucy, sussurrando.
—É sério isso? — Questionou.
Parecia que reunir mulheres no banheiro era automaticamente providenciar uma seita satânica a qual homens seriam oferecidos como sacrifício.
Lucy ergueu a cabeça de seu peito, respirando em seu pescoço antes de falar em sua orelha:
—Eu concordo com a parte dos olhos azuis sexys. Você tem olhos azuis sexys. — Brincou. Raspou os dentes em seu couro cabeludo, a repreendendo e estremecendo ao sentir sua intimidade apertá-lo quando seu corpo se moveu. — Eu não posso culpá-las. — Murmurou. — Assedio, infelizmente, é bem comum no exército. — Assim como outras coisas mais pesadas. — Não é legal ser o lado inferiorizado da moeda. — E voltou a acomodar a cabeça em seu ombro, preguiçosamente.
Em uma reação automática, seus braços a puxaram para mais perto. Era obvio que sabia e já tinha visto assédios, não só no exército como em várias ocasiões. Casos de estupros, coronéis que usavam de sua posição para exigir favores sexuais, etc, tudo isso não era nenhuma novidade e os jornais todos os dias traziam um novo escândalo.
Só que ouvir mulheres só se sentirem seguras para desabafar umas com as outras em um banheiro, longe de homens, suas frustrações e humilhações lhe causavam um desconforto no estomago. Isso o fazia lembrar de como as pessoas do seu gênero podiam ser escrotas, e de como sua relação com Lucy era uma exceção a realidade do mundo. Nem todos conseguiam respeito mutuo, ou confiança.
—Isso é por que eles formam times por si próprios e as magas deles são ridiculamente poderosas. Eles sabem do que elas são capazes e as respeitam. No nosso caso esses merdas nunca nos viram em ação, ou se viram tiram sarro. — A outra continuou.
—Tanto faz! — Retrucou outra. — Fato é, eles são gente fina e uns gatos! Vocês viram os caçadores da Saber? Ou aquele de cabelo azul com a tatuagem vermelha na cara? Eles são lindos de morrer.
—Ou, ou, ou! Vai com calma. Dizem que aqueles caçadores só ficam com uma mulher pra sempre, e aquele misterioso lá e casado com Erza Scarlet! Ela te parte ao meio sem fazer esforço.
Lucy e Acnologia se entreolharam, começando a achar graça.
—Eu queria um caçador então. Minha irmã já foi traída pelos 2 ex-maridos. Eles só pensam com o pau. Ter alguém bonito como eles só pra mim seria ótimo.
Lucy lambeu seu pescoço chegando até sua orelha, fazendo-o estremecer e o deixando duro dentro daquele paraíso quente e apertado e, com um sorriso, sussurrou.
—Vou ter que concordar de novo.
Teve vontade de jogá-la no chão e submetê-la, fazendo-a gemer com o impulso de seus quadris e reafirmando as palavras de que, sim, era apenas seu, para sempre.
—Alô? Vocês me ouviram falar que a maioria já é casada?
—Hunf! — A outra resmungou. — Que pena. Aqueles magos da Fairy Tail são todos bonitos. De que buraco abençoado eles saíram?
—Né. Aquele das runas... acho que é Freed. Eu ele é lindíssimo com aquele cabelo verde. Sairia com ele sem pensar duas vezes.
Tapou a boca de Lucy com a mão ao mesmo tempo em que ela tampou a sua, evitando rir. Seus corpos tremeram em conjunto por segurarem a risada. Freed era mais Gay do que bi atualmente, mas aparentemente nem todo mundo sabia.
—Aquele mago do gelo também é lindo, mas é casado com aquela maga da água. — Jogou ao ar. — Todos eles são muito lindos e infelizmente casados. Viu aquele todo tatuado? Com aquelas marcas azuis? Ele é todo sério e misterioso, só que ele não sai do lado daquela loira. Parece ser tão... sexy.
O humor de Lucy azedou, fechando a cara na hora e o ciúme ardendo na sua pele. Claro que eles iam falar de Acnologia. Seu companheiro era ridiculamente bonito e suas marcas misteriosas só o deixavam mais atrativo, despertando a curiosidade de saber até onde elas iam por baixo daquela roupa.
O Rei riu baixinho ao ver a reação de Lucy, sentindo seu ego inflar, não pelo elogio, mas pelo sentimento muito familiar que atravessava o rosto de sua maguinha. Sua reação foi recebida com socos em seu peito que só serviram para alimentar sua diversão. Seu amor era tão fofo quando ficava com raiva.
Ela o encarou com os olhos serrados e o maxilar rígido, não gostando nadinha dele rir de seu ciúme. Propositalmente ela o apertou seu pau, fazendo sua risada morrer e seu corpo estremecer.
—Pois é, mas é como eu disse: todos praticamente já tem namorada ou esposa. Só nos resta a Blue Pegasus, mas todos eles são um bando de mulherengos pelo que parece.
—Mulherengo ou não, eu pegaria Hibiki.
A puxou para um beijo rápido e, mesmo que ela tentasse resistir, acabou cedendo em poucos segundos. Finalizou o beijo dando selinhos por toda sua face até chegar na orelha.
—Não precisa ficar assim. Nenhuma delas está em cima de mim e sentada no meu pau. — Sussurrou.
Não. Nenhuma mulher algum dia teria o domínio que Lucy possuía por ele. O amor que sentia era mais poderoso que um vício. Novamente a história de Viego veio a sua cabeça, e mais uma vez entendeu a compaixão que sentira. Tal como o rei louco, nenhuma atrocidade seria demais para manter Lucy viva e feliz.
Apenas ela saberia onde cada uma daquelas marcas em seu corpo terminava e tinha o poder de tocá-las.
—Parem de sonhar. — Murmurou. — A realidade é que nossos queridos companheiros do exército são uns merdas e, com a quantidade de trabalho que temos, não temos a menor chance. — E assim elas voltaram a reclamar do trabalho.
—Eu acho aquele arqueiro fofinho. Ele foi bem educado comigo...
Lucy sorriu travessa ao se lembrar disso e o apertou em seu ventre novamente, com delicadeza enquanto rebolava, deixando-o mais duro e lembrando-o dos constantes estímulos que tentava ignorar a algum tempo.
—Verdade. -Ela murmurou em seu ouvido quando estremeceu com seu aperto. — O que será que ela diria se descobrisse que a loira está no box ao lado querendo mais um raud? -Sussurrou sedutora.
A puxou para perto, levando a boca a garganta dela e agarrando seus cabelos. Rosnou contra sua pele, os dentes afiados passando por suas veias com delicadeza, provocando arrepios.
—Ela morreria por tentar interromper. — Sua voz saiu rouca e ameaçadora, por que era verdade.
Qualquer um que passasse por aquele box seria queimado vivo.
Lucy apoiou os joelhos mais firme no chão e começou a subir e descer outra vez. A intimidade já bem molhada por seus orgasmos anteriores deixavam os movimentos fluidos e fáceis.
—Não acha que estamos demorando demais? — Murmurou.
Não queria sair dali nunca mais. Não sabiam quando teriam uma oportunidade daquelas de novo, mas era um risco se alguém desconfiasse pelo tempo que estavam ali, e se infiltrar no banheiro feminino todos os dias seria complicado. Uma hora alguém sentiria sua magia, por mais furtiva que fosse.
—Ninguém te disse que mulheres demoram no banho? — Respondeu sorrindo, usando um dos estereótipos mais ridículos de todos. Laxus demorava mais no banho que qualquer mulher da Fairy Tail.
Péssimas lembranças do último acampamento de treino com um banheiro, onde todos esperavam no frio enquanto o loiro bombado cantava e acabava com a água quente.
Apoiou sua cintura para facilitar que se movimentasse, enquanto ela usava os braços para se apoiar em seus ombros, inclinando o corpo para trás. A água do chuveiro passou a bater em sua barriga e na junção se seus sexos, provocando uma estimulação ainda maior.
Suspirou já sentindo seu orgasmo próximo. Estava sendo apertado e estimulado já a um tempo, mesmo que tentasse ignorar, já estava querendo gozar outra vez. Só que não ia deixa-la na mão.
Levou o polegar ao clítoris e o massageou com precisão. O corpo dela voltou a arquear para frente, seu rosto voltando para seu ombro, enquanto os movimentos ficavam mais curtos, rápidos e as reboladas mais estimulantes.
Apertou o botão suavemente contra a fricção de seu pênis e isso foi o bastante para que ela voltasse a mordê-lo. Fechou os olhos, impulsionando os quadris para cima e liberando as amarras de seu corpo, gozando fundo pela última vez no dia e saboreando o momento. Pequenos pontos de chamas azuis surgiram em sua barriga, uma vez que foi obrigado a reprimir seu rugido.
Lucy passou os dedos por elas à medida que sumiam, sem medo algum.
Permaneceram assim, por mais alguns minutos, mas assim que tomou energias, Lucy se levantou, removendo-o de seu interior quente e acolhedor. Gemeu baixo, mostrando-lhe os dentes em descontentamento.
—Se continuarmos assim realmente teremos um problema. — Sussurrou, ciente de que poderia ouvi-la de qualquer jeito.
Ela estava certa. Enquanto estivesse ali dentro seu corpo tarado por Lucy ia querer mais. Já queria mais só por olhar para ela nua a sua frente, a pele molhada pelo chuveiro, e um pouco de seu gozo escorrendo pelos lábios de sua vagina. Tinha gozado muito.
