A Aprendiz
6 A Captura da Bandeira (Parte 1)
Notas iniciais
No dia seguinte, Will acordou Christine bem cedo.
- Levante-se, vista-se e me encontre na floresta. — ordenou, depois saiu. Dez minutos depois, Gilan, Will, Halt,, Crowley Jack e Christine estavam reunidos com os outros três aprendizes mais velhos numa clareira.
- Bom dia! — exclamou Crowley animado. Os jovens resmungaram. Ainda nem havia amanhecido. — Hoje preparamos um joguinho para vocês. Chama-se captura da bandeira. Ainda é um nome óbvio demais para mim, mas Halt acha que tentar pensar em um melhor é perda de tempo, então... Bem, originalmente íamos fazer apenas com os aprendizes, mas estou vendo que temos um número ímpar, então temos que dar um jeito nisso. O único jeito seria colocar um arqueiro em um dos times, mas isso colocaria o outro time em desvantagem, portanto é um verdadeiro problema...
- Creio que não, Crowley. — interrompeu Halt suavemente. — Tenho a solução perfeita.
- Bem, então diga!
- Arqueiros contra aprendizes.
Will e Gilan sorriram, como se a ideia lhes agradasse. Ah, que ótimo, pensou Christine. Estamos mortos.
- Não seria muito justo, senhor. — disse o aprendiz do quarto ano, Fred. — Quer dizer, vocês têm bem mais experiência que nós e...
- E seria uma ótima maneira de aprender mais. — retrucou Gilan. — Eu concordo. Vocês vão perder de todo jeito.
- Então está decidido. — anunciou Crowley. — Eu, Halt, Gilan e Will contra vocês cinco.
- Mas vocês são apenas quat... — começou Jack, mas não pode terminar, pois Christine pisou em seu pé com força. Quatro arqueiros já eram o bastante para transformá-los em pó, não precisavam de outro.
- Há um porém — acrescentou o comandante. — Sem armas convencionais. Não queremos machucar vocês. Terão de se virar com as coisas que encontrarem. As bandeiras podem estar em qualquer lugar visível. A nossa será azul. A de vocês, vermelha. Quem conseguir pegar a outra bandeira primeiro ganha. Entendido? — eles fizeram que sim. — Ótimo. Vamos começar.
Os cinco aprendizes se reuniram numa rodinha para planejar.
- Acho que a bandeira deveria ficar em algum lugar alto e difícil de escalar. — disse Jack. Christine sacudiu a cabeça.
- Pésima ideia. Eles veriam de cara, e Will conseguiria chegar lá facilmente. Além do mais, é difícil de defender.
- Então o que sugere?
- Sinceramente? Não temos a menor chance de ganhar, e acho que eles sabem disso, mas também acho que isso é algum tipo de teste. Por isso, temos que mostrar que aprendemos alguma coisa.
- Certo. — concordou Fred. — Temos que dividir as tarefas. Acho que apenas uma pessoa devia tentar pegar a bandeira.
- Eu vou. — disseram os dois aprendizes mais novos juntos. A garota cruzou os baços.
- Ah, que maravilha. — suspirou. — Não acho que podemos ir ambos. Nossa defesa ficaria fraca.
- Ou talvez — replicou o garoto. — devêssemos ir ambos. Quer dizer, eles são arqueiros. Will e Halt são lendas vivas. Nós sabemos pouco, estamos aprendendo a muito pouco tempo. Acha mesmo que poderíamos nos defender deles?
- Eles não vão vir todos. Alguém vai ter de ficar vigiando. Provavelmente, Halt e Crowley. Gilan sabe se mover sem ser visto como ninguém, Will me contou. Quanto a Will, eles provavelmente vão presumir que colocaremos a bandeira em algum lugar alto.
- Provavelmente você tem razão, e é por isso que tem que ir mais de uma pessoa! Ou você acha que pode dar conta de Halt e Crowley sozinha?
