– Você está atrasada.

A voz estranha assustou-me, um jato de adrenalina percorreu meu corpo e colocou-me em pé de uma só vez.

– Ei! Relaxe – sorriu Annabeth– Eu não sou um fantasma.

– Você me assustou – tentei respirar fundo.

– E você está mais do que atrasada! O que aconteceu com “te encontro em duas horas”?

– Eu... Eu me distraí e acabei me esquecendo, foi só– tentei forçar um sorriso.

– O que háentre você o Heitor? – sua expressão parecia preocupada.

– Não há nada – minha patética tentativa de mentir.

– Aquilo mais cedo não me pareceu nada.

–Aquilo... Aquilo... Podemos apenas não falar disso. Eu sei que você está só tentando me ajudar mas... – as luzes piscaram novamente.

Estava ficando mais frio que o normal.

Não podia ser. Estava tudo tão bom, tão normal, tão fora da minha realidade.

– Essas malditas luzes! Estavam assim também na Casa Grande. Provavelmente um problema com a energia.

– O que você disse? – rezei para estar errada.

– Problemas com a energia?

– Antes disso...

– As luzes também estavam falhando na Casa Grande – ela parecia confusa.

– Aconteceu algo estranho também? Eu não sei, como ficar frio de repente?

– Sim, mas pode ser por caus...

– Corre! – sai em disparada pela porta.

Isso não poderia estar acontecendo. Não, não e não! Eu tinha que chegar lá antes que qualquer coisa acontecesse.

– Por que nós estamos correndo? – perguntou Annabeth quase sem fôlego.

– Fantasma – disse eu – Luzes piscando, frio repentino... – tentei segurar minhas lágrimas.

– Fantasmas não são exatamente reais Jess! –Annabeth me segurou.

A voz de Heitor ressoou num grito de dor.

– Há 4 meses vocês também não eram – corri o mais rápido que pude.

A entrada principal dava na sala de estar, eles não estavam lá. Cada passo a mais enchia-me de uma mistura de angustia e adrenalina.

– Como isso é possível? – sussurrou Annabeth do jeito mais assustado que eu já ouvira.

– Olhe para mim – me virei para ela – Ferro e sal, não mata, mas nos dá tempo de proteger ok? Assim que encontrarmos os meninos precisamos correr o mais rápido possível para a cozinha e cobrir todas as entradas com sal. Entendido?

Ela apenas concordou com um sinal.

Caminhamos lentamente até a sala de reuniões.

– Aqui – disse Annabeth – Não mata, mas machuca correto? – Disse ela ao me entregar um arpão de lareira.

– Correto – respirei fundo.

Quando chegamos à sala do conselho logo avistei os meninos no canto. Percy empunhava Contra-Corrente em posição de defesa, Heitor logo atrás pressionava o ferimento em seu abdômen... Havia tanto sangue. A menos de um metro a frente estava o espírito vingativo, era pálido e com cabelos loiros sem vida, em seu abdômen havia uma adaga exatamente no lugar onde Heitor estava ferido.

– Não! – Annabeth gritou ao sair correndo.

O espectro se virou.

– Luke?! – sua voz parecia histérica e assustada.

O espectro estava se aproximando, cada vez mais perto. Annabeth foi incapaz de dar mais um passo sequer.

Eu sabia o que iria acontecer. Aproveitei a distração e ataquei o espectro com o arpão, um gritou horripilante cortou o ar e ele desapareceu.

– O que foi isso? – disse Annabeth.

– Para a cozinha – disse rígida – AGORA!

Nenhum deles pensou muito, apenas seguiram minha ordem.

Enquanto caminhávamos pude escutar Heitor gemendo de dor, eu estava tão perturbada que mal conseguia identificar os corredores e o caminho para a cozinha. – Com atenção Jessie – disse a mim mesma – Tudo isso é culpa sua! Recomponha-se e resolva tudo.