A Aprendiz do Desejo
7 Escarlate
Notas iniciais

— Você quer que eu te ensine o que? — Escuto Peeta perguntar com um sorriso em seu rosto.
— Sobre o melhor beijo. — Respondo ao me sentar no meu lugar de sempre.
Hoje estou mais animada que nunca, durante todo o dia estive de bom humor. Minha semana foi muito interessante.
Johanna tem andado bem desconfiada com a minha súbita mudança de ânimo, já que depois do meu termino com Gale e a minha mudança para a casa dela estive em um período bem destrutivo. E desde que comecei minhas aulas com Peeta, tudo se transformou em algo maior e mais bonito.
Ela acha que estou transando com alguém e não quero revelar o nome do homem misterioso.
Por um lado ela está certa, já que nas últimas semanas tenho me encontrado com um homem, mas está errada pois não estou transando com Peeta. Nossos encontros não envolvem o ato físico, apenas o uso das palavras, já que ele está me ensinando a arte de seduzir.
E sim, Peeta é misterioso, mesmo sem o segredo dos nossos encontros. Ele sempre foi, mas não vejo motivo para contar a ela de nossos encontros. Se algum dia pretendo apresentá-lo para ela? Sim, pretendo. Mas minha amiga Johanna é uma descarada.
Não levará nem dois minutos para ela oferecer seu número de telefone para ele e tentar conquistá-lo. Peeta é um homem atraente, misterioso e sedutor. Johanna enlouqueceria por ele, eu conheço a minha amiga e sei muito bem do que ela é capaz.
Se Peeta fosse meu namorado ou algo do tipo, Johanna respeitaria nossa relação. Ao contrário de Madge, ela seria incapaz de trair uma amiga. Porém, Peeta estando solteiro? Não, é melhor manter nossos encontros em segredo.
— Eu sei que você estava me ensinando sobre as sensações, e acredito que o beijo tem muito haver nesse caso. — Continuo a minha explicação enquanto os meus olhos estão presos nos de Peeta, tento manter uma postura séria sobre a questão. — Nessa última semana escrevi algumas dúvidas que tenho sobre o assunto.
— Você sabe que pode me perguntar qualquer coisa. — Peeta me diz ao se sentar na cadeira ao lado da minha, estamos em nossa posição habitual para as aulas, hoje meu professor voltou em seu visual misterioso, camiseta preta e jeans escuros, o que faz os seus olhos azuis brilharem mais intensos. Sua barba não está mais por fazer e sua pele parece chamar pelo meu toque.
Na aula de hoje estou mais confortável que nunca, não é sempre que uso calça para ir trabalhar, normalmente trabalho de vestido social ou saia. Porém hoje estou usando uma calça social de cintura alta branca e uma blusa de seda com um decote suave, meus saltos fazem a minha postura mais elegante e escolhi fazer em meus cabelos um rabo de cavalo.
Johanna também tem me enchido por isso, diz o tempo todo que estou me arrumando para uma foda. O que não é o caso, quero apenas estar bonita para minhas aulas.
— Bom, acho que a primeira questão é o que faz um beijo bom? Existe algum método para que o beijo seja perfeito? — Faço as minhas perguntas, ainda cruzo as pernas a me inclino para frente, mantendo uma postura natural e ao mesmo tempo confortável.
— Essas são boas perguntas e eu vou sim te responder, mas antes quero saber o que te levou a questionar sobre isso? – Retruca Peeta também se inclinando em uma posição de maior conforto. Seus olhos estão presos nos meus.
Não tenho que pensar muito para respondê-lo, de certa forma eu esperava algum questionamento da parte de Peeta, ele gosta de me questionar, gosta de me fazer refletir sobre as minhas posições e desejos.
