A Arte do Caos
12 Cap 12: Desconfiança...
Notas iniciais
Estranho. Essa palavra era uma ótima definição da sensação incomum que Acnologia sentia.
Depois de saírem da loja após recolherem as poucas pistas do possível local onde os magos poderiam estar se escondendo, eles se dirigiram as montanhas. Caminharam durante quase o dia inteiro procurando-os. Erza usou Natsu como um cachorro e tentou fazê-lo encontrar o rastro deles logo à medida que perdia a paciência. Mas o rosado não encontrava.
A ruiva queria fazer Acnologia de rastreador também, mas ele era intimidador. Ela também possuía uma leve desconfiança sobre si. Algo que deveria temer. Por fim o deixou quieto.
O Dragão poderia aguçar mais seus sentidos, para que ficassem mais próximos ao da sua forma final e rastrear os meliantes mais rapidamente; mas ao se lembrar do cheiro repugnante seu estômago embrulhava. Ficou o resto do dia se concentrando apenas no cheiro de Lucy. Deixaria o trabalho para o Dragneel.
Essa era a parte da sensação estranha. Mesmo Natsu não tendo o mesmo poder, e nem os sentidos aguçados como os seus ele deveria ter achado algo. Já tinham percorrido boa parte das montanhas. Se continuasse assim teria de assumir como rastreador; coisa que não queria. A sensação de que estavam próximos ao objetivo não o abandonava. Algo os estava impedindo de encontrá-los.
Já estava escurecendo. Erza ordenou que fizessem um acampamento e continuariam as buscas pela manhã. Acnologia não questionou. Por mais que fosse um Dragão e nunca tivesse se deparado com grandes problemas nas florestas, ele sabia que elas eram realmente perigosas a noite. A penumbra escondia coisas que nenhum homem poderia imaginar. Por isso quase tinha entrado em pânico quando Lucy fugiu da casa naquele dia em que a fez chorar.... algo que jamais faria outra vez. Também tinha o fato de não poder se transformar quando e se algo acontecesse.
Não tinham vindo preparados para acampar, mas eram magos. Sabiam como dar um jeito.
Arrumaram um lugar mais plano e fechado em meio as arvores, pegaram um pouco de lenha e Natsu acendeu uma fogueira. Erza, sempre preparada, fez aparecer uma mochila de acampamento de emergência, que possuía comida, um saco de dormir e um cobertor grosso de complemento para lugares mais frios.
Após comerem, Erza deu o cobertor a Lucy e se deitou no saco de dormir. Natsu apagou no chão mesmo, logo depois de ter devorado tudo o que podia e Gray usou sua magia para fazer uma barraca. Como era um Mago do Gelo não tinha problemas com a temperatura.
Acnologia se sentou recostado em um tronco de árvore. Não tinha problemas em dormir assim após tanto tempo em florestas. Com um movimento de mão, ele chamou Lucy para se sentar junto a ele. Ela corou, mas pegou o cobertor emprestado e se sentou entre suas pernas.
Os braços musculosos a envolveram, a puxando mais para si, e colando as costas do corpo miúdo ao seu peitoral. Suas bochechas arderam – adoravelmente na visão do Dragão.- e ela passou o cobertor em volta de ambos.
Ela recostou a cabeça em seu ombro e ele enterrou o queixo em seus cabelos. Fechou os olhos, sentindo o calor do corpo musculoso passar para o seu, lhe aquecendo mais do que o próprio cobertor. Talvez fosse algo normal os Dragões e Dragon Slayers no geral terem uma temperatura mais elevada que a das pessoas normais.
Ela se remexeu, tentando se aconchegar e se apertar mais contra seu corpo para se aquecer. As mãos dele travaram em sua cintura e impedindo de se mover.
–Não faça isso!- repreendeu em um sussurro baixo em seu ouvido, para que ninguém os escutasse.
–D-desculpe!- Murmurou envergonhada e escondendo o rosto no cobertor.
Ele deu uma risadinha baixa e curta.
–Não se desculpe por ser uma tentação para mim, Lucy.- sussurrou sugestivo. A loura corou ainda mais.- Vá dormir!- Murmurou serenamente.
