A Arte do Caos

23 Cap 23: O Paraíso não dura muito....


O vento batia forte contra seus cabelos; a sensação de queda livre embrulhava seu estômago com aquele friozinho angustiante, mas ao mesmo tempo delicioso. Ouvia seu coração batendo forte em seus ouvidos, a adrenalina disparada por suas veias. Não conseguiu evitar que milhares de risadas atravessassem seu corpo. Coisa estranha, não?

Conseguia ver a imensidão azul escura se aproximando rapidamente. O mar parecia ainda maior visto de cima. Um outro corpo pairou com elegância ao seu redor. As asas enormes repousadas em suas costas largas; um sorriso que a fazia derreter em seus lábios enquanto os fios negros eram chacoalhados pelo vento. Mordeu o lábio ao constatar que vê-lo descabelado era magnífico.

Ele a pegou nos braços musculosos e reconfortantes e abriu as longas e magníficas asas pouco antes de se chocarem com o mar, esvoaçando várias gotas por todo lado devido ao rasante. Ela riu ainda mais, esticando o braço e tocando na superfície azulada. Ele sorriu e bateu as asas recuperando altitude razoável. Estabilizou o vôo, tornando-o leve e tranqüilo.

–Está cansada? – questionou, o sorriso ainda ardendo em seus lábios, como se fosse incapaz de relaxar a musculatura facial.

Ela riu, pegando o colar que agora se fazia presente no pescoço másculo. Um simples cordão de couro que amarrava uma pedra ônix. Um presente de Shinuky acompanhado de uma carta, onde ela alegava que não gostaria de ver a nudez do Dragão quando ele se transformasse completamente devido a eventuais problemas que surgissem. Um colar de magia banal, com uma troca rápida de roupas, mas foi bem aceito. Afinal não queria que ele desfilasse nu, quando outras pessoas poderiam vê-lo.

–Nunca vou me cansar disso. – disse ela, soltando a pedra e pondo a mão em seu ombro nu. O dorso exposto lhe fazia ter pensamentos muito impróprios. – Suas asas é que vão ficar doloridas.

Seu corpo chacoalhou com uma breve risada.

–Acho que elas nunca vão ficar doloridas; não enquanto isso a fizer rir. – ele sorriu docemente. Lucy corou, lisonjeada com as palavras carinhosas e raras.Apesar do vento zumbir por seu ouvido, sua audição sensível foi capaz de captar facilmente o ronco do estômago daloura. – Está com fome?

–Um pouquinho. – Murmurou, remexendo-se em seus braços. – Estou querendo batatas gratinadas com frango. –Completou, imaginando-se saboreando o jantar ao olhar para o horizonte e ver o sol poente.

Ele riu, enquanto refazia a rota para casa.

–Não é meu trabalho pensar em comida? – questionou, olhando-a com o rosto sorridente.

Lucy também abriu um sorriso.

–Nem tente me enganar, Dragãozinho. Eu sei que seu estômago enorme não vê a hora de encontrar um belo jantar.

Acnologia não respondeu, muito menos comentou sobre o breve apelido. A verdade é que se divertia tanto com ela, que sua fome passava para segundo plano. Nunca pensou que voar seria algo divertido para se fazer.

Não demorou muito para avistar a casa. Aterrissou suavemente ao lado da porta que dava na cozinha, recolhendo as asas enormes e pondo Lucy no chão. A maga mordeu os lábios ao ver os músculos firmes e tencionados daquela barriguinha deliciosa que gostava de arranhar. Desviou os olhos antes que ele percebesse que estava quase babando e começasse a usar isso contra ela.

Ao entrarem no cômodo, ele perguntou:

–Vai precisar de ajuda?

Ela riu.

–Só se for para comermos pedra hoje. – Brincou, rindo ainda mais quando se virou e viu o rosto do garoto contorcido em uma careta. – Não se preocupe. – murmurou bagunçando os cabelos negros, e se virando para pegar os utensílios necessários. – Você tem outros vários talentos. Vá tomar banho. – sugeriu.