— Na verdade, essas perguntas surgiram quando passei a refletir sobre seduzir a mente, e a conquista dos sentidos, acredito que tudo isso esteja interligado em uma coisa só, e o beijo seria o primeiro passo para uma conquista eficaz. — Explico o melhor que posso, sei que dentro de mim os questionamentos são ainda mais profundos e intensos, todavia ainda não consegui colocá-los em uma linha reta, tudo é muito bagunçado. O que percebi com clareza é que quanto mais reflito, mais aprendo. — E quando penso no beijo, surgem muitas questões que precisam de esclarecimento, eu sei o que é um beijo bom na perspectiva feminina, não posso falar por todas as mulheres, entretanto sei o que gosto. Essas perguntas surgiram quando coloquei no sentir masculino. O que faz um beijo bom para um homem? Será que vocês tem métodos a seguir? Pequenos passos do que fazer ou um modo de ficar inteiramente seduzido somente com o beijo?
Novamente vejo Peeta sorrir enquanto me encara, ele parece muito satisfeito com as minhas perguntas e com o quão longe fui em minha reflexão.
— Acredito que você respondeu parte das suas perguntas, eu não sei o que é bom para todos os homens, o beijo é um ato muito íntimo e que normalmente é satisfatório pois o seu par atende alguns de seus requisitos, e esses requisitos são bastante particulares, o que eu gosto pode não ser o que você gosta, pode não ser o que centenas ou milhares de pessoas ao redor do mundo gostam. — Sua resposta vai abrindo um novo leque de reflexão em minha cabeça. — E você está certa ao dizer que a sedução da mente, a conquista de sentidos e o beijo estão interligados, o ato de seduzir e ativar o desejo em uma pessoa requer uma série de coisas que estão interligadas. Não existe o certo ou errado em uma prática, existe o que é prazeroso para mim, o que eu gosto e que naturalmente minha parceira gosta. No fundo nós procuramos pessoas que atendam as nossas expectativas, que sejam parecidas conosco.
Acho incrível como um simples questionamento se torna algo grande na visão de Peeta. De certa forma fico eufórica com a dedicação dele em me ensinar, em tirar as minhas dúvidas de modo honesto e sincero. Sempre levando a sério o que digo e respeitando os meus questionamentos.
Eu não poderia ter escolhido um professor melhor para mim.
— Mas, o beijo tem que ser mais delicado ou mais apaixonado? — Trago uma nova pergunta. Quero muito saber dar o beijo perfeito.
— Depende da pessoa, da ocasião, se você comando o beijo ou permite que seu parceiro domine o ato, ou se haverá uma troca justa. O beijo pode começar delicado e suave e logo em seguida se transformar em algo quente e selvagem. — Percebo que Peeta faz um esforço para tentar me explicar, mas suas respostas não aquietam a minha curiosidade, apenas fico mais curiosa e não consigo entender muito bem o que ele tenta me passar.
— E como acontece essa transição? Nem sempre o beijo começa de modo suave, ou começar de modo suave é o certo? — As perguntas apenas escapam de meus lábios e começo a ficar desconfortável em minha cadeira, me movendo de um lado para o outro.
Os olhos de Peeta me observam com muita atenção e depois de um suspiro suave ele se levanta de onde esta sentado e me estende a mão.
— Só tem um jeito de eu te ensinar isso, Katniss. E não é conversando sobre o assunto, eu posso passar a noite toda te explicando isso, mas você só vai realmente entender o que estou falando com a prática. — Peeta continua com a palma da mão estendida em minha direção.
Imediatamente sinto o meu coração disparar dentro do peito.
— Prática? — Novamente uma pergunta escapa por entre os meus lábios. Sinto o meu rosto queimar e meu corpo esquentar. Peeta estava falando realmente sobre me ensinar na prática o modo correto de beijar? Ou estou entendendo tudo errado.
— Sim, se você realmente quer aprender sobre beijar, reafirmo que nunca vou fazer algo sem o seu consentimento, se você não quiser a prática podemos continuar em nossa conversa, não garanto que o aprendizado será cem por cento eficaz, mas vou me esforçar para que suas dúvidas sejam sanadas. — Peeta começa a dizer, seus olhos azuis queimam nos meus e sua voz grossa arrepia a minha pele. — Porém, uma aula prática, com certeza, será mais satisfatória.