Ela não questionou. Apenas acomodou melhor a cabeça em seu peito e rapidamente adormeceu. Acnologia voltou a enterrar o queixo em sua cabeça e fechou os olhos.
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–Quem diria... Aquela barreira que a mestra fez funciona bem!- falou uma voz arrastada e masculina que desatou a rir.
–SHIII!- Repreendeu fortemente o outro.- Fale baixo sua hiena. Eles podem acordar!
–Vocês dois são repugnantes! –murmurou o terceiro com uma voz mais seria.
–Ei, vamos lá?- Sugeriu o primeiro.- Podemos matá-los e pegar aquelas duas gostosas que eles trouxeram. Preciso urgentemente me aliviar!
–Sabe, pela primeira vez eu concordo com você Hojo.- murmurou o segundo.- Elas são muito gostosas!- disse voltando a observar os magos que dormiam serenamente próximos ao seus esconderijos.
O terceiro homem mais serio avaliou os dois com o olhar. Suspirou. Eram pervertidos e ladrões. Que mal faria? Só iria acrescentar mais um crime em sua ficha.
–Não façam barulho.- ordenou.- Vamos matá-los rápido!
Hojo e o outro sorriram, maliciosa e maldosamente. Os três se dirigiram ao acampamento. Ao chegarem lá, e antes de fazerem o que queriam, se propuseram a analisar os magos. O mais serio se aproximou de Natsu e o analisou, até notar um símbolo em seu ombro, próximo a um gato azul.
–Fairy Tail!- falou para si mesmo.
Ergueu a cabeça e começou a analisar os outros que estavam a sua volta. Um deles, pode concluir, que possuía alguma magia relacionada a gelo por causa da cabana feita pelo mesmo. Era um pouco estranho, já que a noite estava gélida e o mesmo dormia nu.
A segunda era uma mulher ruiva. Ela dormia com a feição seria dentro do saco de dormir. Também estranho já que ela dormia com uma armadura. Talvez fosse hábito de todos eles dormir de um jeito estranho.
Dirigiu os olhos a outra extremidade do acampamento. Lá estavam os últimos dois magos. Um homem forte, com feição neutra, abraçava de maneira possessiva uma garota incrivelmente linda e seu queixo se enterrava na cabeleira loira.
O cobertor que ela usava caiu um pouco para sua cintura- o que não a incomodava pelo fato do outro corpo junto a ela a estar esquentando.- e isso mostrava seu busto. Bom, nem tanto. Ela usava uma blusa de frio fina, porem ela era colada ao seu corpo, o que mostrava todas as suas curvas e o tamanho de sua... ahn... comissão de frente? É. Era um bom termo.
Sua boca salivou. Agora tinha entendido por que os dois queriam vir aqui.
De repente, um arrepio doloroso de medo atravessou sua coluna. Suou frio. Sua respiração travou e seus olhos passaram para o homem que a abraçava. As feições dele continuavam as mesmas e ele nem se que tinha se mexido. Talvez fossem namorados? Mas de que isso importava? Iria matá-lo e se aproveitar dela de qualquer jeito. Então por que o arrepio desagradável continuava? Por que algo em sua mente lhe dizia: “Saia daí agora se quiser viver!”
Viu Hojo se aproximando dos dois, e se ajoelhando em frente aos mesmos para observar melhor a garota que dormia serenamente com uma sensação de segurança, para si, incomoda. Como se ela tivesse realmente consciência de que nada iria acontecer com ela agora.
As palavras para repreender o colega e saírem logo dali travaram em sua garganta e ele engoliu o seco. O que infernos estava temendo?
Hojo sorriu maliciosamente e estendeu a mão, lentamente, em direção a maga para tocá-la.
–Vai ser um prazer comer um anjo como você...
Ele nem ninguém viu como, mas em um instante seu pulso estava sento segurado com força, quando estava a milímetros do rosto sereno.
Quase engasgou com o próprio ar de susto. Ergueu a cabeça um pouco para cima e quase molhou as calças. Um par de olhos azul escuros como a noite e cruéis como o inferno o encaravam furiosamente. Antes que pudesse cogitar reagir, Acnologia apertou sua mão e um barulho audível e que provocava calafrios em qualquer um preencheu todo o local: Um osso sendo quebrado e esmigalhado.
