A Aposta.
22 Capítulo 21.
Notas iniciais
POV Autora Diva.
Sua postura estava ereta, sua pele suava, seu coração martelava nas costelas. Nunca pensara que se sentiria desconfortável naquela cadeira. A poltrona em estilo francês em que sempre brincou quando era mais nova. Afinal, Clary sempre gostara de brincar no ex-escritório de seu pai. Que agora voltara a pertencer à sua avó.
Valentim fora um excelente Pai. Era um pouco ausente, talvez. Por causa do que ele tinha de fazer junto do Primeiro Ministro – Hodge Startweather.
Lembrou-se de quando penteava os cabelos de seu pai, que eram brancos como a mais pura neve. Ela sempre quis ter aquela cor no cabelo, aquele glacial lindo. Mas, em vez de nascer linda como sua mãe ou seu pai, ela nascera baixinha, ruiva e com olhos verdes. Uh-Oh, que maneira horrível de se nascer, princesa! – Debochara uma criada com quem uma vez Clary resolveu conversar a respeito. – Veja pelo lado positivo, princesa mignon. As pessoas têm pena de gente feia como você. Talvez, se eu te pôr para trabalhar nas ruas, você consiga algumas esmolas para mim... – A mesma continuou, com aquele seu tom de desdém que enfureciam Clary.
Ela se viu voltando ao presente como um solavanco. Sua avó ainda à encarava com aquelas orbes ônix brilhantes.
Clary nunca sentiu tanto medo quanto sentia naquele momento. E se ela não me permitir ficar com Jace? – Se perguntou. – E se ela me proibir de me casar com ele? Ou pior, me obrigar a tirar meu bebê? Não, Clary não permitiria isso. Não deixaria sua avó decidir seu futuro. Ela poderia a desertar, convencer o conselho de tirar seu direito ao trono ou até mesmo a expulsar do Castelo, mas não poderia tirá-la de Jace. Sem Jace não tinha Clary, essa era a única coisa de que a ruiva tinha convicção.
– Pois então, Clarissa... Está me devendo uma resposta. – Declarou a mais velha. – Chega de Protelar.
– Hã... É claro, vovó...
– Não me venha com essa de vovó. – A Majestade zombou, cruzando as mãos por sobre a mesa de mogno. – Valentim usava o mesmo tom de voz quando achava que iria se encrencar, então arranje outro jeitinho.
Clary revirou os olhos e suspirou.
– Ok, Ok. Não vou mais protelar, vózinha... – Respondeu, com medo e determinação. – Eu e Jace... Hã... eu estava beijando Jace porque...
Marie suspirou, sabendo que seria mais difícil do que ela pensara. Clary pensava que sua avó iria se irritar ao saber do seu noivado com o Herondale, mas a verdade era contrária. A mais velha estava alegre, mais que isso até. Nunca quisera o mal de sua netinha querida, apenas vê-la feliz. E, se ela quisesse ser feliz ao lado de um garoto que fizera tão bem à mesma ao tirá-la do casulo onde ela se enfiava Marie só tinha que agradecer aos céus. A felicidade de sua neta estava acima de tudo, mesmo se Clary quisesse se casar com o Ronald Mcdonald.
– Desembuche, Clarissa!
– Sim, Senhora. — Afirmou, respirando pesadamente. Ela era uma mulher. Tinha que Honrar suas atitudes. — Eu e Jace vamos nos casar, vovó. Eu já falei com minha mãe e ela não tem nada contra.
Marie suspirou e ergueu uma sobrancelha.
– E por que vocês pretendem casar assim, tão jovens? — Perguntou, curiosa.
– P-Porque... E-eu estou grávida, grávida de Jace. — E então o desespero à tomou. — E a senhora pode até me deserdar, me expulsar daqui ou convencer o conselho a me tirar o direito à coroa, mas não pode me tirar de Jace. Ele é o 1% que completa a minha alma, vovó.
Marie suspirou e sentiu seus olhos embargarem. De felicidade e de preocupação. Sua tão amada netinha havia se tornado uma mulher, uma mulher que assumia seus atos. Uma mulher que encontrou o amor. Mas também tinha preocupação, a preocupação de ver que sua neta pensava algo tão ruim dela. Marie Mongestern nunca seria capaz de deserdá-la, de expulsá-la ou de fazê-la abdicar do trono. Ela só queria sua felicidade. Marie se levantou e caminhou até sua neta, à abraçando.
– Clarissa! — Repreendeu a mais velha. — Eu nunca te desejaria o mal, minha neta. Eu te amo mais que tudo, nunca se esqueça disso.