Em poucos segundos decido o meu futuro, no fundo no meu ser, desde que conheci Peeta sempre imaginei como seria o seu beijo. Agora, não tenho mais namorado, nem nada que me impeça de descobrir sobre esse antigo desejo.
Aqui está Peeta, o homem mais misterioso e honesto que conheço, em pé na minha frente com sua mão estendida e seus olhos brilhando, pedindo permissão para me ensinar na prática sobre a arte de beijar.
— Isso não muda nada em nosso relacionamento, fica apenas para aulas. — Afirmo ao levar a minha mão até a dele e o permitir me levantar de meu lugar. Meu professor me encara com um sorriso maroto em seus lábios, enquanto caminhamos para o meio de seu escritório e ele se virar em minha direção.
— Beijar, acima de tudo, é um ato natural, algo que requer entrega e posse, um pequeno ato de confiança. O primeiro beijo é sempre o mais difícil, os lábios ainda não se conhecem, a confiança ainda não está plenamente estabelecida, a curiosidade e nervoso dominam os sentidos e os cobrem para o verdadeiro prazer. — Escuto as palavras de Peeta, todavia está cada vez mais difícil me concentrar, principalmente com ele bem perto de mim, suas mãos no meu rosto em uma carícia suave, seus olhos passeiam entre os meus olhos e os meus lábios.
Não posso evitar de entreabrir a minha boca, meu coração está tão disparado no peito que quase posso ouvir o som de suas batidas ecoando ao nosso redor. O perfume amadeirado de Peeta está ao meu redor, os meus sentidos estão se abrindo de um modo único e ao mesmo tempo conhecido, afinal meu professor me ensinou muito sobre os sentidos em nossa aula passada. Agora não posso evitar de perceber essas pequenas mudanças a minha volta.
As palmas quentes de sua mão ao tocar o meu rosto, o cheiro de seu perfume masculino, a proximidade de nossos corpos e seu belo rosto tão perto do meu.
Sem que eu perceba dou um passo para mais perto de Peeta e levo as minhas mãos até seus ombros. Seguro em sua camiseta e fecho os meus dedos o impedindo de se afastar. Nossos lábios estão quase de tocando e isso é uma tortura deliciosa.
Estou assustada e maravilhada ao mesmo tempo. Sentimentos e sensações explodem em meu corpo sem nenhum controle.
— Você consegue perceber isso, Katniss? A expectativa que faz a nossa temperatura subir? — Peeta sussurra em minha boca, seus lábios roçam muito suavemente nos meus, o que faz uma nova onde de arrepios explodir nos meus membros. — Beijar bem tem a ver com a experiência que a pessoa tem, quanto mais melhor. O melhor a se fazer é relaxar e aproveitar o beijo, não podemos nos esquecer que o beijo é um ato de carinho e é a transmissão de carinho. Beijar não acontece apenas quando os lábios estão unidos, um beijo envolve o corpo todo, toques que despertam o interesse e principalmente o uso da intuição.
Estou tão envolvida em suas palavras que me assusto ao sentir que uma de suas mãos descendo lentamente de meu rosto e passeando de modo respeitoso, mas firme, pelo meu corpo, indo parar no meio das minhas costas. Neste momento quase não existe espaço entre nós dois, e eu não poderia me importar menos com isso.
— Sabe o que a minha intuição me diz agora? — Peeta me pergunta, posso notar que sua voz está mais rouca que antes, seu maxilar travado me indica o quanto ele está se segurando para continuar a nossa aula.
— Não. — Respondo em sua boca, minha vontade é de lamber seus lábios cheios. Eles parecem tão deliciosos que tenho que me segurar para não ultrapassar nenhum limite.
— Minha intuição me diz que você quer um beijo bem quente, Katniss Everdeen. Nada de suave no começo. Você quer algo que exploda a sua cabeça. — Peeta diz cheio de confiança e sinto o meu peito queimar de emoção, pois é exatamente isso que desejo, quero algo que abale as minhas estruturas e sei que Peeta pode me dar isso.
