A Aprendiz do Desejo
6 Rubi
Notas iniciais

— Cheguei atrasada? — Pergunto ao adentrar o escritório de Peeta, mais uma vez ele me espera pacientemente, tenho certeza que não estou atrasada, pergunto apenas para brincar.
Quando Peeta me encara me sinto imediatamente estranha. Existe algo nadando no meu sangue, dentro do meu corpo quando encaro esse homem.
Mas essa é nossa segunda aula e quero ser uma boa aluna para o meu professor.
A primeira aula tirou o meu sono durante vários dias, tudo o que eu podia pensar era em seduzir o pensamento e ser responsável pelas coisas que cativo. Pensei muito nisso, principalmente nessa segunda parte.
Será que cativei a traição de Gale? Será que indiretamente pedi por isso?
Esses foram apenas alguns dos pensamentos sombrios que me cercaram durante toda a semana. No fim não cheguei a nenhuma resposta satisfatória, o que foi bastante frustrante. Eu sei que Gale e eu não tínhamos o relacionamento perfeito ou tivemos o tipo de paixão arrebatadora, porém nunca desconfiei das suas traições.
E é frustrante refletir e saber que mesmo depois que nos separamos não sinto saudade dele, dos seus carinhos ou dos nossos momentos juntos. Será que fui eu que permiti que tudo isso acontecesse?
Pensar em minha antiga relação é difícil, todavia não me permito focar nisso durante a minha segunda aula. Hoje é um dia muito importante, algo que esperei ansiosamente. E Peeta parece bem animado.
Seu sorriso ilumina o ambiente, é todo largado e acolhedor, e por poucos segundos tenho vontade de me jogar em seus braços e o abraçar apertado, mas me contenho no último segundo, não temos tanta intimidade para isso e não sei se ele gostaria, mesmo os meus braços implorando em abraçá-lo.
Peeta está muito bonito em sua camisa de manga cumprida cinza e seus jeans de corte claro. Acho o seu visual diferente, já que ele sempre foi o tipo de homem que prefere roupas escuras. Mas, posso dizer que gosto da sua aparência.
Assim que me aproximo de onde ele está, vejo que sua escrivaninha está cheia de pratos e copos. Imediatamente fico curiosa sobre o que ele preparou para essa aula.
Os pratos e copos estão cobertos com tecidos, então não dá para espiar o que tem neles, mas seja o que for deve ser comida, pois o cheiro está incrivelmente delicioso.
— Você não está atrasada. Sempre chega no horário, mesmo quando estudávamos juntos. É muito responsável para se atrasar. — Peeta me diz, e tenho que considerar isso um elogio, afinal o seu comentário me agrada.
— Obrigada. — Respondo ao sorrir.
— Você está muito bonita. — Escuto o seu segundo elogio e sinto o meu rosto corar, é muito agradável receber suas palavras. Mal sabe ele que me arrumei especialmente para a nossa aula. Hoje estou vestindo um vestido social verde, o corte é bem justo no meu corpo moldando os meus melhores atributos sem parecer vulgar, também estou nos meus saltos alto preto e meu terno feminino também é preto.
Levei horas pensando no que vestir, queria estar bonita para essa noite. Continuo não sabendo o porque de me esforça tanto, mas Peeta está sempre tão maravilhoso que quero estar altura da sua beleza.
— Você também está, ainda prefiro seu visual mais selvagem. — Não posso impedir meus lábios de dizer as palavras. Imediatamente sinto as minhas maçãs do rosto queimarem, mas me mantenho firme e sorrio.
— Selvagem? — Ele me pergunta ao se aproximar de onde estou e me ajudar a tirar o meu terno feminino. — E o que seria o meu visual selvagem?
Droga, agora terei que explicar a Peeta Mellark, o McOrgasmo da mulherada, o que é selvagem. Por que não consigo manter os meus pensamentos em controle quando estou ao lado desse homem?
Depois que Peeta me ajuda com o terno ele o dobra suavemente e o coloca no encosto de uma das suas cadeiras confortáveis perto da sua escrivaninha.
— Bom, você sempre está usando essas roupas escuras e essa sua jaqueta de couro. Você sabe que seu visual é misterioso e selvagem para as mulheres. — Explico ao tentar manter a minha dignidade.- Mesmo depois da Universidade você continua com esse ar misterioso. É cruel para o sexo feminino, sabia?
