Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem? Muito obrigada por todo o carinho que tenho recebido com essa fanfic, eu sei que vocês são foguentas e querem logo o casal mandando ver, mas gosto de cozinhar em fogo brando kkkkk Cada coisa no seu tempo ^^ Para essa primeira aula eu trouxe algo simples, um assunto importante para abrir o coração dos nossos protagonistas. Dedico esse capítulo para Vanessa Santiago, Lucimara Black River e para a Viviane Eve. Muito obrigada por favoritar a minha fanfic. Fico muito emocionada pela gentileza. Vamos para a leitura? Enjoy it! ♥

Pela última vez durante essa tarde, eu arrumo a minha saia risca de giz para um cumprimento mais adequada já que desde o começo da manhã ela insiste em subir pelas minhas pernas.

E isso é bem irritante, a saia é nova para combinar com o meu salto fino preto de verniz. Queria estar bonita para hoje, minha primeira aula de sedução com Peeta Mellark.

O que será que eu vou aprender? Estou tão ansiosa que foi difícil me manter atenta no meu serviço, então durante todo o dia eu fiquei olhando para os ponteiros do relógio, desejando que meu dia na Norths and Credits acabasse para que eu pudesse correr para o escritório de Peeta.

Agora que estou aqui sinto o meu coração disparar dentro do peito, tenho que controlar a minha euforia e principalmente a minha ansiedade.

É apenas uma aula, nada mais. Peeta é um velho amigo que está me ajudando, não existe nada de comprometedor em sua atitude.

Entrar na galeria de arte do Peeta não foi nenhum problema, ele deixou avisado que eu estava chegando, até mesmo a sua secretária estava esperando para me receber, mesmo já sendo o final de seu turno de trabalho.

Por incrível que pareça todo o meu nervosismo sumiu no momento em que dei meus primeiros passos para dentro do escritório de Peeta.

O meu professor me aguardava encostado em uma das grandes janelas perto da sua escrivaninha.

— Desculpe. Eu cheguei atrasada? — Pergunto ao me aproximar de onde ele estava. Imediatamente depois da minha entrada somos deixados sozinhos e a porta de seu escritório é fechada, me sinto livre e segura em sua presença.

Não sei o que acontece comigo quando estou perto desse homem? Peeta Mellark passa uma confiança que é quase tocável no ar.

Hoje, ele está vestindo uma camiseta preta e calças jeans escuras, a cor escura de suas roupas contrastam com o tom claro de sua pele e o azul de seus olhos que parecem bem mais brilhantes e intensos.

— Não, você chegou bem no horário.– Ele me disse quando caminhou pela sala e puxou uma cadeira para que eu me senta-se. — Quer beber alguma coisa? Chá, café ou uma taça de vinho?

Não demorei a aceitar sua oferta de me sentar, meus pés estavam me matando depois de um longo dia com os meus saltos. Mas, recusei a oferta da bebida.

Peeta se sentou em uma cadeira bem ao meu lado, de certa forma estávamos um de frente para o outro.

Lentamente tive que tirar uma longa mecha de meu cabelo que insistia em cair perto dos meus olhos. Com todos os acontecimentos dos últimos meses, acabei esquecendo de cortar os meus cabelos e agora estou com os fios muito longos.

Noto que Peeta acompanha os meus movimentos com seu olhar atento, mas não diz nada sobre meu pequeno ato.

— Tenho que cortar os meus cabelos, já passei muitos meses com ele assim. Agora ele me atrapalha a todo o momento. — Digo para quebrar o silêncio. Não sei porque estou dividindo isso com ele, não é algo que eu precisava dizer, mas não consegui me conter.

— Eles são bonitos longos, você não deve cortar. — Peeta me diz com sua voz de trovão.

— Eu também gosto deles longos, quando eu era criança, minha mãe me fazia cortá-los a cada poucos meses e eu os mantinha sempre curtos. Eu sempre quis ter cabelos longos, mas minha mãe não permitia, dizia que dava muito trabalho. Então, enquanto eu estava em sua casa, tinha que obedecer as suas regras. No dia que me mudei para a Universidade, deixei de cortá-los, foi minha pequena rebelião. — Confesso para ele, mais uma vez não sei porque estou dizendo essas coisas, acho que nem Gale sabe que desde menina eu queria ter cabelos longos.

