A Arte do Caos
11 Cap 11: Minha linda princesa!
Notas iniciais
Bufou contrariado e cansado , se jogando sem camisa e sapatos na cama de casal simples do hotel. Tinha sido terrível.
O dia começou assim: Lucy acordou, tomou banho, foi fazer o café, etc, coisas normais de todos os dias com um sorriso alegre no rosto por sua companhia. Porem essa mesma companhia não acordou tão bem assim. Estava mal humorado. E Lucy percebeu, mesmo que ele nunca despejasse seu mau humor nela. Poderia magoá-la.
Ela notou que tinha um pouco, quase imperceptível, de raiva nele também; raiva pelo que descobriu a noite sem seu consentimento. Mas ela era insignificante, como um assunto guardado para depois. Mas seu humor não. Porem deixou o que quer que tenha o deixado assim, de lado. Talvez passasse em algumas horas.
O Dragão estava puto com sigo mesmo, na verdade. Estava furioso com sua incapacidade de se controlar.
Durante a noite- que sabe Deus como seu corpo tinha ficado tranqüilo.- ele teve sonhos nada puros com a maga celestial. Ate em sonhos aquela mulher estupidamente linda lhe perseguia! Mesmo que já a tivesse como parceira! Isso era frustrante.
Sabia que não precisava se conter. Ela era finalmente, após longos meses, sua. A tinha ali, ao seu lado. Podia tocá-la, podia desejá-la e, principalmente, podia ama — lá. Mas não era ingênuo. Ele sabia que mulheres tinham problemas depois de sua primeira vez. Por mais que tenha conseguido com que a maga não tivesse sentido quase nenhuma dor em sua primeira noite, precisava dar a ela um tempo de alguns dias para que seu corpo se recuperasse e ela não sentisse nenhuma dor no futuro.
Esse era o problema: Esperar.
Seus instintos e o alto nível de testosterona que circulavam em suas veias, berravam insistentemente pelo corpo esbelto, e como ele não tinha muito controle quase se deixava levar. Mas sua alma a amava demais, e queria provar a ela e a si mesmo que poderia ser paciente.
Isso o deixava com raiva. Fazia pouco mais de 24 horas que a teve em seus braços, e ainda assim a desejava? Por Deus, estava ficando louco e descontrolado.
Talvez até fizesse sentido já que os humanos sempre diziam que o amor é uma loucura.
As horas que passou mal no trem, pelo menos até Lucy acariciar seus cabelos e deitá-lo em seu colo o fazendo dormir, ajudaram a acalmar seu debate interno. Só esperava que Lucy se recuperasse rápido. Não sabia quando o pouco do seu autocontrole acabaria, e precisava urgentemente dela.
Chegaram na pequena cidade da missão. Exatamente, chegaram. O time de Lucy tinha vindo também, o que aumentou ligeiramente seu mau humor. Gostava de ficar sozinho com Lucy, já que não estava acostumado com mais pessoas a sua volta, mas não tinha nada contra um grupo pequeno como aquele. Ate ajudaria a se controlar na situação atual, e serviria de teste para saber quanta magia ele poderia liberar em frente aos mesmos sem que desconfiassem. Porem havia homens em meio ao grupo, e mesmo que os mesmos não demonstrassem outros interesses alem de amizade, aquilo o irritava.
Já era quase noite por causa da viajem ser longa, então procuraram um lugar para dormirem. Para que a loira não ficasse envergonhada perante aos amigos, já que o Dragão não iria deixá-la longe de si, Acnologia inventou uma desculpa de dividir o mesmo quarto para poupar o dinheiro da missão.
Para seu desgosto, Lucy mantinha a marca ainda escondida sobre as roupas, por tanto seus amigos pensavam que ambos eram apenas namorados inocentes com beijos aqui e ali, os Dragon Slayers eram tapados demais para perceberem o seu cheiro até mesmo dentro dela. Por serem namorados era natural que seu cheiro se mesclasse um pouco com o dela, então eles nem prestaram muita atenção.
