A Arte do Caos

16 Cap 16: Monstros também amam.


O vento batia constantemente em suas asas, elevando sua altitude e fazendo-o sobrevoar tranquilamente a floresta densa. Não demorou muito para encontrar a casa escondida estrategicamente em meio a ela. Mergulhou em direção a mesma e abriu as asas aterrissando em frente à porta. Assim que elas voltaram a se esconder sobre sua pele, vestiu a blusa que carregava em suas mãos. Suspirou, olhando a casa praticamente toda vidrada, contrastando com as trepadeiras que subiam nela. Típico de Shinuky. Ela odiava ficar trancafiada em um lugar escuro. Lhe dava a sensação de estar presa, e isso, para um dragão feito para voar, era algo extremamente ruim.

Dava a sensação de prisão; de incapacidade da única coisa que ela amava fazer: voar.

Abriu a porta de madeira talhada com o símbolo que ela carregava no peito, sem bater ou perguntar se podia entrar. Ela já sabia que estava ali.

Entrou na sala de mármore negro, os sofás de cor pastel e um grande tapete felpudo branco. Ela estava lá, deitada no maior sofá, com um pijama fino de mangas e calça comprida azul. Segurava em suas mãos um copo largo com um suco. Sentou-se no menor sofá (mais semelhante a uma poltrona) com um suspiro.

–Quem te viu quem te vê, Acnologia. – disse em deboche pela ruga problemática visível na testa do Dragão. – Veio me dar um oi? – perguntou irônica.

Ele ignorou a primeira parte, mas a segunda lhe fez ficar um pouco mau. Sabia que como regra geral ninguém procurava Shinuky para dizer “olá”. Sentia-se um interesseiro agora. Ela tinha a estranha capacidade, ou dom, de resolver todos os problemas das pessoas as quais ela tinha alguma consideração, mas dessa vez não poderia mudar de assunto. Veio com um objetivo e planejava cumpri-lo.

–Desculpe, Shinuky, mas estou com um problema que realmente espero que tenha uma solução. – disse levando uma das mãos a nuca, bagunçando seus cabelos, para logo esfregar o rosto com as duas mãos como se estivesse acabando de acordar.

A seriedade nas palavras dele fez a garota se endireitar um pouco e colocar o copo que estava bebendo na mesinha ao lado do braço do sofá. Olhou para o Dragão que agora com o rosto apoiado em uma das mãos que possuía o cotovelo apoiado na poltrona.

–Ta’ legal. O que foi?

Acnologia suspirou outra vez antes de começar.

–Minha marca. – murmurou. – Ela está muito mais avançada do que deveria em Lucy.

– Avançada quanto? – perguntou se levantando e parando em frente a uma das vidraças com uma mão no queixo.

– A ponto de ela quase me dar ordens. – falou ríspido.

A palavra “ordem” não foi usada no sentido de comando literal. Shinuky sabia. Ela significava obedecer ao desejo. Não era como um cachorro que você manda sentar e ele se senta, mas sim um desejo incumbido, que era realizado sem a necessidade de ser dito, como por exemplo quando Lucy quer tocar em suas escamas e elas apareceram para serem tocadas. Era uma maneira de equilibrar a ligação, já que os Dragões poderiam sentir os sentimentos de sua companheira, rastreá-la, controlar quem se aproxima delas, etc.

O controle por desejo era apenas ativo em uma situação extrema para que o companheiro não faça uma burrada (como no caso explodir uma ilha) ou em uma situação intima.

A Dragoa estalou a língua enquanto pensava.

–Talvez ela esteja avançada demais por que sua ligação com ela é forte... ou talvez...- balançou a mão no ar e chacoalhou a cabeça como se estivesse descartado a hipótese. Iria demorar vários anos para que isso ocorresse. Não era possível uma ligação ficar completa em um período de tempo tão curto assim... ou teria?

Bom, se ela se finalizar tão rápido assim, Lucy provavelmente...

–É, talvez. – o Dragão cortou sua linha de raciocínio. – Mas tem outra coisa. – falou retornando a chamar a atenção dela. – Quatro amigos de Lucy descobriram quem eu realmente sou.

–Quatro em uma semana? – perguntou. – As coisas andam bem, em? – debochou.

O Dragão mordeu a língua para não mandá-la ir à merda.

–O problema, — retomou ríspido como se não tivesse ouvido. – É que eu estou tendo gana de matar dês de que voltei daquela maldita missão. – reclamou mais consigo mesmo.