Peeta me olha intensamente prestando total atenção nas minhas palavras e não consigo manter minha boca fechada. A história apenas salta dos meus lábios.

— É claro que minha mãe odeia, ela me critica toda vez que nós encontramos. De acordo com ela uma boa mulher não pode chamar tanta atenção para algo tão insignificante, meu cabelo longo é um escândalo para a sua educação sulista. Mas não posso evitar, adoro sentir o roçar dos fios em minhas costas…– Nesse momento consigo controlar os meus lábios e encaro Peeta mais uma vez, imediatamente sinto minhas bochechas esquentarem, para voltar ao meu estado normal cruzo as minhas pernas e concerto a minha postura. — Desculpe, acabei divagando sobre algo estúpido.

— Não é estúpido, eu gostei de saber sobre sua pequena rebelião. — Escuto a sua resposta e novamente sinto a minhas bochechas esquentarem.

— Bom, devemos começar a nossa aula? — Pergunto ao colocar sobre a mesa a principal questão do nosso encontro.

Vejo Peeta sorrir ao relaxar a sua postura.

— Claro que sim, sei que você espera muito disso, mas preciso saber seus principais questionamentos e dúvidas antes de iniciar nossa aula. — Ele me responde ao continuar me olhando.

— Bom, eu quero aprender tudo sobre sedução, como dar o melhor beijo, como enlouquecer um homem na cama, sabe, fazer os lençóis pegarem fogo e esse tipo de coisa. — Falo, já com minhas bochechas queimando intensamente. Aproveito o nosso início calmo para tirar uma pequena caderneta de dentro da minha bolsa de couro e uma caneta simples.

Peeta observa os meus movimentos, mas não me diz nada. Até vi um pouco de diversão em seus olhos quando ele olha para a minha caderneta aberta e a caneta pronta para começar a anotar as suas dicas preciosas.

— Eu sei exatamente do que você está falando e posso te ensinar isso, mas não tudo de uma vez e não tão rápido. Seduzir uma pessoa vai muito além de uma boa transa e orgasmos. Quando você me pede para te ensinar a seduzir um homem, você tem que estar ciente dos erros de julgamento que as mulheres têm. Vocês são ensinadas e condicionadas a acreditar que o prazer masculino está direcionado apenas ao carnal. E com isso não quero dizer que o carnal não é importante, ele é. Todavia se você quer realmente aprender a seduzir um homem na cama, primeiro terá que aprender a seduzir a mente dele. — A voz de Peeta retumba pela sala enquanto ele está concentrado.

Com presa começo as minhas anotações, dou uma ênfase no seduzir a mente. Isso é muito interessante, faz o meu cérebro borbulhar com questionamentos.

— E como posso diferenciar essa sedução carnal de uma sedução da mente? — Pergunto mais animada, lentamente sinto a minha vergonha diminuir, minhas bochechas deixam de queimar.

— Tudo está na confiança que você deposita na ação de seduzir. Primeiro você deve ter em mente o que você quer alcançar quando se propõem a conquistar a atenção de uma determinada pessoa. Se você quer apenas sexo, então isso é carnal e dependendo do que acontecer pode ser satisfatório e esquecível. Mas, se você quer ser inesquecível, então o carnal é apenas a cereja no topo do bolo, quando você conquista a mente de alguém, você marca essa pessoa.

— Então, eu tenho que chamar a atenção da pessoa? — Volto a perguntar, meus dedos estão frenéticos escrevendo o mais rápido que posso. As palavras de Peeta são preciosas para mim.

— Sim e não. É claro que você tem que conseguir a atenção da pessoa que quer seduzir, mas a atenção não é tudo, você tem que conquistar, dominar e capturar o querer da outra pessoa, ser fundamental como respirar. — Suas palavras enchem o meu peito de calor. — Quando você conquista a mente de uma pessoa, você a sente em sua pele, você sente o toque mesmo quando não existe toque nenhum, você sente o desejo queimar dentro de você, mesmo quando a pessoa não está por perto, apenas lembrar da pessoa faz com que entremos em um profundo estado de excitação.

