Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem? Primeiramente, gostaria de agradecer todo o carinho que recebi com esse novo projeto. Também quero dedicar esse capitulo a algumas pessoas. Izzy Salvatore, katyyxliss, Paulinha, jessi, Jadegabiii, Luu Carpenter, Dislecsica, StelaHutch e a Georgia S. Muito obrigada por favoritar a minha fanfic. Vocês não sabem o quanto isso me faz bem, o quanto ter esse reconhecimento é importante para uma autora iniciante. Vocês motivam o meu trabalho e sou muito grata por isso. Esse novo capítulo era para ser bem maior do que é agora, mas passei por um bloqueio bem grande nessa última semana, então decidi que para manter a qualidade do capítulo seria melhor que ele fosse dividido em duas partes. A narrativa fluirá melhor dessa forma. Espero que vocês apreciem. A Aprendiz do Desejo será exclusivamente no POV da Katniss, esse e o próximo capítulo serão (até o momento) os únicos capítulos POV Peeta. Queria agradecer aos comentários, vocês me emocionaram muito. Ainda não consegui responder todos, mas estou trabalhando para isso acontecer. Vamos para a leitura? Enjoy it! ♥

Peeta

4 Anos Atrás

***

— Vai, vai, vai, vai! — Escuto a multidão enlouquecida clamar, enquanto algum desconhecido idiota está equilibrado de ponta cabeça bebendo cerveja de um galão enorme.

Os gritos enlouquecidos da multidão me fazem rir da estupides de todos ali. Nessa fraternidade todos tem maturidade de colegiais, e ficam piores ainda quando estão em festa e alcoolizados.

Tudo o que eu não queria era estar aqui. Queria estar no quarto de dormitório de uma certa morena que eu vi aqui no campus. Não a conheço, não sei o seu nome, mas sei que a quero. Os seus longos cabelos castanhos foram a primeira coisa que me chamou a atenção. A tonalidade é tão forte e tão única que tiraram o meu fôlego.

Eu a vi tão rapidamente que apenas pude admirar de longe os traços delicados do seu rosto e seu corpo escultural. Ela estava vestindo um vestido de tecido suave na cor azul-marinho. Sua pele cremosa ficou iluminada pela cor do tecido. E quase salivei ao perceber que aquela mulher tinha as curvas feitas para uma foda dura. Com suas pernas longas, quadril redondo e uma cintura fina. Seria um sacrilégio levar uma mulher dessas para cama e ter uma rapidinha com ela, mesmo encarando-a de longe eu sabia que quando ela estivesse comigo, eu levaria um tempo apropriado apenas a provando, fazendo gemer e implorar.

Pensar na minha morena me deixou duro durante todo o dia. Eu quero saber quem ela é. Quero-a ao meu lado, talvez por ela eu pudesse ceder mais do que uma foda, talvez pudesse me divertir alguns dias.

Acabei me distraindo com meu amigo Cato e em um piscar de olhos a morena tinha desaparecido. E é claro que perdê-la de vista me deixou ansioso, o tipo de ansiedade que nunca tinha sentido antes. Foi um aperto tão forte no meu peito que prendi fortemente a minha respiração dentro dos pulmões.

Até mesmo sai andando pelo campus procurando a misteriosa morena e não a encontrei em lugar nenhum, ela poderia ser uma visitante de outra Universidade ou uma nova aluna. Estudo nessa Universidade a dois anos e não me lembro de tê-la visto por aqui. Passei o dia todo torcendo para ela ser uma nova aluna e não somente uma visitante.

Ter sangue novo nesses corredores vai me fazer muito bem, estou um pouco cansado de todas essas adolescentes que acabaram de sair do colegial ou dessas estudantes siliconadas de fraternidade que acreditam poder me domar. Não entendo porque elas ainda mantém a esperança. Não sou o tipo de homem para uma relação séria.

E não, não tenho um passado triste com alguma garota que quebrou o meu coração e me fez o que sou hoje. Nunca tive problemas com relacionamentos pois nunca estive tanto tempo com alguém.

Gosto de me divertir e deixo isso bem claro para todas as mulheres que entram na minha vida, deixo bem claro as minhas expectativas e não iludo ninguém prometendo coisas que certamente não vou cumprir.

Isso me rende muitas mulheres disponíveis, mas também acabo por enfrentar uma ou duas histéricas pelo caminho.

Gosto que as coisas aconteçam a minha maneira, tenho regras claras em relação ao sexo feminino, por exemplo nunca transo com uma menor de idade, todo o sexo que tenho é consensual e deixo bem claro o que quero. Se existem as iludidas Disney que acreditam em conto de fadas e que podem me dobrar para ficar com elas, esse não é um problema meu.

Faço mais o tipo de lobo solitário e gosto que as coisas sigam assim. Não quero me apaixonar e nem fingir interesse em ninguém.

E tenho que admitir que a maioria das mulheres são tão previsíveis que já sei onde muita coisa vai acabar, antes mesmo de dar o primeiro passo.

Elas mexem em seus cabelos e empinam a suas bundas a seios quando querem ser notadas por mim. E posso dizer que toda essa atenção é até lisonjeira. Algumas vezes irritante, mas na maioria das vezes é apenas incrível.

A mulherada tem algum apelido ridículo para me descrever, algo como Orgasmático ou alguma bobagem parecida. Tenho uma reputação que levei um tempo para conseguir, sou muito orgulhoso dela.

O corpo feminino é um mistério que adoro descobrir e revelar. Nada me dá mais prazer do que estar profundamente enfiado em um corpo feminino, não posso negar os prazeres da carne, sexo é muito importante, ainda mais sexo bem-feito, uma transa daquelas de te deixar tonto, ofegante e suado.