Isso fez Shinuky arregalar os olhos e girar os calcanhares para olhar em direção ao dragão.

– Explique! – exigiu com urgência.

Outro suspiro.

– Era uma missão simples. – respondeu vago enquanto lembrava. – Eu nem precisei usar magia. Tínhamos que capturar um grupo de ladrões que se mesclava entre magos e humanos. Quando acampamos na floresta, três deles encontraram o acampamento e dois tiveram um interesse claro nela. – ele quase rosnou ao se lembrar. Seu nariz nunca se enganava. Ah, como o ódio correu livre em suas veias naquele momento. Os ingênuos achavam que estava dormindo. Hunf. Como se fosse dormir em meio a uma floresta infestada de homens como eles. Não... montara vigília enquanto Lucy dormia protegida em seus braços. – Eu quase os matei em frente ao time. Dês de então isso só tem piorado. Está mais freqüente, e, hoje, eu quase matei dois amigos de Lucy junto com um bando de macacos irritantes.

Isso fez a mente de Shinuky trabalhar a mil. Dava quase para ver as engrenagens. Problemático!– pensou. Ter gana de matar alguém, quando se trata de Dragões, é algo muito sério. Se Acnologia, que ganhou titulo de Rei através da força bruta, se descontrolar gravemente, ele poderia, literalmente, mandar meio mundo para o espaço.

Em todas as ocasiões Lucy estava por perto. Isso é bom. Significava que essa gana era controlável. Ele só não podia se distanciar demais da maga. Isso talvez funcionasse e talvez essa gana fosse apenas passageira. Nesse caso teria que contar com a sorte.

–Talvez sua ligação com ela, por ser forte demais, esteja fazendo seu instinto assumir o controle. – murmurou a hipótese. – A ligação é recente e pode ser desfeita caso outro Dragão... – gesticulou com a mão enquanto levava a outra a cintura. – Você sabe. – Acnologia rosnou. Ela ignorou. – Por a ligação ser mais forte do que o normal, você esta mais ligado a ela e, por tanto, mais possessivo. A possibilidade de ela ser quebrada enquanto não completarem os primeiros 14 dias está te fazendo você considerar qualquer mínima ameaça a você ou a Lucy como algo de risco em potencial. O que gera sua gana. Mas como disse isso é um talvez. Porem é o talvez mais provável.

–Como assim minha ligação com ela pode ser quebrada?- questionou irritado.

Shinuky se virou para ele com a sobrancelha arqueada. Logo se lembrou que ninguém nunca explicou para Acnologia os termos brutos da magia de ligação, até por que ele não teve um Dragão para ensiná-lo, como faziam de geração a geração. O que ele sabia sobre ela estava embutido em sua memória, quase como se nascesse sabendo.

–Não me olhe com essa cara. – resmungou gesticulando os braços e andando pelo tapete felpudo, sendo seguida pelos obres azuis. – Uma ligação dessas não é uma daquelas magias ridículas como tirar coelho de uma cartola. É extremamente complexa, por isso ela leva tempo para se ‘acomodar’ no corpo do hospedeiro. Esse prazo é em torno de 30 dias. Mas como você disse que a sua ligação está adiantada, presumo que demore metade desse tempo até que ela se fixe ao corpo de Lucy. Se alguém tentar romper a marca antes desse período se finalizar é provável que consiga. – Girou os calcanhares outra vez para encará-lo e elevou o braço apontando o dedo indicador para ele. – O corpo dela já possui resistência física? – questionou. Ele acenou afirmativamente com a cabeça e virou o rosto. – Foi o que pensei. – falou para si mesma parando de apontar para ele. Logo notou o rubor nas bochechas que ele tentava esconder. – Ahh que fofinho. Descobriu isso do jeito menos convencional , não é?

As bochechas ficaram mais rubras e ele rosnou.

–Deixe-me adivinhar. – fez uma pausa para dar tenção e estalou a língua. – Perdeu o controle com ela?

Virou mais o rosto tentando se esconder. Shinuky riu largamente e se sentou no sofá, cruzando as pernas. Na verdade, fora ela quem havia pedido para ele perder o controle, porem dizer isso em voz alta requeria uma coragem que no momento ele não estava disposto a reunir.

–Não desvie do assunto. – falou ríspido, voltando a se recompor.

Shinuky sorriu debochada, mas logo suspirou.