Um grito horrendo de agonia foi escutado por metade da floresta e acordando todos do acampamento.
Hojo puxou a mão de volta dando um pulo para traz e caindo sentado. Trouxe o braço rente ao seu peito enquanto as lagrimas de dor, medo e pânico escorriam pelo canto de seus olhos.
Erza pulou para fora do saco de dormir, meio desorientada e com uma espada nas mãos. Olhou em direção a Acnologia e temeu. Aqueles olhos eram tão... não tinha palavras para definir, mas era algo próximo ao inferno. Natsu e Gray também se levantaram rapidamente, olhando para os lados até achar o inimigo.
Lucy acordou em um pulo de susto, e totalmente desorientada. Mal levantou e um braço firme a puxou para traz, lhe colocando atrás do corpo musculoso.
Ah, como era doce e incontrolável a fúria que passava por suas veias. A vontade de matar, seus olhos focados no alvo; vários planos de como torturar alguém. Como era tentador deixar essas vontades o dominarem por completo.
Estava puto. Ouvir aquelas palavras dirigidas a Lucy, a sua Lucy, o deixou irado; mas o que realmente odiou foi o outro, aquele que se posicionava como o mais serio dos três ter, mesmo que por um segundo, a desejado. Ele pode sentir o cheiro.
Não havia pior forma de morrer do que quando se desejava a parceira de um dragão. Suas chances pioraram ainda mais, pois ele era o rei deles.
Em um piscar de olhos, Acnologia, literalmente, segurou o rosto daquele que tinha quebrado o pulso e o afundou no chão, quase o enterrando em meio a uma pequena cratera aberta pelo impacto. Em outro piscar de olhos ele estava em frente ao membro mais sério. O homem arregalou os olhos e, sem poder reagir, o Dragão o segurou pelo pescoço e o jogou de volta no chão, como se estivesse jogando um globo de neve.
Os dois perderam a consciência. Levaria bastante tempo para que eles conseguissem se recuperar, tanto física como mentalmente.
O terceiro homem estava em choque, mas queria sobreviver. Ele saiu correndo o mais rápido que suas pernas conseguiam para chegar ao esconderijo. Natsu despertou do susto momentâneo.
–Ora seu...- começou enquanto fazia menção de ir atrás do mesmo.
–Natsu, não.- impediu Gray.- Deixe-o. Ele vai nos levar direto ao esconderijo dos outros!
Acnologia olhou para os dois homens desmaiados e sangrando. Queria insanamente matá-los. Esquartejá-los; fazê-los sofrer por terem olhado de maneira indecente para Lucy. Mas isso era contra os valores da maga. Por que ela tinha que ser tão... gentil? Algumas pessoas não mereciam isso.
Fechou os olhos azuis assassinos. Ao menos poderia descontar a raiva no resto deles. Suspirou e abriu de novo os olhos, se deparando com a maga ruiva lhe encarando desconfiada. Era para tal. Tinha desacordado dois magos em segundos e sem o uso de nenhuma magia.
A Titânia continuou observando. Ele a ignorou.
Se virou em direção a Lucy, e, automaticamente, seus olhos mudaram de cor. Erza piscou. Como infernos olhos assassinos e sádicos mudavam de cor? E ainda por cima tão rápido?e para uma cor tão... bela, talvez?
Tinha algo ali e, Ah, ela iria descobrir.
–Vamos atrás dele.- ordenou.- Estou cansada dessa missão!
Ninguém questionou. Todos correram em disparada seguindo Natsu. Agora ele tinha um rastro fácil para seguir. Acnologia se manteve quieto. Iria ficar perto de Lucy. Protegê-la.
Tinha visto a reação de Erza. Tinha sido burro em seguir a raiva e ter acabado com os dois em um instante e sem usar magia. Mas ainda estava em duvida em usar ou não. Teria de usar o mínimo possível e sem habilidade especiais. Apenas o básico que todos os Dragon Slayers sabiam executar.
