A Arte do Caos

25 Cap25: E a presa vira predador.


Observou o vapor dançar pelo ar indo em direção as janelas de vidro, embaçando-as. Fechou os olhos sentindo seu corpo ser embalado pelo calor da água. Era glorioso e relaxante. A banheira enorme de madeira e pedra era quase um milagre; todas suspiraram ao mesmo tempo, curtindo aquele prazer inestimável.

–Sabe o que me incomoda? Você ter morrido e voltado com esse mesmo corpão. – Cana reclamou. Todas afundadas na água olhando para o teto, somente relaxando.

Lucy riu.

–Acho que sobreviver ha morte trás benefícios, afinal não são todos que fazem isso. – brincou sarcástica.

Todas deram uma risadinha breve e seca.

Erza suspirou, sem tirar os olhos do teto.

–Como está sendo, Lucy? – perguntou, a mente vagando em perguntas. – Como esta sendo a vida com Acnologia?

A maga riu, um pouco mais alto e sarcástica.

– Nem vem! – exclamou, reclamando. – Vocês não vão me perguntar tudo sobre a minha vida e excluir a de vocês. Quero saber sobre vocês também. Como vai a vida aqui?

As três gemeram, como se a pergunta fosse um vírus.

–Ta tão ruim, é? – perguntou Lucy, erguendo uma sobrancelha. Não encarou ninguém, como todas continuaram olhando para o teto. Esticou o braço pegando mais um pouco do sal de banho cor-de-rosa e despejou mais uma quantidade na água. – Não importa, quero saber.

Erza bufou.

–Tudo bem então. Ordem alfabética?

– Feito. – concordaram Lucy e Levy.

– Feito para vocês, só se for. – resmungou Cana. Por algum milagre ela não estava bebendo.

A morena bufou antes de prosseguir.

–Uma merda. – foi sincera. – Ao contrario da maioria aqui eu não tenho um namorado. – Ela suspirou. – Todos os meus candidatos sumiram já que o papai resolveu ficar ciumento. – Praguejou, com mais alguns palavrões.

Todas riram.

– Pelo menos isso prova que ele se importa. – Instigou Levy. O tom quase imperceptível e queixoso por trás de sua voz dizia que ela guardava uma lamuria própria.

– Ele me convidou para viajar com ele no fim do ano. – Cana comentou dando de ombros, como se não desse importância, ao contrario do que sua voz dizia. – No inverno, sabe? Ver as auroras boreais em algum lugar.

Lucy se lembrou de que Acnologia já a tinha feito essa promessa algumas semanas antes. Foi inevitável não sorrir ao se lembrar.

–Vá com ele. – instigou Erza.

– Não! – Exclamou estarrecida.

–Por que não, Cana? – indagou a Heartphilia. – Vai ser bom para vocês dois. – Comentou sorridente.

Cana abriu a boca para dizer que tudo que menos queria era um pai na sua cola para encher o saco, mas então se lembrou de que a Maga Celeste não tinha mais ninguém. Nem mesmo tinha a eles o tempo todo. Seus amigos. Suspirou. Por enquanto possuía um pai; não era perfeito, mas era bom.

–Tudo bem, vou dar uma chance a ele. – Murmurou, mesmo que um pouco contrariada. – Mas na primeira cantada que ele der para alguma vadia na rua eu vou embora! – avisou ríspida.

Voltaram a rir.

– Acho que ele vai concordar com seus termos. – disse a loura voltando a rir.

–Chega de falar de mim. Já esgotei minha cota. Próxima. – repassou a morena, olhando para Erza em seguida.

A ruiva torceu o nariz.

–Não está muito diferente. – Suspirou, de repente mudou para um tom um pouco mais alegre. – Estou economizando para uma armadura nova.

Cana bufou, sem acreditar.

–Só isso? – desdenhou. –E quanto a sua vida amorosa?

–Não tenho vida amorosa! – retalhou, mas logo se mexeu desconfortável.

–Hum. Posso não estar olhando para você agora, mas este movimento na água diz tudo. – Resmungou a morena. Passou as mãos pela superfície da água para acumular a espuma mais para perto. – O cara de cabelo azul que entrou na Fairy Hills há uns dias atrás também confirma.

Erza ergueu-se bruscamente, olhou para Cana, que continuou relaxada como se não tivesse falado nada demais, e logo depois passou para Levy. A baixinha deu um sorriso amarelo.

–Ele saiu um pouco mais tarde do que costume no sábado. Fiquei até surpresa; ele geralmente sai de madrugada.

