A Aprendiz

6 A Captura da Bandeira (Parte 1)


Notas iniciais
Dois dias seguidos postando, que milagre!! Usando a ideia do leitor pedroosos de fazer uma captura da bandeira com os aprendizes. Aproveitem. Escrevi esse escutando Pumped Up Kicks (Foster the People), música na qual estou viciada. Para mim, deu certa atmosfera. Essa música me lembra o Jon Snow, de A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin, que é o livro que estou lendo. Enfim. Eu nem sei por que falei isso.

No dia seguinte, Will acordou Christine bem cedo.

- Levante-se, vista-se e me encontre na floresta. — ordenou, depois saiu. Dez minutos depois, Gilan, Will, Halt,, Crowley Jack e Christine estavam reunidos com os outros três aprendizes mais velhos numa clareira.

- Bom dia! — exclamou Crowley animado. Os jovens resmungaram. Ainda nem havia amanhecido. — Hoje preparamos um joguinho para vocês. Chama-se captura da bandeira. Ainda é um nome óbvio demais para mim, mas Halt acha que tentar pensar em um melhor é perda de tempo, então... Bem, originalmente íamos fazer apenas com os aprendizes, mas estou vendo que temos um número ímpar, então temos que dar um jeito nisso. O único jeito seria colocar um arqueiro em um dos times, mas isso colocaria o outro time em desvantagem, portanto é um verdadeiro problema...

- Creio que não, Crowley. — interrompeu Halt suavemente. — Tenho a solução perfeita.

- Bem, então diga!

- Arqueiros contra aprendizes.

Will e Gilan sorriram, como se a ideia lhes agradasse. Ah, que ótimo, pensou Christine. Estamos mortos.

- Não seria muito justo, senhor. — disse o aprendiz do quarto ano, Fred. — Quer dizer, vocês têm bem mais experiência que nós e...

- E seria uma ótima maneira de aprender mais. — retrucou Gilan. — Eu concordo. Vocês vão perder de todo jeito.

- Então está decidido. — anunciou Crowley. — Eu, Halt, Gilan e Will contra vocês cinco.

- Mas vocês são apenas quat... — começou Jack, mas não pode terminar, pois Christine pisou em seu pé com força. Quatro arqueiros já eram o bastante para transformá-los em pó, não precisavam de outro.

- Há um porém — acrescentou o comandante. — Sem armas convencionais. Não queremos machucar vocês. Terão de se virar com as coisas que encontrarem. As bandeiras podem estar em qualquer lugar visível. A nossa será azul. A de vocês, vermelha. Quem conseguir pegar a outra bandeira primeiro ganha. Entendido? — eles fizeram que sim. — Ótimo. Vamos começar.

Os cinco aprendizes se reuniram numa rodinha para planejar.

- Acho que a bandeira deveria ficar em algum lugar alto e difícil de escalar. — disse Jack. Christine sacudiu a cabeça.

- Pésima ideia. Eles veriam de cara, e Will conseguiria chegar lá facilmente. Além do mais, é difícil de defender.

- Então o que sugere?

- Sinceramente? Não temos a menor chance de ganhar, e acho que eles sabem disso, mas também acho que isso é algum tipo de teste. Por isso, temos que mostrar que aprendemos alguma coisa.

- Certo. — concordou Fred. — Temos que dividir as tarefas. Acho que apenas uma pessoa devia tentar pegar a bandeira.

- Eu vou. — disseram os dois aprendizes mais novos juntos. A garota cruzou os baços.

- Ah, que maravilha. — suspirou. — Não acho que podemos ir ambos. Nossa defesa ficaria fraca.

- Ou talvez — replicou o garoto. — devêssemos ir ambos. Quer dizer, eles são arqueiros. Will e Halt são lendas vivas. Nós sabemos pouco, estamos aprendendo a muito pouco tempo. Acha mesmo que poderíamos nos defender deles?

- Eles não vão vir todos. Alguém vai ter de ficar vigiando. Provavelmente, Halt e Crowley. Gilan sabe se mover sem ser visto como ninguém, Will me contou. Quanto a Will, eles provavelmente vão presumir que colocaremos a bandeira em algum lugar alto.