Droga, aquilo fez seu pau pulsar.
Suspirou, ignorando seu desejo e se levantando também. Lucy voltou a se enfiar no chuveiro, lavando o corpo do suor e organizando os cabelos. Em um gesto de gentileza intima, pegou o sabonete de pêssego, chegou em suas costas e a limpou, esfregando o sabão em suas costas, ombros, barriga, seios até por fim chegar a sua intimidade, limpando os vestígios de seu prazer.
Lucy ergueu o rosto e lhe deu um beijo no queixo, apreciando seu carinho e cuidado. Ronronou baixinho em resposta, pegando o Shampoo e massageando seus cabelos longos e dourados.
Obviamente ela retribuiu cada cuidado, se divertindo com seus cabelos negros principalmente. A impediu de trança-los.
Suspirou. Aqueles momentos eram a gloria da sua vida.
~*#*~
O olhar desconfiado e nada discreto de Levy já estava a incomodando.
—Tudo bem, durmam o quanto puderem. Vamos nos encontrar no píer as 15h e esperar até o entardecer. Não podemos correr o risco dela não nos encontrar lá. Vamos chegar mais cedo. — Ordenou Erza.
—Hay! — Todos concordaram, já se preparando para irem para seus quartos.
—Boa noite! — Todos se desejaram, enquanto ia junto com Acnologia para seu quarto, que dividiam com mais 2 pessoas em beliches.
—Com licença. — Levy a agarrou pela manga, saindo do lado de Gajeel e a tirando de Acnologia, arrastando-a para o outro lado do Hall do prédio.
Ninguém normal os ouviria ali.
—Vocês transaram! — Ela acusou.
As palavras foram tão aleatórias e diretas que sua única reação foi:
—Que?! — Exclamou.
—Vocês dois transaram!
A irritação a fez bater o pé impaciente.
—Não. — Resmungou, mas só por que entrou em defensiva.
Imediatamente não entendeu o por que tinha negado. Foi automático. Obviamente tinha o direito de fazer o que quisesse com Acnologia. Ficou ainda mais irritada.
Levy estalou a língua, impaciente.
—Vocês dois são as únicas pessoas com um ar leve e feliz aqui, além de não estarem reclamando e querendo matar alguém por essa missão nojenta. Seu humor e o dele mudaram da água pro vinho em vinte quatro horas. Ou seja: Vocês transaram.
Lucy espremeu os olhos encarando a amiga, a raiva começando a entrar nas veias com sua intromissão observadora em sua vida pessoal.
—Levy, minha vida intima...
Ela a interrompeu.
—Foda-se. Eu não quero saber da sua vida intima. Somos amigas e já aceitei o bruto que você escolheu e se vocês querem transar não é da minha conta. — Reclamou mexendo as mãos. — O que eu quero saber é: Como. Temos turnos massacrantes, todo lugar que vamos tem soldados, tudo aqui e coletivo, não temos um segundo de privacidade pra nada. — Ralhou suas frustrações, que eram as mesmas de todo mundo. — Nem nas nossas pequenas horas de folga estamos sozinhos mais do que 5 minutos, então como?
Piscou atordoada por alguns segundos. Finalmente entendeu a invasão da amiga. Todos ali estavam desesperados por um pouco de privacidade, nem que fosse para dormir. Queriam uma forma de fugir daquela missão exaustiva e dos gritos de Gairo exigindo mais eficiência de todos. Como companheira de um dragão, Levy era suscetível a quase as mesmas necessidades que as suas.
—Acnologia usou a magia das sombras que comeu de Gajeel, que roubou de Rogue, e entrou no box do banheiro feminino que eu estava. — Respondeu ainda aturdida.
Levy fechou as mãos em punho e estalou a língua de novo.
—Filho da puta! — Exclamou. — Ele é um gênio!
Logo arregalou os olhos e apontou os indicadores para Lucy.
—Nunca conte a ele que eu disse isso!
Lucy piscou novamente, erguendo as sobrancelhas. Mas falando em gênio...
—Você descobriu mais alguma coisa sobre Viego? Ou Camavora?
Levy fez uma careta.
—Sim e não. — Ela respondeu. — Encontrei um conto que descrevia um Rei, mais ou menos dessa época, mas o nome dele não é citado. Posso apenas supor que é de lá. O conto diz que nas terras esquecidas do norte, havia um rei que foi agraciado com o poder do comando e, por sua bondade e poder solene, os antigos espíritos lhe forjaram uma espada de ferro rúnico, a única de sua espécie, capaz de cortar e eliminar qualquer coisa em seu caminho. — Murmurou. — O rei era poderoso o bastante para que, sozinho, conseguisse ser o pivô de equilíbrio entre todas as nações da região na época.
Respirou fundo.
—Eu presumo que seja ele pelos relatos do pacifismo imponente de Camavora, mas, mesmo tendo um rei importante, seu nome foi completamente esquecido. Além disso não há mais nenhum rei que sumiu do nada durante a época da invasão das ilhas.
Lucy suspirou, massageando a testa.
—Tudo bem. Talvez tenhamos respostas melhores amanhã.
Levy sorriu, também esperançosa. De repente a baixinha pulou, como se lembrasse de algo importante.
—Tenho que ir. O banheiro vai fechar em algumas horas. Boa noite, tchau. — E saiu correndo, agarrando Gajeel no caminho.
A viu sumir pelo corredor e voltou a se encontrar com Acnologia. Ele estava tentando não sorrir.
—Então a tampinha me acha um gênio. — Comentou, passando o braço por seu ombro e a puxando para perto.
Não aguentou. Riu, sendo acompanhado por ele, a ficha finalmente caindo que sua amiga finalmente passava pelos perrengues que passavam no início. A marca de Acnologia era muito forte, e suas consequências também, por isso o início de seu relacionamento era tão fogoso e problemático. Mas agora, passados os perrengues, admitia que era engraçado ver isso acontecer com outra pessoa.
—Pobre Levy. — Murmurou.
Seus filhos – agora mais crescidos – finalmente davam uma folga, indo dormir na casa dos amigos e dando a brecha para curtirem um ao outro, e, por azar, pouco tempo depois eram enfiados em duas missões quase em sequência que eram um porre.
—Dessa vez acho que estou até com dó do desespero deles. — O rei comentou. — Não que eu possa culpá-los. Se fosse por mim, estaríamos naquele chuveiro até agora.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Lucy abriu a porta do quarto, revelando os outros dois companheiros de quarto já dormindo e roncando alto no beliche do lado direito. Quando chegou eles tentaram cantá-la. A cara deles quando Acnologia passou pela porta segundos depois foi acida e satisfatória.
Suspirou ouvindo o ronco de britadeira.
—Eu também queria estar naquele chuveiro.
~*#*~
O píer não via uma alma humana há, no mínimo, 3 séculos, com certeza. O lugar ficava nos limites de águas de sentina, próximo a floresta. No máximo alguns moleques deviam ir ali para se aventurarem. Cheio de carcaças de barco antigas, madeira podre e caixas velhas, o lugar era um museu.
Natsu suspirou, impaciente, deitado em uma das caixas.
—Ela vai vir mesmo? — Perguntou.
Já fazia duas horas que esperavam. Em breve o sol ia se por. A visão do céu laranja e roxo sendo refletindo nas águas do mar, contrastando com o único antigo farol solitário ao longe, era bem bonita.
—Já disse que vai Natsu. — Inquiriu Lucy.
Só que já estava começando a duvidar. A deixou ir antes por que ela parecia realmente precisar ir a algum lugar – além da vergonha de ter sido flagrada de alguma forma – mas confiou no faro detector de mentiras do Rei, acreditando em sua sinceridade. Na hora não pareceu que ela ia enganá-los.
O tempo passou, e, quando estava prestes a desistir e dizer aos amigos que foi enganada, ouviu um barulho. O som de uma fileira de caixas sendo derrubadas e metal caindo fez todos se virarem para a entrada do píer.
Diante deles, Senna apareceu, claramente ferida, com hematomas no rosto e no corpo, as roupas rasgadas de uma luta, tentando se apoiar na arma enorme que andava consigo.
—Senna! — Exclamou preocupada, correndo em sua direção.
Conseguiu segurá-la antes que desmoronasse no chão, descendo-a com calma para que se deitasse, apoiando seu rosto no colo.
—Wendy! — Chamou, mas seus amigos também já se aproximavam para ajudar. A caçadora se abaixou, avaliando os danos para começar a magia de cura. — O que aconteceu? — Perguntou, limpando os escoriações de sua face com cuidado.
Senna respirou fundo, tentando encontrar energia para falar.
—O carcereiro. — Murmurou. — O carcereiro enganou Viego para matar todos da ilha. — Sua voz estava falha. — Ele... ele busca poder e controle. Queria o poder de Viego para si, mas não poderia controlar a espada ou a névoa. Ele aprisiona os espíritos na lanterna. Ele busca o espirito de Isolde para poder controlar o rei.
Ela ergueu a mão em um ato de desespero, agarrando a blusa de Lucy, manchando-a com sangue, e implorando.
—Você não pode deixá-lo pegar o espirito dela! Tem que protegê-la! — Ela soluçou. — Viego é um homem bom, mas sem seu coração ele... ele...
De repente tudo começou a ficar escuro. Vindo do mar, a névoa negra se arrastava em volta do píer, cercando-os com breves relances verdes brilhantes, emitindo o barulho dos demônios e espíritos aprisionados nela.
