Notas iniciais
Agradeço todos que comentaram os capitulos anteriores! Boa Leitura!

–Você foi rápido hoje. Obrigada por ter me ajudado. – Ofegante tentava agradecer ao vigilante mascarado que havia praticamente salvo minha vida há pouco.

–Bom, não precisa responder o agradecimento se não quiser... – atribui o sarcasmo ao meu tom. Estava começando a desconfiar que ele fosse mudo.

–Estava por perto... – ele explicou quase me deixando boquiaberta por seu súbito interesse na fala. Sua voz era grave, em um tom quase conhecido, abafado por quase imperceptíveis tons vocais eletrônicos. – Você está sangrando. – Chegou mais perto.

–Estou bem – Recuei um pouco. Algumas semanas haviam passado depois de um amplo; quase inacabável discurso sentimental. O arrependimento sobre minhas palavras ecoou em minha mente no dia seguinte. Me auto repreendendo sobre ingerir álcool antes de pôr minha vestimenta. Aquilo não poderia – e não iria – acontecer novamente.

Ele percebeu meu singelo recuo e recuou também. Nada havia mudado entre nós. Ele não passava de uma ajuda de força para mim, e eu não passava de uma fonte de informações para ele.

Troca justa, eu refleti.

–Novamente, agradeço – consegui pescar algo em minhas cordas vocais. Foi uma retórica. Sua capa balançou e de repente havia sumido. Um truque que ainda tentava aperfeiçoar.

O céu desta particular madrugada em Gotham estava claro, mas a nevoa rodeava os pormenores daquela periferia suja.

Passei a mão enluvada por meu braço esquerdo. Um corte profundo ameaçava, o sangue corria. Mas sem dor. Olhei para alto e não encontrei a lua. Só estrelas.

Fim de turno. Era hora de ir pra casa.

***

–Não há nada mais triste do que ser obrigada a tirar férias. – reclamei com Leslie, enquanto colocava minhas chaves na mesa de vista para a baía. – E pior – frisei – é que nem sou remunerada.

Tirei meu casaco e fui em direção ao quarto. Estava frio lá fora. O primeiro sinal do inverno havia se apresentado.

–Quem sabe essa não é uma boa oportunidade para você fazer uma pequena viagem? – A voz suave de Leslie confortava qualquer um.

–Não posso viajar Leslie, sabe disso. – Virei-me a ela e lhe apertei a mão, seguindo seu pulso. –Não vou mentir e dizer que não gostaria, simplesmente não posso.

–Você continua tão abatida, querida... – o carinho de Leslie era análogo ao maternal

–Por favor, não – completei sua sentença não findada. Afastei-me dela e tirei minha blusa de seda social. O ferimento da noite passada ainda não havia sido suturado ou esterilizado, precisava ser limpo a modo de não infeccionar – algo que começava a me preocupar –

Não precisei falar nada para que Leslie saísse do quarto e buscasse suportes médicos. Minutos depois ela terminava a sutura, com certo ar preocupado.

–O ferimento já estava com um inicio de infecção, Selina – Me olhou séria. – Já lhe falei que quando se machucar deve vir até mim imediatamente.

Assenti suavemente.

–Venha comer algo – Puxou-me pelo braço não ferido – E depois vamos sair. Você precisa de um ar – Completou, finalizando o assunto.

***

–Café preto, por favor – O café expresso ambulante do parque exibia um aspecto aconchegante.

A verde grama costumeira daquele ambiente fora substituída por uma leve camada branca de neve. Algumas crianças despontavam ao leste do parque fazendo brincadeiras com o gelo recém caído. Leslie havia insistido em dar uma caminhada sozinha, o que, na verdade, foi um alivio para mim. Pois, o ferimento havia me deixado um pouco fraca, provavelmente pela perda excessiva de sangue. Algo que não comentaria com Leslie a não ser que ela percebesse minha fraqueza.

Paguei pelo café esfumaçante e segui a um pequeno banco de madeira em tom amendoado, coberto pela leve película branca.

Sentei-me sem preocupar com o casaco e sorvi um gole da bebida quente. Leslie, como sempre, tinha razão. Eu realmente estava precisando de um pouco de ar. Mesmo ele sendo frio.

Estava tão inebriada pelo silencio e a visão das poucas crianças a brincar que mal registrei o momento quando alguém pediu para sentar-se ao meu lado.

–Selina? – Recobrei consciência ao ser chamada pelo meu nome

–Sim – respondi, me virando para a pessoa ao meu lado. E de alguma forma, não consegui ter outra reação a presença dele a não ser comentar sobre o clima.

