A Arte do Caos

19 Cap19: E, da mesma forma que amam, Monstros também sofrem.


Notas iniciais
Então Blz? Primeiramente eu gostaria de agradecer Maah-hime Pela maravilhosa e gostosa recomendação. Dei pulinhos pela casa toda e sai sorrindo que nem uma retardada. Agradeço a Todos que recomendaram favoritaram e que estão acompanhando. Amo todos vocês, é sério. Caso não se lembrem estou atualizando vocês a um ano. X3 milenaalvino, Se você tambem acompanha esta história, por favor, me desculpe. Eu ainda lhe darei milhões de agradecimentos por ter recomendado minha outra fic assim que postar. Falando nela, gostaria de pedir mil perdões pela demora. Estou no 3° ano (ano decisivo) e estou MUITO ocupada. Isso me drena muito e estou com um bloqueio catastrófico. Valorizo muito cada um de vocês para soltar um capitulo qualquer em ACPT. Estamos na reta final dela e em um momento muito complexo, então quero caprichar para vocês. (quem sabe ganho outra recomendação X3 nenhum pouco oferecida, né? kkk mas quero ganhar recomendações por mérito.) Vou falar mais lá embaixo, Ok? Bjs

–Como é? – A incredulidade nas palavras de Laxus era palpável, mas não havia tempo para maiores explicações. Todos corriam, desesperados por corredores aleatórios, indo atrás do rastro de destruição, vendo cadáveres e escombros por todo o lugar.

–Não temos tempo, Laxus! – cuspiu Erza, aumentando a velocidade da corrida. Tinha noção que todos atrás de si, fora Gajeel, estavam totalmente incrédulos com a história, e que moviam suas pernas no automático. – Sim, aquele é o Acnologia que tentou nos matar a sete anos. Não, ele não quer machucar nem a nós nem a Lucy. No momento é só isso que precisa saber. Depois podemos falar mais, porém no momento estamos em crise!

Os paços retumbaram por todo o subsolo ainda mais apressados.

–Oe, você n... – uma mão firme tocou o ombro de Laxus enquanto corria. Era Natsu. Ele o soltou e olhou para frente, olhando para a ruiva que lhe observava de canto.

–Tudo bem, vamos ajudar agora. Mas depois vocês iram nos dar bons motivos para a Luce, você e Gajeel confiarem nele. – A voz soava seria; não ríspida, mas sim calma.

Erza espremeu os dentes. Natsu não tinha o habito de falar assim.

–Feito! – cuspiu. Pressentia que sobraria para si.

A palavra confiar não se aplicava bem à situação. Não, não tinha tido tempo para aprender a confiar em Acnologia; tinha tido tempo apenas para perfilar seus objetivos, e eles consistiam em proteger e amar Lucy sem causar nenhum dano a aqueles ao seu redor, a não ser, obviamente, que estes ofereçam uma ameaça a mesma. Mas no momento não estavam em condições de discutir. Algo grande estava a sua frente; podia sentir pelo modo que sua espinha estava gélida. Além de que, Gajeel tinha dito que sentiu o cheiro do sangue de Lucy, e isso, para todas as instancias, era péssimo.

Correram mais um pouco em direção a uma área mais clara no subsolo; e também a com mais presença de pessoas. Assim que entraram no novo salão, surpresa era pouco para definir o que viram. Nem mesmo em seus maiores sonhos poderiam imaginar.

Havia um corpo, altamente iluminado por lacrimas, de um Dragão; as escamas de cor bege pareciam polidas, as asas enormes flácidas em repouso, os olhos fechados, mas não havia nenhum indício de respiração. Estava morto e intacto. No topo da cabeça escamosa havia vários fios que se ligavam ao cérebro e parte da coluna, funcionando como neurotransmissores; estes iam até uma esfera vidrada, na qual podiam ver a silueta de um homem sentado em uma cadeira que possuía outros fios de neurotransmissores conectados a si. Sabiam que magia era aquela que passava pelos conectores, e se fazia presente na esfera; era a magia de Lucy!

Correram em direção a câmara vidrada; Natsu a arrebentou, mas o que encontraram lá não foi Lucy; apenas roupas, roupas masculinas. Uma risada se fez presente ao mesmo tempo em que a lufada de ar vinda de dois pulmões poderosos reverberou no espaço enorme.

