A Arte do Caos
9 Cap 9: É agora ou nunca...
Notas iniciais
Povs autora on:
Os raios ensolarados do meio da manha, bateram nos olhos da maga loira, a obrigando a acordar. Soltou um suspiro frustrado sem abrir os olhos. Queria continuar dormindo, uma sensação de cansaço ainda se apoderava de seu corpo, sem contar que se sentia dolorida como um primeiro dia de levantamento de peso em uma academia. Não dói mais irrita.
Tentou se virar para ficar contra o sol e ganhar mais algumas horinhas de sono, mas algo a impediu. Ainda sem abrir os olhos, notou um peso enorme sobre seus seios. Subiu uma de suas mãos para coçar os olhos e finalmente os abriu, levando um susto.
Acnologia fazia seus seios de travesseiro enquanto dormia, e seus braços estavam jogados próximo a sua cintura, inclusive um deles sobre o seu seio direito que não era usado como travesseiro. Mesmo com os braços jogados de forma desleixada, ela tinha a impressão de que caso tentasse sair dali eles se fechariam a sua volta como aço, igual a aquelas típicas armadilhas de caçador.
Estava prestes a xingá-lo e estapeá-lo de todas as formas possíveis, quando notou um pequeno grande fato. Estavam nus.
As bochechas de Lucy estavam idênticas a cor de seu próprio sangue. Foi nesse momento que se lembrou de tudo que tinha feito, os toques as caricias.... tudo. A vergonha- pelo nudismo- e a tristeza tomaram suas feições.
Tinha certeza de que o amava, isso era um fato, caso contrario teria esperneando de todas as formas e nunca faria aquilo. Mas e ele? Obvio, ele tinha dito que a amava mas, e se estivesse mentindo na hora? Não sabia. As duvidas por mais que no fundo ela sentisse que seriam tolas eram prováveis.
Soltou um suspiro. Antes de mais nada precisava urgentemente de um banho para relaxar os músculos doloridos.
Tentou sair de fininho para tomar um banho, porem o fato que tinha sido anteriormente observado por ela, e que tinha esquecido, aconteceu. Os braços fortes se fecharam rapidamente a sua volta e um rosnado perigoso e amedrontador saiu dos lábios do Dragão.
Lucy voltou a observá-lo. Tinha feito isso enquanto dormia? Por incrível que pareça sim. Ao que parece em sua teoria mais provável, era que ele tinha pensado que algo tentava afastá-la dele. Voltou a analisar a situação. Agora estava definitivamente impossível de sair dali. Que irritante. Não podia nem mais sair da cama para tomar banho sem acordá-lo?
Isso era irritante, parecia que ela tinha que pedir permissão para ir tomar banho. Mas agora não tinha escolha.
–Acnologia...- sussurrou a loira cutucando seu ombro.
O Dragão soltou um pequeno grunhido e enfiou o rosto nos seios fartos enquanto a apertava mais contra si.
–Acnologia!- falou um pouco mais firme.
Ele nem se quer se moveu.
–ACNOLOGIA!-Gritou perdendo as estribeiras.
–O que?- falou em meio ao susto, e se transformando parcialmente, com leves escamas pelo corpo e fazendo com que suas asas aparecessem, e procurou um possível invasor. Quando constatou que não era nada se voltou para a maga.- Lucy, não me acorde assim!- murmurou emburrado, voltando a esconder o rosto.
Suas asas ficaram em posição de repouso e Lucy o olhou indignada.
–Eu tentei te acordar mais você continuou dormindo!- justificou.
Acnologia deu uma risada leve, e ergueu o rosto ao mesmo tempo que levava sua mão direita ao rosto da mesma.
–E eu nunca iria querer acordar agora que tenho você...!- falou de maneira gentil e ao mesmo tempo desejosa e lhe tomou os lábios.
Foi nesse momento que Lucy percebeu como suas duvidas anteriores eram ridículas. Podia sentir no fundo de sua alma, o amor e o carinho com o qual ele a beijava.