–Está nevando. – Olhei para Bruce

Ele me olhou com seus olhos negros intensos, contrastando com todo o ambiente alvo ao redor.

–Precisamos conversar – Foi direto

–Sim, precisamos – Voltei à atenção ao meu café, ignorando sua expressão surpresa.

–Sobre o leilão... –

–Não acho que começar por este tópico irá ajudar. Vá ao ponto, Wayne. – Consegui manter meu olhar longe dele ao falar, apenas sentindo seu olhar enervante sobre mim. Dei mais um gole generoso em meu café enquanto esperava ele falar. Mas ele não falou. Senti sua mão em minha pele facial. Ele pegava um pequeno cabelo de meu rosto e o colocava atrás da orelha.

Aquele homem era um enigma ambulante.

–Senti sua falta – Sussurrou

Olhei para ele sem conseguir refletir ao menos um pequeno fragmento do que sentia.

–Não... – consegui transpor sobre minha garganta fechada

–Sim – ele se aproximou, exalando seu calor efervescente a centímetros de mim. – Você também sentiu minha falta – Pegou de minha mão o foranto do café, o depositando sobre uma lata de lixo atrás de mim. Fazendo nossos corpos se aproximarem mais.

Meu corpo me traiu, inspirando seu aroma levemente amadeirado e me rendendo ao seu toque vindouro. Ele tinha razão, eu sentia sua falta. E era tão difícil tentar ser forte em orgulho com ele ali, próximo a mim, exalando não só seu olor irresistível; mas um sentimento bucólico e obscuro.

Uma de suas mãos voltou a minha tez facial, e a outra encontrou minha gélida mão – tanto pelo frio, quanto pelo súbito nervosismo de sua presença –

–Desculpe-me – ele pediu novamente, retornando suas palavras quando nos encontramos pela ultima vez.

Ele estava tão próximo.

Sua presença parecia ter suprimido minhas cordas vocais.

Mas não meus instintos.

E ainda sem saber exatamente o motivo, talvez por euforia, fraqueza... Ou pela saudade, eu respondi seu apelo sincero com um beijo. Um beijo que ambos necessitávamos há semanas.

***

A boca dela desceu a minha em sede.

Mas não foi algo eufórico, foi algo parecido com nosso ultimo beijo.

Estávamos em sintonia. Precisávamos daquilo.

Seus lábios tinham gosto de cafeína e de sua doçura própria, um sabor que me era inesquecível.

Entrelacei seus dedos frios nos meus puxando-a mais perto, sentindo que seu corpo também pedia a aproximação do meu. Minha mão em seu rosto encontrou a curvatura de sua nuca, repousando lá. Sua mão livre pousou em meu peito, completando nossa justaposição.

Nosso beijo disseminava não só uma falta ambígua entre ambas as partes, mas um algo mais invólucro de tensão.

Ela aprofundou o beijo, dando mais tensão aquele momento. Senti seus dedos puxarem meu casaco, como se desejasse que estivesse mais perto. Quando nos afastamos, suficiente apenas para respirarmos e sentirmos a expiração um do outro, ficamos em silencio.

O calor de nossas mãos coladas fazia com que nosso silencio se mantivesse como algo normal.

–Também senti sua falta – Sorriu ao dizer, como se já tivesse dito. Exibindo seu sorriso encantador.

Puxei- a para mais um beijo. Um era, apenas, insuficiente.

Minha mão desceu por seu ombro, encontrando um leve sobressaio sobre seu casaco, onde ela recuou – provavelmente em dor –. Era o corte da noite passada.

–Desculpe-me – despontei

–Não é nada – implicou. E não pedi outras explicações. Ela não me falaria sobre sua vida noturna, a qual fizera com que eu a procurasse, de modo a ter um contato com a gatuna misteriosa que um dia fora, mas que agora tinha boas intenções; Mas este ‘’contato’’ havia saído pela culatra, não a ponto de expor Batman, e sim os sentimentos de Bruce – meus sentimentos -.

Como em algum momento eu cheguei a pensar que o melhor seria me afastar dela?

Ela não era uma donzela a resgate, e agora, alguém que podia confiar.

–Preciso ir – Olhou para os lados, como se procurasse alguém.

–Selina, não vá – pedi

–Não me peça para ficar – pausou – Venha comigo – Abriu mais uma vez seu sorriso encantador, me surpreendendo mais uma vez naquele fim de tarde.

***

Bruce estava sem motorista, de modo que ele mesmo dirigiu até minha cobertura. Foi uma viajem sem muitas palavras e terrivelmente longa. Mesmo sendo que meu endereço não fosse distante do parque. Entramos no elevador de serviço da garagem, apertei o botão referente à cobertura, digitei o código de acesso privado e ouvi a voz dele centímetros de meu ouvido.

