A Arte do Caos

24 Cap 24: Trados Dracones...


Estava quente, e sentia-se extremamente confortável. Apertou o travesseiro ainda mais contra seu próprio corpo; sentia um carinho, algo como um leve bater de asas, em suas costas, passando pela linha de sua coluna. Não pode deixar de sorrir.

O corpo quente grudou-se contra o seu, forçando-a a emitir um suspiro satisfeito. Era como anestesia para os músculos, principalmente em manhãs frias como aquela. Era gostosa a sensação de pressionar seu corpo nu contra o dele, apaziguadora até.

–Você está acordada. – ele afirmou, a voz rouca lhe provocando arrepios. Os sentidos apurados dele nunca falhavam. Amava isso.

–Humm... – ronronou em resposta, sentindo os beijos se espalharem por seu pescoço até chegar ao seu queixo, onde os caninos afiados depositaram uma mordida fraca.

As mãos firmes deslizaram por baixo do lençol, acariciando seu ventre, enquanto os beijos continuavam por toda a parte nua de sua pele disponível. As cochas firmes entrelaçaram as suas pernas, grudando-os ainda mais.

–Acno.. – suspirou, manhosa pelos carinhos matinais.

–Adoro quando você se derrete toda assim em meus braços. – ele sussurrou, a boca colada em sua orelha. Os músculos fortes se contraíram em suas costas, dando-lhe uma sensação gostosa de proteção. – Me da vontade de ficar horas nessa cama, fodendo você.

Ela estremeceu; o vocabulário chulo a excitando ao invés de provocar sua revolta.

–Seu pervertido. – xingou, a voz manhosa e sonolenta. – Você só sabe pensar com seu pau? – rebateu com o mesmo linguajar.

–Com você nua e se esfregando em mim? Sim. – admitiu sem pudores. Ela se remexeu, virando-se em seus braços, encarando-o e erguendo uma sobrancelha. Um dos seios expostos pelo lençol fez Acnologia salivar.

–O que houve com você?

Piscou, saindo da tentação de abocanhar o bico rosado. Engoliu o excesso de água em sua boca. Demorou alguns instantes para assimilar a pergunta. Sorriu debochado.

– É primavera, meu anjo. – ronronou cafajeste, sua postura revelando que estava prestes a subjugá-la com todo seu corpo absurdamente masculino. As mãos grandes agarrando sua cintura e sua boca fazendo mais estragos em seu pescoço.

“Anjo”. Esse era o mais recente apelido que ele decidira lhe dar. Não costumava chamá-la assim em frente a alguém, mas entre quatro paredes aquele setornou um apelido carinhoso que a fazia se derreter toda. Para alguém que não sabia nada sobre romantismo, Acnologia conseguia muito bem usar de sua simplicidade para pegar no ponto fraco de uma mulher; e aqueles seus beijinhos acabavam com sua concentração.

Suspirou, agarrando e puxando os cabelos negros para tirar os lábios dele de seu pescoço, antes que sua consciência se despedaçasse.

– Sabe, na linguagem dos Dragões ‘primavera’ pode ser a explicação para tudo, mas na língua dos reles mortais é apenas um ponto de interrogação e uma passagem a mais no calendário. – resmungou, dessa vez realmente irritada. Sempre se esquecia de perguntarque diabos significava aquilo, mas sempre esquecia. E não era de hoje que ele usava ‘primavera’ como explicação. – Explique. – Exigiu. As sobrancelhas firmes e o olhar duro.

O Dragão deu um muxoxo. Odiava ter de parar de tocá-la, mas de fato já estava na hora de explicar. Grudou ainda mais seu corpo no dela, enfiando o nariz em seu pescoço.

– O que acontece na primavera, Lucy? — a respiração quente provocava arrepios em sua nuca.

Tentou não se ater a isso.

–As árvores florescem? – perguntou, sem entender. Sua mão agarrou os cabelos negros, mas dessa vez não os puxou. Sentia os polegares dele roçando no limiar de seus seios.

A risada dele lhe provocou ainda mais calafrios pelo corpo.

–Quase isso. Tente de novo. O que acontece com os animais na primavera?

Realmente tentou raciocinar, mas aqueles dedos percorrendo todo seu corpo eram terríveis.

–Saem da hibernação? – chutou.

Outra risada.