–Chegaram tarde, maguinhos. – A voz era estridente, jovem, porém alta e soberana. Olharam para o Dragão que agora se erguia diante deles com aqueles olhos amarelos enormes. Os neurotransmissores caíram no chão, à medida que a fera se erguia. – Já consegui o que pretendia de suas duas magas. Consegui o corpo de Lázaros, e agora, sou um dos mais poderosos Dragões da história,e, em breve, do mundo! – a empolgação em sua voz era gritante.

–Quem é você??? – gritou Natsu já apresentando-se alterado pelo que foi dito anteriormente.

–Vocês me conhecem como Hizame Akira, mas acho que pensarei em um nome mais apropriado. – respondeu desdenhando, querendo fazer proveito de sua nova forma imponente.

–Não é possível...! Ele se fundiu ao Dragão? – exclamou Lyon, atônito.

Foi neste momento que um calafrio subiu a espinha de Gajeel... assim como Natsu, Sting, Rogue. A terra tremeu abaixo de seus pés, trazendo consigo um rugido de pura agonia. Aqueles que foram criados pelas feras lendárias sabiam o que viria. Arregalaram os olhos em pavor. Hizame balançou a cabeça tentando se livrar do impulso instintivo de sair dali, que quase tomou seu corpo.

–Erza... – chamou Gajeel em um sussurro. A Titânia olhou para si, e ele completou em pleno desespero. – Erza, temos que sair daqui agora!

Ela nem se quer cogitou questionar o Dragão depois de ouvir o rugido. Abriu a boca para ordenar a saída de todos, mas uma explosão na lateral direita do salão a impediu. Todos os olhos foram em direção aos escombros.

A silueta masculina, agregada com asas, calda e escamas, se fez presente na visão de todos. Uma silueta completamente negra, com exceção dos olhos vermelhos rubi. A parte mais monstruosa presente na cena era o corpo flácido feminino que o homem carregava e segurava contra si como um amuleto precioso, mas ninguém conseguia enxergar humanidade vinda daquele olhar tenebroso.

Os olhos escuros da Titânia viram uma cabeleira azul ao fundo, acompanhada de um corpo inconsciente.

–Wendy... – sussurrou. Apesar de querer ir em direção a pequena e socorrê-la, seus olhos não eram capazes de desviar da cena a sua frente.

O corpo ensangüentado de Lucy nos braços de uma besta incontrolável. Os dentes Draconianos do atual Hizame apareceram em um sorriso macabro e bestial; Não se importando quando viu o corpo de Shizui, sua ex-companheira, morto no chão. Não precisava mais dela, poderia arrumar outros parceiros depois, isso se ainda precisasse de algum; mas no momento seus olhos estavam focados no casal mórbido que desconhecia. Não sabia como o Dragon Slayer tinha alcançado algo semelhante a uma Dragon Force, mas não importava agora.

–O que foi? Ficou bravinho por que ela morreu? – questionou com sarcasmo.

O homem não respondeu. Sua boca se abriu, revelando um sorriso sádico, acompanhado dos dentes brancos e afiados.

–Abaixem-se!!! – Exclamou Rogue, ao notar o acumulo de energia no fundo da garganta do conhecido.

Todos obedeceram a tempo de ver chamas negras mescladas com vermelho sangue atingirem brutalmente Hizame. O ex-humano caiu no chão pesadamente, agravando ainda mais os danos estruturais do subsolo. O impacto foi tão forte que não conseguiu se levantar de imediato. A aura ao redor de Acnologia começou a aumentar drasticamente, e indefinidamente.

–Erza! – chamou Gajeel. – Ele não esta interessado em nós agora. Pegue Wendy e vamos dar o fora!!!

A ruiva acenou em positivo, reequipando com a armadura do cavaleiro e voando rapidamente por trás de Acnologia, pegando o corpo da menor e retornando ao grupo. Como o Dragon Slayer disse, ele não ligou para sua presença. Logo rugiu outra vez, atingindo tanto Lázaros quanto a estrutura da base subterrânea, que já começava a desabar. O grupo saiu correndo por uma das passagens que apresentava um relevo de inclinação que provavelmente os levaria a superfície.

–As chamas... – sussurrou Natsu enquanto corria. Todos o olharam sem parar com a corrida. –As chamas de Acnologia eram azuis, não negras!

