A Ansiedade Por Seus Desejos Me Devora
25 Dói, dói tanto que eu não quero mais sentir essa dor
Notas iniciais
Coming Home — Boyce Avenue
"A vida é a perda lenta de tudo o que amamos."
– Maurice Maeterlink
Malia acordou vestindo uma blusa do Capitão América, seus joelhos roxos e uma dor abdominal de matar. Aquela camisa não era dela e também não estava na cama de Peter e sim na de Derek. Pôde reconhecer pelo cheiro. Levantou com dificuldade e cambaleou até a sala, a grande janela demonstrava que estava anoitecendo, não sentia o cheiro de ninguém na casa, nenhuma respiração ou batimento cardíaco, exceto um bem fraquinho que pensava ser de alguém passando no corredor de tão distante que estava.
Observou a noite começar a surgir em Beacon Hills e tentou se lembrar o que tinha acontecido. Flashes da luta surgiram na sua mente e pôde reviver cada golpe e sentir a dor deles bem mais fracas agora. Não estava se curando, percebeu quando seu joelho parecia extremamente machucado e todas as partes do meu corpo doíam, principalmente a barriga. Levantou a blusa e viu uma enorme mancha roxa em toda a extensão do ventre e comprimiu os lábios.
Derek tinha a destruído fisicamente, mas ela achou que com seu poder de cura tudo ficaria bem. Pensou em Stiles, estava bem machucado também, mas Derek nunca o deixaria como fez consigo. Seu primo pegava dez vezes mais pesado com ela por causa do ciúmes que sentia de Stiles e ela aguentava, por não querer ser mais fraca que ele, nunca. Mas ele a pegou de jeito, de um jeito que ela quase morreu.
– Malia? — Stiles largou as sacolas que segurava e correu para perto de mim.
– Oi Stiles. — ela sorriu ainda sentindo uma pequena pontada no ventre e ele acariciou seu rosto.
– Eu fui ao mercado para reabastecer a cozinha, o Derek e o Peter nunca pensam nisso, também não sabem cozinhar. Achei que você não acordaria antes de eu voltar. Vem, vamos sair desse chão frio. — ele a ajudou a levantar e a levou até a cozinha, a colocou numa cadeira e foi buscar as compras na sala.
– Stiles onde todo mundo foi? — ela perguntou tentando encontrar uma posição menos dolorosa.
– Eles estão no consultório veterinário de Deaton, pediram para eu cuidar de você, não te deixar se esforçar. Antes que você pergunte, eu não sei como você se abateu tão fácil, ninguém quis me contar. — Stiles parecia ofendido com isso.
– Tudo bem, não deve ser nada. Derek é bem mais forte que eu, em algum momento eu ia ceder. — o menino voltou sua atenção para as compras, ficou um tempo em silêncio e voltou da geladeira com um saco de gelo me entregando.
– Segure, é bom para dor. — ela colocou na barriga e ele a pegou no colo. — Eu não sei se você está com fome, mas vou preparar alguma coisa, fica deitadinha aqui. Toma, o controle da TV, pelo menos distrai um pouco. — ele entregou o objeto e voltou para a cozinha.
– Obrigado. — ela murmurou sentindo seu coração aquecer com o cuidado excessivo de Stilinski.
Derek andava de um lado para o outro engolindo a raiva a seco enquanto Deaton terminava de explicar mais sobre o caso de Malia. O lobo estava furioso, prestes a perder o controle, ao mesmo tempo que sentia a culpa por quase ter causado uma desgraça na vida da menina e na dele mesmo. Stiles não o perdoaria quando soubesse, Stiles nunca mais chegaria perto dele. Tudo por um ciúmes idiota e infundado. Não, não era tão sem motivos assim, ele já sentia a presença daquela... coisa? Ele estava confuso.
– Derek! — Deaton o chamou e ele recuperou.
– O quê!? — ele estava ríspido e nervoso, tudo por culpa dele mesmo.
– Stiles ligou, Malia está acordada e ele quer saber o que ela tem. Você deveria ir lá e contar. — o lobo sentiu a coluna retesar.
– Eu já vou. — ele arfou algumas vezes antes de sair do consultório sem muito ânimo.