Tenho apenas que lembrar que nosso beijo é para fins acadêmicos.
Quando não aguento mais esperar lambo os meus lábios, o que de modo eficaz faz com que eu lamba os lábios de Peeta que estão praticamente grudados nos meus. Meu gesto parece afetá-lo e logo vejo que ele me aperta ainda mais ao seu corpo.
Quando enfim Peeta me beija o mundo para de rodar, e tudo estremece dentro de mim.
Existe algo quente e selvagem que se levantou em minhas vontades e imediatamente encontrou as próprias vontades de meu professor.
Nosso primeiro beijo não começa suave de nenhum jeito, é desesperado e quente. Um verdadeiro assalto as emoções. Por isso não me espanto em notar que Peeta tem um certo ar de dominador em sua investida. Ele me prova e saboreia de forma selvagem e doce. Sua língua na minha faz com que meu corpo se incendeie por ele. Sem perceber me pego arqueando as minhas costas para ele, oferecendo muito mais do que apenas os meus lábios.
E isso é uma loucura. Nunca pensei que beijar pudesse ser algo assim.
Sequer imaginei que entraria em um completo estado de excitação em um beijo. Gale nunca me beijou assim, e nem consigo manter os meus pensamentos focados para pensar no meu ex, não quando Peeta exige tanto de mim. Não quando seus lábios e língua exploram tão perfeitamente os meus.
Não sei o que deveria aprender, será que deveria me concentrar na técnica usada por ele? Mas, não poderia fazer nem que eu quisesse.
E quando Peeta se afasta, é por um milagre que eu não caia estendida no chão do seu escritório sem nem ao menos saber meu nome. É claro que ainda estou em seus braços e Peeta me mantêm fortemente grudada em seu corpo. Seus braços são possessivos ao meu redor, o que faz com me sinta segura e querida.
— Não tenho certeza que aprendi a coisa. — Ouço a minha voz dizer um pouco ofegante. — Será que você pode me mostrar novamente como faz para…
Sou interrompida por um novo beijo, dessa vez ainda mais quente que o anterior, o que achei que não seria possível. Faço o possível para retribuir tudo o que ele está me oferecendo, em alguns momentos sinto que não tenho escolha sobre isso, meu corpo toma conta das minhas vontades e me agarro no prazer de ter os lábios de Peeta sobre os meus com tal ímpeto que não conseguiria me afastar.
Permito que minhas mãos passeiem pelo corpo masculino em meus braços, minhas unhas arranham a nuca de Peeta o que o faz estremecer em minhas mãos e aprofundar nosso beijo. Seus braços estão em minha volta me mantendo presa em seu abraço.
Das poucas vezes que me permiti pensar em como seria ter Peeta me beijando, nunca cheguei a ir tão longe no prazer que eu sentiria com tal ato, nem sequer questionei a meu grau de entrega e no modo em que me senti mais completa e cheia de felicidade do que em qualquer outro momento.
Toda vez que Peeta tentava me dizer algo, eu o interrompia com pedidos de mais beijos. Fingindo não entender seus ensinamentos e pedindo por mais um beijo explicativo.
Peeta não me negou nada, e um beijo emendava em outro que estava fortemente grudado em outro, cada um mais maravilhoso que o anterior.
As vezes ele tomava os meus lábios com uma selvageria que pouco podia fazer para retribuir, nesses momentos eu aceitava as suas investidas de forma submissa, ficando surpresa por gostar desses beijos, por querer mais desse seu lado possessivo. Em outros beijos ele era tão doce que fazia o meu coração se encher de um calor bom que a muito tempo eu não sentia, nesses beijos me permitia investir, conhecer sua boca com a minha, provar do saber doce de sua saliva, do gostoso que era sentir a macies de seus lábios e o prazer em ter a sua língua acariciando a minha.
Sua barba que muito suavemente crescia pinicava muito levemente a pele do meu rosto, nem chegava a arranhar e me dava um enorme tesão sentir os pequenos fios.
Nossos gemidos e ruídos eram as vezes controlados e outros momentos quase eróticos.