– Quase de novo. – ronronou, próximo a sua orelha. – Eles se reproduzem, Lucy.

O raciocínio se formou quase automaticamente em sua mente. Acnologia possuía um lado tão animalesco quanto o de um animal selvagem; isso devia-se a sua natureza dracônica. Algo imutável. Obviamente, tudo que surtia efeito em animais surtia nele também. A mudança das estações também era uma delas; um catalisador que poderia incutir no seu comportamento.

–Está me dizendo que todos os Dragões viram um bando de ninfomaníacos na primavera? – perguntou quase incrédula.

Deu uma leve mordida na base do ombro fino. Lucy suspirou.

–Não. Todos nessa época ficam mais suscetíveis aos hormônios. Até os humanos, embora de uma maneira diferente. Mas não é bem assim conosco.

Seu ventre começava a se contrair com as caricias estratégicas. Apertou as pernas tentando focar na conversa.

–O que quer dizer?

A língua dele contornou uma das veias pulsantes em seu pescoço. Mordeu os lábios para não gemer.

– Nós nos reunimos em um lugar pré-marcado no qual só nós saberemos todos os anos, e procuramos uma parceira ou uma apaziguadora lá. – respondeu rápido e sem delongas.

Sabia do significado da palavra ‘apaziguadora’, mas não entendeu o contexto.

– Apaziguadora? – murmurou, puxando a cabeça dele para mais perto de seu pescoço. -Pra que?

Sentiu os dedos dele descerem por sua cintura, até chegarem a curva de sua bunda e puxarem com força seu quadril de encontro a sua pélvis. A ereção dura e grossa cutucando sua cocha lhe deu a resposta.

Dragões não sabiam quando iriam encontrar uma companheira – a prova disso era Lucy ter nascido 400 anos depois que Acnologia – entretanto possuíam necessidades. A Heartphilia sabia que ele já tinha tido outras mulheres, e não o questionava pelo motivo racional de não estar viva na época, e, claro, para impedir a si mesma de se consumir em um ciúme bobo.

– Aqueles que não possuem uma companheira procuram de maneira não intencional, e aqueles que já possuem uma ficam o mais longe possível do lugar de encontro e de outros Dragões.

– Por que se afastam? – perguntou em um murmúrio. A mão quente encobriu seu seio inteiro, se apoderando dele.

– A primavera afeta a todos nós sem exceção, e nos tornamos meio ariscos.– De repente se lembrou que os animais costumavam a lutar por suas fêmeas. Isso poderia ocorrer entre eles também. – Para aqueles que já possuem alguém, é muito melhor manter distancia e fugir da briga. – seus lábios desciam vagarosamente com a intenção de chegar a um dos seios.

Acnologia, por exemplo, era intrinsecamente guerreiro. Odiava muito fugir de uma batalha; nunca o fez e nunca teria a intenção de fazê-lo... menos nessa época. Era muito melhor pegar sua companheira e levá-la para longe, onde poderia passar os dias amando-a prazerosamente de todas as formas possíveis como estava prestes a fazer, do que lutar com um bando de outros machos cheios de testosterona que pensam que podem encostar nela .

– Todos, é? – murmurou, se retorcendo quando a língua dele contornou as laterais de seus seios volumosos. Seus bicos estavam duros e inchados.

–Huhumm. – confirmou. – É algo instintivo. Antes de notarmos já estamos lá. Todos os Dragões são afetados.

Abocanhou o monte sedoso, beliscando o outro com a mão, na intenção de dar fim à conversa. Lucy gemeu, arqueando o corpo, incapaz de controlar a respiração. A língua áspera deslizava com perfeição pelo seu bico duro.

‘Todos os Dragões são afetados...’

É instintivo procurarem uma parceira.

Uma das mãos masculinas desceu por sua barriga, querendo alcançar a intimidade encharcada entre suas pernas.

Segurou a mão dele antes que chegasse lá. Não poderia perder o raciocínio agora.

Ele ergueu a cabeça. Ela nunca o tinha contido antes.

–Você tem certeza? Todos são obrigados a ir nesse tal ‘encontro’?

Ele rosnou.

– Lucy! – sua voz revelava o quanto odiava ser interrompido nesse tipo de momento.

–Por favor. – ela suplicou. –Um minuto.

Ele grunhiu, entre dentes. Não entendia por que agora de uma hora para a outra aquilo era importante.

