A Arte do Caos
39 Entre Dragões e Lobos
—Eu odeio esse lugar. — Ralhou assim que pisou na cidade.
Devia ter acordado mais cedo e pegado uma missão melhor, mas seu amigo, Viego, só conseguiu garantir aquela missão para si antes que os magos devorassem o quadro pegando todas as bem remuneradas. As parcelas já estavam quase no fim, e, o rei já tinha feito um esforço de passar pelos magos e roubar uma missão de pagamento grande, não tinha coragem de pedir para que trocasse consigo.
Mandá-lo para aquele lugar seria desmerecer sua amizade.
—Você está dizendo isso desde que saímos de Magnólia. — Lucy resmungou. — Por que diabos odeia tanto esse lugar? — Disse enquanto olhava no mapa onde era a pequena casa no lago que conseguiram alugar de antemão para fazer a missão.
Minérios das ostras de água doce daquele lago custavam uma fortuna e, devido a profundidade esmagadora, não eram muitos os que conseguiam pegá-lo. A pressão da água não era problema para sem corpo blindado de escamas, nem a profundidade. Levaria uma semana para coletar a quantidade demandada pelo cliente, mas o pagamento era muito bom.
—É uma cidade de lobisomens, Lucy, e estamos no solstício. — Falou como se fosse óbvio.
Vaneia era uma cidade neutra. Criada pelas 5 grandes matilhas da espécie de lobisomens, ela ficava na junção territorial dos 5 grandes alfas. Como símbolo de fim das guerras entre os lobos, ela foi criada de forma que nenhum conflito poderia ser realizado lá. Todos os bandos eram submetidos as mesmas regras e a paz era garantida pelo pacto entre os 5 alfas. O lugar também era uma forma deles fazerem comércios entre si mesmos e o resto do mundo.
Turística, com um dos lagos mais bonitos de Fiore, e calorosa a cidade tinha sua fama. Sem falar que muitos vinham curiosos para ver as transformações lupinas e entender mais sobre um povo que só vivia bem entre os seus.
Lucy o encarou com os olhos cerrados e os lábios comprimidos em irritação.
—Ao contrário de você, eu nunca estive aqui antes. E daí que é solstício? — Sua voz declarava que se reclamasse de novo sem explicar claramente o motivo seria espancado.
Certo. De fato, tinha reclamado muito durante a viagem.
Suspirou, abandonando o ranço do local e explicando apropriadamente.
—Lobos possuem companheiras como nós, mas de forma bem diferente. Uma das diferenças é que, em determinadas épocas do ano, todos os lobos são acometidos por hormônios, o que quer dizer que eles vão transar com quem quer que esteja na frente. — Lucy corou. Ela sabia pouco sobre lobisomens, mas essa parte era bem conhecida. — É a mesma coisa que acontece comigo na primavera. Só que pior. É irritante e acontece 3 vezes por ano. E isso também quer dizer que vamos ver muitas brigas entre machos, seja disputando alguém, seja por serem idiotas. Por isso a cidade inteira está decorada. É o festival da lua. Uma festa para promover a paz e para fazê-los encontrar suas companheiras. Ou uma briga. Ou uma orgia. Enfim, o que vier primeiro.
Tirando os olhos do mapa e parando para realmente prestar atenção, Lucy pareceu finalmente notar os adornos de lanternas, cheias de desenhos de lobos e luas. As lojas estavam decoradas e as vitrines cheias de coisas românticas como se fosse dia dos namorados lupino. Embora o que Acnologia descreveu não seja nada romântico e sim carnal.
—Você parece conhecer bastante. — Ela comentou. O dragão congelou por um instante. — Mas por que está tão ranzinza só por isso? — Ela deu um sorriso malicioso. — Podemos entrar nas comemorações também.
Era incrível a capacidade que Lucy tinha de acalmá-lo e atiça-lo ao mesmo tempo. A puxou para perto, passando um braço em seu ombro, respirando seu cheiro doce e beijando seu couro cabeludo. Seus músculos relaxaram.
—É apenas irritante. — Confessou. — Não sou da espécie deles, mas sinto como eles estão... ariscos. Só espero que possamos cumprir essa missão sem entrar em uma confusão por acidente. Ou pelo menos que nenhum alfa decida procurar por encrenca perto da gente.
Lucy não precisava de uma explicação maior. A gana pela luta e a manifestação dos hormônios furiosos funcionava de maneira antagônica em Acnologia, que não era da espécie, mas possuía sentidos mais aprimorados que os deles. Era como entrar no meio de uma enorme torcida. Era impossível não ser afetado pela energia estrondosa dos gritos e hinos de batalha.
A maioria das pessoas mal sentia por não poderem sentir ou cheirar sentimentos, mas não era o caso do dragão. Não só tinha caído no meio da torcida como parecia que todos os torcedores tinham megafones.
—Hum. — Ela murmurou.
Sentindo a necessidade de esclarecer um pouco mais, completou.
