A Aposta.
23 Capítulo 22 - Declaração de Jocelyn Parte 1 / A Carta perdida de Valentim.
Notas iniciais
Declaração ao Parlamento do Reino Inglês
Declarada e Assinada em 17 ( Dezessete) do mês de Setembro, no ano número Dois Mil e Quatorze.
Perante meus motivos e os motivos de todos aqueles que concordam com os citados dogmas a seguir, o Parlamento da Inglaterra e Reino Unido declaram esse documento verídico e Oficial perante o governo monárquico, Deus e todo o povo.
Declarado os motivos, abrimos uma seção Nº 22,7789. 32 no Artigo 97 da Constituição Inglesa, fundada em 1215 junto da Magna Carta. Declaramos aqui uma nova reforma no Governo, aprovada em absoluto por todos os membros do Parlamento.
Declarado por Jocelyn Charlotte Fray Mongestern, que possui os títulos de Regente Rainha do Reino Unido, Parlamentar e Duquesa das milhas de Chelsea.
Portanto, em suas palavras, declara-se hoje — Perante Deus e todos os presentes — Sua filha, sangue de seu sangue, Clarissa Adele Fray Mongestern, incapacitada de governar o Reino da Inglaterra até que complete seus vinte e um anos de nascimento.
Os motivos são juventude exagerada, falta de maturidade e falta de matrimônio. E, ao manter-se incapacitada, é hoje decidido em absoluto que a Regente Jocelyn declara-se legítima para assumir o trono até o tal amadurecimento da Princesa Clarissa A. F. Mongestern.
Também estará em aberto para possíveis herdeiros legítimos e somente isso, sem brechas para considerar outros tipos de parentescos. Por bem, solucionaremos com o tempo estimado para possíveis herdeiros bastardos e de não-matrimônio serem apresentados até quatro meses após o surgimento desta mesma declaração.
Declarado assim, perante todos os juízes, é Decretado como lei absoluta e irrevogável.
Apresentado pela atual Lord Speaker ( Líder do Parlamento) Helene Hayman
E assinado pelos 789 pariatos e pelos outros 650 membros do parlamento, sendo somado assim 1.439 membros legais.
Por Deus, em Deus e a Deus, declarado é este documento.
*(^3^)*/
Minha querida Jocelyn,
Escrevo hoje pois pressinto certa ameaça. Nada anda tão tranquilo assim pela sociedade e há tempos venho recebendo avisos bem claros sobre o que vai me acontecer.
Não se pode enganar a morte, meu amor, muito menos fazê-la de tola. Não me acho capaz de evitar tal situação e admito ter medo de partir e deixá-la no escuro. Eis então aqui todos os meus sentimentos, minhas carências e meus defeitos. Não posso deixar-te junto de minha mãe e minha filha as cegas.
Desde o primeiro segundo que te vi, sabia que seria o amor de minha vida. Você estava radiante com aquele vestido longo carmim, com os cabelos presos elegantemente e o sorriso tão jovial que te embelezava, oh, querida. Estava ao lado de sua irmã, cuja beleza era em nada comparada aos teus suaves cabelos flamejantes. Eu caminhei até ti, enfeitiçado, e fui retribuído por um sorriso. Ah, mais que lindo sorriso! Você curvou-se junto de suas primas e vossa irmã, mas eu não queria isso. Queria tocar meus lábios aos teus, ser o motivo de seu sorriso, seus sonhos e desejos.
E foi isso que eu fiz, dois dias depois, indo sorrateiramente até o casarão onde tua família se hospedava quando ia à Capital. Sua empregada, Anne, fora me atender e quase teve um ataque no pobre coração ao me reconhecer — mas supliquei por vossa bondade e lhe implorei para que desse-me a honra de compartilhar alguns minutos na vossa presença.
E então, você desceu.
Oh, como parecia um anjo! Os longos cabelos de fogo queimaram minha alma e eu me vi no céu ao olhar para as piscinas verdes que teus olhos irradiavam. Como aquele mar não apagava o fogo em teus cabelos, mulher? Como?
Enfim, naquele dia nossos lábios firmaram-se pela primeira vez — no gazebo de seus pais — onde eu lhe pedi para cortejá-la. Ainda que sorrateiramente, minha mãe descobriu por intermédio de sua irmã e eu fui repreendido.
Meu pedido deveria ser oficial, perante o povo, e não escondido. Porém, meu amor, eu não queria expô-la tão cedo. Não antes de ter um anel com meu nome em seu anelar esquerdo.
Mas havia então um problema, meu amor. Sempre fui um jovem festivo e cedi a tentações na adolescência. Uma delas foi aos dezessete anos, com uma jovem prostituta francesa, e no ventre dela eu moldei um filho.
Não me tome por um canalha, querida, eu fui de cumprir minhas responsabilidades e tornei a vê-la, pedindo sua mão para assumir meu filho. Mas ela declinou, afirmando gostar de sua profissão. Então minha única solução foi criar meu bastardo por longe, já que não lhe havia mãe para assumir.
No ano seguinte te conheci e foi então que a tão sonhada mágica aconteceu.
Minha querida, se estiver a ler esta carta é porque eu já faleci. Pois então cumpra meus últimos pedidos como um homem:
Dê o apoio à nossa filha. Clary é uma boa menina, é sonhadora e merece ser feliz. Não deixe que minha morte a afete e, pelo bem dela mesma, não deixe-a se martirizar por não poder me proteger para sempre. Conheço bem demais seu gênio para saber que nossa filha o herdou.
Cuide de minha mãe, pois dores irão chegar junto de minha partida e a boa e velha Marie não tem mais um coração tão forte.
Encontre Sebastian para mim, dê-lhe o trono se for possível. Creio que, se não for muito ousado de minha parte pensar isto, a cadeira lhe pertence. Ele é e sempre será meu primogênito, não importa sua origem.
E, acima de tudo, seja feliz. Ame outro homem, viva outra vida, reconstrua-se. Se eu me fui, quero ter certeza de que minha alma lhe fique e que lhe apoie em novas jornadas, amores e capacidade.
Amo-te mais que a minha própria vida, pois você é a minha vida.
Proteja Clary e não seja muito opressiva com ela, lembre-se de que nossa baixinha é apenas uma criança.
Com todo meu amor, minha vida e minhas esperanças,
rogo-te para que assim me deixe, mas que nunca me esqueças.
Tenha-me como uma lembrança de uma primavera agradável junto de teu coração e sempre ei de ser feliz.
Atenciosamente e amorosamente
Valentim Mongestern.
Seu eterno amor.
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