A gargalhada de Peeta é alta depois do meu comentário, ele está divertido com o que eu disse. E me sinto aliviada por isso.
— Você é uma em um milhão, Katniss Everdeen. — Ele me diz ao estender sua mão e me convidar para sentar.
Eu faço isso imediatamente, cruzo as minhas pernas para manter o seu vestido o mais comportado possível. Peeta se senta logo depois de mim e ficamos nos olhando por alguns poucos segundos, os seus olhos ainda estão cheios de diversão.
— Podemos começar a nossa segunda aula? — Eu pergunto ao voltar a espiar os pratos e copos dispostos em sua escrivaninha.
— É claro que podemos. — Ele me responde ao acompanhar os meus olhares de curiosidade. — Você pensou sobre o que conversamos na aula passada?
— Sim, eu pensei bastante sobre a nossa última conversa. Principalmente no que se aplica ao relacionamento que tive com Gale. Não consegui chegar em conclusões fortes, mas muita coisa me intrigou.
— Que tipo de coisas? — Peeta me pergunta ao inclinar a cabeça para o lado, sua expressão é séria e atenta. Me sinto confortável em conversar essas coisas com ele, muito mais do que falar disso com minha amiga Johanna.
— Nós nunca tivemos essa sedução de mente, Gale e eu nos conhecemos praticamente desde crianças, crescemos juntos, mas não tão próximos. Foi no nosso último ano de colegial que realmente nos aproximamos, a amizade cresceu muito e logo estávamos namorando, foi natural. — Começo a explicar e por mais que eu queira não consigo ter nenhum sentimento forte sobre o que estou falando. — Ele foi para uma universidade e eu fui para outra, nós nos encontrávamos algumas vezes por mês e ficávamos juntos nas férias. Porém, nunca houve isso, essa sedução de mente, mesmo quando me mudei para a mesma Universidade que Gale a fim de ficar próxima de meu namorado.
As palavras vão escapando da minha boca e me sinto aliviada por poder dividir isso com alguém.
— Eu nunca desconfiei das suas traições e mentiras, o que me leva a pensar que talvez eu tenha cativado isso. Sabe, você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas. — Repito a frase que Peeta me disse na aula passada. — Será que fui tão indiferente em nossa relação que ele teve que procurar em outra pessoa a paixão que não tínhamos? Quando o peguei transando com Madge, ele me disse que a culpa era minha, que eu era fria. Será que ele tem razão?
Peeta me encara intensamente e posso ver descontentamento surgir em seus olhos.
— Você sente falta dele? — Essa é a sua pergunta depois de tudo o que disse e isso não me surpreende, eu mesma andei me perguntando a mesma coisa.
— Não. — Respondo sem pensar muito, a resposta é muito sincera e isso me choca no mais íntimo. — Talvez eu realmente seja muito fria, mas não sinto falta dele, sinto apenas alívio em saber que não estamos mais juntos. Decepção por saber de suas mentiras e raiva por ter sido tão idiota.
Imediatamente vejo a expressão de Peeta suavizar, ele está muito sério agora e seus olhos passeiam por seu escritório.
— Você não cativou essas coisas, Katniss. Gale cativou isso quando decidiu te trair, ele destruiu o que vocês tinham e nunca se importou com seus sentimentos. — Suas palavras são francas e sua voz grossa arranha algo dentro de mim. — Você não é fria ou indiferente. Ele é um manipulador e disse isso para jogar a culpa de seus erros em você. Gale não é homem para você.
Sua última afirmação me pega de surpresa e faz o meu coração disparar dentro do peito.
— Não se preocupe, você vai acreditar em mim. — E com essa declaração ele se levanta e caminha até a sua escrivaninha, encostando a lateral de seu quadril na madeira sólida. Seus olhos azuis voltam a me encarar de modo intenso. — Na aula passada conversamos sobre as diferenças entre seduzir o corpo e a mente, hoje quero te ensinar algo muito importante sobre os homens e a sedução.
Mal espero ele terminar de falar e já estou com a caderneta de anotações em mãos. Estou muito curiosa sobre nossa aula.
