A Arte de Ser Eu...
6 Eu posso Encarar?
POV Maya:
James Blunt — Always hate me
Ouvi o que o Enri tinha pra contar e depois de cinco minutos eu já estava com a mochila nas costas e correndo porta a fora, mas desta vez meu “querido amigo” me segurou e disse sussurrando com calma no meu ouvido:
— Calma, seu irmão está de carro e ainda temos tempo não precisa de tudo isso.
Eu entrei em desespero ao imaginar eu entrando na escola e centenas de panfletos jogados pelos corredores e em mãos de alunos que revessavam entre os papeis e a mim. Eu não aguentaria! O Patrick sendo arrastado para fora do colégio com dois policiais que o algemavam não era tanto exagero, mas até o final do ano as pessoas falariam daquele dia, de mais uma aluna que o Thyago brincou e que era mais puta do que todos julgavam. Eu nem gosto de trocar de depiladora para que não tenha várias pessoas que já me viram sem roupa. Se todos da escola me vissem daquele jeito não sei o que faria. Talvez morrer de vergonha. Ao ser enterrada escrevessem em minha lápide: “Aqui jaz a garota que todos viram pelada”.
Não me esqueço de quantos alunos foram expulsos por causa do Thyago e outros que simplesmente saíram do mapa por vergonha do que tinham descoberto que faziam. Não queria ser apenas mais uma nessa lista.
— Não dá, Enri! – disse num sussurro esgotado pelas lágrimas que ainda não escorriam.
— Não chora, não vai querer dar esse gostinho a ele. – eu só afirmei com a cabeça e entrei atrás no carro do meu irmão que entrou e sentou no banco do motorista, mas Enri sentou ao meu lado. Pegou minha mão e a segurou até chegarmos à escola Meiressi. Descemos juntos do carro e entramos juntos, o vigia da manha estava dormindo. Esses seguranças daqui nunca estão acordados, não? Pensei.
Pegamos nossa autorização e seguimos para a secretaria, só não sei o por quê. Ouvi o Guilherme e a Dona Silvia – mulher da secretaria – conversando mais não prestei atenção, minha cabeça estava em outro lugar. Após alguns minutos tocou o sinal, era aula de física, como ontem o Enri já tinha matado ele entrou junto comigo, já o Guilherme ficou na secretaria.
Ao passar pela porta meus olhos encontraram os do Thyago e os deles encontraram os meus, na hora brotou um sorriso de seu rosto e eu agarrei com força a ponta do casaco do ser ao meu lado e ele passou o braço pela minha cintura, virei para cima e ele estava fuzilando o Thy com o olhar, depois de alguns segundos o Patrick começou a chamar a nossa atenção.
— Vocês poderiam se sentar, por favor? – fizemos como o mandado e nem olhei para a cara que o Patrick tinha feito, ele era a última pessoa que me interessava prestar a atenção agora. – Hãm, senhorita Monteiro. – nenhuma resposta. – Senhorita Monteiro?
— Maya! – me cutucou o Enri e eu olhei para frente assustado. – o meu “professor” estava com uma expressão de dúvida no rosto, provavelmente porque eu também estava estranha.
— Sim, professor. – falei no susto.
— O diretor quer falar com você na sala dele.
— Por quê? – perguntei da mesma forma de antes.
— Acho melhor à senhorita ir para saber. – ouvi o Thyago rir e o Patrick o repreender com o olhar.
— Está certo, vou indo então. – me levantei e fui para porta olhando para trás e vendo o Enri balbuciando algumas frases a mim. O que aquele idiota queria me dizer agora?
— Muito engraçado não é senhor Nunes. Quero ver uma coisa engraçada também, a sua prova assinada.
Saí da sala e segui até a secretaria esbarrando no meu irmão que lia sala por sala.
— Maya? Não deveria estar na aula?
— Sim mais o diretor quer falar comigo. E você está fazendo o quê?
— Estou procurando a sala de... – pegou um papel e começou a ler – Geografia com a senhora Oliver.
— Porque você... – nem precisei completar. – Você vai começar a estudar aqui? – falei quase gritando no corredor.
— É o que parece – ele falou como quem não quer nada. – Porque tá indo na diretoria, por favor, não me diga que tem um caso com o diretor também? – ele falou já ficando bravo.
— Claro que não! – Quando ia ficar brava pensei que não deveria. Deve ter sido uma bomba para ele quando o Enri contou, uma coisa desses é necessário tempo para processar... Se bem que não é da conta dele com quem eu transo! — Eu não sei o que ele quer e a sala da senhora Oliver e na terceira porta daqui para lá. – fiz sinal ele agradeceu e foi, enquanto eu dobrei e entrei na secretaria.
— Eu estava aqui há alguns minutos mais só quando fui para a sala me avisaram que o diretor queria falar comigo.
— Ah, sim menina, nem tinha notado que era você o diretor achava que você nem apareceria mais na aula hoje.
— Pois é, longa história... – respondi.
— Pode entrar! – ela falou abrindo duas portas e atrás da segunda estava o pai do Thyago lendo uns papéis.
