A Arte do Caos
10 Cap 10: O nome...
Notas iniciais
O silencio reinou no hall da guilda...
–LUCYYYYYYY!- Gritaram todos ao mesmo tempo que pulavam em cima da maga.
Todos caíram no chão em cima da mesma como se jogassem futebol Americano.
–Pre... pre-ciso... de a-ar!- Murmurou sem fôlego com o rosto meio roxo.
Todos saíram de cima da maga às pressas para não matá-la.
–Lucy.- exclamou Erza a abraçando assim que ela se levantou.- Por favor... Por favor não faça isso outra vez!- sua voz estava embriagada e sôfrega. Colocou uma mão em cima de cada ombro da loira, se afastando um poço para olhá-la com os olhos arrependidos.- Me perdoe por favor, Lucy? Estávamos tão preocupados com as coisas depois dos jogos que...Deus! Eu nem pude ver como você estava!!!- falou indignada consigo mesma e coçando os cabelos.- Por favor Lucy, me perdoe?
Quando ela fez menção de se ajoelhar a Maga segurou seus ombros.
–Não se preocupe Erza.- falou com um sorriso surpreendendo a todos.- Não há nada que tenha que ser perdoado. Eu só... estava confusa e precisava por a cabeça no lugar!
Os olhos da ruiva marejaram.
–Obrigada Lucy!- falou ternamente agradecida a abraçando novamente. Não importava o que fosse, a Maga Celestial da Fairy Tail tinha um coração bom até demais para merecerem.- Depois você vai me contar tudinho!- Sussurrou em seu ouvido com a voz habitual.
–Lu-chan!- falou a baixinha abrindo caminho com os cotovelos.- Nunca mais suma desse jeito sem avisar!- disse raivosa, mas depois baixou o olhar triste.- Eu fiquei preocupada...- murmurou.
–Me desculpe Levy-chan!- pediu a loira sorrindo amarelo.
–LUCEEE!- O rosado gritou indo ao seu encontro de braços abertos enquanto derrubava todos pela frente.
Segundos antes de abraçar Lucy, um braço musculoso passou envolta da cintura fina a puxando para o lado e fazendo Natsu dar de cara no chão.
Suspirou. Não precisava olhar para saber quem era.Aquela possessividade excessiva seria um problema agora.
Acnologia fuzilava o Dragon Slayer com os olhos. Meninas tudo bem, mas meninos fora de cogitação. Tudo bem, fazia meses que eles não se viam e um abraço não significaria nada, mas vá dizer isso aos seus instintos. Não iria nem tentar impedir a marca de repeli-lo.
–Itai.- resmungou com a mão no nariz.- QUEM VOCÊ PENSA QUE É MALDITO!- Gritou Natsu com raiva enquanto se levantava com fogo nos punhos.
Somente neste momento as pessoas perceberam outra presença que tinha chegado junto com Lucy. Todos estavam um pouco surpresos. Dês de quando a maga permitia que alguém lhe segurasse pela cintura com tamanha possessividade? A resposta era obvia o que deixou todos curiosos.
–Lu-chan, quem é esse?- interveio com curiosidade.
Viu que o desconhecido lhe olhou de soslaio com aqueles olhos Azul escuro, que lhe davam um ar assassino e intimidador. E tudo piorava com o cair da noite lhe deixando ainda mais... assustador. Um calafrio de medo percorreu a coluna da pequena que se encolheu quase se colocando atrás de Gajeel. O Dragão do ferro estava sério e com os músculos tensos, mas não fazia nada. Seu instinto lhe dizia que era para temer aquele sujeito.
–Ah!- exclamou um pouco atordoada e nervosa.- Este é um mago que conheci durante o treino, Acnologia!- falou suando frio.
Surpreendentemente sua voz saiu mais firme e tranqüila do que esperava.
Todos congelaram. Como ela pode estar tão tranqüila ao lado dele? O Dragão tinha tentado matá-los a anos. Mas, espere, ele não é um Dragão.
