A Arte do Caos
29 Anima Dragon
Lucy gritou. Seu braço ficou coberto por chamas e acotovelou com força o larxen, girou rapidamente para livrar sua asa das patas de Hizame e saiu voando em retirada o mais rápido possível. Estava ficando cansado daquilo. Não ajudava muito que alguns tiros do exercito do conselho o acertassem, e muito menos que essa batalha durasse tanto. Natsu apareceu voando ao seu lado com Happy e sua copia feita por Gemini.
Um rugido explodiu ao seu lado. Merda.
—Lucy-sama! – Gemini chamou antes de sumir em uma nuvem de fumaça.
Natsu berrou e despencou quando seu meio de transporte desapareceu. Happy o pegou por pouco.
—O que aconteceu? – berrou.
Lucy gemeu na pata de Acnologia respirando arfante.
—Minha magia esta acabando. Não consegui manter Gemini nessa forma por mais tempo.
—Lucy! – Erza chamou ao aparecendo a lado. – A guarda e os magos estão tendo trabalho para abater o dragão que vocês jogaram para baixo. Não podem mandar mais ninguém para ajudar. Acha que conseguem dar conta dos dois?
A maga arregalou os olhos.
—O que? Erza, estamos fugindo deles!
—Eu entendo mas-
—Vai morrer,Acnologia! – Gritou o Larxen.
Viu ele e Hizame unirem forças em um grande rugido. Virou-se no mesmo instante, abriu a boca e usou os pulmões para sugar toda a magia para dentro de seu corpo. Seu tórax inchou antes de converter e reacomodar a magia para seu próprio uso. Ambos hesitaram em fazer outro ataque.
—QUE?! – Gritaram Lucy, Natsu e Happy.
—Você pode comer qualquer magia? – perguntou Jellal, surgindo de uma hora para outra ao lado de Erza.
—Posso. – respondeu simplesmente.
—COMO NÃO ME CONTOU? – Gritou Lucy a plenos pulmões, obrigando-o a afastar a pata de perto do rosto.
— Você nunca perguntou. – respondeu vago, olhando para os inimigos ao invés dela.
— E PRECISA PERGUNTAR? – Berrou novamente batendo o punho fechado em sua pata.
Erza se recompôs da surpresa.
—Então talvez tenhamos a chance de vencê-los pela exaustão.
O focinho tenebroso de Acnologia se alinhou em frente a ela. Os olhos mortais lhe deram calafrios.
—Eles nunca poderiam me vencer. Não pense que sobrevivi a guerra para perder lutando contra três inúteis. – ralhou.
—Então já deveria ter vencido a batalha. – Jellal contestou. O Dragão se virou para ele com os olhos em chamas. – Escute, essa dimensão foi feita para durar poucas horas. Se não encerrarmos isso rapidamente a batalha passará a ser feita em Magnólia e muita gente vai morrer. Não temos tempo para cansá-los.
—Não aja como se eu não estivesse fazendo nada! – rosnou. — Se quiser posso ir embora e deixar você fazer tudo.
— A ordem de Lucy não permitiria. – Acnologia rosnou, tentado a matá-lo. – Estudei muito sobre dragões há alguns anos quando busquei por Zeref. Você esta priorizando a vida dela ao invés de vencer a batalha e isso te torna mais defensivo que atacante. Eles sabem que se Lucy morrer você morre, então pare de defender e mate-os primeiro.
Aparentemente Jellal não tinha noção das conseqüências das palavras proibidas juntas, mas antes que o Dragão enfezasse Lucy explodiu.
—Eu vou é ordená-lo a te matar! – berrou chamando atenção. – Eu sou um ser bem vivo e opinante aqui! Não sou um troféu de porcelana a ser disputado. Não estou vendo você, ou o conselho, ter culhões para resolver essa merda! Alias isso está uma pandemia. Se o bom senso ainda não baixou em vocês, eu esclareço: A Guerra é lá. – apontou para os dragões voando. – Não aqui, muito menos acusando uns aos outros!
-Cuidado! – gritou Natsu quando uma bola de energia densa quase os atingiu.
— Está vendo? –disse Jellal — Precisamos ser mais diretos e atacar. Não temos muito mais tempo.
Acnologia rosnou. Sua cabeça estava doendo de tantos problemas e decisões. Se deixasse Lucy nas mãos deles ela se tornaria um alvo fácil, mas se a deixasse em um lugar seguro poderia parar de se defender e atacar de verdade. Entretanto, deixá-la não era uma opção. Rugiu para Hizame devolvendo a magia roubada em uma explosão nada agradável.
Suas escolhas estavam limitadas e perigosas. Fechou a mão ao redor da maga e voou como um raio atrás do dragão que devia ter continuado morto. O maldito Larxen entrou em sua frente de novo. Rosnou, puto, mas tarde demais para mudar de alvo. Abriu as asas em um rompante, atingindo-o no peito com os pés. O Dragão ganiu dolorido, mas continuou firme. Sua calda dourada e longa se enroscou em suas canelas e ele usou as asas para empurrar o ar. Perdeu o controle sendo arrastado na direção que ele quis.