–A primavera vai chegar em alguns meses. Isso deve ter piorado mais seu estado. Creio que dês de que não saia de perto de Lucy até o prazo dos 14 dias acabar não vai acontecer nada grave. Tente não matar ninguém até lá. E vê se ninguém mais descobre. Eu vou pesquisar um pouco mais; Ver se isso pode ser devido a outro motivo. Como eu disse, são apenas talvez.

Acnologia olhou para um ponto não específico absorvendo as informações.

–Na primavera eu não terei mais problemas, não é?

Shinuky o olhou com a cabeça apoiada na mão, enquanto dobrava as pernas para o lado em cima do sofá.

–Alem do desejo por Lucy que vai consumi-lo, não. – falou dando de ombros como se não fosse nada. O que basicamente era. – Até lá, a marca estará definitiva no corpo dela, mas, claro, é provável que você ainda tenha essa gana, afinal o cheiro de Lucy é muito atrativo, mas acho que estará mais controlável.

Acnologia nada disse. Sabia perfeitamente que outros Dragões não se importam muito com companheiras, ou pelo menos isso ocorre com aqueles que não tem uma. Se lhe atraírem eles iram atrás dela na primavera (época que são mais agressivos) e tudo começa a virar um vale tudo. Há muito tempo não se vê competições entre Dragões, até por que a maioria gosta de se mesclar a humanos, principalmente nesta ocasião, mas isso não quer dizer que elas não ocorram.

–Preciso ir. – informou.

– Você não contou nada a ela ainda, não e? – perguntou antes que ele fizesse menção de se levantar. – não lhe disse quase nada sobre a ligação que partilham. – sua voz era quase um sussurro, mas não havia repreensão nela.

Acnologia fechou os olhos recostando a cabeça no sofá.

–Sabe... as vezes, eu tenho a sensação de que estou com a parceira errada. De que ela é boa demais pra mim. – Desabafou.

Shinuky riu.

– Isso se chama remorso pelas coisas que fez e agora não pode mais se orgulhar. – abafou outro riso com a mão. – Lucy não glorifica nada que você tenha feito em seu passado, apesar de não acusá-lo também. Ela é sua parceira. Sempre foi.

Ergueu a cabeça abrindo os olhos e fixou-os na garota a sua frente.

–Mas você disse que...

– Eu disse que uma ligação recém feita pode ser rompida. – interrompeu. – Criar ou fazer outra ligação com o hospedeiro é outra história. Se ela não fosse sua parceira, ela teria morrido em seus braços no dia que a marcou. O corpo dela não agüentaria e rejeitaria seu poder; mas não! O corpo dela o aceitou e se adaptou a ele; Jamais se adaptará a outra magia ou outra pessoa.

O Dragão sorriu. Algo nisso o fez se sentir... bem.

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A água corria batendo e escorrendo lentamente sobre seu corpo. Suspirou sentindo os músculos relaxarem timidamente ao toque da água quente. Sentia-se cansada e agoniada. Uma mistura estranha de angustia, decepção, tristeza e uma vontade inexplicável de chorar. Sentia-se um monstro ao mesmo tempo em que pensava que seus amigos eram monstros.

Sentia-se traidora por não ter dito dês do inicio quem Acnologia era, mas, caso o fizesse, eles o julgariam sem antes conhecê-lo. Seu plano era permanecer alguns meses assim: sem contar e depois de algum tempo de convivência contaria tudo para que eles o julgassem pelo que ele foi em torno dos meses decorridos. Porem, também sentia-se traída por eles não verem da maneira dela. Há dois lados na história, não? Então por que não escutaram?

Se mantiveram em silencio, claro, mas ainda a olhavam como se estivesse cometendo um crime. Oh, ironia. Amar agora é um crime. Deveria ter aprendido que apesar dos ‘príncipes’ existirem a vida não é um conto de fadas. Não basta encontrá-lo para se ter o “Felizes para Sempre”, é necessário conviver e enfrentar problemas rotineiros e até mesmo alguns inusitados. O fato é que a vida não gosta de ‘Felizes para Sempre’, por isso fará questão de estragá-lo na primeira oportunidade.

Se fosse igual aos livros em que bastava encontrá-lo e ficaria tudo bem.

Fechou os olhos jogando a cabeça para trás, molhando o rosto e os cabelos louros. Baixou o rosto novamente, pegando todo o cabelo molhado e o ajuntando para jogá-lo em cima de um ombro. Olhou vagamente para a água que escorria no ralo. Queria parar o tempo para não ter mais que enfrentar problemas, mas o mundo não para pra que você possa descer.