A mão de Senna apertou o peito de Lucy.
—A Ruína... Viego! — Ela alertou.
A névoa cercou o lugar. Todos entraram em posição de alerta. As criaturas cadavéricas humanoides, feitas de névoa negra começaram a aparecer, andando lentamente, antes de rugirem e atacarem os magos.
Seu time reagiu primeiro, exterminando-os e estabelecendo uma zona segura, onde somente Lucy, Senna Wendy e Acnologia ficaram no centro. As feições da antiga guardiã da ilha ficaram duras de repente e ela se forçou a levantar.
—Espere! — Lucy protestou.
—Você não pode se levantar! — Wendy repreendeu.
A atiradora ignorou o aviso das duas, pegando sua arma enorme e encarando fixamente um ponto específico da névoa.
A fumaça negra vivida foi se dissipando naquele ponto, revelando uma escadaria de pedra sinistra e incompleta, onde um homem se sentava tranquilamente no último degrau. Sua pele era pálida, quase branca, a calça de couro com botas de metal e partes de uma armadura, contrastando com um cinto espinhoso. Seus braços vestiam a mesma armadura que ia até os cotovelos, onde dava origem a um couro negro como a noite, que se ligava ao que um dia fora um colete. Seus cabelos brancos recaiam sobre os ombros, algumas mechas com presilhais e outros soltos, o rosto bonito carregava uma coroa de três pontas feita de uma energia verde e branca que contrastavam com sua face e os olhos verdes afiados e brilhantes.
O mais assustador era o centro de seu peito nu, onde um buraco em forma de triangulo ocupava o lugar onde seu coração um dia estava. De dentro de seu peito apenas se via escuridão e a névoa que saia de dentro dele.
—Você não pertence a esse lugar! — Inquiriu Senna.
O homem a olhou despreocupado, levantando-se da escada e descendo lentamente, enquanto falava.
—Eu atravessei... a Morte e a Ruína, para chegar até ela.
Ele parou no chão, erguendo a mão para Senna.
—Devolva minha Rainha, Senna.
—Você vai destruir este mundo! — Ela exclamou e ergueu a arma em sua direção.
Em um vulto, o Rei pareceu teleportar, aparecendo diante de Senna, arremessando Lucy e os outros para trás, e a agarrando pelo couro em seu peito, deixando-a congelada.
—Ela é o meu mundo!
Uma névoa de cor diferente, azulada com branca, pareceu estar sendo arrancada do coração da atiradora.
—Senna! — Uma voz diferente ecoou.
Lucy reagiu por impulso, tomando o poder de sagitário para si e atingindo o Rei com uma flecha certeira e explosiva que o arremessou para longe. Correu para junta da mulher para ajudá-la, se agachando ao seu lado.
—Você está bem? — Lucy perguntou as pressas.
Ela arfou em resposta.
De canto do olho viu o Rei de levantar. Ele ergueu a mão ao ar e, da névoa, uma espada longa de metal verde brilhante apareceu; a névoa dançando ao seu redor. Ele caminhou em direção as duas, pronto para atacar.
Como se Acnolologia fosse deixar. O Rei conseguiu se defender a tempo com a espada, mas foi forçado a recuar para longe com um golpe seu.
Olhou para seus braços revestidos pela armadura de escamas. O contato com a espada doeu. Transformou-se por completo diante dele, na forma humanoide, expondo os dentes em desafio.
“Aquela espada é perigosa.” — A voz da besta ecoou em sua mente, arisca e atenta.
Fazia muito tempo que ele não aparecia de fato. Desde que se fundiram e seu controle melhorou, sua fera permanecia nas sombras de sua mente, vendo seus momentos com sua companheira, mas não se forçava mais para fora. Tinham entrado em uma sintonia perigosa.
“O que quer dizer?” — Perguntou mentalmente.
A besta rosnou expondo as presas enormes.
“Forjada com aço dos céus, fundida com as runas antigas, abençoadas pelos espíritos antigos da terra; construída pelo esquecido deus das forjas, Orn, que a temperou com as chamas de dragão. Ela se liga apenas a um portador digno, e, tal como nós se alimenta de tudo que possa matar.”
Podia sentir que a fera sabia de tudo isso pelo instinto. Aquela parte sua era conectada aos primórdios da criação da magia. Sabiam disso por que ele sentia.
“Essa coisa pode nos ferir se você vacilar. Use-me. Sem tempo para brincadeiras. Um passo em falso e será uma brecha para que ele chegue em Lucy!”
Essas palavras foram mais que o bastante. Anos já tinham se passado, mas a dor da perda era viva em sua memória e dolorosa como uma ferida fresca.
Abriu sua terceira reserva de magia, puxando o poder da fera para si. Sua forma humanoide cresceu, suas escamas se tornaram negras como um abismo e quase nenhuma de suas estrias tribais azuis restaram. As poucas que sobraram em seu corpo, ficaram vermelho sangue. Sua esclera ficou negra e seus olhos fendidos com a cor da morte.
O ar mudou. Antes a arena era controlada pela pressão da magia do Rei Destruído, agora, o Rei dos Dragões, contrapunha com sua própria pressão mágica, fazendo até mesmo a névoa recuar.
Rugiu, partindo para cima dele.
De fato, sua espada repelia seu poder, e sua habilidade de guerra ara alta o bastante para torná-lo um desafiante. Seu poder, administrando a nevoa era auto.
Ele parou suas garras de rasgarem seu peito, usando a parte chata da espada. Com uma explosão de névoa, empurrou Acnologia para trás. Seu golpe provocou um impacto no mar ao longe, e o dele implodiu a pequena montanha da encosta do píer.
—Você não vai ficar no meu caminho! — Ele exclamou feroz. — Eu vou trazer meu amor de volta, e vou matá-lo se precisar!
E, novamente, se familiarizou com aquele desespero e ambição em seus olhos. Isso o levou de volta há mais de oito anos atrás. A perda de Lucy percorreu deu corpo e seu poder correu feroz por suas veias.
—E você não vai encostar um dedo no meu! — Rosnou, a voz completamente monstruosa.
E se jogaram um contra o outro outra vez, sem notar os danos colaterais, os cataclismas que seus poderes se chocando geravam, mudando a paisagem, provocando explosões na água e na terra.
Um punhado de névoa se enrolou na espada, e ele cortou o ar, lançando o golpe em sua direção. Usou as asas de escudo, e sua magia se arrebatou contra elas, dispersando em direções diferentes, e explodindo tudo ao seu redor. Abriu-as e se lançou contra ele outra vez, parando um golpe de espada que ele tinha preparado, usando o antebraço.
O rugido em seus pulmões foi para sua boca, mas o rei foi ágio. Ele girou a espada e usou seu corte para desviar seu rugido em direção ao mar. A explosão ofuscou o pôr do sol e mantou uma onda de choque, acompanhada de uma de água por toda a orla.
Se empurraram para longe.
Rosnou, raspando as garras. Isso estava longe de acabar.
~*#*~
—Wendy, cure-a! — Lucy exclamou.
Sua marca ardia como fogo, espalhada por todo o seu corpo, e os choques das explosões estavam levando seu coração a boca. Senna estava cada vez mais pálida, quase translúcida e fraca.
—Que porra e essa! — Gajeel exclamou, se abaixando atras das caixas quando o paredão de gelo protetor de Gray foi reduzido a nada.
Aquele não era um confronto normal. Era como dois Deuses se enfrentando, pau a pau.
Erza colocou a armadura de adamantion e ergueu sua barreira.
—Vamos ajudá-lo! — Natsu gritou para Gajeel.
O dragão acenou positivo.
Mal deu um passo e a pressão do alfa o congelou por completo.
“Não.” A voz do Rei ecoou em suas cabeças, congelando cada fibra de seu ser. “Protejam Lucy!”
Não havia como dizer não. Seus corpos sentiram as amarras, e se curvaram, obedecendo. Arfou, concentrando-se em tornar o perímetro ao redor da maga seguro.
—Filho da puta. — Gajeel rosnou, indo na direção dos demônios da névoa. — Tampinha! — Chamou.
—Ele também ordenou a nós! — Ela esclareceu, já começando a erguer uma parede de runas e de suporte.
Praguejou. Esse era o poder do alfa no fim das contas.
Wendy gemeu de frustração.
—Não consigo curá-la! — Exasperou. — É como se ela não estivesse viva!
Lucy encarou a maga.
—Como assim? Ela está viva! — Quase berrou.
—Lucy... — Senna chamou, pegando sua mão e apertando-a contra o peito.
A atiradora olhou profundamente em seus olhos, sorrindo fraco, e juntando o que sobrou das energias para falar.
—Lucy... eu morri a mais de Mil anos. — Sussurrou. A maga celestial ficou pálida. — Meu povo... naquele dia os lanternas da Luz salvaram a rainha das garras de Trash. Meu pai e meu marido usaram suas vidas e energias para mandá-la para longe. Meu corpo foi usado para trazer a rainha em segurança, e impedir que ele a localizasse.
Ela gemeu de dor, mas apertou a mão de Lucy, retomando a falar.
—Isolde deveria escolher outro hospedeiro, pois meu corpo morreria quando chegasse a terra firme, mas ela se recusou a ver mais sangue. Ela fundiu sua alma ao meu corpo, me dando energia para viver. Trash sentiu os resquícios e vem procurando por ela nas tormentas desde então. Ele controla os espíritos, mas Viego controla a névoa.
Lucy arfou.