–E o que isso significa? – perguntou a Titânia mais para si própria do que para os outros.

–Ela não possuía batimentos Erza. –Gajeel falou chamando sua atenção.

Logo os fatos vieram em seqüência na mente da ruiva.

–Mas isso é impossível! Se ela tivesse morrido, Acnologia morreria junto. Você mesmo me disse. – Sua insistência na negação vinha tanto pelo fato de que não queria nem imaginar a possibilidade do Rei dos Dragões ter saído do controle, quanto por não querer pensar que sua melhor amiga estivesse morta. Não; só de pensar seus olhos se enchiam de água, mas não poderia chorar agora, e pensar negativamente sempre seria a pior opção.

–Eu sei o que eu disse!- devolveu o Matador quase furioso. – Eu não quero que ela esteja morta tanto quanto você, mas tenho que pensar no pior. Se ela morreu, Acnologia vai matar tudo e todos!

Erza trancou a própria respiração por um instante. Chacoalhou a cabeça tentando não pensar no pior e sim no momentâneo, que era sair dali; Já podia ouvir os túneis desmoronando atrás de si. Gritou para todos irem mais rápido, ao avistar a claridade da manha à frente. Poucos instantes depois de saírem o túnel inteiro desabou, levando as rochas e escombros para fora também.

Outro estrondo foi ouvido, e logo viram o enorme Dragão bege emergir do subsolo. Hizame bateu as asas até ficar vários metros acima das arvores e chacoalhou o corpo tentando se livrar dos escombros que quase o enterraram. Outro estrondo ecoou, e dele saiu Acnologia, mas dessa vez em sua forma Draconiana total, assustando o Akira e todos ali presentes. A Fairy Tail logo enxergou novamente o defeito no enorme Dragão; Não havia escamas azuis, apenas negras.

Acnologia sentia todo seu corpo queimar, mas nada superava a dor que moía sua caixa torácica. Queria gritar, e foi o que fez; Rugiu ainda mais auto nos céus em pura agonia. Tentava fazer isso passar destruindo tudo aquilo que via, mas não fazia resultado algum; Não sabia em que mirava ou contra quem lutava. Tinha deixado seu corpo seguir o próprio instinto, enquanto sua alma mergulhava na dor profunda.

Talvez se nada existisse...

Por alguma razão começou a acumular toda a energia que conseguisse em sua boca, formando um rugido supremo. Não sabia em que mirar e não sabia o que poderia destruir; o fato é que queria colocar tudo pra fora; tentaria colocar toda a dor para fora. Doía tanto...

Ao ver toda aquela energia sendo acumulada, Hizame fugiu, ciente que não conseguiria vencê-lo no momento. Os magos entraram em pânico, e começaram a correr para longe, em uma tentativa vã de escapar do raio da explosão.

“Está doendo...”

Sentia-se flutuar, em um espaço que desconhecia; seu inconsciente. Não sabia descrever a dor e a agonia a qual estava envolvido, só queria que parasse!

Foi ai que outra coisa começou a envolve-lo, algo mais denso; algo que lhe dizia para aliviar-se em violência, algo que abria seu apetite por sangue. Seja o que for aquilo diminuía sua dor. Queria se deixar ser envolvido por isso; queria não sofrer mais...

“Acno.”

Seus olhos se abriram e retomou a consciência, ao mesmo tempo em que toda aquela energia se dissipou. Olhou para a própria pata, agora negra e sem a presença do azul que Lucy tanto gostava, e a abriu, lentamente, vendo o corpo desfalecido, porém ainda belo da mulher que amava.

“Você é uma boa pessoa, só não teve alguém que visse isso ainda. Nem mesmo você.”

As palavras... acompanhadas daquele sorriso tão gentil.

Seus olhos se encheram com lágrimas as quais não tentou conter. Fechou a pata ao redor do corpo frágil para protegê-lo, e ergueu a cabeça aos seus para lançar mais um rugido. Ele reverberou como uma trovoada pelos céus; um lamento que não seria esquecido por aqueles que ouviram por toda a eternidade.

Suas asas se abriram ainda mais e bateram com força para o leste, levando consigo os sentimentos que o martirizariam para sempre.

Iria para um refugio isolado, um lugar onde poderia chorar e se culpar por não tê-la protegido; um lugar onde iria sofrer por toda a imortalidade maldita que lhe foi concebida.