Não demorou muito para avistarem a luz de uma fogueira dentro de uma das cavernas da montanha rochosa e vulcânica. Assim que adentraram o local, uma chuva de ataques diversos foram em direção ao time, que desviou prontamente. Assim como Erza tinha suspeitado eles eram mais que 10, apenas alguns grupos assaltavam as lojas da cidade; mas isso não era um problema. Estavam acostumados com isso.
A ruiva batalhava com vários magos enquanto olhava de soslaio para Acnologia. O mesmo não desgrudava do lado de Lucy; a protegia de todos os magos enquanto a mesma usava seus espíritos para batalhar- ela parecia bastante envergonhada pelo excesso de protecionismo do Dragão. Estava rubra. Ele a protegia sem usar um pingo de magia todos os feitiços lançados contra si eram desviados por suas mãos nuas e depois, em um piscar de olhos, ele aparecia em frente a um mago e o socava.
Estava impressionada com a agilidade e precisão com que ele atacava. Deixou sua desconfiança de lado no momento e voltou a atacar. Se continuasse assim iriam acabar rápido e devolver logo os pertences aos seus donos, pegar a recompensa e depois tirar satisfações com Lucy.
Cruzou os braços em frente ao corpo em um ato defensivo. Um dos magos usava magia do vento e lançou uma rajada forte em direção ao grupo. Reequipou com uma espada mais grossa e a fincou no chão para se segurar. Por relance olhou para seus amigos, e, também de relance, vil a blusa de frio de Lucy ser remexida pelo vento lhe possibilitando ver um pequeno e rápido brilho azul. Arregalou os olhos, desviando momentaneamente o foco da luta. Tinha desconfiado do uso das blusas mais longas por Lucy. Ela nunca usava esse tipo de roupa a não ser quando iam para lugares invernosos. Pesou que ela tinha mudado um pouco de estilo para não expor tanto o corpo agora que tinha namorado. Mas ela continuava com a saia curta.
A verdade veio a si como um soco.
Ela não usava blusas de frio por um novo estilo, mas sim por querer esconder algo.
Ah, descobriria o que era ou não se chamaria Erza Scarlet!
Uma explosão fez com que todos recuassem um pouco para a entrada da caverna. Uma mulher de cabelos negros –longos- olhos acinzentados apareceu em frente a eles. Não precisavam de muito tempo para ver que ela era a mestra que os recém desmaiados magos estavam falando. Ela era a ultima.
Parecia, e era, uma prostituta. Os seios exageradamente grandes –provavelmente por algum tipo de cirurgia ou magia estética por que eles eram tão grandes que eram desproporcionais ao corpo. Era ridículo.- estavam em um corpete negro e roxo, espremidos. Usava também uma saia longa com uma abertura na perna esquerda que ela fazia questão de mostrar. Seu sorriso era escárnio e dava nojo. Parecia que ela não se importava de ser usada por todos.
Ela baixou os olhos para os outros magos com ar de superioridade.
–Inúteis!- reclamou olhando os corpos estirados no chão.
Assim que o cheiro dela chegou, infelizmente, ao nariz de Acnologia e ele passou mal. Se curvou um pouco para frente, mas conseguiu conter o refluxo de seu estomago que agora se revirava. Levou a mão ao nariz para tentar amenizar o cheiro enquanto fechava os olhos e balançava a cabeça repetidas vezes.
Estava pior que na loja. Mais forte, mais enjoativo e sem duvida ela usara mais perfumes baratos e se deitou com mais homens. Deus, sua vontade de vomitar era enorme.
Percebendo rapidamente seu desconforto, Lucy se aproximou dele para saber o que acontecia e ajudá-lo.
–Acno... você está bem?- perguntou preocupada enquanto o analisava com os olhos.
Não conseguiu falar no momento. Apenas suspirou aliviado por ela ter se aproximado. Seu cheiro predominava mais que o da prostituta, fazendo com que ele melhorasse mais rapidamente do que tomando um remédio. Assentiu positivamente para ela ainda com os olhos fechados.
A Mulher repuxou o sorriso.
–Incomodado com o meu poder, maguinho?- perguntou-o também percebendo seu desconforto.
Seus olhos correram o corpo do Dragão maliciosamente. Sua sorte era que Lucy analisava incessante e preocupadamente Acnologia para olhar para mulher e perceber. Ela também tinha ciúmes, e poderia ser assustadora quando queria- algo adquirido com os meses ao lado de Zeref e Shinuky. Já o mago com certeza vomitaria, mas seus olhos estavam fechados.