– Sim. – respondeu, quase rosnando.

– E onde vai ser esse ano?

Grudou-se ainda mais nela.

– Vamos para o lugar onde tem mais possibilidades. O Festival das Flores terá um grande publico esse ano.

Lucy quase engasgou com o ar.

– O Hanami! – exclamou. Seria em Magnólia. O evento sempre atraía quase o reino inteiro. Desceu os olhos para encará-lo. – Preciso que me leve a Fairy Tail. – pediu.

O corpo dele prensou o seu, mas dessa vez de uma forma brutal. Seus olhos não eram nada amigáveis.

– O que? – ele perguntou, incrédulo. Depois de tudo o que tinha contado, ela realmente queria que a levasse a um lugar como aquele? Mas é claro! Ela não tinha noção do que seu cheiro fazia com aqueles da sua espécie. Outro motivo para sempre remarcá-la. A necessidade de dizer a todos os outros a quem ela pertencia.

Adivinhando um pouco do que se passava em sua mente, ela pediu com a voz branda.

–Por favor. Eu tenho que avisá-los. Apenas isso. Hizame pode estar na cola deles.

Hizame Akira. O desgraçado responsável por todo o seu sofrimento. A única razão de ele ainda respirar foi devido ao fato de estar tão consumido pela fúria que se quer conseguia focar em um alvo. Ele não teria a mesma sorte se trombassem por ai.

Pensou um pouco, deixando de lado sua fúria pelo Akira. Não pretendia pisar em Magnólia ou sair daquela casa até o período mais critico da primavera acabar, mas não podia deixar os amigos dela se virarem correndo esse risco.

–Será apenas um dia. – suplicou, vendo que ele pensou em sua preocupação.

–Tudo bem. – cedeu. Ela suspirou de alivio.

Acnologia subiu em cima dela, abrindo suas pernas e penetrando com força sua intimidade ainda úmida. Gemeu em êxtase e surpresa. Puxou os cabelos loiros, forçando a olhá-lo nos olhos.

– Nós vamos assim que eu fizer você gritar de tanto gozar. – Mal processou sua fala antes de ter sua boca tomada com voracidade e ser mergulhada em pura endorfina.

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Não era nenhum pouco agradável retornar a aquela cidade. Não que desgostasse da cidade em si, ou da guilda a qual estava sorrateiramente observando dos fundos, mas realmente odiava o fato de se submeter a riscos. Em dois dias seria o Hanami, e a cidade estava lotada. Obviamente onde tem gente tem também soldados de reforço do conselho. Isso era um problema. Driblar aqueles guardas seria complicado se ficassem por muito tempo.

Tentando ignorar todos os motivos que o faziam querer pegar Lucy e sumir dali o mais rápido possível, ele se virou, sinalizando para a maga e adentrando na guilda pela porta dos fundos. A cozinha estava vazia, e a guilda não possuía nenhum desconhecido. As portas estavam fechadas e apenas os membros se encontravam em seu interior. Podia ver as caixas de pingentes e jogos que seriam realizados no Hanami espalhadas pelos cantos. Hoje era o dia das decorações.

Assim que abriu as portas duplas deu de cara com um mutirão virado para si. Todos carregando alguma coisa, que logo largaram ao ver Lucy.

–Lucy! – gritaram em conjunto como de costume.

Os milhões de abraços vieram em seguida. Acnologia se afastou para o canto como todas as vezes. Não conseguia se sentir parte deles ainda. Era algo lindo, mas, para ele, completamente estranho.

–Faz tempo que você não vem. – resmungou Levy, a conhecida e pequena amiga da loura.

–Desculpe. – ela respondeu, o sorriso ainda mais envergonhado por saber que teriam de partir em 24h. Procurou não dizer. – Estou ansiosa para ajudar vocês, mas tenho que falar com o Mestre.

–Oh, sim. Claro. Levo vocês até lá. – Respondeu a baixinha. Poderia muito bem falar que já sabia o caminho, mas os olhos castanhos deixaram claro que ela queria saber da conversa. Suspirou. O peso dos segredos começava a se tornar desconfortável em suas costas. De qualquer forma ela descobriria em breve.

–Tudo bem. – respondeu com um sorriso rápido e forçado.

