A Aposta
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Brittany até pensou em aceitar a oferta de Rachel, mas ao conversar com Santana percebeu que por mais que suas palavras fossem positivas os olhos castanhos indicavam outro sentimento e Brittany sabia muito bem qual. Insegurança. Elas tinham um pouco mais de uma semana de namoro e de amizade por volta de três então Brittany sabia ler o corpo de Santana.
Era engraçado como ela sabia o que a namorada estava sentido com um simples toque no rosto ou um morder de lábios, mas não fazia idéia do que Mike queria dizer quando levantava as sobrancelhas ao mesmo tempo, mesmo o asiático tendo explicado varias e varias vezes.
Então a loira dos olhos azuis preferiu descartar a possibilidade de se unir ao time e ainda acrescentou que Santana não deveria se preocupada com outras garotas porque agora ela só tinha olhos para uma latina baixinha que usava roupas de crianças. Santana sentiu as bochechas queimando e deu um tapa na namorada negando seja lá o que Brittany estivesse pensando, mas logo admitiu que gostou de saber que a loira não passaria muito tempo com as cheerios. Bom admitiu depois de um ataque de cócegas.
X...X...X...X
– Hey Pierce – Puck gritou assim que avistou Brittany em seu armário.
– Fala Puckssauro — Se virou para olhar o amigo que caminhava em sua direção.
– Será que você tem um tempo para os amigos ou vai ficar grudada com sua namorada? – Perguntou com um sorriso de lado.
– Vou ver na agenda – Brittany abriu um caderno qualquer que retirou de seu armário e fez cara pensativa – Acho que tenho um tempo livre exatamente agora.
– Pelo menos ainda continua bem humorada – Cruzou os braços e se encostou aos armários.
– Eu não mudei se é isso que esta tentando dizer – Brittany suspirou e olhou para o amigo que olhava para os pés.
– Tem certeza? – Puck arqueou a sobrancelha direita e voltou a olhar a amiga.
– Talvez um pouco – Soltou um suspiro e voltou a mexer no armário.
– Não acha que esta levando isso a serio demais? – Puck perguntou.
– Achei que tinha que ser convincente – Essa pequena frase que a mais ou menos um mês não faria diferença nenhuma na vida de Brittany agora deixava seu coração pesado.
– Então eu devo dizer que é uma ótima atriz por qualquer um que olha pra vocês acha que o amor esta no ar – Puck avisou quase com um toque de conselho – Só não se envolve demais por que no final fica difícil de quebrar o coração da estúpida Lopez.
A única coisa que Brittany queria quebrar era o rosto de Noah, mas não seria uma boa idéia. Primeiro porque eles estavam no corredor da escola e segundo porque se ela fizesse isso provavelmente Puck desconfiaria ainda mais e por mais que ela gostasse de Santana cada dia mais e mais ela ainda não estava preparada para dizer isso em voz alta. Principalmente para seu amigo.
Mesmo que suas palavras soassem com indiferença seu coração parecia se comprimir em seu peito e agora finalmente ela tinha entendi todo o blá, blá, blá amoroso que via em filmes românticos e que algumas meninas da escola diziam por ai. Agora ela sabia como o mocinho dos filmes se sentiam ao magoar a garota amada mesmo que tecnicamente ainda não tivesse feito nada de errado com Santana.
Ela ainda não estava preparada para admitir qualquer coisa em voz alta, mas tentaria o máximo possível enfrentar seus medos e quem sabe um dia dizer a todos que Santana era a pessoa mais especial que tinha conhecido e isso teria que ser antes que a latina descobrisse qualquer coisa sobre a tal aposta.
– Pode deixar – Brittany disse e logo fechou o armário se afastando de Puck antes que o mesmo pudesse dizer alguma coisa. Ela só precisava achar Santana o mais rápido possível.
A loira sabia que Santana provavelmente estaria na parte externa da escola onde tinha um espaço com mesas e cadeiras de cimento na grama com algumas arvores envolta. Um lugar agradável que alguns alunos ficavam na hora do intervalo e outros usavam para estudar pelo silencio que outras partes da escola não forneciam.
Quando passou pela porta de ferro pintada de vermelho, Brittany avistou a namorada sentada na grama com as costas apoiadas no tronco de uma arvore enquanto lia um livro qualquer que a loira não saberia identificar já que Santana parecia estar com um livro novo a cada dia.
– O que esta lendo? – A loira perguntou ao se sentar ao lado da menina concentrada em sua leitura.