Não me leve a mau...- começou Erza o analisando.- Mas seu nome é bastante incomum!
Acnologia a olhou com desdém. Sabia que se quisesse ficar ao lado de Lucy teria que inventar uma história, assim como Shinuky tinha dito. Sorriu internamente. Se há algo que aprendeu com os anos foi mentir.
–Está se referindo ao Dragão Rei?- questionou-a calmo e sem muita expressão. Erza apenas travou a mandíbula.- Me deram esse nome por que disseram que minha magia é semelhante a dele!-falou dando de ombros sem se importar.
Lucy quase o olhou incrédula. Ele era muito bom nisso.
Erza refez sua compostura e perguntou com curiosidade e desconfiança.
–Que tipo de magia você usa?
Sua voz saiu firme e desdenhosa.
–Dragon Slayer, por que?-Devolveu.
Era parcialmente verdade. Já foi um Matador de Dragões, mas agora era um dragão puro e poderoso, mas teria de fazer fachada.
Todos arregalaram os olhos. Principalmente os outros Dragon Slayers.
–Oe, como você conseguiu se tornar um Dragon Slayer?- Perguntou Natsu com os olhos arregalados de choque.- Que Dragão te treinou?- Falou tentando se aproximar alguns passos.
Acnologia o fuzilou com os olhos ordenando que ele ficasse quieto. Ao contrario de Natsu, ele tinha memória boa. Aquele era o filho de Igneel, o Rei dos Dragões de Fogo. Ele que invadiu a casa de Lucy junto com outros ali. Conteve o rosnado se limitando a responder sem humor.
–Eu não fui treinado por um Dragão garoto.- Todos entraram em choque e, antes que perguntassem, completou.- Eu nasci com esses poderes, e aprendi a controlar e usar com o tempo...- “E lutando com outros Dragões”, pensou. Mas eles não precisavam saber disso.
Essa meia verdade bastava.
–Humm, um Dragon Slayer...?- Se pronunciou o mestre, sério, que observava tudo.- Seja bem vinda de volta Lucy.- sorriu ternamente.- Vamos por o assunto em dia. Venha, vamos a minha sala. Traga seu amigo também por favor!- Falou entrando na guilda.
Os dois seguiram o velhinho até o segundo andar, passaram por uma porta de madeira maciça que guardava uma sala simples com uma mesa cheia de papeis e 3 cadeiras.O Mestre fechou a porta pesada assim que entraram e se dirigiu ao outro lado da mesa.
–Lucy, fico feliz que tenha voltado.- disse o mestre sorrindo.- Espero que tenha feito bom proveito de seu treino!
–Hai.- sorriu de volta.- Foi muito bom para mim!
–Que bom. Não esta mais triste como antes. Este tempo lhe fez bem.- afirmou sorrindo, mas logo suas feições ficaram mais sérias.- Acnologia, não é?
O Dragão cerrou os olhos.
–Hai!- respondeu.
O mestre abaixou a cabeça, coçou os cabelos e voltou a encará-lo.
–Sou um velho que já teve vários ossos quebrados, então por favor, da próxima vez não me atire contra arvores e montanhas ou tente nos explodir!- Falou sem animo.
Acnologia e Lucy arregalaram os olhos estupefatos.
–Você...- começou o Dragão.
–Claro que sei.- Falou.- Pensou mesmo que eu iria esquecer da maior criatura que já vi? E ainda por cima que me deu uma surra? Me lembro do seu poder mágico como a palma da minha mão.- gesticulou.- Posso ser velho mas ao contrário de alguns pirralhos lá embaixo minha memória é muito boa!
Nem a maga ou o Rei sabiam como rebater isso. Iria dar tudo errado no final? Iria sofrer novamente?
–Mestre, eu posso expli...- começou Lucy em desespero.
–Não a nada que tenha de ser explicado, minha filha.- Interrompeu-a com a voz calma.- Eu vi o que aconteceu nos portões da guilda. Consigo sentir uma parcela do poder mágico dele,- disse apontando para o Dragão e em seguida para seu busto.- dentro de você. Bem em cima de seu coração. Suponho que tenha colocado esta blusa de mangas para cobrir a marca e evitar questionamentos assim que chegasse!