—Eu estive aqui em um desses festivais a uns 200 anos. Agora eles me irritam um pouco.
Não era burra e entendeu bem o recado. Ele veio e participou do festival de hormônios sexuais lupinos. Isso não a afetava mais. Ele tinha uma vida antes de conhecê-la e estava bem com isso. Aparentemente ele estava com medo disso ofendê-la de alguma forma. Sorriu. Ele era um romântico, só não sabia disso ainda.
—Talvez a gente aproveite um poco dele enquanto estivermos aqui. — Disse sorrindo. Ele enfiou o nariz em seus cabelos, parecendo aliviado. — Mas primeiro, você está vendo uma loja de aluguel da Dona Lurdes?
Demorou mais um pouco mas encontraram a senhora. Uma lobisomem de 150 anos, idosa. Segundo Acnologia, a espécie raramente vivia mais que 200 anos. Ainda assim bem mais que um humano.
Ela os levou para o pequeno chalé em frente ao lago. Era uma casinha simples, de pedra e telhado de musgo. Um quarto, um banheiro com uma banheira mediana, uma cozinha que mal cabia duas pessoas e uma salinha que era exatamente 2 poltronas e uma lareira. Não era luxuosa, nem espaçosa, mas tinha seu charme.
O aluguel vinha com um pequeno barco que usariam para pegar os materiais e, ficando a 30 metros do lago, não poderia ser mais prático.
~*#*~
O vento frio batia em seu rosto a medida em que o pequeno barco era puxado de forma veloz por Acnologia até as partes mais profundas do lago. Nunca que ele entraria ali para remá-lo. Entrar na água e puxá-lo enquanto nadava era mais eficiente e evitava que colocasse o café para fora e alimentasse os peixes.
—É aqui. — A maga sinalizou quando chegaram na área de coleta.
Acnologia parou, nadando e se escorando na beira do barco. O esforço não foi nada para ele, já que não estava nenhum pouco ofegante.
—Quanto a gente tem que pegar?
—10 quilos. — Abriu o papel do pedido da missão e esclareceu os detalhes a ele. — O problema é que não podemos forçar as ostras a se abrirem. Sua reprodução é difícil então precisamos esperar que elas se abram e ser rápidos o bastante para roubar o minério delas.
Era quase igual a pérolas, só que mais complicado. A extração era permitida desde que respeitassem esse quesito. Além disso, forçar as ostras a se abrirem fazia com que elas liberassem uma toxina de defesa que corroía todo o material.
Segundo problema é que elas só se abriam por 10 minutos todos os dias pela manhã. Não era atoa o valor daquele minério que produziam.
—Pronta para entrar na água?
Com o poder de aquário e o reforço dado pela marca em seu corpo, nadar até aquela profundidade também não era um problema.
—Quão gelada está a água mesmo? — Sua careta demonstrava o profundo pavor de ter que entrar no lago.
Acnologia riu de sua covardia.
—Te vejo lá em baixo quando estiver a fim.
E se transformou na forma humanoide, mantendo apenas as asas recolhidas e desaparecendo de suas vistas.
Não era justo deixar o trabalho para ele, mas dessa vez iria se consolar com a desculpa de que ainda estava menstruada. Infelizmente a imortalidade e a infertilidade ainda não a tinham livrado daquela merda.
~*#*~
A fogueira no centro da praça da cidade era enorme, assim como o volume da música. A praça redonda era enorme, lotada de bares e charmosa com um calçadão de pedra bem elaborado e cuidado. As pessoas cantavam, riam e brindavam, comemorando o festival.
Como adorava saber mais sobre o mundo obviamente não perderia uma noite dessas. Também tinha uma grande curiosidade a respeito dos lincantropos. No momento eles pareciam apenas humanos com estatura e músculos acima da média. Infelizmente sua curiosidade ainda não tinha sido sanada, já que ninguém se transformava ali. Seria muito indelicado pedir a alguém que se transformasse?
Já sabia a resposta, infelizmente.
—Esqueça. — Acnologia com toda certeza percebeu sua ansiedade e, como a conhecia bem, suas intenções. — Eles não se transformam a não ser que caiam em uma briga feia.
E levou o enorme copo de chope a boca, recostando-se na cadeira do bar no processo, e ela torceu a cara com sua observação.
—Por que não? — Questionou indignada.
Uma pequena parte de si sentia ciúmes por ela desejar ver a transformação de um deles. Também podia se transformar em algo bem maior e mais interessante, ora bolas, e o faria em qualquer momento que ela desejasse. Entretanto conhecia bem o espírito curioso de sua maga e das histórias que escrevia. Já podia vê-la montando um novo romance junto com Levy sobre lobisomens.
Seria o que chamavam de pesquisa de campo?
—Pela mesma razão que eu não saio me transformando por aí. Não há sentido. Sem falar que, para eles, a transformação consome sua energia. E cansativo e, pros novatos, doloroso.