E mesmo quando nos afastávamos não demorávamos quase nada para cair novamente nos braços um do outro.
Agora que podia entender perfeitamente o que Peeta queria me dizer com a prática, a entrega, em o beijo ser algo natural e principalmente na intuição.
Nós dois nos beijamos em pé no centro de seu escritório, também nos beijamos em uma parede, com Peeta pressionando o seu corpo no meu e isso foi tão delicioso que não pode evitar soltar alguns gemidos de prazer. Em algum momento nos beijamos encostados em sua escrivaninha, comigo quase sentada sobre ela. E tenho certeza que usamos a parede com suas pinturas para mais uma sessão de beijos intermináveis e maravilhosos.
Em alguns momentos Peeta conseguia sussurrar instruções de ensino, coisas que ele gostaria que eu prestasse atenção, mas na maioria das vezes ele apenas elogiou nosso beijo, nossos lábios juntos, meu gosto e minha entrega. Disse que era exatamente isso que enlouquecia um homem, e eu podia sentir exatamente o que ele estava falando.
Sua excitação estava muito aparente na ereção que eu sentia roçar próxima ao meu ventre. E não pude deixar de me sentir poderoso ao colocar Peeta Mellark nesse estado de excitação. Mas, eu não estava preparada para seguir com aquilo, para nada mais do que beijos.
Por mais que meu corpo também retribuísse o seu desejo e internamente queimasse por ele, eu sabia que não era o momento de ultrapassar nenhuma linha. Por isso, aos poucos fui me afastando, controlando o meu sentir, meu prazer e impondo isso para Peeta.
É claro que ele entendeu o recado muito bem e conseguiu se controlar muito mais que eu, que podia me sentir úmida entre minhas coxas, meu sexo apertava com irritação, ele queria ser preenchido e isso não aconteceria tão cedo.
Peeta é meu professor, alguém que está me ajudando. Não é um console, um pênis de borracha, ele é alguém que sente e que com toda a certeza do mundo, alguém que não vou usar de forma errada.
— Acho que você aprendeu o principal do que é ter um bom beijo. — Escuto a sua voz dizer enquanto ainda me mantém em seus braços. — Não que você precise se preocupar, seu beijo é delicioso, capaz de colocar um homem de joelhos implorando por mais.
Seu elogio infla o meu ego e me sinto confiante e bonita, uma mulher inteira e sedutora. Não a criatura inferior que Gale me fez sentir quando terminamos com nosso noivado.
Os olhos de Peeta estão cheios de confiança e adoração. Tenho que controlar tudo dentro de mim para não ceder e me esfregar nele igual a uma gata no cio. Minhas aulas não são para isso, não posso usá-lo assim, é errado.
— Eu acho que preciso de mais aulas sobre isso. Sei que tenho muito para melhorar. — Digo e não posso evitar que minha voz saia manhosa e levemente travessa. É ridículo, nunca usei esse tom de voz na vida. Mas o brilho nos olhos de Peeta indicam o quanto ele gostou da minha proposta.
— Quero que nossa próxima aula seja em um outro lugar. Quero testar algo para saber o quanto você já aprendeu. — Ele me diz ao voltar a acariciar o meu rosto. Seus olhos continuam a passear entre os meus lábios e os meus olhos. Ele acaricia o quente das minhas bochechas, parece apreciar o rosado da minha pelo e o ofegar dos meus pulmões.
— Aonde você vai me levar? — Pergunto curiosa, enquanto minhas mãos também acariciam o seu rosto, pescoço e ombros.
— Uma boate, então quero adiantar a aula para esse sábado, o que acha da ideia? — Seus lábios voltam a encostar nos meus, parece que ele não teve nenhum controle em se afastar e apenas pude responder quando nos separamos mais uma vez.
— Sim. — Respondo ao voltar a queimar por ele, se Peeta tivesse me perguntando qualquer coisa a resposta ainda seria um grande a sonoro sim. Fica difícil pensar ou negar algo quando ele me beija de modo tão doce.
