A Arte do Caos
17 Cap 17: Alegrias também provém de desculpas.
–Merda!- resmungou Erza, mas não era a única.
Há algum tempo tinham chegado à cidade que abrigava a cede estratégica da Sabertooh. Tiveram que gastar quase uma hora atravessando a cidade para chegar ao pé da montanha. Aparentemente a cede ficava em meio a ela, camuflada entre as arvores. Era uma instalação emergencial.
Lucy guardou seu casaco de camurça dentro da mochila assim que viu o céu nublado; afinal, água e camurça não combinam. Não era um tecido caro, mas preferia mantê-lo em bom estado a ter de comprar outro. Assim que pisaram na estrada de terra batida que os levaria a edificação, a chuva despencou. Então, lá estavam eles, correndo como desesperados da chuva, com os sapatos guinchando e lotados de lama.
Após alguns minutos de correria, todo o grupo avistou a construção de dois andares de cor pastel, com vigas gregas na frente segurando uma placa com um símbolo enorme e reluzente pintado em dourado dos tigres. Entraram rapidamente para debaixo da marquise de concreto, se sacudindo e tentando tirar o máximo possível de água, tanto de suas roupas quanto de seus objetos.
–Ai, que frio. – murmurou a maga celestial, esfregando os próprios braços com as mãos.
Acnologia olhou para ela e logo em seguida forçou seus obres a se focarem no chão. A pequena blusa de algodão era branca, e, além de ter se tornado transparente, estava totalmente colada. Tirou a jaqueta de couro negro e estendeu a ela olhando em outra direção.
– Ponha isso, sua blusa está... – Existiam vários elementos textuais mais verídicos, os quais o Dragão poderia utilizar no momento, como: “Sua blusa está me fazendo ter uma ereção monstro em publico”, ou “Está me dando uma vontade enorme de fodê-la e chupar seus peitos.” E até mesmo “Está me dando uma vontade imensa de rasgar suas roupas”; Porém, preferiu usar a mais sabia para a ocasião. – Começando a ficar transparente.
As bochechas arredondadas ficaram vermelhas. Mordeu a língua para não fazer nem dizer qualquer merda que pudesse resultar em uma Lucy furiosa.
–Obrigada. – Falou colocando a jaqueta e puxando ambos os lados na parte da frente para cobri-la.
Ainda se forçando a não olhar para os seios avantajados, o Dragão retirou as mãos dela da frente com cuidado e depois engatou o zíper, o puxando até acima do busto. Suspirou um pouco aliviado. Não ver seria uma tentação a menos; sim, a menos, por que a chuva havia deixado aquele cheiro maravilhoso dela ainda mais acentuado; o que, claro, só era perceptível agora que estavam em um lugar seco. A chuva sempre cobria rastros e cheiros no caso de estar perseguindo alguém.
Erza tocou a campainha que soou alta. As duas portas de entrada foram abertas para lados opostos, como as da guilda, porém, muito maiores. Típico dos tigres. O grupo entrou, depois de tirar um pouco da lama suja no capacho de entrada.
Como de praxe, mal entraram e a confusão começou.
–Natsu-san!- exclamou o loiro no beiral segundo andar.
–Sting!- exclamou de volta com faíscas nos olhos. Jogou a mochila para o lado e estalou os dedos.
O tigre correu de encontro ao beiral, tomando impulso ao saltar pelo mesmo, e pulou em direção a Natsu que estava no primeiro piso. O Dragão de fogo também pulou em direção ao mesmo e se socaram, ainda sem o uso de magia, que mais pareceu um comprimento habitual. Todos ficaram no canto, acompanhando a briga, esperando o famoso:’Deu merda’, acontecer.
Em um dado momento, quando Sting estava de pé, no chão, planejando o próximo ataque contra Natsu, ele fungou duas vezes. Seus olhos se arregalaram e ele virou rapidamente a cabeça, mudando de foco, encontrando Acnologia dedicando total atenção a Lucy, para tirar o máximo de água possível das blusas e cabelo dela, evitando uma possível gripe.
–Você... – ele falou apontando para o mesmo.
Acnologia levantou os olhos, encontrando o garoto, para logo depois semicerrá-los.Filho de Weisslogia! – pensou.
–Tsc*.
Sting rapidamente se postou em posição de ataque e sua mão direita foi coberta por sua magia luminosa. Partiu para cima do Dragão na intenção de uma revanche.
Assim como da ultima vez, o Dragão rei parou o punho furioso que vinha em direção ao seu rosto, com as mãos nuas. Puxou o pulso do loiro em sua direção, fazendo seu corpo ser obrigado a acompanhar o movimento; Levou o punho direito para trás e lhe desferiu um soco no rosto, lançando-o contra a pequena mobilha da sala, mais precisamente um sofá.
Sting Levou a mão ao maxilar, massageando-o. Por um instante teve a impressão de que ele tinha se deslocado. Ataques de perto não funcionam. – chegou à conclusão. Não sabia como ele inibia a magia de seus ataques com as mãos nuas, mas ainda lhe restava à alternativa de ataques a distancia.
Levantou-se em um pulo, já jogando a cabeça para traz, e enchendo os pulmões de magia de Luz. Ao perceber as intenções do garoto, deu um pequeno sorriso de canto. Será que ele não aprendia nunca?
