A Arte do Caos
4 Cao 4: A promessa silenciosa...
Notas iniciais
Povs Lucy on:
Acordei dessa vez sem estar grudada a um Dragão. Ele dormiu no sofá. Ele esta estranho dês de ontem. Ele não me irritou uma única vez se quer. Nem me chamou de peituda ou algo do gênero. Algumas horas depois Zeref e Shinuky chegaram e comeram, também, o café da manha inteiro. Daqui a algum tempo vou ter que comprar mais coisas.
–Bom Lucy nós vamos te treinar da seguinte forma: Eu vou ficar com a parte física e vou te ensinar algumas magias, mas quem vai te ensinar magias e tudo mais é o Zeref!- falou quando chegamos a clareira.
Acnologia ficou deitado debaixo de uma arvore olhando.
–Hay!-respondi.
Povs autora on:
Alguns meses já tinham se passado e Lucy tinha ficado bem forte e estava progredindo bem em seu treinamento. Ela acabou se acostumando com as brigas rotineiras dos três, que lembravam vagamente seus companheiros de time. O fato de Zeref ser um procurado e Acnologia um Dragão temido já não a incomodava. Com o tempo ela e Acnologia começaram a ficar mais próximos. Pareciam duas crianças que já se conheciam a anos.
Inegavelmente a maga celeste começou a desenvolver algum sentimento mais próximo com o Dragão, embora ainda não conseguisse perceber isso outras pessoas a sua volta percebiam.
–Você percebeu isso?
–Se se refere ao fato de Acnologia ter se apegado a Lucy tão rápido e pela primeira vez na vida estar se importando com alguém, sim, eu notei!
–O que você acha?- perguntou o moreno.
–Eu acho que o único jeito de ele tratar ela assim seria se ela fosse sua parceira. Só tem um jeito de descobrir isso... Reze para eu continuar com a minha cabeça depois disso!
–Está louca? Vou rezar para sua cabeça cair!
–Sua sinceridade é comovente!
–-----------------------------------------------------QUEBRA TEMPO--------------------------------------------------
–Ahhhhh que água boa!- disse Lucy ao entrar na banheira.
–Tenho que concordar.- disse Shinuky também entrando na água.-Ainda mais por que não tem aqueles idiotas para nos irritar, assim podemos conversar.- falou indignada recebendo uma risadinha da loira.- Lucy, você já decidiu o que vai fazer depois do treinamento?- perguntou receosa.
Ao contrario dos dois inquilinos residentes, Shinuky já sabia da história. Com o passar do tempo as duas se apegaram se tornando amigas. Algumas semanas depois do inicio do treinamento a loira tinha lhe contado, mas ainda sim era um assunto delicado. A garota ainda se sentia temerosa.
–Eu...eu não sei.- respondeu fitando a água tristonha.- Tenho medo de voltar e ainda amar o Natsu...ou da Lissana tentar alguma coisa. Embora eu esteja mais forte, tenho medo que ela tente alguma coisa para me prejudicar e acabe machucando meus amigos!
–Ore, ore. Não se preocupe com a Lissana. Nela a gente da um jeito com o tempo. Mas quanto ao Natsu... o que você ainda sente por ele?
Ela pensou um pouco e respondeu.
–Eu não sei. Não esta mais doendo tanto como antes. Eu acho que eu não o amo mais, mas tenho medo. Tenho medo de chegar la e encontra-lo e eu acabar sofrendo outra vez!
–Nesse tipo de caso só há um jeito de garantir que vai esquece -lo.- A garota levantou os olhos surpresos já brilhando de esperança.- Se apaixonar por outra pessoa... dessa vez a correta. Alguém que seja destinado a ser seu parceiro!
A maga baixou o olhar novamente com tristeza. Sua mãe tinha lhe dizia que toda pessoa no mundo tinha um parceiro. Alguém que a amaria incondicionalmente assim como ela. Mas com o passar do tempo essa esperança murchou um pouco no coração repleto de carinho e amor da maga. Sentimentos que foram reprimidos, tanto pelos árduos acontecimentos da infância quanto ao amor não correspondido. Um amor guardado para aquele que a fizesse feliz.
–Isso não vai acontecer... quem se apaixonaria por mim ou melhor, por quem eu me apaixonaria...- falou em um sussurro a ultima parte.