- Provavelmente você tem razão, e é por isso que tem que ir mais de uma pessoa! Ou você acha que pode dar conta de Halt e Crowley sozinha?

Christine mordeu o lábio. Ele era tão irritante... Principalmente porque estava certo. Olhou para os aprendizes do quinto ano, Alex e Joel.

- O que acham? — perguntou. Eles se entreolharam.

- Acho que o melhor seria ficarmos na defesa junto com Fred. — respondeu Alex. — Quer dizer... Sem querer ofender, mas provavelmente é mais simples pegar a bandeira do que defendê-la, e vocês são os que sabem menos...

- Ótimo. — rendeu-se ela, frustrada. Então pôs o capuz e deu-lhes as costas. — E onde vamos colocar a bandeira?

- Acho que não faz realmente diferença. — respondeu Fred. — Mas acho que um lugar alto possivelmente é melhor. Nos dá tempo.

- Certo. Eles provavelmente já estão vindo. Vamos, Jack.

Ela saiu andando sem olhar para trás. Esgueiraram-se pela floresta em silêncio, usando as sombras, até que Christine teve um ideia.

- Um minuto. — sussurrou. Então, o mais silenciosamente possível, subiu em uma árvore, o mais alto que se atrevia. Varreu o horizonte com os olhos, à procura de um ponto azul. Encontrou o que queria em uma clareira cortada por um riacho, não muito longe, a norte do lugar onde estavam. — Vamos. — disse, ao descer. — Descobri onde é.

Quando estavam quase lá, pararam para discutir estratégias.

- Devíamos ter pensado nisso antes. — murmurou Jack.

- Psiu! - fez Christine. — Cala essa...

E, de repente, ela estava presa pelos braços de Will, que facilmente a tirou do chão e carregou-a para a clareira.

- Não é uma boa ideia discutir a estratégia aos sussurros a um metro dos inimigos. — disse a voz de Gilan. Christine lançou um olhar furioso a Jack, a quem Gilan estava amarrando com grossos cipós trançados. Era tudo culpa dele. Se não tivesse sido tão idiota...

Will amarrou-a também. Os dois arqueiros então sentaram-se à frente dos prisioneiros, admirando o trabalho. Então o mais novo disse:

- Estou decepcionado com você, Christine.

Ela abaixou a cabeça, sentindo o rosto ficar vermelho. Ele quase sempre a chamava de Chris, a não ser quando estava chateado com ela.

- E eu com você, Jack. — acrescentou o outro. O garoto desviou o olhar. — Vocês foram muito previsíveis, embora eu achasse que só um viria.

- Esse era o plano original. — admitiu Christine. — Mas esse idiota insitiu em vir também.

- Esse idiota? - exclamou Jack indignado. — Você não teria tido a menor chance sozinha!

- Teria, sim! Eles nos notaram porque você falou. Francamente, será que você não tem nada nessa cabeça enorme?

- Olhe aqui...

- CHEGA! — interrompeu Will. — Primeira lição: Se o plano deu errado, a culpa é de quem o arquitetou, não de quem o executou. Qual dos dois foi?

Eles apontaram um para o outro simultaneamente.

- Ótimo. — suspirou Will. — Nesse caso, a culpa é de ambos. Devo dizer que achei que Alex e Joel tomariam a dianteira, não achei que deixariam dois aprendizes do primeiro ano fazer um plano de batalha.

Os dois se calaram, e passaram algum tempo em silêncio.

Christine pensava desesperadamente no que fazer. Não gostava de ficar ali amarrada, como um presunto de festa. Queria provar que não era tão incompetente assim. O único jeito seria cortar os cipós, mas como?

Olhou para Jack. Ele parecia estar pensando mais ou menos a mesma coisa. Cutucou-o com o pé para que a olhasse; e, pela primeira vez, percebeu o quanto o rapaz era bonito. Procurou varrer tais pensamentos da mente e se concentrar. Formou as palavras "os nós" com os lábios. Will lhe mostrara como fazer as algemas de polegar com madeira e cordas, mas os arqueiros certamente perceberiam se ela tentasse se soltar.

O único jeito seria pegá-los de surpressa e lutar com os pés e mão amarrados.

Notas finais
Espero que tenham gostado!!! Alguém já adivinhou quem vai ser o par da Charistine?? MUAHAHAHAHA