A Ansiedade Por Seus Desejos Me Devora
43 Você encontrou nossa filha
Notas iniciais
National Anthem — Lana Del Rey
"A suprema arte da guerra consiste em vencer o inimigo sem ter que enfrentá-lo."
– Sun Tzu
Derek estava em sua forma de lobo total, queria tirar proveito máximo de seus sentidos e achava que mesmo encontrando a mulher misteriosa ela se assustaria com um lobo gigante, vantagem. Ele sempre estava pensando em como dar o primeiro passo e não tinha nada mais inteligente a se fazer do que surpreender. Mas o Hale não contava com o que acabou encontrando em uma das trilhas para a mansão.
A mulher vestida de trapos, cabelos embolados e sujos, a pele arranhada e muitos ferimentos estava desacordada perto do Jeep de Stiles. O que mais assustou Derek foi a grande mordida que ele podia cheirar a distância. Sabia que ela não ia sobreviver a transformação, estava cheirando a carne podre e seu corpo começava a ficar frio e pálido.
Se aproximou tentando identificar quem a mordeu e ficou extremamente intrigado quando reconheceu as feições retorcidas daquela mulher. Ele não lembrava com tanta força de onde a conhecia, mas um flash daquela mulher em uma situação muito melhor e ao lado de Peter o fez estremecer. Ela também pareceu sentir a presença dele e quando tocou sua pelagem escura ele soube.
Aquela mulher não era humana, não era maluca e não estava apenas morrendo, ela estava lutando para sobreviver. Derek lembrou vagamente dela mais jovem, limpa e viva demais agarrada a um Peter mais jovem, mais sarcástico e implicante e bem menos sombrio. Ele lembra de tê-los visto se agarrando as escondidas na floresta e brigando também. Lembrava da moça agarrada a outro rapaz, o beijando algumas vezes e outras sendo questionada sobre sua infidelidade.
Derek tinha que admitir que ela era bonita e que seu tio tinha uma queda, ou melhor, um estabaco por ruivas metidas. Ele voltou a si quando a mulher começou a perder o ar, então voltou a forma de lobo e se vestiu, tinha carregado sua calça com a boca enquanto corria pela floresta. Tentou ajudar a mulher e se viu confuso entre sentir a raiva por ela ter ferido Stiles e Ethan, seu Pack, sua família e o pior ter deixado Stiles tão frágil quanto ele jamais pensou ver de novo e a compaixão de ajudar a mulher que ele sabia que seu tio amou, secretamente, mas amou.
Decidiu ajudar por hora e a levou para Deaton, pensou que talvez o veterinário poderia aliviar sua dor. Ela estava morrendo, quem a mordeu não pensou muito e ela não ia se transformar. Não sendo uma coiote, não sendo a mãe de Malia. O veterinário ajudou, sedando, limpando e dando uma estimativa de alguns dias para a mulher completar a transformação. Derek não contou que ela morreria, mas podia sentir. Deaton só conseguia sentir que tinha algo sobrenatural na mulher, algo que ela não conseguia esconder.
Peter chegou a clínica veterinária como um foguete, olhou a mulher e quase sentiu seus joelhos falharem. Foi amparado por Derek que encarou o tio por alguns minutos e depois o deixou sozinho com a mulher. O loiro ainda não entendia como aquela mulher sobreviveu ao descontrole de Malia, que achava que sua mãe estivesse morta assim como a irmã. Percebeu que ela estava fétida, mesmo depois dos cuidados de Deaton, percebeu que seu braço estava quase podre. Percebeu que a mordida vinha corroendo seu sistema, estragando sua carne lentamente.
Peter finalmente entendeu. A mãe de sua filha não tinha sido mordida por um dos gêmeos, eles teriam reportado o fato. Ela fora mordida há anos e por isso estava podre. Estava em um processo infeccioso. Seu corpo driblou por muito tempo os efeitos do veneno da licantropia, mas agora ela estava em seu estágio final. Não aguentava mais lutar e estava desistindo. Por isso, tudo fedia ao seu redor e ela estava empalidecendo aos poucos, ficando gelada, morrendo.
Malia foi chamada. Peter não queria mentir para a filha e sabia que a culpa por ter assassinado a mãe e a irmã a corroíam dia após dia. Com isso Malia quase sentiu o peso sair de seus ombros, se não pensasse que matar sua mãe fosse melhor do que vê-la apodrecer. Ver seu corpo morrer aos poucos por culpa do abandono dela ferida no acidente.
– Mãe. — Malia chamou a mulher que abriu os olhos lentamente.
– Ma... — a voz não saía bem, a mulher estava a anos sem falar, mas a falta de dor a surpreendeu.
– Não precisa dizer nada, só... me perdoe. — a menina estava chorando, mas a mulher apertou bem de leve sua mão e sorriu.
– Fi...lha, eu... — as palavras se perderam de novo. — Eu te... — ela fez uma pausa respirando fundo, enchendo os pulmões de ar e apertando os ohlos. — Eu te amo. — a menina chorava mais ainda.