–Ora Lucy isso não é verdade. Você só aprendeu a não demonstrar seu amor por causa do que aconteceu. Alem do mais eu vi como você olha para Acnologia!
O corpo inteiro da maga se tingiu em um tom de vermelho quase vivo de tão envergonhada. Com os ouvidos aguçados Shinuky conseguia ouvir o coração acelerado da moça pela menção do nome.
–N-não é –i-isso. E-ele é só uma boa pessoa e além d-o mais ele é u-um Dragão!- falou de forma defensiva mas também com uma pontada de tristeza que tentara esconder.
A imperatriz dracônica ergueu as sobrancelhas surpresa. Com certeza ela era a única que disse que ele era uma boa pessoa. Nem mesmo ela e Zeref que o conheciam a séculos falariam isso. Para eles Acnologia era uma pessoa confiável e suportável... nas emergências. Mas ela já tinha notado o comportamento diferente que o rei dos dragões tinha com a garota. Apesar de irritá-la constantemente, ele a tratava, na medida do possível, com carinho. Se preocupava com ela mesmo não demonstrando. Mas sua surpresa maior foi o outro comentário peculiar da garota.
–O que tem ele ser um Dragão?- perguntou sem entender o sentido da defesa da loira.
–B-bem...- disse a garota ficando ainda mais rubra.- d-dragões n-não se interessam p-por humanos e não podem ter r-re-lações com eles!- Falou meio triste mais altamente envergonhada.
Um riso mesclado com surpresa ecoou pelo banheiro úmido. A maga levantou novamente o rosto para a amiga que ria descaradamente a olhando sem entender.
Shinuky parou de rir olhando o rosto da maga. De certa forma compreendia sua confusão. Dragões dês de sempre eram criaturas misteriosas. Não tinha muito conhecimento sobre eles, nem mesmo nas vastas bibliotecas do conselho.
–Olha, apesar de nós dragões não serem tão próximos de humanos não significa que não nos interessamos por vocês. E apesar disso, nada impede de termos relações com os humanos. Isso não é uma historinha de amor de conto de fadas. Dragões também amam seja um humano ou outro tipo de criatura!- As palavras da amiga trouxeram um pequeno brilho de esperança e um sorriso pequeno nos lábios de Lucy.
Claro, tinha sim algo que os impedia... de certa forma. Um Dragão esta destinado a ter uma parceiro (a) e marca- ló (la) quando encontrasse. Isso era o que o impedia. Se sua parceira fosse humana não teria problemas mas caso fosse de outra natureza a maior relação que poderia ter com um humano seria a de amizade.
Dragões eram tão possessivos quanto os Dragon Slayers. Obviamente os matadores de dragões só herdavam um pouco dessa possessividade. Uma vez que um Dragão encontra sua parceira e a marca ele se torna um protetor 24h. Eles odiavam que sua parceira se machucasse, e detestavam mais ainda quando alguém tentava algo com ela. Nada que fosse algo relacionado a amor. Sabia que sua parceira o amaria tão incondicionalmente como ele a amaria, mas a ideia de que alguém tentando tirar de si aquilo que lhe era mais precioso poderia causar um sentimento absurdo de posse e ciúmes, o que poderia torna-los bem agressivos; mas quando estão com suas parceiras eles se tornavam um tanto... domesticados.
Shinuky não iria contar a sua amiga sobre essa parte, pelo menos não agora. Embora desconfiasse, ela ainda tinha duvidas se Acnologia a tinha escolhido como parceira. Então no momento só poderia aproximar os dois e ver como as coisas iriam acontecer.
–Eu vou sair. Eu e Zeref vamos ter que pegar mais algumas coisas para o seu treino. Até amanha!- Falou saindo da banheira se enxugando e indo em direção ao quarto da loira.
Lucy se despediu mas continuou na banheira. Se deitou deixando os músculos relaxarem completamente. Ouviu o som de uma conversa rápida no andar de baixo e a porta se fechando. Fechou os olhos e permitiu-se vagar em pensamentos, buscando compreender o que sentia.
Não podia negar que a forma desleixada como ele a tratava lhe deixava tristonha. Mas algumas vezes podia ver preocupação no fundo dos olhos do Dragão quando, as vezes, quase desmaiava pelo treinamento rígido. Isso a deixava feliz mesmo sem saber o real por que disso. Era inegável que se sentia bem quando estava próxima a ele. Sua tenção simplesmente sumia. Também não podia deixar de assumir que uma esperança pequena inflou o seu coração ao saber que poderia ficar junto dele.