Ele entendia que ela precisava de mais tempo para mostrar sua marca, que era um laço eterno e inquebrável, aos companheiros. Para eles Acnologia era apenas um estranho ainda. Mas isso o deixava desconfortável já que nem todas as pessoas do mundo possuíam faro para ver que ela tinha um dono, e com a marca tampada lhe dava a impressão que precisava ficar ao seu lado todo o tempo e garantir que ninguém se aproximasse.
Um pequeno peso se moveu pelo colchão, se sentando em suas cochas. Sentiu as mãos finas percorrerem, tímidas, por suas costas parando nos ombros largos e os massageando, fazendo-o relaxar de imediato. Suas asas, escondidas por baixo da pele, formigaram.
Por pouco não travou o ronronar que queria sair por sua garganta.
–Você está bem mau humorado hoje sabia? Esta pior do que quando nos conhecemos!- sussurrou a loira próxima de seu ouvido e lhe dando um beijo na nuca, enquanto prosseguia com a massagem.
Ele sorriu.
–Desculpe.- Falou ainda com metade do rosto enterrado no travesseiro.- Acho que vou demorar a me acostumar com isso...- murmurou se referindo a sua nova situação.
Mas era uma desculpa qualquer. Não iria dizer que tinha sonhos eróticos com ela.
–Obrigada Acnologia!- sussurrou feliz.
Sabia que ele não gostava muito de ter que “se esconder” e também não estava acostumado com tantas pessoas, ou de ter que ser mais sociável.
–Não precisa agradecer.- Falou. Por ela ele faria tudo.- Sobre o que é a missão mesmo?- Perguntou para mudar de assunto, mas também curioso.
–Temos que pegar alguns magos de uma Guilda das trevas. – respondeu.- Estão assaltando continuamente essa cidade!
Ele sorriu. Teria um pouco de diversão. Essa missão tinha suas vantagens.
Aparentemente ela tinha um pagamento alto que ajudaria Lucy com as suas dividas acumuladas. Ele pegaria menos da metade do valor que seria lhe dado e daria o restante a Lucy. Iria viver junto com ela, então não precisaria de nenhum dinheiro. A única razão de pegar uma pequena parcela, é que precisaria de mais roupas.
Durante séculos passou a vida na forma de um Dragão. Não precisava de roupas ou de uma casa; vivia por ai, pegando o que queria para comer e dormindo nas florestas. Possuía algumas mudas de roupas para ocasionalmente quando se transformasse em humano. Quando estava com Lucy na velha casa na floresta também não precisou de muito. Nem ela tinha levado muitas roupas para treinar, já que tinha feito as malas de repente. Mas agora teria uma vida, portanto teria de estar mais apresentável.
Respirou fundo e fechou os olhos. As mãos delicadas que massageavam seus ombros, subiram um pouco para seu pescoço, os polegares massageando os músculos tensos pouco abaixo do inicio de seu couro cabeludo. Ela subiu as mãos para seus cabelos, raspando as unhas de leve em meio a eles, lhe fazendo um cafuné. Foi impossível prender o ronronar na garganta.
Não sabia exatamente o porquê disso. Talvez fosse uma parte de sua natureza dracônica que se manifestava quando sentia prazer nos pequenos carinhos anestésicos que ela lhe fazia; como quando tocava suas asas.
As finas cicatrizes que as escondiam sobre sua pele voltaram a coçar de maneira incomoda. Por Deus, não podia pensar em nada que seu corpo reagia de alguma forma!
E como se lesse sua mente, ela pediu:
–Posso vê-las de novo?... Por favor?- perguntou tímida.
Antes que sua mente respondesse, seu corpo a obedeceu. Sua pele se esticou rasgando outra vez a cicatriz, e suas asas escondidas saíram, se esticando um pouco para se livrarem da dormência natural que sofriam. Eram enormes e possuíam, provavelmente, o dobro de seu tamanho em altura. Quando abertas, possuíam mais ou menos 6 metros de envergadura. E teriam de ser assim. Tinham que agüentar tanto o seu peso, quanto um peso extra eventual. Claro que elas ficavam bem maiores a medida que se aproximava de sua forma de Dragão.