Ele aceitou a sugestão, mas não antes de dar um tapa na bunda da maga, que deu um gritinho surpreso e irritado. Ele riu no batente da cozinha e foi para o banheiro.

Lucy praguejou algumas palavras e continuou cozinhando. O esfomeado apareceu logo que a comida ficou pronta. Jantaram em silêncio. Tem sido assim há vários dias. Eles acordavam, comiam e Acnologia a levava para algum lugar belo e isolado, onde passavam o dia se divertindo, e, claro, se amando.

Não entendia muito bem o porquê, mas tanto sua libido quanto a de Acnologia tinham sofrido um aumento drástico há um tempo. Nessas expedições exploratórias, acabou descobrindo que possuía uma parafilia; tinha um fetiche pela nesofilia. Desde que descobriu isso, seu namorado tinha acrescentando uma grande cota de ilhas desertas para visitar. E o traidor conhecia muitas! Como se fosse necessário fazer muita coisa para convencê-la a transar.

O corpo lindo e gostoso já tinha condições de fazer todo o trabalho, e os altos índices de testosterona draconiana também não ajudavam.

Colocou as sobras na geladeira e os pratos na pia. Bocejou, enquanto olhava para a louça suja. Estava cansada demais para lavá-las hoje. Abraçou a si mesma sentindo um pouco de frio, mas logo seus braços foram substituídos por outro par mais quente e musculoso. Sorriu, fechando os olhos e deixando-se ser embrulhada por eles.

Os lábios coçaram em seu pescoço, enviando mensagens prazerosas por todo seu corpo, o cansaço se dissipando, e as pretensões do outro ficando mais claras.

–Você pretende voltar a Fairy Tail? – ele sussurrou, o hálito quente fazendo –a se arrepiar. Apesar do tom neutro, pode ouvir muito bem a discordância em sua voz. A idéia de sair daquele refugio seguro ainda lhe era um tormento.

–Sim. – respondeu, mesmo que isso não fosse de seu agrado. Pode senti-lo ficar um pouco mais rígido com a resposta. Virou-se para ele, dando de cara com o dorso nu e chamativo. Espalmou as mãos no tórax rígido,e, incapaz de desviar os olhos, completou. – Mas não pretendo fazê-lo agora. Vou esperar mais alguns dias para a próxima visita.

Acnologia relaxou, mas apenas um pouco. Seu temor foi adiado, entretanto não foi embora. Não podia impedi-la de visitar os amigos casualmente, iria contra sua promessa de dar a ela o máximo possível para tentar compensar tudo que lhe tirou, todavia isso não o impedia de sentir-se desconfortável.

Sentia-se um monstro por tentar limitar suas visitas. Ele sabia, que ao contrario de ambos, os amigos tão preciosos de Lucy não eram imortais, e ela os assistiria morrer um dia. Devia deixar que ela cultivasse o máximo possível de lembranças agora, antes que o pior acontecesse.

Com uma dor no peito e um nó na garganta, ele engoliu o seco e apertou-a nos braços.

–Quando quiser ir, pode me falar. Iremos quando quiser.

Tirando os olhos dos músculos hipnóticos, Lucy olhou para cima, bastante surpresa. Podia sentir o quão difícil foi para ele pronunciar aquelas palavras. Sorriu, verdadeiramente emocionada.

–Obrigada. – disse de coração, ficando na ponta dos pés e lhe dando um selinho.

Ele sorriu fraco, e puxou-a para um beijo molhado e carinhoso. Com o passar dos segundos, foi ficando mais e mais sedento, rendendo-se a ela, ao mesmo tempo em que ala se rendia a ele. Puxou um punhado de cabelos louros com força, enfiando o rosto na garganta desprotegida, e atacando-a com sua língua, lábios e nariz, aspirando cada fragrância e gostos, marcando-os como seus. Ergueu-a pondo-a na bancada da cozinha. Desceu os lábios para o busto cheio, beijando a parte exposta pelo decote mediano. Sua mão direita subiu pela cintura fina e agarrando um dos seios inchados e apertando-o com precisão, arrancando alguns gemidos e puxões em seus cabelos negros.