O Dragão ignorou o xingamento da prostituta e apenas falou o que lhe veio a cabeça, e que conseqüentemente era a verdade.
–Você fede!
Suas bochechas ficaram vermelhas de raiva e seus dentes trincaram, enquanto suas mãos se fechavam em punhos.
Erza e Gray arregalaram os olhos e viraram as cabeças ao mesmo tempo para ver o Dragão. Ele tinha realmente dito aquilo?
–Como ousa!- pestanejou em auto e bom som.
–Ele tem razão!- resmungou Natsu também com a mão tapando o nariz e adquirindo distancia.- Você fede!
–Aye!- confirmou o gatinho azul com as duas patinhas felpudas cruzadas em frente ao nariz.- Natsuuuu, meu estomago não ta legal. Vamos ir embora para longe dela!- choramingou voando para tentar conseguir ar fresco.
A maga ficou com mais raiva.
–Como vocês se atrevem!- brandiu batendo o pé.- Eu não sou uma pess...
*BAM*
O som da parte chata da espada de Erza – que tinha usado a raiva dela para se aproximar sem que notasse- reverberou na caverna ao se chocar contra a nuca da mesma que caiu desmaiada.
Tudo bem. Aquela não tinha sido a melhor missão de todas, foi muito fácil, mas com certeza foi estranha.A espada desapareceu de suas mãos.
–Vamos amarrá-los. Vou chamar os guardas para buscá-los!- ordenou indo pegar a lacrima de comunicação no acampamento.
Ninguém questionou. Pegaram algumas cordas na caverna mesmo e começaram a amarrá-los. Acnologia ficou beeeemmm distante da prostituta.
Pelo menos isso tinha uma vantagem. O cheiro o fez esquecer da raiva...
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–Eles já estão chegando!- avisou Erza.
A sena poderia até ser cômica.
Os magos amarraram todos da dark guild em um único montinho. Os soldados já estavam a caminho. O grupo ficou de guarda em volta dos magos em frente à caverna, caso os mesmos tentassem fugir.
A comedia mesmo vinha do fato de que todos que possuíam um faro mais apurado estavam terrivelmente incomodados com o cheiro da mulher desacordada. Natsu enfiava o nariz no meio do cachecol, o puxando mais para cima. Happy pegou um pedaço de pano e enrolou em seu rosto, parecendo um medico no formato de gato. Acnologia Abraçava Lucy por traz e estava com o nariz enterrado no cabelo loiro sem desgrudar de lá nenhum segundo. Nenhum deles sentia coisas boas quando sentiam o cheiro enjoativo daqueles perfumes baratos.
Um pequeno grupo de soldados e um homem de aparência simples chegaram ao local pouco depois. Os soldados começaram a algemar com corretes os novos prisioneiros, sem muitos questionamentos, e os levando para a cidade onde seriam devidamente presos e julgados. O homem mais simples de estatura mediana se dirigiu ao grupo de magos e sem delongas se apresentou.
–Boa noite. Meu nome é Ako. O senhor Antônio me pediu que lhe entregassem a recompensa e lhes desse um obrigada em seu nome.- rapidamente entregou um envelope lacrado com o dinheiro para Erza.- Fizeram o trabalho mais rápido do que ele esperava!
–Obrigada!- agradeceu-lhe Erza.
O garoto fez uma reverencia e se retirou, indo atrás dos soldados.
–Engraçado.- murmurou a ruiva.- Não entendo por que eles colocaram uma recompensa tão alta para um trabalho tão ridículo!
–Na verdade Erza...- Lucy chamou a atenção já entendendo o que tinha ocorrido.- Nessa cidade as pessoas tem uma vida de alto padrão. Até mesmo os empregados costumam ganhar bastante. Para eles, o que nós recebemos, é pouco!- explicou.
Todos congelaram.
–NANIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII????
–Está dizendo que 1 milhão é pouco?
–Não.- reformulou Lucy.- Mas essas pessoas ganham muito mais do que isso. Quando eu era pequena meu pai me trouxe para cá. Era uma viagem de negócios. As gorjetas para os serventes eram sempre maiores que 50.000j!