—Mas...
—Você não pode curar aquilo que já está morto Lucy. — A interrompeu sorrindo. — Eu já estou aqui a muitos anos. Já está na hora de reencontrar minha família.
Os olhos de Lucy se encheram de lagrimas de compaixão. Aquela vida fugitiva e solitária a lembrava de sua velha amiga imortal, que morreu com as lágrimas da fénix.
—Tudo bem. — Ela falou, tentando se manter firme.
Senna sorriu.
—Você é uma pessoa gentil e boa. Pode pegar o meu fardo? Pode me prometer proteger Isolde? — Sussurrou.
Sentia que Senna estava nas ultimas. Como poderia negar?
—Eu prometo! — Afirmou convicta.
Senna ergueu a mão e a colocou em cima de seu coração.
—Você tem uma pessoa poderosa ao seu lado. — Ela murmurou. — Espero que consiga entender essa história de amor trágica, e lhes dê um final mais feliz.
Não teve tempo de perguntar para entender o que ela dizia.
Aquela nevoa azulada e branca fluiu de Senna para si, entrando dentro de seu peito. Arfou, sentindo a energia de Isolde, sua alma, um ser vivo, fluindo para dentro de si.
—Senna! — Ouviu a voz da Rainha chorar de tristeza, e foi capas de sentir sua agonia em finalmente perder sua única amiga.
E então foi como se desconectasse do mundo.
As lembranças de Isolde contaminaram sua mente, e toda a história foi escrita diante de seus olhos.
Isolde era uma plebeia costureira e maga que teve uma vida difícil. Um dia, foi contratada para fazer as vestimentas reais, usando-se de sua magia única que podia conectar até o fio das almas mais profundas. Suas roupas tinham encantos rúnicos que protegiam aqueles que usavam.
Foi quando conheceu o poderoso Rei mago, Viego. Foi amor a primeira vista. Ambos se apaixonaram perdidamente e poderosamente, sendo incapazes de ficar longe um do outro. Viego sempre fazia questão de agradá-la e corria com suas obrigações de monarca apenas para correr de volta para os braços dela.
Eram felizes, mas os inimigos gananciosos do rei finalmente viram aquilo como uma brecha; uma fraqueza a ser explorada no poderoso guerreiro que portava a espada suprema. Eles tentaram envenena-lo com um dardo em um momento em que ele se distraía com a esposa, mas Isolde viu o atirador e se jogou na frente.
O veneno a matou em poucos segundos.
Desesperado, Viego caçou seus assassinos e voltou banhado em sangue, determinado a traze-la de volta. Massacrou os sacerdotes das ilhas abençoadas e foi ate a fonte da vida. No caminho, o carcereiro, um homem invejoso com uma lanterna que guardava os interiores das ilhas, ofereceu ajuda ao rei, guiando-o até a fonte sagrada de toda vida.
Viego deitou seu corpo nas águas sagradas e ofereceu seu coração e sua alma para trazê-la de volta.
Trash sabia o que ia acontecer, da maldição que liberaria no mundo e no espirito da rainha. Assim que o ritual se concretizou, a alma de Isolde voltou a vida, e Viego foi consumido pela maldição em seu lugar, absorvendo os espectros e a morte, condenando as águas abençoadas a destruírem a vida. A espada, ligada a alma e ao coração de Viego, o ajudou a suportar a maldição, mantendo sua consciência.
Mesmo assim, ele foi consumido pelo poder da névoa e levaria séculos para que pudesse contê-la e controla-la.
Ciente de que o rei um dia voltaria mais poderoso do que nunca, Trash tentou capturar o espirito da rainha e, assim, controlar o guerreiro mais forte do mundo. Os sentinelas da Luz viram seu lar desmoronar pela dor de um homem, e pela ganancia de um dos seus, ajudaram a rainha a escapar. Inúmeros deles foram capturados pelo carcereiro, e aprisionados em sua lanterna.
E assim, após todo o sacrifício, Senna e Isolde percorreram o continente, fugindo dele. Por mil anos.
A tristeza e a solidão da rainha percorreram seu corpo. Ela sentia a perda de sua amiga, a angustia por tantas mortes serem geradas por sua causa. Seu amado reino de Camavora, sucumbindo diante da ausência de seu bom rei. Seu amado corrompido pela loucura, sofrendo para controlar a névoa.
Ela sentiu suas lagrimas derramadas por mil anos, mas, acima de tudo, sentiu seu amor pelo homem que batalhava ferozmente contra Acnologia.
Aquele poderoso sentimento morno a inundou, fazendo-a arfar. Abraçou a si mesma por que conhecia aquilo. Conhecia aquela força... aquela intensidade avassaladora que a derrubava de joelhos. Aquilo era exatamente o que sentia por Acnologia... seu Rei... Seu dragão.
Lá no fundo de seu amago também residia a aterrorizante realidade que seu Rei faria o mesmo para tê-la de volta em seus braços e, por mais que a rainha estivesse com raiva dele e desamparada por suas atitudes, ela iria perdoa-lo.
Mil anos era tempo demais de penitência.
Acnologia sentiu a invasão em seu corpo e em sua alma. Ele sentiu o intruso se esgueirando no corpo de Lucy. Virou-se, rosnando e indo em direção a maga. Sua marca queimou, seu poder já pronto para destruir aquela alma que não era bem vinda e que não pertencia a sua companheira.
Antes que sua marca devorasse e obliterasse Isolde, sua maga a envolveu protetoramente com seu poder mágico e sua própria alma.
—Acno! — Ela o repreendeu.
Seu corpo retesou. Podia transpassar sua barreira. Podia se forçar e destruí-la, mas os olhos de Lucy mostraram sua determinação em protegê-la. Ela não o perdoaria se o fizesse.
—Isolde! — O rei exclamou, correndo na direção de Lucy.
Rosnou entrando em seu caminho e parando sua espada com seus braços cruzados.
—Você não vai chegar nela! — Rosnou.
O rei grunhiu, furioso, voltando a atacar o dragão.
‘Temos que para-los!’ — A voz de Isolde desesperou-se em sua mente. ‘Eles vão se destruir!’
Sabia disso. Nesse estado, Acnologia não obedeceria suas ordens. Sua segurança revogava todo o seu poder sobre ele. Talvez pudesse convencê-lo, mas o único jeito seria parar Viego primeiro. Mas como?
“Hime-sama” A voz de Gemini ecoou em sua mente. “Talvez possamos ajudar”
~*#*~
Rosnou. Aquela espada doía. Se suas escamas fossem normais, já teria sido rasgado por ela.
Rugiu, aumentando a densidade de sua pressão mágica em contra partida a sua névoa. Viego fez o mesmo. Preparou um novo rugido. Maior, mais forte. Um que ele não pudesse cortar, usando sua magia mais sombria. Ele também parecia querer vir com tudo.
—Viego! — Uma nova voz congelou os dois.
Sentiu a presença de Lucy em suas costas, mas quando se virou deparou-se com uma mulher de cabelos negros e olhos azuis vestindo roupas de seda branca cumpridas, descalça no chão de madeira. Aquela era Lucy, usando a magia do espirito de gêmeos, mas quem falava era aquela alma invasora.
Virgo ficou pálido — mais do que já era – cessando imediatamente seus ataques e sua pressão mágica sumiu. Os olhos esverdeados se encheram de vida e lágrimas.
—Isolde! — Ele exclamou engasgado, correndo em sua direção.
Acnologia entrou em sua frente outra vez, abrindo as asas protetoramente e rosnando. Os olhos do Rei Destruído se encheram de ódio. Sua espada reluziu.
—Seu... — Rosnou.
—Não! — Isolde gritou. O rei parou, olhando-a sem entender. — Este corpo... a companheira dele me emprestou este corpo temporariamente para que eu pudesse falar com você. Ele só a está defendendo. Por favor, Viego, pare! -Clamou.
Ele olhou para Acnologia e abaixou a espada, voltando seu olhar para sua amada. O Dragão ficou congelado, indeciso se aproveitava a brecha ou não. Atacá-lo poderia por Lucy em risco, já que ela estava muito perto do campo de batalha. Manteve-se alerta.
—Como...- Sussurrou ao vento.
—Ela é uma maga celestial. Uma poderosa com espíritos do zodíaco poderosos. — Isolde suspirou. — Eu não tenho muito tempo. Minha alma está fraca pelas perseguições de Trash, eu preciso me recuperar e Lucy só pode manter-me aqui enquanto sua magia durar. Sinto seu poder esvair como se fosse o meu. Esse poder consome muita mana. Por favor Viego, eu preciso que me prometa. Pare com essa matança. Prometa que não vai machucar nenhum deles. Prometa!
—Eu posso protegê-la! — Ele argumentou, quase desesperado. — Vou dar um jeito de te trazer de volta e vou protegê-la! Agora sou capaz de dominar a névoa por completo, meu amor. Por favor...
Ele estendeu a mão. Acnologia rosnou, o ameaçando se desse um passo à frente.
Isolde balançou a cabeça.
—Trash está conectado a névoa. Eu sinto. Assim que seu poder tocar minha alma ele vai me achar. Você domina toda a nevoa da morte, mas Trash pode usurpar os espíritos. Enquanto eu viver como uma alma, ou ele estiver vivo, em um instante estarei dentro daquela lanterna. Não posso arriscar que ele use seu poder Viego. Por favor. Confie em mim.