–Acno... – murmurou arfante. – Nós comemos aqui. – pestanejou, mesmo com seu corpo puxando-o para mais perto.

Ele ronronou, subindo por seu pescoço com a língua, e encarando-a nos olhos, segurando firmemente seu queixo.

–Exato. E por acaso eu encontrei uma sobremesa muito apetitosa. – Lucy estremeceu de excitação, sentindo seu ventre contrair. Acnologia tomou seus lábios, faminto, antes que pudesse pronunciar algo a mais.

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Seus pulmões estavam queimando. O ar saia e entrava violentamente; o vestidinho leve que mais parecia uma saída de praia não protegia em nada suas pernas; na realidade mal protegia seu corpo, já que não usava mais nada embaixo daquele pano. Seus chinelos estavam perdidos em algum lugar no meio daquela selva, e seus pés se sujavam no chão úmido, sentindo as fincadas de algumas pedras mais protuberantes.

Um frio gélido corria por sua espinha. Podia sentir; ele estava perto. Continuou correndo o mais rápido possível, olhando para trás de relance, sempre que conseguia. Não tinha a menor idéia de onde estava, a floresta parecia igual em qualquer direção que fosse. Passou a gostar ainda menos da idéia de labirinto.

Parou de correr e agachou-se atrás de uma pedra grande, enquanto esticava o pescoço para ver se seu perseguidor ainda a estava seguindo. Esforçou-se ao máximo para controlar a respiração. Engoliu em seco olhando para a mata densa.

–Bu!

Gritou, dando um pulo para trás ao mesmo tempo em que se virava, caindo de bunda no chão. Uma risada ecoou ao mesmo tempo em que ele puxou suas canelas e montou sobre seu corpo, rindo enquanto ela ofegava.

–Não teve graça! – resmungou irritada, tentando recuperar o fôlego.

Olhou para Acnologia, vendo o dorso descoberto, que ainda provocava-lhe borboletas, coberto por algumas poucas escamas negras e azuladas. Os olhos felinos lhe encaravam risonhos e maliciosos, enquanto as asas enormes repousavam em um arco pomposo a sua volta, impedindo-a de escapar. Mordeu os lábios, excitada.

–Claro que teve. – ele discordou, a respiração batendo em seu rosto. – É engraçado vê-la tentar fugir. Eu já lhe disse... – fez uma pausa, respirando fundo em seus cabelos louros antes de voltar a encará-la. – Consigo sentir seu cheiro a quilômetros. Posso ouvir seu coração a vários e vários metros. Não importa o que faça, estou tão sintonizado em você que não consigo perder sua localização.

Ela fez um bico. Teve muita vontade de mordê-lo.

–Valeu a tentativa. – murmurou, um pouco indignada por não ter cumprido com seu objetivo. Não havia jeito de despistar Acnologia. – Fica mais fácil rastrear quando se transforma? – as palavras e a curiosidade saltaram de sua boca antes que se detivesse.

Ele inclinou a cabeça, curioso, sem demonstrar qualquer sinal de aborrecimento. Juntou ainda mais os corpos, prensando-a na grama e terra.

–Sim, por quê?

Ela deu de ombros.

– Curiosidade. – murmurou. Pensou um pouco e depois complementou. – Gosto quando se transforma.

Apoiou a dobra das asas no chão, substituído a função de seus braços de apoiar a maior parte de seu peso, e praticamente deitou-se em cima do corpo da menor, acomodando a cabeça em seus seios. Incapaz de resistir, Lucy acariciou os cabelos negros, agora um pouco mais compridos que de costume.

–Você é a primeira pessoa no mundo a dizer isso. – comentou, pegando uma mecha dourada e enrolando-a nos dedos. – Normalmente as pessoas só gritam. Por que gosta disso?

