A Aprendiz
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Notas iniciais
Fiquei meio decepcionada por causa das poucas reviews, mas resolvi postar mesmo assim, para os que escreveram!
Espero que gostem :3
- Quanto exatamente os arqueiros sabem sobre nós? — perguntou Ethan.
- Bem pouco. — respondeu Christine com sinceridade. — Sabem que vocês sequestram principalmente garotas entre quinze e trinta anos em Redmont e Norgate. E praticamente é só isso. Não sabem que você é um traidor nojento — acrescentou. -, se é com isso que está preocupado. Acho que ainda pensam que você é uma vítima. Não tenho como ter certeza, mas acho que é só. Pelo menos, era, quando fui sequestrada.
Ele observou-a cuidadosamente, à procura de algum sinal de que estivesse mentindo. Quando não o viu, continuou.
- Eles sabem alguma coisa sobre... Sobre como levamos as pessoas? Viram quando pegamos você?
A garota não ia correr o risco de matarem Jack como uma espécie de "queima de arquivo" — isso se ela já não estivesse morto. Rapidamente, fez que não com a cabeça.
- Não. Não sei se uma pessoa comum viu, mas os arqueiros não.
Por um tempo, Ethan pareceu considerar sua resposta. Então sorriu.
- Mas você não estava sozinha. — objetou, calmamente. — Estava noiva com o Jackson, que é um aprendiz, assim como você. Até me disse que estava noiva dele... A propósito, era mentira, não era? Ótimo. Odiaria descobrir que você está apaixonada por outro. Enfim, Jackson tentou salvar você, certo? Então ele viu.
Chris sentiu um aperto na garganta. Havia esquecido que Ethan também tinha estado lá naquela noite! Nervosa, falou a primeira coisa que lhe veio à mente:
- Ele está morto.
- Tem certeza? — repetiu Ethan, erguendo as sobrancelhas e parecendo surpreso.
- Tenho — ela desviou o rosto e uma lágrima escorreu por sua bochecha. — Aquela... Aquela coisa de olhos vermelhos que estava com vocês o mordeu. Quando voltei a olhar, ele estava deitado imóvel em uma poça de sangue. Estava morto, ou tenho certeza de que teria me salvado. — se esforçou para parecer realmente triste. Não foi muito difícil.
- Ora,ora — o sequestrador soltou um risinho divertido. — Então o Jack está morto, não é? Interessante. Isso pode ser uma boa notícia.
A aprendiz de arqueiro lançou-lhe um olhar de profundo nojo, mas desta vez não foi preciso fingir.
- Como pode achar que isso é uma boa notícia? — perguntou. — Ele morreu, e a culpa é sua! Devia estar pelo menos se sentindo mal por isso!
- A culpa não é minha — defendeu-se Ethan. — Não fui eu quem o matou.
- Mas tenho certeza de que foi você quem armou aquele sequestro!
- Achei que estivesse claro que não sou o chefe aqui...
- Mesmo assim, você estava envolvido nisso até o pescoço, e agora Jack não está mais respirando, e eu nunca vou te perdoar por isso! — de repente, ela sentiu lágrimas verdadeiras queimarem em seus olhos.
- Eu não me importo com seu perdão, amor — ele disse suavemente, aproximando o rosto do dela. — Realmente não me importo. Eu não me importo com você. E eu não me importo com seu namoradinho imbecil. É até bom que esteja morto... Assim você fica livre para mim...
- Você fala como um maníaco — debochou Chris, afastando-se e finalmente recuperando o controle. — Desse jeito, vou começar a achar que só me sequestrou porque estava apaixonado por mim.
- Só a capturei porque estava fazendo perguntas demais. — Ethan deu de ombros. — E só fico falando essas coisas porque é bonita, nada mais. Além disso, você faz uma cara engraçada quando te provoco.
Então era isso, pensou ela, ignorando a parte sobre provocá-la e ela ser bonita. Foi por isso que o meu sequestro foi violento, ao contrário dos outros. Foi porque era urgente.
- Bom saber. — replicou. — Porque odiaria ter de magoá-lo, e meu coração já é de outro.
- Ah, é? Posso saber o nome do sortudo?
Christine hesitou por um momento, pensando primeiro em Jack, depois em Peter. Havia passado tão pouco tempo com eles... Lembrou de como desesperara-se ao ver Jack ser ferido. Em seguida, lembrou-se de como sentira-se segura nos braços de Peter.
Como não sabia o que responder, apenas deu um sorriso enigmático.
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A dor era quase insuportável. A ferida na parte superior do tórax de Jack havia inflamado de novo, e o garoto estava se esforçando para manter-se consciente enquanto Gilan, o melhor "curandeiro" do grupo, examinava-o.
- Isso é ruim — murmurou o arqueiro, preocupado. — Está infeccionando. Achei que os primeiros socorros básicos para ataques de animais grandes bastariam, mas...
- Não era um animal normal. — interrompeu Jack. — Aquela coisa pensava. Eu sei que parece besteira, mas tenho certeza de que não era um lobo comum.
- Se for o mesmo que deixou as pegadas que encontramos — acrescentou Will -, com certeza pensa. Nenhum animal irracional tentaria apagar suas próprias pegadas.
- Vocês não acham que havia algum tipo de veneno nas presas, acham? — perguntou Horace, nervoso. Venenos eram algo especialmente desprezível para o guerreiro, principalmente depois de sua péssima experiência em Clonmel.
- Não. — respondeu Halt, imediatamente. — Tenho certeza de que não havia veneno nessas presas. É um lobo, não uma cobra. Lobos não tem presas apropriadas para armazenar veneno.
- Além disso, ele não tem nenhum sintoma além da óbvia inflamação no corte — completou Will. — Sabia que devíamos ter deixado você descansar... Precisamos fazer alguma coisa!
- Eu... Eu vou ficar bem — garantiu Jack, falando com dificuldade. — Só preciso...
- Se você disser que só precisa descansar — cortou Gilan, irritado -, eu vou te dar um soco.
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