E sou ótimo em dar orgasmos, é uma espécie de fetiche meu. Ao contrário de algumas pessoas que conheço que gostam de transar com outras pessoas vendo, ou até mesmo ser amordaçadas e espancadas na transa, o que eu não julgo afinal cada um tem o direito de aproveitar o prazer da forma que for, na minha concepção se o sexo não envolve crianças, animais e sendo consensual, não sou de julgar ninguém. Eu apenas não participo do grupo de feticheiros, o único grande fetiche que tenho é de ver uma mulher gozar até se perder em si mesma, sexo oral também é um fraco meu.

Ao contrário de muitos homens que exigem receber sexo oral, eu gosto mesmo é de dar isso para as minhas parceiras mais seletas. Aquelas mulheres que não posso resistir de forma alguma. Provar o sexo delas com a minha boca até que elas culminem de prazer, é uma sensação grandiosa. Me sinto um rei ao conseguir que uma mulher goze na minha boca.

Existem muitos meios de dar prazer para uma mulher, então não fico apenas no básico. Sorte minha que a maioria dos homens são inaptos na cama, brutamontes sem cérebro que não se importam com o prazer feminino e se gabam por ai dizendo ser os melhores. É deles que gosto de roubar as garotas e mostrar para elas o que é ter um verdadeiro homem entre as suas pernas.

O ruim é que tenho tanta abundância de mulheres que nem tenho mais o prazer de ir a caça. Homens em sua essência são seres primitivos que em seu mais íntimo anseiam por caçar, conquistar e se esbaldar em suas posses. Muitos babacas não sabem lidar com isso e sempre fazem besteira pelo mundo, subjugando mulheres e as forçando a submissão.

O que esses tolos não sabem é que as melhores mulheres não são submissas e um homem de verdade não subjuga a sua parceira. Ele entende que mulheres são criaturas magníficas e fortes, e faz todo o possível para ver a mulher em seus braços desabrochar.

Tenho que rir quando noto que estou filosofando internamente. Um hábito de criança que nunca consegui deixar de lado.

Sem prestar muita atenção passeio pelos corredores abarrotados de estudantes, sinto mãos passarem pelo meu corpo, mas existem tantas mulheres reunidas nessa noite que não consigo identificar quem foi que me fez o agrado.

Algumas me chamam para conversar ou tentam puxar papo com algum assunto que não tenho interesse. Do outro lado da sala vejo os meus companheiros de equipe de luta reunidos em um grande sofá. Cada um tem uma mulher diferente em seu colo, em um olhar rápido tenho certeza que já transei com duas delas.

Cato mal participa da conversa, pois está com seus olhos grudados no decote da garota sentada em seu colo. Uma loira siliconada e com um bronzeado artificial tão forte que sua cor é alaranjada.

Já meu primo Finnick Odair mantém uma morena em seus braços, ambos sorriem um para o outro, mas sei que meu amigo não a leva a sério nem por um segundo. O pobre coitado é secretamente apaixonado por uma mulher que o detesta.

E Gale também mantém uma morena em seu colo, uma de suas mãos estão por dentro do vestido da moça, e ele sussurra alguma coisa em seu ouvido. A pobre coitada está muito envergonhada ou excitada, seu rosto está de um vermelho intenso e seus olhos brilham de forma desfocada.

Bêbada. Penso ao encará-la.

As vezes penso que Gale não tem escrúpulos nenhum para escolher uma mulher. E essa é a qual da semana, a terceira, quinta?

De todos presentes, ele é o único que tem uma namorada, não que algum dia eu já tenha visto a chifruda. Essa criatura tem mais chifres na cabeça do que há estrelas no céu. Não consigo entender porque se assumir sério com uma mulher que você não pretende respeitar.

E esse é um dos principais motivos porque continuo solteiro. Monogamia não é para mim, gosto de mais de mulheres para me prender em apenas uma. Veja só o caso de Finnick, que praticamente rasteja por uma mulher que não tem nenhum interesse nele. Relacionamentos e amor são coisas deprimentes.

Ainda bem que sou esperto demais para cair nessas ciladas.

— Peeta. — Me cumprimenta Finnick ao sorrir de forma sacana. — Ainda sem nenhum rabo de saia grudado em você? Está com febre, primo?

O seu cumprimento ridículo acaba por chamar a atenção dos meus outros amigos.

— Hoje não vai acontecer. — Retruco para eles. Mantenho um tom de voz despreocupado. Mas quando fecho os meus olhos, sou invadido por imagens de um cabelo logo castanho, e curvas sedutoras de uma mulher em vestido azul.

Lembrar da minha morena misteriosa continua a fazer meu sangue ferver dentro das veias.

— Sem essa, Mellark. — Escuto Cato rir. — Qual o problema, já comeu todas dentro dessa sala e não quer repetir? Olha só aquela loira ali atrás encarando a sua bunda. Ela te daria sem você nem precisar pedir.

Sem muito curiosidade me viro e encaro uma loira também siliconada que estava usando um vestido preto tão curto que eu conseguia ver a sua calcinha quase que nitidamente. Assim que meus olhos pousaram nela a vi passar as mãos pelo cabelo curto e se empinar um pouco.

Já vi isso antes. Foi o que pensei, ao me virar e de modo imediato esquecer a aparência da loira.

Não quero loira nenhuma. Quero uma morena de pernas longas e cintura fina. Me sinto cada vez mais irritado por tê-la perdido de vista.

— Não me interessa nem um pouco. — Digo aos meus amigos me referindo da loira, depois acabo suspirando cansado. — Eu encontrei uma mulher hoje, acho que é uma aluna nova, eu não sei com certeza, mas ela era tão gostosa que não sai da minha cabeça.

— Eu soube que houve algumas transferências. A sua namorada não chegava hoje aqui na Universidade, Gale? — Finnick o questiona. Gale está muito ocupado masturbando a menina em seu colo para notar a pergunta. Por isso Finnick tem que repetir a pergunta, dessa vez depois de dar uma cotovelada no grandão.