Essa foi à vez de Cana se erguer bruscamente, sentando na banheira.

–Pera ai! – Exclamou. – Vocês transaram?

–Não! – gritou. Seu rosto ficou tão rubro quanto os próprios cabelos. As três a olharam desacreditadas. – Quer dizer... – suspirou, levando a mão ao rosto, fechando os olhos e apertando a ponte do nariz. – Sim, uma vez. – confessou.

–Uau! Temos uma evolução aqui. – exclamou Cana, rindo da maga.

–Eh! – respondeu em um muxoxo, torcendo a cara e virando-a para o lado oposto.

–O que foi? – questionou Lucy, percebendo a cara melancólica da amiga.

–A transa foi ruim? – perguntou Cana sem a menor sensibilidade. Levy e Lucy a chutaram por baixo da espuma. – Ai! – protestou.

–Não! – Suspirou. – Não, é que... – outro suspiro. – Ele disse que ia voltar em três dias e hoje é o quarto. – Lamuriou em um tom decepcionado.

–Ele deve ter tido um problema. – consolou a Mcgarden.

– Levy tem razão. – disse a Heartphilia chamando sua atenção. – Estamos próximos do Hanami, o conselho triplicou a guarda. Não tem idéia do quanto foi complicado para Acnologia conseguir vir até aqui. Sobrevoamos horas até conseguirmos uma brecha para descer.

–Acnologia voa com você? – Cana perguntou. Lucy a fuzilou com um olhar de: ‘não é a hora’.

Ignorando a pergunta da morena, Erza titubeou.

–Mas não faz sentido! Jellal fez um acordo com Lahar para que ele fizesse vista grossa em troca de qualquer informação ou missão necessária para o conselho. Eles podem visitar Magnólia e todo território que Lahar seja responsável livremente! Só não podem fazer alarde.

Lucy arregalou os olhos surpresa.

–Jellal fez um acordo com Lahar? – perguntou incrédula.

Erza olhou para a loira, suspirando antes de responder.

–Sim. Ele e Meredy são a equipe secreta do Lahar. Ajudam quando ele precisa e em troca ele os mantém seguros do conselho. – Balançou as mãos como se isso fosse algo trivial.

Lucy baixou os olhos. Queria que pudesse haver uma solução semelhante para o seu caso também. Suspirou. Pelo menos sabia onde Acnologia estava. Ergueu as sobrancelhas. Ou quase!

–Mas Erza é o Hanami! – esclareceu Levy como se isso fosse a resposta de tudo. – Não é só o pelotão dos homens de Lahar que estão aqui; é de outros generais também. Somente os homens do Lahar fazem vista grossa, mas o resto está atento a tudo.

Erza suspirou forte.

–Não se preocupe. Ele vai vir assim que for possível.

A ruiva sorriu.

–Próxima. – murmurou, querendo parar com o assunto.

Levy gemeu agoniada.

–Não da para me pular?

–Não. – responderam de uma vez.

–Bom, eu não tenho namorado nem pretendente, então tirem os cavalos da chuva. Assunto encerrado. – respondeu tranquilamente.

–Mas não mesmo! – exclamou Erza. – E quanto ao Gajeel?

Levy torceu a cara como se a ruiva acabasse de insultá-la.

–Nem me fale naquele... – buscou na mente um adjetivo mais adequado. – Bruto!

Todas ergueram-se apoiando na borda da banheira, olhando fixamente para a baixinha. A careta de mau gosto que ela fazia não parecia ser nada boa.

–Está bem. Agora diga o que ele fez. – disse Cana.

A McGarden torceu os lábios em indecisão. Pensando no que seria melhor. A probabilidade de elas a deixarem sair sem contar era de um quase zero. Ou um zero total.

–Eu não sei direito. – desabafou por fim, deixando o corpo mole cair como uma pedra na beirada da banheira. – Ele está estranho comigo. Uma hora é legal, outra hora me trata como lixo; e às vezes tem uma crise de raiva inexplicável com qualquer coisa que eu faça!

Se não estivesse com um enorme peso nas costas devido a angustia que sofria por causa das mesmas mudanças temperamentais de Acnologia, Lucy teria rido. Estes eram um dos inúmeros sintomas nos quais seu Dragão também estava passando. A mínima – não tão pequena – diferença é que ele possuía alguns problemas psicológicos a mais para complementar o glorioso pacote. Sua vida poderia ser mais irônica?

–Vai ver ele ta na TPM. – sugeriu Cana. – Ai! – dessa vez a repressão veio apenas de Erza, que olhou a maga de cara feia.