Levou um susto quando sentiu dois braços fortes de enrolarem em sua cintura e lhe puxarem contra um peito nu e firme. Um queixo se enterrou no topo de sua cabeça. Nenhuma palavra foi dita. Não precisava olhar para saber quem é. Somente ele fazia seus músculos relaxarem.

Também não precisava olhar para saber que ele estava de olhos fechados. Nem se queixou de ambos estarem nus. Sua cabeça estava cheia demais para isso.

– Eu posso senti-la sabia? – perguntou quebrando o silencio mórbido. – Acho que já lhe disse isso. Posso sentir sua angustia, sua tristeza, decepção e até mesmo um pouco da sua raiva. Posso sentir tudo isso como se fossem meus sentimentos e não seus. Isso me deixa agoniado também Lucy. É como se alguém me quebrasse por dentro e eu não posso fazer nada além de assistir. Eu não gosto que sofra.

Lucy abriu e fechou a boca varias vezes sem conseguir formular nada, nenhuma desculpa. Suspirou. Estava cansada de desculpas. Respirou fundo e fez algo que queria muito dês de que Levy descobrira seu segredo: Desabafar.

–Eu não sei o que pensar. – confessou. Segurou seu cabelo com as duas mãos, apertando-o e removendo a água que logo seria reposta pelo chuveiro. – Sei que deveria ter contado, mas... quando Levy reagiu daquele jeito... Eu não sei! Não sei de mais nada. Não sei se a maioria vai reagir passivamente como o Mestre ou se vão nos julgar como a Levy. Se todos reagirem como ela... – falou deixando o resto no ar, querendo tomar fôlego para impedir a hipótese de se fixar em sua mente.

–Você iria me deixar não é? – perguntou o Dragão finalmente abrindo os olhos e olhando para o nada. Sua voz saiu sofrida e com amargura. – teremos que nos separar...

– O que? Não! – interrompeu espantada. Se estivesse um pouco menos preocupada teria rido de sua conclusão tola. – Acnologia, eu te amo. Nada vai mudar isso. Eu não me separaria de você por nada. – falou convicta, mas logo suspirou. – Porem ainda assim eles são minha família. Acolheram-me quando precisei. Eu prefiro uma hipótese na qual eles aceitem você, e possamos viver juntos.

Isso fez o coração do Dragão inflar. Sorriu aliviado com isso; um peso saia de suas costas. Mesmo que tivesse que abandoná-los ela ficaria consigo. Isso lhe trazia conforto e tristeza. Entendia que eles eram importantes para ela, e, tirá-los dela, iria ser arrancar algo importante do coração frágil que levou tanto tempo para reconstruir. Suspirou. Também preferia uma hipótese na qual os dois lados saíssem no lucro.

– Eu te entendo Lucy. – Murmurou descendo o rosto para o pescoço exposto. – Mas ainda sinto tudo aquilo em você. – Murmurou dando beijos por todo o seu pescoço molhado. A maga suspirou com o carinho. – E já que não consegue esquecê-los eu vou arrancá-los de você.

Dito isso, fisgou os lábios dela com os seus. Sua mão esquerda, pousada na cintura fina, subiu agarrando o seio direito e túrgido da maga. Sentiu o corpo pequeno estremecer diante ao seu; ela tentou desgrudar seus lábios para falar (provavelmente uma represália contra o ato que consumariam), mas ele não permitiu. Sua mão direita desceu vagarosamente pelo ventre liso, ate alcançar a intimidade molhada entre as coxas grossas. Quando Lucy percebeu já era tarde demais.

Acnologia apertou seu clitóris com o indicador e o mediano, fazendo com que ela se separasse de seus lábios para gemer. Sua respiração começou a se acelerar.

–Acno. – tentou repreender, mas sua voz saiu manhosa. O Dragão sorriu.

Deslizou os dedos pela fenda, e adentrou com um deles na cavidade quente, ao mesmo tempo que pressionava o dedão no botão sensível. Lucy arfou em meio ao gemido, ao mesmo tempo em que segurava o braço esquerdo musculoso, que agora beliscava seus seios. Suas unhas fincaram na pele firme, tentando buscar apoio, enquanto o prazer a invadia. O Dragão fechou os olhos e sorriu; não havia mais nenhum sentimento em Lucy, a não ser o prazer que proporcionava a ela. Desceu outra vez a boca pelo pescoço e pelos ombros, lhe dando mordidas, lambidas e chupões, fazendo-a estremecer cada vez mais.