Hizame o pegou por trás na mesma hora, agarrando suas asas com as patas e enrolando a calda ao redor de seu braço. Rugiu indignado por ter caído em uma armadilha. Ele tentou se aproximar da mão que usava para proteger Lucy. Relutou, mas os dois eram poderosos. Sentiu os tendões serem puxados quanto ambos forçaram suas articulações. Gemeu com a dor. Usou a calda para golpear o Dragão em suas costas.
Ele ganiu, mas não soltou, usando a pata para afastar sua calda também. Os magos da Fairy Tail tentaram ajudar, mas não deu certo. Uma magia qualquer não era párea para as escamas. Mesmo com os DragonSlayers o atingindo, eles resistiram, determinados a conter Acnologia a todo custo.
Inesperadamente, o Dragão abatido no chão mirou em seu braço e rugiu. Pego de surpresa, não conseguiu afastar o braço a tempo. A energia explodiu contra suas escamas, lhe causando dor. Rugiu. Involuntariamente abriu a pata que envolvia Lucy. Ela foi arremessada para longe, gritando. Eles mantiveram o aperto a seu redor e a maga caiu em meio as árvores da floresta.
—Lucy! — Berrou.
Viu as correntes de Virgo desaparecerem libertando o dragão em terra, que começou a andar na direção em que ela tinha caído, ignorando os ataques dos outros magos.
—Dizem que dragões conseguem sentir sua companheira morrendo e a dor o mata lentamente. — Hizame sussurrou em seu ouvido.
Alguma coisa mudou em sua mente. Sua dor de cabeça passou e algo explodiu. A raiva percorreu cada centímetro do seu corpo em uma explosão violenta e sentiu sua consciência desaparecer. Rugiu. O som foi diferente do de costume, selvagem e cruel, ecoando por toda a área.
A forquilha da ponta de sua calda se abriu e o tridente foi carregado com magia negra avermelhada. Golpeou as costas de Hizame outra vez, com mais força e crueldade, na intenção de matar. A ponta atravessou as escamas e o sangue jorrou. O Dragão ergueu a cabeça ara trás rugindo de dor. Acnologia lhe deu uma cabeçada, forçando- o a soltá-lo. Em seguida agarrou a calda do larxen com as patas traseiras e, usando a força bruta, girou no ar, arremessando-o contra as casas e prédios.
O ar ficou pesado, e o corpo do dragão rei envolto em magia densa e negra.
—Parece que o irritamos. — Debochou o larxen.
Mas Acnologia não respondeu com ameaças como costumava fazer. Neste momento Hizame percebeu que tinha alguma coisa muito errada. Ele parecia um animal faminto e desesperado por sangue.
O Dragão negro voou direto em sua direção. O larxen entrou na sua frente e rugiu. Mesmo sendo atingido, o rei continuou como se nada estivesse acontecendo, nem mesmo sentindo a dor. Ele se aproximou e agarrou a boca do dragão dourado, fechando-a em um aperto férreo. Ele tentou se soltar usando sua asa para golpeá-lo. Acnologia a mordeu e puxou a asa sem dó. As articulações rangeram antes dos ossos se partirem e os músculos estirarem. Mesmo com a boca fechada ele berrou ao sentir o membro ser arrancado.
Acnologia soltou o braço com a boca cheia de sangue. Olhou nos olhos do larxen antes de enfiar a outra mão em seu peito e arrancar seu coração para fora do peito. O cadáver parou de relutar e a carcaça foi largada, despencando do céu.
Virou-se voltando para o alvo original, indo em sua direção como uma bala. Hizame rugiu também e Acnologia rugiu de volta, uma massa estrondosa de magia que engoliu o rugido do inimigo e o atingiu com chamas negas.
Quando se recuperou do golpe Acnologia já estava agarrando o pescoço do velho Lázaros e o esmagando. Em uma tentativa de se defender ele colocou magia em suas garras longas e tentou rasgar o peito do dragão rei. A magia que o cercava estava tão densa que suas garras se partiram, mesmo conseguindo provocar um pouco de dano. Gemeu de dor, mas o rei não fez nada.
Ele não disse nada e parecia não sentir nada, mesmo com uma fenda sangrando em seu peito. Quando olhou nos olhos vermelhos pensou que veria raiva, ódio ou qualquer outra coisa, entretanto não viu nada. Absolutamente nada. Eram um mar vermelho e sangrento sem sentimentos onde matar não tinha nenhum significado. Tentou socá-lo, mas Acnologia o segurou com a outra pata. Usou a calda para golpeá-lo como o mesmo tinha feito consigo, mas ele não reagiu.
