Procurei sal por toda parte.

– Droga! – reclamei.

Annabeth levantou-se para me ajudar.

– Aqui – disse ela.

Um grande pote de sal e apenas uma porta. A sorte estava começando a mudar.

Peguei o pote e fiz uma grossa linha em frente à porta fechada.

– Há apenas essa porta? – perguntei.

Percy concordou com apenas um sinal.

Heitor estava sobre a mesa e Annabeth estava tratando de seu ferimento. Suas expressões eram preocupadas e muito, mas muito assustadas.

– Eu já vi mortos-vivos, mas como este... – Percy interrompeu a tensão.

– Como é possível? Luke... Ele... – Annabeth chacoalhou a cabeça para espantar algum pensamento – Jess, como?

Respirei fundo. Meu conto de Fadas acabou.

– Ele não é um morto vivo ou um fantasma qualquer. É um espírito vingativo – olhei para baixo na intenção de ser apenas invisível – Pessoas que morrem antes de terminar certos assuntos podem ficar presas no mundo dos “vivos”.

– Ele prometeu que voltaria – Percy encarou Annabeth por alguns segundos.

– Chega de palhaçada – disse Heitor furioso ao levantar – Quem é você Jessie Millers?

Eu o encarei surpresa.

– Eu sou o guardião deste acampamento e exijo que nos diga tudo! Você sai correndo e de repente sabe coisas de espíritos, tem armas estranhas... Esta é a gota d’água. – sua expressão estava séria como eu nunca havia visto antes.

Contive uma lágrima no canto dos olhos.

– Lis Lakshimi – ‘ O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO?’ (me repreendi mentalmente) – Esse é o meu nome. Eu não menti sobre ser caçadora, mas, menti sobre a caça.

– O que você... – começou Percy.

– Monstros – o interrompi – Mas não mitológicos. Espíritos vingativos, demônios, anjos... E esbarrei em semideuses algumas vezes.

– Você o que? – perguntou Heitor com aqueles grandes olhos me fuzilando como se eu fosse um alvo de tiro.

– Se não era humano, era caça. Não havia filtros – disse olhando em seus olhos.

– Isso não pode ser verdade.

Todos eles me encararam por um longo tempo.

– Você mentiu para nós – disse Heitor enquanto levantava e partia para cima de mim – Mentiu pra mim – seus punhos cerraram ante minha face. Sua expressão corporal estava cheia de fúria, mas seus olhos refletiam uma tristeza sem tamanho.

Lágrimas surgiam entre meus olhos e um nó se instalou em minha garganta.

– Eu vou tirar vocês daqui e não apareço nunca mais – me recompus – Eu nunca quis mentir para nenhum de vocês.

– Você não tem que... – começou Percy.

– Eu tenho sim – me virei para encará-lo – Uma vez que se vive a vida que eu vivi não há como escapar... Minha presença aqui coloca todos vocês em risco.

Heitor riu cínico.

– Não! Sua presença aqui está salvando as nossas vidas no momento – Annabeth disse como se me defendesse de uma corte.

A questão é que a sentença já havia sido dada.

– Eu não posso Annabeth, sinto muito.

Olhei para todos a minha volta.

– Temos que sair daqui – ‘PENSE LIS, PENSE!’ – Annabeth você chamou o espírito pelo nome, o conhecia quando vivo?

Percy e Annabeth trocaram um olhar triste.

– Sim – respondeu ela – Luke, filho de Hermes. A versão curta: ajudou Cronos na tentativa de acabar com o Olimpo e acabou morrendo pela causa.

– E onde o corpo está enterrado?

– Foi cremado como manda o ritual grego – ela suspirou.

– Algum objeto ficou para trás? Algo significativo para ele?

– Acredito que não – disse Annabeth confusa – Por que está perguntando tudo isso?

– Espíritos vingativos geralmente se prendem aos lugares por meio de objetos. Salgue e queime e o espírito terá fim.

– Você Annabeth – disse Percy como quem teve uma epifania – Ele prometeu que voltaria por você, ele... Ele te amava.

– Não ser um objeto é bom, não é? – perguntou Heitor.

– A boa notícia é que sabemos o que mantém o espírito dele aqui... A má notícia é que não dá pra salgar e queimar a Annabeth.

– Pelos Deuses! – exclamou Percy.

– Há outra forma – tentei tranqüilizá-lo – Nunca testei por mim, mas pode ser que funcione. Você tem que libertá-lo Annabeth, dizer que ele está livre e que a missão dele está cumprida.

– Não usaremos ninguém como isca – Heitor se impôs.

– Ótimo! Então morremos todos aqui juntinhos, demais não acha? – disse eu irônica.

– Você acha que está em posição de fazer babaquices como estas? – ele retrucou.

E pela primeira vez eu não tinha resposta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.