Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem? Voltei com uma fanfic fresquinha para vocês. Espero que gostem. A capa linda dessa fanfic foi feita pela Cristabel Fraser. Muito obrigada por isso Bel. :) A postagem será semanal. Enjoy it!

—Senhorita Everdeen? — Chamou a recepcionista loira, magra e muito bem-vestida. — O Senhor Mellark vai recebê-la agora.

Ainda bem. Penso aflita. Demorou menos do que acreditei que demoraria, já que esperei uns poucos minutos.

Me levanto o mais graciosa possível, tentando fortemente não me comparar a loira estonteante ao meu lado, sinto minhas mãos suarem friamente com o nervoso de rever Peeta Mellark, mesmo que propriamente falando ele nunca tenha sido meu amigo, conversamos algumas vezes nos nossos anos de Universidade. Para ser bem sincera, ele era um dos melhores amigos do meu namorado, atualmente ex-noivo Gale Hawthorne.

Então, Peeta e eu acabamos por ter uma relação distante, afinal Gale nunca gostou que eu tivesse amizade com os amigos dele. Principalmente com Peeta Mellark, que era o maior galinha de toda Universidade, o sedutor mais eficaz em suas conquistas e ainda mais frio em seus términos. Um verdadeiro destruidor de corações.

Peeta transou com quase todas as minhas amigas e, pelo menos, um terço da população feminina da Universidade de Panem, me lembro até hoje que seu apelido entre a mulherada apaixonada do campus era McOrgasmo. Minhas colegas diziam que ele era completamente maravilhoso entre os lençóis.

O que não era nada difícil de imaginar, afinal ele sempre foi incrivelmente lindo, até eu reconhecia isso e estava apaixonada e namorando firme com Gale. Peeta sempre teve um jeito de olhar que fazia qualquer pessoa se sentir o centro das atenções completas dele, como se ao receber sua atenção, você misteriosamente se transformasse na pessoa mais importante do mundo para ele. Eu nunca consegui explicar que magnetismo era esse.

Especialmente quando ele me olhava com seus intensos olhos azuis, um azul tão forte quanto as águas de uma praia paradisíaca na Europa, com seu sorriso branco de dentes perfeitamente enfileirados, aquele sorriso de lado, todo largado e prometendo coisas que fazem os joelhos de uma mulher tremer. E o ar de misterio que ele carregava apenas apimentava a imaginação feminina. Ainda me lembro que em nosso tempo na Universidade, Peeta mantinha o seu cabelo loiro ondulado todo bagunçado. Confesso que sempre achei um charme.

E devo dizer que tudo nele era atrativo para uma mulher, dos seus músculos definidos, mas não exagerados, afinal de contas ele foi o capitão do time de luta livre até o seu último ano da Universidade, o seu jeito de andar, de se vestir, tudo nele era atrativo.

E afirmo que no começo, logo quando o conheci, não gostei nem um pouco dele. O achei um sujeito arrogante, sarcástico, todo metido em ser o Senhor Do Mundo, usando todas aquelas garotas e as jogando fora sem pensar duas vezes. Essa atitude devassa me deixava enjoada e não conseguia acreditar que no mundo existiam mulheres que se sujeitavam a correr atrás de um homem assim. É claro que isso mudou alguns meses depois, quando descobri que ele também podia ser um cara até bem bacana e no fundo de todo aquele ser cafajeste existia um homem honrado, que seguia os seus princípios, procurando não enganar ninguém e sendo o mais sincero possível.

Eu ainda não gostava de muitas das suas atitudes, mas respeitava a sua sinceridade e transparência.

É claro que nunca tive a oportunidade de dizer isso para ele, afinal Gale e ele tiveram uma briga enorme por algum motivo desconhecido e antes mesmo de começar uma amizade com Peeta tive que me afastar. Ou seja, nossa amizade morreu antes de começar. E por incrível que pareça, ao contrário das centenas de garotas em seu histórico, Peeta sempre me tratou com respeito. Ele me procurava bastante no Campus, nos fazíamos algumas aulas juntos o que ajudou muito no nosso início de amizade.

Depois da briga que Gale e ele tiveram, Peeta se afastou de vez, parou de me procurar e se manteve sempre distante quando nós nos encontrávamos. O pior foi que Gale e ele se transformaram em verdadeiros inimigos, eu soube de, pelo menos, três grandes brigas deles, Gale nunca me contou qual era o motivo delas, mesmo aparecendo todo machucado e quando fui questionar Peeta, eu o peguei recuperando os seus machucados nos braços de uma morena, literalmente mandando ver na pobre garota, que gemia de forma tão escandalosa que fizeram os meus ouvidos doerem. É claro que depois daquela visão não fiquei e perguntei nada. Acho que essa foi a última vez que tentei uma aproximação.