Essa era a questão mais complicada. Tinha medo ama-lo e não ser correspondida outra vez, mas já sentia seu coração gritar por ele mais do que um dia gritou por Natsu. Isso a deixava ligeiramente feliz.... Você me amaria Acnologia? Era o que se perguntava.
Algum tempo depois saiu do banho e vestiu um pequeno pijama confortável, agradável no calor. Ao sair de lá se deparou com o “folgado” outra vez deitado em sua cama de braços abertos fitando o teto.
–Você é um folgado sabia?- perguntou a loira cruzando os braços.
–E você poderia estar morta ao dizer isso. Não tem medo de mim?
Sua intenção ao se sentar na cama era mostrar-lhe um sorriso debochado, mas o que viu vez com que o ar saísse completamente de seus pulmões. A loira queria matá-lo.
O pijama curto que usava composto por um short e uma blusinha de alças que eram quase transparentes. Sua visão percorreu milimetricamente o corpo da loira. Coxas grossas bem colocadas nas pernas longas e delicadas, quadril largo que combinava perfeitamente com a cintura fina e a barriga lisa levemente exposta por causa dos seios fartos, que faziam a blusa subir um pouco, também era tentadora. Ao subir um pouco os olhos viu algo que lhe obrigou a travar o maxilar; Os braços delicados da maga cruzavam em cima de seus seios avantajados, fazendo os parecer maiores do que já são. Sua impressão era de que a regada poderia se rasgar com isso, o que de certa forma lhe agradava. Analisando ainda mais a cima, viu o rosto angelical da maga, com lábios carnudos bem delineados e delicados, com um toque de vermelho natural, juntamente com os cabelos loiros que pareciam rios de ouro. Por fim chegou a parte que mais lhe encantava: os olhos.
Os olhos achocolatados enormes, cobertos de fascínio pelo mundo a sua volta. No fundo podia ver que eles já tinham sofrido com as lagrimas, mas não agora. Se mergulhasse bem naqueles olhos brilhantes como o brilho das estrelas, poderia ver amor, carinho, compaixão e alegria, e esses sentimentos passavam para todos a sua volta. Por Deus, o que mais queria era mergulhar na imensidão daqueles olhos e nunca mais sair.
Seus instintos mais arraigados se manifestaram, fazendo com que seus músculos retesassem para se conter. Seu lado dracônico rugia implorando para sair, quase massacrando sua consciência. Queria te-la em seus braços e provar o sabor de seu corpo. Queria vê-la sorrir alegre e feliz todos os dias para ele, o fazendo perder o fôlego.
Precisou de todo o seu auto controle, algo que não tinha muito, para se manter no lugar, e por sorte manter a compostura.
–Não tenho medo de você!- respondeu a loira irritada pela ligeira ameaça do Dragão.
Foi nesse momento que ele cometeu seu maior erro. O ego de ser o imponente rei dos Dragões gritou em seu intimo ofendido, e passou a dar ouvidos a ele.
Se levantou e começou a andar ate ela com uma expressão séria. A garota recuou até sentir a superfície fria da parede em suas costas. O dragão colocou a mão esquerda ao lado de sua cabeça e deixou os corpos a centímetros de distância.
Uma coisa perigosa que fizera na verdade, afinal seus instintos ainda remoíam dolorosamente dentro de si para te-la, mas seu orgulho e ego falaram alto também. Auto o suficiente para fazer o garoto resistir de maneira sofrida, a vontade de segurar sua cintura fina com firmeza e atacar sua boca.
A garota se sentia presa. Seu coração batia tão rapidamente que pensou que sairia do peito. Suas bochechas estavam coradas e suas pernas bambas. Ela sentia o calor do corpo do dragão e irrevogavelmente queria senti-lo mais próximo Mas tudo isso foi embora com as palavras que ele lhe dirigiu.
–Pois deveria. Não é só por que você está treinando que você deixa de ser a garotinha irritante que nunca passou por nada na vida!
Disse isso para irrita-la e intimida-la, mais o resultado que obteve foi outro. As palavras amargas dirigidas a ela a fizeram lembrar de sua infância, de tudo que tinha ocorrido em suas tristes lembranças de vida. Ele não sabia nada sobre ela como poderia dizer isso?