Seus lábios se retorceram, tentando encontrar uma maneira de explicar.

–Não sei. Acho... interessante. É curioso, além de suas escamas serem lindas.

O rosto dele se retorceu em uma careta.

–Acho que você nunca me viu em todas as minhas formas.

Ela franziu o cenho.

–Estou te vendo agora e já te vi como Dragão. Você estava me atacando, só para lembrar, e cá estamos nós. – Acnologia não se deixou abalar pelo complemento. Já estava no passado. – Você tem alguma outra forma assustadora?

Ele deu um meio sorriso, envergonhado e triste.

–Eu possuo uma forma intermediaria. Seria aquilo que seus amigos chamam de forma completa da Dragon Force. – Ele desviou os olhos buscando algo na mente. – Acho que você ainda não a viu.

Os olhos castanhos brilharam como uma criança no natal. As sobrancelhas ergueram-se, confusas. Não era bem a reação que esperava.

–Me mostra? – pediu, os olhos brilhando em expectativa.

Os lábios de Acnologia se retorceram em uma linha fina. Parte de si anda acreditava que Lucy sairia correndo em algum momento quando lhe assustasse, mas a outra parte ainda queria que ela o aceitasse em todas as facetas; que não importa o que se tornasse ela continuaria ali, ao seu lado, o amando. Essa parte venceu.

Fechou os olhos, deixando que o resto das escamas se espalhassem por todo seu corpo, fundindo-se umas as outras. Seus cabelos se alongaram, ficando compridos e volumosos; os pares de chifres com marcas azuladas começaram a aparecer em sua cabeça. Suas asas se esticaram e sua calda apareceu, com uma afiada forquilha na ponta. Os olhos azuis, brilhantes e felinos, se abriram, fazendo contraste com as escamas negras, decoradas com poucas demarcações azuis.

Encarou-a comternura, procurando minuciosamente qualquer sinal de pânico. Ninguém nunca esteve tão próximo a si dessa forma; ao menos não que tenham vivido para contar.

Lucy espalmou as mãos em ambos os lados do rosto ligeiramente tenebroso, encantada com os detalhes brilhantes nas escamas. Quando chegou aos olhos, percebeu a ligeira tensão nos ombros dele.

–Você fica ainda mais bonitão com esses cabelos longos. – comentou, amenizando sua tensão e pegando um punhado de fios em uma das mãos.

Ele sorriu, mais relaxado, entretanto não disse nada.Deixou-a avaliá-lo.

As mãos pequenas desceram pelo pescoço, deslizando pela superfície lisa e dura, até chegar no tórax, parando exatamente encima do coração.

–Você está quente. – constatou em um sussurro. Ele continuou mudo. Lucy provavelmente já sabia que sua temperatura corporal aumentava quando se transformava; não era tanto quanto Igneel, ou outros da raça do fogo, mas era significativo. – É bonito, sabia? – murmurou, acompanhando os breves desenhos azuis brilhantes.

Acnologia fechou os olhos prazerosamente, e um ronronar retumbou vibrante em seu peito. O som era estranhamente acolhedor. Lucy continuou dedilhando as escamas, e o Dragão escondeu o rosto em seu pescoço. Sentiu a calda escamosa enrolar-se em sua panturrilha e chocha, lhe provocando um calafrio na coluna. Era um pouco estranho, mas tentou não demonstrar.

–Eu te amo, sabia? – as palavras, mesmo saindo em um tom mais rouco e reptiliano, surtiam um efeito maravilhoso em seu coração.Eram tão raras... As lagrimas felizes se acumularam em seus olhos. – Você é a única pessoa do mundo que não me odeia e não me teme. É a única que me vê nessa forma e tem coragem de me tocar. Você sempre diz aquilo que preciso ouvir, e sempre me faz ceder. – A voz era um sussurro, mas repleta de emoções.