–Quase isso. – resmungou Lucy, não passando de um murmúrio inaudível.

Antes que alguma deles pedisse para a loura repetir, Erza interrompeu, querendo ajudar a azulada.

–Levy, tenho certeza que ele tem uma razão muito boa para isso. – Interveio com a voz suave, que não durou muito, já que sua feição logo tornou-se sombria. – Até por que, se não tiver, vou usar a pele dele para fazer uma armadura.

A baixinha estremeceu. Pobre Gajeel!

–Eu não quero falar muito sobre isso agora. – comentou a McGarden, sem entusiasmo.

Isso fez com que a Heartphilia se decidisse. Estava passando por maus bocados, mas não deixaria que sua amiga sofresse o mesmo. Bateria um papinho amigável com Gajeel, e o ensinaria boas maneiras! Uma hora ele teria que pedi-la em namoro. Se Acnologia estivesse correto, os instintos sempre prevalecem. E já que ele iria pedir, teria que fazer direito.

–Ora, Levy, vamos lá!- encorajou Erza, tentando utilizar o tom mais calmo possível.

A pequena abraçou os joelhos e suspirou, balançando a cabeça negativamente. Seja o que for que tenha acontecido, não deixou nenhuma das três contentes.

–Muito bem, vamos lá. Próxima! — lembrou Cana, girando a cabeça para Lucy.

A loura arregalou os olhos. Tinha se esquecido desse detalhe. Como se o vento levasse a nuvem tristonha de cima da cabeça da McGarden, ela de entusiasmou.

–Sua vez Lu-chan. Como vão as coisas com Acnologia? – Apesar de sua desaprovação quase completa do pretendente de sua melhor amiga, a azulada não podia evitar se remoer de curiosidade. Romances de namoro proibido eram alguns dos seus livros favoritos! Poder presenciar um ao vivo iria inspirá-la em muitos outros que viesse a escrever.

–Vão bem. – respondeu em um resmungo. Como foi parar naquela cilada?

A morena torceu a cara, indignada. Deveria ter trago bebida para deixar as outras mais, ham, desinibidas.

–Ora Lucy, você sabe muito bem que não queremos ouvir um ‘vão bem’. Detalhes, querida, detalhes. Comece dizendo se ele é bom de cama.

A Heartphilia a encarou, irritada, e suas bochechas ficaram rosadas. Vendo que os três pares de olhos a encaravam com uma curiosidade imensa, se viu forçada a abrir o jogo.

–Não tenho uma experiência grande como você, Cana, — retalhou um pouquinho como vingança. – e nem tenho alguém para comparar, mas até o momento ele não me decepcionou em nada. – Terminou baixando os olhos, envergonhada.

–Há, há! Sabia que aquele corpo sexy não era só enfeite. – comentou a morena, sem pudores.

Isso fez uma minúscula chama ciúmes queimar no peito de Lucy, que ergueu o olhar. As outras pessoas não deveriam poder reparar no corpo sexy do seu namorado. Afinal ele era seu. Quanta afronta!

–Deve ser um tanto quanto difícil namorar e estar com alguém foragido. – comentou Erza, como se estivesse em uma situação muito diferente. Às vezes a maga aparentava ter memória curta. – Como vocês estão se virando?

–Hum? Ah, bem. – resmungou saindo de seu estado ciumento e compreendendo a pergunta em alguns instantes. – Acnologia conseguiu uma casa em...

–Não! – exclamou Erza. – Não nos conte a localização. Só nos diga o como, e não onde. – Suspirou. – Mesmo estando sob proteção de Lahar, o alto conselho ainda desconfia e vem aqui para nos por em um polígrafo*. Nós mentiríamos por vocês, mas é melhor prevenir.

Lucy assentiu, e continuou de onde tinha parado.

–Bom, vivemos em uma casa, na floresta. – disse sem dar detalhes de direção. – Por enquanto nós temos uma pequena fonte de dinheiro. Não precisamos gastar muito, já que Acnologia é um ótimo caçador, e podemos conseguir a maioria das coisas na própria floresta. – suspirou. – Entretanto, em alguns meses, teremos de arrumar um jeito de conseguir uma nova fonte de renda. – confessou.

Era um pouco preocupante, todavia este estava lá embaixo na sua longa lista de problemas a resolver. Levy deu uma risadinha da amiga, sabendo que as coisas estavam bem mais complicadas. Parou de rir notando uma coisa.

–Espera ai! – falou sem pensar. – Eu sou a única virgem daqui? Suas pervertidas! – acusou. Cobriu a boca quando percebeu a besteira que falou, ficando com as bochechas vermelhas.