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Era uma sensação estranha e desconfortável sentir o misto de alivio e preocupação que sentia agora. Por alguma razão, o Rei dos Dragões parou seu ataque, isso lhe causava alívio, mas por outro lado ele desapareceu de vista logo depois de produzir um dos sons mais horrendos que já escutou, levando Lucy junto. Isso era preocupante. Estava angustiada; não sabia se a amiga estava viva ou morta. Não sabia para onde ele havia ido. E ainda tinha Wendy inconsciente em seu colo.

–Ai! – reclamou Sting, tanto para tentar quebrar o clima tenso quanto por lamuria mesmo. – Esse som é horroroso.

–Não foi um som, foi uma suplica. – foi a primeira vez que Minerva falou. Ela não havia se pronunciado contra ou a favor da Fairy Tail dês de que chegaram. Nem se quer protestou ou contestou alguém. Aparentemente tinha aprendido a respeitá-los, porém sua fala fez com que todos dirigissem sua atenção a ela. Vendo o pedido de explicação nos olhos de todos resolveu expor o pensamento. – Já morei no campo uma vez. – começou com o olhar vago se recordando. –Às vezes, íamos para os rios nas florestas pegar alguns peixes ou pequenos animais. Quando um lobo ou qualquer outro animal caia em armadilhas de caçadores ilegais eles tentavam fugir. Obviamente quando davam sorte de escapar eles sempre saiam feridos e alguns tão absurdamente machucados que não conseguiriam mais sobreviver. Então, eles se deitam em meio à floresta e uivam pedindo clemência. Revelam sua posição para outro animal, para que eles o matem e acabem com seu sofrimento. Esse é um pedido de suplica.

Não tiveram muito tempo para processar a informação. Ouviram os pés dos soldados marchando em direção a cede emergencial da Saber. Como sempre! Bastava uma energia maligna se manifestar e o conselho vinha como um bando de moscas atrás da luz.

Todos se olharam, e lá fizeram um acordo silencioso. Iriam proteger Lucy deles, estando viva ou não. Fariam isso em memória de alguém que transformou grande parte de suas vidas.

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Mergulhou no ar indo para fenda entre duas montanhas e aterrissou em frente à abertura de uma caverna a qual não ia há muito tempo. Aquela cadeia de montanhas abrigava em seu interior um pequeno segredo. Adentrou em meio à caverna cheia de cristais enormes que formavam as paredes, chão e teto; entre os veios no interior dos cristais enormes, havia algumas gemas de pedras preciosas como rubis e esmeraldas. A intensa atividade vulcânica e mágica na região há milênios atrás formou aquela caverna de cristais transparentes meio amarelados.

Nada feito pelo homem conseguia quebrar os cristais e retirar seus tesouros; nem mesmo magia. Os cristais eram tão duros quanto diamante, e magicamente encantados também. Tudo que era posto lá dentro não perecia; jamais envelheceria enquanto estivesse no interior da caverna. Uma propriedade mística adquirida em sua formação há milênios. Muitos homens já tentaram arrancar seus tesouros aqui, mas ninguém nunca conseguiu. Com o tempo o lugar foi se tornando perigoso demais para ser explorado devido às encostas íngremes, e a história da caverna de jóias foi perdida. Aquele se tornou um lugar isolado e perfeito para o descanso eterno do corpo de Lucy, o qual iria velar para sempre.

Ao parar no centro da caverna inóspita, foi se destransformando lentamente, até atingir a forma humana, com o corpo mórbido nos braços. Não ligou para o fato de estar nu, já que suas calças se rasgaram quando se transformou. As lagrimas ainda desciam de seus olhos descontroladamente e ele não possuía nem vontade e nem forças para detê-las. Caminhou lentamente pela caverna, chegando em um cristal que se formava quase na horizontal, tornando-se quase uma mesa, um altar o qual depositou o corpo de Lucy.

Os soluços começaram a ecoar por todo o local e as lagrimas, lagrimas sofridas que jamais parariam de cair, ficaram incontroláveis e torrenciais. Debruçou sobre o corpo sem vida escondendo o próprio rosto no pescoço mais pálido do que gostaria, e se deixou levar pelos soluços que sacolejava seu corpo e o dela.