Derreteu sob o corpo da criatura magnífica, e gostou disso. Gostou de poder ser protegida e acolhida nos braços de alguém tão poderoso. Gostava de se sentir amada, querida e bem vinda ali, naquele ninho protegido de tudo.

Acnologia continuou distribuindo beijos por toda a pele exposta de seu pescoço, busto, rosto; sua mão subiu, raspando as garras pelo tecido, e gerando arrepios prazerosos em Lucy. Era a mesma sensação de sentir uma lâmina afiada correr por seus dedos; lhe dava uma impressão de poder e medo ao mesmo tempo. Os dedos continuaram seu trajeto, até chegar ao vale de seus seios. A ponta afiada do dedo indicador encontrou o tecido fino do vestido e deslizou, cortando-o como estiletedo busto a cintura, transformando-o em um retalho de pano cortado.

O corpo Dracônico foi retrocedendo para a forma humana, e suas mãos o exploravam ainda mais avidamente. Um beijo fogoso tomou espaço, e os dedos espertos encontraram o esconderijo em meio a suas pernas. Lucy quebrou o beijo.

–Dragãozinho mal. – acusou, soltando um gemido prazeroso. Sua respiração começava a ficar desregular.

–Com você? Sempre. – ronronou, beliscando o botão rosado que decorava os seios inchados com a boca.

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–Você tem que parar com isso, sabia? – resmungou, tentando inutilmente puxar a blusa mais para baixo, na intenção de tapar mais suas cochas.

–Isso o que? – ele perguntou mais atrás, saindo da hipnose sensual dos quadris seminus de Lucy. Deu uma corridinha para chegar ao lado dela quando percebeu que estava muito atrás devido a suas observações pervertidas.

As bochechas infladas e coradas, tanto pela raiva quanto pela vergonha, viraram-se para si acompanhada de um par de olhos castanhos irritados.

–Rasgar minhas roupas toda vez que fazemos sexo! – estava tão indignada que mal percebeu que a ‘palavra proibida’ saíra de sua boca com tanta facilidade. Corou ainda mais e logo completou para desviar o assunto. – Não temos uma renda fixa para comprar mais roupas. Temos um bom dinheiro agora, mas se continuar assim ele não vai durar tanto. – Havia um pouco de verdade naquelas palavras. De fato, os rubis ‘roubados’ não durariam para sempre. Teriam de encontrar outra forma de ganhar dinheiro daqui a um tempo.

Grande parte da comida e materiais necessários poderiam ser retirados da floresta, mas outros não, como roupas, sapatos, papel higiênico. Uns mais necessários que outros, mas ainda assim indispensáveis.

Acnologia riu divertido, enquanto Lucy destrancava a porta. A maga virou-se para ele antes de entrar, colocando as mãos na cintura e batendo o pé.

O Dragão puxou-a para seus braços, desfazendo a postura raivosa.

–Não é como se você não tivesse gostado. – contra-atacou, e logo a puxou para um beijo.

Abriu a porta com uma das mãos enquanto a outra a mantinha colada em seu corpo. Empurrou-a para dentro, sentindo os dedos dela emaranharem em seu cabelo. Colou-a contra uma das paredes da casa, enfiando as mãos embaixo de sua blusa, que agora era a única proteção que o corpo de Lucy tinha contra o seu.

–Hurum.

Separaram-se em um pulo, viraram-se e encontraram uma terceira pessoa sentada no sofá da sala.

–Shinuky? – exclamou Lucy, a vergonha colorindo seu rosto em todos os tons possíveis.

–Lucy. – ela falou de volta, abrindo um sorriso e acenando com uma mão. – Que bom revê-la. Está melhor que da ultima vez que nos encontramos.

Ela sorriu amarelo, puxando a camisa o máximo possível para baixo.

–Pois é. – sussurrou totalmente constrangida. Olhou para os pés, apertando todos os dedos em conjunto. – Eu... humm. Eu vou tomar banho. – Disse, apontando para o quarto onde encontrava-se o único banheiro da casa, e saiu apressada, fechando a porta.