O grupo – com exceção de Acnologia que se mantinha alheio a tudo. Mas também depois de 400 anos você perde um pouco a noção de quanto as coisas valem.- piscou varias vezes absorvendo a informação.
–Me sinto tão pobre...- murmurou Erza.
–Aye!- responderam Gray, Natsu e Happy.
Eles fitavam o céu com decepção.
–Minna?- tentou chamar Lucy.
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–Lar doce lar!- exclamou Lucy entrando em seu humilde apartamento.
Quando terminaram a missão o sol já estava quase nascendo. Ninguém queria continuar ali. A cidade era absurdamente cara. Se dirigiram ao hotel –que nem tiveram a oportunidade de usufruir.- pegaram as coisas e foram embora. Erza dividiu a recompensa igualmente entre todos antes de entrarem no trem. Acnologia- após dar sua parte a Lucy.- ficou reclamando que queria levá-los voando que seria muito mais rápido e menos incomodo. Mas convenhamos, era só um piti. Nunca que Lucy iria dizer aos amigos tão cedo que seu namorado era um Dragão, e todos de Magnólia iriam ver uma besta enorme pelos céus.
Chegou em casa, pagou a sindica os 420.000j que devia e ainda sobrou para comprarem comida. Acnologia pegou apenas uma parcela da recompensa. Lucy tinha relutado em receber a parte dele, mas o argumento que ele lhe deu foi irrefutável. Ela tinha apenas uma semana para pagar aquilo e ele estaria vivendo com ela. Não havia motivos para ela negar.
–Eu vou tomar um banho!- informou-lhe pegando uma toalha no armário e uma muda de roupas.
A idéia maliciosa de sugerir tomar um “inocente” banho com ela lhe brotou na cabeça. Balançou a cabeça antes que se excitasse, mas ainda assim sorriu malicioso pensando em como se divertiria ao ver as bochechas rubras ao sugerir a idéia. Abriu a boca para falar mas a campanhinha tocou.
–Lucy eu estou entrando!- Informou a voz feminina do lado de fora.
Os dois olharam para a porta e ela se abriu, revelando Erza com dois aparatos feitos para abrir e arrombar portas sem necessariamente destruí-la. Não demorou e as ferramentas sumiram de suas mãos assim como suas espadas geralmente faziam. Adentrou o local sem pedir permissão- o que alias nenhum membro da guilda pedia.
A ruiva encarou Lucy e a mesma a encarou de volta com a pequena toalha branca em mãos.
Acnologia pós as mãos no bolso da frente da calça ficando desconfortável. Tinha algo estranho no ar. Algo que deveria ser resolvido em uma conversa entre as duas. Não sabia o que, e pela cara de Lucy ela também estava um pouco surpresa com a aparição da Titânia há essa hora. Precisava arrumar uma desculpa para sair dali por alguns minutos.
–Eh,... Lucy?!- chamou olhando para Erza que estava séria. – Eu vou ver se ainda tem alguma loja aberta para comprar algo para jantar. Volto daqui a pouco!- informou rapidamente saindo pela porta e a fechando.
Respirou aliviado quando chegou do lado de fora da casa, como um peso saindo de si. Estranho. Bom, seja o que for não iria interrompe-las ficando ali. Se tinha uma coisa que nunca iria fazer era se meter na conversa de duas mulheres. Sendo Rei dos Dragões ou não, sabia que se as interrompesse poderia sair com seqüelas nada agradáveis.
Respirou fundo e começou a andar. Pelo menos o ar puro da noite faria com que seu estomago, que ainda se embrulhava um pouco por causa do Trem, se acalmasse definitivamente.
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–Muito bem Lucy, será que pode me dizer o que infernos está escondendo?- exigiu a ruiva cruzando os braços e cerrando os olhos.
Lucy arregalou ou olhos em surpresa e confusão.
–O que?- questionou realmente não entendendo.
Erza não era uma pessoa muito paciente, e conhecia Lucy o suficiente para saber que mesmo se explicasse a ela a mesma iria tentar fugir do assunto de todas as formas possíveis de lhe contar o que quer que fosse, então iria encurtar o tempo.