Um segundo dedo deslizou para seu interior, fazendo movimentos mais ritmados. Fechou os olhos, mordendo os lábios, sentindo o prazer delicioso se espalhar para cada célula de seu corpo. Sentia a ereção pulsante no meio de sua bunda, mas ele não parecia estar com pressa. Não, ele iria faze-a gozar até que não conseguisse pensar em mais nada até o dia seguinte. Não iria permitir que ela pensasse em qualquer angustia até o dia seguinte.

Acnologia apertou-a mais contra si, e pressionou o quadril aos seus glúteos. Ela gemeu, ele ronronou ao pé de seu ouvido. Apertou mais uma vez o clitóris inchado e torceu os dedos em seu interior. Lucy quase gritou. Sorriu; queria que ela gritasse.

Apertou seu seio com força ao mesmo tempo que adentrava um terceiro dedo na cavidade úmida. Ela gritou, abrindo mais as pernas e arfando com a respiração pesada. Mal conseguia manter os olhos abertos. Estava quase lá. Uma de suas mãos desceu, agarrando o pulso direito dele para manter sua mão ali, para impedi-lo de lhe negar o prazer que estava vindo. Acnologia riu baixinho em meio ao ronronar. Não iria lhe negar esse prazer; Não a ela.

–Vamos Lucy. – murmurou com a voz rouca e sexy ao pé de seu ouvido. – Goze pra mim. – ordenou.

Girou outra vez os dedos, atingindo um ponto sensível em seu interior e apertou seu clitóris outra vez com o polegar. Os olhos castanhos se reviraram. Acnologia desceu a mão de seus seios para firmá-la em sua cintura, ao mesmo tempo em que seu corpo arqueou e gritou, jogando a cabeça para trás, arfante. Seu corpo enrijeceu antes de ficar mole. Escorou seu corpo e sua cabeça no peito do Dragão. Ele apoiava inteiramente o seu peso com a mão esquerda.

Ele distribuía beijinhos carinhosos por seu pescoço e cabeça. Não reclamou de ter que sustentá-la. Seus dedos melados foram removidos devagar quando o aperto em seu pulso cessou. Levou o braço direito a cintura fina para apoiá-la melhor, enquanto esperava que ela se recuperasse um pouco.

Assim que os calcanhares de Lucy voltaram a se firmar no chão ele a virou de frente para si, tomando os lábios inchados com os seus. Desceu as mãos, contornando a silueta feminina até chegar às cochas, as quais agarrou e puxou para cima colando-as em seu quadril e imprensando o corpo miúdo na parede, com a água ainda jorrando em suas costas. Quebrou o beijo indo em direção aos seios e abocanhou um deles ao mesmo tempo que se enterrava no interior da carne macia.

Um grito prazeroso foi ouvido; e, como o prometido, ela não pode pensar em mais nada até o dia seguinte.

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A neblina densa ainda se fazia presente, trazendo consigo o frio gélido da madrugada. A maior parte da iluminação era feita por postes ou castiçais presos as pilastras que possuíam pequenas lacrimas ou velas para iluminar o local; apesar de tudo, podia-se ver uma pequena iluminação vinda do leste, embora o sol ainda não fosse visível. Também, era 5:30 da manhã. Ainda demoraria um pouco para que se tornasse visível.

Como o prometido, todos os magos escolhidos e o Mestre estavam lá, na plataforma de embarque da ferrovia, aguardando o primeiro trem da manhã terminar de ser preparado e organizado pelos maquinistas e guardas da condução.

O Dragneel estava dormindo no chão, usando a mochila vermelha de apoio. Laxus se escorava na pilastra, mais ao canto de olhos fechados; Gajeel não estava muito diferente. Levy estava desperta, devorando um livro que lhe tampava o rosto. Estava procurando sair da realidade para evitar discutir com alguém.Erza estava em pé, de braços cruzados, cuidando de sua bagagem atípica e se fazendo de durona, apesar das pálpebras lhe pesarem. Gray estava ao seu lado com a mochila de modelo cilíndrico em suas costas.

O mestre era o único que não levava uma pequena bagagem. Iria ficar algumas cidades antes para falar com o conselho enquanto o resto seguia viagem. Falar com o conselho lhe irritava, por essa razão decidira bebericar de seu cantil logo cedo.