Subiu as escadas laterais seguindo a baixinha, e sentiu Acnologia logo atrás de si. Suspirou uma vez mais, sentindo a tensão que ele trazia. Ele não gostava de Levy, ou melhor, não confiava nela. Isso muito provavelmente era devido ao desentendimento anterior, no penhasco, dois dias antes do dia fatídico. As coisas ainda estavam meio problemáticas. Bateu na porta de madeira maciça talhada com o símbolo das fadas. Foi dada a permissão para entrarem.

–Olá, Mestre. – cumprimentou Lucy, demonstrando um poço mais de animação agora. Adorava aquele baixinho.

Os olhos cansados ergueram-se da montanha de papeis a sua frente, juntamente com as sobrancelhas loiras e meio grisalhas.

–Lucy? – ela falou sorridente. Empurrou os papeis para o lado para vê-la melhor. Não era todo dia que poderia encontrá-la. Espichou os olhos para o canto, vendo o Dragão totalmente retraído e desconfortável, assim como das ultimas vezes que a tinha trazido. Bateria um papinho com ele depois. – O que te traz aqui? Pensei que não viria mais! – falou, tentando mostrar um pouco de indignação.

A Heartphilia deu um risinho amigável e descontraído.

–Vou tentar melhorar isso mestre. Eu prometo. – Com certeza teria alguns probleminhas em casa por isso, mas não ligou.

–Magos Celestes não podem quebrar promessas, em? – lembrou o velho, sorrindo.

O Dragão retraiu-se mais um pouco. O Mestre juntou as mãos, apoiando os cotovelos sobre a mesa e o queixo sobre os punhos.

– Aprecio muito que tenha vindo aqui, Lucy, e adoraria sentar e conversar, mas acho que não veio aqui para isso não é mesmo?

A maga abaixou os olhos, envergonhada. Não gostava de dar más notícias. Odiou ter de dar esta. Crispou os lábios, hesitante. Não era tão simples quanto pensou que seria.

– Não. – confirmou. – Vim para dizer que acho que sei onde Hizame está.

O Mestre estreitou os olhos desconfiados para a maga. Todas as Guildas estavam em alerta máximo devido ao incidente. Era incumbência de todas tentar resolver, mas principalmente sua, afinal a Fairy Tail tinha o maior número de Dragon Slayers.

–Como sabe onde ele pode estar? E qual seria este local exatamente?

–Magnólia. – respondeu, optando pela resposta mais fácil primeiro. O Mestre, tal como Levy, se espantaram. Embaixo do nariz de todos. Isso era humilhante. – Quanto ao como sei... – desviou os olhos para Acnologia, retraído no canto, durante um segundo, algo que não passou despercebido pelo velho. – Eu descobri que, coincidentemente no Hanami, existe uma data especial para os Dragões, que os obriga a vir para cá nesta época.

O Mestre ergueu ainda mais as sobrancelhas, formando ainda mais rugas na face antiga e cansada.

–Os obriga? Como? – questionou inocente e curioso.

Lucy corou feito um tomate. A face vermelha desde o pescoço, causando ainda mais estranhamento por parte dos presentes. Se Acnologia não estivesse se sentindo tão vulnerável naquela cidade, com certeza estaria gargalhando.

– Hormônios. – respondeu, mais constrangida do que jamais esteve.

O mestre tornou a fazer uma careta desentendida, com o cenho ainda mais franzido.

–Hormônios? – repetiu, só que em um tom de pergunta.

Sua cabeça quase entrou em chamas. Sentia seu corpo absurdamente quente, tamanha a vergonha. Ela se remexeu inquieta, tomando uma postura irritada na defensiva.

–Olha, eu só sei que essa é uma data importante para eles, e isso por algum motivo força os Dragões a virem para magnólia, disfarçados de humanos. – Ela quase gritou, em um apelo desesperado par que o velinho não entrasse ainda mais nos detalhes.

Ele arregalou os olhos, ao ver Lucy em uma posição raivosa e defensiva. Suspirou, decidindo cumprir a súplica muda da menina; ela já tinha lhe dado uma informação mais que valiosa, bastava por enquanto. Ergueu os olhos de novo para o canto da sala. Acnologia estava lá, retorcendo-se, desconfortável como se a qualquer momento algo de ruim pudesse acontecer. Ele não parecia bem; estava tenso. Uma pessoa sensata faria o possível para impedir que essa pressão na qual não sabia de onde vinha se dissipasse... Entretanto Mackrov não era uma pessoa sensata.