— Hoje vou te ensinar sobre provocar os sentidos. — O escuto dizer e não posso conter um sorriso animado. — Muitas pessoas dizem que os homens são ligados a visão, que na hora do sexo a visão é muito importante. E é. Mas, as pessoas se esquecem que apenas ver algo não é o suficiente para uma estimulação plena. Olfato, paladar, tato e audição também são muito importantes, na verdade são essenciais para o prazer. Por isso, hoje, eu trouxe algumas coisas para estimular os seus sentidos, assim você vai entender completamente o que estou falando.
Nesse momento Peeta começa a tirar os tecidos de cima dos pratos e copos e sou convidada a me aproximar da mesa. O que não demoro a fazer. Meus olhos são presenteados com as delicias dispostas.
Algumas coisas são fáceis de reconhecer, existe uma tigela de morangos gordos e vermelhos, cerejas também vermelhas e chamativas, um prato contendo algo que imagino ser frango cozido com especiarias, frutas secas, vários tipos de chocolate e uma pequena vasilha com um creme branco que imagino ser chantili.
Nos copos posso ver alguns vinhos tintos e champagne borbulhante. Meus olhos correm para a face de Peeta e sorrio ainda mais abertamente. Não sei onde essa aula vai parar, mas, estou mais curiosa que nunca.
— Essa não será a nossa única aula sobre os sentidos, hoje vou introduzir o assunto para você. — O ouço dizer bem ao meu lado. Seu sorriso aquece o meu corpo e me sinto levemente sem ar. — Nós homens, adoramos ser provocados antes do sexo, e somos criaturas sensórias, por isso aprender sobre os sentidos é muito importante se você quiser ser uma especialista na sedução.
— Os sentidos também são importantes para as mulheres. — Digo para ele.
— Eu sei que são e quando estou com uma mulher, eu adoro provocar seus sentidos. — Peeta se aproxima ainda mais do meu corpo e sussurra em meu ouvido, fazendo com que a minha pele imediatamente se arrepie.
Eu o encaro atentamente esperando o próximo passo e o vejo se afastar com um sorriso sedutor.
— Está vendo? A audição pode ser muito afrodisíaca para um casal. — Ele me diz ao se afastar ainda mais. — Quando uma mulher sabe usar os sentidos ao seu favor, pode levar um homem a loucura do prazer sem nem ao menos tocá-lo. Por exemplo, o que você faria para estimular a visão de um homem?
Sua pergunta me pega desprevenida, então trato logo de pensar em uma resposta.
— Usar uma lingerie mais sensual. — Respondo sem demora.
— Sim, isso prenderia a atenção de um homem por alguns instantes. — Peeta me responde também sem demorar muito. — Mas, ainda é muito raso. O que mais você faria? Pense Katniss, vá mais profundamente.
E é isso o que faço, eu vou mais profundamente em meus pensamentos e tento deixar a minha imaginação o mais livre possível. No começo é difícil me concentrar tanto assim, minha relação com Gale não me ajuda em nada com essa pergunta, quando eu tentava ser sensual para ele, eu comprava uma lingerie nova. Mas, se a visão de uma lingerie sensual não funciona durante muito tempo, o que funcionaria?
No caso de Gale, isso era o bastante para o fazer me desejar. Todavia, se eu tentar conquistar outro homem, digamos o Peeta, o que eu faria para estimular sexualmente a visão dele?
— Talvez a luminosidade do local, a preparação do ambiente em algo sensual, os olhares de desejo, uma dança sensual e…– Começo a dizer e paro quando uma ideia maluca e pecaminosa surge em meus pensamentos.
— Você está indo muito bem, não pare agora. — O escuto dizer para mim, seus braços estão cruzados sobre o seu peito e sua postura esta relaxada.
— Bom, eu pensei que se uma lingerie sensual não é o bastante para prender a atenção visual para uma sedução eficaz, talvez a masturbação possa resolver essa questão. Sabe, fazer isso para o prazer do meu parceiro. — Meu rosto está queimando e não consigo esconder esse fato nem para salvar a minha vida, mas não pude manter essa ideia presa dentro da minha cabeça.
Nunca fiz isso para Gale e nem tive interesse na ideia, até esse momento.
Vejo Peeta respirar profundamente, suas narinas se abrem com a força que ele faz para inspirar uma quantidade grande de ar, e o azul de seus olhos queimam ao me encarar. Sua postura parece um pouco mais contida que antes. E não tenho certeza do que ele achou da ideia que dei.