Erza e Lucy coraram, e as três deram uma risadinha sem graça. A azulada abraçou as pernas antes de perguntar em um sussurro envergonhado.

–Como é?

Nenhuma delas precisou de uma explicação mais profunda sobre a pergunta. Entenderam de primeira. Suspirando, a Titânia perguntou.

–Quer mesmo saber?

Ela afirmou positivamente com a cabeça.

–Não é nada do que você espera. – disse Cana.

–Como? – perguntou Levy, sem compreender.

–É incrível. – intercedeu Lucy. – Mas é completamente diferente dos livros e do que você imagina. Não tem nada muito romântico ou cheio de flores.

–Hum. – murmurou a pequena.

Permaneceram em silêncio por algum tempo, sem muito o que comentar, pensando nas próprias vidas.

–Muito bem, já chega! – disse Erza quebrando o silêncio. – Chega de falar de homens ou de sexo. Vamos para outro assunto. Como foram as missões de vocês?

E assim retomaram para uma conversa menos melancólica e mais animada.

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Abraçou os ombros quando a brisa gelada e úmida, vinda do mar, passou por si. Já estava escuro, as estrelas brilhavam lindamente no céu noturno, e o brilho da cidade de Magnólia reluzia, acompanhando a orla da praia. Dava para ver os jovens brincando na areia, e um movimento maior de pessoas pelas ruas, arrumando os últimos detalhes que faltavam para iniciarem o Hanami na tarde do dia seguinte.

Suspirou admirando um pouco a visão, e encostando-se em uma das árvores que delimitavam o inicio da reserva florestal que cortava a cidade. Os mares verdes de folhas e troncos majestosos muito bem preservados eram o orgulho da cidade. Nenhum outro lugar preservava as matas e as árvores como a cidade das flores; e seu apelido já explicava o porque. As cerejeiras brilhantes como um arco-íris na primavera sempre foram um ganha-pão dos cidadãos e um grande sinônimo de glória.

Suspirando uma vez mais, abandonou a bela visão, entrando na floresta escura. O vestido branco curto e os chinelos de madeira eram sua única vestimenta, a qual Erza tinha lhe emprestado. Não veio preparada para ficar uma noite, mas já que o próprio mestre lhe pedira, não possuía escolha. Alias ainda nem imaginou onde poderia dormir. Apesar de poder ir ao seu apartamento não poderia arriscar. Tinha gente demais nas ruas.

Resmungou baixo. Deveria ao menos ter trago um par de roupas íntimas. A única coisa na qual conseguiu se arranjar foi uma calcinha. Andou calmamente em meio ás árvores, tomando cuidado para não tropeçar e cair.

Acnologia não estava na Guilda, e tinha sumido. Com toda certeza ele não zanzaria pela cidade, então só lhe restava a floresta. Sabia que ele gostava de florestas. Elas o acalmavam de uma maneira única, pois lá ele tinha paz. Sobreviver em uma é muito difícil, entretanto não existe nada mais pacífico, e de nenhuma outra maneira você encontra pessoas tão dispostas a ajudar as outras do que em uma floresta. Lá um ajuda o outro como pode, sem cobrar nada em troca. Já as cidades oferecem inúmeras facilidades, mas nenhuma paz.

A brisa passou espremida entre os troncos grossos a atingindo mais uma vez. Não se incomodou. Os ventos contra-alísios levariam seu cheiro até ele, e perspicaz como era o Dragão iria notar.

Continuou andando lentamente pela floresta, apertando um pouco os olhos por causa da escuridão. Não possuía mais medo de florestas, viver em uma mudava muito sua visão de mundo.

Congelou, parando de andar, sentindo um arrepio sinuoso subir por sua coluna. Virou-se lentamente e sem medo, sabendo quem a espreitava. E lá estava, agachado em cima de uma árvore de galhos grossos e firmes, encarando-a, como um felino; uma reles presa. Ele não estava em sua forma intermediaria, mas as asas e a calda longa estavam lá, emaranhadas nos galhos, dividindo seu peso e o mantendo firme sem necessariamente precisar das mãos.

Sabia que ele tinha acabado de aterrissar nos galhos sem que percebesse. Silencioso como uma cobra ele poderia tê-la matado. Analisou-o, notando que ele vestia apenas uma calça, deixando visíveis as poucas escamas rebeldes que apareciam em seu peito nu e nos braços repletos de veias grossas.

Os olhos de águia a encaravam, brilhando imponentes no escuro.