Chorou como um menino, alguém que tinha perdido tudo e não ligava para isso. Seu ego ou orgulho de nada valiam; Chorava sim sobre o corpo da mulher que amava, com raiva de si mesmo por ter sido incapaz de protegê-la; Por não ter escutado seu instinto quando era para ter ficado ao seu lado. Sentia-se um incompetente; um inútil!

Tanto poder e pra que? Como gostaria de não ter mais esse poder. Como gostaria de ter morrido com ela. A sede por poder que um dia teve estava sendo seu carma e seu carrasco. Estava morto por dentro mais não poderia morrer de verdade. Era imortal no fim das contas, e não existia nenhum ser no mundo mais poderoso para tirar-lhe a vida. Tinha se tornado tão poderoso que nem mesmo seu antigo amigo fardado a usurpar a essência vital das pessoas a sua volta poderia usurpar-lhe a sua.

Não soube por quanto tempo ficou lá, chorando, mas quando finalmente levantou o rosto, colocou ambas as mãos nas bochechas que antes corariam e olhou para os olhos fechados que jamais iriam se abrir, não se importando quando suas lagrimas caíram sobre o rosto mais lindo que já vira. Abriu a boca para falar, mas foi embargado por soluços. Engoliu um pouco do nó que lhe sufocava antes de conseguir fazer um fio de voz sair.

–Me desculpe... – implorou, sabendo que talvez ela jamais ouvisse ou o perdoasse.

Afastou-se um pouco do corpo velado e deixou que o calor lhe atravessasse a coluna, se transformando outra vez lentamente. O azul já havia retornado a seus olhos, mas não a suas escamas e, mesmo assim, era um azul escuro e opaco, banhado com suas lagrimas de agonia. Enrolou-se envolta do pequeno altar e fechou os olhos desejando que aquilo fosse um pesadelo, mas sabia que não era.

Mesmo de olhos fechados, as lagrimas passavam torrenciais por suas fendas nas pálpebras. Velaria o corpo de Lucy; vigiaria seu descanso eterno para sempre e sofreria sozinho, em silêncio.

Ficaria lá pela maldita eternidade que possuía, até que alguém poderoso e misericordioso lhe desse a honra de perder a vida. Aguardaria em purgatório pelo dia que a veria de novo, imploraria por seu perdão e só a faria sorrir para todo o sempre.

E assim foi...

Os dias foram se tornando semanas e as semanas se tornaram meses. A cada dia sua dor aumentava e jamais cessava. Cada vez que olhava para o corpo do anjo conservado pelos cristais se lembrava da felicidade única que lhe era proporcionada, e sua agonia aumentava. Chorava até não ter mais lagrimas para chorar, e não se penalizava por isso. Não se penalizava por parecer um garoto chorão; as lagrimas eram a única coisa que o fazia melhorar. Fazia-o expulsar uma mínima parte da dor.

Jamais saia da caverna, e jamais deixava de olhar e velar o corpo de Lucy. Não comia ou bebia, e nem precisava. Seu corpo poderia usar a própria magia como fonte de energia, além de que, não conseguia comer ou beber. Queria poder morrer de fome, mas também não podia. Não tinha animo. Seus pensamentos não existiam e quando existiam apenas traziam mais agonia.

Em dado momento, que não soube qual, Lahar descobriu sua posição e levou tropas do conselho mágico para as montanhas. Nenhuma guilda forneceu a ajuda solicitada em nome do Luto da Fairy Tail. Assim que ouviu o marchar dos homens se aproximar, não fez muito esforço. Usou seu próprio corpo para bloquear a entrada da caverna, deitando-se enquanto permanecia olhando para Lucy. Ouviu Lahar ordenar que atacassem com os canhões mágicos, e sentiu os ataques em suas costas, mas não se moveu ou revidou. Não faria diferença, os ataques não atravessariam suas escamas e nem chegavam a lhe provocar qualquer dor.

Ficou algumas horas assim. Lahar ordenava que atacassem com tudo, enquanto permanecia olhando para o corpo falecido de Lucy, esperando que ela levantasse e dissesse: “Ei, já me recuperei!” Mas não iria. Em um dado momento dos ataques inúteis e incessantes em suas costas, Lahar mandou que recarregassem com tudo que poderiam nos canhões. Foi ai que decidiu se mover, colocando parte de sua cabeça para fora e olhando direto para Lahar.