Christine mordeu o lábio. Ele era tão irritante... Principalmente porque estava certo. Olhou para os aprendizes do quinto ano, Alex e Joel.
- O que acham? — perguntou. Eles se entreolharam.
- Acho que o melhor seria ficarmos na defesa junto com Fred. — respondeu Alex. — Quer dizer... Sem querer ofender, mas provavelmente é mais simples pegar a bandeira do que defendê-la, e vocês são os que sabem menos...
- Ótimo. — rendeu-se ela, frustrada. Então pôs o capuz e deu-lhes as costas. — E onde vamos colocar a bandeira?
- Acho que não faz realmente diferença. — respondeu Fred. — Mas acho que um lugar alto possivelmente é melhor. Nos dá tempo.
- Certo. Eles provavelmente já estão vindo. Vamos, Jack.
Ela saiu andando sem olhar para trás. Esgueiraram-se pela floresta em silêncio, usando as sombras, até que Christine teve um ideia.
- Um minuto. — sussurrou. Então, o mais silenciosamente possível, subiu em uma árvore, o mais alto que se atrevia. Varreu o horizonte com os olhos, à procura de um ponto azul. Encontrou o que queria em uma clareira cortada por um riacho, não muito longe, a norte do lugar onde estavam. — Vamos. — disse, ao descer. — Descobri onde é.
Quando estavam quase lá, pararam para discutir estratégias.
- Devíamos ter pensado nisso antes. — murmurou Jack.
- Psiu! - fez Christine. — Cala essa...
E, de repente, ela estava presa pelos braços de Will, que facilmente a tirou do chão e carregou-a para a clareira.
- Não é uma boa ideia discutir a estratégia aos sussurros a um metro dos inimigos. — disse a voz de Gilan. Christine lançou um olhar furioso a Jack, a quem Gilan estava amarrando com grossos cipós trançados. Era tudo culpa dele. Se não tivesse sido tão idiota...
Will amarrou-a também. Os dois arqueiros então sentaram-se à frente dos prisioneiros, admirando o trabalho. Então o mais novo disse:
- Estou decepcionado com você, Christine.
Ela abaixou a cabeça, sentindo o rosto ficar vermelho. Ele quase sempre a chamava de Chris, a não ser quando estava chateado com ela.
- E eu com você, Jack. — acrescentou o outro. O garoto desviou o olhar. — Vocês foram muito previsíveis, embora eu achasse que só um viria.
- Esse era o plano original. — admitiu Christine. — Mas esse idiota insitiu em vir também.
- Esse idiota? - exclamou Jack indignado. — Você não teria tido a menor chance sozinha!
- Teria, sim! Eles nos notaram porque você falou. Francamente, será que você não tem nada nessa cabeça enorme?
- Olhe aqui...
- CHEGA! — interrompeu Will. — Primeira lição: Se o plano deu errado, a culpa é de quem o arquitetou, não de quem o executou. Qual dos dois foi?
Eles apontaram um para o outro simultaneamente.
- Ótimo. — suspirou Will. — Nesse caso, a culpa é de ambos. Devo dizer que achei que Alex e Joel tomariam a dianteira, não achei que deixariam dois aprendizes do primeiro ano fazer um plano de batalha.
Os dois se calaram, e passaram algum tempo em silêncio.
Christine pensava desesperadamente no que fazer. Não gostava de ficar ali amarrada, como um presunto de festa. Queria provar que não era tão incompetente assim. O único jeito seria cortar os cipós, mas como?
Olhou para Jack. Ele parecia estar pensando mais ou menos a mesma coisa. Cutucou-o com o pé para que a olhasse; e, pela primeira vez, percebeu o quanto o rapaz era bonito. Procurou varrer tais pensamentos da mente e se concentrar. Formou as palavras "os nós" com os lábios. Will lhe mostrara como fazer as algemas de polegar com madeira e cordas, mas os arqueiros certamente perceberiam se ela tentasse se soltar.
O único jeito seria pegá-los de surpressa e lutar com os pés e mão amarrados.
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