A calda negra pontuda e forquilhada se ergueu até parar na altura de seu peito. Ela se encheu daquela magia densa estranha e o perfurou, atravessando-o. Soltou a carcaça e balançou o rabo, jogando o dragão morto pelo céu. Olhou para baixo vendo o último dos inimigos começando a entrar nas margens da floresta e saindo dos prédios fantasmas. Mergulhou em sua direção caindo novamente em suas costas.
O dragão virou seu pescoço longo na intenção de rugir e afastá-lo novamente, mas o dragão rei segurou sua mandíbula. Pegou-a com as duas mãos forçando-o a abrir a boca. Uma massa de energia verde saiu de lá. Pisou em suas costas, forçando os pulmões para perder o fôlego. O rugido se extinguiu. Acnologia encheu os seus próprios com magia e rugiu, mandando as chamas por sua garganta e o queimando de dentro para fora.
O dragão ficou mole e as chamas saíram pelos buracos que se abriram em seu pescoço até que a cabeça se descolasse do resto. Jogou o que restava do corpo no chão. Ele olhou para a floresta e tomou voo novamente antes de se transformar no ar, tomando a forma intermediária e humanoide, mergulhando na direção da floresta. Na direção de Lucy.
~*#*~
Gemeu, sentindo ardência nos machucados e nas articulações. Aterrissar no chão duro e sendo atingida por galhos no caminho não foi uma experiência agradável. Forçou-se a levantar, ciente de que em toda guerra ou conflito quem fica no chão morre. Parou por um segundo para olhou para o próprio corpo tentando checar se estava tudo nos conformes e, com exceção de alguns machucados e escoriações, estava muito bem.
Olhou em volta vendo as arvores densas e escutando rugidos e estrondos dos dragões lutando acima de sua cabeça. Se colocou para correr. Não tinha muita magia sobrando para enfrentar um mago, quanto mais uma criatura milenar.
Parou de correr. Os barulhos cessaram, o que era estranho. Colocou os ouvidos atentos para captar em que direção eles estavam. Os galhos das árvores se quebraram em suas costas. Virou-se bruscamente, pegando o chicote mágico por instinto. Soltou o ar de alívio.
—Acnologia! — Ela exclamou. — Onde estão os outros dragões? — Perguntou preocupada.
Ele não respondeu. Isso fez com que olhasse para ele mais atentamente. A forma humanoide coberto por uma armadura de escamas completamente negras, dando um destaque enorme aos olhos vermelhos vivos. Quando olhou dentro deles percebeu imediatamente que os inimigos estavam mortos, e que tinha alguma coisa errada com ele.
—Acno? — Chamou pelo apelido carinhoso na esperança de que ele lhe dissesse o que estava acontecendo.
Se aproximou estendendo a mão para tocá-lo. Ele rosnou. O som não era como estava acostumada. Era bruto e cruel. Percebeu ele direcionar os olhos para seu pulso machucado. Outro rosnado agudo e ameaçador saiu e ele girou olhando para as árvores. Levy apareceu entre os arbustos.
—Lucy! Te ache...- Ela parou de falar sendo interrompida por um rosnado.
O medo atravessou Lucy da espinha até a boca do estômago. Acnologia não estava normal, e teve certeza que ele tinha a intenção de matar Levy. Ele inflou os pulmões. A energia percorreu seu corpo e correu, entrando na frente da baixinha a tempo de ser atingida pelas chamas em seu lugar. Elas não machucaram.
O dragão rugiu outra vez, um rugido de pura dor e agonia. Ele caiu de joelhos no chão segurando o próprio peito com as garras. Uma das consequências de uma ligação desse nível. Ele não poderia atacá-la, ou ele sofreria consequências dolorosas. Entretanto ele não ficaria imobilizado assim por muito tempo. Girou os calcanhares.
—Levy, saia daqui. Corra! — Ordenou.
A baixinha estava branca e paralisada, olhando para Acnologia como se ele fosse um monstro. Ela finalmente subiu os olhos para si.
—Você têm que vir comigo! Ele está descontrolado. — Ela berrou histérica. — Eu li sobre isso. Eles perdem o controle! Tem uma coisa dentro deles que sai e vira uma besta assassina sem sentimentos!
Lucy ficou furiosa. Outra vez Levy pregava seu ódio a Acnologia mesmo que seus argumentos fossem verídicos. Pegou o equipamento essencial que todo mago do mundo possuía; uma faca.
—Levy eu não tenho tempo ou paciência para isso agora. Eu vou atraí-lo para o outro lado da floresta. Você cai fora e não deixe ninguém vir atrás de mim.
A baixinha fez uma careta horrorizada.
—Lucy! — Gritou. — Essa coisa não é ele!
Perdeu a paciência que restava.
—Essa coisa faz parte dele! E eu amo cada parte até as ruins. Agora vê se faz o que eu mandei. — E cortou o próprio pulso, saindo correndo na direção oposta.