–Tem certeza de que não há ninguém lá? –

–Tenho – inspirei – Mandei uma mensagem para Leslie informando sua presença. Ela não irá aparecer por aqui até quando for conveniente.

–Gosto de Leslie – senti seu corpo aproximar e empurrar o meu contra a porta metálica do elevador. Estávamos, ainda, a vinte andares da cobertura.

–Claro que gosta – debochei, me referindo a sua conspícua cumplicidade com ele. Provavelmente ela também sabia de sua presença no parque, motivo o qual ela deve ter me levado até lá.

Ele tirou meu cabelo curto de meus ombros e colocando a mão a frente de meu casaco, começou a, lentamente, desabotoá-lo. Assim que todos os botões haviam sido abertos ele puxou a inocente peça de roupa, pousando-a sobre seu antebraço. Ele sabia que já sairíamos dali, só estava começando a fermentar a situação. Sua boca pousou sobre a curvatura dos ombros, um pouco acima da clavícula, puxando um pouco o tecido leve de minha blusa para ter acesso à pele.

Seu corpo me atrelava ao metal frigido enquanto me deixava em chamas.

Cinco andares.

–Estamos chegando, Bruce – disse, prevendo minhas próximas roupas ao chão se aquela demora de estendesse.

–Eu sei – sua voz emanava um divertimento. Virei-me para ele súbita, e encontrei algo em seu olhar até agora nunca havia visto. Algo mais do que indecifrável.

Não precisei puxá-lo, apenas peguei seu casaco semi-aberto e deslizei os dedos abrindo todos os botões, passando a mão pelo terno bem cortado por dentro, abri o restante dos botões e encontrei sua gravata... Exatamente no momento em que o elevador anunciou sonoramente nossa chegada a cobertura.

De costas, o puxei em direção oposta a que estávamos entrando no recinto.

–Onde fica seu quarto? – entredisse, enquanto me puxava pela cintura para um beijo caloroso.

–Esqueça o quarto – Levei minhas mãos às roupas recém desabotoadas e as joguei ao chão. Ele puxou minha camisa e os botões foram ao chão, assentindo ao nosso desejo.

Ainda de costas senti quando encontramos uma superfície plana, o balcão de entrada onde, costumeiramente, portava vasos de flores. Não naquele dia. Agradeci mentalmente por Leslie ter se esquecido de repô-las, pois provavelmente seria constrangedor ela encontrar vasos em pedaços e flores ao chão.

Ele me segurou pela cintura e me pousou sobre a bancada de mármore branco. Bruce havia tirado a gravata, e sua camisa estava aberta o suficiente para que eu pudesse ver seu peitoril atlético.

Sem minha blusa, eu estava apenas de sutiã e calça jeans, o que não foi um problema pra ele. Enquanto terminava de tirar sua blusa e seguia em direção a braguilha, minha calça já estava ao chão. Meus cabelos negros mareavam até meus ombros em perfeita igualdade aos seus, também negros cabelos bem cortados. Seu olhar buscou o meu em desejo. Minha íris verde se fundiu a escuridão negra de seu olhar. Os olhares que trocávamos nos diziam mais do que os feromônios que exalávamos. Estivemos, mesmo durante nosso afastamento, submersos um no outro, alimentando secretamente sentimentos herméticos.

A arte do amar era algo desconhecido aos dois. Não por muito tempo.

Meu sutiã foi ao chão, dando espaço a suas grandes mãos.

Ele preenchia casa espaço de meu corpo, sendo com beijos, caricias e/ou palavras suspiradas.

E eu me rendia. Rendia-me porque precisava. Rendia-me porque queria. Rendia-me porque era Bruce.

Sua ereção me tocou por baixo, liberta, já protegida por uma camisinha. Minha calcinha rendada foi ao chão, se misturando com as outras peças, só que essa aos frangalhos.

Arqueei minhas costas ao recebê-lo dentro de mim. Ao mesmo tempo em que me preparava para o melhor sexo de minha vida.

***

Alguns metros dali um paparazzo, até então, meia boca, havia acabado de fazer as fotos que fariam de sua vida um pouquinho melhor.

Selina Kyle e Bruce Wayne se beijam apaixonadamente em parque, sobre o silencio da neve.

Esta seria, provavelmente, a primeira pagina de todos os jornais da Cidade de Gotham na manhã seguinte.

Notas finais
Até o proximo capitulo! Não se esqueçam de deixar um comentário avaliando a história, isso é muito importante. Beijos HHL