Respirou fundo, enchendo os próprios pulmões com chamas azuis densas.Quando abriu a boca para soltá-las, uma mão tapou a sua boca, enquanto outra puxou seus cabelos para tirá-lo de frente ao ataque. Por ser muito concentrado, o rugido de Sting era igual a um raio laser, portanto não se expandia no final, passando ao seu lado, sem problemas... Alem de uma explosão atrás deles, claro.
Olhou para o lado vendo que Lucy tapava sua boca e o olhava com os olhos cerrados, irritada. Dissolveu as chamas em seus pulmões, mas soltou a lufada pequena que estava em sua boca nas mãos dela, com um olhar entediado. A maga retirou sua mão de lá, e a balançou algumas vezes como quem apaga um fósforo, para dispersar as chamas azuis.
–Por que fez isso? – perguntou com a voz baixa, quase ofendido.
–Por que não quero ter que pagar prejuízos! – exclamou. Mal tinha pago seu aluguel, e sabia que a magia dele era extremamente destrutiva.
Em parte ela tinha razão, já que os tigres gostam de se exibir, grande parte da mobilha e das estatuas que decoravam o local eram caros.
Sting viu uma oportunidade de se vingar assim que olhou para Lucy. Sorriu. Mataria dois coelhos com uma cajadada só. Natsu e o estranho sem nome. Desapareceu em um piscar de olhos com uma rapidez incrível, reaparecendo em frente à Lucy. Pegou-a pelo braço, desaparecendo e reaparecendo no segundo andar.
Rapidamente abriu a boca para gritar seu desafio, mas o único que encontrou lá em baixo foi Natsu. Onde estava o homem estranho?
–Solte ela, ou eu quebro seu braço. – uma voz áspera e tenebrosa, meio reptiliana se fez presente atrás de si.
Mal teve tempo de se virar antes que um punho se chocasse contra seu rosto, derrubando-o do parapeito do segundo andar, caindo contra o chão duro do primeiro piso, coberto apenas por um fino tapete vermelho.
Lá em cima estava o homem tenebroso, com o braço enrolado possessivo na cintura de Lucy, o olhando com olhos azuis escuros tenebrosos como o próprio inferno; Ele parecia mais um daqueles mafiosos super cruéis que se ouvia falar em histórias nas cidades antigas, na época que a lei não era muito respeitada. Dessa vez tinha realmente chegado perto de quebrar o maxilar.
Que diabos! Quão rápido aquele homem era? Levantou-se outra vez para uma nova tentativa.
–Chega! – uma voz grave e mais velha ecoou sobre o salão.
Todos olharam para o final do parapeito do segundo andar. Lá estava Jiemma, homem que já havia derramado muita discórdia antes de ser alguém descente, com as vestes habituais, o peito exposto e o colar de bolas negras avermelhadas pendurado no pescoço.
Uma porta lateral no hall do primeiro piso foi aberta, desviando outra vez a atenção de todos. A Blue Pegasus e Lamia, as guildas aliadas, apareceram com seus membros escolhidos. Lá estavam os Trimens, e a dor de cabeça da Erza. Hibiki foi o primeiro a ver os três inquilinos no lado de cima, e, como sempre, só notou o do sexo oposto.
–Lucy –san. – Exclamou fazendo aquela jogada de cabelos de super modelo, e lhe estendendo a mão com uma rosa.- Não sabia que vinha. Pena não ter trago mais que uma rosa simples para uma bela dama.
Acnologia cerrou os olhos o fuzilando, já colocando-os no topo da sua lista de ‘inimigos que sou obrigado a tolerar’. Jiemma olhou para baixo e balançou a cabeça levemente e dizendo baixinho para si mesmo “Por que eu deixei essas bichas exibidas entrarem?”
Não que tivesse algo contra Gays (ou que eles fossem realmente Gays), embora também não tivesse nada a favor, porém a vida alheia não lhe interessava. Mas, a forma como o trio agia era tão irritante quanto religiosos que tentam te convencer a entrar na mesma religião. Só que eles queriam que você virasse um supermodelo entupido de perfume e andasse com aqueles requebrados ridículos de quem anda na passarela. Ah não, isso era demais!
Ignorando toda a palhaçada do andar de baixo, o Mestre dos tigres se virou para o único homem que desconhecia naquela sala e que acabara de dar uma surra em Sting.
– Quem é você? – perguntou sem cerimônias com a voz grave, querendo dar um ar intimidador.
O Dragão apenas virou o rosto em sua direção. Jiemma cerrou os olhos a não encontrar nenhum vestígio que o deixasse ameaçado naqueles olhos azuis, que estavam tão negros quanto à noite.
– Acnologia. – respondeu com a voz fria e cortante sem dizer mais nada.
Não só os olhos negros de Jiemma se arregalaram, como o de todos com suma exceção da Fairy Tail. Logo o homem piscou voltando a realidade.
–Então você é o mago com habilidades semelhantes ao Dragão Rei que Makcrov disse. – falou interessado e dizendo mais que o necessário para que os ouvintes no andar de baixo não se apavorassem. Seus olhos reluziram com uma idéia. Ainda havia uma rivalidade saudável entre as duas guildas. – Quero vê-la. – informou.