Lucy baixou o olhar com as bochechas coradas. Não sabia que aquele velhinho tinha tanto conhecimento. Mesmo assim respondeu.
–Eu queria contar aos poucos...- sussurrou baixinho.
–Fez bem em inventar uma mentira e dizer que era um Dragon Slayer.- Disse o mestre se dirigindo a Acnologia.- É melhor manter o que você é em sigilo. Dês de que consiga segurar seus poderes ficará tudo bem!
–Mestre...- exclamou Lucy alegre mas ao mesmo tempo duvidosa.
–Entenda Lucy, eu não gosto de guardar segredos como esse, ainda mais de meus filhos.- Murmurou dando a volta na mesa e parando a sua frente.- Mas, quem sou eu para tirar a felicidade de uma das pessoas mais gentis que conheci. Apenas me responda,- encarou-a seriamente.- você o ama e confia nele?
–Mas é claro que sim.- respondeu firme olhando para Acnologia.- Ele é chato e irritante as vezes mas...
–Hei!!!- protestou, mesmo que seu coração derretesse com as palavras dela.
–Eu o amo!- terminou.
O velhinho a olhou nos olhos. Nunca os tinha visto tão alegres e decisivos.
–Para mim é o que basta então!- respondeu voltando para traz da mesa.- Lucy, poderia descer e chamar Mira. Diga a ela para trazer o carimbo. Temos um novo membro!
A loira correu até o baixinho e o abraçou com força.
–Obrigada Mestre!- Falou com mais alegria do que nunca.
–Tudo bem, tudo bem. Não precisa agradecer. Se você esta feliz então vou ajudar!
A maga sussurrou mais um obrigado e saiu da sala para chamar Mirajane.
–Para alguém que tem o nome como mau presságio você a fez ficar mais feliz do que eu jamais vi!
O Dragão sorriu.
–Eu me esforço.- esboçou um sorriso.- Não vou deixar que ela fique triste de novo!- terminou ameaçador.- Você merece o titulo de Mago Santo por conseguir sentir minha magia dentro dela. Como sabe a respeito das marcas?- questionou curioso.
O mestre deu de ombros.
–Depois que Wendy entrou na guilda, eu comecei a me interessar pelos Dragon Slayers. Estavam ficando mais numerosos para uma magia tão rara. Procurei mais na biblioteca reservada do conselho sobre essa magia. Os livros não auxiliam muito. Só informam algo básico sobre isso. Cada Dragão ou Dragon Slayer, que no caso herdaram essa característica por causa da magia, tem uma parceira.
“No caso dos Matadores de Dragões essa herança pode nunca aparecer, ou eles podem, em casos raros, renegar esse ‘fardo’. Mas com Dragões é diferente, não é mesmo?Quando um Dragão encontra a sua parceira ela se tornará seu único ponto fraco, em compensação seu poder se torna quase ilimitado para defendê-la. São ligados de maneira eterna de forma que se um morrer o outro também morrerá, o que também o torna um laço incorruptível. O Dragão jamais poderá ou conseguirá machucar sua companheira, fazendo assim com que ela seja a única que poderá parar ou subjugar seu poder.”
Acnologia ergueu as sobrancelhas.
–É, você sabe apenas o básico. Mas sabe mais do que qualquer outro humano!- respondeu-o.
–Então há mais, assim como eu suspeitava.- Falou pensativo. Em seguida suspirou.- Devo presumir então que uma parte de minhas teorias esteja certa...
–Teorias?- repetiu curioso.- Você tem teorias?
O velhote deu de ombros.
–Você tem seus segredos, Acnologia, também tenho o direito de ter os meus.- falou.- Sei que não vai me dizer mais nada a respeito da marca, por mim tudo bem. Mas lhe aviso: Estou lhe dando essa chance por que nunca vi Lucy tão feliz, e não quero vê-la pior do que estava a meses atrás. Porem, se magoá-la ou fizer mal a algum de meus filhos, não importa como eu irei te matar!- ameaçou.