Quando o ar acabou, o Dragão lhe deu um selinho antes de se distanciar erguendo o tronco, jogando o peso para o braço esquerdo e observar com um sorriso nos lábios, o busto da loira.
As bochechas de Lucy voltaram a se tornar vermelhas como fogo, e tapou inutilmente os seios com os braços.
–S-seu tarado!- resmungou irritada e envergonhada.
Um sorriso caloroso se estampou nos lábios masculinos.
–Por mais que eu adore admirar seus seios Lucy, não é para eles que eu estou olhando agora!- murmurou sedutoramente com um sorriso ainda maior enquanto seu hálito batia com leveza na pele clara.
–O que... você...?- tentou formular.
A resposta veio mais ou menos como um beque, ao se lembrar dos dentes pontiagudos em seu pescoço, e da queimação em seu corpo. Por instinto levou a mão ao pescoço e se surpreendeu ao constatar que não tinha nada.
Em um pulo se levantou da cama e foi em direção ao espelho que havia no quarto. Assim que viu sua imagem refletida, seus olhos se arregalaram e sua mão começou a descer lentamente em direção ao busto.
Acnologia deu um pequeno sorriso de canto, se levantou indo em direção a maga, e a abraçou por traz colocando o queixo em seu ombro, o que fazia com que suas asas formassem um arco ao redor de ambos, de maneira quase protetora e graciosa.
–Espero que tenha gostado.- disse olhando o reflexo no espelho, enquanto uma de suas mãos vagueava pela cintura fina fazendo um carinho leve.- Consumiu quase toda minha magia!
Lucy não tinha palavras. Em cima do lugar onde estava seu coração, começava uma gloriosa e enorme marca de um Dragão negro, misturado com azul, o azul marinho que tanto amava. O Dragão estava deitado em cima de seu coração, bem acomodado em seus seios, as asas em posição de repouso, e sua calda descia passando por eles em direção ao seu ventre, como se estivesse balançando levemente. As feições eram calmas e serenas, mas seus olhos evidenciavam um destino doloroso a qualquer um que atrevesse a se aproximar.
–É... linda...- falou em um filete de voz enquanto passava os dedos por todas as linhas, para se certificar de que era realmente verdadeira.- Mas o que...?
–Ela vai lhe proteger Lucy.- Falou entendendo a duvida da garota que não tinha idéia de o que exatamente era a marca. Apenas tinha se encantado com ela.- Ela te torna minha para sempre, e ninguém poderá te tirar de mim!- Falou sem nenhuma tentativa de esconder sua possessividade.
A maga riu.
–Você é um pouco possessivo, não?- Falou tombando a cabeça para o lado e olhando em seus olhos.- Mas o que você quis dizer com...?
A interrompeu novamente prevendo a pergunta.
–Essa marca, Lucy, nos une para sempre. Você será apenas minha, assim como eu serei apenas seu. Eu não vou deixar que nada aconteça com você e sempre vou lhe proteger.- Murmurou acariciando de leve o rosto da mesma e desviando o olhar do espelho para os ombros finos.- Por essa marca, eu vou sempre saber como você esta....- falou erguendo uma das mãos e a passando pelo Dragão, sem malicia, enquanto seus lábios eram entretidos pelo pescoço alvo.- Eu vou sentir o que você sente, e sempre vou saber se tem algo errado, vou saber seus medos, e ela sempre vai lhe proteger com meu poder e minha fúria, caso algum idiota tente algo.- Falou fazendo a maga rir ao mesmo tempo que lavava uma das mãos ao cabelo macio o acariciando.- Você é dona do meu coração Lucy... Se você morrer, eu também morrerei e vice versa.- Terminou a virando para si enquanto a embrulhava ligeiramente com suas asas e segurava seu queixo, e ao mesmo tempo que ela abraçava seu pescoço o olhando nos olhos.- Você é a única pessoa que eu amo e que amarei na vida!