Ninguém precisou pensar muito para entender que ele se referia à magia.
–Não estou a fim. – respondeu simplesmente sem ligar para quem ele era.
Lucy se encolheu sendo prontamente acolhida em seus braços, quando ele se colocou ligeiramente entre si e Jiemma. Sentia-se uma intrusa na tensão que se formava, sem contar que não tinha nenhuma afinidade ou boa lembrança do homem a sua frente. Resolveu provocar, pensando em um método pouco convencional.
–Vou ter que seqüestrar a loirinha como Sting fez? – questionou desdenhoso. Lucy se encolheu mais.
E lá estava. Ele cutucou; cutucou aquele botãozinho que ninguém queria mexer em sã consciência. Ele foi pressionado com uma fincada em sua nuca. Seu peito reverberou, tremendo, audível o bastante apenas para as pessoas do segundo piso. Inclinou a cabeça deixando-a levemente tombada em direção a Jiemma. Seus olhos se tornaram uma fenda negra. Apertou Lucy contra si ainda com o peito tremendo mais que de costume. Ela se assustou. Lá estava ela. A gana de matar.
O tigre teve que trincar o maxilar para forçar seu corpo a permanecer no lugar, ao invés de recuar.Aqueles olhos... Devia ter tomado mais cuidado. Ele não era alguém que possa se subestimar; era perigoso.
Gajeel puxou Levy para trás de si, ao mesmo tempo que recuava para a ponta do salão, onde poderia quebrar a parede e sair rapidamente. Erza viu, e também foi na mesma direção para saber o que ocorria. Vendo sua líder ir até lá, todo o grupo foi também, porém ainda olhavam para cima.
–O que... o que aconteceu? – perguntou a baixinha.
Gajeel praguejou e respondeu sem tirar os olhos de Acnologia.
–Jiemma falou a maior merda que poderia falar na vida,baixinha! – murmurou.
Dessa vez não reclamou do ‘baixinha’. Ambas tinham entendido a gravidade da situação.
– Se ele atacar, — falou de novo o Dragão de ferro.- nós temos que dar o fora.
– E Lucy?- perguntou Erza.
Outro palavrão.
–Ela é a única que sai ilesa.
Percebendo a tensão e o recuo da Fairy Tail, Hibiki achou melhor intervir.
–Jiemma-san, — falou chamando a atenção de todos. – Creio que isso não será necessário. Terei de ver a magia de todos e estudá-las. Com base nos arquivos resgatados no conselho, vou criar uma estratégia efetiva e organizar as posições dos Dragon Slayers. – falou, já que sabia do que se tratava a missão. – Creio que não é necessário um meio tão drástico, não é mesmo?
Pela primeira vez teve que agradecer mentalmente a ‘bicha’. Aqueles olhos... eles ainda o olhavam sanguinariamente. Estava tendo calafrios.
– Tudo bem. Vamos nos reunir agora para que possam decidir o plano. Depois é com vocês. Tenho de informar o planejamento aos conselheiros. – falou tentando relaxar. Mas os olhos negros não saiam de si!
Percebendo isso, foi a vez de Lucy intervir.
– Acno. – chamou puxando a barra de sua blusa. O Dragão piscou saindo do transe e olhou para Lucy, com a coloração azul marinho de sempre quando via os obres chocolates. Os olhos do Tigre quase viraram pratos. O que diabos viu ali? Um assassino amansado? – vamos?
Ele não respondeu, apenas a puxou, descendo as escadas de pedra para o primeiro piso.
–Jiemma-san. – chamou o Lates outra vez. – Acho melhor fazermos esta reunião em um local apropriado. Sei que aqui tem uma sala de treinamento básico. Está nos arquivos da planta. Podemos usá-la? – questionou respeitoso.
Ele acenou positivo, desceu as escadas e acenou com a mão fazendo um gesto para que fosse seguido. Os recém chegados deixaram as malas no hall e todos foram. Nos fundos do salão havia um corredor estreito, de pedra, no qual havia outra escada. Tochas iluminavam o caminho escuro, que parecia levar a um subterrâneo. No final, havia uma porta de ferro, que foi aberta com um rangido; a porta guardava uma sala cujo o teto possuía uma lacrima grande para iluminar o local.
Lá dentro tinha de tudo: Espadas, lanças, alvos que poderiam se mover ou não. Círculos que variavam entre faixas vermelhas e brancas de diversos tamanhos; sacos de pancadas e alguns medidores feitos com lacrimas resistentes para medir o nível de poder mágico. Não era exatamente como o dos jogos, pois ele não indica uma pontuação, mas sim uma cor que ia do mais fraco, azul, ao mais forte, vermelho.
Ao chegar lá, Hibiki tomou a frente parando em frente a todos e se virando para os mesmos para iniciar o discurso. Sua expressão brincalhona ficou seria.
–Bem, pulando as apresentações, já que a maioria se conhece, vamos aos fatos. – Uma tela apareceu ao seu lado e uma maior atrás de si. Ele digitou o arquivo desejado com uma mão e ele apareceu em ambas às telas. – A algum tempo a equipe de controle de ameaças do conselho encontrou este homem: Hizame Akira. Ele é uma grande ameaça em potencial, tal como Nirvana. – falou relembrando varias pessoas do ocorrido a anos, que por pouco não os matou. O retrato do mesmo homem loiro com as três cicatrizes que sorria com crueldade apareceu nas telas. – O conselho tem informações que ele conseguiu acesso à pesquisa sobre Dragões de Daphne. – falou pausando e olhando para Natsu, Wendy e os outros. – acredito que já a conheçam.