— Senhor Nunes? – entrei.
— Você é a Maya, não é? Como você cresceu, lembro-me de quando você chegou aqui, sente-se;
— Obrigado, o que o senhor queria.
— Não precise se preocupar você não fez nada de grave... Eu acho – e riu, esse cara é estranho mais eu acho que ele só fez isso porque viu que eu estava nervosa. – Você conhece o meu filho Thyago? Ele é seu colega.
— Oh, sim, conheço.
— Pois é, ele está com certa dificuldade em Física e Matemática e gostaria que você ajudasse ele nessas matérias nos sábados, você poderia?
Fodeu!
— O professor de vocês já havia me informado de suas excelentes notas e se fosse com o próprio professor ele não aprenderia nada, já com uma colega talvez fosse diferente sabe. – assenti. – Então o que me diz?
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Ao voltar para sala de aula notei que o Guilherme não estava mais perambulando pelos corredores, então apenas fiz meu caminho de volta, bati na porta e entrei. A sala estava cheia de duplas espalhadas o que não era muito comum.
— Maya, poderia se juntar ao Thyago? – o Patrick me perguntou. – Assim você já vai se acostumando. – sussurrou e como todas as duplas estavam conversando só uma pessoa poderia ter notado o que não seria nada de mais.
— Pode ser. – Havia duplas como, Felipe “pobre nerd” e Corine “enganadora do pobre nerd”, Enrique “traidor” e Pablo, agora eu e Thyago entre outras.
Sentei ao seu lado, é claro que ele estava sozinho, quem queria ficar perto dele, ele podia não ser feio, mais há garotos maus e garotos Thyago, que sempre ferrava as pessoas, e ninguém queria alguém assim por perto.
— Achei que tinha desistido de me dar uma resposta cara a cara – ele disse olhando para mim com um sorriso na cara.
— Se você não tirar esse sorriso da cara vou falar para o professor que você está me secando.
— Como se ele não fizesse coisas muito piores com você.
— Se ir pras nuvens num prazer inenarrável é algo ruim, okay, você tem razão. Coisas muito piores, sim... — ironizei virando para ele.
— Está bem, fala logo a sua resposta!
— A gente não está em dupla para fazer algum trabalho ou algo de gênero?
— Não, estamos em dupla porque vai ser assim até o final do ano, agora você pode parar de mudar de assunto “professora”?
— Você sabe? – perguntei surpresa.
— Eu sou filho do diretor, ignorante – respondeu com desprezo, claro que ele saberia... -, e para de mudar de assunto!
— Você sabe e não fez merda nenhuma pra impedir isso? Você é mais estúpido do que suspeitava.
— Quais são as alternativas?
— Ou você faz o Patrick sair da minha cola me passar em todas as provas e tirar da cabeça do meu pai que eu mereço ficar sem jogar futebol continuando a me dever duas, ou todos iram saber o que acontece nessa sala toda vez que o sinal toca.
— E como você quer que eu faça isso?
— Não sei nem quero saber, mais meu pai me tirou cinco semanas de jogos e há quinta semana já são as finais, quatro times concorrendo, o time da conta pra chegar entre os dois melhor, mais todo mundo sabe que eu sou o melhor jogador desse colégio, até porque eu... – começou a divagar olhando para o nada e sorrindo.
— Eu estou pouco me lixando pro teu histórico, eu dou um jeito, okay? Mas você tem que prometer guardar isso a sete chaves, a foto e qualquer outra coisa que possa ter...
— Moleza.
— Um mês?
— No máximo três semanas. No máximo! Eu não vou ficar sem jogar todo esse tempo, então agiliza! Tenho que treinar.
Bateu e o Enri pegou minha mochila e me tirou da sala primeiro do que qualquer aluno, do outro lado da porta estava o Guilherme que por não sei que motivo me levantou do chão e ficou me girando e rindo, seu riso era contagiante e fez eu e o Enri rir também. Até que batemos em alguém e ele me largou no chão, ao olhar era o Thyago que fez cara de poucos amigos e se mandou. Era recreio e eu andei na frente com os garotos atrás, foi engraçado, todas as garotas ficavam olhando para o meu irmão, o novato, inclusive Dulce, uma garota do segundo ano avançado que não era de ficar olhando para os garotos estava quase babando no meu irmão.
Como tradição fomos para a senhora Oliver e o Enri apresentou nossa querida árvore ao Guilherme.
— O que o diretor queria? – o Enri perguntou.
— Que eu desse aulas ao Thyago. E que história é essa de duplas e você fazer par com Pablo em vez de comigo.
— O professor fez duplas de acordo com os lugares, eu sento na sua frente e do meu lado o Pablo, você senta atrás e do seu lado o Thyago então.... Não tinha o que fazer. – terminou com uma careta.
— Qual foi a sua resposta? – perguntou meu irmão se fazendo presente no assunto.
— Bom... Foi, hãm. – comecei em bom tom e foi diminuindo e minha resposta final foi um sussurro. – Sim. – Que alternativa eu tinha?
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