Notas iniciais
Olá, pessoas! Desculpem-me pela demora. Houve alguns problemas com minha internet que me impossibilitou de postar antes, e sinceramente, espero que me perdoem. Espero trazer um novo capitulo o mais rápido possível... e quem sabe esse feriado, ou fim de semana. Mas, por enquanto, espero que gostem deste. Boa leitura!

Os olhos dela estavam ali. De um verde esmeralda tão vivido que me fazia perder o controle.

Eu estaria enganando a mim mesmo dizendo que ela não havia mexido comigo. Ela havia me destruído, de fato.

Estava sentado no mesmo sofá em que ela me fez perder o controle.

Assim que a vi tirar seus sapatos, de um modo tão natural, e ao mesmo tempo tão sensual, não consegui ficar longe dela por mais nem um segundo. A tarde anterior ainda me virava o estomago. O dia de ontem mal havia passado, e algo dentro de mim clamava por ela como nunca.

Eu queria sentir sua pele macia em minhas mãos, sua boca na minha... Eu queria ouvi-la gargalhar de prazer como naquela tarde. Eu a queria novamente, a todo instante.

O crepitar do fogo na lareira foi abafado pelo som dos passos de Alfred, ao se aproximar.

–Senhor Bruce, desculpe incomodar – fiz um gesto de cabeça dizendo que estava tudo bem.

–A diretoria das Indústrias Wayne acaba de marcar uma reunião de ultima hora. Algo urgente apareceu. Eles o esperam na sede. – dei um gole em meu uísque olhando para o fogo.

–Senhor, se me permite... – virei-me para ele

–Não comece Alfred –

–Devo insistir senhor... Ela foi a única mulher que você, desde que voltou... -

–Teve que ser assim.

–Senhor...

–Eu não posso me envolver com ninguém, e sabe muito bem disso – disse, levantando-me e indo em direção a porta. Havia uma reunião para comparecer.

–Mas você já se envolveu, Bruce. – Parei e olhei para ele.

–E foi o suficiente –

Minha mente dizia o contrario: Não, não fora. Eu sentia falta dela a cada segundo em que pensava em seu calor, sua pele, seu toque, seus olhos... Sua boca macia. Sua ausência estava me enlouquecendo.

–A vida que o senhor leva pela noite é apenas sua, eu compreendo... Mas nada o impede dividir sua vida com ela enquanto o sol está no horizonte. –

Suas palavras ecoaram, e minha postura se foi.

–O que eu fiz com ela... –

–Apenas tente reverter a situação. – disse ele em casualidade

–Ela não irá querer nem olhar para mim–

–Peça desculpas. E dessa vez, não leve tudo a ruína. –

–Não posso – conclui

–Quanto tempo terá que passar dentro dessa sala para perceber que sente falta dela? –

Eu sabia, internamente, que ele conseguia ver isto em meus olhos.

–Ontem... Eu já a magoei o suficiente – suspirei

–Acredite em mim senhor Bruce quando digo que a senhorita Kyle não é uma mulher que se magoa fácil. Decepção? Tenha certeza. –

Olhei para o homem que me criou, suas rugas não mentiam sua idade e experiência. E sua voz tinha um tom de preocupação. Na tarde anterior, eu havia sido um babaca, e a havia tratado como nenhuma mulher deveria ser tratada... Mas talvez ele estivesse certo, talvez eu pudesse reverter minha situação com ela. Talvez.

Mas, deixá-la ali depois de um momento inesquecível, havia me tirado do chão.

A lembrança do ultimo beijo que havíamos compartilhado me assombrava. Algo sincero... Apaixonado. E mesmo assim eu a deixei. Deixei-a pensar que era mais uma de muitas, quando não havia nenhuma outra.

Deixei-a pensar que ela havia sido apenas uma diversão. A tratei como lixo.

–Peça desculpas — ele repetiu, fazendo meus pensamentos voltarem novamente aos olhos dela.

**

Não havia sido uma noite fácil. Minha mente gritava, meu corpo gritava... E meu coração ficava lá, apertado e calado.

O que Bruce havia feito comigo era de se esperar. Como eu poderia ter sido tão ingênua? Nunca havia me deixado levar por homem algum, sempre estivera no comando... E talvez era por isso que não estava conseguindo dormir.

Além de um sentimento que não conseguia decifrar... Vergonha, talvez?

Ser rejeitada — e pelo mordomo- era algo tão doloroso, que não existia uma palavra que pudesse nomear o sentimento.