–Infelizmente. – resmungou Natsu.
Wendy se encolheu, Gajeel apenas ergueu uma sobrancelha e Acnologia franziu o cenho sem entender. Pesquisa sobre Dragões? Se perguntou encaixando o queixo na cabeleira de Lucy.
–Ele vai construir outro Dragão mecânico? – questionou Erza.
–Não. – respondeu rapidamente antes que alguém formulasse idéias. – Ele aprofundou a pesquisa com várias outras. Acreditamos que ele queira ressuscitar um Dragão chamado Lázaros, morto há muito tempo pelo Rei dos Dragões. – respondeu. Lucy apertou a mão de Acnologia e ergueu os olhos para cima, encarando-o. Ele entendeu. Iria lhe perguntar sobre o dragão depois. – Não sabemos muito bem como, mas o fato é que precisamos impedi-lo, mesmo que Hizame não obtenha êxito. Por isso nosso grupo de aliança foi formado com uma força principal de Dragon Slayers, por que caso ele obtenha êxito, vocês terão de matar o Dragão.
Respirou fundo, dando uma pausa e foi em direção aos medidores de magia.
–Eles estão em algum lugar nas montanhas ao sul daqui. Eu fui incumbido de projetar o plano de ataque de acordo com as informações que dispomos. Para isso preciso saber da força, quantidade e natureza da magia de cada Matador de Dragão; assim posso posicioná-los no plano de ataque de maneira mais eficaz. Vou precisar de uma demonstração apenas; atinjam o medidor com um rugido e isso deve bastar.
E assim, começou a guerra entre Natsu, Gajeel e Sting sobre quem iria primeiro. Aproveitando que estavam distraídos demais, Laxus, que estava o tempo todo calado e observando, tomou frente, parando a uma distancia de 15 metros do medidor. Hibiki se afastou e fez anotações do primeiro voluntário colocando características físicas, psicológicas, etc, e aguardou o ataque para concluir.
Sem delongas, como sempre, Laxus se inclinou para frente e jogou uma descarga elétrica pela boca em direção a lacrima. Segundos depois ela brilhou em laranja. Uma cor antes do vermelho. Hibiki anotou e o Dreyar se postou no canto, liberando passagem para o próximo.
Ouve outra discussão de por que Laxus foi primeiro. Aproveitando-se disso, Rogue se posicionou, esperou Hibiki fazer as anotações, e soltou um rugido de sombras. A coloração foi amarela, abaixo do laranja, mas ele não ligou; na verdade nem pos força, assim como o Dreyar. Não era uma competição de rugido mais forte, mas sim de análise.
Quem disse que os três patetas ouviam isso? Após muita briga, Gajeel foi primeiro; Encheu os pulmões de magia e cuspiu com o Maximo de força que pode, claro, sem destruir o local. Colocou a magia limite para que o rugido não ficasse cheio demais e não atingisse o resto da sala. Assim como Lucy, não queria pagar prejuízos. A coloração saiu laranja escuro. Sorriu convencido.
Sting foi o próximo e rugiu um laser concentrado. Laranja escuro também. E então apareceu Natsu, jogando a cabeça para trás, enchendo os pulmões ao máximo sem se importar em destruir algo. Rugiu uma quantidade enorme de chamas escarlate, deixando as bordas metálicas do medidor alaranjadas e incandescentes, por serem aquecidas. Foi uma mistura de laranja e vermelho. Destruiu os alvos atrás da lacrima também.
Começou a cantar vitoria esfregando na cara de todos que era o melhor. Rogue e Laxus não ligaram, pois não era uma competição de força, mas o resto do trio idiota não. Gray o zuou com a cara de Natsu falando que ele era um incompetente que destrói tudo como um idiota. Só não se mataram por que Erza estava perto.
Wendy foi a próxima. Rugiu provocando um ciclone de vento. A cor foi amarelo esverdeado. Não se decepcionou. Não era competição, alem de que sua magia não era propriamente feita para provocar danos graves em um ponto. Ela provocava danos múltiplos, porém mais simples que um dano concentrado; sem falar que sua especialidade era cura e suporte. Dois indicativos chave para uma batalha. Hibiki sabia.
E então foi a vez de Acnologia. Lucy puxou seu braço e sussurrou baixinho em seu ouvido:
–Não exagere.
Não falou. Se postou da mesma maneira que os outros e esperou o Lates terminar suas anotações para Rugir. Suspirou pesado. “Não exagere.” Era isso que temia. Não usou magia em frente a eles até hoje por que não sabia quanto de poder poderia usar sem levantar suspeitas. Respirou fundo. Tudo bem, tudo bem. – pensou – É só diminuir a concentração e fazer um ataque duradouro o suficiente para que o mongol possa examinar. Não pode ser rápido, como o que você ia usar para acabar com o loiro e nem concentrado para não destruir a sala.
Já tinha dito que alto controle não era seu forte?