– Mãe isso tudo é minha culpa. — Malia não se importava com o cheiro de morte, com o corpo frio ou com a aparência desleixada da mãe, a abraçou forte e chorou, chorou até que seu pai interrompeu aquele momento.
– Liss. — Peter olhou com saudades para a mulher, tentando manter a imagem da adolescente vaidosa que conheceu.
– Peter. — ela conseguiu dizer o nome dele com firmeza. — Eu não esperava ver você. — seus olhos encheram d'água.
– Há quanto tempo você foi mordida? — ela suspirou.
– Você encontrou nossa filha. Eu quis te contar, mas... — Peter não estava interessado, conhecia os dramas de sua própria vida amorosa como ninguém e queria deixar de lado a raiva que sentia da mulher, ela não merecia isso naquele momento.
– Há quanto tempo mãe? — Malia tomou a voz, percebendo a tensão se formar.
– Desde que você se descontrolou, eu fui encontrada por um bando de lobisomens e um dos betas me mordeu. — ela tossiu um pouco de sangue bem escuro.
– Por que não procurou o papai? — Malia estava se referindo a Peter.
– Eu não sei se ele gostaria de me ver. — Liss olhou o loiro de olhos azuis e viu nos olhos dele que ele nunca diria não, ele nunca abandonaria aquela mulher, não naquela época, não pelos motivos que ela pensava.
– Você está errada, mas não importa mais. Você não tem muitos dias e isso vai doer, mais do que tem doído nos últimos anos. É impressionante como ficou lutando contra a infecção, mas agora você tem acessos de fúria e está sendo tomada pela licantropia que irá te matar lenta e dolorosamente. A lua cheia é em três dias, no ápice dela isso acaba ou podemos resolver isso logo. — o tom frio e meticuloso de Peter assustava Malia, mas ela entendia que se sua mãe quisesse, se esse fosse seu verdadeiro desejo, Peter a mataria.
– Eu prefiro não esperar, ver minha Malia e você, — ela fez uma pausa sorrindo para a filha – foi muito mais do que esperei na vida. Mas você não vai me matar, não quero meu sangue nas suas mãos. — Peter também não queria fazer, mas faria por ela.
– Quem então? — Malia os tirou daquela troca de olhares intensa.
– O lobo que me encontrou, eu machuquei seu parceiro. Pude ouvir enquanto cuidavam de mim. Ele tem contas a acertar comigo, peça a ele. — Derek, então ele mataria o grande amor da vida de Peter e a mãe de Malia, era a maior peça que o destino tinha pregado em Malia o novo melhor amigo e primo sempre tirando dela pessoas importantes.
– Vou chamá-lo. — Peter se virou e saiu e Malia engoliu em seco, deu um beijo na testa da mãe, sussurrou um “eu te amo” e saiu. Ela não queria se despedir, nem ver a mãe daquela forma, estava doendo.
Quando saiu, viu que Peter estava pensativo em um canto e que ninguém tinha falado com Derek, ele queria ir embora, voltar para Stiles e cumprir a promessa de não demorar. Estava há quatro horas fora e isso parecia uma eternidade para ele.
– Você poderia fazer uma coisa por mim? — Malia começou sem conseguir conter o tom embargado.
– Claro. — Derek trouxe a menina para seu peito e sua urgência em estar fora dali pareceu fútil.
– Eu... — ela soluçou contra o peito do lobo. — Ela quer que você acabe com isso. Acha que está em dívida por ter atacado o Stiles. — Derek abriu a boca surpreso, mas nada saiu. — Eu sei que você não quer mais se vingar, mas ninguém vai ter coragem e ela está sofrendo. — Derek arfou.
– Tudo bem. — Malia o encarou, não esperava ouvir uma afirmativa tão rápida.
– Tudo bem? — ela quis reafirmar.
– Você está me pedindo para libertar sua mãe da dor e eu não posso negar isso a você. Foi a minha linhagem que tirou sua mãe de você, não posso negar isso a ela ou a você. — Derek estava decidido, mas não se sentia melhor por isso.
– Só não faça doer. — ele apertou o maxilar, queria se deixar levar por tanta lamúria, mas não podia.
Se desvencilhou do abraço da menina e entrou na sala veterinária, viu a mulher meio inconsciente e não quis conversar. Via nos olhos que ele nunca esqueceria um pedido de desculpas veladas por seu comportamento, que era efeito único do veneno que infeccionava suas veias. Tocou o rosto da mulher e a encarou com compaixão, desejando realmente que ela pudesse descansar, que não sofresse. Cinco minutos depois ele saiu da sala, Malia o agarrou, chorando contra seu peito e ele não conseguiu retribuir o abraço. Não conseguiu fazer nada além de esperar Peter tirá-la dali e ele mesmo sair, partindo para a casa de Stiles com a cabeça vagando, sem saber muito o que fazer.
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