Ouviu-o ganir, e soube que ele não só sentiu o cheiro do seu sangue como também sentiu que tinha se cortado. Correu o mais rápido possível, todavia não conseguiu ir muito longe como tinha planejado. Foi atingida por cem quilos de puro musculo e escamas. Preparou-se para o impacto no chão, mas ele girou o corpo, absorvendo-o todo com suas costas. Antes que pudesse processar o que tinha acontecido ele inverteu as posições, a prensou no chão e agarrou seus pulsos, deixando-a imobilizada.
Soltou o ar bruscamente, seu peito arfando pela corrida. A cabeça dele estava em seu pescoço, os dentes afiados roçando em sua pele e um som de um rosnado constante no peito. Uma advertência para não tentar outra gracinha. Ele desceu por seu pescoço, indo para seu ombro e passando pelo braço até chegar no ferimento raso que infligiu a si mesma, sangrando. O nariz dele pairou pelo ferimento, jogando ar quente na ferida. Segundos depois a língua dele áspera e quente como um deserto, lambeu toda a extensão da ferida.
Gemeu sentindo-a arder. Por alguma razão a ferida parou de sangrar, embora ainda ardesse. Ele parou e voltou a subir a cabeça, encarando-a pela primeira vez. Os olhos vermelhos faziam muito contraste com as escamas negras. Estremeceu com a intensidade de seu olhar. Levy tinha dito que ele não possuía sentimentos, mas naquele momento ele era a ira viva.
Ele expôs os dentes afiados e rosnou. Seu rosto se retorcia como se tentasse fazer alguma coisa em meio a um conflito interno.
—Acnologia? — Lucy tentou novamente em um sussurro.
Ele rosnou novamente mais brusco.
—Por que ele não te protegeu? — A voz era a mesma, mas parecia ter algo errado.
Franziu o cenho. Parecia que falar era difícil para ele.
—O que...?
—Minha parte humana incompetente! — Ele rosnou novamente.
Sentiu toda a extensão de sua marca arder como febre e, um segundo depois, sua consciência estava em outro lugar, em um mar de poder bruto. Levou um minuto inteiro para perceber que aquele era o poder de Acnologia. Quase não conseguia sentir o fim dele. Foi uma das coisas mais brutais que já sentiu. Soltou o ar e voltou a realidade, focando nos olhos vermelhos.
—Eu lhe dei o meu poder! Era mais que o suficiente! Sempre foi! Mas ele foi incapaz de protegê-la! — Ele pressionou ainda mais seu corpo contra o dela, apertando seus pulsos, como uma forma de afirmar o que queria.
A respiração quente dele batia em seu rosto. Não sabia o que dizer. Ou melhor, não sabia por onde começar. Ele gemeu, abaixando o olhar e indo para sua garganta.
—Eu esperei por você por tanto tempo. Eu finalmente te encontrei depois de séculos. — Ele fez uma pausa, o nariz raspando em sua garganta. — Eu estava ansioso por isso, por conhecê-la, marcá-la e realizar cada desejo seu... — Sua voz era terna e esperançosa, como uma criança falando sobre um sonho, mas ela mudou rispidamente. — Só que ao invés disso minha parte humana te deixou morrer e não a protegeu de nada!
Ficou confusa com o que estava acontecendo e tentou juntar as pessoas. Já sabia dos transtornos que Acnologia possuía desde o incidente, mas não achava que este era um simples transtorno. A forma como ele se referia parecia ser a parte dracônica dele, que, em uma situação normal, ficaria inativa até o dia de sua morte. Só que, dessa vez, ele se fez presente por achar que deveria.
—Acno. — Decidiu abordá-lo como faria normalmente. Ele ergueu os olhos, parecendo surpreso.- Pode me soltar. Por favor? — Falou calma e pausadamente.
Ele hesitou, franzindo os lábios, mas cedeu, retirando as mãos de seus pulsos vagarosamente. Agradeceu. Ergueu uma das mãos para tocar seu rosto, que tencionou. Seus olhos pareceram surpresos quando o tocou com carinho, parecendo estar esperando uma reação de repulsa que não veio. Sua bochecha era quente e lisa por causa das escamas. Sentiu o peito húmido e olhou para baixo, vendo suas roupas serem manchadas pelo sangue que escorria de seu machucado no peito.
Apesar da preocupação que sentiu, ignorou-a ciente que não era o momento para surtar, e que ele não parecia estar preocupado com os ferimentos também.
—As coisas não são tão simples. A vida é caótica e imprevisível e o que importa é que você estava lá para me ajudar. No fim as coisas se ajeitam. Não pode se culpar por tudo e apelar como se a qualquer momento tudo fosse desabar. — Falou calma.
Ouviu as garras dele fincarem na terra ao lado dos seus ouvidos, mas não desviou os olhos dele.
—Eu não quero te perder de novo. Eu sou feliz com você. — As palavras saiam de sua boca com dificuldade, como se não fosse acostumado a falar.
Seu coração amoleceu e seu corpo finalmente relaxou quando teve certeza de que aquele era seu Acnologia. Era uma parte reclusa e pequena dele que vivia lá dentro, formando sua parte animal. Um pequeno garoto que, depois de muitos anos perdido, tinha encontrado um objetivo e não queria voltar a perde-lo, vagando na imensidão de seu poder.