Foi ai que se lembrou do que a trouxe a aquele lugar. A tristeza de ser tratada mal por uma “companheira”, e o fato que seu melhor amigo nem notara os olhos inchados pelas lagrimas que desciam todas as noites. Se lembrou que estava fardada ao sofrimento.
O buraco que mau tinha se fechado em seu peito se abriu ainda pior do que antes. O barulho de sua mão se chocando contra o rosto do mago ecoou pelo cômodo, e assustado, se afastou dela. A maga olhou para os olhos azuis por um breve instante antes de sair correndo da casa sem rumo.
Ficou completamente estático. Suas forças se esvaíram o obrigando a se sentar no chão apoiado a parede. Fitou o chão sem curiosidade. Quando olhou nos olhos achocolatados, percebeu a burrada que tinha feito.
Neles, agora, só havia tristeza, dor e sofrimento. Não sabia nada a respeito dela para afirmar isso, mas sabia que ela chorava varias noites por alguma razão ainda desconhecida por ele e também que tinha sofrido muito no passado... podia ver isso em seus olhos. Pela primeira vez, a raiva que sentia das varias noites que a tinha visto chorar passou a sentir sob si mesmo. Seu coração estava tão esmagado em seu peito, que já estava começando a infligir dor física. Seu estomago se remoia em culpa e seus instintos o martirizavam o reprovando, ao se aguçarem o obrigando a sentir o cheiro que adentrava seus pulmões o queimando só que dessa vez com chamas de culpa.
Odiou a si mesmo por ter ouvido seu ego que de nada valia, e por tela feito chorar. Viu os olhos marejados dela. Queria voltar no tempo e mandar seu maldito ego para o inferno e fazer qualquer comentário que a fizesse rir.
Deviam ter se passado horas que se encontrava na mesma posição. Ela ainda não voltou? Essa pergunta ecoou em sua cabeça como um banho frio o obrigando a acordar. Ao se remoer de culpa se lembrou que ela tinha saído a essa hora da noite pela floresta sozinha. Florestas são lugares perigosos principalmente a noite.
Se levantou bruscamente vendo as chaves na cabeceira. Isso era mau. Ela estava sozinha, provavelmente perdida e praticamente sem ter como se defender. Deixou um pequeno par de asas de couro negro brotar em suas costas, com leves tons de azul- Suas asas se modificavam um pouco na forma humana- Pequenas gotas de sangue saiam da pequena cicatriz em suas costas, nada que provocasse dor, já que, de certa forma, fazia parte de sua anatomia.
Pulou da janela do quarto alçando voo, seus sentidos se aguçaram mais do que nunca, sem ter a necessidade de se concentrar para isso. Seus instintos também estavam desesperados para ver a maga em segurança. Captou facilmente o cheiro embriagante que possuía e voou rapidamente em sua direção. Se algo acontecesse a ela e a encontrasse em um estado menos perfeito do que quando saiu da casa, jamais se perdoaria.
*
*
*
A loira saiu desesperadamente da casa tomando um rumo qualquer quando entrou na floresta. Seu coração ardia em frangalhos pior que da ultima vez. Ignorava todas as dores em seu corpo, causada por galhos que provocavam escoriações em sua pele, ou pelas folhas que as vezes cortavam suas mãos. As ardências seriam bastante incomodas mas ela nem parecia senti-las. Seu coração pequeno doía mais. Depois de algum tempo correndo seus músculos começaram a protestar por um descanso. Não se importou. Continuou correndo até parar de repente e perceber onde tinha chegado.
A pequena cidade mais próxima de sua atual locação. Fracamente iluminada a essa hora. Não tinha muitas luzes acessas nos prédios. Provavelmente somente bares ou estabelecimentos que tenham que funcionar o dia todo como hospitais.Tinha acabado de sair da floresta. Recostou em uma das paredes dos prédios, um lugar que ninguém a veria, escorregando até se sentar. Abraçou os joelhos apoiando a cabeça neles e começou a chorar.
Como era tola. Pensou realmente que ele poderia ter algum tipo de afeto por ela. A única coisa que conseguiu ver era que dragões eram tão cruéis quanto em suas histórias, com a única exceção de Shinuky. Tinha se tornado sua amiga e queria muito que ela estivesse aqui agora.