–Eu me refiro a isso!- Neste mesmo instante uma adaga apareceu em suas mãos. Ergueu a mão com a lamina e a enfiou entre os seios da maga a puxando de volta e rasgando-lhe a blusa e o sutiã.
Por mais que não a tivesse machucado, e sua intenção fosse apenas rasgar a blusa, a marca reagiu com a proximidade do fio afiado da adaga com sua pele. Chamas azuis a envolveram e, no susto, Erza deixou a lamina cair no chão, brilhando em vermelho e quase derretida. A mesma aterrissou com um beque metálico deixando um pouco da madeira do assoalho negra, mas sem pegar fogo.
A ruiva arregalou os olhos desviando o olhar da adaga que acabou de cair em direção a Lucy. Seus olhos se arregalaram ainda mais quase saltando das orbitas.
–O...o... que...?- não conseguia falar.
Um Dragão azul... Não! Um enorme Dragão azul estava lá, marcado em seu peito, em cima de seu coração e acomodado entre seus seios. O mesmo reluzia, e, com o passar dos segundos, o brilho azul marinho diminuía, assim como o olhar ameaçador cravado nos olhos, que pareciam vividos, do dragão.
–É uma marca...- respondeu baixinho, abaixando a cabeça e olhando para o chão enquanto abraçava a toalha, sem se importar com a blusa rasgada.
Uma pitada de irritação percorreu Erza. O que infernos era aquilo? O que significava? Por que ela estava escondendo isso de todos? E por que o recém –e para si desconhecido.- namorado não usara um pingo de magia para derrotar os magos? E ainda por cima conseguiu perceber aqueles três sem que ela tivesse se quer atinado?!
–Lucy acho bom você começar a me contar tudinho.- falou raivosa com uma das mãos massageando as têmporas enquanto andava de um lado para o outro na frente da maga estelar.- Por que infernos você está escondendo isso? Não! Melhor: O que É isso? E me explique por que eu desconfio que isso tenha a ver com aquele cara que ninguém conhece que você está namorando! Alias me d....
–Vocês o conhecem!- falou baixinho a interrompendo.
Erza estancou no lugar, parando de andar. Lucy respirou fundo ainda de cabeça baixa. Que sentido faria esconder isso dela agora? Agora que ela já viu nada a acalmaria a não ser a verdade.
–Como?- questionou cerrando os olhos em sua direção.
Lucy mordeu o lábio hesitante.
–Vocês os conheceram a quase oito anos na Ilha de Tenrou. –murmurou.- mas na época ele estava em sua outra forma...
Erza travou a respiração, voltando a arregalar os olhos. Seu corpo enrijeceu. Não precisava ser um gênio para entender e interpretar rapidamente por si própria o que ela disse. Soltou o ar estupefata.
Deus, como fora ingênua! Durante os jogos tinham descoberto que Acnologia já fora humano, por que infernos não poderia se tornar um novamente quando bem quisesse? Por Deus! Tinha realmente confiado que o nome era apenas uma coincidência!
Tudo bem, ela tinha duvidado dês de o inicio, mas teria de ter tirado a história a limpo dês de que ele chegou! Mesmo assim, perguntou:
–Está me dizendo... –fez uma pausa.- Está me dizendo que aquele garoto,- disse apontando para a janela.- é o Acnologia que nos atacou a 8 anos?- sua voz saiu cortante.
Lucy encolheu e abaixou mais a cabeça. Era a resposta.
–Deus, Lucy!- Exasperou em choque, irritada, confusa e sem saber o que fazer.- O que ouve com você. Ele tentou nos matar! – a essa altura ela já chacoalhava os braços em frente a Lucy e a repreendia de todas as formas. –Você está me dizendo que... que a pessoa que você confia, a pessoa que vive com você e, principalmente, a pessoa que você convidou para entrar na nossa guilda é... um monstro?!
Isso fez a Heartphilia mudar sua posição naquela discussão.
A fúria borbulhou forte em seu peito; suas bochechas ficaram vermelhas de fúria. Ela poderia até ser sua amiga, mas agora a Titânia passou dos limites!