Sorriu para ele, segurando seu rosto com as duas mãos.
—Eu também estou feliz com você. Eu estou aqui.
Ele enrijeceu o corpo e rosnou feroz, aproximando seu corpo protetoramente do seu. O rosnado lhe deu um medo que esfriou sua espinha.
—Lucy! — Ouviu Erza gritar.
Xingou todos os nomes em sua mente. Levy não escutou. Acnologia não era humano no momento. Essa parte sua era totalmente animal e violenta, que só sabia reagir protetoramente com poder bruto obedecendo a seus instintos. O único ser que não representaria ameaça em tal estado mental era ela mesma. Ele estava se esforçando ao tentar usar sua parte humana da mesma forma que ela o usava para falar, entretanto acreditava que ele não conseguiria se focar para conseguir falar e dialogar com paciência, com seus amigos – que ele julgaria como ameaças em potencial – por perto.
Ele iria atacá-los.
Puxou o rosto dele para que ele se concentrasse apenas nela.
—Olhe para mim. — Pediu, tentando manter a calma nas palavras, sem deixar que o medo a dominasse e ele interpretasse errado. — Eu quero ir para casa. Para nossa casa. Você pode me levar? Por favor?
Pensou rápido lembrando-se de quando ele disse que queria realizar seus desejos. Acnologia pareceu indeciso e tenso, resistindo ao instinto de eliminar a ameaça.
—Eu quero muito. Por favor? — Sussurrou outro apelo.
Ele enfiou o nariz em seus cabelos respirando fundo seu cheiro.
E suas asas se abriram.
~*#*~
Acnologia pousou delicadamente na porta da casa nas montanhas. Nem ele nem Lucy falaram muito durante a viagem. Ela parecia ter percebido sua dificuldade em focar na fala, sendo que seu costume era demonstrar com ações. Observou os olhos castanhos preocupados com seu ferimento no peito. Não era nada demais, já estava acostumado a coisas piores, mas sentiu um calor em seu estomago ao saber que sua companheira se preocupava.
Entrou dentro da casa acompanhando-a em direção ao quarto. Ela se virou, as feições se retorcendo ao verem seu estado. Sua sobrancelha vincou como se tentasse achar uma solução. Ela tomou ar pela boca.
—Consegue regredir um pouco mais? Ficar mais humano? — O magoou um pouco que ela desgostasse de sua forma. Ao contrário de sua parte humana se sentia melhor assim. — Não dá para dar pontos com escamas... — Ouviu-a sussurrar baixinho, comentando consigo mesma.
Ficou animado ao perceber que sua conclusão foi errada e precipitada. Ela queria analisar a ferida e reconhecia que suas escamas atrapalhariam o serviço. Se concentrou mais um pouco para tentar se apossar da forma humana. Não conseguiu completamente. Suas asas, calda e um par de chifres continuaram lá, assim como algumas escamas aqui e ali por seu corpo. Suspirou, sentindo um pouco de cansaço com o processo.
Sua parte humana – que apesar de estar inconsciente saberia de tudo como se fossem suas lembranças ao retomar o controle – fazia parecer fácil.
—É o que consigo por hora. - Murmurou.
Ela sorriu, valendo todo o seu esforço e analisou seu corpo nu. O colar de Shinuky tinha sido destruído por seu poder.
—Espere aqui. — Ela pediu.
Pegou algumas roupas no armário e foi para o banheiro, fechando a porta. Ouviu-a mexendo em algumas coisas lá dentro. Se olhou no espelho e estremeceu. Estava com ferimentos no peito e com a pele manchada pelo sangue dos inimigos que matou. Até mesmo ele, a parte mais selvagem de Acnologia, poderia perceber que não estava apresentável para ninguém.
Seus cabelos negros tinham ficado mais longos, batendo pouco abaixo dos ombros, fazendo contraste com seus olhos vermelhos e felinos, dando lhe um ar ainda mais selvagem e misterioso. Não ligava muito para isso, mas se Lucy quisesse cortá-los, deixaria.
A porta do banheiro se abriu. Ela tinha tomado uma ducha rápida, colocado um top branco, um short cinza folgado e amarrado os cabelos louros em um coque com uma piranha. Sua marca ainda estava lá, ativa e vermelha, espalhada por sua barriga e cobrindo seu braço direito. Ronronou quando viu o bico dos seios no tecido branco. Se conteve tendo ciência de que estava nu.
—Venha. — Ela pediu abanando a mão e entrando no banheiro.
A seguiu, encolhendo as asas ao máximo para limitar o espaço que ocupava. Quando entrou viu alguns itens dispostos na banheira e uma caixa com muitos itens médicos em cima da tampa da privada. Ela apontou para a bacia metálica fundida na parede e no chão.
-Sente-se lá dentro.