O rei dos dragões tinha conseguido feri-la ainda mais quando a fez se lembrar de tudo que aconteceu. Lembranças sofridas que guardava em seu interior e que só pode realmente expulsa-las uma vez... quando entrou para a Fairy Tail. Mas algum tempo depois voltaram com a presença da albina dizendo que o coração de seu primeiro amor pertencia a ela.
Realmente, estava começando a ter um certo medo dos Dragões. O primeiro que vira, coincidentemente o que estava começando a se apaixonar, tentou explodi-la junto com seus amigos, o que lhe custou 7 anos. O segundo, 7 para ser exato, tentaram matá-la e a fizeram ficar nua. Terceiro, seu melhor amigo nunca notou e nem correspondeu seus sentimentos. Agora o primeiro dragão que vira a destrói internamente. Realmente a vida e os dragões a odiavam.
Saiu de suas lembranças ao ouvir uma voz um tanto quanto repugnante aos ouvidos de qualquer um.
–Ora ora o que temos aqui? Uma loirinha gostosa. Justamente o que eu precisava. Hoje é o meu dia de sorte!
–Quer dizer nosso dia de sorte!- disse uma voz masculina diferente.
A garota se levantou rapidamente. Dois homens provavelmente bêbados pelo jeito que andavam, se aproximavam dela. Instintivamente levou suas mãos a cintura. Merda. Tinha esquecido de suas chaves, o que a tornava quase totalmente indefesa.
Saiu correndo em direção a floresta, na esperança de retornar a casa ou confundi-los. Um dos homens apareceu do nada em sua frente, o corpo arenoso tomou novamente a forma original. Era um mago. Quanto azar em um único dia. Estava quase indefesa e para aumentar suas chances de ser estuprada o sujeito era um mago. Que maravilha.
Das mãos do segundo homem apareceram correntes. Ótimo, dois magos.
–Calminha gracinha. Não queremos machucar o seu lindo corpinho. Por isso eu vou cuidar para que você fique imóvel!- respondeu o mago com correntes.
Ele lançou uma das correntes em direção aos pulsos de Lucy, porem ela foi mais rápida. Desviou da corrente e fez com que uma bola luminosa aparecesse em suas mãos e a lançou no homem. Um dos truques que tinha aprendido com Zeref. Mas ainda estava aperfeiçoando a técnica. O homem foi atingido mais não teve o estrago que deveria.
Ele se levantou tirando a poeira da roupa com algumas escoriações e um corte no lábio.
–Ora ora. Você também é uma maga? Não faz diferença. Vamos pega-la de todo jeito!
Os dois homens correram para ataca-la. Um com areia e o outro com as correntes. Tentou formar um escudo como tinham lhe ensinado. Funcionou, a certo ponto. O escudo luminoso bloqueou os ataques, mas também estava aperfeiçoando a magia. Na colisão dos poderes o escudo se rachou anulando as magias e a arremessando para traz.
Sentiu o impacto desagradável com uma arvore em suas costas. Não tinha sido grande coisa mais também não era confortável. O mago das correntes aproveitou a breve distração de Lucy e a acorrentou nos pulsos e nos tornozelos.
–Não se preocupe. Minhas correntes são mágicas, elas vão sugar qualquer magia que você tente fazer!
Droga. Realmente estava perdida. Sentiu nojo e repulsa dos homens que se aproximavam com malicia nos olhos. O desespero começou a consumi-la. As lagrimas desciam por sua face e seus olhos expressavam medo e pavor. Quando tentou gritar o mago da areia fez uma espécie de mordaça abafando o som.
Os homens se aproximavam com sorrisos enormes e maliciosos. Estava com medo. Suava frio, e o pânico circulava em suas veias. Realmente o destino era cruel com ela.
Um dos homens se aproximou dela primeiro. Esticou a mão com o intuito de rasgar suas vestimentas. Mas antes que pudesse toca-la, sentiu uma dor aguda no estomago e nas costelas. Com certeza tinha quebrado alguma. Se chocou contra varias arvores as partindo ao meio. Suas costas nunca doeram tanto. Quando finalmente parou e conseguiu se levantar remoendo de dor viu algo que o aterrorizaria por toda sua vida.
Já a maga estava maravilhada com o que via, embora ainda estivesse com medo. O par de asas magníficas que se alongavam pelas costas do Dragão em forma humana eram impressionantes; longas, imponentes, feitas de couro negro e suavemente decoradas com escamas azuis. O dorso e o abdômen malhado expostos de forma encantadora, sendo acompanhado pelos braços forjados de músculos e veias.