— Ela não vem hoje, vai aparecer por aqui amanhã ou depois. — Ele responde de forma mais brusca. Sua mão continua a se mover por debaixo do vestido da garota em seu colo, e não posso deixar de desaprovar sua atitude, ele a está expondo no meio dessa sala lotada com essa festa de fraternidade acontecendo.

— Por que é mesmo que você tem uma namorada? — Pergunto ao encará-lo.

— Porque ela é a melhor e somos amigos de infância. — Ele me responde ao continuar suas investidas na garota em seu colo, a moça nem pode mais conter seus gemidos fracos.

— Dá para ver o quanto você a ama. — Retruca Cato ao gargalhar.

— O que os olhos não veem o coração não sente. Eu não trocaria minha Catnip por nenhuma boceta no mundo. — Gale fala ao continuar seu ataque erótico na mulher que já esconde o rosto me seu pescoço e geme mais entregue.

— Pelo amor de deus, Gale vá para um quarto e coma essa mulher de uma vez. Essa cena erótica gratuita está me deixando enjoada. — Somos interrompidos quando Glimmer aparece em nosso grupo.

Ao contrário das muitas mulheres presentes, ela não veste nenhum vestido curto provocante, apenas um short jeans e uma camiseta preta, os seus cabelos loiros são bem curtos e ela mantém uma maquiagem suave.

— Glim. — A cumprimento com um sorriso no rosto.

Glimmer é a melhor amiga que um homem pode ter, nenhuma mulher é tão sincera e autêntica quanto ela.

— Quando é que você vai largar aquele brutamonte do Thresh e me dar uma oportunidade de te amar? — Escutamos Finnick dizer com sua melhor interpretação de homem apaixonado. Até a morena em seu colo participa das risadas.

— Como é que Annie Cresta está? — Retruca Glimmer com um sorriso malvado na face. Imediatamente a expressão despreocupada de Finnick vai embora de sua face.

— Pegou pesado Glim. — Digo para a minha amiga.

— Eu sempre pego e por isso que vocês me amam. E Finn você sabe que a culpa pela ruivinha te odiar é inteiramente sua, então desfaça já essa carinha de cãozinho que foi chutado.

— Brenda, vai pegar uma cerveja e dançar, depois nos encontramos. — Finnick diz para a moça em seu colo, já a empurrando para ficar de pé.

A morena chamada Brenda o olha indignada e se afasta resmungando.

— Você sabe muito bem que Annie não me deixa chegar perto dela, você falou com ela, não falou? Glim, como ela está? — Finnick nem espera que Brenda saia completamento do nosso círculo para questionar a nossa amiga.

— Annie está ótima Finn, e ainda não quer falar com você, então desapega meu amigo. — Glimmer diz para Finnick e depois volta a sua atenção para Gale e a mulher ainda gemendo em seu colo. — Eu juro por deus, Gale, que se você não acabar com isso imediatamente eu jogo a minha cerveja barata em você. Agora mesmo. Vou começar a contar, um, dois, três…

— Já sei, Glim. Não sei como o Thresh te aguenta. Você precisa transar mais. — E no mesmo instante, com Glimmer ainda contando até dez e com um copo cheio de cerveja nas mãos o olhando de forma feroz. Sem esperar por uma chuva de cerveja fedorenta, ele tira a mão de dentro do vestido da morena em seus braços, fica em pé a segurando pelas mãos e a força a segui-lo.

Glimmer se joga no lugar onde ele estava sentado anteriormente e olha para todos nós com um sorriso todo largado.

— Quero deixar claro que tenho muita pena da namorada desse idiota. Também que Thresh tem um pau grande e me come muito bem. — Sua declaração despreocupada me faz rir.

— Está rindo do que loirinho? Já pegou sífiles essa semana? Eu estou te falando, esse montão de mulher que você leva para a cama um dia vai te fazer mal. — Ela me diz ao sorrir. — Você vai ter, sei lá, câimbra no pau ou gonorreia, eu sei lá.

Tenho que gargalhar com o comentário de Glimmer, nem me preocupo em responder, sei que ela está sendo apenas malvada. Uma das minhas politicas mais sérias é sempre usar camisinha.

— Você não está vendo que ele está sozinho hoje? — Cato a questiona. — Peeta está deslumbrado por uma morena misteriosa.

— Morena misteriosa? Quando isso aconteceu? — Glimmer volta a questionar, um sorriso esperto surgindo em sua face.

— Foi hoje, eu ainda não sei quem ela é, nem ao menos pude dar uma boa olhada nela, apenas a vi de relance. Mas garanto que foi o relance mais delicioso que já vi. — Digo ao sorrir, aquela morena ainda vai ser minha.

— Uau, ele até parece sério falando assim. Cuidado loirinho ou o cupido vai bater a sua porta. — Glim diz ao apontar um dedo para mim e fazer uma expressão séria.

Não posso deixar de rir nesse momento, cupido é algo que não acredito de jeito nenhum. Amor é um sentimento estranho e volátil, com o poder de colocar um homem de joelhos e o transformar em um bastardo sem opinião.

Nunca fui perdidamente apaixonado por alguém, nunca me senti tentado ao ponto de não pensar em mais nada a não ser em uma determinada mulher. E amo muitas coisas em minha vida, amo estar ao redor dos meus amigos, amo minha família complicada, amo pintura e a arte em si, amo as lutas e toda a disciplina e precisão que é necessário para se dar bem nesse esporte e é claro, amo o corpo feminino e os prazeres que uma boa foda me dá. Eu somente nunca amei uma mulher especifica.

Então, o comentário de Glimmer me faz rir um bocado.

— Eu quero transar com ela, Glim. Não vou pedi-la em casamento e nem fazer juras de amor. — Retruco ainda rindo.

— É bonitinho que você pense assim. Algum dia Peeta Mellark você vai se apaixonar tão profundamente que nem vai saber o que te atingiu. — Glimmer me diz e seus olhos tão azuis queimavam de diversão. — Eu espero estar por perto para vê-lo rastejar de amor.