Como estava sentada em suas pernas, Lucy poderia tocá-las da maneira que desejasse. As mãos finas começaram tocando sua base com cuidado, os dedos correndo devagar e delicadamente sobre as escamas; a admiração enchia seus olhos.
Uma corrente elétrica maior do que da primeira vez que ela as tocou, correu ferozmente por seu corpo. O ronronar se tornou mais ríspido. O dragão apertou os olhos e enterrou o rosto no travesseiro. Era tão bom... A sensação de seus músculos contraindo e relaxando sobre os dedos delicados; as suas asas se abrindo e se movimentando de acordo com o que seus toques mudos lhe pediam, de uma maneira automática. Aquela corrente percorria sua coluna, fazendo seu coração bater calmo. Era a sensação de estar em casa... estar em um paraíso.
Quando notou, as escamas não cobriam apenas os adornos de suas asas; elas se espalharam por todo o seu corpo, se alternando entre negro e azul, que em breve se fundiriam umas com as outras formando uma armadura impenetrável a qualquer ataque inimigo. As juntas de seus dedos ficariam mais grossas e seus dedos ganhariam garras. Seus cabelos ficariam mais compridos também.
Ele estava entrando em sua forma humana mais parecida com a de um Dragão.
Estava tão relaxado sobre os toques da maga que nem percebeu que tinha perdido o controle, e estava se transformando. Pelo que percebeu, Lucy não se incomodou com isso; pelo contrario, tinha ficado mais encantada.
Não ligou se estava se transformando. Se fosse por si só não conseguiria pará-la. A mão esquerda de Lucy continuou sobre sua asa, e a direita desceu delicadamente até sua base, para tocar as escamas que se formavam em suas costas e pescoço.
Era estranho. A textura era dura e lisa, mas ainda sim maleável e macia como pele em suas mãos. Não sabia direito o por que, mas aquele tipo de magia a encantava; principalmente quando lhe surgia a idéia de que poderia ser capas de voar, livre, por todo o céu, estrelado ou não.
–Poder voar é uma das coisas que mais me encanta na sua magia, sabia?- perguntou-o em um sussurro enquanto percorria os dedos sobre as longas asas outra vez. – É incrível!- concluiu se lembrando da vez que ele a tinha levado para voar.
As palavras saíram sem que precisasse pensar nelas.
–No dia que você quiser e quando você quiser, eu te levo para voar!- informou-lhe com a voz meio rouca pelo prazer que sentia.
Ela sorriu. Se deitou em suas costas em meio ao vão das asas enormes, com os seios pressionando de leve por cima da roupa fina, para chegar perto de sou ouvido e sussurrar.
–Obrigada Acnologia.- murmurou lhe dando um beijo no pescoço.- Eu te amo!
As palavras provocaram uma descarga em sua corrente nervosa, fazendo seu coração acelerar rápido no peito. Ele virou o, pouco o tronco, para enfiar a mão direita nos cabelos dourados e puxá-la para um beijo carinhoso e longo.
Não era a melhor posição para beijar alguém, mas nem por isso era menos apreciado e amoroso.
Com cuidado, fechou a asa direita, passando sua dobra principal por baixo da barriga de Lucy. Quando o ar de ambos acabou, e antes que ela percebesse, ele abriu um pouco a mesma asa e a empurrou de suas costas, fazendo-a cair virada para cima no colchão com um gritinho surpreso. Usando a mesma asa, ele a embrulhou, enganchando-a, e a puxou para baixo de si, tomando novamente seus lábios.
As mãos dela subiram para o cabelo macio, um pouco mais longo e arrepiado que o normal. A maga também percebeu que seus caninos estavam ligeiramente mais afiados que o normal, arranhando sensualmente sua língua enquanto se beijavam.
O ar acabou novamente, mas dessa vez o Dragão mordeu de leve os lábios carnudos, a fazendo arfar. Desceu com os lábios por seu pescoço, trilhando beijos e algumas mordidas por ele. Alem dos braços férreos, as asas longas também passaram a embrulhá-la, tornando impossível sair.