Os nos esbranquiçados nos dedos, a tenção nos músculos fazendo com que as veias se sobressaíssem demonstrava quanta raiva se passava no corpo do rapaz. Seus olhos azul escuro estavam com um brilho perigoso. Suas pupilas antes semelhantes a de um felino agora eram um risco preto demonstrando sua sede de arrancar a cabeça dos miseráveis por ter tentado tocar em Lucy. As escamas azuis apareciam de leve inconscientemente em seu corpo.
O mago das correntes que tentara toca-la fez menção de fugir, mas antes que percebesse o Dragão estava do seu lado o olhando de um jeito tão aterrorizador que faria ate mesmo o mais corajoso dos homens recuar. E foi o que fez.
Recuou três passos para traz sentindo a dor nas costelas e músculos, mas nada se comparava ao medo que sentia.
–Você tentou toca-la!
A voz baixa ríspida e fria, em conjunto com os músculos trêmulos em uma tentativa quase falha de se controlar, ecoou soberana no silêncio da noite. Não era uma pergunta. Era um veredito.
Sem a menor necessidade do uso de magia Acnologia deu outro soco na barriga do homem ouvindo mais duas de suas costelas se quebrarem. Quando o homem caiu desacordado no chão ele se virou para o segundo agressor.
Seus olhos transbordavam medo e pavor. Hoje era seu dia de azar. Tinham escolhido a mulher errada para mexer. Transformou seu corpo em areia tentando fugir mais o Dragão era mais rápido e preciso. Acertou um chute na barriga do homem e depois o segurou pelo pescoço o erguendo.
–Se tentarem tocar nela mais uma vez eu vou destroça -los!
Em pânico o homem acenou positivamente com a cabeça sem demora. Mais um soco de Acnologia e caiu no chão desacordado.
Os olhos azul escuro passaram para garota loira a observando. Quando seus olhos se encontraram, o azul escuro tenebroso do Dragão passaram para um azul marinho muito bonito na opinião da maga. Aquela cor a fazia se lembrar da ultima vez que ela e sua mãe foram a praia. Era reconfortante, se sentia em casa. De assassinos os olhos passaram a ser amáveis, temerosos e preocupados.
Com cuidado ele se aproximou da maga se ajoelhando ao seu lado. Envolvendo suas mãos em chamas azuis da mesma cor que seus olhos, ele tirou as correntes dos pulsos e tornozelos da maga. Uma fumigação deliciosa percorreu o corpo da maga quando sem querer algumas das chamas tocaram sua pele. Não machucou, provocava uma sensação agradável em seu corpo.
Sem falar nada o Dragão colocou uma das mãos em suas costas e outra na dobra de seus joelhos. Uma descarga elétrica passou pelo corpo dos dois. Era a primeira vez que se tocavam com ambos conscientes. Buscando ignorar a sensação Acnologia a ergueu alçando voo em seguida.
Não disseram nada durante todo o trajeto. Embora Lucy tentasse disfarçar, os olhos azuis viram o brilho que os achocolatados ganharam, ao presenciar a sensação de voar. Um pequeno sorriso se abriu em seus lábios. Desceu suavemente entrando pela janela que tinha saído e sentiu os braços de Lucy apertarem envolta do seus pescoço com medo de bater na parede. Boba– era o que pensava o Dragão.
Quando entrou no quarto colocou Lucy delicadamente na cama e se dirigiu ao banheiro para pegar uma pequena caixa de primeiros socorros, apenas para limpar as pequenas escoriações. Sentou-se na beira da cama passando o liquido incolor sob os pequenos machucados nos tornozelos e mãos da garota lhe provocando uma pequena ardência.
Querendo quebrar o silencio incomodo entre os dois, Lucy se pronunciou:
–Por que... por que você me ajudou?- perguntou com receio.
O Dragão tinha aprendido duas lições importantes hoje. Pensar antes de tentar irrita-la e a não ouvir o seu orgulho, optando em apenas responder a verdade, pelo menos com ela.
–Por que você é importante para mim.- Percebendo o olhar confuso da loira, repondeu-lhe uma meia verdade.- Você é a única que não me olhou com medo!
Depois de mais um tempo de silencio, quando terminou de cuidar dos pequenos machucados da loira o Dragão falou.
–Me desculpe... pelo que eu disse antes...- ele iria continuar mas a maga não deixou.