— Não fique me jogando pragas, meu coração é de pedra, você não ouviu as mulheres dizendo isso? — Rebato as suas palavras.

— Pobre Peeta, você não tem o coração de pedra e sabe disso. Você apenas não encontrou a garota certa. Lembra como eu era logo quando entramos na nossa graduação? A rainha das festas, destruidora de corações. Eu também me achava imbatível, então conheci o Thresh e tudo mudou. — Glimmer discursou, seus olhos brilhavam quando ela falava do namorado.

— O que pode ser tão bom em ficar preso com apenas uma pessoa? — Questiono apenas para implicar.

— Amor, Peeta. Isso faz toda a diferença. Se você acha que sexo é gostoso, quando você fizer com uma pessoa que ama a coisa fica ainda mais deliciosa. É dificil até de explicar. — Responde Glimmer com suas bochechas corando.

— Glim está certa, transar com a Annie foi de estourar os miolos. Nunca foi tão bom, eu me sentia um verdadeiro rei ao estar com ela. — Somos interrompidos por um Finnick tristonho. Nesse momento Cato, Glimmer e eu o observamos tirar o celular do bolso e começar a mexer na tela.

Mais rápido que um bote de cobra vemos Glimmer se movendo ao tirar o celular das mãos dele.

— Você não vai mandar mensagem para ela, eu já te disse. Agora ela está com outro, ok? Annie e Brutus estão namorando. Então pare de se humilhar. — Glimmer ralha com ele.

— Eu não ia mandar mensagem para ela. — Finnick retruca irritado. — Me devolve o meu celular.

— Não ia mandar? Então quem é essa Ruiva Amor para quem você estava mandando mensagem de “Estou pensando em você”. — Nossa amiga questiona ao apagar a mensagem que Finnick estava mandando e o olhar carrancuda.

Todos nós o olhamos atentos enquanto o rosto de Finncik queima de indignação.

— Gale está certo, não sei como o Thresh te aguenta. Loirinha insuportável. — Finnick fala ao pegar seu celular de volta das mãos da nossa amiga e se levantar carrancudo. — Peeta, essa festa já deu para mim. Vou voltar para o nosso apartamento.

E sem falar mais nada ele se afasta.

— Me liga amanhã, você sabe que estou certa. — Glimmer grita para ele. Mas meu primo já não responde mais. — Agora sobraram dois para eu destruir os corações.

— Onde está Thresh com a sua focinheira, heim loirinha? Você não acha que foi muito dura com a Finn? — Pergunto também carrancudo, Glimmer pode ser nossa amiga, mas tem a capacidade única de tirar todos do sério.

— Finnick não é um bebê, ele sabe que fez merda com a Annie Cresta que é minha amiga, ela sofreu muito por causa dele. E não é com mensagens de texto na madrugada que Finn vai reconquistá-la se é que ele vai conseguir isso. — Escutamos Glimmer afirmar de forma quase voraz. — E o meu namorado está lá fora gritando com os novatos da fraternidade. Então me sobra ficar com vocês, meus queridos amigos.

Quando disse isso ela olhou fixamente para onde Cato estava.

— Nem pensar, Glim. Não vou ser seu alvo hoje. Fique com Peeta e sua morena misteriosa e toda aquela baboseira de cupido. — E com isso ele fez a loira em seu colo se levantar e a puxou para a escada principal da casa, que levava para os quartos.

— Esse é outro que quando cair por uma mulher vai ser difícil levantar. — Ouço minha amiga suspirar com a sua própria declaração.

Ainda fiquei mais alguns momentos com a minha amiga. O papo voltou a girar sobre quem era a morena que encontrei, onde a tinha encontrado e se eu procuraria por ela. Quando Thresh chegou acabei me afastando. Não por não gostar do cara, apenas por não querer ficar segurando vela para um casal apaixonado.

Antes de sair da festa, algumas pessoas ainda me abordaram, principalmente as mulheres. Porém nenhuma delas tinha chamado a minha atenção. Finnick tinha razão em ir embora. A festa já não estava mais interessante. E eu não queria verdadeiramente ficar ali. Mesmo aquela sendo a minha fraternidade, eu não gosto de estar entre tantos tolos bêbados, por isso apenas me despedi de Glim e seu namorado e fui embora.

Nos dias seguintes eu procurei e procurei, sempre mantendo a minha total atenção em encontrar a minha morena. E nesse período de tempo fiquei sabendo que a namorada de Gale tinha chegado ao campus, o que o obrigou a maneirar nas suas puladas de cerca.

Agora ele estava indo buscar mulheres de fora do campus, algumas vezes até chegava a levá-las para o apartamento que dividimos juntos.

Nesse apartamento somos Finnick, Gale e eu. Estamos dividindo esse lugar desde o primeiro ano, então não é novidade vê-lo com diferentes mulheres. Finnick e eu somos muito parecidos com ele. Todos nós temos vidas sexuais ativas, sendo que a maior reputação fica dividida entre meu primo Finn e eu.

Parece que o talento na cama é algo de família.

Gale faz mais o tipo “come quieto”, já passaram muitas mulheres na vida dele desde o nosso primeiro ano de graduação e meu amigo não é do tipo exclusivo para nenhuma. A não ser essa tal de Catnip que ele fala as vezes. Eu não acredito que ele goste verdadeiramente dela ou não a trairia tanto. Mas não opino nada nisso, ele faz da vida dele o que ele quiser, e se essa mulher é tão estúpida por não notar que seu namorado é um traidor isso é problema dela. Provavelmente essa Catnip é do tipo submissa e ingênua.

Entretanto, nos últimos dias não estou usando muito o nosso apartamento, então ainda não vi a namorada do meu amigo. Quem quer que ela seja, não deve ser muito esperta. E não me importo com mulheres assim. Estou mais preocupado em encontrar a minha morena misteriosa.