Quando estava prestes a tomar os lábios finos e sedosos....
–AHHHH ATE PARECE QUE VOCÊ É UM SANTO!- Gritou Shinuky abrindo a porta enquanto, provavelmente, xingava Zeref que estava no andar de baixo.
Assim que pousou os olhos no recente casal nu a sua frente, suas sobrancelhas se ergueram e ela franziu os lábios. Lucy deu um mini gritinho e puxou uma das asas de Acnologia para se cobrir, enquanto o mesmo fuzilava de maneira assassina a recém chegada.
–VEM CÁ POR QUE TODA VEZ QUE A GENTE SAI ACONTECE ALGUMA COISA INTERESSANTE?- Gritou de volta para o moreno enquanto fechava a porta.
–O QUE SERIA?- Puderam ouvir a voz do moreno gritando La de baixo antes que a porta fosse fechada.
Normalmente Acnologia teria conseguido sentir o cheiro da presença dos dois, mas seu faro estava tão entretido em sentir o de Lucy que nem se quer tinha percebido.
Um ligeiro rosnado saiu de seus lábios. Não queria visitas agora, principalmente essas. Lucy riu.
–Calma Acno.- Murmurou voltando a por os braços finos ao redor de seu pescoço, e escondendo o rosto em seu peito.- Vamos ver o que eles querem!
O Dragão estava prestes a reclamar, mas...
–Acno?- repetiu com um sorriso simples enquanto via as bochechas ficarem incrivelmente vermelhas, e ela se enterrou mais em seu peito.
–Seu nome é muito grande, e eu achei fofinho!- Falou sem graça e corando ainda mais.
–Hum, eu gostei!- Constatou puxando seu rosto para cima. –Mas somente você poderá me chamar assim!- Falou lhe dando um beijo.
–Vamos por uma roupa!- disse saindo de seus braços e indo em direção ao armário.
–Ahhh mais eu prefiro assim!
–ACNOLOGIA!- Falou constrangida.
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Agora, devidamente vestida com um short e uma regata, Lucy desceu para o segundo andar da casa, junto com o Dragão, também vestido. Chegando lá encontraram Shinuky assaltando os últimos alimentos na geladeira e Zeref deitado no sofá lendo um dos poucos livros que Lucy tinha trago.
–ALELUIA!-disse Shinuky fechando a porta da geladeira e se dirigindo a sala com alguns alimentos em mãos.- Pensei que tivessem ido se divertir outra vez!- falou mordendo uma maçã.
Lucy corou.
–Shinuky, não seja grossa.- interveio Zeref sem tirar os olhos do livro- Se eles estivessem fazendo isso eu já teria ido embora!- terminou friamente.
Lucy ficou vermelha como nunca na vida enquanto retorcia os dedos da mão de vergonha e irritação. Um rosnado ecoou em represália aos dois.
– Parem com isso idiotas.- resmungou.- Nós decidimos o que fazemos com o nosso tempo, não vocês!
O comentário não ajudou a maga em nada.
–Ta ta, grande coisa.- falou Shinuky mordendo novamente a maçã.- Viemos aqui para nos despedir e você fica ai, a agarrando depois de marcá-la!- Disse ao se jogar no sofá acusando Acnologia.
Lucy ficou ainda mais rubra.
–Como sabem disso!- perguntou timidamente e envergonhada.
–Você acha que ele teria ido para a cam....
–Shinuky.- falou Zeref finalmente fechando o livro. Ela tinha o péssimo habito de falar tudo, ate o que não devia, sem um pingo de vergonha.- Da para ver uma parte da marca. A regata não cobre tudo!- disse descaradamente.
Lucy ficou ainda mais envergonhada e suas bochechas estavam em chamas. Acnologia soltou outro rosnado grave repreendendo-o.