–Não precisa se desculpar. Não guardo mágoas!- falou com um sorriso fraco.
Após mais algum tempo falou novamente.
–Mas eu te fiz chorar. Eu não queria isso...
–Você não me fez chorar... pelo menos não diretamente.- O garoto a olhou surpreso.- Eu só me lembrei de coisas que estão no passado.- pela milionésima vez o Dragão se perguntou o que tinha acontecido com ela.- Obrigada.- ele a olhou com espanto sem entender.- Por me ajudar!- completou.
O que tinha dito era a mais pura verdade. Ele não era o responsável direto por suas lagrimas, apenas a fez lembrar do por que delas. Os responsáveis ou estavam mortos ou estavam querendo sua cabeça. Mas o Dragão não deixaria que a fizessem sofrer outra vez, mesmo que não saiba disso... ainda.
Mergulhado em pensamentos Acnologia não percebeu que a loira fitava o belo par de asas que se erguia majestosamente de suas costas. Não sabia muito bem ao certo o por que, mas se sentia tentada a toca-las.O belo contraste do couro negro com escamas azuis a maravilhava. Imaginava como seria poder voar livremente pelos céus.
Involuntariamente um de seis braços se esticou para que pudesse tocar com a ponta dos dedos as asas. Um choque prazeroso percorreu a coluna do Dragão quando sentiu os dedos delicados o fazendo despertar.
A maga recolheu a mão.
–Desculpe...
–Não tem problema!- falou tentando parecer desinteressado. Queria que as tocasse novamente.
Ela esticou a mão devagar como se pedisse permissão enquanto sentia o olhar de canto do Dragão sobre si. Por fim a garota tocou a borda das asas acompanhando os traços com curiosidade. Um pequeno brilho veio ao seus olhos imaginando novamente como seria voar livre pelo céu.
Outro choque percorreu o corpo do garoto. Um ronronar como o de um gato, porem mais ríspido e selvagem, ecoou baixinho pela sua garganta. Os formigamentos causados pelos dedos delicados acompanhando o contornos de suas asas, que se distendiam de acordo com seus movimentos para que pudesse toca-las como desejasse, era incrivelmente satisfatório. Fechou os olhos aproveitando a sensação.
–São lindas.- disse o surpreendendo, mas continuou com os olhos fechados aproveitando os toques.- Quando eu era pequena eu perguntava a mamãe se era possível voar.... Pode ser um sonho bobo de toda criança mas, deve ser muito bom!
Ao ouvir isso as palavras saíram da boca do Dragão quase automaticamente.
–Um dia vou levar você para voar comigo!
A garota sorriu e suas bochechas coraram levemente.
–Obrigada!
Conversaram mais algumas coisas banais por um tempo, quebrando a barreira que havia entre os dois.Literalmente riram e jogaram papo fora; seja com piadas ou comentários cotidianos. A maga bocejou com sono parando de tocar as asas do Dragão. Ele não gostou muito disso. Gostava de quando as tocava, mas ficou quieto.
A observou se deitar cansada. Recolheu as asas e foi em direção a porta.
–Acnologia...- ouviu o seu nome ser deixado de sua boca em um sussurro, mas ainda sim em um timbre perfeito. Se virou vendo as bochechas coradas da garota com os olhos no chão.Ainda sim consegue ser linda!– pensa o dragão.- Pode ficar aqui hoje... por favor?
Seus olhos se arregalaram pela milionésima vez surpresos com ela hoje. Entendia que embora estivesse mais relaxada, ainda sentia medo pelo que aconteceu. A surpresa foi de querer sua companhia para amenizar o medo.
–Claro!
Se deitou ao lado de Lucy e involuntariamente a puxou para seus braços. Esperou uma reação negativa da mesma, mas ela apenas se acomodou e deixou –se levar pelo calor daquele corpo. Talvez estivesse cansada demais para xinga -lo ou fragilizada. Não importava para ele. Só queria que aquele momento nunca acabasse. Sentiu o resoar tranquilo da respiração da maga e o seu coração bater em uma sinfonia calma. Ela tinha dormido. E, ao enterrar o rosto nos cabelos sedosos da maga também dormiu serenamente, fazendo a promessa silenciosa de que iria protege-la para sempre.
“Não tenha pena dos mortos, tenha pena dos vivos, e acima de tudo, daqueles que vivem sem amor!”
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