Olhei no relógio de cabeceira: quatro horas da manhã. Eu poderia vestir minha roupa e vagar pela escuridão de Gotham, a procura de esquecer tudo o que estava sentindo. Mas não queria. Eu sabia, internamente, que tinha que sentir aquilo, para nunca mais me deixar levar por desejo... Não, aquilo não era desejo, e eu sabia disso.

Desejo é algo efêmero... Aquilo instalado dentro de mim era o algo mais.

Enterrei minha cabeça no travesseiro e me amaldiçoei mentalmente até conseguir dormir.

Pela manhã minha cabeça doía tanto que tinha até medo de sair para a luz do sol.

Mas eu tinha que ir trabalhar, o museu precisava de mim, e eu precisava do museu.

Ao chegar lá, fui tomada pelo sentimento de familiaridade.

Como eu gostava de estar ali!

Assim que sentei em minha cadeira no meu escritório o telefone tocou

–Sim, Carina — atendi

–Desculpe incomodar, senhorita Kyle, é que há um senhor... Bom, um dos beneficiários do museu querendo falar com você. –

–O museu tem muitos beneficiários, Carina. Por favor, especifique. — disse, mantendo a voz serena

–Senhor Bruce Wayne – Meu coração palpitou em dupla velocidade. Por algumas horas eu tinha realmente conseguido esquecer ele.

–Por favor, Carina, fale para o senhor Wayne que apesar de ser muito grata por toda sua generosidade com a comunidade e os projetos sociais do museu, eu estou muito ocupada e não poderei recebê-lo agora. – consegui manter a ansiedade dentro de mim

–Mas ele insiste — ela falou nervosamente

–Peça-o que marque um horário, assim como qualquer outro. Isso é tudo. – desliguei, tentando me controlar.

O que ele queria aqui? Ele já não havia feito o suficiente ontem? Ele realmente precisava me torturar?

Pois era exatamente o que ele estava fazendo. Torturando-me de dentro para fora. E por mais raivosa que estivesse eu o ainda queria. Eu queria passar a boca em cada pedaço de seu corpo, queria sentir seu calor junto ao meu. Queria realizar as fantasias feitas que foram impedidas tão bruscamente... Por ele.

Sendo atormentada por tais perguntas foquei no dia de trabalho, e só me dei conta de que o expediente havia acabado quando Carina me avisou que estava atrasada para uma festa beneficente no centro de Gotham, na qual haveria um daqueles leilões especiais.

Eu não queria ir, sinceramente, mas assim que cheguei a minha cobertura e vi Leslie colocando meu vestido pronto na cama decidi que era o melhor a se fazer.

Ela arrumou meu cabelo, deixando o solto com leves camadas onduladas, fazendo meu batom vermelho se destacar. O vestido era preto com mangas japonesas levemente bufadas para cima, ligando-se diretamente com meu generoso decote no busto e pelas costas, indo até o extremo de minha cintura. O vestido era colado por todo meu corpo esquio, abrindo-se apenas dos joelhos para baixo, até os pés. A abertura nas costas era trançada apenas por uma, quase imperceptível, corrente de um ombro a outro, fazendo com que a sensualidade ficasse páreo com a elegância.

Segui pelo salão lotado pela sociedade rica de Gotham acompanhado por Leslie. Apanhei uma taça de champagne quando um garçom parou para me servir.

–Senhorita Kyle — vi o prefeito da cidade se aproximar para me cumprimentar. Era um homem claramente velho, mas com uma beleza particularmente juvenil.

–Senhor Prefeito — cumprimentei-o, apertando em sua mão elegantemente.

–Oh, deixe-me apresentar, apesar de suspeitar que já a conheça... Essa é Leslie Thompkins.

–Senhora Thompkins, um prazer revê-la. –

Leslie fora uma medica bastante conhecida há um tempo, principalmente por suas várias iniciativas de atendimento a caridade, mas assim que me conheceu colocou a medicina em mãos mais jovens em nome de me ajudar a manter a segurança nos bairros pobres da cidade.

Não iria ser algo fácil, ela sabia assim que me ofereceu ajuda, mas até agora tudo estava correndo perfeitamente bem.

–Igualmente, senhor prefeito... — respondeu ela, abaixando o tom, pois o leiloeiro agora anunciava o inicio do leilão especial.

E como um flash me lembrei de dois dias atrás. Me lembrei de Bruce... Balancei a cabeça em modo de tentar afugentar aquele pensamento.

–Boa noite, senhoras e senhores! – falou em cerimônia — Hoje, como bem sabem, teremos a honra de leiloar jantares exclusivos com diversas personalidades da alta sociedade de Gotham. Recebemos várias inscrições de voluntários essa noite, e como de praxe, iremos começar com as damas. – As pessoas se movimentaram ao redor em expectação

Não me dei nem o trabalho de ser voluntaria dessa vez, ano passado havia sido de mais.