E então o Rei Destruído pareceu inconsolável, andando de um lado para o outro, puxando os cabelos. Suspirou, olhando nos olhos de Isolde. Pela primeira vez em muito tempo ele via a esperança. Sua amada estava a poucos paços de sí, mas não podia toca-la por que um puta dragão fudido e poderoso se impunha em seu caminho. Encarou aquela besta inumana.
Por um instante, em seus olhos vermelhos assustadores, ele viu um vislumbre da dor que sentia. Isso o deixou confuso. Sua amada pediu para confiar neles. Bom, era a primeira vez em muito tempo que talvez pudesse ver a Luz. Aquela maga celestial era poderosa o bastante para dar vida a Isolde, talvez soubesse como dar fim a seu sofrimento.
—Eu prometo! — Ele disse, encarando seus olhos azuis perfeitos.
Ela sorriu, aquele sorriso que lhe rasgava o coração, preenchendo seu peito oco com o calor dela.
—Obrigada. — Ela disse com lágrimas dos olhos. — Eu te amo.
E quase instantaneamente, Isolde se transformou em Lucy e a maga celeste caiu de joelhos no chão, arfando com o esforço que tinha feito.
—Lucy!
—Isolde!
Ambos exclamaram ao mesmo tempo, correndo em sua direção. Acnologia a envolveu com suas asas e rosnou para Viego, impedindo-o de se aproximar.
—Eu estou bem. -Declarou, aprumando o corpo e se sentando. — Minha magia só foi pro saco, mas eu estou bem.
As garras de Acnologia passaram por suas costas. Segurou sua outra mão, apertando-a e sorrindo para confirmar que estava bem e acalma-lo. Os olhos vermelhos se amenizaram um pouco.
Virou-se para Viego, parado a alguns metros dos dois, parecendo desesperado e indeciso.
—Isolde está bem. — Informou. — Só está um pouco fraca. Minha magia vai ajudá-la a se recuperar da mesma forma que recupera a dos meus espíritos. Ela só precisa de tempo.
Suas palavras trouxeram um alívio claro para o homem. Suas feições finalmente relaxaram um pouco.
Ele se aprumou ereto diante de si, sério e decidido.
—Qual o seu nome? — Ele questionou.
Piscou.
—Lucy, Lucy Heartphilia.
Ele abanou a mão e, da mesma forma que veio, sua espada sumiu, desfazendo-se como névoa. Então ele se ajoelhou com uma perna a sua frente, curvando-se.
—Meu nome é Viego. — Falou firme. — Eu lhe agradeço por ajudar Isolde, e por ter feito o que fez. Eu me rendo perante a vocês, e imploro que aceite minha proteção uma vez que o espirito de minha rainha está em você. — E assim que terminou de falar, a nevoa se dissipou por completo, deixando apenas o rei e os últimos resquícios de luz do sol no horizonte.
Acnologia se ergueu, expondo os dentes e rosnando. Viego não se moveu, mantendo-se curvado em respeito, como um cavaleiro.
—Acno. -Chamou Lucy enquanto se levantava. Seu dragão permaneceu em cautela. -Levante-se, Viego. -Pediu. -Você não tem que me agradecer.
Ele ergueu a cabeça, seus olhos brilhando em desespero.
—Por favor...
Ele suplicou. E ali viu que ele não suportaria ser afastado de Isolde outra vez e que queria garantir que ela estava bem. Droga! Por que aqueles olhos sempre a lembravam das súplicas protetivas de Acnologia?
—O que infernos aconteceu aqui! — Lahar exclamou.
Ele e Gairo desceram em direção ao píer, sendo acompanhados de um batalhão de soldados. Desviando dos destroços e chamas, o conselheiro chegou ao grupo. Viego se levantou, já preparando uma postura defensiva se fosse necessário defender a maga celestial e Isolde.
—Senhoras e senhores. — Começou Levy, juntando-se para mais perto do grupo e de Lucy. — Eu apresento a vocês Viego, o Rei Destruído. — E apontou gestualmente para o homem pálido.
Gairo imediatamente sacou a espada e o batalhão inteiro fez o mesmo. Lucy se entrepôs imediatamente no caminho do conselheiro.
—Pare! — Ela ordenou firme.
—Saia da frente! -Gairo ralhou, indo na direção deles.
Viego preparou-se para sacar a espada e evocar a névoa para defendê-la, mas não foi necessário.
O rosnado espectral de Acnologia congelou todos eles no lugar. Em um instante o ar estava pesado com sua magia sombria, seu poder de Monarca declarando seu domínio sobre o lugar. Como uma sombra cruel ele estava atras de Lucy, desafiando-os a renegar suas ordens.
Gairo ficou pálido. Só tinha ouvido falar daquela forma e daquela presença do Rei em relatórios. Senti-la liberava seus piores medos e temores enterrados no fundo de seu âmago; medos que nem sabia que tinha. Começou a suar e tremer com a espada na mão. Havia uma pressão estranha em seus músculos, uma sensação tenebrosa de que estava sendo caçado e, caso não submetesse, morreria.
O batalhão as suas costas recuou, quebrando a formação, assustados.
—Lucy. -Lahar intercedeu de maneira calma.
Dizer que estava acostumado com a porra daquele poder sinistro do dragão seria uma mentira enorme. Os pelos de suas costas estavam arrepiados, e seus instintos lhe diziam para teleportar pra longe dali, como Dorambolt. Mas já era experiente o bastante para saber que ele só atacaria por uma razão: Lucy.
—Você vai ter que explicar isso. — Disse condescendente, sem nenhuma nota de obrigatoriedade, para não provocar o dragão.
Ela suspirou, parecendo ser a única alheia e, com toda certeza, não afetada por aquela pressão medonha.
—Eu sei, e vou explicar. Mas não aqui, no hotel. — Respondeu.
Lahar sorriu seco.
—Entendo... mas meu colega aqui se sentiria mais confortável se Viego pudesse ficar em um lugar onde não pudesse causar problemas enquanto conversamos. — Conjecturou.
Lucy apertou os lábios, analisou os soldados e se virou bruscamente na direção do antigo rei.
—Viego. — Chamou. — Eu preciso que vá com meus amigos. Obedeça Erza no que ela disser. Vai ficar tudo bem, eu prometo.
Os olhos verdes analisaram a situação que parecia tensa. Encarou Lucy. Isolde confiava nela.
—Tudo bem. — Ele disse.
Erza acenou para ele, indicando que se juntasse ao grupo. A maga voltou-se para Lahar.
—A Fairy Tail ficará responsável por ele enquanto conversamos. Garanto que ficará tudo bem. — Se dispôs.
Gairo pareceu protestar mais Lahar ergueu a mão, impedindo-o.
—Tudo bem então. Vamos.
E subitamente como veio, a pressão de Acnologia passou e ele regressou a forma humana. Os olhos de Viego se encontraram com os seus, havendo uma súbita familiaridade e ameaça.
~*#*~
E assim terminou de descrever a história para os dois conselheiros. Gairo bufou andando de um lado para o outro no escritório privativo do hotel.
—Mais um motivo para matá-lo logo! — Brandou.
Os sentimentos de Isolde ainda estavam frescos em seu corpo, e sentiu-se ofendida por ela.
—Ah sim, claro, por que matar resolve tudo, não é mesmo? — Ironizou. — Deu muito certo desde o começo dessa história.
Gairo abriu a boca para retrucar, mas se calou quando seus olhos posaram em Acnologia que estava como uma pantera negra nas sombras do canto da sala. Um passo em falso e sentia que sua cabeça sairia voando.
—Eu entendo seu...- Lahar escolheu as palavras. — Apelo, Lucy, principalmente depois de ver tudo que Isolde e Senna passaram, mas preciso de mais do que isso para ficar do seu lado. Como manter Viego vivo vai impedir as tormentas?
Lucy se curvou para frente na poltrona, apoiando os cotovelos nos joelhos.
—É ai que está. — Lucy murmurou. — Viego não é a origem das tormentas. Trash as coordena, buscando Isolde e consumindo mais almas para sua coleção e poder. Para pegá-lo vamos precisar de alguém que controla a névoa. Eu vejo nas memorias da rainha. Trash é escorregadio. O poder de Viego e a chave para destruí-lo.
Gairo Bufou.
—A rainha dentro de você também pode senti-lo. É só matarmos Viego e depois fazê-la dizer onde Trash esta. Pronto! Dois coelhos em uma cajadada.
Lucy rangeu os dentes. Aquele cara o estava irritando em um nível que lhe dava nos nervos.
—Primeiro, essa não é nem de longe a melhor forma de resolver as coisas. Segundo, acho que a parte de Viego ter vencido a morte não ficou clara para você. Ele se tornou imortal. A alma e o coração dele estão dentro da alma de Isolde e a alma de Isolde está dentro de mim. Ou seja, se quiser fazer algum mau a eles vai ter que me matar primeiro.
O rosnado de Acnologia fez Gairo pular e dar três passos para trás. Os olhos vermelhos lhe diziam que isso não iria acontecer. O conselho mágico e o reino de Fiori sucumbiriam antes disso.
Lahar suspirou.
—Tudo bem. Nossa meta é parar as tormentas. Use seu plano, mas se não funcionar vamos dar um jeito no Rei. Temos um acordo?
Entendeu o gesto de Lahar. O homem estava ficando sábio com o tempo para entender que a Fairy Tail tinha faro para aquilo que deveria ser feito para proteger Fiore. Todas as vezes que se pós contra a guilda das fadas, se arrependeu amargamente. Entretanto seu papel como mediador precisava de uma base mais sólida. Lucy tinha que lhe dar razoes concretas de por que manter Viego vivo era a melhor escolha, para que assim ele argumentasse com o conselho.