Lobisomens não podiam usar magia. Eles a absorviam do ar para se transformar, mas, com exceção dos alfas e poucos outros, não passava disso. Em compensação eles podiam se transformar para sempre e ganhavam força, velocidade e todos os outros atributos de uma forma escabrosamente alta. Obviamente isso os cansava mentalmente. Quanto mais jovens mais instáveis e impulsivos, sem falar que a dor das primeiras transformações era algo bem desagradável.
Lucy pegou mais algumas iguarias da mesa, comendo, enquanto tomou mais um gole da bebida.
Arg! Como odiava álcool. O cheiro forte e o sabor amargo pelo menos impediam seu nariz de cheirar coisas que não queria. Infelizmente não dá para desligar esses sentidos. A música animada enquanto os lupinos e humanos dançavam incansavelmente, era algo caloroso de se ver.
Lucy riu quando alguns dos dançarinos mais experientes resolveu brincar com quem assistia. O homem capturou a parceira de dança, jogando-a para o alto e fingindo ser fraco demais para pegá-la de volta quando, dobrando os joelhos em uma falsa encenação de que ela era pesada demais para suportar. A parceira, entrando no teatro, dançou, jogando o pano em sua cara e encenando uma recusa ao homem. A segunda dupla de dançarinos também entrou nessa.
O homem fez o mesmo movimento, mas passando a impressão contraria ao dançarino anterior, pegando a parceira como se fosse uma pena, em uma clara demonstração de superioridade em força. A parceira logo tentou seduzi-lo com sua dança para tomá-lo em seu lugar, disputando-a com a parceira inicial do homem enquanto seu “fraco” parceiro tentava conquista-la de volta.
E então todos começaram a aplaudir e incitar o teatro, incitando a briga dançante entre os casais.
Colocou o copo de chope na mesa.
—Vai tentar dançar também? — Disse brincalhão.
Lucy riu, inclinando o corpo e escorando em seu braço, e abraçando-o no processo. Ela fechou os olhos absorvendo o calor de seu corpo.
—Nem pensar. Não quero quebrar os ossos. Eu sei o básico de dança, não essas acrobacias.
Cedeu ao instinto de enfiar o nariz em seus cabelos e passar o braço por sua cintura, puxando-a para o mais perto que as cadeiras de madeira permitiam. Não era o bastante. Queria puxá-la para seu colo, apertando-a contra seu corpo pero puro êxtase de senti-la em seus braços, mas ela o xingaria por isso.
—Eu nunca te deixaria cair, você sabe.
Seria tão fácil. Não importava se errasse, sua força compensaria qualquer erro. Não sabia dançar muito também, o pouco que sabia foi lhe ensinado por Lucy, apenas para não ser um desastre completo nas missões em bailes e festas de alta classe. Confessava que era divertido usar dos ensinamentos quando decidiam abrir um vinho e cantar músicas nostálgicas, sozinhos ou com amigos.
Era um mico divertido de pagar.
Ela beijou seu peito por cima da blusa.
—Eu passo no momento. -Murmurou pegando mais um bolinho frito.
Respirou mais profundamente o cheiro doce. Ele entrava por seu nariz, contaminando seu peito, deixando seu corpo mais quente e seus músculos tão relaxados que parecia uma droga. Essa paz que sentia era uma das melhores coisas que Lucy lhe proporcionava. Foi difícil conter o impulso do seu lado animalesco de ronronar e puxá-la ainda mais para perto.
Certas coisas nunca mudavam.
Trabalhar pela manhã e aproveitar a cidade pelo resto do dia estava sendo relaxante. Bom, até seu corpo endurecer com seus sentidos entrando em alerta.
—Merda! — Ralhou baixo, pegando o copo de chope outra vez e enfiando-o goela a baixo para se impedir de rosnar.
Lucy ficou confusa.
—O que foi? — Perguntou seguindo seu olhar para o canto esquerdo da praça.
—Um alfa. -Respondeu baixinho.
Bastou que falasse e toda a comemoração pareceu congelar. A música parou, assim como a dança e todos olharam para a mesma direção. Os lupinos abaixavam a cabeça em reverencia. Vindo acompanhado de mais dois homens grandes e fortes, um homem, parecendo bem jovem, mau saindo da adolescência, cabelos ruivos e olhos amarelos, apareceu.
Andava de cabeça erguida como se fosse o rei do lugar, e analisava as reverências criteriosamente como se todos fossem inferiores. Ele olhou por um breve instante para as mesas de pessoas não lobisomens e fez um `tsc` desdenhoso. Humanos e outras raças não eram obrigados a se curvar na cidade, afinal não eram seu rei ou seus costumes e o pacto garantia isso. Ele não podia exigir nada ali.
Isso irritou Acnologia. Não bastava ele emanar sua aura para os outros, era também arrogante. Teve o instinto de querer submetê-lo em suas garras, afundando sua cabeça colorida no fundo da hierarquia.
Merda.