Só de pensar em jantar com outro velho ricaço pegajoso e irritante novamente me fazia querer gritar.

Estava na minha terceira taça de champagne desde o inicio do leilão quando ouvi meu nome sendo chamado.

–E agora, a estonteante Selina Kyle. — o clarão do holofote veio a mim. Olhei confusa para a única pessoa que poderia ter me colocado naquela furada. Do outro lado da mesa arredondada e decorada, Leslie esbanjava um sorriso divertido. A repreendi no ato com o balançar da cabeça.

Eu, simplesmente, não acreditava naquilo.

Dei a volta na mesa, seguindo em direção ao palco onde várias outras mulheres ricas e celebridades de Gotham haviam sido ''arrematadas'' para uma deplorável noite – tenho certeza-. Tentei ao máximo forçar um sorriso, mas com certeza não conseguiria enganar ninguém. Os lances iniciaram.

–Lance inicial vinte mil dólares. — o leiloeiro anunciou. Eu me sentia como carne em um mercado barato.

–Dou trinta — um homem no final do salão gritou

–Quarenta – gritou outro em algum lugar que não consegui alcançar com os olhos

–Quarenta e cinco — o homem no final do salão gritou novamente

Uma voz irrompeu o murmúrio das pessoas.

–Duzentos mil dólares. — Bruce falou, passando por entre as pessoas.

Fechei os olhos, tentando mentalmente fingir que aquilo não estava acontecendo. Consegui sentir minha respiração entrecortar.

O homem no final do salão também de aproximou, desafiando Bruce.

–Quatrocentos mil — ele disse, pois estava tão perto do palco que não precisava nem mesmo alterar o tom de voz.

Bruce olhou para ele com uma expressão de ironia. Voltou seu olhar para o meu – que agora o encarava – e como se falasse apenas para mim deu o ultimo e definitivo lance.

–Um milhão de dólares. — A explosão de vozes por todo o local foi inebriante.

Bruce Wayne havia acabado de dar um milhão de dólares por um jantar comigo.

Meu estomago revirou.

E quando o leiloeiro deu por fim os lances, desviei meu olhar do dele, tentando inutilmente me controlar.

Quando desci do palco ele me puxou pelo braço, colocando sua mão na base de minha coluna. Entre dentes eu disse:

–Por que você fez isso? -

–Porque você não queria falar comigo. — ele rebateu

Me afastei do palco, tentando sair dos olhares curiosos ao nosso redor.

–E você acha que bancar o playboy mimado na minha frente e na frente de dezenas de pessoas vai me fazer querer falar com você?

–Você já está falando comigo –

Olhei para o lado, como se tivesse levado um tapa. Ele havia ido longe de mais.

–O que você quer, Wayne? – disse ainda olhando para uma velha e opaca pilastra no extremo do salão, onde tentávamos nos ocultar

–Me desculpar – explicou ele.

Consegui abrir um pequeno sorriso quando olhei em suas Iris negras.

–Você realmente achou que um milhão de dólares me compraria?

–Não estou te comprando, Selina...

–Não é o que parece – retruquei em voz baixa

–Por favor – ele pediu em suplica – Apenas me dê a chance de explicar...

Puxei meu braço que estava envolvido em sua mão.

–Sinto que não poderei lhe acompanhar neste jantar, senhor Wayne.

–Selina... – ele fechou os olhos, sentindo minha recusa

–Lhe mandarei um cheque cobrindo seu gasto. – falei resoluta antes de olhar em seus olhos uma ultima vez.

Meus passos ecoaram pelo salão barulhento deixando um rastro do sentimento não nomeado que eu descobrira há apenas alguns dias. Só que dessa vez eu estava o compartilhando.

**

Há algo sobre o vento da madrugada de Gotham que é completamente inexplicável.

Apenas há poucos meses havia assumido a forma de Mulher Gato. Meu objetivo era proteger os bairros carentes daquela cidade... Não apenas pela força. Eu havia conseguido uma considerável herança há algum tempo, de formas não muito honestas.

Um casamento por interesse – que foi logo interrompido pela morte repentina de meu marido- me beneficiando como unica herdeira, roubos pela madrugada, trabalhos em parceria com a máfia... Eu não diria ser uma boa pessoa, mas ajudar as famílias inocentes do bairro onde cresci na miséria e seus vizinhos agora era o que me fazia feliz. E que me fazia esquecer coisas desagradáveis... Como essa noite.