Ergueu a cabeça e viu o sinal. Jiemma, assim como metade da sala, apertou os olhos; todos queriam ver a magia dele.
Respirou fundo, enchendo os pulmões com magia. Não os preencheu completamente, apenas o estufou para que sua magia ficasse menos densa, porém durasse o bastante. Se inclinou ligeiramente e soltou o rugido tendo o máximo de cuidado para não ficar forte demais. As chamas azuis (que Lucy adorava) atingiram o medidor rapidamente apesar do cuidado. Interrompeu o fluxo assim que isso ocorreu, reabsorvendo o resto da magia nos pulmões. Trincou o maxilar, tenso, enquanto olhava seu rugido começar a dispersar.
Ouviu o barulho de algo trincar. Cerrou os dentes. O rugido dissipou. Teve que conter o suspiro de alívio para que ninguém suspeitasse quando viu a lacrima inteira. Bom, quase. Havia uma trinca na esfera. A mesma brilhou em um vermelho escuro, forte. Todos ergueram a sobrancelha, inclusive Jiemma.
Acnologia andou rapidamente até Lucy, a puxando para o canto. Encostou na parede, a tensão ainda um pouco aparente no corpo.
–Você foi bem. – murmurou alegre.
Ele a olhou. Coçou a nuca.
–Não tenho muito controle, Lucy. Não é de minha natureza não destruir algo.
A garota riu.
–Eu sei. – falou se lembrando de Natsu que quebra tudo. Era mau de espécie afinal. – Mas assim já está ótimo.
Ele sorriu.
–Ele foi melhor que você cabeça de fósforo. –Alfinetou Gray.
–O que disse???!!! – perguntou fuzilando -o.
Quando ele abriu a boca para responder.
–Quietos! – exclamou Erza.
Rapidamente os meliantes obedeceram.
–Já tenho os dados que preciso. – informou o Lates. – Vão para os quartos no andar de cima. Quando a estratégia estiver pronta chamarei vocês. – Falou subindo, enquanto a tela computadorizada continuava a sua frente.
Ninguém protestou. A maioria dos recém chegados estava exausta.
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Assim que chegaram a um dos quartos, que puderam ser aleatoriamente escolhidos, Acnologia jogou as mochilas no canto, tirou as botas estilo militar e se jogou na cama. Lucy entrou no quarto e trancou a porta. Retirou as botas de cano alto, ainda sujas pela lama e as colocou em um canto. Virou-se ficando de frente a cama e olhando para o folgado, estirado no colchão com um dos braços cobrindo os olhos.
–Quem é Lásaros? – perguntou direta.
O garoto suspirou.
–Um Dragão enorme e irritante que aparentemente vai voltar dos mortos. – falou exatamente o que Lucy já sabia deixando-a irritada. A verdade é que não queria falar do assunto, ainda mais um que mau se lembrava.
A garota bufou irritada, colocando uma das mãos na cintura e batendo o pé.
–Disso eu já sei! – Exclamou começando a andar de um lado para o outro, controlando a raiva ao ver o grande descaso do namorado sobre o assunto. – Você disse que ele era um oponente poderoso. – falou se lembrando da história.
–Nãão. – falou arrastado erguendo o braço que não estava sobre seus olhos com o dedo indicador erguido. – Eu disse que ele foi o que mais demorou a cair. Nunca disse que ele era alguém poderoso. – Logo o braço caiu ao lado de seu corpo.
A Heartphilia parou de andar para lá e pra cá, e se posicionou ao lado da cama, ainda de pé.
–Qual a magia dele? – voltou a questionar.
–Sei lá!
–Acnologia!! – repreendeu prestes a iniciar um discurso como complemento.
Discurso que o garoto não queria ouvir.
–Lucy, tinha uns... 200 Dragões me atacando naquele dia. Acha mesmo que dava para distinguir os ataques? – ela se calou. – Nem eu sabia com quem estava lutando.
Ela piscou varias vezes absorvendo as informações. Suspirou e se sentou na beirada da cama. Aquela época realmente deveria ser bem caótica.
– Trezentos... na verdade. – corrigiu se lembrando do cemitério. O Dragão deu de ombros. – Você não se lembra de nada para nos ajudar? – o silencio foi sua resposta.
Suspirou. Quando estava prestes a se levantar para trocar de roupa, algo lhe puxou para baixo, indo de encontro ao colchão, e sentido o peito másculo em cima de si. Abriu a boca para protestar, mas beijinhos molhados em sua garganta foram o suficiente para desarmá-la.
–Sabia que você fica muito sexy usando a minha jaqueta? – perguntou sussurrando em sua orelha, antes de morde–la. Ela corou ao extremo, mas não falou nada. Também o achava muito sexy de jaqueta. – Isso me da vontade de agarrar você e não soltar até que passe a caminhar com as pernas tortas. – falou abrindo o zíper da jaqueta e agarrando seu seio pó cima da blusa.
Aquilo foi o suficiente para ficar completamente molhada e rubra. Ofegou tentando recuperar a razão.
–Acno. – repreendeu usando seu exclusivo apelido. – Estamos na casa dos outros.