– O código Da Vinci – Santana levantou a capa e Brittany pode ver uma pequena parte do rosto de Mona lisa sobre a capa vermelha.
– E é legal? – Ela não esta interessada em saber, mas sabia que Santana ficava feliz quando perguntava.
– Extremamente – Sorriu e se inclinou sobre os lábios de Brittany, mas antes que fechasse o espaço continuou – Mas eu sei que você não liga – Riu e beijou os lábios rosados.
– Você me conhece tão bem – Brittany cantarolou assim que se afastaram.
Brittany deitou a cabeça sobre o colo de Santana e observou as expressões da namorada enquanto a mesma voltava a ler, mas Santana parecia ter perdido o foco e divagava hora olhando para o céu hora olhando para as pessoas que estavam por ali.
– Um beijo pelos seus pensamentos – Brittany sussurrou para que não assustasse Santana que parecia estar longe.
– Não é nada demais – Voltou o olhar para os olhos azuis que lhe fitavam com carinho e inclinou para depositar um beijo na testa clara.
– Vamos lá San. Você sabe que pode me contar qualquer coisa – Brittany insistiu.
– Não é contar. Eu queria te pedir uma coisa – Santana começou insegura.
– O que você quiser – Tentou incentivar, mas a namorada parecia nervosa e ela poderia percebe isso só pela forma que Santana acariciava seu cabelo.
– Eu queria que você entrasse para o clube glee – Santana resolver dizer de uma vez porque enrolar não seria a melhor forma de convencer Brittany.
– Santana – Brittany começou em um tom mais calmo que a namorada esperava, mas mesmo assim Santana preferiu interromper para se explicar antes que a loira negasse.
– Só me escuta um pouquinho tudo bem? – Brittany concordou então depois de um suspiro Santana prosseguiu – Todo mundo acha que nós do new directions só ficamos cantando sobre besteiras e saltitando pela escola como se fossemos gazelas – A loira não pôde evitar a risada por que era exatamente isso que ela pensava, mas logo recebeu um tapa e voltou a prestar atenção na explicação – Mas isso não é verdade. Nós usamos a musica pra extravasar nossos sentimentos. Usamos as batidas e letras pra expressar o que nos magoa, nos alegra ou entristece. Pode parecer besteira pra o restante da escola, mas nós somos uma família porque quando passamos pela porta não interessa se você é negro, magro, alto, gordo, latino, gay, popular ou perdedor. O que importa é o que você é e não o que os outros pensam. Aquelas pessoas te amam pelos seus defeitos e qualidades e no momento em que você se dispõe a cantar sobre algo eles vão te ouvir, te aplaudir e te abraçar pra te dar forças pra enfrentar o que for preciso.
Quando Santana terminou de dizer ela tinha um sorriso leve nos lábios como se lembranças dos momentos em que passou com os amigos estivessem sendo recriada a sua frente e foi isso que chamou a atenção de Brittany. Era bom saber que Santana tinha um porto seguro depois de todas as brincadeiras que agora lhe parecia estúpidas. Que ela tinha pessoas a quem recorrer e por um momento ela sentiu inveja de tudo que Santana tinha, mas não uma inveja ruim. Era mais uma sensação de desejo por que tudo o que ela mais queria era ter amigos de infância, pessoas que saberiam como reagir a sua volta, pessoas que saberiam lhe entender como ninguém. Ela tinha Puck, Mike e Sam, mas mesmo assim o vazio de uma adolescência sem ninguém ainda estava lá.
– E é por isso que você quer que eu entre? – Podia parecer uma pergunta fria porque o que todos esperam é que lagrimas escorressem pelo rosto de Brittany e que ela disse algo lindo, mas não é assim que funciona. Ela não tinha um lugar pra esconder, um lugar onde ninguém a atingiria então ela ainda não entendia. Ela precisava sentir.
– Sim e não – Santana não deixou o sorriso de lado mesmo que o tom de voz de sua namorada parecesse indiferente e longe – Existem competições de corais – Brittany arqueou a sobrancelha com a nova informação. Ela realmente não sabia que existiam essas tais competições – São as seccionais, regionais e as nacionais.
– E vocês ganharam alguma? – Perguntou levemente interessada.
– Sim. As seccionais e as regionais e daqui a mais ou menos três meses tem as Nacionais e é ai que você entra – Santana explicou mais animada com o interesse de Brittany.
– Eu? – Perguntou mais uma vez arqueando a sobrancelha – O que eu tenho a ver com essa tal nacionais?