Stiles ficou assustado com a cara de enterro de Derek e não gostou nada de ver Peter levar Malia para o quarto e se trancar. Ele sabia que estavam escondendo algo dele e ele não gostava de ficar de fora. Estava começando a ficar hiperativo, suas mãos histéricas, o suor, o turbilhão de teorias sem pé nem cabeça e a vontade de fazer mil perguntas por segundo para o homem que o encarava com tanta dor nos olhos que ele se calou, sentou, pegou as mãos do lobo, selou os lábios dele com os seus e se obrigou a respirar decentemente.
– Pode falar, eu aguento. — Derek não tinha coragem. — Eu sei que você não fez por mal, sei que você só queria que fôssemos capazes de nos defender. Já vi seus treinamentos antes, sempre foram brutais e dolorosos. — o lobo desviou o olhar, doía ter que dar aquela notícia para Stiles.
– Stiles, Malia estava, — a pausa foi longa. — ela estava esperando um bebê. Um bebê seu. — Derek apertou os olhos e esperou que Stiles cuspisse seu ódio sobre ele.
– Esperando... ela estava? Malia perdeu um bebê meu? — a respiração de Stiles descompassou, ele não conseguia puxar o ar e seu corpo todo tremia. Ele não lembrava como parava aquilo, não tinha ao que se agarrar.
– Stiles respire, por favor. Puxe o ar com calma, se concentre. — concentrar... Stiles ouviu aquela palavra girar na sua mente e lembrou da luta que Derek travou sem necessidade de tanta violência com Malia, Stiles sentiu seu estômago retorcer, sua garganta secar e a vista escurecer por alguns segundos.
– Eu preciso sair. — ele se desvencilhou do aperto que Derek fazia sobre ele e correu para a sala, para o corredor e então estava na rua, correndo, correndo e correndo, até que parou.
Apoiando as mãos no joelho, respirando fundo, sentindo o ar entrar e sair com tanta violência dentro de si que pensou que desmaiaria, mas Derek estava ali, ele pode sentir, sentiu o cheiro almiscarado invadir suas narinas e se acalmou. Deixou seu corpo ser embalado pelo maior e deixou o desespero tomar conta, as lágrimas fluírem livres, mesmo que ele nem soubesse por quê chorava.
– Pode chorar, eu sei que deve estar doendo. — Derek tentava consolar o menino, sentados no meio fio, enquanto Stiles chorava copiosamente e tentava respirar em conjunto.
– E-E-Eu não to. Não to Der. — Derek não estava entendendo nada, mas continuava a aninhar o menino.
– Depois Stiles, agora se acalme. — o menino se afastou, esfregou as palmas nos olhos secando-os e puxou o ar com força tentando se acalmar.
– Eu não to com raiva. Não sinto raiva de você. Não consigo. Você não sabia. Eu não sabia. Que porra eu tava pensando quando transei com ela no sanatório? Eu nem sei se aquele era eu ou o demônio. Der, tá doendo porque era uma vida. Porque Malia está sofrendo, porque eu fiz ela gostar de mim, eu fiz ela se iludir e agora eu fiz ela sofrer. Isso dói Der, não quero sentir mais dor. — o menino voltou a chorar e soluçava de um jeito que sua respiração falhava.
Derek o puxou para seu abraço, tocou a pele de Stiles por dentro da roupa e começou a beijar o rosto do menino. Ele nunca tinha tentado isso antes, mas a dor de Stiles era tão forte que saía do plano emocional e se tornava física, dando a ele brecha para tentar sugá-la. Um milhão de pequenos choques percorreram as veias do lobisomem que estava chorando com o impacto emocional que sugar aquela dor estava causando, ele quase poderia querer morrer ao enxergar o quanto Stiles vinha suportando.
O coração do menino era puro demais para guardar tanta dor, tanto sofrimento. Stiles desmaiou nos braços de Derek, ele sabia que tinha sugado as energias ruins que mantiveram o menino acordado, sofrendo naquele momento e então ele mesmo precisou de um momento para se recuperar. Ficou um tempo acariciando o rosto do mais jovem até colocá-lo em seu colo e carregá-lo de volta para o apartamento, só se permitindo apagar quando o menino estivesse na cama em segurança.
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