O Dragão desceu dos galhos, lenta e solenemente, dando a Lucy um pequeno show dos músculos poderosos trabalhando perfeitamente. Mordeu o lábio discretamente. Acnologia era inegavelmente lindo. Ele plantou os pés descalços no chão, tão silencioso quanto uma pantera.

–Não deveria estar aqui. – ele repreendeu, mas a voz rouca e manhosa revelou que ele não era o único que apreciava algo.

Lembrou-se do vestido curto que usava e do fato de estar sem sutiã, algo que os olhos poderosos com certeza iriam notar. A primavera aguçava muito os hormônios dos Dragões, e aparentemente os seus próprios também, já que ultimamente tinha andado muito disposta.

– Florestas são perigosas a noite, Lucy. – completou, aproximando-se dela.

–Eu não teria que entrar em uma floresta escura se você parasse de desaparecer. – rebateu, cruzando os braços.

Os olhos dele endureceram na defensiva, e, mesmo no escuro, pode ver suas asas e a calda remexerem-se desconfortáveis em suas costas.

–Eu queria lhe dar mais tempo para ficar com seus amigos. – justificou, as asas ainda mais inquietas. — Não precisa ir embora rápido só por que está preocupada comigo. – murmurou, erguendo a mão e passando as costas dos dedos na bochecha um pouco pálida.

Seu peito se apertou, e seus olhos achocolatados encheram de lagrimas. Segurou a palma dele em sua bochecha. Sabia que ele sofria psicologicamente a cada momento que não estava ao seu lado, por medo de perdê-la. Ele era como um torturado que não suporta o toque de alguém, por que se lembra de cada lamina que entrou em sua pele. E mesmo assim ele estava disposto a tolerar isso para que pudesse passar mais tempo com seus amigos.

– Acno... – o abraçou, enterrando o rosto nos músculos fortes, e apertando o corpo enorme contra o seu pequeno. – Obrigada.

Ele contornou-a com os braços pondo uma mão em sua cabeça, e a outra no meio da coluna fina. Buscou com o cheiro dela com o nariz, enterrando-se nos fios loiros, enquanto lhe massageava a nuca.

–Não se preocupe. – sussurrou de volta, com os lábios colados em sua testa.

Lucy apertou mais os dedos em suas costas. Ele era tão bom para si. Isso a fez lembrar-se de Levy. Acnologia tinha muitos defeitos, e provavelmente nunca conseguiriam possuir uma vida normal, mas Gajeel tinha tudo nas mãos. Suspirou pesadamente, apertando-se um pouco mais contra o corpo quente para afugentar-se da brisa gélida.

–Tem algo te incomodando. – murmurou com o nariz ainda enterrado nos fios loiros. Sua mão subia e descia pela linha da coluna dela.

A Hertphilia suspirou, mantendo os olhos fechados.

–Gajeel está fazendo besteira. – respondeu, a voz um pouco abafada pelo peito másculo. – Preciso bater um papinho com ele sobre como tratar Levy antes de irmos amanhã.

–Você nem sabe ao certo se ela é a companheira dele. – comentou, embriagado demais com o cheiro suave para pensar direito no que disse.

Lucy riu, a risada chacoalhava um pouco seu corpo.

–Sei sim. – riu um pouco mais. –Ele a está tratando da mesma forma que você me trata. – voltou a rir.

Acnologia a afastou, segurando-a pelos ombros e cerrando os olhos acusatórios em direção aos achocolatados risonhos.

–Como é? – perguntou indignado com a comparação imprópria.

Lucy mordeu o lábio.

–Bom, — começou incerta. – não a parte do estar pisando na bola. Quer dizer... Ele está tão agitado e arisco quanto você nessa época. – a ênfase na palavra deu a explicação necessária para o Dragão.

Ele arreganhou um sorriso cafajeste, puxando-a bruscamente contra seu corpo e a olhando nos olhos.

–Como se você não gostasse. – ronronou.

–E como poderia não gostar? – desdenhou. – Caso não tenha percebido, Acnologia, se corpo é o sonho de toda mulher.

Ele estancou atônito, meio chocado com a declaração desinibida. Lucy se aproveitou disso e o empurrou, virando as costas e cruzando os braços.

–E claro que você sabe usá-lo muito bem, já que deve ter praticado com muitas vadias por ai. – resmungou, emburrada.

Oh, sim. Sabia que estava agindo como uma legitima idiota ciumenta sem causa. Mas desde que suas amigas começaram a falar de como Acnologia era bonito – em todos os quesitos — não pode evitar repensar no assunto. Com toda certeza ele já tinha tido relações com muitas outras pessoas no passado.