– É que pra gente participar precisa de no mínimo doze integrantes e nós até tínhamos, mas alguns desistiram ou mudaram de escola – A expressão da latina mudou de alegre para desanimada – E é por isso que eu gostaria que você entrasse. Você só precisa acompanhar a coreografia e cantar de fundo. Não é difícil, por favor, Britt pensa com carinho.
– San eu entendo tudo isso, mas é o clube glee – Brittany voltou a sentar ao lado de Santana – Eu não posso simplesmente entrar. Isso acabaria com a minha reputação.
– Mas você entrou para o clube de teatro – Santana disse com a voz falha. Ela tinha prometido a si mesma que não demonstraria tristeza se a resposta de Brittany fosse negativa.
– Só que o coral ainda é abaixo deles. Se eu entrar os alunos dessa escola vão achar que eu também sou uma perdedora e eu posso até receber rapadinha. Não estou preparada pra isso Santana – Brittany disse com os braços cruzados.
– Tudo bem – Respondeu de cabeça baixa – Eu tenho que ir.
– Mas já? – Brittany perguntou confusa. Não devia ter nem vinte minutos que estavam ali.
– Eu tenho que encontrar Rachel – Santana suspirou e se levantou.
Ela não podia exigir que Brittany mudasse todo o seu jeito de ser por que estavam namorando, mas ela desejava que a namorada pelo menos tivesse mudado ao ponto de não pensar mais dessa maneira. Não pensar assim de seus amigos. Não pensar assim dela.
Com um ultimo suspiro Santana deu um beijo no rosto da loira e saiu pela porta vermelha deixando Brittany confusa.
X...X...X...X...X...X
– Qual a emergência? – Sam perguntou enquanto comia um pacote de batata chip.
Sam, Puck e Mike agora se encontravam na sala de estar da casa dos Pierce. Brittany tinha enviado uma mensagem mais cedo pedindo para que os amigos fossem até a residência assim que as aulas do dias acabassem.
– Eu vou entrar para o coral da escola – Brittany que se encontrava em pé resolveu desabafar.
Assim que Brittany terminou a frase os três garotos estouraram em uma gargalhada uníssono. Eles riam como se a garota tivesse contado a melhor piada que já tinham ouvido, mas da mesma forma que começaram se calaram. Brittany se mantinha em pé agora com os braços cruzados e a feição seria.
– Você esta falando serio? – Mike limpou a garganta e se posicionou melhor em seu acento.
– Sim – Deu a resposta curta e esperou que mais alguém se manifestasse.
– E porque você resolveu entrar para aquele coralzinho? Você tem noção do que pode acontecer? – Puck perguntou serio.
– Eu pensei muito sobre isso e sei que isso pode afetar a minha vida de uma forma negativa, mas eles estão precisando de novas pessoas – Brittany desviou o olhar dos três e suspirou.
– Agora deixa essa ladainha de lado e fala o real motivo – Mike pediu esticando as pernas até que seus pés encontrassem a mesa de centro.
Brittany hesitou por alguns segundos, mas sabia que mentir para os amigos não era uma boa opção então com um ultimo suspirou caminhou até a poltrona e se jogou na mesma ainda calada.
– Solta a voz Pierce – Sam se manifestou com a boca cheia de batata.
– A Santana pediu e eu pensei que seria uma boa já que rende alguns pontos a mais na media final – Mentiu Brittany. Bom não era totalmente uma mentira, mas ela precisava arrumar um jeito de colocar os amigos nisso.
Depois da saída da namorada mais cedo, Brittany ainda tinha duvidas se Santana havia ou não ficado chateada com o que tinha dito e por um momento achou que não, mas a namorada havia lhe ignorado o resto do dia.
Santana não tinha esperado Brittany em seu armário como sempre fazia para juntas caminharam até sua aula. A latina não fez questão que a loira se juntasse a ela e seus amigos na cantina e no final das aulas Santana recusou a carona pra casa alegando ter trabalho junto com Rachel.
Apenas depois destas pistas obvias, Brittany tinha percebido que Santana realmente não lhe queria por perto e que provavelmente estaria chateada ou até com raiva.
– E só porque sua namorada pediu você vai entrar? – Puck perguntou com o tom de deboche – Você esta mais caída do que pensei.
– Eu vou entrar porque se vocês não precisam okay, mas eu realmente aprecio esses pontos extras – Brittany respondeu tentando de alguma forma chamar a atenção dos amigos porque de forma alguma ela entraria naquele clube sozinha – Eu sei que o Mike gosta de dançar tanto quanto eu e que você e o Sam tocam violão.