Por pouco se conteve. Não estava ali para brigar ou entrar em um conflito de lobisomens. Enfiou um bolinho na boca para morder algo que não fosse um lobo. O homem musculoso de cabelos negros olhou em sua direção, vasculhando as mesas. O beta. Ele, ao contrário de seu alfa, notou seu pequeno deslize por um milissegundo.
Não encontrando a origem ele pareceu desistir.
O alfa continuou seu caminho, entrando em um prédio a poucos metros de distância dos dois. Na forma humana a audição dos lobos era apenas melhor que a humana, o que significa que ninguém além dos betas, que ficaram parados na porta, e das pessoas lá dentro poderiam ouvir o que acontecia.
—Pensei que alfas raramente vinham. — Lucy sussurrou. — O que está acontecendo?
E à medida que seus ouvidos captavam a conversa, foi passando baixinho para a maga.
—Você ousou me desafiar? — A voz do garoto soou lá dentro.
—N..não, eu... — A voz feminina foi interrompida.
O barulho característico de um murro e um corpo caindo no chão lhe deram uma noção do que acontecia.
—Tente me desafiar fugindo de novo vagabunda e eu mato você e sua família plebeia! — A voz saiu furiosa e ácida. -Recomponha-se e não de um pio, entendeu?
—S-Sim. — A voz saiu murcha, chorosa e dolorida.
Logos se curavam bem rápido, então quando a mulher saiu junto com o alfa, com exceção dos olhos marrons abatidos, ela estava fisicamente bem.
O garoto passou a mão por cima do ombro dela e, com um sorriso nojento, falou de forma política.
—Desculpe interromper as festividades. Só vim buscar minha mulher para este solstício. Aproveitem!
A música voltou a tocar e as pessoas a dançar, mas era como se tudo fosse automático. O clima tinha morrido e ninguém, com exceção dos humanos e raças que não tinham sentidos afiados para captar o clima, a noite tinha ficado com um sabor amargo.
~*#*~
Tomou fôlego quando chegou a superfície da água. Gelada pra caralho. Odiou.
Jogou o saco com os minérios que tinha conseguido coletar para dentro do barco.
—Não basta a água ser gelada, as ostras tem que ficar no fundo onde ainda é mais gelado. — Resmungou.
Os braços quentes de Acnologia a envolveram, puxando-a contra o corpo quente. Apesar de algumas escamas aqui e ali, sua pele estava praticamente humana. A calda longa servia para nadar insanamente rápido, além de servir para estabilizá-lo na superfície.
Ele beijou seus cabelos molhados e falou:
—Posso te esquentar de novo. — Murmurou malicioso.
Ele adorava provocá-la e adorava fazê-lo perder a linha.
Ergueu o rosto para cima, torcendo o pescoço para trás e agarrando seus cabelos para puxá-lo para um beijo. Virou o corpo, torcendo em seu aperto, e agarrando seu pescoço a medida em que aprofundava o contato.
Sua outra mão descia por seus músculos fortes dos ombros e do braço enquanto seu corpo se projetava contra ele. A temperatura gélida da água era completamente anulada pelo calor inumano de sua pele.
Quebrou o beijo para tomar fôlego e sorriu quando aquele ronronar selvagem, que fazia seu peito tremer sob suas mãos começou e ele enfiou a boca em seu pescoço. Ele voltou a tomar sua boca com fome e grudou seu corpo nele, laçando as pernas em sua cintura e liberando as mãos para vagarem por seu corpo. A vantagem de pressioná-lo nesse tipo de situação é que ele sempre ficava com os movimentos limitados, seja segurando seu peso, seja encontrando um jeito daquilo funcionar.
O fato de não tocá-la facilmente o deixava ainda mais selvagem. Tomou um susto quando sua asa direita emergiu da água do nada e enganchou no pequeno barco de madeira e suas costas recostaram nele. Ele tinha achado um jeito de se apoiar e flutuar, liberando as mãos. Peste.
Mas estragou suas pretensões.
—Cadê o seu saco de minérios?
Ele torceu a cara para sua pergunta. Já podia ver sua testa enrugando e se irritando por ter interrompido o momento. Antes que ele reclamasse, falou:
—Nós temos que fazer a entrega com no mínimo 10 quilos na data exata ou não recebemos o bônus e eu não quero um histórico de missão falha. Vamos terminar isso e eu vou te chupar todinho.
A forma como seus olhos ficaram quentes e seu peito tremeu sob suas mãos foi a garantia que o tinha feito relevar seus desejos momentâneos. Mas realmente queria chupa-lo hoje. Observá-lo estremecer e gemer enquanto se divertia passando a língua naquele morango saboroso que era a cabeça de seu pau.
—Eu vou terminar a coleta, minha rainha. — Falou o bordão de Viego beijando sua boca e mergulhando tão rápido quanto apareceu.
Junto com ele foi o seu calor e a água gelada a fez tremer ao ponto de soltar um espirro. A última coisa que queria era pegar uma gripe.