— Isso certamente prenderia a atenção de alguém e estimularia ao máximo a visão de um homem o levando a um grande prazer. — É o que ele me diz ao suspirar. Sua atenção contínua grudada em mim, e tenho que admitir que mexe com o meu corpo.
Peeta ainda leva alguns instantes para relaxar sua postura e voltar a me encarar de forma tranquila.
— Agora eu gostaria de propor algumas coisas, enquanto conversamos, quero abrir seus sentidos e te provocar de forma leve. — Ele me diz ao descruzar seus braços e dar um passo em minha direção, seus olhos dessa vez estão na mesa e não em mim. — Escolha alguns pratos e prove esses alimentos, eu quero que você me diga exatamente qual é o gosto, como é o cheiro, a textura e se a comida estimula a sua visão.
Gostei bastante de sua proposta e logo também levo a minha atenção nos pratos e tigelas dispostas na mesa. Para me sentir mais confortável, acabo deixando a minha caderneta de anotações de lado.
— Posso pegar qualquer coisa ou você quer me sugerir algo? — Pergunto cheia de coragem e escuto Peeta rir suavemente.
— Pode pegar o que quiser, logo mais vou sugerir algo.
Sem pensar muito vou até a tigela onde os morangos estão e escolho um com a aparência suculenta. Cheia de vontade seguro a fruta pela sua pequena haste verde e mordo a ponta.
Minha boca é tomada pelo gosto saboroso do morango e tenho que me controlar para não soltar um pequeno gemido de prazer. Depois de mastigar e engolir a primeira mordida que dei volto a morder um outro pedaço da fruta, dessa vez um pedaço maior e não posso deixar de notar o olhar de Peeta no que estou fazendo, meu olhar também está nele e isso é desconcertante e exitante de uma maneira que nunca pensei que seria.
Quando termino com o morando deixando apenas a haste intacta, lambo os meus lábios e vou para a próxima delicia na mesa.
Escolho um pedaço de chocolate e volto a me maravilhar com o sabor.
Logo Peeta me explica o que devo prestar a atenção enquanto como e passamos os próximos minutos da aula dessa forma, eu experimentei de tudo um pouco e me surpreendi com as descobertas que tive.
Comer pode ser muito sensual e também pode estimular os sentidos de uma pessoa. Todos os cheiros, sabores e texturas me fizeram entrar em um pequeno estado de excitação. É claro que ter Peeta Mellark ao meu lado aumentou muito o que eu estava sentindo.
Em algum momento Peeta se rendeu e passou a comer algumas coisas ao meu lado, algumas frutas ele me oferecia na boca e não pude rejeitar nada, para falar a verdade não quis rejeitar nada.
Peeta ao meu lado, ambos estávamos presos nesse momento. E é isso o que mais me lembro do Peeta que conheci na Universidade e o homem que está comigo nessa noite. Não consigo entender como, mas ele tem um dom ao fazer uma pessoa se sentir especial e querida, importante ao conversar com ele. É algo inacreditável.
Fiquei surpresa quando descobri que Peeta tinha cozinhado o frango com especiarias. Estava tão gostoso que sentir minha boca salivar por mais.
Sou o tipo de mulher que é uma negação completa na cozinha, eu certamente não nasci para cozinhar e esse é mais um dos dons de Peeta Mellark.
Depois de comer começamos a provar os vinhos, novamente Peeta me faz prestar atenção no cheiro e nos sabores. Eu bebo vinho, mas nunca provei realmente a bebida até Peeta me ensinar o modo correto de fazer.
Eu estava tão relaxada que não percebi quando Peeta colocou a mão na minha cintura, estávamos tão próximos agora que quase nos abraçávamos e não pude me incomodar nenhum pouco com isso.
E não pude deixar de prestar a atenção no meu professor. Não sei se o vinho me deu coragem ou o champagne gelado e borbulhante, mas muito lentamente o foco dos meus sentidos foi mudando das comidas na mesa e das bebidas, para o homem ao meu lado.
Seu toque nas minhas costas era bem respeitoso e nossa proximidade não era nada escandalosa, mas existia uma intimidade a nossa volta. Será que era apenas eu que estava sentindo isso?
Muito lentamente o perfume de Peeta encheu as minhas narinas, o que estimulou muito a minha libido, o perfume amadeirado era delicioso de se sentir em minha volta, chamava a minha atenção igual a um farol acesso em uma tempestade. Me peguei entorpecida pelo odor masculino.