O Dragão fechou os olhos, respirou fundo e soltou o ar, abrindo os olhos novamente.
–Eu compreendo Macarov.- falou paciente.- Existem muitas conseqüências ao se magoar uma parceira.- explicou.- Mas não é por que não quero enfrentá-las que não vou magoá-la. É por que apenas por imaginar isso eu sinto o inferno a minha volta. Todas as pessoas lá embaixo são amigos de Lucy. Pessoas importantes para ela. Logo machucá-los seria magoá-la e isso é algo que nunca farei. Não se preocupe com isso.- Lhe garantiu.- Preço desculpas por aquilo que fiz no passado, e não espero que acredite ou confie em mim. Mas também tenho um aviso a dar: Se alguém machucá-la eu não vou medir esforços para aniquilar quem quer que seja! Ele passou a mão pelos cabelos brancos e respondeu.
–Eu entendo, mas não acho que tem alguém aqui com a intenção de machucá-la ou algo do gênero. – Declarou. Acnologia não disse nada, apenas assentiu. O mestre sabia que ele não lhe diria as tais conseqüências.- De qualquer forma, peço que mantenham esse segredo. Não seria bom que o conselho descobrisse!- pediu.
–Não se preocupe. O segredo será bem guardado!- Afirmou.
A porta se abriu e as duas magas entraram. Mira sorria de leve, mas o analisava criteriosamente com os olhos. Lucy já sorria mais abertamente.
–Prazer em conhecer, Acnologia-san.- cumprimentou Mirajane com um sorriso, enquanto possuía o carimbo nas mãos.- Onde gostaria que eu colocasse a marca?- perguntou educadamente.
O Dragão pensou por um instante e optou por um lugar qualquer de fácil acesso.
–Pode ser no braço esquerdo! – respondeu apontando.
Nunca teve interesse em entrar em uma guilda; mas aquele lugar era importante para Lucy então entraria. Era um bom lugar. A maioria ali não aparentava ser falso ou ter algum interesse. Conseguia sentir e vê-los o analisando de forma discreta, apenas para ver quem era o desconhecido, e não como se fosse um novo adversário ou inimigo.
Se as pessoas dali fossem realmente amigáveis e sinceras como Lucy dizia e elogiava, seria fácil descobrir quem a magoou, já que a maldita da Shinuky não lhe disse uma palavra.
Sentiu a pressão suave do carimbo sobre sua pele, que instantes depois foi removido. O carimbo mágico colocava a cor que você pensasse na hora. Não estava pensando em nada, e por um milagre a marca saiu na cor azul que Lucy sempre dizia que gostava em seus olhos. Sorriu por dentro enquanto olhava para o ombro esquerdo.
Assim que terminou, Mirajane saiu para guardar o velho carimbo outra vez, deixando os 3 a sós.
–Bem, creio que tudo já foi esclarecido. Desçam os dois. Tenho certeza que todos estão com saudade e curiosos!- falou balançando as mãos para que saíssem.
–Obrigada Mestre!- agradeceu Lucy novamente indo em direção as escadas e sendo seguida por Acnologia.
Desceu as escadas velhas e ao chegar ao saguão e foi cumprimentada e abraçada por todos outra vez. Algumas pessoas brindavam e comemoravam seu retorno, enquanto as outras tiravam satisfações e lhe desejavam boas vindas.
Acnologia ficou pouco atrás dela esperando o alvoroço de comprimentos terminar. Minutos depois Lucy se virou para ele e o chamou com a mão para que pudesse se apresentar.
Caminhou ate o pequeno grupo de pessoas parando ao lado de Lucy.
–Minna,- começou a maga com entusiasmo.- Este é Acnologia. Eu o conheci durante o meu treino!- complementou.
Meio incerto do que dizer ou fazer o Dragão apenas ergueu a mão e disse:
–Prazer!- murmurou.