Bom, ele tinha lhe dado uma chance e uma carta em branco. Não ia desperdiçar.
—Fechado.
~*#*~
Viego se levantou assim que a viu, chegando até o limite da prisão de runas que Levy e Freed tinham feito no canto do quarto. Suspirou, ficando diante dele e sendo direta ao assunto.
—Se quiser proteger Isolde e ter a mínima chance de vê-la de volta, vai ter que nos ajudar a destruir Trash e acabar com as tormentas.
Viego piscou, absorvendo a informação e falando rapidamente.
—Mas é claro que vou ajudar! — Os olhos verdes reluziram com a raiva. — Ele me traiu uma vez quando me guiou até as águas, e tentou possuir Isolde enquanto a névoa me consumia. Ele não vai respirar.
Lucy o analisou. Por causa das memórias da rainha, sabia que ele falava a verdade. Olhou para Levy.
—Pode soltar ele.
A baixinha ergueu uma sobrancelha e fez uma cara de desdém.
—Muito me admira a aberração concordar com isso. — Murmurou, mas desfez a prisão rúnica.
Todos ouviram o rosnado de Acnologia, que se mantinha escorado a parede, perto o bastante de Lucy e com os olhos vermelhos presos na movimentação de Viego.
Já acostumados, todos ignoraram.
—Então qual vai ser o plano? — Erza perguntou.
—Pelo que sei das memorias de Isolde, Trash permanece nas ilhas. Teríamos que ir lá.
Gray se jogou em sua cama enquanto falava.
—Foi mal Lucy, mas não rola. A névoa mata tudo que chega perto daquele lugar. — Lembrou.
—Não se estiverem comigo. — Viego chamou a atenção do grupo. — Eu conheço as ilhas. Estive lá durante meu tormento. Posso comandar a névoa, mas não posso impedir Trash de tentar arrancar suas almas. — Declarou.
Erza, que tinha decidido se abster antes, retomou a posição de capitã, assumindo uma postura séria e exigindo.
—Explique. — Ordenou.
Mesmo não sendo acostumado a receber ordens, Viego acatou. Precisava da ajuda deles para ter Isolde de volta.
—Eu levei um milênio para conseguir dominar esse poder. Trash no entanto já era um habitante das ilhas. Era familiarizado com a névoa, e soube controlar uma parte dela para roubar os espíritos das pessoas e aprisioná-los em sua lanterna. Ele gosta de se intitular como colecionador. Ele não podia me controlar por que dei meu espirito a Isolde para fazer o ritual e trazê-la de volta. — Isso alertou Acnologia. — Ele tentou pegá-la para me controlar, por que, ao contrário dele, eu consigo controlá-la por completo e ele apenas pode pegar as almas.
Ele fez uma pausa.
—Bom, cada dia tenho mais controle sobre ela e um dia poderia suprimi-lo. A não ser que ele possuísse Isolde.
O resto da explicação foi irrelevante na cabaça do dragão.
—Lucy. — Acnologia falou, erguendo a mão e sinalizando com o dedo. — Venha aqui um minuto. — Pediu.
A maga ergueu as sobrancelhas, mas obedeceu. Os olhos atentos de Viego também a seguiram, mas tentou não se incomodar. Seu companheiro colocou dois dedos no centro de seu peito. Sentiu a marca se ativar a seu comando, a magia dele entranhando em sua alma. Por instinto protegeu a alma de Isolde com a sua.
Ele a encarou.
—Não se preocupe. Eu não vou fazer mal a ela. Eu prometo. — Murmurou, chateado com sua desconfiança, mas compreensivo.
Seu outro lado rondava desejando uma oportunidade de destruir aquela alma invasora.
—Do que está falando? — Viego questionou autoritário e aflito.
Pode sentir a energia do Rei arruinado voltando. O dragão o olhou de soslaio.
—Eu posso sentir Isolde em Lucy. Eu não vou machuca-la. Só quero ver uma coisa.
Um misto de emoções passou por Viego, fazendo-o congelar, trêmulo, no lugar. Acnologia podia reconhecer cada uma delas. Desespero, confusão, alegria, pânico, ansiedade... Era uma merda. Ele estava se forçando a permanecer calmo.
Lucy – e sua plena confiança em si – respirou fundo, expondo a alma de Isolde. Em um milésimo de segundo poderia destruí-la, assim como o rei destruído e sua maldição.
Mas não o faria.
Sua marca sondou a alma fraca e adormecida de Isolde. A troca tinha realmente acabado com ela. A magia de Lucy a estava restaurando de forma lenta devido à baixa reserva de sua companheira, que tinha consumido tudo naquele Star Dress de Gemini. Ignorou tudo isso, focando-se em encontrar o que queria: A ligação de alma feita entre ela e Viego.
Assim que a sentiu com sua marca, rosnou, indignado, retirando os dedos do peito de Lucy.
—É uma droga de Relicário de marca cópia. — Soltou com desgosto completo.
Automaticamente, Natsu e Gajeel também fizeram feições azedas.
Levy olhou para um, depois o outro e depois mais outro até por fim exclamar.
—ALOO! Pessoas normais aqui! — Balançou as mãos para cima, chamando atenção. — Explicações, idiotas.
O caçador de ferro soltou o ar, coçando a nuca.
—Metalicana me contou que a muitos séculos existiram pessoas que tentaram copiar a ligação única que dragões tinham com suas companheiras. Fato é que essa ligação dá muito poder as duas pessoas envolvidas e amplifica muito a sinergia em combate. Tentaram criar algo semelhante. Obviamente não deu certo e mesmo as que obtiveram relativo sucesso tiveram efeitos colaterais enormes.
Ele encarou Viego.
—Acho que estamos olhando para o efeito colateral dessa. — Murmurou.
Viego pareceu preocupado.
—O que isso quer dizer? — Questionou.
—Quer dizer que é impossível que isso dê certo sem o elo e a magia de um dragão. — Respondeu, surpreendentemente, Natsu. — Você deve ter sido muito poderoso, ou as águas das bençãos eram realmente mágicas, por que era pra vocês dois estarem mortos.
Gajeel acenou positivo e falou:
—Além disso você é um puta sortudo. — Expôs, sentando-se na poltrona perto da janela.
Já vendo que o antigo rei de Camavora ia questionar, Levy, com seu raciocínio rápido, explicou.
—Pelo que sei das marcas elas consomem vida e poder, unindo duas almas. Isso desgastaria a alma do hospedeiro e a levaria a morte lentamente caso fosse a companheira(o) errado, ou, no seu caso, como você não é um dragão, o resultado de um ritual parcial de marcação. Outra razão para não dar certo é por que a ligação precisa que haja um fluxo de magia constante e exorbitante, que é aportada pelas veias dracônicas dos dragões. Humanos não possuem essa mesma capacidade. — Conjecturou. — Isolde teve sorte de conseguir se manter com Senna por tantos séculos, mas agora a alma dela está danificada, o que te torna um puta sortudo por ela ter se hospedado em uma das últimas magas celestiais do mundo, ou seja, a única com magia capaz de reparar um espírito.
Viego se apoiou na parede, parecendo desnorteado.
—A tampinha está certa. — Acnologia confirmou. — Isolde era uma bomba relógio que morreria no futuro, principalmente se alguém não reparasse sua alma.
Um milagre, com toda certeza. Ou quase. Aquele homem tinha sido poderoso o bastante para expurgar uma ilha e bater de frente consigo. Aquele poder podia ter mantido a ligação por tanto tempo, mas não seria um para sempre.
Ignorando a farpa, Mecgarden questionou:
—A alma dele não se fundiu?
O dragão a olhou. É, ela tinha se informado bastante sobre a conexão.
Fechou os olhos por um momento e se concentrou novamente. Sua marca reanalisou a ligação intrusa mais detalhadamente. Seu poder entrou em contato com a alma de Isolde e a alma de Viego – ou o que restou dela – sentiu. Ele pulou no lugar, sentindo uma fisgada gélida no triangulo oco que ocupava seu peito agora.
—O que você fez? — Questionou quase bravo. Um pouco de névoa apareceu agitada ao seu redor.
Acnologia abriu os olhos, calmo e ignorando totalmente seu protesto.
—Como você pode ver, apenas parcialmente. — Resmungou e coçou a cabeça. — Lucy pode até restaurar a alma dela, mas isso não vai durar muito. A ligação precisaria ser corrigida e ela precisaria de um corpo.
—É. Mas como faríamos isso? Me parece mais um incidente com Lazaros 2.0. — A baixinha retrucou.
O rosnado de Acnologia fez todos eles se encolherem.
—Desculpe. — Levy murmurou. Por um momento tinha esquecido que era algo sensível.
Viego, que já era branco, pareceu translucido por um momento. Antes que ele falasse algo, Erza interrompeu.
—De qualquer forma isso é uma coisa que podemos buscar a solução depois. Isolde está segura agora, então vamos voltar ao que interessa: Como vamos destruir Trash? Ele não é imortal? — Pôs na mesa.
Recuperando-se um pouco, o rei respirou fundo e respondeu.
—Ele não é exatamente imortal. — Murmurou. — Aqueles consumidos pela névoa trocam sua ganancia por um preço. O poder dele vem das almas que ele guarda na lanterna. Se conseguirmos libertá-las por um momento, minha espada pode retalhar seu espirito.