– Espera um pouco ai – Puck piscou algumas vezes e inclinou em direção à amiga – Você ta querendo que a gente também entre? – Recebeu um aceno positivo de Brittany e voltou a recostar no sofá – De jeito nenhum. Você já me obrigou a entrar no teatro.
– Quem vê pensa que você entrou por minha causa – Brittany riu pelo nariz e passou a mão na testa – Acho que Jennifer teve um influencia muito grande em sua decisão.
– Eu não vou – Puck cruzou os braços e olhou para os amigos que estavam em silencio apenas observando – A hierarquia daquela escola já esta muito abalada. Isso pode ser a gota que falta para a confusão tomar conta.
– Por um momento não pensa nisso – Brittany pediu – Se não fosse pela popularidade vocês não gostariam de fazer algo que gostam?
– Claro – Sam respondeu alegre – Eu já pensei varias vezes em entrar, mas receber raspadinhas pelas manhas não é algo que eu gostaria.
– Eu pensei bem e não tem como isso nos afetar – Brittany começou a explicação um tanto quanto mais entusiasmada – Eles não têm coragem nem de pensar em fazer isso com a gente e outra se a gente ajudar o New directions a ganhar uma tal de nacionais à gente vai voltar com tudo.
– Isso pode ser bom – Mike voltou a falar.
– Vamos lá. Por favor – Brittany implorou.
– Por mim tudo bem – Sam concordou balançando os ombros.
– Eu topo – Mike também concordou – A coreografia deles são horríveis. Acho que vai ser legal criar algo – Ele e Brittany deram um hi-five sorrindo.
– E você Puck? – Brittany se virou sorrindo para o amigo – Eu sei que você quer.
– Tudo bem – Puck respondeu revirando os olhos e riu quando sentiu o corpo de Brittany cobrindo o seu.
Aproveitando a deixa Mike e Sam também se juntaram aos amigos no abraço e por mais estranho que parecesse era assim que funcionavam. Na escola pareciam brutamontes ignorantes e entre quatro paredes carinhosos e amorosos entre si.
– Tudo bem, vamos para com isso agora que ta ficando muito gay – Puck pediu e voltou a falar quando os amigos se afastaram – O que eu preciso fazer?
– Cada um precisa escolher uma musica para apresentar ou a gente pode fazer uma apresentação em grupo – Brittany explicou – Depois disso se a gente entrar não vamos precisar fazer muita coisa. Eles precisam completar o numero de participantes exigido.
– Okay, mas que musica?
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A escolha da musica tinha gerado uma discussão maior do que necessária, mas no final todos concordaram com a escolha. Após isso treinaram até tarde e o que mais impressionou foi o quanto se divertiram enquanto cantavam e tocavam. Era engraçado quando um dos meninos desafinava ou quando Brittany esquecia a letra mesmo tendo ouvido a musica milhares e milhares de vezes.
Na manha seguinte se encontram cedo na porta da escola já que a primeira aula seria clube glee. Eles estavam nervosos. Não apenas por cantar, mas porque teriam que fazer isso em frente de varias pessoas e seriam julgados, nervosos porque assim que passasse pela porta da sala do coral ele não poderia voltar. É claro que poderiam, mas era melhor não pensar que poderiam simplesmente correr para qualquer lugar e esquecer que algum dia tinha pensado nessa possibilidade.
Agora parados na porta, Brittany, Mike, Puck e Sam observavam pelo vidro o pessoal sentado enquanto ouviam o que o professor falava. Sam bateu na porta e o professor pediu que entrasse seja quem for.
– Vocês por aqui? – Mr. Shue perguntou surpreso.
– Nós queríamos entrar para o clube glee – Brittany tomou a frente.
– De jeito nenhum – Eles ouviram alguém gritar.
Depois do primeiro a sala virou uma tortura já que todos falavam ao mesmo tempo e em altura desnecessária. Aos poucos Mr. Shue conseguiu conter os alunos e se virou para os quatro que ainda estavam na entrada, mas agora com braços cruzados e feições serias.
– Todo mundo tem uma chance desde que saiba cantar ou dançar – Mr. Shue disse sorridente.
– Todo mundo menos eles – Mercedes gritou do fundo – Eu entendo que a Brittany agora namora a San e que ela pode até ter melhorado um pouquinho, mas o resto da gangue de retardados não.