A vergonha de ser tão estúpida queimava em seu peito, mas a raiva inexplicável e injustificável eram bem maiores. Bem, mais ou menos, já que ela nunca tinha tido nenhuma relação com alguém antes dele.

–Você está com ciúmes? – perguntou retoricamente, a voz saindo algumas oitavas mais alta. Lucy não demonstrava muito este sentimento, pois era controlada demais para expor algo negativo. Principalmente diante dele.

Isso o fez sorrir como um abobado e o orgulho inflou em seu peito. Agarrou-a por trás, circundando sua cintura.

– Você sabe muito bem, sua boba, que eu só tenho olhos para você. – Virou-a de frente para si e sussurrou em seu ouvido. — Quer que eu te leve a uma ilha deserta para provar? – ronronou, tomando os lábios rosados em um beijo cálido.

Ah, seu fetiche. O canalha tinha descoberto há algum tempo, e, como sempre, tentava usá-lo contra si. Entretanto ele não era o único observador. Acnologia adorava caçar, e, há algumas semanas, descobriu que ele também gostava de persegui-la.

Nunca tinha tentado tomar o controle dele na brincadeira. Eram raros os momentos em que se impunha, o que geralmente só ocorria quando o temperamento dele estava prestes a explodir e fazer um estrago. Mas nunca ali, principalmente em momentos íntimos. Entretanto, algo se acendeu em seu peito, lhe dando uma nova animação. Uma força desconhecida preencheu cada grama de seus músculos de forma intensa. Aproveitando-se disso, desceu as mãos para seu tórax e o empurrou.

Pego completamente de surpresa, Acnologia cambaleou vários metros para trás, usando as asas e a calda para voltar a se equilibrar. Como ela o tinha empurrado dessa maneira? Ergueu os olhos a tempo de vê-la dar um sorriso brincalhão e disparar por entre as arvores, sumindo de vista.

Demorou um pouco para perceber o que aconteceu, mas quando compreendeu deixou suas duvidas de lado e sorriu. Um choque de excitação subiu por sua espinha; seu pênis ficou duro e dolorido, exigindo que a encontrasse logo. Seus sentidos se aguçaram encontrando o rastro dela. Rosnou alto, batendo as asas com força, lançando-se aos céus em um vôo furioso atrás de sua presa.

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Nunca tinha conseguido correr tão rápido em sua vida. Na realidade, nunca tinha visto seu corpo responder tão bem e de maneira tão rápida a seus comandos. Há poucos minutos não conseguia ver quase nada ha sua frente, agora conseguia ver tudo como se fosse dia, ou até melhor. Nunca tinha enxergado tão bem!

Seu peito queimava como uma fogueira. Não sabia o que era, mas não a incomodava na realidade lhe dava uma incrível sensação de poder. Todos os cantos de seu corpo estavam mergulhados naquela energia poderosa, que lhe dava a impressão de ser indomável e inatingível.

De alguma forma sabia o que fazer para tapear por alguns minutos os sentidos de Acnologia. Sem parar de correr, puxou o vestido para cima, tirando-o do corpo, ficando impressionada por não ter batido em nada enquanto o fazia. Não se importando com o fato de agora estar só de calcinha, começou a trabalhar em seu plano, ouvido um rio a certa distância.

Como conseguia ouvir um rio dali?

Ignorando sua própria pergunta, voltou ao foco. Sem parar de correr, pegou um galho grosso no chão, amarrando seu vestido nele enquanto ia de encontro ao rio. Não demorou para chegar a margem. Assim que viu uma ligeira bifurcação nas águas, jogou o vestido, que boiou com a ajuda do galho. Tomou outra direção rapidamente, voltando a se embrenhar na escuridão das arvores.

Sabendo o jeito que Acnologia provavelmente estava, ele não notaria que ela estava tentando despistá-lo, e correria atrás do rastro mais visível, antes que sumisse pela água.

Acelerando para frente, sentir nenhuma fadiga muscular, manobrando pela floresta, durante longos minutos, deparou-se com uma clareira pequena. Estacou, parando na margem da área descampada. Era provável que assim que entrasse ali, ele a encontrasse.

Um arrepio de aviso atravessou sua espinha.

A armadilha não durou muito. Ele estava perto. Sem escolha, atravessou o descampado, correndo o máximo possível. Estava quase, prestes a mergulhar nas árvores do outro lado.