Tudo bem que aquilo não era exatamente uma ‘casa’, mas sim uma instalação de emergência bem decorada. Não que aquilo fosse detê-lo ou que seja um argumento valido. Uma risadinha ecoou em sua orelha e seu seio foi apertado outra vez, porém por baixo da blusa. Arfou, sentindo seus mamilos ficarem rígidos. O que temia era alguém ouvir e descobrir o que faziam. Seria vergonhoso. Acnologia sabia muito bem de seus pontos mais sensíveis, e sempre fazia questão de fazê-la gritar de tanto gemer.
–Tem pessoas aqui. – falou em seu ultimo lapso de razão e o único argumento que sua mente achou quando ele apertou o bico de seu seio com o polegar e o indicador.
Não adiantou em nada. Ele continuou em seu pescoço. Quando estava prestes a tomar frente com caricias ainda mais ousadas, sentiu três cheiros no batente da porta e ouviu batidas. Rosnou saindo de cima de Lucy e voltando a posição inicial. Por sorte, seu volume não era muito notável nas calças negras.
A maga levantou, arrumou a roupa, voltando o sutiã para o lugar e parte dos cabelos. Abriu a porta rapidamente se deparando com três pessoas que não esperava ver. Acnologia fechou os olhos colocando ambas as mãos atrás da cabeça, para não fazer besteira, e travou o maxilar. Lá estavam Erza, Gajeel e Levy. As sobrancelhas louras se ergueram, e, vendo que eles estavam meio desconfortáveis do lado de fora, a Heartphilia abriu caminho, acenando para que entrassem.
Fechou a porta e se virou, voltando a ficar em pé ao lado da cama, assim como os convidados, já que não havia nada além de uma cadeira e a cama dentro do cômodo. A baixinha abriu e fechou a boca várias vezes tentando ver por onde começar e como começar. Por fim, sem muita coragem, desviou do assunto principal que veio tratar e falou do secundário, fazendo uma pergunta que não saia de sua mente curiosa.
–Você matou Lázaros? – falou virando-se para o Dragão.
Ele não respondeu. Se quer se dignou a se mexer dando-lhe uma total prova de que a ignoraria como se fosse uma porta. Ela realmente pensou que era a única que saiu furiosa aquele dia? Odiou vê-la acusando Lucy daquela forma.
–Ei, estou falando com você! – exclamou indignada pela ignorância nítida. Como sempre Levy era pavio curto. – Sei muito bem que não está dormindo e também sei que sua audição é muito boa; Melhor até do que de Dragon Slayers! – ele nem se moveu.
O rosto de Levy ficou vermelho de raiva.
Lucy até poderia abrir a boca para defendê-lo e mostrar sua raiva pela total falta de respeito com ele, mas ficou abatida. Claro. Eles não estavam lá para se desculparem ou tentarem ver seu lado como por um instante pensou. Estavam lá por informações.
Foi nesse instante que Acnologia abriu os olhos, voltando-os direto para a maga. Sentia o que ela estava sentindo; e a magoa que ela voltava a sentir o deixou furioso. Os olhos, agora em tom azul escuro, foram de encontro com o grupo no canto do quarto.
– O que querem?- perguntou ríspido feito aço com um leve tom daquela voz reptiliana, que só aparecia quando começava a se transformar.
Levy deu um pulo, esquecendo toda a irritação anterior e recuando um passo ao ver os olhos tenebrosos. Isso foi o que todos fizerem: recuaram. Lucy suspirou, sendo a única que não se assustou, já adivinhando a irritação do namorado.
–Acno.- chamou, desviando sua atenção. Lhe mandou um olhar de complacência. – Tudo bem.
Um pouco contrariado, relaxou, abandonando os planos de ameaça e morte. Se ergueu na cama, ficando com as costas recostadas na cabeceira, ainda os encarando. Lucy sentou-se na cama e ele a puxou para que ficasse ao seu lado. Ela não questionou e ficou na posição de lótus, esperando para que eles lhe dissessem o que vieram fazer aqui.
Como ninguém falava nada Gajeel ergueu as mãos em um gesto de defesa.
–Só vim acompanhar. – disse recostando-se na parede.
A maga sorriu para si. Gajeel era o único que não reprovou suas escolhas sem antes ouvi-la, mas isso não significava que ele confiasse em Acnologia. Isso ela compreendia e aceitava. Erza ficou no meio termo e Levy no extremo de reprová-la completamente.
A azulada abaixou a cabeça, olhando para os pés como se fossem a coisa mais interessante do mundo. Ficou corada, com um pouco de vergonha de si mesma, mas respirou fundo, engolindo em seco e ergueu a cabeça com o pouco de coragem que havia reunido para falar.
– Eu... eu... – engoliu em seco mais uma vez, abaixando a cabeça. – Me desculpe. — as palavras soaram sinceras. As sobrancelhas louras se ergueram surpresas e seu coração deu um breve salto de alegria. – Acho que... exagerei em meu comportamento. – murmurou erguendo a cabeça outra vez, encarando Acnologia de uma forma avaliativa e inesperada. – Não é uma situação que se encaixa em nenhuma das minhas listas de probabilidades. Foi muito... inesperado!
Erza se posicionou ao lado da pequena, a posição estóica com os olhos inabaláveis, ainda mais fazendo uso de sua armadura rotineira de combate. Cruzou os braços em frente ao peito, fazendo as luvas metálicas produzirem um som um pouco irritante de choque de ferro com ferro.
