A Aprendiz
5 A Reunião Anual do Corpo de Arqueiros (Pt.2)
Notas iniciais
- Sequestradores? — repetiu Crowley. Gilan assentiu energicamente com a cabeça.
- Sim. Essa é a explicação mais plausível para os desaparecimentos. Jack tem andado por aí como um garoto normal e descobriu que as pessoas estão falando de um grupo de magia negra que usa as pessoas em rituais macabros, mas sabe como é. Se o clima está mais frio que de costume, eles culpam a feitiçaria. Não achamos que seja isso, certo, Jack?
- Não encontramos nenhuma evidência de que seja. — concordou o rapaz. — As pessoas simplesmente desaparecem sem deixar rastros.
- Quando isso começou? — perguntou Halt.
- O desaparecimento mais antigo foi há três semanas. — respondeu Gilan. — Não sei direito quantas pessoas foram até agora. Jack ouviu um número pouco superior a quinze, mas está ficando cada vez pior. Pelo que sei, na última semana foram sete. Uma em cada dia. Mulheres, em sua maioria.
- Mas por que alguém faria isso? — perguntou-se Will, pensativo. O outro bufou.
- Nossa, por que, não é mesmo? Grande mistério. As pessoas fariam isso porque são más.
- Talvez queiram pedir resgate, depois? — arriscou Christine.
- Não descarto essa possibilidade. Mas por que fariam-os esperar tanto? Deve custar alguma coisa para mantes os prisioneiros. Comida, essas coisas.
- Não se eles não os estiverem alimentando bem. — resmungou Halt. — Em todo caso, é exatamente isso que temos que descobrir.Eu, você e Will, quero dizer.
- E nossos aprendizes. — acrescentou Will. — Sinto muito, mas não podemos deixá-los sozinhos.
- Talvez pudéssemos deixá-los juntos. — sugeriu Gilan com malícia. Crowley soltou uma gargalhada e Will sorriu:
- Vai por mim, isso não daria certo. Christine é meio... Hum... Difícil.
- O que você quer dizer com isso? — a moça perguntou, colocando a mão na cintura.
- Que não é uma boa ideia deixar você sozinha com um menino. Você provavelmente mataria o coitadinho de medo.
- Você está dizendo isso porque não me conhece bem. — ela lhe respondeu,e Gilan deu uma risadinha. — Na minha primeira noite, ele tentou me matar. — confidenciou aos restantes.
- Não tentei te matar. Se eu tivesse tentado, você teria morrido. Só queria lhe dar uma lição. Mas essa não é a questão; não podemos deixá-los sozinhos.
— Provavelmente é verdade. — Halt suspirou. — Espero que sejam comportados.
Christine e Will tomaram o cuidado de não se olhar.
- O Jack é um garoto bom. — Gilan deu de ombros. — Bonzinho demais, se quer saber minha opinião, mas tudo bem.
- Ótimo. — respondeu Crowley. — Vocês partem amanhã de manhã.
* * *
Naquela noite, em volta da fogueira com os outros, Jack vei sentar-se perto de Christine. Haviam mais três aprendizes, mas dois eram do quinto ano e um era do quarto, e eles conversavam entre si e ignoravam os "calouros".
- Oi. — disse ele.
- Oi. — disse ela, olhando para as chamas. Estava preocupada com a missão. Não estava pronta.
- Então... Como é Will como mentor? Gilan fala o tempo todo nele.
- Ah, ele, é... Você sabe, um mentor como o resto dos mentores. Fica querendo que eu cometa os mesmo erros que ele, quando era aprendiz, para rir da minha cara. Mas isso me alerta e não faço isso.
- É verdade que ele tentou matar você?
- É.
- Por quê?
- Sabe a namorada dele, Alyss? Ela apareceu para jantar, e quando ela chegou Will ficou querendo que eu fosse dormir e eu disse algumas coisas que poderiam ser mal interpretadas. Aí saí correndo. Ele atirou uma faca em mim, só que eu fechei a porta na hora.
- Uau. Você tem coragem. Ele é, tipo, uma lenda.
Ela deu de ombros.
- Não é uma figura muito assustadora. Como é Gilan como mentor? Will fala muito nele.
- Ah, ele é legal. Só que eu cometi todos os erros comuns de aprendizes, assim como ele, pois ele sabe como esconder as emoções muito bem. Mas quando eu caí do cavalo, ele quase se acabou de rir.
- Então você montou no cavalo sem a senha?
Ele franziu as sobrancelhas para ela.
- Sim, você não?
Christine sorriu.
- Não. Will sugeriu isso, com uma expressão de quem estava prestes a explodir, enquanto tentava conter o riso. Então não montei. Gilan também te pediu para apanhar o seu cavalo?
- Pediu.
- E o que você fez?
- Fiquei correndo em círculos atrás do bicho até Gilan perder a paciência. E você?
- Ofereci uma maçã a ela. A mesma coisa que Will fez, e demorei bem menos para perceber. Qual o nome do seu cavalo?
- Elliot. E o seu?
- É uma égua, na verdade. Penélope. A especialidade dela é camuflagem.
Passaram um momento em silêncio, até que Jack se retirou para sua barraca com Gilan. Christine passou mais um tempo sentada junto ao fogo, já que Will estava tocando bandola, ou o que quer que fosse (ele sempre se irritava quando ela errava o nome do instrumento), pensando que era bom ter pelo menos um adolescente despreparado como ela junto na missão.
Claro que ela não sabia que, no fim, isso acabaria dando-lhe ainda mais problemas.
Notas finais
Um cap. curtinho para vocês matarem a curiosidade. Vou tentar postar mais frequentemente. Deêm sugestões!
Beijinhos, cupcakes!
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