Quando viu o movimento, o conselheiro pensou seriamente que Acnologia iria atacar, mas não. Ele o olhou nos olhos e, quando viu aqueles olhos enormes, foi incapaz de mandar que seus homens atacassem, e, mesmo que mandasse, eles não seriam capazes de obedecer. Era tamanho o sofrimento e a agonia nos olhos daquela fera, que fez com que todos partilhassem uma dor que nem sabiam a causa e a razão. Tinham sido enviados ali para matar uma besta, um monstro; mas o que encontraram já estava morto.

O que havia restado de alma naquela criatura era o mesmo que sobrava de um vilarejo após uma guerra. A única coisa que viam naqueles olhos era sofrimento. Acnologia voltou a bloquear a porta com suas costas, e Lahar e seus homens partilharam em um olhar silencioso o pacto que fariam. A fera havia fugido com o corpo de Lucy Heartphilia, e não haviam encontrado nenhum indicio de para onde tinham ido; essa seria a explicação que o conselho iria ouvir.

Não havia sentido em tentar atormentar alguém que já sofria de tamanha tormenta. Se aquele grupo de soltados tivesse em condições de matá-lo, o Rei dos Dragões pediria como favor e clemência ao seu sofrimento.

Foram embora no dia seguinte, deixando a pobre criatura com sua agonia.

E deste dia mais tempo se passou. Não queria e nem se preocupava em saber quanto tempo estava lá, se martirizando, mas sabia que era mais de um mês... talvez dois. Não conseguia parar de pensar nos sorrisos, na voz gentil. Era estranho. As pessoas dizem que você passa a dar mais valor quando perde, mas e as pessoas que perdem aquilo que já valorizam? Pois é. Não difere muito. Você sente o mesmo rombo, a mesma sensação de impotência, e, apesar de ter mais lembranças do que um desvalorizador, elas nunca serão o bastante. Lembranças apenas inspiram, te fazem dar breves sorrisos, mas elas não saciam; não sentem sua dor e jamais conseguem superar a dureza da realidade.

Talvez Shakespeare e Dante tenham razão: O inferno está vazio, e os demônios estão aqui em cima; O inferno é a própria Terra.

De fato, a realidade nunca será o bastante para aqueles que perderam sua capacidade de entrar na fantasia. Lucy era sua fantasia, e agora com ela morta, que objetivo teria?

Em meio a mais lágrimas que escorriam por seus olhos enormes e sem brilho, pode ouvir passos retumbantes pelo chão de cristal. Abriu-os, erguendo a cabeça e assim que viu o dono dos paços cerrou os dentes. Circundou mais firmemente o pequeno pedestal com o corpo mórbido. Mesmo morta ainda sentia que era seu dever protegê-la, velando seu descanso eterno.

–Veio rir de minha desgraça? – acusou, a voz saindo mais ríspida e gasta que antes, devido a vários meses sem emitir um som, alem de soluços e rugidos agonizantes.

–Não me lembro de termos virados inimigos Acnologia. – murmurou a voz feminina.

Cerrou os olhos em direção a humana.

–O que quer aqui, Shinuky?

“A pergunta que me deixa abatido; Terei eu, ou os outros enlouquecido?”

Notas finais
Oi de novo. Eu queria agradecer aos O.O 40 comentários no SS no ultimo cap. Responderei agora cada um deles com carinho. (pode demorar um pouquinho hehe) E tambem queria agradecer aos 13 do Nyah. Amei muito. MAS, vamos ao que interessa. Eu disse que faria vocês chorarem neste cap, e então? como me sai? Vocês pensaram que eu não a tinha matado, não é. Pois é EU MATEI MUAHAHAHAHAHA. Eu avisei que não gostariam de me ver cruel. Continuem comentando que meu lado perverso vai embora. Está nas mãos de vocês kkkkkkk. Agora (em definitivo) terei uma linda beta (Aeehhhhhhh) Ela se ofereceu e estou muito grata com isso. Tenho outra noticia boa. O proximo cap ja está adiantado. Curtam o momento. Ultima coisa; estou recebendo uns comentários na minha primeira fic em Hiatos, a Make It Burn (postada só no Nyah) Pois é, eu parei ela. Não é em definitivo. Estou pensando em reescreve-la e recria-la daqui a um tempo. Mas dês de já aprecio o apoio. Até mais Bjs XD