Fazer o que... Muitos anos na Fairy Tail talvez tivessem afetado seu cérebro.

Iria forçar aquela tensão, ver o limite até ele explodir.

–Eu agradeço pela informação, Lucy.– tirou o queixo das mãos e coçou a barba branca. – ela é muito valiosa. – Ele voltou a analisar os presentes. – Entretanto tenho um pedido a fazer. – sentiu os olhos azuis enegrecidos o fuzilarem, mas não o temeu, nem o olhou. Continuou encarando a Heartphilia fixamente. Ela era a chave para manipulá-lo e forçá-lo a aquilo que não quer. Precisava saber o quanto Acnologia poderia ser dependente dela. – Fique aqui até amanhã. Precisamos discutir uns assuntos e acho que alguém quer lhe dar algo. – Seus olhos pousaram em Levy.

–Oh! – Exclamou a maga. Coçou os cabelos, já sabendo que teria de arrumar um jeito de conseguir um local para dormir. – Claro! – respondeu com simpatia e um sorriso.

Talvez as garotas fizessem uma festinha do pijama. Seria legal, poder falar depois de tanto tempo. Desabafar.

Mackrov quase podia ouvir o rosnado do Dragão.Ele não estava muito feliz com sua proposta. Não que se importasse.

–Ótimo! – exclamou. – Vá lá curtir um pouco dos seus amigos. Amanhã cedo conversamos.

Ela sorriu animada.

–Obrigada Mestre! – disse, curvando-se em um sinal de respeito e logo saindo depressa, arrastando Levy.

Acnologia fechou a porta ao seu lado, permanecendo com uma das mãos em seu bolso. Quando a mesma se fechou, ele abriu os olhos, agora azuis mesclados com carmesins. A mesma cor que Erza descreveu em seu relatório secreto e exclusivo para o mestre após aquela missão desastrosa. Mackrov não se intimidou, mantendo a postura relaxada, sabendo que isso o irritaria um pouco mais.

–Se pensa que pode me manipular ao bel prazer através dela, está redondamente enganado! – a voz estava a um passo de tornar-se reptiliana e grossa.

O velho o encarou calmamente.

– Eu acho que você quem está enganado. – Retalhou, a voz mansa como uma pena, entretanto cortante como navalha. – Um dos pontos fracos de se possuir uma ligação Draconiana; você não pode contrariar as vontades sublimes dela. Caso o faça, com a exceção de quando a vida dela correr perigo, é você quem vai se remoer de dor. – Comentou, quase debochado, vendo os maxilares trincados. – Você sente o prazer e a felicidade dela, mas a tristeza e decepção também.

O Dragão avançou a passos largos, parando em frente à mesa de madeira velha.

– Se pensa que vou permitir que você a use para alguma coisa, pode pensar duas vezes! — as palavras saíram raivosas por entre os dentes afiados.

Isso o líder levou como uma afronta.

–Eu jamais usaria Lucy para alguma coisa! – rosnou, embora ainda mantivesse o semblante calmo, com exceção das rugas em sua testa. –Lucy gosta de ficar aqui, em meio aos amigos, mas sempre vai embora por que sabe que você não fica bem, ainda mais com seu psicológico instável, então ela sempre arruma um jeito de ir embora pouco tempo depois. Ordená-la a ficar é uma forma dela não se sentir pressionada cada vez que você se sente desconfortável. Eu estou pouco me fodendo se você resolver explodir! Vou fazer o que é melhor para minha filha! – Atacou, ríspido e firme.

Isso foi como levar um soco no estomago. Acnologia recuou, como para se proteger. De fato seu psicológico instável era um problema, um problema grande e em andamento, que foi esquecido temporariamente devido aos dias prazerosos vividos na semana anterior. Se enterrar em Lucy era um bom anestésico, e ser embrulhado pelo amor dela regredia seus sintomas; os pesadelos e ataques provocados pela lembrança daquele dia terrível e de seus longos meses de martírio.

Enfiou as mãos nos bolsos, fechado os olhos brevemente e logo voltou a abri-los, encarando o mais velho com os olhos ainda mais carmesins.