–O que eu ia falar ia apenas constrange-la, e não deixá-la vermelha e o outro ali com ciúmes!- falou criticando Zeref.
–Ate parece que você iria fal...
–QUIETOS!- Falou Acnologia perdendo a paciência.- É por isso que eu não gosto de ficar perto dos dois!
–Não temos medo de você!- disseram em coro.
O Dragão bufou e foi para a cozinha.
–Então? Já decidiu que horas vai?- perguntou Shinuky mudando de assunto.
–Sim. A tarde. Minhas malas já estão prontas!
–Bom, então nós não temos muito tempo.- Falou se levantando do sofá e pegando algo no pequeno bolso da calça.-Toma!- falou lhe jogando o objeto.
Lucy o pegou em mãos. Era uma pulseira com um pingente dourado da Fairy Tail, a corrente era feira de ouro com algumas pedrinhas negras.
–Obrigada. Mas, por que está me dando uma pulseira?- questionou.
–Essa não é uma pulseira comum. Como eu e Zeref não podemos ser vistos, caso tenha algum problema pode usar essa pulseira para nos chamar!
Lucy abriu um pequeno sorriso.
–Obrigada. Aos dois!
–Não há de que!- Falaram ambos com um pequeno sorriso.
–Mais... então. Já decidiu o que vai fazer quando chegar lá...?
–Bem... não mas...- falou desviando o olhar para o chão.- Mais cedo ou mais tarde eu teria que voltar. Eu decidi que é melhor ir La e encarar isso sozinha agora do que mais tarde!
–E quem disse que você vai sozinha?- questionou Acnologia saindo da cozinha.
–Mas... eu vou sozinha...
–Não vai não.- negou prontamente Acnologia.- Eu vou com você!- afirmou.
Lucy arregalou os olhos.
–O QUE? Está doido? Sabe o que vai acontecer se eu chegar lá com você?- perguntou incrédula.
–Eles não vão saber.- falou.- Você não conseguiu me reconhecer na forma humana, eles muito menos!- esclareceu.
–É mais...
–Lucy querida,- falou Shinuky.- é só você mentir. Conta aquela mesma história de Dragão desaparecido, e diz que ele é Dragon Slayer. Pronto!- falou revirando os olhos como se fosse óbvio.
No fundo a Dragoa se preocupava que a mentira não resistisse ao tempo, mas seria muito pior se eles se afastassem. Caso eles tivessem que se encontrar, uma hora seus companheiros perceberiam suas “escapadas” ou seu cheiro mudado e a questionariam, e também caso ela ficasse grandes períodos longe de Acnologia, a marca poderia reagir de forma desagradável pela ausência de ambos. Sem falar que o Dragão estragaria tudo com os ciúmes excessivos.
–Mas... e seu nome?- perguntou ainda temerosa.
Caso ele fosse como mago para a guilda, ele teria de se apresentar.
–Um monte de pessoas nascem com nomes parecidos todos os dias. A única diferença é que o nome dele é temido e pouco comum!- respondeu novamente Shinuky com desdém.
–Mas...
–Chega de mas. – Falou Acnologia abraçando-a por traz.- Eu vou com você!- terminou com determinação.
–Tudo bem...- falou um pouco apreensiva pelo que poderia acontecer, mas animada por ele estar indo.- Vou pegar minhas coisas para irmos a estação!- falou saindo de seus braços e subindo as escadas velhas de madeira.
–Estação?- repetiu aterrorizado.
–É.- respondeu-o.- Como acha que iremos para Magnólia?
–Eu posso muito bem me transformar levar você voando!- respondeu.
–Não mesmo. Caso você não saiba, ninguém La esta acostumado a ver um Dragão gigante no céu!- Exclamou enquanto remexia as mãos para os lados e para cima.
–Pois agora vão ver!-disse cruzando os braços em desaforo.
–Se quiser ir, vai ter que ser de trem!- falou cruzando os braços também em desaforo.