— Ótimo, eu passo para te pegar em sete horas da noite. — Ele sussurra as palavras em meu ouvido, fazendo a minha pele arrepiar com cada palavra.
Depois disso nos separamos apenas o suficiente para andar confortavelmente. Um dos braços de Peeta continua abraçando a minha cintura e ele me mantém bem próxima de seu corpo. Mesmo quando fui pegar minha bolsa em cima de sua escrivaninha ele ainda não me largou. Suas mãos não me soltaram em nenhum momento, o que me fez sentir querida e cuidada.
Eu gostei do seu gesto e acho que isso era a questão mais assustadora. Eu verdadeiramente gostei de tê-lo tão perto de mim, seu calor tão próximo do meu. Suas mãos me tocando a acariciando, seus olhos atentos e cheios de brilho ao me encarar, com algo selvagem na profundidade do azul.
Peeta não estava preparado para me soltar e admito que também não estava preparada para o distanciamento dele.
Será que ele era assim com todas as mulheres que passavam em sua vida, tão quente, possessivo e atento?
Não sei o que pensar sobre isso. A cada dia, a cada aula o calor a nossa volta parece aumentar e se fortalecer.
Ele já faz parte dos meus pensamentos, sua voz ecoa em minha mente em vários momentos do dia e da noite. Me pego refletindo sobre as nossas aulas, sobre seus ensinamentos e no modo em que seus olhos queimam nos meus.
Existe algo crescendo entre nós dois e esse é o ponto que mais tenho medo.
Novamente Peeta insiste em me levar para casa. Dessa vez, nós dois pouco conversamos dentro do carro, porém estamos sempre nos encarando, nem que seja rapidamente, pois Peeta estava dirigindo. Ele ainda mantém uma de suas mãos me acariciando e gosto muito do seu toque para pedir que ele pare.
Antes da nossa despedida, já parados na frente do meu apartamento, Peeta volta a me beijar, unicamente para que eu não esqueça dos ensinamentos dessa aula, é que o que ele me diz ao arrebatar os meus lábios em um beijo feroz, que me deixa tonta de desejo.
Não sei onde ele aprendeu a beijar assim, mas seja onde for, isso deveria ser proibido. Uma mulher pode sofrer uma parada cardíaca com um beijo desses. Mexe muito com nossa libido.
Foi Peeta que lembrou que eu tinha que sair do carro, pois ainda estava muito embasbacada por causa do desejo para me tocar que já era o meu momento de sair.
Depois desse beijo arrebatador nossa despedida foi muito rápida.
Quando eu entrei no apartamento que divido com Johanna, encontrei apenas um bilhete sobre a bancada da cozinha, sua letra cursiva me dizia que ela tinha saído com um cara chamado Cormáco e que não voltaria nessa noite.
Com a saída de Johanna, fiquei mais à vontade para tomar um banho gelado, sem ter que explicar para a minha amiga o porque de eu estar com cara de quem queria uma foda longa e suada.
Depois me sentei no sofá da sala com um pote de sorvete na mão e assisti a qualquer programa de televisão que estivesse passando. Eu não me preocupei nenhum pouco com o que estava sendo apresentado na televisão, estava mais focada na minha masturbação, e em acalmar o desejo do meu corpo. A lembrança de olhos azuis e lábios possessivos me fizeram gozar sem nenhuma demora. Foi delicioso e ao mesmo tempo incrivelmente insatisfatório.
Talvez eu devesse ceder aos conselhos da minha amiga maluca e comprar um grande vibrador para mim. Minhas noites solitárias podiam ter mais graça com um brinquedinho de prazer.
A última coisa que me lembro é de adormecer com meu celular na mão, buscando vibradores em um sexshop virtual. Minha mente estava entre um console rosa chamativo grande, e em que roupa eu usaria na minha próxima aula.
Acho que já sei o que vou usar. Será que Peeta vai gostar?
Não posso deixar de sorrir quando penso na aula de hoje, meus lábios ainda estavam um pouco inchados da nossa aula prática, mas cada minuto valeu a pena.
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