Em pé sobre um dos maiores prédios da cidade eu conseguia ver e sentir tudo... Principalmente o vento, e as presenças que ele trazia. E foi por isso que o senti antes mesmo dele pensar em se aproximar.

–Não sei porque você ainda insiste em brincar nas sombras... – falei a ele sem mudar minha posição. Ele havia aparecido há algumas semanas, mas eu o conheci pessoalmente há três dias. Na noite anterior ao leilão onde conheci Bruce. Ele disse que havia de monitorado por algum tempo e eu não fiquei muito feliz com isso, mas assim que me explicou que também estava tentando combater o crime, não só dos bairros pobres mas como também de toda Gotham, concordei em ser sua aliada.

Não hoje. Hoje eu não estava disposta a ajudar ninguém... nem a mim mesma, aparentemente.

Ele ficou em silencio. Mas senti ele se aproximar.

Eu não sabia quem ele era. E não precisava, assim como ele não precisava saber quem eu era, apesar de ter certa desconfiança de que sabia.

A única coisa que tínhamos que ter entre nós era uma aliança racional. Nada mais.

Ignorei isso por aquele instante.

–Você é um homem – me virei para ele, que agora estava a dois passos atrás de mim -Bom, pelo menos parece um...

Ele deu um passo quase hesitante. Sua capa negra longa se agitou sobre suas costas cobertas por uma sólida armadura.

Aquele homem emanava a mistério.

E o mistério continuou, em seu silêncio continuado.

Virei o rosto olhando para onde olhava antes.

–Qual o sabor de decepcionar uma mulher? – perguntei, mantendo meus olhos longe do dele

–Deve ser doce – conclui, como se tivesse conversando comigo, pois seu silêncio ainda propagava

–Qual a extensão de fazer uma mulher se remoer? Chega perto da extensão das numerosas estrelas? – continuei olhar em desdém para o horizonte a minha frente enevoado pelo ar frio da madrugada, e mal iluminado por postes com luzes vacilantes.

O silencio dele fazia o ambiente compartilhado gritar. E, honestamente, não esperava que falasse. Eu só precisava desabafar, mesmo que sendo com uma pessoa viesse a responder.

–Acho que você não sabe, não é? – virei para ele, mergulhando na escuridão de seu olhar envolto pela questionável mascara negra.

–Não por falta de amantes, tenho certeza. – expliquei gesticulando a mão com minhas garras afiadas, agora recolhidas sobre a luva grossa. Seu olhar repentinamente seguiu o movimento de meus lábios e voltou aos meus olhos verdes também envoltos por uma máscara.

–Definitivamente, não. — conclui — Mas você, como homem, deve ser o melhor deles.

–Deve idolatrar a mulher a quem isca, mesmo que apenas por uma noite... Deve olhar em seus olhos ao amá-la, deve compartilhar o prazer em dupla, ao invés de ser egoísta como todos os outros e procurar por seu prazer apenas, ignorando a outra parte. Você deve ser aquele homem que mesmo sem intenção de fazê-la se apaixonar, faz. — fiz uma pausa

–Mas não por um sentimento profundo, e sim uma paixão de admiração por unificação. Você deve ser aquele piscar irreal na mente delas em meio a mareante realidade. – parei sentindo meu corpo relaxar

–Talvez ‘’elas’’ não seja o pronome certo para você. Talvez... — hesitei — pronome certo para você seja no singular. –

Balancei a cabeça com um ou dois movimentos recobrando a consciência diante ao silencio dele.

–Esqueça este monologo idiota... Eu já tive demais por uma noite só. – suspirei, desfazendo a proximidade entre mim e o vigilante misterioso. E virando-me para saltar consegui dizer uma ultima frase.

–Não me tome fraca por estas palavras. Sou uma lutadora pela noite, e uma mulher pelo dia... E acredite em mim quando digo que apenas uma mulher forte seria capaz falar o que acabei de dizer, principalmente quando se é em retórica.

Estalando meu chicote saltei para longe. Deixando seu silencio a cada salto mais distante.

Nenhuma palavra havia sido dita até o horizonte começar a queimar, com as primeiras estrias alaranjadas do nascer do sol.

E antes do cavaleiro da noite se abster da luz da manhã seus lábios se moveram em uma sentença definitiva.

–Você, Selina, é meu pronome... E será até que eu não mais puder conjugá-lo.

Notas finais
Bom, então é isso. Não se esqueçam dos reviews. Eles são bastantes importantes para o desenvolvimento da história. Preciso saber se estão gostando ou não, portanto não ocultem suas opiniões. Beijos, até o próximo. HHL