Acnologia respirou fundo. Seu faro estava ainda mais aguçado que o normal. Isso não era bom. Assim era entorpecido mais facilmente. Precisava parar antes que outras áreas e sentidos de seu corpo despertassem e tornasse impossível de parar. E iria piorar muito mais quando ela começasse a se excitar. Se isso ocorresse e ele sentisse o cheiro não conseguiria sair dali.
*Toc Toc Toc*
–Lucy?- Chamou a voz feminina da ruiva do lado de fora.
Isso fez ambos despertarem com um susto.
–Erza?- perguntou para confirmar.
–Sim!- respondeu do lado de fora.
–Só um instante, já vou abrir!
A maga empurrou Acnologia, que rapidamente a deixou sair. Lucy estancou na beira da cama ao se lembrar que ele estava coberto por escamas. O olhou com os olhos arregalados.
Ela nem precisou dizer. O Dragão fechou os olhos respirando fundo. As escamas e as asas voltaram a se esconder sobre sua pele, deixando apenas duas finas e quase imperceptíveis cicatrizes em suas costas.
Lucy correu em direção a porta para atender a Titânia, antes que ela arrombasse a pobre porta como sabia que ela faria.
Quando abriu a porta de madeira, percebeu que Erza estava prestes a arrombá-la.
Cerrou os olhos para a maga celeste.
– Você demorou!- xingou.
Na verdade não tinha demorado, mas para a Titânia...
–Eu estava deitada!- justificou.
Virou de lado abrindo espaço para que ela entrasse.
Os olhos negros cerraram olhando o quarto com desconfiança. Olhou para o novo integrante do time, deitado na cama de olhos fechados, que Lucy se apaixonara perdidamente. Respirou fundo. Quando voltassem, ela iria lhe contar tudo que aconteceu neste treinamento. Talvez até pudesse lhe ajudar com alguém...
Balançou a cabeça. Isso poderia esperar. Estavam aqui para uma missão.
–Sairemos amanha as oito.- informou-lhes.- Boa Noite!- falou após dado o recado e se retirou.
Lucy fechou a porta suspirando de alivio. Se ela já chegasse arrombando como costumava fazer ela iria ver Acnologia se transformando e iria perguntar. Teria de ser mais cuidadosa com isso.
Pegou um pijama na mochila e se dirigiu ao banheiro, trocou de roupa e escovou os dentes. Ainda sentia um pouco de vergonha em ficar nua em frente ao Dragão.
Puxou o edredom e de encolheu debaixo do mesmo. Ao seu lado, sentiu Acnologia também puxá-lo, entrando debaixo das cobertas e envolvendo seus braços por sua cintura, puxando-a contra si e enfiando o nariz sobre seus cabelos como era de costume.
–Por que você faz isso?- perguntou-o de olhos fechados, se referindo ao nariz enterrado em seus cabelos.
Sentiu ele sorrir e lhe dar um beijo na nuca.
–Por que seu cheiro me embriaga...- Respondeu sincero. Ela corou fortemente e afundou mais para debaixo do edredom para que ele não visse.- Você cheira a morangos misturado coma brisa da chuva.- comentou.- Duvido que conseguiria dormir bem sem esse cheiro!- admitiu.
Já tinha se acostumado a tal ponto que não conseguiria dormir sem.
O rosto de Lucy queimou.
–B-boa Noite!- murmurou tímida.
Acnologia sorriu ainda mais.
–Boa Noite...- Minha princesa. Completou mentalmente.
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No dia seguinte, todos se dirigiram a uma das lojas que tinha sido assaltada recentemente para adquirir informações.
Quando acordou o Dragão assumiu que talvez fazer a missão em time não fosse uma causa perdida. Eles iriam limitar o tempo que ficaria sozinho com Lucy, então ficaria mais fácil esperar.
A idéia lhe agradava e desagradava.
Chegaram ao centro da cidade, e logo depois avistaram dois homens, um mais alto de terno e o outro vestido menos formalmente esperando em frente a uma loja de tamanho mediano com faixas de não se aproxime ou não ultrapasse.