Um vulto atravessou em sua frente, obrigando-a a parar aos tropeços. E lá estava, com as asas esticadas para trás, indicando que acabaram de aterrissar, e com seu vestido branco nas mãos, encarando-a com um pouco de fúria ardente. Não que tivesse tempo de raciocinar muito. Acnologia a pegou, forte, pelas coxas, puxando-as para cima, antes de forçar seu corpo contra a árvore mais próxima. Sentiu dor nas costas quando o fez, mas logo seus lábios foram tomados com força bruta e paixão crua.

Ele rasgou sua calcinha com a brutalidade de alguém desesperado. Orgulhou-se de si mesma por um instante devido ao fato de deixá-lo nesse ponto. A mão calejada desceu por sua cintura indo para baixo de sua coxa. Percebeu que ele tentava descer apressadamente a própria calça.

Uma vez mais, aquela energia poderosa, de não querer ser dominada, de querer se impor, circundou-a novamente. Pela primeira vez queria ditar o ritmo da brincadeira; queria dar prazer a ele, e senti-lo como nunca antes em seu corpo. Com essa vontade instalando-se forte em todo seu espirito, ergueu-se antes que ele a penetrasse, agarrando seus ombros e forçando todo seu peso contra ele.

Pego de surpresa outra vez, Acnologia não teve tempo de contra-balancear o peso, tendo como única opção segurar Lucy firmemente, protegendo-a do impacto que viria. Sentiu a dor espalhar-se por todo seu dorso. As omoplatas ficaram doloridas, e a base de suas asas protestou, contorcendo-se, tentando achar uma posição mais confortável. Cerrou os dentes, soltando um gemido dolente.

Doeu muito, principalmente na base de sua envergadura.

–Lucy, mas que mer...

Foi interrompido por um beijo casto e cheio de vontade e amor. Ela acomodou-se em seu abdômen sem hesitar, sentando em cima de seu corpo como se fosse sua dona. Ele gemeu com o arrepio excitante que a idéia lhe causou. E ela era. O beijo o deixou sem fôlego. A maga ergueu-se sobre ele, também ofegante, mas com um olhar luxurioso e determinado.

Tentou erguer os braços para retomar sua posição, mas seus músculos travaram como se não o obedecessem.

Ergueu os olhos para cima, gemeu de insatisfação e satisfação assim que viu o porquê de seu corpo não obedecê-lo. Sua marca, o dragão azul que havia feito com quase toda sua magia para Lucy, tinha se movido e crescido. O azul brilhante em seus olhos queimava sua pele, movendo-se para cima dos seios, até chegar ao ombro direito. As asas, a calda e a cabeça esguia estavam começando a se esticar, e a ganhar mais detalhe.

Gemeu mais uma vez. Era isso que tinha tentado evitar.

Lucy Heartphilia estava começando a ganhar total controle sobre si. Estava sendo dominado e sua alma estava se fundindo a dela de tal maneira que tornaria os dois indestrutíveis quando alcançassem a conexão plena. Ela estava exigindo sua posse como Amazona**.

Não queria isso.

Não queria de forma alguma ser dominado ao ponto de pertencer a alguém. Não era por mal, ou por não confiar em Lucy, e nem mesmo por desconfiar que talvez ela roubasse seu livre arbítrio – uma das graves conseqüências em se ter a companheira errada, já que algumas queriam conquistar o poder dos dragões para usar em nome da própria ambição; outro motivo que gerou o ódio dos Dragões por humanos, e que levou muitas pessoas a procurarem pelas feras aladas. Mas não era por nenhum desses motivos.

Era algo instintivo para Acnologia recusar-se a deixar sua vida tão controlável a alguém. Algo que aprendeu durante a guerra.

Entretanto seu corpo parecia disposto a ceder a ela.

Gemeu quando os beijos desceram por seu pescoço, a língua começando a fazer estragos em seus mamilos e abdômen. Ela tocava seu corpo com uma idolatria incrível. Sentia-se almejado e desejoso. A maga desceu, demorando-se um pouco mais nas lombadas de seu abdômen e brincando com os poucos pelos que encontrava ali. Sem opções, apenas gemeu, fechando os olhos, e arfou com cada provocação, apertando a única parte do corpo dela que conseguia tocar: suas coxas.

Com toda certeza no dia seguinte estariam roxas.

Se pênis duro deslizou a ponta pela barriga lisa à medida que ela descia, acomodando-se e sendo espremido entre os seios macios. Gemeu de angustia e excitação, dobrando o corpo para cima enquanto suas asas contorciam-se, desesperadas, em suas costas.

Quando a mão fina envolveu sua base, suas costas dobraram contra sua vontade.