Peeta mudou todas as aulas que tinha no mesmo horário que eu e continuou a sua vida de mulherengo, isso aconteceu no nosso último ano de Universidade e percebi pelos muitos boatos circulando que sua lista de garotas aumentou significativamente. Algumas vezes o pegava me olhando, porém nunca passou de nada mais do que olhares roubados na cantina ou nos vários corredores do campus.

Gale não queria que eu me aproximasse de seu recém-nomeado inimigo e sendo a sua namorada acabei acatando o seu pedido, Peeta não precisava de mim e eu não tinha nada a perder. Acredito que a grande questão é que Peeta Mellark nunca chegou a ser meu amigo, nós não tínhamos nenhum motivo para tentarmos uma amizade ou qualquer vínculo acadêmico, por isso acabei seguindo a minha vida e esquecendo do mulherengo McOrgasmo da Universidade.

Agora, dois anos depois do término da minha graduação aqui estou eu ao entrar no escritório de Peeta Mellark, com meu coração trovejando dentro do peito, batendo mais rápido que um martelo, agora Gale não é mais meu noivo e eu tenho um favor a pedir para o Peeta.

Quando piso os meus pés dentro de seu escritório a primeira coisa em que ponho os meus olhos é nas pinturas maravilhosas dispostas nas paredes brancas gelo. São pinturas de tirar o fôlego, todas queimando em tonalidades vibrantes, mostrando paisagens e pessoas de forma realista e levemente abstratas, eu tinha a leve impressão de que a qualquer momento um dos quadros apenas criaria vida e eu seria sugada para um mundo de fantasia.

A que mais me interessou foi a de uma mulher pintada de forma levemente abstrata, as cores do quadro eram um colírio para os meus olhos e tenho ciência que nunca entendi muita coisa de arte, mas até eu sabia que aquilo era arte de primeira classe, a mulher me olhava com seus olhos cinzentos gritando em um fundo pérola, preto e vermelho, o seu rosto não era bem visível por estar escondido por um longo cabelo castanho escuro intenso, que quase eram pretos, os lábios rosados e brilhantes da modelo também estavam levemente abertos, como se ela estivesse prestes a falar alguma coisa.

Mas, o chocante mesmo estava na expressão de prazer e expectativa visíveis na expressão da mulher do quadro. Eu tinha certeza apenas olhando para o quadro, que ela estava esperando alguma coisa, ou prestes a implorar por algo muito sensual e primitivo. Acabei por me sentir ansiosa e ofegante ao olhar para o quadro.

Essa mulher, posso jurar que já vi essa mulher em algum lugar.

— Esse também é meu preferido. — Me assusto ao ouvir uma voz rouca logo atrás de mim o que acaba por me tirar dos meus devaneios. Eu consegui controlar o meu sobressalto bem em tempo de não passar uma vergonha excessiva ou sair de meus saltos alto. Assim que me virei pude encarar um par de olhos incrivelmente azuis. — Desculpe, eu não queria te assustar.

E logo em seguida Peeta da mais uma olhada no quadro que eu estava admirando. Em um primeiro momento posso ver o quanto ele mudou nesses dois anos após o término da Universidade, o garoto sensual agora se tornou um homem de tirar o fôlego.

Seus cabelos ondulados desapareceram o que foi um pequeno choque para mim, não posso deixar de admitir que secretamente adorava a ondulação loira dos seus cabelos. Agora ele os mantinha quase que inteiramente cortados, faltou bem pouco para ser raspados.

— Os olhos foram os mais demorados de se pintar, pois queria que eles ficassem perfeitos, então levei semanas para conseguir as tonalidades exatas, mas o que deu mais trabalho foi a cor do cabelo. — Disse ele ainda encarando a pintura a sua frente, mantendo sempre uma expressão séria e focada em seu rosto.- Lembro que passei vários dias misturando tintas para chegar nessa tonalidade, fiquei obsessivo com isso e não descansei até conseguir a tonalidade exata.