Clary engoliu em seco e sentiu suas lágrimas quentes escorrerem por seu rosto.
– É que... Eu estou com tanto medo, vovó. Eu quero que meu pequeno Valentim fique aqui dentro — e tocou delicadamente com seu ventre com as mãos enquanto se afastava de sua avó. — Onde eu possa cuidar dele.
– Va-Valentim? — Marie gaguejou, emocionada. — Você quer que se chame Valentim?
– É claro, vovó. — Declarou, com um sorriso verdadeiro, para logo depois deixar a voz em forma de sussurro. — Mas Jace quer que seja menina, diz que não vai me dividir com um garotinho remelento.
Marie achou graça do amor jovem.
– Uh, é mesmo? — Perguntou, encorajando-a a falar mais. — E se for menina, que nome você pretende dar?
– Hmm... — Clary pareceu pensar e, por fim, disse: — Lilly. Minha doce e pequena Lilly.
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Tédio, tédio e mais tédio. Era no que a Vida de Maia havia se transformado. No mais puro tédio. Aquela prisão domiciliar era terrível, a polícia londrina e a Guarda Real acampavam diante de sua porta. Interceptavam suas correspondências e nem Televisão à deixavam assistir.
Tudo bem, tudo bem. Talvez ter preferido afogar Clary ao em vez de dar logo um tiro em sua cabeça havia sido uma péssima escolha. Mas Maia não pôde evitar, ela queria ser a responsável pela morte da princesinha. Queria arrancar aquela cabeleira ruiva e transformar em uma vassoura mal-feita. Queria ouvir seus gritos de agonia enquanto ela e aquela semente do Diabo que estava em seu ventre afogavam. Maia faria questão de guardar uma garrafa daquela água para beber nas manhãs de natal.
Ela teve mais ódio ainda de Clary quando, dois dias antes, recebera uma carta clandestina avisando que a Princesinha pedante estava grávida. Agora sim, ainda mais que antes, Maia desejava matar Clary.
Desde sua infância, sempre foi Clarissa de canto a canto. Clarissa era mais importante para a sociedade, Clarissa era mais bonita, Os meninos queriam beijar Clarissa... Maia não pôde evitar fisgar Nathaniel-Melequento quando teve sua chance. Pelo menos, pensou, ganhei de Clary em algo. Sabia que, mesmo estando comprometido com sua prima, Nathaniel à queria. E ele à teve, por dois anos, antes da princesinha descobrir. Mas Maia ainda sentia-se orgulhosa. Fora ela quem teve Nathaniel, quem beijou Nathaniel, quem satisfez Nathaniel. Nisso ela ganhara de Clary. Pelo menos em alguma coisa...
Maia pegou o BlackBerry clandestino, que estava escondido debaixo de suas roupas íntimas na gaveta do pequeno quarto, e digitou o número de seu aliado.
Queria sua vingança e sabia o que fazer. Sua mãe lhe ensinara quando matou o Grande Rei. Valentim pereceu seco, sem nenhum vestígio ou digital de sua mãe. E pensar que a ruivinha nunca descobriu nada... Aquela besta vestida de vestido. (n/A: Eu sei, eu sei... Surprise, MotherFoca!)
Anthony atendeu o telefone ao terceiro toque, sua voz se mostrava impaciente.
– Sim?
– Anthony? — Maia perguntou, com a voz alegre. — Lembra-se daquele favor que você está me devendo?
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Jocelyn adentrou o vestíbulo daquela casa com seu melhor sorriso no rosto. Era uma reunião confidencial do parlamento, por isso não podia ser feita no Castelo.
Todos os treze homens se levantaram ao notar a entrada da Dama.
– Senhorita Jocelyn. — O primeiro ministro disse, fazendo uma curta reverência.
– Hodge. — Jocelyn foi curta, fechando seu sorriso. — Não tenho muito tempo. Temos que ser breve.
– E por que a Senhora nos convocou tão secretamente? — Perguntou o Duque, com uma sobrancelha erguida.
– Isso mesmo, estou com dúvidas. Não consigo encontrar nenhuma razão para isso, Senhora, queira desculpar-me.
Jocelyn assentiu, com certa impaciência.
– Vim aqui para fazer um anunciado, meus senhores. — Afirmou a Senhora, tirando o grosso casaco de pele felpudo e sentando-se na cadeira em estilo vitoriano. — Eu pretendo e irei assumir o Trono deixado à mim por Valentim, quero que todos saibam disso.
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