Tomando cuidado com as asas e a calda, entrou na banheira, sentando-se com as pernas cruzadas. Seus joelhos ficavam encostados nas beiradas. Ela se agachou passando por baixo de suas asas e entrando com os pés na banheira, sentando-se na beirada em suas costas. Ela puxou a ducha do chuveiro extensível e sentiu a água morna batendo em suas costas. Ela suspirou insatisfeita, aparentemente vendo o machucado entre as omoplatas.
Ardeu com o contato da água, mas não reclamou. Era uma sensação quente e boa estar sendo cuidado por sua companheira. Acnologia não se lembrava de algum dia ter sido cuidado por alguém. Ela começou a molhar seus cabelos.
—Gostei do seu novo cabelo. — Ela comentou. — Ficou bonito.
Seu coração bateu alegre e suas bochechas coraram, embora ela não pudesse ver. Foi uma sensação gostosa que só havia experimentado através de sua parte humana. Era boa. Deixaria os cabelos assim.
Lucy desligou o chuveiro e derramou um liquido em sua cabeça, começando a esfregar com os dedos. Fechou os olhos ronronando com a massagem no couro cabeludo. Não tinha percebido como tinha ficado mais calmo e mudado de foco. Protegê-la tinha sido seu foco principal, mas agora, com a mente mais segura, seus pensamentos se focaram mais nela.
A maga lavou seus cabelos e depois pegou o sabão, lavando suas costas e seus machucados, limpando o sangue e a sujeira da luta. Quando enxaguou novamente suas mãos pegaram um vidro no vazo e borrifou o conteúdo no corte. Sua pele queimou, mas continuou a se manter calado.
—O corte não é fundo. Eu até poderia dar pontos, mas você os arrebentaria.
Ela pegou uma toalha húmida e começou a limpar suas asas. Ronronou mais alto ao sentir as mãos delicadas tocando-o com carinho. Enviava tremores ao seu corpo, deixando-o agressivo novamente, só que por outra razão. Seu pênis começou a ficar interessado na pele suave que o tocava. Mesmo assim não queria interromper seus cuidados.
Seguindo o comando de seus dedos, esticou as asas uma por uma para que ela pudesse tocá-lo da forma que precisasse.
—Elas são muito grandes. Seria melhor lavá-las em um rio depois. — Ela murmurou para si mesma.
Usando a privada para ganhar altura ela finalizou o serviço. Pegando o sabão e alguns outros utensílios ela passou por baixo da asa novamente, dessa vez entrando na banheira de frente, sentando-se no pouco espaço restante. Parecia focada em cuidar de seus ferimentos.
—Consegue ficar mais reto? — Perguntou vendo que sua postura curvada não iria ajudar.
Obedeceu aprumando o corpo. Ela molhou seu tórax com o chuveiro e logo em seguida voltou a tocá-lo com o sabão. Seu peito retumbou outra vez, principalmente quando ela esfregou o sangue seco em seus mamilos e no estomago. A ardência do machucado nem mesmo o incomodava. A visão de seu busto apertado pelo tope branco e agora um pouco molhado o fez salivar. Pela primeira vez percebeu que nunca a tinha tocado e visto com seus olhos, sozinho, e não em conjunto com a parte humana.
Embora parecessem separados no momento, sabia que na verdade eram um, mas estar no foco e controle para tocar sua companheira era extasiante e tentador. Mesmo assim, sentia que essa era função de sua outra parte. A sua era protegê-la. Era estranho a forma como estava em conflito. Isso nunca tinha acontecido antes.
Viu o olhar da maga descer com um pouco de relutância para o pênis interessado que apontava em sua direção. Como se soubesse que estava sendo observado, ele pulsou. Ela subiu os olhos para os seus, notando que tinha sido apanhada e suas bochechas coraram, mas ela sorriu. Abriu a boca, parecendo hesitante em falar, mas acabou se decidindo.
—Se se comportar direito eu te dou uma recompensa. — Murmurou, parecendo um pouco envergonhada, mas confiante.
Recompensa? Queria ganhar uma de sua companheira.
Lucy continuou a esfregá-lo tentando não baixar os olhos. Desde que pegou um livro de romance erótico com Levy, tinha o desejo de testar algumas coisas. Só que acabou que nunca realizou grande coisa, por que tinha uma certa vergonha. Além disso após aquele acidente ingrato, Acnologia pareceu mais controlado, tomando as rédeas como se precisasse provar a si mesmo que ainda estava viva e que ele não sonhava. Entretanto, aquela parte mais violenta dele parecia estranhamente mais aberto e ciente de que ela estava de fato ali. Sabendo que precisava mantê-lo ocupado pois – segundo Shinuky — dragões tinham a tendência de regredir ao estado de espirito anterior, achou que serviria.
Acnologia observou-a o tempo todo. Sentiu a ardência queimar sua pele quando ela voltou a jogar o produto em sua ferida mais grave. Tinha um cheiro estranho que o lembrava acetona e deixava sua pele manchada de amarelo. Ela ponderou, parecendo pensar.