De repente os seus olhos deixam a pintura e me encaram, no mesmo momento senti o meu corpo reagir e aquecer, não sei bem o que aconteceu, mas sei que segurei levemente a minha respiração. Seus olhos azuis passaram pelo meu rosto e pelos meus cabelos que nesse dia estavam soltos, voltando logo depois para os meus olhos.

— Estou feliz em saber que consegui atingir a cor exata. — Sua voz rouca viajou para dentro do meu corpo, me acordando do estupor. Eu não sabia do que ele estava falando, mas seja quem for que ele pintou, ele fez isso muito bem.

— Você deve tê-la amado. — Ouço a minha voz dizer e não sei de onde isso surgiu. Acho que estou apenas surpresa em saber que foi ele que fez essa pintura maravilhosa.

Peeta voltou a encarar a pintura presa na parede e posso jurar que quase ouvi um pequeno suspiro atormentado saindo de seu peito.

— É bom ver você novamente, Katniss. — Ele me diz logo em seguida ao ignorante totalmente o meu comentário anterior, e não demora nada para voltar a me encarar com o seu melhor sorriso. Seus olhos azuis se encheram de algo grande, mas o sentimento sumiu tão rápido quanto surgiu, o que me impossibilitou de decifrá-lo.

Não pude deixar de sorrir de volta para ele.

— Também é bom te ver novamente, sinto muito por não marcar nenhum horário, estou atrapalhando muito o seu dia? — Começo a tagarelar e me odeio por isso. Quando estou nervosa tendo a falar sem parar sobre qualquer coisa.

— Você não me atrapalharia em nada, mas estou surpreso por ver você mais uma vez. — Afirma ele ao se virar e me levar gentilmente por seu escritório, logo me sento em uma cadeira de couro confortável e ele se senta em uma outra cadeira ao meu lado. — Estou curioso Katniss, por que você está me procurando?

Bom, e é essa a principal pergunta, a pergunta que faz o meu coração disparar e minhas mãos suarem. Peeta Mellark é e sempre foi o maior conquistador que conheço. E não o estou julgando nem nada disso, esse é um fato. O que quero dizer é que, mesmo depois da Universidade terminar, eu ainda ficava sabendo de algumas coisas sobre a vida dele, afinal ele se tornou rico e os ricos tendem a ser famosos, principalmente os lindamente conquistadores e talentosos iguais a Peeta Mellark. Então não é estranho que seu nome apareça de vez em quando em algum tabloide de fofoca.

Peeta abriu o seu caminho no ramo da arte. Hoje em dia ele possui algumas galerias bem importantes, os tabloides especulam o quanto ele deve ser rico e todos dizem que ele também mantém alguns investimentos significativos no ramo imobiliário. Ou seja, um homem bonito, rico e com uma vida amorosa bem cheia. As mulheres continuam a passar por sua vida uma atrás da outra. Nisso ele não mudou em nada.

— É complicado. — Digo ao encará-lo e tenho que jogar o meu cabelo para o lado, já que as mechas estavam me incomodando um pouco, nesse momento vejo que Peeta acompanha os meus movimentos com olhos atentos, é muito rápido, mas consegui pegar isso. — Sei que não nós falamos a muitos anos, ainda assim tenho algo para pedir, um favor.

— Você precisa de dinheiro? — Ele pergunta ao cruzar os braços, sua expressão fica séria ao me encarar, seus olhos parecem preocupados, mas Peeta sempre foi ótimo em esconder os seus verdadeiros sentimentos.

— Oh não, não é nada disso. — Me apresso em dizer, não preciso de dinheiro. Ganho o suficiente para me sustentar e tenho uma vida financeira estável e segura. Eu não vim aqui pedir dinheiro, quero um outro favor, algo mais íntimo e constrangedor.

Sinto o meu orgulho queimar dentro de mim com o que tenho que pedir, mas ele é o único que pode me ajudar, o único maluco o suficiente para me ajudar sem tirar proveito disso, alguém seguro o suficiente para eu arriscar pedir isso e não posso deixar de lado o fato de Peeta ser o melhor no que preciso dele.

— Eu sou secretária executiva da presidência no Norths and Credits, não preciso de dinheiro, eu necessito de sua ajuda em outra coisa e sei que vai parecer muito estranho, mas também sei que você é o único que pode me ajudar nesse caso. — Começo a explicar assim que vejo uma expressão confusa tomar o seu rosto, sei que estou ficando corada ao encará-lo e isso não me agrada em nada, detesto isso, eu não consigo controlar a minha vergonha e ela transparece perfeitamente na minha face.