—Porcaria de água gelada. — Reclamou, subindo no barco.
Pegou as toalhas e se secou rapidamente, desfazendo o stardress de aquários. Colocou a calça grossa e seu casaco. Espirrou de novo e, não satisfeita, roubou o casaco de Acnologia, sentando-se na taboa de madeira do barco. Não é como se ele precisasse disso.
O barulho de uma pequena lancha chamou a atenção. Movida pela magia de uma lácrima, a proa de metal cortava a superfície do lago gelado, indo em sua direção. Três homens, altos, musculosos estavam nela. Um estava sentado mais atras, controlando a embarcação, enquanto os outros dois estavam em pé mais à frente. Um estava sem camisa, mas os outros dois estavam vestidos com calças modelo militar e camiseta preta justa.
Aparentemente lobos também não eram sensíveis a temperatura. Bando de burgueses safados.
O motor diminuiu até chegar próximo de seu barco.
—E ai loirinha! — O desnudo se achou no direito de analisá-la com os olhos e dar um sorriso debochado. — O que faz por aqui?
Apertou os olhos já não gostando dele.
—Minha mãe me ensinou a não falar com estranhos. — Foi ácida.
Era 7 da manhã, estava um frio do caralho e tinha passado a última hora a quase um quilometro abaixo d'água. Nem fodendo que estava de bom humor para palhaços.
Por alguma razão o sorriso do palhaço aumentou, como se fosse um desafio a ser conquistado.
O outro homem deu uma cotovelada no amigo e foi mais cortês.
—Me desculpe a grosseria. Meu nome é Doran, faço parte da patrulha da matilha de Astarok. Estamos conferindo a área. Poderia nos dizer quem é e o que faz no lago a essa hora? — E o modo policial deu as caras.
Apertou os olhos. Não estava ali para causar confusão.
—Estou minerando as conchas. Meu nome é Lucy, sou da Fairy Tail. Fui contratada por uma missão. — Apontou para a rede com as esferas prateadas desformes. — Temos licença para essa semana.
Doran analisou sua remeça do dia. O desnudo riu.
—Há! Boa piada gatinha. Você, descendo a mais de mil metros sem morrer? Isso não é trabalho de mulher. Nem nós, lobos, conseguimos.
Doran suspirou, passando a mão pelo rosto como se precisasse conter a raiva para não matar e desovar o corpo do colega ali mesmo.
—Eu não me lembro de precisar da aprovação de um imbecil para fazer meu trabalho. — Quando estava de mau humor sua língua saia antes de sua racionalidade.
A muralha de músculos sem cérebro pareceu se ofender com sua total falta de problemas em mandá-lo se foder.
—Sua mãe nunca lhe ensinou a respeitar superiores? — Seu tamanho pareceu aumentar um pouco e os olhos ficaram amarelos. — Nós estamos procurando uma garota de cabelos azul escuro, então apenas guarde sua língua e coopere.
Ah, Acnologia tinha dito algo sobre alguns deles serem jurássicos e se acharem superiores a humanos, especialmente as mulheres.
Usando sua melhor cara de Poker Face, ergueu a mão com o mediano levantado. Isso seria desacato a autoridade? Não tinha certeza se as leis valiam para soldados que não eram do governo.
Um barulho animalesco saiu de dentro dele e, por um instante, pareceu que ele avançaria em seu barco. As garras de Acnologia cravaram na lateral de madeira, içando-o para cima da embarcação. Ele deixou apenas sua mão transformada, mas seus olhos e a aura de alfa que carregava fizeram o maluco pular para trás, e não para seu pescoço como planejou.
Jogando o saco de minério para dentro, e se empoleirando na borda do barco como o Homem-Aranha na borda de um prédio e com um olhar perigoso e felino, ele falou:
—Algum problema? — Os olhos vermelhos estavam direcionados para o baderneiro que deu em cima de Lucy.
—Oh, — Doran começou, também se sentindo impelido a abaixar a cabeça e não entendia o porquê. -Você está acompanhada. — Seus olhos viram o símbolo da guilda no ombro nu do dragão. -Fairy Tail, né? Se virem uma garota assim poderiam nos dizer?
—Não vimos. — Lucy falou, começando a tomar ranço do lugar como Acnologia.
—Vão. — O dragão ordenou.
Confusos eles se sentiram impelidos a seguir o comando, abandonando a idéia de questioná-los mais um pouco.
—Ah, sim. Continuem a missão de vocês. Desculpe o transtorno.
E foram embora.
Quando estavam a uma boa distância, Acnologia suspirou, entrando para dentro do barco e seus olhos voltando a serem azuis.
—Betas irritantes. — Resmungou, as chamas cobrindo seu corpo para se secar e ao short de banho.
Desde que o barco ficasse parado não sofreria com o enjoo característico de sua espécie.
—Betas? — Lucy perguntou.
Enquanto colocava a calça seca, explicou.