Foi durante a minha aula de História Avançada que consegui realizar esse fato, não que eu tenha me empenhado muito para isso. Estava sentado ouvindo a introdução da aula quando ela apareceu.

Com uma voz baixa e suave que mal pude ouvir, eu a vi avançar pelos corredores estreitos entre as fileiras de alunos, minha morena se sentou duas fileiras na frente da minha, em um lugar perfeito para eu ficar a espiando. E quase me levantei e troquei de lugar para me sentar exatamente ao seu lado se não fosse as várias garotas que estavam sentadas a minha volta. Não tinha como me levantar e passar por elas sem atrapalhar a aula do professor, então me contentei em apenas ficar olhando para a fonte da minha mais nova obsessão.

Eu quase podia ver o seu perfil, e a tonalidade de seus cabelos castanhos na luz amarelada da sala de aula prendiam a minha atenção. Me peguei com o desejo de alisar os fios sedosos e sentir o perfume deles. As suas costas estreitas e sua pele clara pareciam que estavam chamando o toque de minhas mãos.

Foi com surpresa que percebi a vontade gritante do meu corpo de apenas estar ao redor dela, abraçá-la e poder tocá-la. Para a minha surpresa a minha morena misteriosa se moveu incomoda em sua cadeira e se virou discretamente para espiar atrás dela.

Era como se ela sentisse o meu olhar em suas costas. E posso afirmar que não estava preparado para a grandiosidade de seus olhos cinzentos quando ela olhou diretamente para mim.

Foi como levar um soco bem forte na minha libido. Me senti queimar intensamente por ela e seus olhos intensos. Foi um prazer notar suas bochechas corarem.

Minha morena é linda, o tipo de mulher que tira o fôlego quando passa. Com lábios cheios e rosados naturalmente, traços suaves e femininos envoltos de todo aquele cabelo castanho.

Eu queria avançar sobre ela igual a um tigre na caça. Mas estávamos no meio da aula e eu não podia fazer nada a não ser encará-la de volta.

Sua atenção foi logo reposta para o professor e naquele momento jurei que descobriria tudo a respeito dessa mulher.

Terminar a aula foi um tormento para mim. Ainda mais quando fui rodeado das alunas que insistiam em se sentar aonde quer eu estivesse sentado, e me impediram de ir atrás da minha morena. Tive que me segurar fortemente para não ser rude com nenhuma. Não sou o tipo de homem que maltrata uma mulher.

Mas ainda consegui me desvencilhar de todas elas e apressar o meu passo para tentar encontrar a minha morena.

Para a minha sorte a encontrei descendo os degraus da entrada do prédio, ela mantinha um pequeno pedaço de papel nas mãos e o estudava.

Sem pensar duas vezes me aproximei sorrateiramente e espiei por cima de seu ombro. Logo fui tomado por seu perfume doce delicioso no melhor estilo de “sou suculenta, me coma”, que caiu perfeitamente em minha imaginação. Pois era justamente isso que eu queria fazer com ela.

— Vamos ver, Administração privada de Gestão de Pessoas. — Disse muito próximo do seu rosto o que a fez quase pular de susto, mas olhá-la tão de perto apenas me fez queimar um pouco mais, suas feições eram ainda mais incríveis vistas de perto. — Essas aulas não ficam por aqui, você vai ter que ir para o prédio quatro, que fica naquela rua ali. Não fica muito longe, sabe? Talvez, uns cinco minutos andando.

— Obrigada, estranho. — Ela me disse e a suavidade da sua voz parecia uma carícia, seus olhos desconfiados ainda me encaravam quando ela se afastou de onde eu estava. O que não pude acreditar, mas me senti divertido com isso.

— Você sempre sai por ai chamando quem te ajuda de estranho? — Alfinetei ao tentar controlar a minha animação, por dentro não estava chateado, estava me sentindo apenas divertido com toda a situação. E alcançá-la não foi difícil para mim. Eu até queria andar alguns passos atrás dela, apenas para admirar o seu rebolado. Mas nesse momento estava mais interessando em conseguir o nome dessa mulher.

— E você sempre sai por ai abordando pessoas que não conhece e não te pediram ajuda? — Sua voz doce questionou, e ao olhar em seus olhos pude notar que ela também não estava irritada, somente divertida.

— Oh, não. Você é uma exceção. — Respondi depois de dar o meu melhor sorriso.

— E por que eu seria uma exceção? — Voltou a me perguntar, seus passos rápidos me faziam acompanhá-la de forma apressada.

— Você estava parada lá fora do centro de história e parecia tão perdida. Eu não pude deixar isso assim. Sabe, é meu deve de samaritano. — Justifiquei ainda sorrindo, tentei colocar verdade nas minhas palavras, mas, ainda assim, as deixei leves.

— Eu não estava perdida. — Insistiu a morena depois de dar um gemido irritado.

— Estava sim, porque é tão difícil agradecer alguém que quis te ajudar? — Perguntei ainda mantendo a minha voz com um toque de riso.

Nesse momento a morena parou de andar e me olhou intensamente. Ela tinha uma estatura pouca coisa mais baixa que a minha e seus olhos cinzentos possuíam um brilho lindo na luz do sol.

— Obrigada pela ajuda. Eu posso ir agora ou você vai insistir em me seguir? — Ela me questionou mais seriamente dessa vez.

— Lobinha, eu não sou do tipo perseguidor. — Retruquei também mantendo a minha expressão séria. — Você me deve algo por te ajudar.

— Eu devo? E o que eu devo?

— Seu nome, eu quero saber o seu nome. — Pedi ao voltar a sorrir.

— Apenas o meu nome? — Sou novamente questionado pela minha morena misteriosa. E sua expressão de desconfiança é tão adorável que tenho vontade de beijá-la nesse exato momento.