Acnologia estava em pé em um canto, próximo a uma pilastra, e olhava em direção ao trem parado nos trilhos de maneira vaga. Estava absolto. Já Lucy estava dormindo em pé, totalmente cansada e escorada ao Dragão. Acordou sedo demais e estava cansada demais. Culparia o garoto que lhe segurava firmemente pela cintura para não desabar no chão de cimento, mas estava sonolenta demais para por a culpa em alguém. Bom, pelo menos não estava mais agoniada.

Assim como todos ali (com suma exceção do Dragão de fogo e do Mago do gelo, que não sofriam com mudanças de temperatura negativa), Lucy usava uma roupa de frio. Uma calça de camurça, botas e um casaco de mesmo tecido que ficava por cima da blusa de algodão. Acnologia usava uma blusa azul e uma calça de algodão negro. Também usava uma jaqueta de couro escura, aberta na parte da frente, para acomodar Lucy em seu peito e aquecê-la enquanto dormia. As duas mochilas estavam penduradas em um de seus ombros. Uma rosa e a outra marrom escura.

O apito soou alto, acordando todos os que cochilavam. O guarda de bordo desceu para recepcionar os poucos passageiros que embarcavam a esta hora da manhã. Lucy pegou os dois bilhetes no bolso do casaco e entregou ao homem de uniforme azul. Logo entraram no Trem, passando pelo corredor estreito em busca de suas cabines, cada uma feita para acomodar duas pessoas para viagens longas.

Foi nesse momento que o corpo de Acnologia começou a retesar. Tudo que mais queria era pegar Lucy e ir para o local indicado voando, porem ficaria muito suspeito, alem de não saber onde era o local indicado. Tudo que sabia é que desembarcaria em uma cidade daqui a 8 horas e se hospedariam em uma base estratégica fornecida pela guilda Sabertooh.

Sentiu suas mãos suarem em antecipação ao mal estar que lhe faria presente em alguns minutos. Sua garganta estava seca. Agradeceu por terem acordado um pouco atrasados e não ter colocado nada para dentro no café da manhã.

Lucy encontrou a cabine e o puxou para seu interior, fechando a porta de madeira e a cortininha que tapava o pequeno vidro existente nela.Havia dois sofás marrons retrateis virados um de frente para o outro na cabine, e uma janela com uma cortina de veludo vinho. Acnologia colocou as duas mochilas no bagageiro acima de suas cabeças e depois se abaixou, puxando a parte debaixo do sofá, que se desdobrou até virar uma cama. Jogou-se em cima dele colocando o travesseiro disponível na vertical, usando- para se apoiar em um ângulo que não ficasse totalmente deitado. Colocou o braço acima dos olhos rezando para dormir antes do Trem se mover.

A garota descartou o outro sofá-cama designado para si, sentando entre as pernas do Dragão e se deitando em seu tórax. Ele não reclamou. Apenas passou a mão direita, que não estava sobre seus olhos, de maneira desleixada pela cintura fina. Suspirou.

Lucy riu, erguendo a cabeça para encarar seu rosto quase em pânico.

–Você tinha que ver a sua cara agora. – comentou com um sorriso nos lábios.

Ele nem pensou em responder. Apenas apertou ainda mais os olhos, esperando pela tortura maquiavélica em seu estomago. A garota o olhou com um pouco de pena. Ergueu a mão direita para segurar seu pulso e tirá-lo do rosto. Ele não fez resistência, mas também não abriu os olhos.

O Trem apitou outra vez, e as rodas começaram a se mover. Seu maxilar ficou rígido e tencionado. Seu rosto inteiro perdeu a cor; começou a engolir em seco várias vezes para tentar conter o reverberar de seu estomago; mas nada adiantava. Começou a suar frio e seu corpo inteiro tremia à medida que sua respiração se desregulava. Quase sentia o acido em sua boca.

Era oficial: Agora Lucy realmente se sentia mal por ele. Colocou suas mãos em ambos os lados do rosto do Dragão. Iria usar o segredo que Shinuky havia lhe ensinado antes de partir de seu treino: Todos os Dragões possuíam um ponto fraco que os fazia dormir quando estavam relaxados. Começou a passar as unas de leve, em um delicioso cafuné no topo da cabeleira negra azulada. Os tremores diminuíram um pouco; estava começando a funcionar. Desceu um pouco para o inicio da nuca e um ronronar leve começou a vibrar em seu peito; um ronronar relaxado. Logo desceu para o ponto vital, meio atrás da orelha e ele respirou profundamente, ficando mole e caindo no sono.