Em seguida foi a sensação da sua mão em minhas costas, o toque suave e carinhoso era muito bom de se sentir e fiquei envergonhada em pensar o quanto eu queria mais disso.
O som de sua voz rouca ao me dizer exatamente em que prestar atenção enquanto ele me oferecia uma cereja vermelha, fazia a minha pele arrepiar.
Olhar para ele tão perto de mim, a sua beleza máscula e forte fazia algo acontecer em meu ventre. Seus olhos azuis, suas sobrancelhas grossas e desenhadas harmoniosamente, fazendo os seus olhos terem um brilho ainda mais intenso. O seu cabelo loiro cortado tão curto e suas orelhas. O maxilar quadrado e a barba rala por fazer, esse detalhe em sua feição foi o que mais me chamou a atenção.
Tanto que não pude me conter a tempo de raciocinar direito e sem pensar duas vezes levei uma das minhas mãos até o seu queixo, tocando lentamente os fios por nascer em seu rosto.
Sua barba pinicavam a minha mão, mas não a tirei de seu rosto. Meus olhos estavam presos nesse movimento, o sentir era o mais importante agora.
Notei que Peeta parou de dizer algo sobre a estimulação sensorial do sabor e me encarou com firmesa, ele não se afastou do meu toque, todavia parecia surpreso com a minha coragem.
— Você me ensinou sobre o paladar, visão, audição e um pouco sobre o olfato, mas não falamos muito sobre o tato. — Falei ao continuar a explorar com os meus dedos a barba por fazer de Peeta, a pele por baixo era quente e firme.
— A tato é importante, é o sentir mais forte. — Peeta me diz ao dar mais um passo em minha direção, ficando praticamente de frente para mim, sua mão ainda está em minha cintura me mantendo presa a ele, mas estamos com uma distância segura um do outro. — Principalmente para as mulheres. O prazer feminino está quase que exclusivamente no toque, um homem tem que saber explorar a sua parceira, cada pedaço de sua pele. O toque é capaz de arrepiar, de esquentar, de acarinhar, trazer prazer e descobrir sensações.
Enquanto Peeta me diz isso eu me torno ainda mais corajosa e passo a explorar outros traços de seu rosto. Meus dedos passeiam por suas sobrancelhas, pelo nariz e o contorno do maxilar, levo um tempo explorando o cabelo de sua nuca e perto das suas orelhas, a pele do pescoço e muito suavemente o seu pomo de adão.
Noto que a respiração de Peeta está mais acelerada, a cada minuto ele se torna ainda mais másculo. O seu perfume continua a estimular meus sentidos e também me pego ofegante para continuar, não sei o que se apossou de mim, porém não consigo me forçar a parar a minha exploração.
Quando consigo ter ainda mais coragem, levo os seus dedos até seus lábios, dessa vez já uso minhas duas mãos nessa exploração. Ver os olhos de Peeta queimarem com a minha exploração faz com que eu me sinta poderosa.
— O que você faria para provocar os sentidos do tato em um homem? — Escuto sua pergunta e tenho um pouco de dificuldade em me concentrar, enquanto ele me perguntava eu ainda estava com os meus dedos em seus lábios e pude sentir o molhado e a macies de sua boca, e o calor de sua respiração ao escapar com as palavras.
Meu ventre queimou intensamente com isso e não pude deixar de não dar mais um passo em sua direção, agora estávamos com nossos corpos quase grudados.
— Massagens. — Respondi ao continuar a minha pequena exploração. — E carinho.
— Você confia em mim, Katniss? — Ouço a sua pergunta e não demoro a responder.
— Sim.
— Então feche os seus olhos, quero te ensinar mais uma coisa. — Não sei porque mas não gostei de afastar minhas mãos dele, minha exploração estava muito interessante e estimulante. Mas, no meu estado de curiosidade acabei fazendo exatamente o que ele me pediu.
Eu levei minhas mãos até os seus ombros largos e senti o tecido de sua camiseta e o calor de sua pele. Mantive os meus olhos fechados, mas não me afastei nenhum passo.
— Não tenha medo, apenas confie em mim e abra os seus sentidos. — Escutei Peeta sussurrar em meu ouvido e me arrepiei inteira, meu coração estava disparado dentro do peito e não consegui disfarçar o meu interesse.