De repente vejo Peeta se inclinar na cadeira onde está sentado, apoiando seus cotovelos em seus cochas grossas, seus olhos são quase felinos quando encontram os meus.

— Quando você pensa em Gale e no relacionamento que teve com ele, de que forma você definiria o que tinha com ele? — Sou pega de surpresa com a sua pergunta, nunca pensei que ele me perguntaria algo assim.

Lembrar de Gale não é agradável, ainda estou com muita raiva do que ele me fez, de suas traições e mentiras. Mas, quero ser uma boa aluna, então forço o meu pensamento nos sentimentos que já tive pelo meu ex-noivo e no nosso relacionamento.

É exaustivo pensar no início de tudo. Porém, depois do pouco que Peeta já me ensinou, fica mais fácil classificar o tive com Gale.

— Acredito que nunca tivemos uma sedução de mente, pelo menos nunca senti algo assim da forma que você descreve o desejo. Quer dizer, nós tivemos bons momentos, mas não era nada tão intenso. — Admito e me sinto vazia por colocar essas palavras para fora. A verdade machuca ao saber que nunca tivemos isso.

Será que algum dia eu teria me tocado sobre esse assunto? Sobre a falta de desejo em nossa relação? Posso condenar Gale por procurar em outra mulher aquilo que nunca dei para ele?

— E até esse momento você não tinha percebido esse fato? — Agora era a sua vez de que questionar.

— Não. — Volto a admitir.

— E ai está a principal diferença entre seduzir o corpo e seduzir a mente. Algumas pessoas passam a vida sentindo apenas uma vertente da sedução, nunca questionando se existe algo além disso. Não é culpa delas, Katniss. Não é culpa sua, as coisas são como são. — Suas palavras são um balsamo para a minha desilusão. — Quando você seduz a mente de uma pessoa para depois seduzir seu corpo, você a tem por quanto tempo desejar, um dia, uma semana, um mês, um ano ou uma vida. Mas, você tem que ser verdadeiro consigo mesmo, e pensar em quais são as suas intensões em seduzir alguém.

— Acho que entendo onde você quer chegar. — Afirmo depois de dar um longo suspiro. Pode parecer pouco, mas apenas a nossa conversa já encheu a minha cabeça de pensamentos e questionamentos. Muitos voltados a minha própria pessoa, a relação que eu tinha com o meu ex-noivo e o que espero alcançar de agora em diante.

É muito para refletir. Eu nunca pensei que seduzir fosse algo tão complexo. Na minha cabeça acreditei que tinha que aprender como beijar, conversar e me mover para seduzir. Fui tão ingênua que estou envergonhada da minha estupides. Eu levei de forma leviana um assunto que é profundo.

— Quando eu era criança, li em um livro uma frase que me marcou para toda a vida. — Peeta chama a minha atenção com as suas palavras. Sua voz arranha em meus ouvidos e faz o meu estômago revirar de um jeito quente. — A frase dizia que “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Então, o meu questionamento é, o que você quer cativar, Katniss Everdeen?

As palavras saltam dos meus lábios em segundos, nem notei que estava respondendo até quase já ter terminado.

— Eu quero isso que você disse, quero sentir o toque de um homem na minha pele, mesmo quando ele não estiver me tocando. Quero queimar de desejo ao pensar em alguém, e também quero sentir esse profundo estado de excitação que você disse. Acho que não quero apenas aprender a seduzir, eu quero ser seduzida, conquistada, dominada e capturada pelo desejo. — Meu desabafo parece ter saído do fundo da minha alma, da essência de quem sou. E não posso dizer que não me assustou.

Será que tudo o que disse era um sentimento reprimido do meu inconsciente? Por quanto tempo eu mantive esses sentimentos confinados dentro de mim?

O momento fica ainda mais profundo quando me concentro nos olhos de Peeta. Meu professor mantém sua atenção presa em mim, seu rosto queima com algo que não sei nomear, parece fome, vontade e algo feroz. Acredito que nunca tive ninguém me olhando de modo tão intenso antes.

O ar da sala parece ter desaparecido e me pego um pouco ofegante com os olhos azuis presos em mim. Mas, mais rápido do que começou os sentimentos de Peeta são abrandados. E ele sorri suavemente.