–Que seja. – cuspiu entre dentes, incapaz de contestar. Se Lucy precisava dos amigos, se forçaria a ficar. – Mas não ouse envolvê-la em seus planos estúpidos para me manipular. Eu não vou deixá-la ficar aqui quando os Dragões forem a caça.

As feições do mestre de dobraram em estranhamento.

–Não tenho a intenção de te manipular. Meu objetivo é outro. – confessou. As sobrancelhas subiram. – O que quer dizer com irem à caça?

Ele não respondeu. Saiu da sala, querendo sair totalmente daquele lugar e ir tomar ar fresco em meio à floresta. Precisava se acalmar.

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–Calma Lucy! – exclamou a baixinha, parando puxando a maga antes que ela chagasse ao salão. A Heartphilia a encarou. – Preciso falar com você. – declarou, puxando a maga para uma sala vazia no andar de cima e fechando a porta. A única companhia do lugar eram as várias pilhas de papeis e documentos da Guilda.

–O que foi? – ela perguntou. Sua mente se desviou da felicidade entrando em um assunto importante, já antes tratado com Levy. – Alguma coisa sobre as doenças de Acnologia? – perguntou preocupada. O coração batia rápido.

Não era por que os sintomas tinham regredido que tinha melhorado completamente.

– Não. – tranqüilizou Levy, mas logo fez uma ressalva. – Embora ainda ache que você seja louca por dormir com ele. O TEPT pode fazê-lo te matar a qualquer minuto caso entre em um surto psicótico.

A loura bateu o pé impaciente.

– Não vou deixá-lo Levy, eu o amo e não vou abandoná-lo por causa de um único obstáculo. – Crispou irritada.

A pequena sorriu amarelo.

– Não disse para abandoná-lo. Embora eu o odeie.

–O sentimento é recíproco. – interrompeu-a, informando que o Dragão não seria simpático.

– Problemas. – titubeou, dando de ombros sem se importar. – Eu me referia sobre não dormir na mesma cama que ele. – moveu os ombros mais uma vez.

Lucy suspirou. Sua cabeça já estava cheia de problemas, problemas que tinha tentado evitar enfrentar com todas as forças, mesmo sabendo que uma hora teria de fazê-lo. Acontece que o problema Levy vs Acnologia não estava no topo de sua lista.

–O que você quer? – resmungou, irritada por sua amiga acabar com seu bom humor.

– Tudo bem, me desculpe. – murmurou envergonhada. – O assunto é outro.

A postura da pequena tornou-se seria. Lucy franziu o cenho.

– Eu andei pesquisando. Não achei nada de relevante a mais dobre as doenças, então resolvi me informar mais sobre Dragões, e descobri isso. – Disse, tirando do bolso um papel amassado com algo curto escrito.

Lucy o pegou em mãos e o abriu.

–Trados Dracones...? – leu em voz alta, sem entender.

–É uma língua estranha. Acredito que seja derivada do latim. Encontrei um livro na biblioteca central enquanto pesquisava. Ele fala sobre Dragões. Não consegui traduzir muito por que esta nessa língua estranha. Só peguei alguns tópicos usando o latim como base. – A pequena encarou os olhos chocolates, confidentes; dando a impressão de que era de extrema importância o que ia dizer. – Significa montador de Dragão; Aquele que cavalga sobre Dragões.

–Como assim? – perguntou. Seu cérebro meio travado tentando absorver o que ela lhe dizia.

–Como disse eu não entendi direito, mas parece se tratar de um poder, algo como a Unison Raid, só que mais poderoso. Não da para confiar muito, já que minha tradução tem cortes, mas... Lucy, acho que isso tem haver com companheiras de dragões.

A testa da maga se enrugou, encarando a menor com atenção.

– O que o livro diz?

Levy engoliu o seco antes de continuar. Mordeu os lábios hesitantes, e falou em um sussurro confidente, quase como se as palavras pudessem matar.

–Acredito que se trata de um poder que lhe da controle total de um Dragão. – ergueu os olhos, encarando-a. – O poder de controlar cada célula do corpo dele, incluindo a magia.

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–Lucy! – o abraço esmagador de Erza quase a fez desejar as ressalvas de reclamações feitas por Natsu e Happy, que só largaram do seu pé quando a Titânia apareceu, esmurrando ambos. Ir direto para o Hall depois daquela conversa estranha não tinha sido uma boa idéia.

–Oi... Erza... – murmurou com um pouco de dificuldade. Para sua alegria, a maga a soltou.