Todos sorriram e brindaram comemorando outro membro na família. Acnologia ficou surpreso. Esperava pelo menos que lhe fizessem algumas perguntas antes de... comemorarem.
Lucy sorriu e o puxou pelo braço para apresentar seus amigos. Ele tentou ao menos ser simpático. Minutos depois Natsu e Gray começaram a brigar por algum motivo banal e toda a guilda foi envolvida. Não sabia como, mas de repente ele notou que tinha entrado também e que distribuía socos em várias pessoas desconhecidas.
Bufou tomando consciência do que fazia e voltou a se sentar ao lado de Lucy que ria desenfreada. Suas bochechas coraram e ele virou o rosto emburrado.
–Acno, não fique assim. Viu? É divertido!- falou bagunçando seus cabelos.
–Não, não é!- falou de boca para fora.
Mas no fundo sabia que era mentira.
–Nós não viemos aqui só para comer e pegar uma missão?- reclamou.- Vamos voltar para casa!
Era desconfortável depois de tantos anos ficar em meio a tanta gente. Ainda mais sendo que essas pessoas nem se quer lhe jogavam um olhar criterioso ou duvidoso. Claro, não eram seus melhores amigos mas, a reação inicial a qualquer desconhecido é lhe analisar com os olhos.
Neste momento, todos pararam e os olharam. Bom, não todos mais a maioria. O Dragão arqueou as sobrancelhas. Disse alguma coisa errada?
–Como assim “voltar para casa”? Ele mora com você, Luce?- perguntou Natsu confuso.
Ela não costumava deixar ninguém se quer entrar lá direito, quanto mais hospedar alguém.
–Vieram pegar uma missão hoje?- questionou Mira.- Mas acabaram de chegar!- reclamou.
–Bem, eh....- essa era a parte que ela não queria chegar.- Eu... estou devendo 3 meses de aluguel!- explicou coçando a nuca e dando um sorriso amarelo.
Todos ficaram com uma gota e desanimados. Pelo menos isso comprovava que era Lucy. Já chegava devendo.
–Aye!- falaram monótonos.
–E quanto ao bonitão ali morar com você?- relembrou cana bebendo mais.
Acnologia estreitou os olhos em sua direção. Quanta educação. Até ele tinha mais! Lucy corou envergonhada e abaixou o olhar meio temerosa. Suas bochechas ardiam.
–Sim ele vai morar comigo.- afirmou deixando algumas pessoas meio chocadas. Ergueu os olhos para o Dragão e recebeu um olhar de apoio discreto.- Eleémeunamorado!- murmurou extremamente baixo.
Mas, os Dragon Slayers ouviram perfeitamente.
–Ele é seu o que?- buliçou Natsu incrédulo.
–A Bunny tem um namorado?- Murmurou Gajeel sem La muito interesse mais curioso.
Lucy namorar era inédito.
Neste momento todos ouviram Gajeel.
Cana cuspiu tudo o que bebia em cima de Macao, que de tão chocado nem reclamou. Erza engasgou com o bolo e começou a tossir descontroladamente enquanto buscava ar. Mira deixou um copo cair, se estilhaçando no chão. Como não notou? Levy que estava lendo fechou o livro com força e se levantou em um salto e de olhos arregalados. Olhou para Gajeel em uma pergunta silenciosa de “você tem certeza do que ouviu?” e ele apenas assentiu.
–NANNIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII?- gritaram em coro.
Acnologia tapou os ouvidos.
–Será que da para parar de gritar.- resmungou.-Sim. Ela é minha namorada.- reafirmou possessivo.- Algum problema?- perguntou erguendo uma sobrancelha como se dissesse: “O que foi? Querem brigar?”
–Acnologia!- repreendeu Lucy se virando para ele.
–Bem, eh... hummm; Não. Nenhum problema.- Disse Gray coçando os cabelos.- É só meio... surpreendente a Lucy sair e voltar com um namorado!- resmungou abaixando a cabeça.