Acnologia observou o andar suave, com um sorriso leve de canto.

–Sabe, quando lhe dei essa casa não esperava que entrasse emlua de mel. – disse a outra, chamando sua atenção.

Os olhos azuis faiscaram com um pouco de raiva, mas não disse nada. Estava curioso para saber como ela sabia tudo a respeito de sua vida. Vendo a pergunta em seus olhos, ela respondeu.

–Qual é! Eu chego e vejo vocês dois se devorando na porta, além de que até agora você não me insultou, o que torna ainda mais obvio que acabaram de voltar de uma festinha particular. A propósito, ela está com sua blusa. – Ele ergueu uma sobrancelha, sem entender o que seus insultos tinham a ver com a coisa toda. Ela suspirou e revirou os olhos como se estivesse lidando com um burro. – Você esta de bom humor e claramente relaxado. Reações típicas de um homem que acabou de ter um orgasmo. – jogou na lata, sem rodeios.

Dessa vez ele corou. Desviou o rosto e suspirou forte para conter a raiva.

–Se eu não te devesse tanto eu iria te bater agora. Diga logo o que quer.

Ela coçou a orelha com o indicador, permanecendo relaxada no sofá.

–Vim fazer uma recomendação. A primavera chegou e logo seu auge vai se aproximar. – seu tom ficou um pouco mais sério, e ela fitou o nada como se estivesse se lembrando de algo. – As coisas estão ficando agitadas. Estou encontrando muitos conhecidos ultimamente. Estão agitados como sempre. – os olhos passaram para Acnologia. – Você e Lucy têm que treinar sua sincronia. A ligação de vocês é forte, mas precisão se preparar para o pior. O cheiro dela é muito bom. Vai atrair velhos inimigos, ainda mais estando coberto com o seu.

O garoto rosnou, grave e perigosamente. Começou a andar de um lado para o outro .

–Eu não vou permitir. Ninguém jamais tocará nela! – a mescla das vozes graves e reptilianas era de dar arrepios.

– Eu sei que não. – ela disse com calma, tomando cuidado para não entrar em um assunto delicado. O fato de estar sendo tão territorialista demonstrava que o incidente há meses atrás tinha sido um marco muito grande. Correndo o risco de pisar em ovos, prosseguiu. – Hizame, muito provavelmente, vai atrás da Fairy Tail, e Lucy vai querer ajudá-los. Pense nisso. Se conseguir permitir que ela se ligue a você, poderá ficar ainda mais poderoso e conseguirá se envolver sem correr o risco de ela sofrer um arranhão.

Acnologia não disse nada. Os olhos escuros encaravam o chão. Shinuky suspirou.

–A escolha é sua. – murmurou, e se retirou. Era muito provável que demorasse a vê-la novamente. Ela gostava de sumir e se sentir livre.

Sentou-se no sofá, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos. Conseguia ouvir claramente com os ouvidos poderosos o barulho da água caindo no corpo esbelto e delicioso que lhe pertencia. Acompanhado dela, um suave cantarolar, ligeiramente desafinado, hipnotizava seus ouvidos, juntamente com o canto dos pássaros ao longe.

Talvez não fosse tão ruim ceder totalmente. Mas não agora.

“Todos tem o direito de guardar o segredo de seu passado tenebroso. Muitas pessoas julgam e o chamam de frio, quando ele, na verdade, é apenas triste.”

Notas finais
Podem atirar as pedras. Estou realmente sem tempo de escrever. Muita gente me perguntou se abandonei a fic, mas a resposta é não. Não abandonei e não pretendo abandonar. Não quero começar uma coisa e deixar inacabado. O problema é que saio de casa as 6 da manha e so volto as 19;00h. Não fins de semana eu so quero dormir. Sim, escola é um porre. Pretendo repor o tempo perdido nas férias. Desculpem o atraso. Eu pretendo responder a todos nos próximos dias assim que possível. Bjs XD