–Que saudade! – exclamou, segurando-a pelos ombros e analisando-a de corpo inteiro. – Você parece ótima! – antes que pudesse responder a ruiva a saiu puxando para perto da enfermaria, fazendo com que seus sapatos se chocassem rudemente contra a madeira, tentando correr para acompanhar. – Venha. Tenho algo a te mostrar.

– Oe, Erza, calma!

E pela terceira vez foi puxada para dentro de uma sala. A maga a largou, e Lucy saiu aos tropeços tentando frear. Quando se recompôs, olhou para a amiga que estava futricando a gaveta de um dos armários de metal do lugar.

–Aqui. – disse, retirando um baú pequeno de madeira, e mostrando a loira.

Ela o reconheceu de imediato.

Pulou nas mãos de Erza pegando a pequena caixa frágil nas mãos. O baú continha as cartas que escrevia para os pais, e as jóias e presentes que restaram de ambos. Abriu, e confirmou que estava tudo ali. Seus olhos se encheram de lagrimas, olhando para Erza.

–Obrigada! – Murmurou com a voz embriagada, pulando no pescoço da ruiva. – Obrigada, obrigada, obrigada!

A Titânia riu, e a abraçou de volta.

– Nós escondemos tudo antes que os soldados revistassem seu apartamento. Depois que eles se foram nós colocamos tudo em seu devido lugar outra vez. Estamos pagando seu aluguel desde então.

Lucy apertou ainda mais seu abraço, incapaz de conter as lágrimas que escorriam por suas pálpebras fechadas. Ela os amaria para sempre.

– Queremos que passe mais tempo aqui, sentimos sua falta. – justificou. – Claro que agora não dá já que o conselho está aqui para o festival, mas daqui a algum tempo, quando as coisas melhorarem...

A maga se afastou, limpando as lagrimas com a mão, enquanto mantinha o pequeno baú próximo ao corpo.

– Obrigada Erza. – falou com verdadeiro agradecimento, enquanto olhava os olhos dela, cheios de compaixão. – Eu vou vir sim. É uma promessa. – Iria cumprir. Não importa o que custe.

–Eu estava pensando... – indagou a ruiva. – Vamos para a Fairy Hills, tomar um banho, só com as meninas. Colocar o papo em dia com um monte de sais de banho.

Lucy sorriu abertamente e muito feliz.

–Parece ótimo para mim.

–Maravilha! – exclamou, os olhos brilhando em corações de alegria. Sentiu-se ligeiramente culpada por ter demorado tanto a voltar. Estava em um cabo de guerra; de um lado o frágil psicológico de Acnologia, de outro a saudade dos amigos. Chacoalhou a cabeça esquecendo-se momentaneamente de seus problemas, e prestando a devida atenção ao presente. – Vamos chamar as meninas. Precisamos passar horas na banheira, até virarmos uvas passas...

E continuou tagarelando sobre todos os tipos de sais os quais mergulhariam durante horas. Balançou a cabeça rindo alegre por estar de volta.

–A propósito... – ela parou abruptamente e Lucy a acompanhou. – Quando fomos ao apartamento sua mesa estava toda arranhada e esburacada.Nós a jogamos fora, maso que aconteceu? – questionou curiosa.

Lucy enrubesceu como um tomate – não que Erza tenha notado muito – lembrando-se do dia em que pediu a Acnologia que fosse um pouco mais selvagem. Com a cara mais lavada do mundo ergueu o rosto com um sorriso e disse:

–Cupins.

“Se todos soubéssemos os segredos uns dos outros, que conforto encontraríamos?”

Notas finais
Não tenho muito a dizer. Sei que tenho deixado a desejar ultimamente, mas as coisas estão realmente apertadas aqui. Eu prometo me esforçar mais depois que essa correria toda acabar. Espero que assim vocês comentem mais. Respondi a todos os comentários dessa vez, adorei cada um deles. são a unica rasão de eu continuar. Agradeço as recomendações e favoritos tambem. São eles quem mais elevam as fics. Muito obrigada, e respondendo a pergunta da maioria novamente: eu NÃO abandonei nenhuma fic. So estou com falta de tempo e um pouco sem inspiração. Planejo terminar essas duas fics ainda este ano. Obrigado a todos, espero que continuem comigo até o fim. Bjs XD