— Você me deixou curioso. — O escuto dizer ao sorrir e esse sorriso acaba por queimar profundamente dentro de mim. — Eu sou o único que pode te ajudar, e no que séria isso?

— Eu preciso que você ajude, não, não é isso…eu preciso que você me ensine a ser mais…— Paro imediatamente ao sentir as palavras travarem em minha garganta. Isso é tão constrangedor, ele vai me achar uma fracassada depois do que eu dizer, é isso que vai acontecer. E tudo isso é culpa de Gale Hawthorne, aquele cretino traidor.

Maldito seja o desgraçado. Penso ao sentir meu coração queimar em revolta. Entretanto, eu vou me vingar dele, juro que vou.

— Eu quero que você me ensine a ser igual a você. — Enfim despejo as palavras. Sinto o meu rosto queimar e sei que estou completamente vermelha agora, ainda assim tento manter um pouco de dignidade ao continuar a encará-lo.

— Igual a mim? — Peeta pergunta de forma confusa depois de sorrir. — E como isso séria? Eu não entendi.

Ele vai me fazer explicar tudo de forma minuciosa, eu não acredito nisso, sinto vontade de pedir desculpas, pedir para ele esquecer isso e ir embora o mais rápido possível.

— Bom, sei que você continua solteiro, na verdade fiquei sabendo disso através das revistas de fofoca da minha amiga Johanna, não que eu fique lendo muitas revistas de fofocas, longe disso, eu apenas dou uma espiadinha de vez em quando. — Começo a enrolar e vejo que Peeta nota o meu nervosismo, mas antes que eu possa me envergonhar ainda mais decido parar de falar, e me concentro em não parecer igual a uma enlouquecida, quando sinto que estou no meu estado normal respiro fundo tentando voltar para o tema principal. — Bom, o que quis dizer é que você tem uma legião de mulheres enlouquecidas atrás de você.- Tento explicar e tudo acaba ainda mais confuso do que antes.

— Katniss, você quer uma multidão de mulheres enlouquecidas atrás de você? — Ele me pergunta ao tentar conter uma risada, dá para ver em seus olhos azuis o quanto ele está se segurando para não gargalhar.

— Não, é claro que não quero isso, não quero mulheres atrás de mim.- Respondo ao encará-lo.

— Então? — Peeta diz ao me olhar atentamente. — Eu não estou entendendo Katniss, qual é a ajuda que você precisa?

Mais uma vez tenho que respirar profundamente algumas vezes antes que consiga olhá-lo novamente. É agora, a hora da verdade.

— Eu quero que você me ensine a ser sedutora. Preciso que você me ensine sexualmente. — Digo sem rodeios nenhum e sou recompensada pela primeira vez ao admirar a sua expressão petrificada em completo choque.

Acho que nunca o vi petrificado de choque antes de hoje, seria cômico se o meu pedido não fosse absurdamente verdadeiro. Ele é o maior mulherengo dessa cidade, o McOrgasmo da mulherada. Se existe uma pessoa que entende de sexo e satisfação plena, sexualmente falando, esse alguém é Peeta Mellark e preciso de seus conhecimentos para acabar com a confiança do meu ex-noivo Gale, aquele bastardo traidor.

Peeta não demora muito em sair do seu breve estado de estupor e fico sem ar ao notar o jeito em que ele me olha depois da minha declaração, quase posso sentir na minha pele uma nuvem de hormônios saindo dele.

— Você quer que eu te ensine a ser sedutora? — Ele me pergunta, sua voz rouca arranhando cada palavra. Eu afirmo com a minha cabeça, sei que devo parecer um tomate de tão vermelha de vergonha, mas fico contente por ele ter entendido. — Você quer transar comigo?

— O que? — Digo rapidamente ao me assustar com sua pergunta final. — Não. Eu não disse isso. Eu preciso que você me ensine a parte teórica, sabe, uma ou duas aulas, vou trazer um caderno e você vai me dizer o que fazer para ser a melhor nisso.

Peeta me encara durante alguns segundos e depois ri.

— Gale não pode te ajudar nisso? — Ele me questiona já mais sério.

— Nós terminamos. — Retruco secamente tentando evitar os piores detalhes. — Quer dizer, eu terminei com ele.

A expressão de Peeta não se altera nenhum pouco com o que digo, ele apenas continua me encarando muito intensamente.

— Eu soube que vocês iam se casar no final do próximo mês. — Fala ele ainda mantendo seu ar austero. E o que Peeta diz é verdade, Gale e eu estávamos de casamento marcado.

