A Arte de Ser Eu...
5 Nem tudo é só azar
Notas iniciais
POV Thyago:
Perfeito! Estava sem internet, sem celular e ainda sem poder jogar futebol pelas próximas cinco semanas. Tudo por culpa da Maya e daquele professor de quinta categoria do Patrick! Talvez o celular a minha mãe me devolva... Era 23:42 e eu abri cuidadosamente a janela do meu quarto sem emitir qualquer ruído – pois é parece que ao menos uma vez o destino está conspirando ao meu favor, mas também depois de tudo que aconteceu, era o mínimo que Deus podia fazer por mim. Coloquei um pé depois outro nas plantas trepadeiras da minha mãe e fui descendo até chegar ao chão. Pensei em ir para a garagem e pegar o meu carro e sair por aí, mas era capaz de meus pais ouvirem, então há alguns minutos atrás peguei a chave da escola da sala e subi para meu quarto. Agora que já estava fora de casa apenas fechei minha jaqueta de couro marrom e fui para meu destino a pé mesmo.
Ao chegar à escola pulei o muro, tem um segurança na entrada que fica depois do fim das aulas da noite mais ele sempre está dormindo, então meu plano era pegar o pendrive com as gravações das câmeras desse mês, faz tempo que eu não encrenco ninguém nessa merda aqui, e nada melhor do que deixar alguns alunos em maus lençóis para não me sentir tão mal, até porque eles merecem. Depois de tudo o que passei hoje, só isso que pode melhorar meu humor. O último que eu dedurei foi um ex-colega meu – Pedro alguma coisa – há uns três meses atrás que estava fumando maconha no Salão de Atividades Múltiplas, fazia dois bimestres que eu não conseguia ir lá por causa do cheiro, mais parece que ninguém se importa nessa bosta! Isso acabou. Graças a mim! E alguém me agradeceu? Claro que esses merdas só ficaram mais putos comigo do que naturalmente são.
Depois de pegar o pendrive, fui para a sala da minha mãe e liguei o computador para ver o que eu tinha.
Chegaram uns treze alunos novos desde a última vez que dedurei alguém e pelo o que eu via ninguém sabia nada de mim ainda. Tinha um casalsinho do primeiro ano que estavam dando impressão que estavam de amassos na sala do zelador porque entravam olhando para os lados e saiam com as roupas amarrotadas, nada que eu pudesse provar. Outros três Zé manes da sétima série que ficavam de arruaça nos corredores – esses sim podiam ir para minha lista. Vamos para as salas: Interessante, Felipe passando cola para a Corine. Sabia que ele tinha uma queda por ela mais nem para tanto, já deixei passar uma vez Felipe, dessa vez não, mas uma para a lista.
Avançando, Avançando. Estão começando a sair, Felipe foi o primeiro, Corine logo em seguida, Pablo, Isabel... Até que humm, vai ter coisa!
Só tinha mais quatro pessoas na sala. Eu, a Alicia e a Maya e o Patrick. Maldita regra de os três últimos alunos numa prova só poderem sair quando todos terminassem. Quando finalmente a Alicia terminou a prova fomos liberados e eu saí a toda da sala, a Alicia não parecia muito bem e foi logo atrás de mim, mas alguém ficou. Maya. Claro que ficaria!
Fui acelerando a fita e fechei os olhos – já era 02h13min da manhã eu comecei a ficar com sono da porra! – quando abri novamente Maya estava deitada a mesa do professor com você sabe quem dando investidas para dentro dela e ela se arqueando relaxando e arqueando as costas novamente. Sem pensar duas vezes comecei a fazer prints daquilo e salvando no computador. Ás 2h21min já estava enviando as fotos e uma edição do vídeo para o meu e-mail, excluí elas do PC e da lixeira, entrei no facebook e vi que o Enri estava online. – Posso não me dar com as pessoas da escola, mas não significa que não as tenho como amigas no facebook, mas todo mundo é assim! A sociedade é hipócrita mesmo, não há uma pessoa que não seja!
Escolhi uma que mais aparecia, digamos que o que eles estavam fazendo, e enviei para ele com uma mensagem.
“Diga a sua querida amiguinha que ela já me devia uma, que agora me deve duas e se não tirar a ideia de eu não jogar mais no time dos Meiressianos essas fotos não só apareceram na mesa do meu pai, no computador da minha mãe, em todos os corredores, armários e salas da escola como na polícia também.
“Quero a resposta antes do término das aulas de hoje, porque amanha tem jogo.”
Não esperei se ele iria responder alguma coisa quando ele visualizou, saí do Facebook, do meu e-mail, apaguei o histórico e desliguei tudo da sala. Ás 02h36min entrei na sala do vigia, larguei o pendrive de volta sem acorda-lo pulei o muro novamente e entrei de volta para a casa do mesmo modo que para sair. Fiquei acordado a noite inteira com um sorriso no rosto, a folha que havia anotado dos outros estudantes amassei e joguei fora, ela não tinha mais a mínima importância para mim, agora eu tinha meu Royal Flush de Straight Flush. Minha flor na manga. A carta que impediria o Patrick de dizer pife! E a qualquer momento eu poderia usá-la. O mundo era doce.
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