— Você terá tudo o que deseja, Katniss. Vou me certificar disso. — A voz de Peeta está ainda mais grossa com a sua declaração, é a única coisa que o entrega. Parece que o que o estava dominando há poucos segundos, não foi tão bem disfarçado. — Agora que você entendeu um pouco mais sobre sedução e definiu o que quer cativar, eu tenho alguns pedidos para te fazer, assim podemos continuar com as nossas aulas.

Fico surpresa com a sua declaração final, e certamente muito curiosa, pois achei que tínhamos resolvido os termos das nossas aulas em nosso último jantar no La Rose Blanche.

— Pode falar. — Digo mais tímida que antes.

— Eu sei que definimos algumas coisas para o funcionamento das aulas, mas alguns pontos devem ser levados em consideração para que nossos encontros possam continuar. — Peeta diz já mais sério. Seu rosto não demonstra nenhuma emoção forte. — Primeiro, agora que vamos ficar mais próximos, vou pedir exclusividade nessa troca, não me leve a mal, respeito o seu pedido de confidencialidade, mas acredite que em algum momento as pessoas vão saber de nós dois, então, se algo explodir vamos nos manter calmos e quero deixar claro que não vou permitir que você seja classificada apenas como uma das minhas amantes, se os nossos encontros se tornarem públicos, vou te assumir como minha namorada até que nossas aulas terminem. Então peço exclusividade para você durante esse período.

— Você quer que eu finja ser sua namorada? — Pergunto surpresa.

— Apenas se nossos encontros se tornarem públicos.– Ele acrescenta ainda sério.

Esse é um ponto muito intenso, nunca pensei que ele me pediria isso. Ser sua namorada enche o meu peito de sentimentos conflituosos. Não sei o que pensar, acabei de sair de um noivado e não estou preparada para me envolver tão cedo. Entretanto, o pedido de Peeta é uma precaução para o caso de nossa aproximação se tornar de conhecimento público. Ele está tentando me proteger com esse pedido, não quer que eu parece apenas uma amante. Por um lado é doce pensar que ele cuida de mim, por outro continua sendo aterrorizante me envolver, mesmo que de mentira. Mas, Peeta já está me ajudando tanto e sem pedir nada em troca.

— Acho que é o melhor a se fazer. — Respondo depois de um longo suspiro. — Eu aceito isso.

— A outra coisa que tenho que pedir é sobre o meu modo de ensino. Sei que você quer apenas a teoria, e admito que em muitas aulas vamos ficar somente nisso, mas algumas coisas quero te ensinar na prática, e apenas a prática te fará aprender de fato. Por isso, peço a sua autorização para as aulas não ficarem somente na teoria. Antes que você me responda, quero que saiba que nunca vou te tocar ou fazer algo sem o seu consentimento.– Esse pedido já era esperado, até eu admito que existem coisas que ele vai ter que me mostrar na prática, alguns olhares, conversas e modo de me portar terão que ser ensinados na prática, a teoria não vai servir com essas coisas.

— Eu aceito, confio em você e sei que me respeita. — Respondo ao sorrir, meu coração está disparado dentro do meu peito, mas me sinto leve com essa decisão.

Depois que decidimos essas pequenas mudanças, Peeta encerra nossa primeira aula, ele pede que eu reflita sobre o que aprendi hoje. Nós dois marcamos nossa próxima aula para um dia da próxima semana, no mesmo horário da aula de hoje.

Peeta e eu trocamos números de telefone e continuamos com uma conversa mais amena, ele se oferece para me levar em casa. Dessa vez eu recuso e chamo um táxi para fazer isso por mim.

A aula de hoje foi algo que nunca pude imaginar, um assunto tão simples e ao mesmo tempo tão complexo. Seduzir a mente e ser responsável por aquilo que cativo.

Eu aprendi algo com nossa conversa e estou ansiosa para a minha próxima aula.

O que será que ele vai me ensinar a seguir?

É com um sorriso discreto nos lábios e um aceno de despedida que entro no táxi que chamei e me despeço de Peeta Mellark.

Hoje tenho muito em que pensar.

Notas finais
Minha vida está uma loucura, sério! Por favor, COMENTEM e fantasmas apareçam, vocês fazem a diferença na minha escrita, me motivam a continuar e isso muda tudo, todos os dias. Um grande abraço =)