— Eu sei, também pensei isso, acredite, os convites foram enviados, o vestido de noiva comprado, a festa já estava paga e tudo o mais. — Resmungo e sei que ele espera mais explicação do que estou dando a ele. — Porém, o peguei me traindo com Madge a duas semanas atrás, eles estavam no nosso apartamento, na nossa cama. Eu nunca desconfiei que ele me traia e o bastardo traidor ainda teve coragem de dizer que tudo era culpa minha, que eu era a culpada pela traição dele e me culpou de ser fria na cama, que eu não entendia nada de sexo, que não sabia ser sedutora e sabe o que foi o pior? É que ele disse tudo isso enquanto Madge ainda estava em nosso apartamento.

Tive que respirar profundamente para conter a indignação dentro de mim. Eu nem conseguia olhar para Peeta enquanto contava para ele a minha completa desgraça amorosa.

— Ele teve a coragem de me dizer isso enquanto a vagabunda ainda estava na minha cama. Sabe o quanto é humilhante ter que ouvir que não sou boa de cama quanto o desgraçado nunca foi capaz de me dar um único orgasmo sequer em todo o tempo em que estávamos juntos? — Acabado desabafando. — É lógico que terminei com ele, eu nunca ficaria com um traidor e não seria capaz de continuar com o casamento depois do que ele me fez, não sou o tipo de mulher que aceitaria esse tipo de coisa.

Foi uma tortura contar isso a Peeta e de certa forma, lá no fundo foi até um alívio, não entendo porque tive essa sensação, mas sei que Peeta não vai me julgar ou rri da minha desgraça.

— Ele disse que você não era sedutora? E você acreditou nele? — Peeta me pergunta e sem nem esperar uma resposta minha, ele continua com o seu pensamento. — Gale é um idiota, ainda mais idiota do que eu sempre soube que ele era.

— Eu sei Peeta, agora sei o que ele é. Mas, não vou deixar isso barato. Vou provar para ele que não sou uma mulher fria. — Afirmo com o máximo de dignidade que consigo.

— E eu vou te ajudar no que? — Peeta pergunta de forma um pouco mais fria.

— Bom, você tem um vasto conhecimento na área da sedução e eu pensei que você podia me ajudar com a teoria em si, o que falar, como andar e olhar, eu quero aprender a satisfazer um homem completamente na cama, é claro que de forma bem discreta, afinal não sou uma exibicionista. — Digo olhando para ele, minhas bochechas queimam novamente.

— E depois que você conseguir todo esse conhecimento, o que você vai fazer com ele? — Peeta me pergunta ainda mais friamente dessa vez.

— Ainda não pensei nisso, talvez eu dê para o bastardo uma noite que ele nunca vai esquecer, só para vê-lo rastejar aos meus pés e engolir tudo o que disse. Ou apenas encontre alguém para testar tudo isso, eu ainda não sei. — Falo o mais sinceramente possível. Minha cabeça esta uma bagunça depois de tudo o que passei nessas últimas três semanas após o meu termino com Gale.

O desgraçado ainda me liga toda noite e isso é incrivelmente irritante.

— Deixe-me ver se entendi corretamente. — Diz Peeta ao se levantar de onde estava sentado e dar a volta em sua grande escrivaninha, seus olhos presos em mim o tempo todo. — Você quer que eu te ensine a ser sedutora e saber tudo o que um homem gosta no sexo, para depois voltar e usar os seus conhecimentos no homem que te traiu e disse que você era fria. E tudo isso em segredo?

— Bom, não é bem isso, mas, no fundo, acho que é isso. Você vai ser meu professor? — Pergunto ao segurar fortemente a bolsa preta que carrego comigo. Sinto a minha respiração presa dentro dos pulmões, não posso conter a minha expectativa.

— Não, eu não vou. — Peeta me diz, sua voz esta fria e seus olhos queimando de indignação. — Você está fazendo errado se quer se vingar assim, ele não vai se importar Katniss, o filho da puta não se importa com ninguém a não ser ele mesmo.

Suas palavras são verdadeiras, hoje mais do que nunca eu sei disso. Ainda assim não deixam de ser um tapa na face da minha empolgação.

— Você já teve o seu orgulho pisado, Peeta? — Questiono ao tentar controlar a minha raiva, entendo tudo isso que ele me disse, mas não vou desistir de provar que não sou uma mulher fria na cama, que sei ser sedutora.