—As matilhas são divididas em uma hierarquia. Alfas, obviamente os mais poderosos, betas são fortes e os mais numerosos, embora não tão fortes quanto o alfa, mas isso não os impede de serem arrogantes. Os híbridos são os mestiços de lobos com alguma coisa. As vezes tão fortes quanto os betas, as vezes mais fracos. E os ômegas, que são extremamente raros. Normalmente são mulheres. Extremamente fracos e forçados a serem submissos. É uma merda. Mas tem boatos que um alfa nascido de um ômega e mais poderoso. Pra mim é tudo uma merda de idiotas que, como vivem só em seus territórios, não tem noção de que o mundo e bem grande e tem gente muito mais poderosa que esses bundões.
Os braços da maga lhe agarraram como um carrapato assim que terminou de fechar o ziper.
—Hum. — Ela murmurou contra suas costas. — Quentinho...
Revirou os olhos.
—Ao menos preste atenção no que eu falei. — Resmungou, puxando-a para seus braços e aumentando a temperatura para esquentá-la.
—Eu prestei. — Ela disse enterrando o nariz gelado em seu peito.
Ronronou, esfregando o nariz em seus cabelos.
—Eu sei de um outro jeito de te esquentar. — Disse malicioso.
—Por mais que eu queira te chupar, não há a menor chance de eu fazer isso aqui, onde um lobo boçal pode vir interromper.
Torceu o nariz. Odiava aquele lugar.
~*#*~
Mais um dia tinha terminado e estavam preparando os equipamentos para voltarem a extração no dia seguinte.
—O pôr do sol no lago é realmente bonito. — Lucy comentou, olhando para o laranja colorido que refletia nas águas do fim da tarde.
Analisou a cena enquanto enrolava a corda no braço. Tinha visto o sol se pôr várias vezes na vida ao ponto de perder a graça, mas as coisas que perderam a graça sempre voltavam, aos poucos, com a presença de Lucy. A forma como a luz batia em seu rosto e seus cabelos, dando-lhe um ligeiro avermelhado, era linda.
Vê-la contrastando diante daquela paisagem era, de fato, muito lindo.
Infelizmente sua distração maravilhosa foi cortada quando ouviu e sentiu o cheiro dos Lobisomens. Colocou a corda enrolada no chão e se aproximou de Lucy, enquanto olhava para a floresta. Ela percebeu seu estado de alerta, especialmente quando seu peito tremeu em um rosnado baixo.
5 lobos. Seus dentes ficaram mais afiados e quase cedeu ao instinto de expô-los e rosnar. Por que tantos?
Puxou-a para perto.
Saindo da cobertura das árvores e vindo pela trilha, os cinco apareceram. Um mais velho, cabelos brancos curtos, um alfa, e quatro betas. O líder vestia uma camisa social preta e sapatos formais. Parecia mais um empresário que um alfa de matilha. Seus guarda-costas, os betas, com exceção do arrumadinho vestido com roupas sociais brancas e segurando uma prancheta, pareciam ter vindo transformados. Eles estavam desnudos, na forma humana, com apenas uma calça de moletom.
Com certeza não era o plano deles vir até o lago.
—Boa tarde. — Ele falou, emanando sua aura alfa. Mesmo humanos sentiam, inconscientemente, esse tipo de pressão, só não sabiam de onde vinha. — Ou seria noite?
Acontece que para Acnologia, tentar suprimi-los era um insulto e um desafio. Seus olhos ficaram rubros e a aura que continha desde que tinham chegado saiu, desafiando-o a continuar.
O alfa parou, os olhos surpresos. Seus betas, notoriamente afetados, ficaram confusos e raivosos, preparando-se para a briga assim que seu alfa ordenasse. Expôs os dentes.
—Minhas desculpas. — O homem falou, reduzindo sua dominância a algo inofensivo, porém ainda presente. — Velhos hábitos, especialmente quando se é vizinho de outros quatro alfas. Meu nome e Altair, alfa da matilha do sol. Não vim na intenção de desafiá-lo.
Apertou os olhos, mas recolheu sua aura também. Podia sentir Lucy o encarando, confusa. Protegida por sua dominância, e ausência de sentidos afiados, ela não entendeu nada. Entretanto, ela decidiu ignorar e pôr na mesa outras questões importantes.
—Meu nome é Lucy. Este é Acnologia. A que devo a presença de um dos Alfas de Vaneia?
Ele sorriu, mas era um sorriso político.
—Um de meus homens disse que foi incapaz de recusar uma ordem dada por outro, mesmo que sutil. Não me leve a mal, mas como alfa não gosto quando alguém pode ameaçar meu domínio.
Ah, o incidente no lago. Irritante.
—É minha obrigação conferir se há um novo lobisomem alfa ameaçando meu bando. — Ele analisou Acnologia de cima a baixo. — Entretanto esse não parece ser o caso. — Ele parecia intrigado. — O que você é?
Compreensível. Um alfa tinha que garantir seu domínio e defendê-los. Ele devia estar muito confuso com o fato de que não era um lobo e mesmo assim podia dar ordens e sentir sua aura.