— Isso mesmo. Mas, pode deixar que eu começo. Sou Peeta Mellark, estudante do quarto ano. — Disse ao estender a minha mão em um cumprimento formal.

O dia quente e a brisa pareciam dançar ao redor dessa mulher, eu tentei muito manter os meus olhos apenas em seu rosto, mas queria muito espiar o seu corpo violão. Essa morena acabou de criar um novo nível na escala de gostosura.

— Sou Katniss Everdeen, recém-transferida e também estudante do quarto ano. — Fico feliz quando escuto a sua resposta, principalmente quando ela também estende a sua mão e nós dois nos cumprimentamos, sua pele macia me fez querer não largar de sua mão. — Agora que paguei o favor, você vai me deixar ir sozinha. Entendido?

— É claro que sim, sou do tipo que cumpre as promessas. — Falo ao me afastar um pouco e permitir espaço para ela seguir sozinha.

— Se você é do tipo que cumpre promessas, então me prometa que vai controlar o seu fã clube, elas são bem barulhentas e isso atrapalha a aula. — E sem dizer mais nada, vejo minha morena Katniss Everdeen se afastar a passos largos.

Eu a deixo ir e não posso conter uma gargalhada pelo que ela disse. Minha Katniss é mais divertida do que aparenta, vou gostar de me aproximar dela.

Nos próximos dias sou surpreendido por encontrá-la em vários lugares e momentos bem comuns na vida de um estudante. Duas vezes na biblioteca estudantil, onde a encontrei tão belamente concentrada na leitura de um livro que tive que ir atrapalhar. Katniss não parecia verdadeiramente aborrecida com a minha interrupção e até pudemos conversar aos sussurros, enquanto outros muitos alunos estavam a nossa volta. Das duas vezes ela estava tão linda que me sentia tremer de vontade de tocá-la.

A outra vez que a encontrei foi visualizando um quadro grande de anúncios aqui no campus, essa foi outra vez que não consegui resistir e não me envergonha em admitir que fui atrás dela.

Katniss me chamava como um ímã. Eu não sabia o que era, mas não conseguia resistir. E cada vez que ficava perto dela, mais eu queria ficar.

E não era por ela ser incrivelmente sensual para mim. Katniss é diferente de todas as mulheres que encontrei anteriormente, ela não tenta ser charmosa ou sexy, ela apenas é. Seu sorriso contido, as vezes tímido, outras vezes esperto me levavam a loucura. Toda vez que ela mexia em seus cabelos eu queria grunhir e tocá-los também, mas ao contrário das mulheres no campus, que mexem no cabelo exclusivamente para chamar a minha tenção, Katniss fazia de modo descompromissado.

A perfeição de seus traços mexiam com o meu lado pintor. E a profundidade cinzenta de seus olhos enfeitiçavam os meus de um modo que ainda não consigo explicar. Não importa o tanto de vezes que fui charmoso, os meus truques de sedução não faziam nada com ela.

Foi nesse dia do quadro, quando descobri que ela estava buscando emprego no campus estudantil, que descobri que ela tem um namorado.

No começo em que ela me disse eu não pude acreditar. Verdadeiramente cogitei que ela estava fingindo um namoro falso para me afastar, mas logo percebi que não era nada disso que estava acontecendo.

E senti raiva desse namorado. Um sentimento cruel começou a crescer em meu peito, algo primitivo que nunca senti antes, foi horrível sentir isso, esse amargor queimando na minha boca e no meu estômago, fazendo o meu cérebro trabalhar rapidamente para caminhos bem violentos.

Imaginar algum homem tocando em sua pele macia, podendo alisar sempre que quisesse a seda de seus cabelos castanhos, beijar sua boca em formato de coração e ouvir seus gemidos no sexo, me deixavam com vontade de bater nesse desconhecido. Tudo isso me fazia queimar por dentro, eu sentia que estava errado. E pela primeira vez em minha vida senti o amargor do ciúme. O que me assustou muito, desde que nunca tinha sentido esse sentimento por mulher nenhuma.

— E lá vem o seu fã clube. — Ouvi Katniss me dizer ao olhar algo que estava atrás de mim. — Você deve ser do tipo popular se sempre tem mulheres te seguindo por ai.

E ao olhar para trás pude ver do que ela estava falando. Algumas garotas tinham parado alguns metros de distância e estavam cochichando enquanto me olhavam. Antes isso não me incomodaria nenhum pouco, agora era incrivelmente irritante.

— Sou o capitão do time de luta livre. — Digo como se isso fosse uma grande explicação.

— Ah, agora entendo. — Foi sua resposta surpresa. — Sabe, o meu namorado também é da equipe. Vocês devem treinar juntos. O nome dele é Gale Hawthorne.

Suas palavras foram iguais a punhais no meu estômago, por alguns segundos não pude compreender perfeitamente o que ela tinha me dito.

— Você é a namorada de Gale? — Me ouvi dizer de forma confusa e mecânica. — Não pode ser, ele disse que sua namorada se chamava Catnip.

— Catnip? — Katniss perguntou surpresa ao me lançar um sorriso lindo. — Ele ainda insiste em me chamar assim? E na frente de seus amigos, isso é vergonhoso.

E sua indignação charmosa não era nada comparada com a minha confusão crescente.

— Hoje a noite ele vai me levar para conhecer os amigos dele. Você não sabia? — Perguntou ela já começando a se mover para a sua próxima aula, acabei seguindo-a pois ainda não estava preparado para me afastar.

E sim, eu sabia desse encontro, até pensei em não ir já que não estava nada interessado em conhecer a namorada iludida do meu amigo. A famosa Catnip que nunca vi uma foto sequer, e agora meu cérebro é sacudido com uma informação que não estava preparado para receber.

— Sim, eu sabia. — Consegui cuspir as palavras para fora da minha boca.