–Acho que ninguém aqui esperava isso. – falou com sua voz de líder, embora houvesse redenção em suas palavras. – Porém, esperando ou não, isso não nos dá o direito de escolher por você. Isso também não significa que você tenha o direito de esconder algo tão... inóspito de nós! – completou rapidamente.
–Desculpe. – Lucy murmurou rapidamente disposta a continuar pedindo o perdão.
–Não viemos aqui para que você se desculpe. – cortou a ruiva antes que a loura formulasse um discurso de perdão. – Você já pediu nosso perdão antes, mais vezes que o necessário. Nós já a perdoamos. Quem deve nos perdoar agora é você! – suspirou abaixando os braços anteriormente cruzados. – Nos desculpe. Exageramos.
Acnologia ficou tentado a dizer que ‘exagero’ era apelido, porém mordeu a língua para não quebrar o momento e, claro, evitar levar um belo soco da maga localizada perigosamente perto. Ah! Dois socos. Lucy iria quebrá-lo por interromper o fabuloso momento que reconquistou suas amigas.
–É claro que desculpo. – respondeu prontamente dando um pulo e abraçando as duas. – Obrigado por confiarem em mim. – murmurou para as duas.
–Vem, vamos. – chamou Levy puxando as duas porta a fora. – Precisamos de um banho e repor as novidades.
Acnologia olhou as três saindo apreçadas para fora. Não se importou por hora. Era um momento delas, alem de que ficaria de olho nas oscilações vindas de Lucy. Se algo ocorresse seria o primeiro a saber.
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Assim que entraram no banheiro Erza acendeu todos os candelabros nas paredes, enquanto Levy abria as torneiras da banheira comunitária. Havia boxes com chuveiros para banhos rápidos e uma banheira grande de pedra escura feita para no máximo dez pessoas.
Lucy suspirou sabendo que aquele seria seu interrogatório. Estranhamente não se sentia apreensiva, como pensou que estaria. Estava até... animada. Erza, como sempre, rapidamente tirou suas roupas utilizando-se de sua magia. Levy também foi rápida ao tirar as suas, ambas entrando na banheira cheia de água morna, na qual ficariam durante bons minutos. Talvez até uma hora.
–Venha. – chamou à ruiva, mas seu pedido soou mais como uma ordem.
Não querendo contrariá-la e por sua vida em risco eminente, a maga se aproximou dos tamboretes de madeira, colocados lá para o apoio de bolsas e outros objetos, e se despiu, colocando as roupas devidamente dobradas em cima dele, incluindo a jaqueta emprestada.
–Vamos, Lu-chan! – chamou Levy um pouco impaciente, olhando para as costas da amiga que acabara de se despir.
–Já vai. – murmurou de volta, contra a impaciência da amiga.
Cruzou os braços sobre os seios, pelo frio que sentia, e foi em direção a banheira. Entrou dentro da água com um suspiro, finalmente descruzando os braços e mergulhando na água para molhar os cabelos. Quando emergiu, pensou que Levy tinha encontrado uma cobra pelo grito que deu.
–O que foi? – questionou um pouco aflita pelo susto que tinha levado. Pelo visto não foi a única já que Erza estava com uma adaga na mão.
–Você fez uma tatuagem? – perguntou piscando incrédula, sem conseguir tirar os olhos do Dragão azul, formado apenas por contornos de linhas, mas com uma expressão ameaçadora. As linhas às vezes reluziam pela cor azul intensa na qual era feito, e dependia também da forma na qual era iluminada. Aproximou-se da mesma, notando que o Dragão era até grande, ocupando grande parte de seu busto ate chegar a seu ombro. – O que mais não me contou? – questionou irritada pensando nas probabilidades que ela escondia.
–Não é uma tatuagem Levy! – resmungou, embora soubesse que seu argumento não era muito válido. Aos olhos de todos, aquilo era sim uma tatuagem.
–Não é mesmo uma tatuagem. – falou a ruiva puxando a atenção da azulada. – Pelo que sei, é uma forma de dragões demarcarem seus companheiros, fazendo assim com que outros dragões não venham atrás de suas fêmeas. – murmurou normalmente como um cientista entendido do assunto.
Não percebeu que suas palavras fizeram Lucy se encolher de vergonha e com um pouco de asco. Por um instante sentiu-se em uma daquelas viagens com guias exóticos e biólogos, que levam turistas para florestas longínquas e explicam ao grupo os hábitos alimentares e reprodutivos de todos os animais que viam pela frente. Soava tão menos romântico do que sua mente propunha. Era como se fosse um objeto ao invés de uma pessoa.
–Erza! – murmurou em um pedido de suplica. – também não é assim. – tudo bem que realmente havia um objetivo territorial por trás, porém havia mais do que isso. Havia um sentimento enorme que garantia que aquela ligação fosse eterna. – Esta é uma forma de ele me proteger, mesmo quando não está perto. É algo que nos conecta para sempre. – sua voz saiu com uma entonação apaixonada e orgulhosa.
Era um calorzinho gostoso que surgia e esquentava seu corpo por dentro.
Um risinho ecoou.
–Você está mesmo apaixonada. – falou Levy olhando outra vez para o dragão azul. – Da para tocar? – questionou curiosa como sempre fora.