A verdade é que ninguém esperava que Lucy estivesse namorando aos seus 18 anos? Claro tinha o tempo que ficaram presos na ilha, mas ainda assim... Lucy tinha sérios problemas de timidez quando se tratava de homens. Todas as suas tentativas de ter um namorado eram frustradas ou por ser muito tímida, ou por se precipitar demais quando alguma coisa acontecia.
–Confessem.- murmurou Cana com desdém.- Alguns de vocês queriam alguém com um corpão igual o dela e os outros nunca imaginariam que ela voltaria com um gatinho.- pensou por um segundo.- Ainda mais um com o nome de alguém que tentou nos matar!
Acnologia baixou os olhos.
–Cana!- enraiveceu Erza. A morena bufou e voltou a beber. Se virou para os recém chegados.- Neste caso só temos dois assuntos a serem tratados: O primeiro, a magoe e eu acabo com você!- falou apontando para o Dragão e o fuzilando com os olhos.
Lucy bateu a mão na própria testa enquanto corava. Todos assentiram a favor da Erza.
Acnologia ergueu as sobrancelhas e arregalou os olhos. Em meio segundo sua expressão mudou para raiva e a fuzilou com o olhar também. Quem ela pensava que era para dizer que iria magoá-la?
Todos se surpreenderam. Erza resolveu ignorá-lo.
–O segundo,- prosseguiu.- já que quer ir em uma missão nos iremos com você!- disse animada.
Acnologia jogou a cabeça para traz e suspirou. REALMENTE não esperava ver tanta gente.
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Sua mão direita acariciava a cabeleira loira enquanto ela dormia relaxadamente em cima de seu peito. Ele fitava o teto mergulhado em pensamentos.
Sentia a raiva, pouca mas ainda capaz de ser sentida, se remoer em seu interior. Fechou os olhos. Tinha sentido um cheiro que lhe incomodava na guilda, mas foi tão rápido que não pode distinguir. Queria saber o nome daqueles que a tinham magoado.
Ela não lhe diria com medo do que poderia fazer.
Cerrou os dentes e enfiou o rosto em seu cabelo. O cheiro doce invadiu seus pulmões o queimando de uma maneira viciante. Todo seu corpo foi anestesiado e seus sentidos ficaram dez vezes mais aguçados; Seus músculos travaram e contraíram a apertando ainda mais contra si. Seu corpo se aqueceu como se o próprio fogo circulasse em suas veias.
Travou a respiração e apertou os olhos com os músculos trêmulos.
Depois que a marcou seu cheiro tinha ficado ainda mais forte e entorpecente; misturado com o seu lhe trazia uma satisfação enorme de te-la apenas para si. Simplesmente não controlava. Ela tinha total controle sobre sua mente, sentimentos e seu corpo.O cheiro de Lucy era uma Droga feita exclusivamente para ele. Mesmo que tivesse se apaixonado por ela através de outras qualidades. O cheiro embriagante era um bônus no pacote.
Um bônus que tinha de aprender a controlar.
Travou os dentes e forçou sua mente a se concentrar na raiva que sentia antes. Mesmo que fossem só resquícios, sua curiosidade insistia em saber quem eram aqueles que a magoaram.
O nevoeiro entorpecente sumiu e ele relaxou. Tinha de aprender a se controlar. Sim, aprender, pois nunca precisou se controlar antes. Sempre seguiu seus instintos e suas vontades, mas Lucy merecia mais do que isso.
Ela não era um objeto sexual. Era a mulher que amava e que queria ao seu lado todos os dias.
Sabia, -após ter lido em segredo vários de seus romances- que ela propriamente não esperava um príncipe encantado cheio de regras de etiqueta; mas sim alguém que lhe fosse leal e a fizesse feliz. E isso ele faria.
Ela não gostaria que ninguém tivesse que mudar por ela, mas ele sabia que seu orgulho era uma muralha que impedia de alcançá-la, então o abandonou. Deixar de ser impulsivo quando se tratava de amá-la é a ultima mudança que se obrigava a fazer, alem de seu orgulho.