– Hey cuidado aí tots – Brittany disse. Ela até riu, mas assim que percebeu que Mercedes também se referia a ela sua risada sumiu.
– Eu concordo com a Cedes – Kurt se manifestou – Eles nos fizeram muito mal. Não queremos pessoas iguais a eles aqui pra tirar a paz do único lugar que restou nesse inferno de escola.
– Porcelana nós não precisamos estar aqui – Puck começou irritado. Ele sabia que não ia gostar desde o começo – Que eu saiba é vocês que precisam da gente.
– E porque resolveram nos ajudar? – Finn um garoto alto e gordo perguntou.
– O motivo não interessa Frankenteen – Sam praticamente rosnou de seu lugar.
– O que importa é que nos somos quatro e vocês precisam de quatro pessoas pra completar o time, grupo ou sei lá – Brittany voltou a fala irritada – Mas vocês estão começando a me irritar então resolvam logo porque eu tenho mais o que fazer.
O pessoal do coral reuniu em uma roda para decidirem o que fazer o que fez os quatro amigos revirarem os olhos.
– Eles agem como se estivessem fazendo um favor a nós – Mike reclamou.
Só agora Brittany tinha parado para olhar a sala a procura de Santana e enquanto fazia sua busca reparou que o lugar chegava a ser aconchegante. De um lado havia vários instrumentos e um armário de vidro onde troféus de vários tamanhos repousavam. Na parede atrás de suas costas tinha uma lousa branca e a sua frente havia degraus onde diversas cadeiras estavam espalhadas. Metade da parede era de papel marrom ondulado e o resto eram janelas.
O scanio levou segundos até seus olhos azuis encontrarem Santana sentada no fundo da sala um tanto quanto longe de seus amigos que ainda discutiam entre si o que fariam. Sorriu e agradeceu quando Santana imitou seus movimentos. Era bom saber que a namorada estava feliz de vê-la ali e mesmo que sentisse que estava fazendo por obrigação valia a pena ver os olhos de Santana brilhando daquela forma. A única coisa que queria era caminhar até a namorada e lhe dar um beijo e dizer que sentiu saudade, mas antes que desse o primeiro passou ouviu os alunos voltarem a falar.
– Vocês podem tentar, mas nada de gracinhas – Blaine foi o porta voz do grupo.
Brittany e Mike pegaram quatro bancos que estavam por ali enquanto Puck e Sam alcançaram os violões que precisariam para musica.
Suspiraram olhando para aquelas pessoas que lhes observavam com curiosidade, raiva e incerteza então se posicionaram nos bancos que agora estavam no meio da sala.
Mike sentou na ponta direita sendo seguido por Sam, Brittany e Puck.
– Quando quiserem – Mr. Shue informou com um sorriso que de certa forma aliviou o quarteto.
Puck começou a dedilhar o vilão enquanto todos faziam a introdução.
– There was a time, I used to look into my father's eyes
In a happy home, I was a king I had a golden throne – Mike começou surpreendendo a todos. Até que o menino asiático que quase não falava nas aulas tinha uma voz aceitável.
– Those days are gone, now the memories are on the wall
I hear the sounds from the places where I was born – Brittany não olhava para as pessoas a sua frente simplesmente batia sua mão na coxa acompanhando o ritmo enquanto seus olhos se estavam fechados.
– Up on the hill across the blue lake, that’s where I had my first heartbreak, I still remember how it all changed, my father said – Sam cantou sua parte agora acompanhando Noah com o violão.
– Don’t you worry, don’t you worry child, see heaven’s got a plan for you. Don’t you worry, don’t you worry now. Yeah! – Puck soltou a voz no refrão e até sorriu com a cara assustada e admirada que os gleeks fizessem.
E assim foi até o final da musica que não durou por mais de dois minutos revezando entre si. No meio da canção Brittany até conseguiu encarar o pequeno publico e ficou feliz ao encontrar a aprovação de todos.
– Isso foi realmente bom pessoal – Mr. Shue começou assim que o grupo de amigos acabou de cantar a ultima frase e seus alunos do coral ainda batiam palma.
– Eu não gostaria de dizer isso, mas vocês mandaram bem – Mercedes disse rindo fazendo Sam corar o que passou despercebido pelos demais.
– Com certeza vocês são mais que bem vindos – Mr. Shue informou e gerou mais uma salva de palmas de todos incluindo Brittany, Sam, Mike e Puck.
– Isso ai Britt – Rachel gritou de seu lugar e só agora Brittany tinha percebido a menina pequena sentada na primeira fileira ao lado do garoto de cadeira de rodas – Talento saindo pelas orelhas.