Erza pensou por um momento.
—Muito bem então. Vou levar um plano para Lahar. Vamos partir amanhã. Já esta tarde. Comam, durmam bem e descansem. Vamos precisar de energia. — Ordenou. — Viego você fica com Acnologia e Lucy. O resto façam os preparativos.
Acnologia apertou os olhos. Erza jogou o peso para si por duas razões: Uma era por conseguir parar Viego se algo desse errado e a segunda é que, tento as informações em mente, Viego tinha descoberto estar na palma da mão de Lucy Heartphilia.
~*#*~
—Glória! A britadeiras foram embora! — Lucy comemorou, entrando no quarto e se jogando na cama.
Lahar tinha removido os soldados que dividiam o quarto, deixando-o apenas para os três. Não seria bom se Viego ficasse perto dos soldados.
—Eu só quero dormir. — Murmurou, enfiando o rosto no travesseiro.
Acnologia tirou a blusa antes de se jogar na cama ao seu lado também. Estava exausto, mas não é como se fosse dormir muito com Viego por ali. Deitou de lado e Lucy rapidamente se anilhou em seus braços, escondendo a cabeça contra seu peito.
Um pouco perdido, Viego supôs que deveria fazer o mesmo na cama ao lado. Suas botas metálicas, a armadura de seus braços e sua jaqueta se dissolveram na névoa e ele se deitou. Minutos se passaram, e ele estava visivelmente inquieto. Virou-se para os dois.
—Você... — Ele parou o questionamento quando Acnologia o olhou e levou um dedo aos lábios.
—Uma regra. — Ele sussurrou. — Não a acorde. — Impôs com os olhos vermelhos.
O Rei olhou para seus braços, vendo que Lucy tinha relaxado e entrado no mundo dos sonhos. Parou a respiração por um segundo e acenou positivo, retomando a pergunta em um tom baixo e sussurrado.
—Você pode sentir Isolde? — Os olhos de Acnologia se reviraram com a pergunta.
É claro que sim. Pergunta tola. As pressas a completou, nervoso.
—Ela está bem? — Sua voz saiu com um tom de desespero não planejado, mesmo assim continuou. — Quer dizer, posso senti-la, mas... você.... — Ele parecia quase em pânico.
Acnologia sentiu pena dele. Ele reconhecia a fragilidade da situação e estava em pânico pela possibilidade de perder Isolde, de novo. Estava contendo sua ansiedade e seu medo ao máximo, nem parecia aquele cara sinistro que deu uma surra em muita gente nos últimos tempos.
Até mesmo sua frieza tinha um limite. Não aguentou o estado do homem e respondeu.
—Ela está bem. — Murmurou, mas deu mais detalhes, os mesmos que gostaria de saber caso estivesse na situação dele. — Sua alma está fraca e ela está adormecida, mas não é nada que a magia de Lucy não consiga recuperar. O processo provavelmente está mais lento por causa da energia que ela gastou para fazer Isolde falar com você, mas ela ficará bem.
Viego baixou os olhos verdes, olhando para a própria mão, processando o que disse.
—Obrigado. — Respondeu após alguns minutos. — E... bom, me desculpe por... ter atacado antes. Eu demorei a encontrar Isolde novamente e... bom, — Voltou a encará-lo com um sorrido amarelo. — Desculpe. — Finalizou.
Acnologia o olhou por um momento antes de suspirar, baixando os olhos para Lucy e iniciando um leve carinho com a mão livre em suas costas.
—Vamos tentar fazer que isso não aconteça de novo, hum?! — Respondeu, solene.
Sua gana sempre voltava quando Lucy era ameaçada, entretanto entendia o rei. Teria feito muito pior se estivesse no lugar dele novamente. Dessa vez considerou que estavam quites. Quando sentiu a alma de Isolde entrar em Lucy, seu instinto foi destruí-la. Claro, isso foi antes de suas memoria serem partilhadas. Tinha invadido com sua ligação, pela segunda vez usurpando as memórias de Lucy.
As únicas duas razões para não forçar Viego para longe e nem estar surtando, era devido a seu controle adquirido perante a fera e, principalmente, à semelhança do amor obsessivo de Viego com o seu próprio por Lucy. Mesmo com sua frieza natural para com os outros, seria hipócrita se não admitisse que reconhecia todos aqueles sentimentos hediondos que rasgaram o peito dele ao ponto de se submeter a um ritual proibido, forçar-se a absorver uma maldição por mil anos e retornar para sua amada.
Apesar de não ser um dragão e não ter uma marca de verdade, Viego partilhava a característica dependência de sua espécie quando encontravam uma companheira.
Isso também o lembrou um poco daquela furada que se envolveram com Baskin.
—Eu jamais atacaria alguém que ajudou Isolde. — Respondeu complacente.
Sua voz calma refletia a verdade de suas palavras em seu sotaque antigo.
Alguns minutos se passaram e o percebeu continuar inquieto. Seu cheiro revelava sua ansiedade sem nem que precisasse olhar.
—Desembucha. — Declarou. Viego o olhou sem entender. — Posso sentir o cheiro da sua ansiedade. Fala logo.
As sobrancelhas albinas vincaram.
—Quão sensível são seus sentidos? — Questionou automático, duvidando de como alguém podia sentir o cheiro de sentimentos.
Acnologia apertou os olhos, irritado. Percebendo sua gafe, o rei soltou sua verdadeira pergunta.
—O que... — Fez uma pausa, tentando se lembrar de algo. — Levy, — lembrou-se do nome. — quis dizer com incidente com Lázaros? E que consequência é essa? — Murmurou curioso e inocente, querendo se aprofundar um pouco mais na tal marca dos dragões.
A cor dos olhos do Rei dos Dragões mudou para um vermelho tão assassino que Viego sentiu um arrepio na espinha. Reconheceu aquele sentimento. Era o mesmo que o percorreu quando se lembrava dos assassinos de Isolde. Aqueles que mutilou com as próprias mãos.
Acnologia fechou os olhos por um momento e suspirou, abrindo-os novamente de forma lenta, olhando para Lucy e fazendo um carinho em seus cabelos loiros com delicadeza. Teve inveja disso. Isolde estava ali, próxima e daria tudo para estar tocando ela da forma que ele tocava sua companheira.
Bom, de qualquer forma, Viego saberia. Se não fosse pela linguaruda da Levy ou Natsu, seria pelos guardas. A história do dragão sombrio que – por alguma intervenção divina — não obliterou Fiore quando sua amada morreu.
Mal sabia eles que a intervenção divina era o próprio desejo de Lucy, mas, caso Shinuky não a tivesse trazido de volta, teria sucumbido a insanidade e isso aconteceria.
—Há muitos anos atrás um...- Respirou se acalmando. — desgraçado chamado Hizame matou Lucy para usar seu poder para se fundir a um cadáver de dragão chamado Lázaros. — Murmurou sem olhá-lo, ainda acariciando Lucy, como se tentasse se prender ao agora para não mergulhar de volta na lembrança. — Eu o tinha matado a muitos anos. Quando eu vi Lucy morta talvez tenha passado pela minha cabeça obliterar o reino de Fiori e matá-lo outra vez. — Confessou vagamente.
Viego piscou, processando a informação, inclinando-se para frente, chegando a beira da cama, ainda mais ansioso.
—Morreu? Mas ela...
—Está viva? Sim. Uma curiosidade sobre a marca de um dragão. — Interrompeu, finalmente voltando a encará-lo. — Uma vez que se funde duas almas é para sempre. Um elo poderoso e frágil ao mesmo tempo. Por algum milagre minha marca aprisionou a alma de Lucy e, com a ajuda de uma velha amiga, eu pude tê-la de volta. — Comentou, mas sentiu a necessidade de completar. — Com um preço, é claro.
Mesmo assim, Viego pareceu animado.
—Que tipo de preço? Você... Sua amiga pode me ajudar com Isolde? — Suas perguntas eram carregadas com uma esperança tão grande que chegava a ser melancólico.
Enfiou o nariz nos cabelos de Lucy, pegando um pouco de seu cheiro antes de responder.
—Lucy não pode ter filhos. — Respondeu. — E seu corpo e mortal a tudo menos ao tempo. — Ergueu o olhar. — Sua alma se alimenta da energia da minha para viver. Não que faça diferença já que a marca fundiu minha alma a dela de qualquer maneira. — Murmurou. — Eu não tenho idéia de como te ajudar com isso. — Finalizou sincero. O brilho em seus olhos murchou tanto que deu pena, por isso completou. — Mas talvez ela saiba como ajudar.
Shinuky era uma rata traiçoeira. Se existia uma forma de ajudar Isolde, ela saberia.
Um pequeno brilho de esperança continuou nos olhos verdes do rei que, dessa vez, passou a olhar para as mãos, acanhado.
Viego era um monstro em batalha, impiedoso e cruel, mas quando se tratava de sua rainha ele parecia tão inseguro quanto um garoto tímido. Talvez estivesse com ainda mais medo de errar uma segunda vez. Passou um longo minuto antes que ele tivesse coragem de por sua dúvida para fora.
—Lucy poderia me deixar falar com Isolde outra vez? — Ele falou baixinho, sem encará-lo.
Tá. Acnologia não tinha gostado nada de quando Lucy permitiu que a Rainha usasse seu corpo com a magia de Gêmeos. A sensação era estranha. Era Lucy e ao mesmo tempo não era, o que fazia sua ligação ficar uma bagunça entre atacar e não atacar a alma dela.