Mesmo que ela soubesse o quanto a amava, iria provar a ela que também poderia ser carinhoso e paciente. A mostraria que seria para sempre seu companheiro, mesmo que não existisse necessidade.
Balançou de leve a cabeça para voltar ao ponto inicial. Precisava dos nomes. Sabia o que tinha que fazer, e ao menos por enquanto não poderia contar a Lucy sobre isso.
Respirou fundo e se remexeu, ajeitando Lucy para que ficasse deitada mais de lado em seu peito. Ela soltou um resmungo, se acomodou e continuou dormindo. A mão direita do Dragão escorregou por baixo da fina blusa de pijama, delicada e rapidamente para que não acordasse, até chegar nos seios.
Não havia malicia no gesto. Só precisava chegar a marca.
Pousou a mão em cima do Dragão azul e fechou os olhos. A marca brilho fraco, reluzindo de leve como a água do mar sendo atingida pelo Sol fraco da manha.
Se concentrou. Começou a sentir todas as sensações e sentimentos que ela teve em suas memórias, como vários fios de linha costurados em varias memórias passadas. Analisou cada um deles, ate que sentiu um que tinha dor, tanto física quanto a de um coração quebrado, e incredulidade. Arfou baixinho quando sentiu o seu próprio coração se espremer de dor e agonia a ponto de sufocá-lo.
Até mesmo as memórias dela mexiam consigo.
Se concentrou naquela lembrança. As imagens passaram para sua mente em vários fleches.
Sete dragões a atacando nos jogos. Desespero.
A alegria e euforia por terem conseguido mudar o futuro. Gloria.
Um dia ela entrava na guilda e, momentos depois, a noticia de um novo casal. Natsu e Lissana se beijaram em sua frente, ele não sabia que um dia ela o tinha amado. Impotência.
Lissana zombando se seu sofrimento e de sua dor, após ter roubado suas chaves em um momento de distração e te-la deixado indefesa, com medo de que seus espíritos sofressem as conseqüências de reagir. Dor.
A albina joga suas chaves a sua frente, a deixando na chuva, sofrendo por dentro e por fora com a água tocando seus machucados e os fazendo arder...”inútil’.Humilhação.
Lucy chorou...
A raiva de Acnologia rompeu a ligação.
Ele forçava sua respiração a ser regular para que ela não acordasse, mas ela saia pesada. Seus dentes estavam travados de maneira tão forte que poderia morder um diamante com a mesma facilidade que morderia um pudim.
Seus olhos estavam apertados. Seus braços a puxavam contra seu peito outra vez, laçando sua cintura, mas suas mãos se fechavam em punhos atrás de sua coluna. Os lábios quase se repuxavam sobre os dentes, e um rugido estridente se acumulava em seu peito formando um bolo que queria forçar saída por sua garganta.
Agora era sua magia que circulava livre em suas veias, juntamente com o veneno do ódio, instigando-o a se transformar, perder o controle, caçar Lissana.
Mas a Luz que lhe permitia lutar era que Lucy choraria mais se o fizesse.
Passou longos minutos recobrando a calma, até relaxar um pouco. As juntas de seus dedos doeram quando ele desfez o punho.
Abriu parcialmente os olhos fitando o teto outra vez, enquanto tentava controlar seus batimentos. Respirou fundo usando o cheiro dela para se acalmar.
Natsu era perdoável. Ele era um idiota por nunca ter percebido ela e a magoado. Porem se não fosse por ele jamais a conheceria. Mas a albina tinha atravessado os limites, ate mesmo para uma rivalidade amorosa. Ameaçar a vida dos espíritos de Lucy só para conseguir o que quer?
Era baixaria até mesmo para ele na época que fora mais sanguinário.
Se quer se vingar, ótimo! Se vingue, mas não envolva aqueles que não tem nada a ver.
Já sabia com quem deveria tomar cuidado.
Lissana...
“O mundo não precisa de outro Herói. As vezes, o que ele precisa... é de um Monstro!”
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