Seus calcanhares travaram no chão. Ela ergueu o corpo, levantando a cabeça para desafia-la; seus olhos castanhos estavam furiosos, seu corpo esquentou. Marchou até ficar frente a frente com Erza, que fez menção de dar um passo para trás- ninguém a tinha reagido assim em sua presença, muito menos Lucy.
–Você pode me xingar de várias coisas,- começou em um tom ríspido e alterado.- Você pode dizer que sou irresponsável; pode dizer que eu deveria ter deixado meu medo de lado e pelo menos contar ao time sobre quem ele é; pode até dizer que isso foi uma das coisas mais perigosas que já fiz na vida, mas não ouse chamá-lo de monstro!- falou apontando o dedo no rosto da ruiva.
Era oficial: Lucy enfrentou Erza, e estava pouco se lixando se ela era temida ou o diabo que o parta! Ninguém, nem mesmo Deus, iria falar mau da pessoa que amava em sua frente.
Respirou fundo se acalmando e terminou:
–Você não o conhece, portanto não tem o direito de falar dele assim. Acnologia é o homem que amo, e não me importa o resto!
Ele havia lhe ajudado, a tinha consolado e ajudou a colher os cacos que eram seu coração quando partiu. Ele tinha mudado, tinha protegido e sempre se preocupava consigo. Não iria deixar que falassem mau da única pessoa que tinha feito isso tudo e que ainda por cima a amava. Poderia fazer uma guerra por isso.
Erza recuou em seu sermão. Ela a estava enfrentando de frente, sem se importar com conseqüências. Começou a analisar o que tinha dito.
Tinha chamado Acnologia de monstro, dito que a maga era irresponsável e que isso era altamente perigoso. Foi ai que percebeu! O sujo falando do mau lavado. Jellal tentou matá-los, nos meios sociais também é julgado como um monstro, ela era irresponsável por, não só manter contato, como pensar varias vezes em possuir um relacionamento serio com o mesmo. A Fairy Tail conhecia Jellal, sabia o que ele tinha feito, mas, mesmo assim, o aceitavam de braços abertos.
Tinha acabado de represar Lucy erroneamente com algo que ela mesma fazia.
Essa foi a vez dela abaixar a cabeça e suspirar.
–Desculpe Lucy.- disse surpreendendo-a.- Você tem razão, eu não posso julgar uma pessoas sem antes conhecê-la. Foi errado de minha parte, mas você também deveria ter ao menos me contado!- repreendeu.
Lucy suspirou. Disso Erza tinha razão.
–Desculpe Erza... Eu não me sinto... preparada para contar isso, ainda!- confessou.
A discussão tinha acabado.
–Eu compreendo Lucy. Mas uma hora terá de contar.- ressaltou, mas logo suspirou colocando outro assunto em pauta.- Eu vou lhe ajudar até que se sinta preparada para dizer a todos, mas se você não contar eu irei.- impôs sem intenção real de ameaçá-la.- Quantas e que pessoas sabem a respeito disso? E... o que é isso?- falou apontando para a marca.
–Alem de você, só o mestre. Ele percebeu no dia que chegamos. Preferimos manter segredo por causa do conselho e ... bom, eu não conseguiria contar. –Erza assentiu esperando a outra explicação.- Quanto a marca...- colocou a mão em cima da mesma com uma expressão nostálgica.- Acnologia não teve tempo de me explicar direito, na verdade eu até tinha esquecido de perguntar devido a correria... Ele me disse que quando um dragão ou Dragon Slayer encontra uma parceira é algo definitivo, então ele a marca para protegê-la e nunca se separar dela... algo assim!- Erza assentiu percebendo que ela ainda não sabia muito.
Quanto a isso não haveria problema. Tinham vários Dragon Slayers na guilda, arrancar a resposta deles iria ser ridículo de tão simples.
–Tudo bem Lucy, eu entendi.-Respirou fundo.- Já está tarde,- falou olhando para a penumbra da noite do lado de fora. – eu vou lhe ajudar com o necessário, mas quero que me conte tudo o que aconteceu nesse treino depois!- exigiu.
–Obrigada Erza!
–Não há de que!- Falou puxando-a para um abraço de urso.
“O maior erro do homem é achar que a natureza está sob seu controle, e não o contrario!”
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