—Este é um pouco mais fundo. — Ela murmurou. — Só isso não vai adiantar. Como você não vai respeitar os pontos eu vou suturar. Pode doer.
E esticou a mão pegando um cilindro na privada. Ela abriu a pequena tampa do pote e derramou um pó granulado em bolinhas na cor branca e preta. Ela jogou p pó por sua ferida toda. Ardeu como sal.
—Vou pegar um fósforo. — Falou.
Ergueu um dedo que crepitou com uma chama vermelha azulada. Colocou o dedo no início dos flocos e eles inflamaram e apagaram rápido, como velas de faísca. A dor foi intensa, com fincadas de agulha quente que deixaram todo o seu peito latejando. Rosnou, trancando o maxilar.
Lucy piscou.
—Bom, isso facilita as coisas. — Falou, começando a guardar os materiais na caixa.
Acnologia observou-a se agachar a sua frente novamente e se inclinar em sua direção. Ficou indeciso entre os olhos e os lábios a sua frente, enchendo seu nariz com o cheiro doce.
—Você se comportou muito bem. — Sorriu, animada e parecendo um pouco envergonhada. Ela pegou seu rosto com as duas palmas das mãos. — Eu te amo. — Sussurrou.
Seu peito ficou quente e o coração acelerou. Os lábios suaves encontraram os seus, em um beijo glorioso e faminto. Agarrou os cabelos dela puxando-a para mais perto. Os estalos mudos percorreram o banheiro enquanto ela o seduzia gloriosamente. Uma das mãos finas desceram por sua pele, tomando cuidado com o machucado cauterizado. Seu polegar esfregou um de seus mamilos antes de descer um pouco mais, enviando choques direto para seu pênis. Ronronou apreciando seus toques.
Apesar da dor latente entre suas pernas, queria ver o que ela desejava tanto lhe oferecer. Ela agarrou seu pau. Sibilou, fechando os olhos.
—Pode se sentar na beirada para mim? — Sussurrou em seu ouvido.
Nem soube como, mas em segundos seu corpo estava sentado na beira. Lucy lambeu sua barriga chegando cada vez mais próxima de seu pênis. Fincou os dentes no lábio em expectativa, olhando para baixo. Sem ressalvas, ela o abocanhou.
Gemeu, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás, encostando na parede. Suas mãos agarraram a banheira enquanto tentava resistir ao prazer. Sua barriga se contraiu ainda mais quando ela o arranhou. Sua outra mão acariciou suas bolas enquanto ela mantinha a sucção apertada no cume. Gemeu, nem mesmo sentindo as dores de antes.
Ela retirou a boca, mas antes que protestasse sua mão subiu, esfregando a cabeça inchada com o polegar, enquanto descia por seu pênis com a língua. Sua boca envolveu suas bolas com delicadeza. Sentiu-as apertarem com a vontade de gozar. Estava tão duro que doía. Precisava gozar. Seus quadris começaram a ficar inquietos se movendo contra sua mão. Queria que ela voltasse a chupá-lo.
Foi então que um dedo atrevido e molhado entrou em seu ânus. Arfou retesando o corpo inteiro e abrindo os olhos estranhando o toque invasivo. Ela voltou a abocanhar o cume, massageando-o com a língua esguia, enquanto o apertava e massageava com a outra mão. Ela se concentrou na cabeça com dedicação, gemendo contra seu pênis e forçando seu corpo a relaxar novamente.
Gemeu, o rosnar agudo retumbando em seu peito. Não entendia o que sua companheira pretendia, mas não teve tempo de pensar sentindo o corpo se apertar todo para resistir ao orgasmo, prologando o momento ao máximo. Sentia que não duraria muito, seu corpo suava em antecipação. Nunca sentiu tamanho prazer na vida.
Soube o objetivo dela em poucos segundos, quando ela encontrou sua próstata inchada e a apertou. O orgasmo veio de uma forma inesperada em um rompante. Rugiu, enterrando os dedos no metal da banheira que estalou. O fogo percorreu sua barriga contraída enquanto gozava em sua boca. Mas o prazer não parava.
Ela continuou massageando o ponto inchado enquanto chupava a glande. Não conseguia parar de gozar. Seus músculos se apertaram até doer, tremendo sem suportar um prazer que não ia embora nunca.
—Lucy! — Gemeu desesperado.
Deu sorte de estar escorado na parede, pois se estivesse em pé, teria desabado vergonhosamente. Ela o torturou por mais alguns segundos antes de rir contra seu pênis e soltá-lo. Os tremores foram passando aos poucos a medida que ela o largou.
Rosnou, sentindo-se mole e totalmente dependente da parede. Respirou arfante tentando devolver o oxigênio ao corpo enquanto finalmente podia relaxar. Lucy se levantou da banheira olhando para ele e riu, antes de sair dela e ir para a pia lavar as mãos do melhor orgasmo de sua vida. Tudo o que pode fazer era acompanhá-la com os olhos.