Erza parou, e todos a acompanharam.
–Bom Dia.- falou educadamente, mas rapidamente partiu para os negócios.- Foram os senhores que requisitaram a missão?- perguntou com quase certeza, já que os mesmos se encontravam em frente ao endereço do folheto.
O homem mais baixo e vestido de roupas comuns dirigiu o olhar para ela. Ele possuía uma barba negra grossa e curta. As feições claramente mostravam o stress que deve ter sido acometido nas ultimas oras. Possuía olheiras claras, pouco notáveis; o nariz arredondado e os lábios um pouco rachados, revelando as características de um homem que possuía em torno de 48 anos. Nem tão velho, mas não tão jovem.
O de terno também lhes dirigiu o olhar. Seu rosto era jovem, possuindo uma idade um pouco mais baixa do que 30 anos, mas seus olhos eram sérios e calculistas. Quem o olhasse na rua diria que era um juiz ou alguém com uma profissão mais séria. Possuía óculos com a armação fina e lentes retangulares. O cabelo era devidamente arrumado e penteado para ter a aparência de um profissional. Carregava consigo uma pequena maleta negra.
–Bom dia.- lhe respondeu o mais velho.- Vocês devem ser os magos da Fairy Tail, não?- Erza apenas afirmou com a cabeça.- Prazer. Sou Antonio. — Se apresentou.- Este é Hideki. – gesticulou para o rapaz ao lado, que acenou e murmurou um “bom dia”.- Sou o dono da loja. Hideki é meu amigo. Veio aqui para me ajudar a calcular o prejuízo da depredação.- murmurou com raiva e passou a mão pelos cabelos negros.-Nós estávamos esperando vocês. Tive medo de que se entrássemos vocês poderiam perder uma possível pista de onde esses vagabundos podem ter ido!
–Eu entendo.- murmurou a ruiva.- Meu nome é Erza. Nós vamos resolver a situação.- prometeu.- Alem do senhor, existe alguma outra loja que eles tenham furtado?
Sua pergunta era cautelosa. Caso os magos ladrões possuíssem algum tipo de preferência seria mais fácil traçar o perfil deles, e por tanto seriam mais fáceis de rastrear.
–Sim.- respondeu.- Eles andam assaltando lojas com artigos luxuosos ou de interesse próprio, como alguns bares da região!
–Tudo bem.- falou pondo a mente para trabalhar.- Podemos entrar?
–Sim, claro!- falou pegando uma tesoura e cortando algumas faixas para que entrassem.
O grupo adentrou o lugar e concluiu que a loja foi completamente limpa. Não havia nem rastros dos produtos que há pouco tempo eram vendidos ali. As vidraças e prateleiras estavam quebradas; vidro, madeira, água, algumas mesas e artigos decorativos da loja estavam depredados e destruídos por todo lado.
Erza começou a inspecionar o local, mas duvidava que conseguiria algo ali. Gray e Natsu discutiam sobre probabilidades inúteis de como o assalto foi cometido. Lucy olhava atentamente o estrago. Acnologia estava ao seu lado, sem desgrudar um milímetro da mínima distancia que os separava.
A Titânia suspirou.
–Desse jeito não teremos nenhuma pista....- murmurou para si mesma, mas o Dragão ouviu.
Suspirou. Odiava centros urbanos. Queria sair dali, então teria de trabalhar. Fitou o chão sem olhar em nada específico e respirou fundo pelo nariz.
Ahh, doce cheiro de morangos e chuva... chacoalhou um pouco a cabeça e forçou sua mente a se concentrar em algo que não fosse Lucy. Seu faro aguçado começou a captar cheiros não convidativos para seu organismo, mas não ligou.
O pouco que restava das peças de decoração, emanavam um cheiro de três pessoas que possivelmente vinham e ficavam muito na loja. Um deles ele rapidamente percebeu que vinha do próprio dono.
–Você possui dois funcionários?- questionou a Antônio pela primeira vez sem olhá-lo, continuando a fitar os objetos quebrados e fazendo com que todos prestassem atenção nele.