–Acho que sim. – murmurou passando a mão quase por instinto por cima das linhas.
Sem resistir, Levi tocou uma das pontas das asas que estavam no ombro da loura. O Lugar o qual ela tocou reluziu em um brilho azul mais forte, que se espalhou por todas as linhas da marca até chegar nos olhos Dracônicos. Removeu o dedo rapidamente dando um pulinho para trás. O brilho tão rápido como veio desapareceu.
–Melhor não. – murmurou para si mesma, mas logo abriu um sorriso enorme para a amiga. – Mas então, Lu-chan, como se conheceram?
Lucy sorriu com um misto de alegria indecifrável mesclado com amor. Era bom ter este tipo de assunto com alguém. Liberava sua carga emocional. Escorou na beirada da banheira fazendo apoio com os braços dobrados na borda; deixou o olhar vago, mergulhada em lembranças.
–Em um estúpido acidente... -murmurou para introduzir a história.
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Cruzou os braços atrás da cabeça, voltando a afundar no colchão, consciente de que Gajeel estava escorado na parede ao seu lado e provavelmente só sairia dali depois do retorno de Levy. Ainda de olhos fechados, sentiu um choque elétrico percorrer seu corpo em um momento. Travou a mandíbulas. Era como o choque de uma daquelas canetas de brinquedo; desagradável, como se alguém o cutucasse no lugar errado, mas não doloroso. Era um formigamento incomodo. Não precisou mais do que um segundo para saber o que era.
–Sua namoradinha é curiosa. – murmurou para o moreno ao seu lado, permanecendo com os olhos fechados e contendo o impulso de ordenar a marca a repudiar o dedo intruso que tocava a ponta da asa desenhada em Lucy.
A sobrancelha de pontos metalizados se ergueu, sem compreender.
–Namoradinha? – repetiu em questionamento.
–A baixinha de cabelo azul. – falou sem delongas.
A primeira reação do mago foi arregalar os olhos em surpresa, a segunda foi ficar vermelho de raiva e vergonha.
–Ela não é minha namorada! – exclamou quase enraivecido pela possibilidade.
Em sua mente sempre tentava se convencer de que homens não precisavam de nenhuma mulher em suas vidas; um homem de verdade só precisava dele mesmo e não de mulheres baixinhas – sabe – tudo. Esse tentativa, claro, falhara miseravelmente, já que sempre ficava ao lado de Levy quase o dia inteiro. Nem pestanejou muito quando ela quis usá-lo de batedor e seguir os dois.
Acnologia abriu um dos olhos azuis, olhando-o de maneira entediada antes de fechá-lo outra vez.
–Relute o quanto quiser. – murmurou no mesmo tom arrastado. – No fim vai acabar cedendo.
O Dragon Slayer cruzou os braços em desafio.
–Não preciso de ninguém. Sei viver minha vida sozinho.
O Dragão nada falou. Uma hora, inevitavelmente, aconteceria. Ele iria se arrepender depois, assim como se arrependia de não ter saído atrás de Lucy pelo mundo inteiro, e tê-la feito sua há mais tempo. Bom, águas passadas não movem moinhos. Estava feliz agora e isso bastava.
Mais alguns minutos se passaram no mais puro silêncio.
–Oe. – Gajeel chamou em um tom mais baixo e curioso. Abriu um dos olhos em sua direção mais uma vez, vendo-o com um olhar pensativo. – Você sabe onde Metalicana está?
Fechou os olhos mais uma vez, respirando fundo. Permaneceu na mesma posição quando respondeu.
–Igneel, Grandeeney e Metalicana me odeiam a mais tempo do que posso lembrar. – respondeu calmo, sem intenção de lhe ocultar o pouco que sabia. – Se eles me encontrassem seria para me matar. Nunca procurei saber deles. – fez uma breve pausa, pensando. – Não sei onde eles estão, mas tenha certeza de que onde quer que estejam, estão juntos e vigiando vocês.
Os obres avermelhados o encararam surpresos.
–Eles se conhecem? – murmurou.
Sabia que a possibilidade existia, mas desconhecia o fato de que eles mantivessem contato até hoje.
–Que eu saiba eles sempre vivem juntos. Todas as vezes que os vi eles estavam juntos.São... ‘amigos inseparáveis’ por assim dizer.
–Como eles podem estar nos vigiando? E por quê?
–Não me pergunte garoto. – respondeu um pouco mal humorado. Era difícil entender? – Eu mal falei com eles em todas as vezes que nos víamos. Na maioria delas nós quase nos matamos. Não tenho idéia de por que fizeram isso. Apenas sei que eles os vigiam. Devem ter seus motivos.
Gajeel não falou mais. Percebeu que Acnologia não falava muito,e, mesmo que falasse, não teria muito mais o que lhe dizer.
Ficaram em silêncio até o retorno das meninas, quando o Dragon Slayer se retirou junto com as outras duas. Lucy cantarolava alegre pelo quarto, enquanto colocava roupas secas e punha sua jaqueta na cadeira. Só se moveu quando ela voltou para seus braços, circundando a cintura fina e lhe dando um beijo em meio aos fios louros. Sentia algo estranho em relação a esta missão. Seja o que for não era agradável.
“Não brinque com a morte, menino tolo. Ela adora jogos e sempre irá vencer.”
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