A Aprendiz
1 O primeiro dia
Notas iniciais
P.S.: Eu tenho mania de chamar meus leitores de cupackes, não estranhem.
Quando Will disse que queria a garota como aprendiz, não tinha se dado conta de que teria que dividir a cabana com ela.
Quando Christine aceitara o convite, ela não tinha pensado em como seria dividir a cabana como o jovem.
Os dois ficaram parados À porta, desconfortáveis e constrangidos. Então Will forçou um sorriso.
- Venha ver o seu novo quarto.
A cabana era simples, com três aposentos. Christine arrastou suas coisas até o quarto menor e depois voltou à sala/cozinha, onde o arqueiro estava sentado confortavelmente.
- Sente-se aqui. Vamos conversar um pouco. Christine, não é? Um nome meio comprido. Não há um apelido?
- Não, senhor.
- Não me chame de senhor! — ele pareceu aborrecido. Aquelas pessoas insistiam em chamá-lo assim, mas ele era jovem, ora essa! — Me chame de Will. Posso chamá-la de Chris?
- Anh... — ela hesitou, surpresa. — Claro. Por que não?
- Exatamente. Você não pretendia ser arqueira. — não era uma pergunta, mas a garota respondeu mesmo assim.
- Não, senh... Will.
- Que ótimo, porque eu também não queria ser arqueiro. Eu queria ir para a Escola de Guerra.
Christine abafou uma risadinha, pois era difícil imaginar aquilo. Will também sorriu.
- Obviamente, eu não fui aceito. Era pequeno demais. Mas Halt me aceitou como aprendiz, depois de eu ter escalado a torre até os aposentos do barão. É uma longa história.
- Ouvi histórias a seu respeito. É verdade que você impediu um navio escandinavo de saquear Seacliff convidando-os para um banquete?
- É, mas é melhor não acreditar em todas essas histórias. As pessoas exageram. Suponho que você não saiba muito sobre arqueiros.
- Não, não sei.
- Nós, arqueirosm usamos como armas uma faca de atirar, uma faca de caça, um arco, é claro, e uma capa camuflada. — ele tirou os objetos de uma sacola e os pôs sobre a mesa. — Além disso, contamos com técnica, habiliade, inteligência e... Cavalinhos especialmente treinados.
Christine observou-o e concluiu que a parte sobre animais era brincadeira. Então aguardou, esperando que ele falasse a parte principal. Como o jovem não o fez, ela perguntou:
- E... O que um arqueiro faz?
- Ele não faz perguntas sem sentido, garota! — exclamou Will, que previra pergunta e se divertiu imensamente com a expressão da aprendiz. — Ele fica de olhos e ouvidos abertos, presta atenção e escuta e, no fim, se não for surdo, aprende alguma coisa!
Era exatamente o que Halt havia lhe dito quando ele perguntara, no primeiro dia como aprendiz.. A menina ergueu as sobrancelhas.
- Não acho que seja só isso.
- Não, não é. Acho melhor eu lhe dizer. Os arqueiros, ou melhor, os aprendizes, fazem trabalho doméstico.
- Ah. — ela respondeu, um tanto decepcionada. — Certo.
O arqueiro não conseguiu se conter: Explodiu em uma gargalhada que fez seus ombros sacudirem.
- Você devia ver a sua cara!
- Haha. Muito engraçado.
Mas ela não achou graça nenhuma.
* * *
Após um dia cheio de tarefas, no jantar, eles receberam a visita de uma jovem loura, vestindo uma túnica que a identificava como mensageira. Will correu a saudá-la com um beijo rápido.
- Alyss! Que bom vê-la! Entre. O que a traz aqui?
- Fiquei sabendo que você arranjou um aprendiz, vim conhecê-lo. — ela olhou ao redor e reparou na jovem ruiva à mesa. Sua expressão endureceu um pouco, mas ela não perdeu a pose. — Não vai me apresentar à sua amiga?
- Amiga...? — ele olhou em volta e riu. — Ah, essa é minha aprendiz, Christine. Christine, essa é Alyss, uma velha... amiga.
Incapaz de se conter, Christine ergueu as sobrancelhas e disse:
- É, eu percebi. Você são muito íntimos, não é?
O arqueiro ficou vermelho até a raiz dos cabelos e lançou um olhar de censura à aprendiz. Alyss, porém, sorriu calmamente.
- É verdade, ultimamente temos sido um pouco mais que amigos. Will é tímido demais para contar.
- Foi o que imaginei.
- Sente-se, sente-se! — Will puxou uma cadeira para a moça, tentando desesperadamente mudar de assunto.
- Obrigada. — a mensageira sentou-se com elegância, sorrindo, e continuou: — Acho melhor você arrumar uns tampões de ouvido, Christine, porque Will ronca muito alto. É um dos costumes que adquiriu por ser aprendiz de Halt. E também é louco por café.
- Aaaah, sou mesmo. — o jovem admitiu. — Mas não aprendi isso com Halt. Essa foi com Gilan.
- De qualquer forma, é maluco por café de todo o jeito. Fora isso, você arrumou um ótimo mentor.
- É, Halt teria arrancado a sua cabeça por um comentário como o de agora a pouco.
- Sobre isso... Desculpe. — pediu Christine. — Eu preciso mesmo aprender a manter a boca fechada.
Will assentiu, satisfeito.
- Principalmente perto de Halt, se tem amor à vida. Faz parte do seu treinamento... Que começa amanhã bem cedo, então acho melhor você ir dormir.
- Porque vou ter que acordar cedo. — a garota olhou de um para o outro — os dois estavam de mãos dadas e pareciam loucos para ficarem sozinhos. — Aham.
- Isso mesmo. — o arqueiro falou entre dentes. A aprendiz olhou para o casal apaixonado à sua frente e, novamente, não pôde resistir:
- Certo. Mas saibam que eu tenho o sono muito leve e acordo ao menor barulho.
- VAI DORMIR! — gritou Will, muito vermelho e envergonhado. A garota saiu correndo para o quarto e ouviu alguma coisa bater na porta atrás dela. Abriu uma frestinha na porta, silenciosamente, e espiou a cozinha. Alyss e Will estavam se beijando apaixonadamente, ela praticamente no colo dele.Abafou uma risadinha — estava certa.
Verificou também que a faca de atirar do arqueiro estava fincada na porta, exatamente onde estaria seu coração.
- Parabéns, Christine. — disse suavemente, com expressão debochada, ainda espiando o casal. — Não se passou nem uma semana e o seu mentor já quer te matar.
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