–Lucy... – gemeu inconformado com o fato dela provocar-lhe tanto prazer apenas com poucos toques.

–Você é a pessoa mais linda que já conheci, Acnologia. – ela murmurou, começando os movimentos rítmicos de baixo para cima com as mãos, apertando a cabeça larga e inchada.

Seu ego inflou com um orgulho de si mesmo que não sabia que possuía. Uma das mãos finas desceu, agarrando seu saco, forçando o a apertar os olhos e a jogar a cabeça para trás. Gozaria muito rápido se ela continuasse, entretanto estava de mãos atadas.

Não sabia de onde ela tinha tirado toda essa coragem desinibida, já que sempre fora tímida, mas gostou. Seu corpo e seu espírito gostaram quando ela decidiu tomar sua posse. Os movimentos cessaram, e, sem sua autorização, um gemido contrariado saiu por sua garganta.

Lucy riu, escalando o corpo do maior com seus beijos carinhosos. Rosnou, querendo acabar logo com isso. O desespero de tê-la queimava suas veias, seu pau doía, duro como pedra, ansioso para se abrigar. Para seu azar ela dava ordens ao seu corpo através de sua vontade.

–Eu te amo sabia? – murmurou em seu ouvido. – muito, muito, muito... – continuou, dando inúmeros beijos em seu rosto.

Sem ressalva, puxou-a para sua boca, devorando seus lábios de todas as formas possíveis. Sentiu-a sentar-se sobre si, permitindo que adentrasse no calor reconfortante de sua intimidade. Era glorioso de tão prazeroso. Gemeu, sem permitir que suas bocas se desgrudassem.

A maga rebolou, dando inicio aos movimentos. Acnologia a soltou, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos, rendendo-se a todo o prazer que poderia sentir. Ela o tocava com tanta reverência, amor e autoridade que enchia seu peito com um orgulho novo. Uma coisa poderosa que lhe dava satisfação por existir, um poder e vontade para viver.

Admirou a visão, quando a Heartphilia gemeu, jogando a cabeça para trás com prazer, aumentando o ritmo dos movimentos. Sua marca aumentava de tamanho, ocupando novos espaços, ganhando uma nova forma que só apareceria quando ela desejasse. Sua posse por ela acrescia, e a dela por si também.

Estava quase, e sabia que não adiantava mais lutar. Queria se submeter a ela da mesma forma que ela se submeteria.

Gozou com um gemido extasiante, rendendo-se completamente. Não tinha mais volta. Seu corpo relaxou e sua alma se expandiu, fundindo-se a dela. Rendeu-se ao poder de sua alma pura. Não havia mais volta; Lucy Heartphilia tinha total posse de todo seu poder.

Entretanto, não conseguia lamentar por isso.

Agora só lhe restava aguardar a primeira ordem.

“Dizer que o mundo vai acabar é a mais pura besteira! Somente tolos megalomaníacos pensão que uma coisa tão imprestável quanto a humanidade podem destruir o planeta. A Terra existe a 4 bilhões e anos, e vai continuar a existir. A vida existe por quase todo esse tempo, e, mesmo que façamos alguma besteira como poluir ou jogar bombas atômicas, a vida encontrará um meio, evoluindo. Vamos ser claros. O Planeta não está em risco, nós estamos em risco. Não temos o poder para destruir o planeta, nem para salvá-lo. Mas talvez tenhamos o poder de salvar a nós mesmos.”

Notas finais
Poligrafo*: Equipamento utilizado para medir a frequência cardíaca de uma pessoa, podendo assim determinar a possibilidade de ela estar mentindo. Amazona**: Denominação utilizada para mulheres que montam cavalos, ou quaisquer outro animal, e para guerreiras. Sei que demorei, mas estou prestes a fazer vestibular e minha vida está complicadíssima. Sei que querem minha outra fic, mas estou tendo problemas com o próximo cap. Não vou dar esperanças de que postarei o próximo rápido, mas garanto que até novembro vou agilizar um pouco as coisas. Alguns devem ter visto que mudei de Pseudônimo. Isso é por um motivo pessoal e temporário. Tenho planos de voltar ao antigo, mas podem me chamar pelo apelido anterior se quiserem. Nunca tive a intenção de usar o nome de uma de minhas personagens, portanto já acrescento que a Shinuky não é o meu 'Eu' da história. Foi apenas um nome conveniente. Espero que comentem, e que tenha surpreendido vocês. Sei que pisei na bola, mas por favor, comentários são o único incentivo que temos para continuar. Bjs XD