–E depois eles dizem que nós discutimos muito!- Murmurou baixinho Shinuky para Zeref.
–Pois é. No fundo é eles que discutem como crianças!- Sussurrou de volta.
–É mais de uma coisa eu sei: Em brigas de namorados, mulheres vencem!- Falou baixinho em deboche enquanto ambos observavam a discussão.
–Dessa vez eu concordo!
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–N..não...a..acredito... que me fez... entrar nisso!- falou o Dragão verde dentro do vagão.
Os dois tinham acabado de entrar, e alguns segundos depois o trem se moveu. Acnologia se retorcia no banco ao lado da maga de uma maneira bem pior que os Dragon Slayers. Não entrava em um veiculo há séculos, e o fato de ser um dragão completo pioravam a sua “doença”.
–Calma.- falou Lucy com um breve sorriso. Já tinha se acostumado com isso a muito tempo.- Deita no meu colo!- Disse o puxando e o fazendo deitar.
Acnologia não resistiu. Faria qualquer coisa para sair daquele estado. Lucy enfiou as mãos nos cabelos exóticos e começou a acariciá-los. Por incrível que pareça, aquilo ajudava e muito.
Não sentia mais o gosto terrível de acido em sua boca, e o suor frio de seu corpo tinha sido reduzido drasticamente. Mas ainda sentia um leve desconforto do seu estomago se contraindo de maneira involuntária. Fechou os olhos deixando-se levar pelo carinho em seus cabelos, assim como deixou seus pulmões serem preenchidos pelo cheiro que ela emanava.
–Está melhor?- perguntou curiosa.
–Sim.- respondeu-a baixinho.- Obrigada!
–Não precisa agradecer. Já estou acostumada com isso!- Murmurou.
–Hm?- O Dragão questionou interessado.
–Natsu.- respondeu.- Ele ficava tão mal quanto você. Era um custo colocá-lo dentro de algo que se move.- comentou com um sorriso.- Geralmente, Erza tinha que nocauteá-lo, mas no inicio quando era só nós dois eu aprendi a lhe dar com isso!
Isso com certeza desviou o foco de Acnologia. Um rosnado grave ecoou enquanto ele cerrava os punhos. Mas continuou do mesmo modo temendo a volta do enjôo.
–Acnologia.- sussurrou de modo repreensivo.- Ele ainda é meu amigo!- Falou calma, e levemente compreensiva.
Shinuky tinha lhe dito que ele seria meio... radical.
O Dragão voltou a se acalmar se concentrando no carinho da loira. Não era justo ficar incomodado com isso. Por mais que se remoesse possessivamente por dentro, respeitava o direito dela de ter amigos. Sem falar que naquela época ela se quer o conhecia.
Lucy começou a cantarolar uma canção baixinho, e minutos depois ele adormeceu.
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–Calma, já estamos chegando!- informou-lhe a loira.
Lucy ajudava Acnologia a andar até seu velho apartamento. Tinham chegado pouco antes do anoitecer, e já se aproximavam da entrada do prédio. Aparentemente, os veículos incapacitavam mais o Dragão do que poderia imaginar.
Não foi necessário abrir a porta. A velha sindica e seu prédio estava lá para tirar satisfações.
–Lucy, você está me devendo 2 meses de aluguel.- vociferou.- Você apenas me deixou pago 6 meses adiantados, e ainda por cima aqueles seus amigos invasores entram lá quase todo dia. Principalmente o rosa!- continuou totalmente alheia ao fato de outra pessoa estar com ela.
–Desculpe!- murmurou baixinho enquanto abaixava a cabeça.
Por algum milagre ela não tinha pegado suas roupas como pagamento. Talvez por que as que tinham ficado não eram muito boas para si.