O velho piscou. Tinha o notado, mas ele é tão quieto e assustador que acabou se esquecendo de sua presença.
–Sim!- respondeu-o surpreso.- Como sabe?- questionou intrigado.
Acnologia o ignorou. Respirou fundo outra vez. Cerrou os olhos. Havia mais cheiros. Cheiros extremamente fracos de outras pessoas, mas ainda assim eram os mais recentes, com a exceção dos funcionários. Eram 10. Possuíam seus cheiros mesclados com bebida. Eram podres. Começou a distinguir e memorizar um pouco os cheiros para rastreá-los. Em um deles quase vomitou.
Fechou os olhos balançando a cabeça e engoliu o seco para conter o refluxo.
Era de uma mulher. E ela fedia.
Seu cheiro era de um perfume forte e enjoativo, misturado com bebidas e almiscarados de vários outros homens. Mesmo já passando pouco mais de um dia ele sentia quase claramente o cheiro nojento. Era o típico cheiro de uma prostituta.
Massageou um pouco a têmpora com a mão direita, em um movimento de desconforto notado por Lucy. Tentou ignorar a sensação e passar logo as informações para os outros.
–Eles são10.- Informou.- Nove homens e uma mulher.- fez uma breve pausa e respirou fundo se concentrando nos outros cheiros , que embora terríveis não o fariam vomitar. Encontrou alguns odores de outros lugares onde eles passaram e um era mais acentuando. Cheiro de mofo cavernoso e lama.- Devem estar em algum lugar nas montanhas...- terminou.
Todos piscaram um pouco abismados.
–O nariz de cachorro dele é melhor que o seu, Natsu!- Debochou Gray.
–Cale a boca!- exclamou irritadiço.-Eu só não lembrei desse detalhe!- justificou.
E realmente Natsu não tinha atinado para o fato de que poderia rastreá-los pelo olfato; porem quando tentou ele encontrou os cheiros, só não conseguiu refiná-los e distingui-los tão rápido e da forma exata como o Dragão tinha feito.
Acnologia ignorou o pequeno comentário de Gray. Precisava sair dali.
Segurou a mão de Lucy e a puxou discretamente para a entrada de traz da loja. Erza não ligou, pensando que se tratava de encontrar outros cheiros dos ladrões. Ele iria lhe contar depois.
Assim que saiu pelos fundos, indo ao local da descarga de produtos que ficava ao ar livre, Acnologia puxou Lucy para seus braços e enterrou o nariz em sua garganta e em meio aos fios loiros respirando fundo e soltando um suspiro aliviado. O cheiro dela queimou seu nariz e seus pulmões tirando o cheiro horrível de quem quer que seja de seu sistema. Continuou respirando em seu pescoço por alguns minutos tendo a certeza de que saiu de seus pulmões.
Lucy apenas colocou as mãos em seus ombros e esperou seja lá o que ele estivesse fazendo. O que quer que fosse estava tirando o desconforto que ele passou na loja, e deixando seus músculos menos trêmulos.
Ele respirou fundo mais uma vez e saiu de seu pescoço. Ela o encarou, notando que o mesmo estava de olhos fechados, mas mesmo assim perguntou:
–O que...?- tentou formular.
Acnologia suspirou antes de explicar. Ninguém arrastava uma pessoa por ai para cheirar seu pescoço. Também sabia que ela tinha notado seu desconforto.
–Um... dos cheiros da loja estava me dando náuseas!- resumiu sem se importar com que ela acharia.
Um dos dons de Lucy era não julgá-lo.
Aquele cheiro horrendo o fazia lembrar-se de coisas em seu passado que gostaria realmente de esquecer agora.
Quando tinha os seus 18 anos originais, ao invés de apenas a aparência, seus hormônios eram à flor da pele. Claro, não na mesma intensidade que vinham com Lucy, mas eram intensos o bastante para incentivá-lo.
Naquela época ele costumava a usar as garotas ou prostitutas mais jovens para seu prazer próprio. Não que fosse do seu fetiche se interessar apenas por garotas mais jovens, até por que na época odiava a inexperiência, mas não tinha opção por que as mais experientes possuíam um cheiro podre e horrível de perfumes baratos e outros homens com os quais costumavam se deitar, e seus cheiros nunca saiam.