—Magos. — Acnologia respondeu. — Somos magos da Fairy Tail e estamos aqui apenas para cumprir uma missão de coleta. Vamos ir embora na próxima semana.
Deixou isso claro como forma de dizer `seu território não me interessa, nos deixe em paz e eu te deixo viver`. O velho apertou os lábios. Ele percebeu que não diria o que era, o fato dele sentir a mana em seus corpos provava que dizia a verdade e não era um lobo. Dar a ele sua data de saída e origem era uma clara mensagem de que não o responderia, mas que não era um problema.
Ele suspirou, passando a mão na testa.
—Muito bem. É bom ver magos poderosos nos visitando. Espero que aproveitem o festival.
Lucy respondeu, educada.
—Com certeza vamos. É uma cidade bonita.
O alfa ergueu uma sobrancelha e ofereceu um sorriso simpático.
—Uma das mais bonitas, se me permite dizer senhorita. Como recomendação de alguém que viveu aqui durante mais de um século, recomendo fortemente que vá ao restaurante da raposa vermelha. É um lugar modesto, mas tem a melhor comida que provará na vida.
Aparentemente, aquele alfa não era um babaca. Sorriu, simpatizando com o velho.
—Vou aceitar sua recomendação, com certeza. — Uma curiosidade que remoía a um tempo voltou a sua mente. — Desculpe estar sendo intrometida Altair, mas se me permite perguntar, quem é a mulher que estão procurando? Vi inúmeras patrulhas durante esses dias.
O beta arrumadinho apertou os olhos e falou raivoso.
—Isso é assunto para um humano. Quem lhe deu autorização para dirigir-se ao nosso líder pelo nome? Você...
Ele se interrompeu, quando Altair levantou a mão.
—Jhin, não seja estúpido. Ela é humana, não tem que saber e obedecer a nossos costumes. Além disso, acredito que não somos os únicos abrindo exceções em comportamento aqui.
Ah, então ele tinha notado que a cabeça de seu beta poderia estar fora do pescoço agora pela forma que falou com Lucy. Jhin abaixou a cabeça, sentindo o peso das palavras de seu lider.
—Minhas desculpas.
O Alfa suspirou.
—Uma ômega. — Ele respondeu. — Você não deve intender muito sobre nossa hierarquia, mas ômegas são preciosas e devem ser protegidas por nós. Nós a notamos em nosso território e desde então as 5 matilhas estão em sua busca.
O lobo ao fundo bufou.
—Espero que possamos encontrar a pobre antes que a matilha de Maximus a encontre. — Ele não pareceu perceber que soltou sua frustração em voz alta, por que logo em seguida arregalou os olhos e se retratou, abaixando a cabeça em reverência. — Me desculpe alfa. Falei sem pensar.
Altair balançou a cabeça e abanou a mão, relevando.
—Maximus? — Questionou confusa.
O alfa deu um sorriso quase envergonhado.
—Alfa da quarta matilha. Digamos apenas que ele não é um bom exemplar de nossa espécie.
Por alguma razão, a imagem do alfa que foi ao centro naquele dia lhe veio à mente. Parecia nome de traficante filho da puta.
—Espero que aproveite a cidade senhorita Lucy. Não se preocupe com problemas triviais de lobos.
Não planejava se envolver de qualquer forma. Hierarquia era sempre uma encrenca.
~*#*~
Os últimos resquícios do sol do fim da tarde penetravam a janela do pequeno chalé. A noite ali era fria. Com um movimento de mão, acendeu a lareira para que Lucy não sentisse o frio mais tarde e se sentou na poltrona larga.
—Ele não pareceu ser desagradável. — Ela disse colocando mais madeira na lareira recém acesa, e trocando de roupa para uma de suas blusas, que pareciam camisolas nela.
Suspirou, fechando os olhos e encostando a cabeça no encosto de couro. Para ela não foi. A aura de um alfa e os hormônios acesos dos lobos era algo difícil de ignorar. Estava ficando exaustivo se reprimir e continuar apenas um mero mago. Era uma faca de dois gumes. A bruma dos lobos o afetava como a energia de uma multidão. Uma puta dor de cabeça.
Era uma mistura infortuita de "venha brigar” emanada pelos machos e "venha me comer” emanada pelas fêmeas. Ambos lhe deixavam puto, especialmente as fêmeas. A sedução hormonal tinha um efeito oposto consigo. Não queria transar com elas, queria moê-las na porrada por tentar seduzi-lo.
Infelizmente não podia culpá-las por tentar encontrar um parceiro naquela época do ano. Era instinto, sendo lobo ou não, sexo para eles era algo vital como o cio de animais comuns. Além disso elas não sabiam de sua conexão com Lucy. Lobos tinham um parceiro para sempre, mas poucos são esclarecidos o bastante para saber que outras espécies também o tinham. Humanos não colaboravam, uma vez que tinham fama por traições e eles provavelmente não saberiam identificar um dragão em meio a pessoas normais.