–Mas, não sou um monstro. Ao menos você voltou. — Disse com um pequeno sorriso nos lábios gastos. Por mais que a loira fosse inadimplente ela era uma ótima pessoa e uma ótima inquilina. Não dava muitos problemas. — Você acabou de chegar de viagem, por isso vou lhe dar até o fim da semana para me pagar tudo!- falou e logo em seguida se retirou.
–Obrigada!- falou a loira mesmo sem saber se foi ouvida.
Com um pouco de esforço, ajudou Acnologia a subir as escadas, entrou em deu apartamento e o jogou na cama para que se recuperasse enquanto ajeitava suas coisas.
O Dragão fechou os olhos enquanto se recuperava. A seção de tortura tinha acabado, mas seu estomago ainda revirava um pouco. Respirou fundo logo sendo empalado pelo cheiro do local. Tinha o cheiro de Lucy impregnado nas paredes e um toque muito bom de barro velho e lenha, que lhe dava a sensação de aconchego. Mas uma coisa o incomodou.
Tinham outros cheiros, mais fracos no local. Tres femininos e 3 masculinos. Um era um cheiro de metal misturado com sol. O outro era de livros velhos e estava misturado com outro cheiro de leve, provavelmente de alguém que passava o tempo com ela, seja quem for cheirava a ferro e aço. O terceiro era mais brando, cheirava a uma brisa silvestre e dava uma impressão bem infantil... devia pertencer a alguém mais jovem.Tinha um que cheirava a algo semelhante a hortelã. De qualquer forma era tão frio que quase queimava seu nariz.
Mas tinha um dentre os outros cheiros que lhe incomodava. Ele era mais forte que os outros. Era parecido com orvalho e... Trincou os dentes. Era orvalho e fogo. Um cheiro bem semelhante ao de Igneel.
Ignorou se concentrando no cheiro de Lucy. Não poderia culpá-la ou fazer algum tipo de afirmação com base nisso, afinal o cheiro estava mais fraco... de cerca de três dias.
Sentiu raiva dos odores masculinos, mas a curiosidade em sua mente era implacável.
–Lucy,- Chamou.- Por que tem um tanto de cheiros de pessoas diferentes aqui?- perguntou virando a cabeça em sua direção.
–Hum?- A maga pensou um pouco para compreender.- Malditos.- Murmurou quando compreendeu. Acnologia franziu o cenho.- São os membros do meu time. Provavelmente invadiram minha casa enquanto estive fora. Sempre fazem isso!- explicou.
Acnologia apenas soltou um grunhido praticamente inaudível. Essas invasões iriam acabar rapidinho. Mulheres tudo bem mas os homens passariam longe.
Depois de alguns minutos, seu estômago voltou ao seu estado original. Se levantou e foi aé a cozinha ver o que Lucy estava fazendo. Ao chegar lá se deparou com ela revirando o que tinha sobrado no armário com uma careta.
Aparentemente somente os itens enlatados tinham sobrevivido. O resto ou tinha sido comido pelos visitantes inconvenientes ou estavam fora da validade.
Teria de ir a guilda, tanto para comer algo quanto para voltar a ativa e apresentar Acnologia como novo membro.
Estremeceu ao se lembrar desse detalhe. Esse planinho de Shinuky poderia dar completamente errado. Estava perdida.
–Vamos ter que ir a guilda!- murmurou para o Dragão como se tivesse levado uma facada.
O Dragão riu do temor da loira e a puxou para seus braços lhe dando um beijo.
–Não se preocupe. Vai dar tudo certo!- consolou.
Ele a soltou mas permaneceu com o braço firme em torno da cintura fina a puxando para a porta junto consigo. Não demorou mais do que 15 minutos.
Lucy estremeceu quando viu os largos portões de madeira, e ouvia os murmúrios das conversas no interior. Respirou fundo e abriu a porta.
–TADAIMA!
“Violência gera violência que gera ódio que trás a guerra, que gera violência e mais ódio e a reação só continua aumentando! Isso é um fato...e a humanidade ja fez tantas guerras contra si mesma que o amor foi extinto!”
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