Vagarosamente, quase de forma malévola senti a mesma barba rala que toquei roçar pelo meu rosto, a respiração quente de Peeta na minha pele tirou um pouco do meu raciocínio, e o pinicar da sua barba na pele da minha bochecha era uma sensação nova e deliciosamente erótica, principalmente quando senti que ele desceu seu rosto para o meu pescoço e cheiro a minha pele.
Não pude prender um pequeno suspiro que saiu dos meus lábios, era quase um gemido de prazer. Tive que morder os meus lábios para me conter, ainda assim inclinei o meu pescoço para trás, liberando para espaço para Peeta explorar com sua barba e lábios.
Seus braços fortes estavam em volta do meu corpo, enquanto eu usava os meus para me prender em sua camiseta. Em algum momento senti Peeta explorar a minha pele do pescoço e maxilar com os dentes e também com a língua.
É claro que isso tirou mais alguns suspiros gemidos dos meus lábios. Sem perceber passei a roçar minhas coxas uma contra a outra quando a necessidade em meu ventre se tornou muito grande para ignorar, também me colei mais ao corpo do meu professor, enquanto também o escutei suspirar em minha pele.
Em nenhum momento Peeta me beijou nos lábios, mas sua boca devorava o meu pescoço de um modo que eu não conseguia pensar direito no que estava acontecendo ao meu redor.
A sensação de sua boca em minha pele era tão maravilhosa que algo grandioso estava crescendo dentro de mim, quando me grudei mais a Peeta o senti estremecer. Sua barba rala me arranhava, seus lábios e língua me provavam, seus braços me apertavam e eu não conseguia mais me conter.
Eu precisava sentir o seu sabor, não era justo apenas ele provar de minha pele, agora era a minha vez de explorar.
Quando tomei essa atitude e me movi para prender meus lábios nos seus, Peeta se afastou abruptamente.
Ele me soltou tão de supetão que quase cai no chão, minhas pernas estavam um pouco bambas e minha respiração não estava compassada, meu corpo pedia para continuar o que estávamos fazendo, mas Peeta se afastou de onde eu estava, deu vários passos para longe de mim e foi parar do outro lado da mesa.
— Katniss, eu peço desculpa, não queria me aproveitar de você. Acho que é melhor nossa aula acabar por aqui. Nós vemos na próxima semana? — Peeta se desculpa e me pergunta ainda ofegante.
Estou tão eufórica que mal posso raciocinar o que ele me disse. Mas quando percebo até que ponto chegamos, meu rosto fica inteiramente corado e sinto vergonha por forçar Peeta a algo que ele não queria.
O que diabos deu em mim? Perdi completamente a cabeça?
Eu não podia deixar isso acontecer e da mesma forma iniciei isso. Não, Peeta e eu não podemos misturar as coisas. Isso nunca daria certo.
— Claro. — Respondo cheia de vergonha. — Eu também sinto muito, não sei o que deu em mim. Nós vemos na próxima aula.
— Vamos, eu vou te deixar em casa. — Peeta de diz, e sua voz é tão forte e decidida que não consigo negar.
Eu apenas pego minhas coisas e o sigo para fora do escritório.
Durante a viagem até minha casa, Peeta conversou sobre amenidades, o que me fez baixar a minha guarda. Logo o clima já não estava tão estranho entre nós dois.
Mas, mesmo rindo com ele e conversando sobre a nossa rotina maluca, eu ainda podia sentir meu ventre contrair em desejo. Peeta também mantinha algo no olhar e as juntas em seus dedos estavam esbranquiçadas do tanto que ele apertava o volante de sua Rand Rover.
Peeta me deixou em casa, e combinamos o nosso próximo encontro. Depois foi embora sem demorar muito.
Vê-lo ir embora doeu de um modo novo. Meu peito apertou de frustração. Mas, eu tinha muito em que pensar.
O que aconteceu hoje não foi certo, e o pior é saber que eu iniciei isso e deixei Peeta desconfortável com a minha falta de controle.
Assim que chegar em meu apartamento vou tomar um banho bem gelado, talvez assim eu volte ao normal.
Peeta Mellark é um homem atraente, mas não posso me deixar levar pelo desejo. Ele está sendo muito legal em me ajudar, não posso abusar disso e estragar minha amizade com ele.
Estou me sentindo confusa no momento e tudo isso é culpa de Gale. Ou será minha culpa?
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