— Isso é ótimo, eu estava com medo de você ser apenas um popular sem cérebro e com uma veia de perseguidor. Fico feliz em saber que é amigo do meu namorado. — Katniss me diz quando me encara com seus olhos cinzentos.

— Vocês estão juntos a quanto tempo? — Não consigo me impedir de perguntar. Conheço Gale a três anos e quando o conheci ele já traia a namorada Catnip.

Achei bem estranho isso, mas com o tempo deixei de me importar. Não sou de me meter na vida das pessoas que conheço.

Então Katniss me respondeu dizendo que eles estavam juntos a três anos, que ela estudava do outro lado do país e que pediu transferência para ficar mais próxima de Gale.

— Nós sempre passamos as férias juntos, todavia faz algum tempo que sinto que já não é o bastante, afinal relacionamentos a distância podem ser bastante cansativos, a saudade e espera desgastam os sentimentos e eu queria estar mais próxima. — Foi a continuação de sua resposta e acho que o pior de tudo o que ela me disse foi notar os sentimentos brilhando em seus olhos.

Se fosse qualquer outra pessoa, eu tentaria muito levar com leveza essa bomba que Katniss me jogou, mas sendo Gale e sabendo de todas as suas traições não consigo me sentir leve com esse relacionamento. Me sinto engasgar em indignação.

Olhar para a minha morena misteriosa e começar a descobrir a mulher fantástica que ela é só me faz ter vontade de quebrar a cara do meu amigo.

Por que tinha que ser Gale? Por que tinha que ser um amigo meu?

— Ei, Peeta? Você vai entrar na minha aula de Direito Empresarial? — Questiona Katniss ao me acordar de uma enxurrada de devaneios. Nem percebi que a tinha seguido até a porta da sua sala de aula. Ela me olha confusa e divertida.

— Lobinha, eu tenho algo para te contar. — Começo a dizer já preparado para expor todas as coisas ruins do meu amigo.

Eu não conheço Katniss muito bem, mas sei que ela não é o tipo de mulher que merece ser enganada de forma tão covarde, e não sei explicar direito, mas me sinto protetor em relação a ela, é o sentimento mais estranho.

— Você e seus apelidos. De onde você tirou isso de Lobinha? — Mas ante que eu pudesse responder ela apenas me interrompeu. — Esqueça, não quero saber. Você e Gale estão competindo para ver quem cria o melhor apelido?

E por um momento sou arrastado para um pequeno ataque de riso. Katniss tem um ar misterioso e ao mesmo tempo leve ao seu redor, algo que me chama.

— Tenho que entrar agora, você me conta o que quer contar hoje a noite. Que tal? — Katniss volta a dizer, sua atenção já está voltada para a sala de aula que aos poucos está se enchendo de alunos.

— Sim, hoje a noite. — Digo ao me despedir.

O restante do dia foi um pequeno pedaço de tormento. Não consigo entender por que saber que Katniss namora Gale está me irritando tanto. Admito que saber que a mulher que estou interessando tem um namorado já me irritaria sem precisar de muito. Porém saber que ela está com Gale, parece que me irrita o dobro do que tinha que irritar.

E tudo isso piorou no final do dia, quando drasticamente a vi entrar de mãos dados com ele no bar Rock Destiny. Esse lugar é bem conhecido dos universitários da Universidade de Panem.

Meu suposto amigo ostentava o maior sorriso de todos, já Katniss estava deslumbrante em um vestido de veludo castanho justo e sutilmente decotado, uma jaqueta jeans que ela carregava dobrada em seus braços e saltos altos pretos. Seus cabelos longos estavam soltos e dançavam ao seu redor. Sua maquiagem era muito sutil, o que a deixava completamente apetitosa.

No mesmo momento senti o meu corpo queimar por ela. Katniss sem dúvida alguma é a mulher mais bonita que já vi na vida. Existe algo nela que me chama e não consigo explicar o que é, apenas que a quero para mim.

Pela primeira vez em minha vida entendo o que é desejar alguém ao ponto de doer. Sinto raiva quando vejo as mãos de Gale nas curvas da minha morena. Katniss olha para ele como se fosse manhã de natal, e esse brilho apaixonado em sua expressão apunhá-la o meu coração.

É claro que já senti desejo por mulheres comprometidas, muitas delas acabam na minha cama em pouco tempo de convivencia, mas nunca senti algo tão forte assim por alguém.

Katniss Everdeen é a encarnação de uma deusa grega. Afrodite em pele e ossos. E quando ela me encontra no meio da multidão e sorri por me reconhecer, sou lentamente incendiado. Isso é tortura.

Esse sorriso e as curvas de seu corpo feminino podem levar homens para a guerra, todos lutando e morrendo para chegar aos seus pés e implorar por amor. Ela é Helena de Troia reencarnada.

Não consigo controlar os meus pensamentos. Todos os dias Katniss está deslumbrante aos meus olhos, entretanto hoje ela está arrasadora. E me pego odiando Gale por existir, o desejo de estar ao lado dela é gritante em meu peito, eu queria ser o homem com os braços em volta de sua cintura.

E o tormento que senti não foi nada comparado ao pesadelo de tê-la tão perto de mim durante toda a noite, e perceber que ainda assim ela estava incrivelmente distante.

É obvio que todos gostaram dela. Finnick e Cato também a olhavam de forma deslumbrada, mas a coisa não durou muito, afinal cada um estava acompanhado de uma mulher. Finnick estava novamente com a garota da festa da nossa fraternidade, acho que seu nome é Brenda, e Cato estava com uma garota nova. Alguém que não me esforcei em gravar o nome.

Glimmer estava nos braços de Thresh, o jogador de futebol americano apenas a olhava cheio de emoção. Por mais que eu não seja muito amigo de Thresh sei que ele lutou muito para conquistar o coração da minha amiga e agora eles viviam o seu pequeno conto de fadas.