Ela guardou os remédios no armário da pia e o olhou com um sorriso de quem havia ganhado um presente que esperava a muito tempo. Soube neste momento que ela tinha muitos desejos para realizar com ele e, por Deus! Deixaria ela realizá-los quando quisesse.
Observou sua companheira sair em direção ao quarto. Tinha poucas horas antes de ser suprimido novamente e se fundir com sua personalidade humana. Ela não estava mais em perigo, não era mais necessário no momento. Entretanto decidiu retribuir o favor.
Apoiando-se na parede, ainda meio zonzo, foi na direção dela e a agarrou no meio do caminho. Ela riu em seus braços.
—Suas asas sempre ficam inquietas quando você quer alguma coisa sabia? — Ela comentou.
Um calor gostoso brotou em seu peito ao se lembrar que ela não se importava com sua forma inumana, ou sua incapacidade de regredir ainda mais. A aceitação era uma coisa boa. Buscou as palavras em sua mente.
—Deixe-me retribuir o favor. — Ronronou cheirando seu pescoço. - Você confia em mim? — Perguntou, olhando-a nos olhos.
Uma coisa era sua confiança em um estado controlado. Mas ele não tinha muitos resquícios de humano agora. Era a parte mais violenta daquele ser, sua parte dragoniana. Mesmo sendo incapaz de machucá-la a tinha atacado quando tentou expulsar Levy de perto. Foi instintivo, mas atingir sua companheira era imperdoável. Ainda se lembrava da dor.
—Claro que sim. — Ela devolveu acariciando sua bochecha.
Engoliu o orgulho que estufou em seu peito e se concentrou. As chamas apareceram em suas mãos, agora negras azuladas, queimando sua roupa e deixando um arrepio quente em sua pele, e então a beijou.
~*#*~
Lucy acordou sentindo o cobertor se mexer. Cobertor não, asa. Ela espreguiçou virando o corpo na direção do outro, deparando-se com olhos azuis. Ele parecia desconfiado.
—Onde aprendeu aquilo? — Ele perguntou enquanto colocava as asas em posição de repouso, desfazendo o embrulho ao seu redor.
Soube exatamente o que ele quis dizer com 'aquilo'.
—Oi pra você também. — Resmungou, olhando para o relógio e vendo que cochilou apenas algumas horas. — Dá pra aprender muitas coisas em livros e conversando com Cana. — Respondeu, virando-se outra vez.
Ele subiu as sobrancelhas surpreso com a resposta. Suas asas, calda e seus traços draconianos foram regredindo até uma forma mais próxima da real.
—Pensou o que? Que eu traí você? — Debochou na brincadeira.
Ele apoiou a cabeça na mão, apoiando o cotovelo no travesseiro. Sua outra mão abanou indicando que descartava totalmente a hipótese. Além de confiar no amor de Lucy, seu faro e sua marca não permitiriam tal coisa.
—O que exatamente aconteceu? — Perguntou a ele finalmente.
Ele demorou um pouco, mas baixou os olhos para os seus e suspirou.
—Os antigos tinham um nome pra isso. — Coçou os cabelos negros longos. — Draco Anima, eu acho. Diziam que os mais poderosos que desenvolviam seu poder de dragão conseguiam gerar uma segunda alma dentro de nós. Uma que representava nosso lado mais selvagem. Ela nunca deveria aparecer, mas em alguns casos aparece. — Franziu as sobrancelhas. — Pensei que era só um boato na época.
Lucy analisou as informações que ele lhe deu.
—Então ele é uma parte sua que não vai voltar? -Questionou.
Outro suspiro.
—Não. Ele está aqui. Sinto ele rondando na minha cabeça. — Fez uma careta. — Acho que vai ficar assim até que precise dele ou que eu cometa um deslize.
O rosto da maga se retorceu em uma careta.
—E bem estranho ficar tratando uma pessoa como se fossem duas.
—Não somos dois. — Apressou em se responder. Seu rosto também se retorceu. — É difícil de explicar.
Lucy ergueu os ombros de forma que indicava que deixaria o assunto e levantou-se da cama.
—Levanta ai. Você tem que me levar para Magnolia.
Ele apoiou os dois braços na cama e levantou a cabeça.
—Tenho? — Perguntou.
Seus olhos desceram para a bunda de Lucy. Rosnou involuntariamente quando ela foi coberta por um Short jeans.
—Tem! — Afirmou ela sem olhá-lo, indo para o banheiro. Ouviu-a mexer nos armários. — Sair daquela bagunça sem dar satisfações deve ter deixado a Fairy Tail louca. Preciso dar uma explicação. — E saiu do banheiro. — Além disso você detonou a banheira. Preciso comprar alguma coisa pra concertar esses furos. Então levanta essa bunda daí. Agora.
"A vida por si só contraria todo o conceito do Universo. A Terra que se aniquile, a vida, com toda sua coragem, sobreviverá."
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