As mais jovens não tinham aquele odor fétido masculino que sempre restava desse tipo de relação de maneira tão nítida. Isso tornava as coisas mais fáceis.
Era raro. Uma ou outra chamava sua atenção quando possuíam cheiros, que percebendo agora, se assemelhavam de maneira distante ao de Lucy. E ele sempre deixava suas intenções claras. Nunca demonstrou afeto ou carinho por nenhuma delas; pelo contrario, sempre queria ser o mais rápido possível. Conseguia o que queria e ia embora, pouco se importando com quem quer que fosse. Quanto menos tempo passasse com elas, mais rápido o cheiro saia de seu corpo.
Sempre sentia um pouco de repulsa delas por todos aqueles cheiros emanando de todos os poros do corpo. Isso lhe dava náuseas.
Com o tempo seus instintos se acalmaram, e ele apenas passou a se importar –também durante um tempo- apenas com a carnificina. Em compensação parecia que todos esses hormônios que tinham tirado férias durante todos esses anos e voltaram mil vezes mais potentes quanto encontrou Lucy, já que quase não se controlava.
Neste momento percebeu a baita sorte que dera.
Lucy nunca tinha se envolvido com mais ninguém quando a encontrou. Ela era pura. Seu cheiro era inteiramente puro, sem perfumes, e sem nenhum odor masculino ou de qualquer outra natureza enjoativa. Possuía apenas o cheiro embriagante e odores mínimos e sem importância das pessoas que teve breve contato durante o dia.
O único cheiro que agora residia em sua pele e em seu interior era o seu, o que lhe dava uma sensação enorme de prazer e satisfação. Todos os pontos de prazer do corpo miúdo desfrutaram apenas de seus toques e ao contrario das outras mulheres, ele amava sentir o cheiro de Lucy em si.
Seu corpo era escandalosamente perfeito. Seus seios não eram nem pequenos e nem desproporcionalmente e excessivamente grandes, como costumava ser o das prostitutas. Eram do tamanho perfeito para que suas mãos se encaixassem perfeitamente. A cintura era fina por natureza e não pelo uso excessivo de espartilhos. Os quadris, assim como seus seios, não eram nem grandes demais e nem pequenos, providenciando um encaixe perfeito em sua pelve.
Seus pés eram pequenos e delicados, assim como suas mãos. Ele era consideravelmente mais alto do que ela, mesmo que usasse um salto pequeno, mas não era muito pequena. Possuía a altura exata que lhe permitia fazer o que quisesse. Seus cabelos eram macios; a boca era pequena e vermelha, o nariz angular e discreto. Todas as características mais meigas e femininas em uma só pessoa.
Seus olhos eram os mais incríveis. Castanhos, grandes e repletos de fascínio pelo mundo. Quantas vezes tinha desejado mergulhar neles para sempre? Não sabia.
Eles não eram gananciosos nem invejosos. Eram doces e tímidos. Aquela timidez deixava seus toques incrivelmente prazerosos. Isso o deixava insano.
Por Deus, ela tinha sido feita exatamente para si. Por que infernos não tinha revirado o mundo incessantemente atrás dela antes?
Lucy ainda queria perguntar de que cheiro ou o que quer que fosse ele estava falando, mas não teve tempo. Acnologia a puxou mais firme contra seu corpo e reivindicou seus lábios.
Dessa vez não havia o toque, nem mesmo de leve, de selvageria com o qual ele lhe beijava. Ela nunca se incomodou com isso. Gostava até. Era uma característica dele. Mas ele a fez derreter-se ainda mais em seus braços.
Seu beijo era irrevogavelmente apaixonado, carinhoso e amoroso. Era um beijo que lhe fazia sentir o coração dele, que gritou palavras que somente ela podia ouvir, e com muita clareza:
“Eu te amo!”
“Não espere que a Guerra venha para descobrir aquilo que lhe é precioso na vida!”
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