— Sim, eu já tive. E é por isso que não vou ser o seu professor, por isso apenas volte para o seu trabalho, esqueça que alguma vez você se relacionou com o lixo Hawthorne e viva a sua vida, acredite você não precisa aprender a ser sedutora, você é e sempre foi uma mulher sedutora. — Peeta me diz ao me encarar carrancudo.

— Não posso esquecer isso. — As palavras saem dos meus lábios mais rispidamente do que eu pretendia. — Teve um tempo em que acreditei que você e eu eramos amigos, ou quase fomos, e sei que tudo mudou, mas pelo visto eu estava errada sobre tudo. Desculpe o incomodo por hoje e por achar que você pudesse me ajudar, mas não vou desistir de aprender isso, você não pode ou não quer me ensinar e eu entendo, sou uma estranha entrando no seu escritório e pedindo por algo maluco, porém vou continuar com minha busca. — Explico ao reunir o pouco de dignidade que ainda me resta e me levantando de onde estava sentada. — Adeus Peeta, e obrigada por ter me recebido.

Sem demora saio do seu escritório o mais rápido que meus saltos me permitem, ainda o escuto chamar o meu nome, mas não volto atrás. Não vou permitir que o mulherengo mais cobiçado da cidade me humilhe ainda mais ou devo dizer que eu mesmo trouxe a minha humilhação. Acho que isso é o mais certo. Me sinto tão patética nesse momento que é difícil controlar as lágrimas.

Gale tem razão, sou patética, patética e patética.

Agora que o meu plano “A” foi para o inferno, tenho que achar um outro jeito de aprender a ser sedutora e boa de cama. Será que existe algum curso sobre isso? Talvez um Workshop, ou uma palestra.

Algum clube sensual? A ideia é arrepiante, entretanto existem alguns que posso passar a frequentar. Mesmo que isso nunca tenha sido a minha praia. Não sou uma mulher de fetiches estranhos.

Imediatamente fico ainda mais emburrada ao saber que Johanna riria uma vida inteira se eu pedisse ajuda para ela, minha melhor amiga também é uma namoradeira e quero alguém mais discreto sobre toda essa maluquice. Não quero espalhar para o mundo inteiro que sou fria e não sei fazer amor. Isso é tão humilhante. Aquele maldito desgraçado, eu sabia que o nosso relacionamento não estava indo bem e para ser bem sincera, já sabia disso faz um tempo, ainda assim nunca desconfiei que ele estava metido entre as pernas de uma amiga minha.

Quer dizer, ele nunca me deu um orgasmo, porém conseguia fazer isso eu mesma quando estava sozinha, sei que orgasmos não são tudo em uma relação. Eu mal posso acreditar que cedi tantos anos da minha vida em um relacionamento com alguém que é um completo idiota, cretino e traidor.

O dia de hoje foi um completo desastre, eu nem sei porque tive a ilusão que Peeta me ajudaria, nós dois não nos falamos a exatos dois anos. E por todos os santos do céu, principalmente a santa padroeira da calcinha molhada, Peeta está mais lindo do que na nossa época de Universidade.

Entretanto, não posso ficar pensando no que não pertence ao meu destino, se ele não vai me ajudar, tenho que achar quem vai. Só sei de uma coisa, Gale vai pagar pelo que me fez, se ele está sofrendo agora dizendo que está arrependido do que me fez e do que falou, imagina quando ele descobrir que me tornei uma sereia do sexo.

Com esses pensamentos em mente, saio da galeria Mellark de Arte Moderna e vou até a avenida, rapidamente atravesso a calçada e aceno para o primeiro táxi que aparecer. Não demoro em ser atendida por um motorista solicito e antes de entrar no veículo amarelo, ainda dou uma boa olhada na fachada da galeria moderna o que me faz suspirar de modo infeliz.

E com tristeza que admito que vir aqui foi uma perda de tempo, mas, pelo menos, posso dizer que tentei. Agora tenho que encontrar uma outra forma de conseguir aquilo que desejo.

Sem mais demora, entro no táxi e dou o endereço do escritório onde trabalho. Ainda tenho um dia inteiro de trabalho pela frente. Tenho que pensar que mesmo com a recusa de Peeta, não vou me desanimar. Sei que vou conseguir alguém para me ensinar o que preciso saber e vou me tornar uma grande sedutora.

Notas finais
Gostaram? Por favor, comentem!!!!