Nada novo sob o sol.
O cheiro dela o envolveu quando ela se aproximou. As mãos finas passaram por sua bochecha, o polegar delineando a linha abaixo de seus olhos. Abriu os braços para recepcioná-la em seu colo. Ela sentou em suas cochas com uma perna de cada lado, os joelhos se apoiando na lateral da poltrona.
Os olhos azuis profundos apareceram parcialmente pelas pálpebras semiabertas. Os olhos castanhos atentos o analisaram.
—Você parece cansado. — Ela murmurou.
Seus músculos relaxavam a medida em que o cheiro doce passava por seu nariz e uma de suas mãos descia por seu pescoço, chegando ao ombro e o apertando de maneira gentil com uma massagem.
—Um pouco. — Admitiu.
Os olhos dela se estreitaram, preocupados.
—Qual o problema?
E sua maguinha começou a se preocupar pelos motivos errados novamente. Não queria isso.
Sorriu, agarrando sua bunda e a puxando mais para perto enquanto suspirava e se inclinava para frente. Por estar no seu colo, ela o superava na altura. Depositou o queixo entre seus seios, olhando para cima e falou.
—Não precisa se preocupar. É só a mesma dor de cabeça de sempre. Eu estou bem.
Sua mão passou para seus cabelos, as unhas finas raspando no couro cabeludo e fazendo-o relaxar ainda mais. Podia dormir profundamente só com isso.
—Desculpe por isso. Deve ser desagradável ter o impulso de querer lutar toda hora.
Ela não estava errada. Era uma criatura de vícios e gostava da adrenalina da luta, do prazer de se submeter a loucura de ter seu poder correndo livre em suas veias, mas existia uma vontade um pouco maior.
— O problema não é exatamente o vício em lutar. — Esclareceu, o nariz passando por sua garganta lentamente e aspirando seu cheiro a medida em que suas mãos invadiam a blusa e espalmavam suas costas finas. — Estou com fome.
Suas mãos finas pararam em seus ombros.
—Eu pensei em fazer uns sanduiches pro jantar, mas podemos sair para comer também...
—Não esse tipo de fome.
Passou a língua por sua garganta antes de mordê-la. O corpo curvilíneo estremeceu em seus braços, e o cheiro de seu desejo começou a ecoar o seu próprio. A apertou contra si, enquanto suas unhas desciam por suas costas, demarcando suas tatuagens tribais e provocando as asas escondidas próximas as omoplatas. Ronronou.
—Humm. — Ela murmurou, virando a cabeça para ter mais acesso a seu pescoço. — E como exatamente isso tem a ver com os lobos do assunto anterior? E o senhor não está cansado?
Apesar de suas palavras, seus dedos agarravam deus cabelos, puxando-os e querendo levar sua boca mais abaixo. Podia ver o bico dos seios já duros despontando por baixo da blusa branca.
—Eles me provocam como a primavera. Sinto o desejo deles e isso me provoca a querer te comer. — Justificou, dando um beijo no seio esquerdo por cima da blusa.
Ela pegou suas mãos atras das costas e as guiou para frente. As mãos finas envolveram as suas, fazendo-o apertar os montes macios enquanto ela suspirava com um alívio que o deixou de pau duro. Ela sempre cedia a seus desejos.
Se reacomodando em seu colo, ela se sentou sobre o volume duro em sua calça, seduzindo-o e dizendo que estava disposta a saciá-lo. Apertou os seios sensíveis e ela fechou os olhos, jogando a cabeça para trás e devolvendo o pequeno prazer esfregando a calcinha contra seu pau. O tecido era incômodo.
Era um jogo perigoso que Lucy não estava nem ai de jogar. Durante a primavera tanto seu corpo como o dela eram estimulados por aquele turbilhão de hormônios, a marca fortalecendo seu corpo para suportar sua fome enquanto ele absorvia todos os seus sentimentos.
Mas não estavam na primavera, ela não tinha a proteção extra da sua marca e por ser apenas humana, não era estimulada pela bruma dos lobos.
Não podia tomá-la cansado e sem cabeça para se controlar minimamente. Ela gostaria muito de arriscar, inclusive a deixaria mais tentada a seduzi-lo. Sua loirinha viciada em adrenalina. Por sorte o barulho de seu estômago roncando lhe forneceu a desculpa perfeita para comprar um tempo e colocar a cabeça no lugar.
Sorriu, quando suas bochechas ficaram vermelhas com a vergonha.
—Acredito que precisamos providenciar o jantar.
Ela fez um bico.
—Não estou com tanta fome assim. — Disse se esfregando um pouco mais em seu colo.
Normalmente esse seria o momento em que cederia. Isso se seu estômago também não roncasse.
Ela piscou e riu.
—Acho que nossos corpos têm outras prioridades.
“Eu passei muito tempo dentro da minha mente e acabei perdendo a cabeça.”
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