A Aprendiz
2 Penélope
Notas iniciais
- Muito bom. — elogiou Will, quando chegaram À clareira. — Você realmente sabe se mover sem ser vista!
- Eu pratiquei muito. — era desnecessário dar detalhes sobre o porquê Christine precisava andar sem ser notada.
- Tenho certeza que sim. Agora, preste bastante atenção. Esse é a lição principal: Como usar o arco.
Ele entregou-lhe a arma com as pontas viradas para fora.
- Você vai usar um arco recurvo, pois ainda não tem a força necessária para usar o longo.
Ela perguntou:
- Posso experimentá-lo?
Comemorando internamente, o arqueiro deu de ombros.
- Se acha que é uma boa ideia.
Dois segundos depois, a menina soltou um berro agudo de dor. A corda pesada batera ns parte interna de seu braço, e agora a aprendiz saia pulando por aí, com os cachos vermelhos curtos pulando ao seu redor e os olhos verdes apertados de dor.
Will suspirou, fingindo sofrimento e balançando a cabeça.
- Chris, Chris. Isso foi para você aprender a não ser apressada. Da próxima vez, aguarde minhas intruções, sim? — não se conteve e sorriu. — Eu sei, dói demais! Agora, coloque isto no seu braço esquerdo — ele entregou-lhe um punho comprido de couro. -, e tente de novo.
Ela escolheu outra flecha, mas o arqueiro a fez parar.
- Não. Deixe a flecha apoiada entre o primeiro e segundo dedos na corda. — ele posicionou-a. — Use os músculos das costas, não só dos braços. Tente deixar suas omoplatas juntas. Assim está melhor. Agora, sim, pode tentar.
Christine soltou a flecha, mas ainda assim não conseguiu atingir seu alvo, que era uma árvore próxima.
- Você precisa de treino. — seu mentor disse. — Agora, as facas. Esta — ele a mostrou. — é uma faca de atirar. A largura dela compensa o do cabo e a junção dos dois faz com que ela chegue no alvo. Olhe só.
Ele pegou sua própria faca e atirou-a numa árvore próxima.
- Só um conselho: Não tente usar essa ainda. — comentou, divertido. — Essa aqui é para o caso de o inimigo chegar perto demais. Se você for um arqueiro, é muito difícil, mas não é impossível. Serve para ser atirada,mas também pode bloquear o ataque de uma espada. Sugiro que pratique muito antes de usar. Vamos treinar um pouco.
Depois de horas de treino, Will finalmente deu ordem para que a aprendiz parasse.
- Venha. — e começou a seguir uma trilha pela floresta. A menina o seguiu.
- Para onde estamos indo?
- Apenas me obedeça, está certo? Ainda sou seu mentor. — ele ainda estava zangado pela noite anterior.
- Que tipo de mentor tenta matar sua aprendiz?
Não obteve resposta.
* * *
Andaram por uma hora antes de chegarem a um amontoado de casas. Seguiram para a maior de todas.
- Alô! Alguém em casa? — o arqueiro chamou. — Velho Bob!
Um velho de barba branca amdou na direção dos dois.
- Boa tarde, William!
- Quantas vezes vou ter que dizer que meu nome é Will?
- Eu sei, arqueiro, estou brincando! Quem é essa linda jovem?
- É Christine, minha nova aprendiz. Chris, esse é o Velho Bob.
- Boa tarde, senhor. — ela cumprimentou educadamente.
- Senhor! Ouviu, arqueiro, boa eduação não é exclusividade sua!
O arqueiro resmungou qualquer coisa e perguntou:
— E aí, onde estão eles?
Eles os levou até o fundo da cabana, onde havia um cercado com o portão aberto. Na outra extremidade, havia um abrigo coberto por um telhado sustentado com quatro postes. Velho Bob deu um assobio agudo e dois cavalos desgrenhados trotaram até ele, um castanho e outro branco. O castanho, um pouco maior que o outro, caminhou até Will, que deu-lhe uma maçã e afagou sua cabeça.
- Ela se chama Penélope. — apresentou Velho Bob, entregando a rédea do pônei branco à menina. — Perfeita para você!
A égua olhou com curiosidade para a nova dona, que afagou sua cabeça.
- O que achou dela? — perguntou seu mentor. Christine sorriu.
- Ela é muito fofa!
- Solte-a e veja se consegue pegá-la.
A garota obedeceu. Não mais de cinco minutos se passaram antes que ela pecebesse que nao adiantaria de nada correr atrás de Penélope. Então, ela foi até o cesto de maçãs, pegou uma e ofereceu-lhe. A égua trotou dócilmente para pegá-la.
A aprendiz virou-se para avaliar a reação dos dois homens e não pode deixar de sorrir. Velho Bob se torcia de rir. Will estava boquiaberto, com expressão de quem havia levado um soco. Esperava que a aprendiz ficasse correndo em círculos atrás do animal até desistir. Não imaginava que iria ter a mesma ideia que ele quando aprendiz. Ele fechou a boca e tornou a abri-la, como se estivesse sem palavras. Finalmente, conseguiu emitir um som.
- Bom trabalho. — balbuciou. — Muito inteligente.
- Haha, essa menina vai longe! — berrou o velho. — Viu só, Will? Educada, inteligente e bonita. Ela vai ser uma arqueira bem melhor que você!
O arqueiro olhou para o sol que estava se pondo.
- Se não se importa, vamos passar a noite aqui, Bob.
- Claro, claro! Vou gostar de companhia.
* * *
Como a cabana só tinha dois aposentos, Christine iria dormir no celeiro, mas Velho Bob se opôs.
- Que espécie de eduação é essa, arqueiro? Vai deixar uma dama dormir no chão, junto com os cavalos?
- Ela não é uma dama. — resmungou Will. — É minha aprendiz.
- Continua sendo uma menina! Seja cavalheiro, Halt não lhe ensinou bons modos?
- Pfffff. Halt. Me ensinar bons modos? Ha!
- Vamos lá, arqueiro. Tenha dó!
- Sinto muito, mas só há dois aposentos aqui. Um de nós vai ter que dormir no celeiro, e não será você, Bob.
O velho e a jovem olharam para ele sugestivamente. O arqueiro finalmente entendeu.
- QUÊ? Ah, não!
- Se fosse aquela jovem mensageira você cederia a cama...
Christine achou que sabia quem era a jovem e resistiu ao impulso de dizer que não, ele não cederia. Mas isso não significava que a mensageira iria dormir no celeiro.
Will olhou de um para outro, furioso.
- Está certo! — exclamou,atirando as mãos para cima num gesto de frustração. — Eu vou dormir no maldito celeiro!
Ao sair, eles o ouviram resmungar algo sobre como aprendizes só traziam aborrecimentos e problemas.
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