—Não acho que seja possível. — Falou sincero. — Isso consumiu muito de sua magia. Se vamos as ilhas amanhã, ela não pode zerar sua reserva outra vez. Além disso ela precisa continuar reparando a alma de Isolde.
Os ombros do rei da ruína caíram em desânimo.
—Compreendo. — Respondeu.
Só que, novamente, aqueles dias solitários em que ficou vigiando o corpo de Lucy, rezando por um sinal de vida lhe voltaram com força.
“Isso não é algo que desejamos a alguém” — A voz da besta ecoou em sua mente, também estremecido com a lembrança vívida.
Encarou o homem outra vez, a idéia se formulando em sua mente.
Oh, pelos deuses. Seria isso a famosa empatia?
Que Levy Mecgarden nunca soubesse disso.
~*#*~
—Eu não queria acordá-lo.
Alguém bufou.
—Nós não temos muito tempo e eu não vou sustentar essa magia pra sempre. — A voz de Acnologia lhe chamou atenção.
Ele discutia com Isolde.
Isolde?...
Abriu os olhos e levantou tão rápido que bateu a cabeça na cama de cima. Gemeu de dor, levando as mãos ao topo da cabeça, mas assim que olhou para frente novamente, lá estava ela, Isolde, vestida com as roupas de Lucy, os cabelos pretos longos e os olhos azuis.
—Isolde! — Exclamou pulando da cama.
Por muito pouco não pulou em cima dela de alegria. Paralisou no meio do caminho quando se lembrou da presença do dragão ao lado dela. Ele estava em pé, escorado no beliche do outro lado do quarto, os olhos vermelhos vívidos.
Havia algo estranho. Conseguia sentir um fluxo de magia entre ele e Isolde, mas não determinou o que.
Acnologia suspirou, encarando-o.
—Não exagere. — Impôs autoritário. — Erza deve vir nos chamar daqui a pouco.
Mal acabou de falar e Isolde pulou nos braços de Viego, apertando-o. O rei retribuiu no mesmo instante, mas seus olhos foram para Acnologia. Tinha uma sensação de que se fizesse algo errado, ou se encostasse em Isolde sem que ele permitisse, a coisa ia ficar feia. Uma sensação de perigo estranha, mas que suspeitava vir do fato de sua amada estar no corpo da amada dele.
Acnologia maneou a cabeça, permitindo aquele abraço.
Mal recebeu a permissão e a apertou nos braços, erguendo-a um pouco e enfiando o rosto em seu pescoço. Foram mil longos e sofridos anos e, por um breve instante, estava feliz de novo e completo. O buraco em seu peito já não era mais um lugar oco e cheio de dor. Via o futuro, as cores e a felicidade o dominou por completo.
A pele dela era a mesma, o cheiro idêntico, os cabelos e os olhos... tudo. Isolde estava em carne e osso nos seus braços outra vez.
A felicidade embolou sua garganta, quase chorando e as palavras saíram emboladas.
—Isolde!... Como...? — Olhou para Acnologia novamente. — Pensei que Lucy não poderia usar essa magia antes da batalha.
O dragão piscou. Lhe era incômodo sentir um homem encostando no corpo de Lucy. Apesar de Gemini ter transformado ela em Isolde e permitido que ela assumisse o controle, era difícil conter sua marca de repeli-lo.
Surpreendentemente sua empatia era o bastante para impedir-se de fazê-lo. Aquelas sombras que um dia estiveram em seus olhos tinham sumido do olhar de Viego por alguns instantes.
‘É melhor que ele seja inteligente e não vá mais além” — A besta rosnou em seu interior, andando em seu âmago.
Ela também não gostava, mas aquele tipo de dor... Aquilo era algo que os trazia de volta as suas próprias feridas. Não queriam um lembrete a mais. Por isso a fera também não se incomodou muito com sua idéia, mas estava atenta.
—Ela está usando a minha magia. — Respondeu. — Tenho o bastante para isso. Ela iniciou a magia e eu a sustento. Ainda assim é temporário.
Aquele consumo de magia era brincadeira de criança. Possuía três reservas mágicas, e a terceira era uma monstruosidade dada a ele por sua última remarcação. Uma das razões de estar à frente dos magos da guilda.
Em termos de destruição em massa, os magos classe S da Fairy Tail se equiparavam a si facilmente. O problema vinha quando se tratava de resistência. Enquanto um dos magos conseguiria manter-se em combate por um ou dois dias, Acnologia tinha uma resiliência enorme por causa de sua reserva, o que tornava as batalhas não apenas de poder, mas também uma questão de tempo.
—Ele e Lucy concordaram em me deixar falar com você por um pouco mais de tempo. — Isolde falou, erguendo a cabeça, ainda em seus braços. — Mas não vamos abusar, temos uma batalha pela frente. — Informou.
Por estar dentro de Lucy, podia sentir o consumo de magia daquele feitiço, e o fluxo da sua ligação com aquele estranho dragão. A quantidade de magia era surpreendente.
Viego acariciou seu rosto. Queria muito beijá-la, mas não ia abusar da bondade de Acnologia. Precisava ter em mente que aquele corpo não era de sua rainha, era apenas um mero empréstimo.
—Isolde, eu...
Acnologia subiu as sobrancelhas, surpreso, quando a mulher deu um tapa no rosto do Rei da Ruina. Não esperava por isso. Ele a soltou e levou a mão a área atingida, parecendo tão chocado quanto.
—Eu estou imensamente feliz de poder estar com você de novo. — Ela declarou, mas logo em seguida apontou o indicador para ele. — Mas estou furiosa! Você foi longe demais Viego! Destruiu e condenou todas aquelas pobres almas, abandonou nossa amada Camavora! Nosso reino pereceu sem você! Não tinha o direito de fazer isso!
Viego murchou.
—Eu sei...- Murmurou cabisbaixo.
Ele era ciente de seus crimes imperdoáveis e do sofrimento que causou a aqueles que confiavam em si, mas não podia viver em um mundo sem seu amor.
—Você foi um nobre rei Viego. — Ela suspirou. — Bom, já se passaram mil anos. O rancor e a tragédia já foram feitas. Passado é passado. Mas você terá que me prometer que não fará algo assim de novo, e que quando derrotarmos Trash, vai liberar todas as almas que foram aprisionadas nas ilhas! Não podemos mudar o passado, mas compensaremos isso neste futuro.
O rei assentiu, como um cão acanhado.
—Eu prometo. — Falou convicto.
Isolde suspirou outra vez.
—Onde já se viu. Sair fazendo tudo isso. Se eu não te amasse tanto te daria uma surra! — Exclamou, e virou-se para Acnologia. — Não estou certa?
O dragão piscou.
—Hum... eu realmente acho que não sou a pessoa adequada para responder isso.
As sobrancelhas negras se ergueram.
—Não vai me dizer que você também já provocou um genocídio? — Questionou, desconfiada.
Sem alterar a expressão, respondeu:
—Eu realmente não sou a pessoa mais indicada a essa pergunta.
Já tinha matado muito mais por muito menos. Seu passado lhe condenava tanto ou mais que o de Viego. A única razão de seus crimes não serem muito evidentes na história era por ter cometido a maior parte deles durante a grande guerra. A confusão daqueles tempos conturbados abafaram vários fatos menores.
Isolde olhou para seu rei e para Acnologia antes de bufar.
—De que planeta vocês dois saíram? — Murmurou mais pra si mesma do que para eles. — Não tem juízo algum.
Os olhos azuis e vermelhos se entreolharam. Não podiam negar. Deu de ombros.
Viego, incapaz de se conter, a abraçou novamente, apertando-a como se não houvesse amanhã, seu peito explodindo de felicidade.
—Estou feliz por estar aqui outra vez. — Murmurou com a cabeça em seu ombro. — Eu te amo.
Os olhos de Isolde se encheram de lágrimas e o abraçou de volta.
—Eu também te amo, seu Rei idiota! — Exclamou.
Acnologia se sentiu um invasor naquele pequeno momento, mas não é como se pudesse ou fosse sair dali.
“Nossa batalha está próxima.” — A besta falou em sua mente como um aviso.
Já podia sentir o cheiro de Erza se aproximando no corredor, e ouvindo seus paços também.
A Rainha destruída pulou no lugar, olhando para o dragão depois de sentir aquela presença sinistra por um instante. Olhou para ele meio assustada.
—O que?...
—Erza está vindo. — Falou interrompendo qualquer pergunta que ela tinha pra fazer. — Estamos sem tempo.
A Rainha piscou, decidindo ignorar aquela sensação por enquanto.
—Oh, ok. — E virou-se para Viego. — Até mais! — Despediu-se.
Em um instante era Lucy na sua frente, não Isolde. Ela lhe deu um sorriso e falou:
—Bom dia! — E foi para os braços de Acnologia que a envolveu de volta prontamente.
Antes que pudesse dizer algo, a porta se abriu e a Rainha das Fadas passou, olhando para todos os presentes.
—Tudo pronto. — Erza decretou, após constatar que nada de incomum aconteceu e que o Rei Destruído se comportou. — A missão foi dada ao nosso grupo. Os soldados vão ficar para defender a costa. Um exército inteiro chamaria muita atenção. Lahar já providenciou um barco.
Acnologia gemeu ruidosamente.
—Um barco? — Exclamou, indignado.
"Stand against me, call me villain, die!"
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