Duante a primeira parte da noite Gale não soltava Katniss por nenhum segundo sequer, suas mãos passeavam por ela de forma discreta, não da forma explicita que ele costuma tratar as mulheres com quem trai a sua namorada. Sempre estava sussurrando alguma coisa no ouvido da minha morena, o que a fazia corar e rir.

Quando eles se beijavam eu tinha que me segurar o máximo possível, minha vontade era de arrancar Katniss de Gale e levá-la para bem longe. Então, para manter a minha sanidade eu desviava a minha atenção de seus beijos e fechava os meus punhos, inspirando profundamente para tentar conter o meu gênio.

Não que alguma vez eu tenha tido esse comportamento com alguma mulher que transei, posso ser lutador, mas sei exatamente o modo de obter controle das minhas emoções. A única forma de me ver furioso é se eu ver violência contra mulheres e animais. Isso me tira do sério de tal maneira que não me importo nem um pouco em me controlar.

Sentir esse ódio profundo porque a mulher que desejo está nos braços do meu amigo é desconcertante e uma tremenda novidade, especialmente pelo fato de que conheço Katniss a umas duas semanas.

Mas tudo em meu corpo diz que isso é errado. Não sei se é porque estou já a alguns dias sem transar, ou se é algo totalmente novo. O que sei é que tudo o que ela faz parece me chamar, pequenos gestos comuns são totalmente sensuais, o que me deixa com uma senhora ereção.

É sensual quando Katniss tira o cabelo do ombro, é sensual quando ela toma a sua cerveja direto da pequena garrafa e é sensual a forma com que ela ri e se inclina para ouvir algo que Cato ou Finnick disseram. E sensual o seu cruzar de pernas e o som da sua voz doce. Por isso me pego pensando que Katniss parece ser o meu calcanhar de Aquiles no sentido sexual.

O bar abafado faz com que uma umidade surja em seu pescoço, e não posso impedir que meus olhos grudem nisso, me pego em pensamento lambendo esse suor, provando a sua pele, enquanto os meus dedos brincam com a seda de seu cabelo.

Beber tanta cerveja não está me ajudando a controlar os meus pensamentos libidinosos.

E a noite apenas foi ficando pior e pior. No momento em que Katniss, Glimmer e Brenda foram dançar na pista lotada, deixando para trás os homens, tentei colocar os meus pensamentos nos eixos mais uma vez.

— Cara, onde foi que você conseguiu uma mulher dessas? — Meu primo pergunta com a expressão de surpresa. — Eu conheço muitas mulheres gostosas, mas sua namorada ultrapassa alguns limites.

— Agora você entende porque não posso me livrar dela. Minha Catnip é gostosa mesmo. — Escuto Gale responder, mas não estou verdadeiramente prestando muita atenção no que ele diz, meus olhos estão na pista de dança, onde vejo Katniss rebolar de um lado para o outro ao som da batida de rock.

Percebo muitos homens a encarando, então mantenho a minha principal atenção nela. Se qualquer babaca ultrapassar a linha eu vou me certificar que ele pague por isso.

— Você deve ter algum problema se fica traindo uma mulher dessas. Você é algum doente mental? — Finnick prossegue em sua conversa e suas palavras não são nem um terço do que eu queria dizer para Gale.

— Não consigo resistir a uma boceta disponível. E já disse que Katniss não desconfia de nada, o que é uma benção, pois não vou parar de ter bocetas quando eu quiser, nem mesmo por ela. E olha que minha Catnip é a melhor boceta desse lugar. — Gale sussurra para todos nós e logo gargalha de modo orgulhoso.

Aos poucos me sinto queimar de raiva. Boceta? Katniss é muito mais do que uma boceta. Esse filho da puta merece ter a boca arrastada no asfalto por falar assim dela. Aposto tudo o que tenho que ele não fala dela assim em sua frente.

Eu posso ser um mulherengo, e também adoro mulheres dispostas a uma foda sem compromisso, mas não sou desrespeitoso.

Se Katniss fosse minha, eu nunca a chamaria assim. Minha lobinha merece mais do que isso. Eu nem a conheço tão bem, mas sei que ela não é apenas uma boceta para foder. Katniss é alguém para amar.

De repente me assusto com os meus pensamentos.

— Olha aquelas gêmeas ali no canto me olhando. Elas estão pedindo por uma foda quente. — Continuo e escutar Gale falar e a cada frase que ele diz, mais raiva tenho dele.

A namorada dele está na pista de dança rebolando o corpo perfeito dela, e esse bastardo nem ao menos a nota. Seus olhos estão do outro lado do salão onde duas loiras que aparentemente são gêmeas estão tomando cerveja e com seus olhos grudados em nossa mesa.

Aposto que se algum bastardo chegar em Katniss, o idiota do meu amigo nem vai notar.

Tudo está muito confuso na minha cabeça. Os sentimentos que tenho por Katniss são apenas porque sei que ela é uma mulher interessante e que não merece ser tratada de modo tão baixo pelo homem que gosta? Ou são outra coisa?

Não sei e nesse momento não estou interessado em saber. Não posso me envolver nisso. Não vou me envolver nisso. Um medo crescente começa a surgir em meu peito.

Vou esquecer que ela é minha morena, minha lobinha. O que estou fazendo ao ficar sentado nesse banco duro de bar olhando para a namorada do meu amigo? Isso é doente.

Está na hora de recuperar o controle da minha noite. Talvez devo me afastar dela e de Gale.

Sem esperar mais nada e motivado pela minha impulsividade, eu me levanto da cadeira e atravesso de forma confiante a distância até as gêmeas. Imediatamente noto a atenção de ambas grudadas em mim, enquanto sorrisos lascivos idênticos surgem.

Não vou permitir que meu interesse por Katniss Everdeen se transforme em uma obsessão.

Notas finais
Gostaram? Por favor, me deixem saber. Comentem e me motivem a escrever mais rápido =) Um grande abraço ;*