Ouviu alguns gritos de Natsu em uma cabine mais afastada, e logo uns barulhos metálicos que provavelmente seriam Erza. Continuou o cafuné por mais alguns minutos para garantir que ele estaria profundamente adormecido. Acomodou-se de novo em seu peito e dormiu profundamente junto a ele.

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Andou de um lado para o outro no corredor estreito em meio às cabines, tentando pensar e reunir coragem para confrontar o Mestre que estava no vagão da frente. Coçou os cabelos azulados. Tinha deixado Gajeel sozinho no vagão, dormindo, após quase vomitar as tripas. Tinha imaginado que isso pudesse ocorrer, então trouxe uma poção que o fez cair duro como um morto no sofá.

Precisava entrar e perguntar a Makacrov como ele tolerava aquela monstruosidade que estava a um vagão atrás do seu, junto com sua melhor amiga. Poderia não estar vendo os fatos com muita clareza, mas qualquer um que visse uma besta daquele tamanho tentar matá-los pensaria do mesmo jeito... Bom, quase. Talvez ela estivesse um pouco traumatizada com o ocorrido, ou com qualquer coisa relacionada a Dragões depois dos últimos acontecimentos em sua vida.

Uma tranca sendo aberta fez um barulho audível. Girou os calcanhares vendo Erza saindo da cabine e fechando outra vez a porta como se não a tivesse visto. Pelos gritos ela havia usado seu ‘sonífero especial’ com Natsu. Logo se lembrou de um fato peculiar que pescou durante a conversa de Gajeel e Lucy.

–Você sabia? – perguntou chamando atenção da ruiva, que vincou as sobrancelhas sem entender. – Que a Lu-chan namora o verdadeiro Acnologia. – falou ríspida e quase raivosa.

Erza ergueu as sobrancelhas surpresa, para depois retornar a compostura habitual.

–Oh, você descobriu. – falou. – Sabia. Já faz alguns dias. Como descobriu? – questionou curiosa a pequena.

–Aquela... coisa, se transformou na nossa frente para proteger a Lu-chan de um soterramento.

Erza não pode deixar de notar o asco no qual ela se referia a Acnologia. Suspirou, entendia seu ódio, mas não o respeitava. Ela o odiava, mas ainda assim se referia a Lucy carinhosamente. Isso significa que a azulada a respeitava, mas não gostava de suas decisões. Bom, ela também não, porém não se escolhe quem amar.

Ergueu as sobrancelhas outra vez.

–Nós?- questionou.

–Eu e Gajeel. – falou rapidamente. Erza cerrou os olhos exigindo explicações. – Eu segui os dois e usei Gajeel de batedor, ta legal?- falou gesticulando as mãos e não dando importância ao fato.

–Você os seguiu? – perguntou incrédula.

–Segui! Mas isso não vem ao caso. – falou tentando dar foco ao seu assunto.

Vem sim ao caso! – queria falar. Isso era uma total quebra de confiança. Porém antes que se manifestasse Levy falou:

–Temos que falar com o Mestre. Temos que perguntar como ele pode aceitar aquela aberração na guilda.

–Oe, Levy, você não está indo longe demais?

A baixinha se virou para Erza de maneira brusca com feições indignadas.

–Até você?- falou como se fosse um crime.

–Levy... eu entendo que a Lucy não fez a escolha mais... comum, ou respeitosa, mas ela o ama! Não escolhemos quem vamos amar! Lucy é minha amiga e eu vou respeitar a decisão dela, mesmo que eu não seja muito favorável a isso. Não há mais o que ser feito.

A baixinha arregalou os olhos e abriu a boca para rebater...

A porta que dividia os vagões foi aberta. Ambas se viraram para o inquilino que a abriu. O velhinho se virou após fechar a mesma porta e se deparou com os dois pares de olhos fixados em si. Suspirou. Não precisava ser um gênio para ver no olhar delas o que ocorreu. Eram amigas de Lucy; saberiam uma hora.

–Mestre, como pode? – falou a baixinha com amargura.

O velhinho pegou seu cantil tomando um gole e voltou a guardá-lo no bolso do casaco. Andou a passos lentos pelo corredor estreito e longo do vagão, passando pelas duas.