– Não tanto quanto você Barbra – Brittany respondeu mandando um beijo para a cunhada.
– Exatamente – Levantou as mãos para o alto e as sacudiu em comemoração.
Enquanto conversavam sobre mais detalhes de como funcionava o clube glee, Puck observou Brittany de olhos fechados passar a direita mão no peito enquanto seu rosto se contorcia em dor. Ele sabia que aquilo era um péssimo sinal e com isso se aproximou da amiga.
– Você ta bem? – Perguntou preocupado enquanto passava as mãos nas costas cobertas pela jaqueta preta. Brittany balançou a cabeça de forma positiva, mas não foi o suficiente – Fala pra mim. Você ta bem? Eu quero ouvir você falar.
– Eu to bem – Brittany disse em um suspiro – Eu só... Ta tudo bem – Tentou dar um sorriso, mas parecia uma carreta.
– Certeza? – Tornou a perguntar, mas antes que a loira pudesse responde o professor voltou a falar.
– Quando nos apresentamos seja apenas na escola ou em alguma competição nós fazemos coreografias então eu preciso saber o que vocês sabem de dança para ver se precisaram de ajuda – Explicou enquanto tirava os bancos do meio da sala dando mais espaço.
– Eu sei – Sam se manifestou primeiro indo até o centro – Chocolate branco – Disse assim que colocou uma musica eletrônica qualquer pra tocar em seu celular. O garoto rebolou de maneira sexy arrancando gritinhos das meninas e até de Kurt – E é assim que se faz.
– Muito bom Sam – Mr. Shue bateu palmas enquanto ria do garoto loiro – Mais alguém?
– Acho que eu e Britt temos alguma coisa – Mike apontou para Brittany que sorriu e mesmo recebendo um olhar reprovador e preocupado de Puck se juntou a Mike no centro – Faz algum tempo que trabalhamos nisso então espero que gostem.
Assim como Sam, Mike escolheu a musica em seu celular e colocou para tocar. Ele e Brittany dançaram pela sala de forma sincronizada e ritmada. Parecia que os tinham sidos feitos para dançarem juntos porque era bonito ver como Mike jogava Brittany de um lado para o outro de forma rápida e cuidadosa e Brittany correspondia aos passos de forma tranqüila. A musica não demorou a acabar e pela terceira vez no dia ouviram-se aplausos ecoando pela sala.
– Achei meus ajudantes – O professor passou a mão entre os cabelos com uma expressão de como se não acreditasse no que tinha visto – Vocês cantam bem, mas dançam como profissionais.
Antes que pudessem continuar a conversa, Brittany abriu espaço entre o grupo de adolescentes – que agora se encontravam no meio da sala – e se sentou no banco do piano esfregando o peito com a mão direita e passando a mão de forma apresada pelo pescoço enquanto sua respiração parecia falha.
Puck correu até a amiga se agachando em sua frente.
– Tenta respirar com calma. Conte até dez – O garoto pediu e só recebeu um balançar de cabeça – Cadê? – Perguntou enquanto apalpava os bolsos da jaqueta de Brittany.
– Arma... – Brittany tentou dizer, mas sua expressão só aparentou mais dor e sua expiração parecia mais fraca a cada segundo.
– Armário Sam. Ta no armário – Avisou ao amigo que agora estava ao seu lado assim como a classe inteira. Ele viu o loiro sair correndo e se virou para Brittany – Só mais alguns segundo e ele vai voltar.
Nesse meio tempo Mike pediu para que todos ficarem o mais distante possível porque o que Brittany menos precisava naquele momento era um bando de gente envolta lhe sufocando ainda mais.
E onde estava Santana este tempo todo? A latina agora se encontrava assustada, sem reação, confusa. Uma hora Brittany estava dançando toda alegre e sorridente e na outra estava passando mal de uma forma que nunca tinha visto antes. Não sabia o que fazer, aliás, ninguém além dos três rapazes sabia, pois até Will estava parado em seu lugar. Sam voltou com um objeto na mão que parecia uma bombinha.
– Aqui – Entregou para Brittany que pegou o objeto desesperada e o balançou algumas vezes em seguida aproximou da boca e espirrou assim que soltou todo o ar. Respirou lentamente e segurou o ar por cerca de dez segundo.
O processo pareceu aliviar as dores e a respiração da loira que deixou o corpo cair pra trás e com os olhos fechados esperou aos poucos sua respiração voltar ao normal.
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