– Como eu pude, você pergunta? – repetiu o mestre com a voz calma e arrastada. – Bem... Essa história começa há oito meses atrás, com uma garotinha loura, minha filha de coração, sofrendo pelos cantos da minha guilda, sofrendo sem que eu pudesse fazer nada a respeito. O pobre coração dela estava em frangalhos e não havia nada que um velho como eu pudesse fazer. Então, um belo dia, ela me pede para sair e treinar; espairecer e colocar a cabeça no lugar. Sem pensar duas vezes eu lhe dou essa permissão.

Fez uma pausa, abrindo a porta que lhe daria acesso ao outro vagão. Atravessou a conexão do engate com as duas lhe seguindo. Entrou no próximo vagão pisando no carpete do corredor.

“Então, em um dia o qual não sei a data específica, um cara, que não é muito bem visto por nós e nem pelo resto do mundo, a encontra neste estado. Não sei como ou por que, pode até chamar de destino, os dois se apaixonam, ficam juntos, fazem juras e um pacto de amor que não pode ser quebrado. – parou em frente a uma cabine não específica e se virou para as duas. – Meses depois ambos aparecem na minha porta, pedindo para que eu aceitasse o cara mau visto, o qual eu reconheci imediatamente, em minha guilda. Foi ai que eu olhei para a mesma menina loura e vi um sorriso radiante, maior do que qualquer outro que eu já tenha presenciado; confesso que ate me deu vontade de sorrir também.”

“Então, quando olhei para o mesmo cara odioso, eu vi que ele gerava esse sorriso. Ele ajuntou os cacos daquele coração quebrado e o costurou, para logo dar o seu próprio a mesma menininha que vivia chorando por ai. Mesmo sendo o monstro que é ele aceitou o coração dela, com cicatrizes e tudo, e ainda continua cuidando dele. Neste momento eu me perguntei: — falou abrindo uma fresta na porta da cabine à direita, e fazendo as duas cabeças se inclinarem para ver quem estava dentro. – Como eu posso destruir uma felicidade tão bela?” – terminou.

Os três olharam para o casal encolhido feito uma bola no sofá apertado do trem, e, mesmo inconsciente, Acnologia abraçava Lucy de uma maneira protetora, para defende-la de qualquer eventualidade não pensada. Foi nesse momento que ambas entenderam o que o velhinho queria dizer.

– Não importa de onde o amor vem. – sussurrou fechando a porta. – Ele é lindo de todas as formas, e trás felicidade até mesmo para aqueles que estão ao redor. – Olhou pra as duas magas a sua frente. – Não é como se eu não sentisse raiva pelo que ele fez a todos nós no passado, mas o que ele fez em nosso beneficio ao curar o coração de Lucy, é algo de maior valia que seus erros. Eu não vejo falsidade em suas ações, até porque que tipo de interesse o Rei dos Dragões poderia ter em ficar com ela? – todos já sabiam a resposta. – Quando penso em destruir de alguma forma a felicidade que eles tanto custaram a construir, me vem à cabeça duas perguntas que jamais quero encontrar a resposta. – falou o mesmo ainda com a voz baixa, fazendo uma pausa para expor as perguntas. – Se eu fizer isso, não me tornarei um monstro maior que qualquer outro já existente? E o mais importante: Quantas vezes um coração pode ser quebrado, até definitivamente para de bater?

Dito isso, o velhinho cruzou os braços atrás de suas costas e continuou a caminhar pelos vagões, deixando ambas refletindo sobre a veracidade em suas palavras.

“Quando eu entender meu inimigo o suficiente para destruí-lo, então neste momento eu também o amarei.”

Notas finais
*OIIIIIII XD #Dessa vez eu não demorei tanto kkkkk XD. Escrevi esse cap inspirada depois de ler alguns comentários e recomendações. XD #Eu sei o que estão pensando. Autora por que você ainda não respondeu os comentários da outra fic? Calma, eu vou respondê-los hoje ou amanhã cedo. Adorei todos eles XD #como podem ver eu voltei a minha vida de responder comentários, então não se preocupem. # Espero de coração que tenham gostado, como viram esse é um cap mais misterioso. #Vou tentar não demorar com o próximo. #Este cap ja esta bem grandinho, 5000 palavras. XD #Não estranhem meu sumiço na virada de ano, é provável (mas não confirmado) que eu vá viajar, mas será apenas por uma semana. Bjs XD