A Ansiedade Por Seus Desejos Me Devora
26 Eu te amo
Notas iniciais

Of Monster And Men — Little Talks
"O mundo ainda seria um lugar bom, Mas eu já não saberia existir Sem você eu era uma canção sem som, E antes de você eu nunca soube sorrir."
– Autor Desconhecido
Malia não sabia como reagir ao pai com os olhos marejados e a notícia de que ela acabara de perder um bebê. Seu bebê. Seu bebê com Stiles. Ela queria chorar, algo dentro dela pedia o luto, o sofrimento, mas a raiva de saber que se Derek não fosse tão idiota ela ainda teria o filho dela com Stiles a dominou.
Peter podia sentir o ódio crescendo dentro da filha, seus ferimentos se curando por ela estar alimentando algo tão forte que ele ficou assustado. Ele sabia como era perder alguém, sabia como era perder um filho, perder a memória, perder a esperança, perder tudo. Mas ele também conhecia a raiva, a dor, o ódio e não queria isso para a menina, não desejava isso para ninguém.
Eles mantiveram o silêncio, a menina fingindo sofrer, Peter fingindo que aquela aura pesada não crescia em volta de sua filha e que seu peito não estava sentindo a dor por trás daquilo tudo. Peter não estava com raiva do sobrinho, ninguém percebeu que ela estava grávida, nem ela mesma. Ele entendia o ciúmes e a possessividade e até a severidade do treinamento. Ele contribuiu para a perda daquela criança, ele também pegou pesado com a filha nos treinamentos.
Quando a menina finalmente dormiu, sedada pelos efeitos das ervas de Deaton, Peter a deixou e foi para a sala, encontrar Derek que estava olhando para a noite de Beacon Hills com tanta dor em si mesmo que ele sentiu aquilo tudo e cambaleou antes de aproximar.
– Você sugou a dor dele. — Peter afirmou quando não foi capaz de chegar perto demais do sobrinho, por doer fisicamente.
– Ele não ia suportar, era o mínimo que eu podia fazer. Foi tudo minha culpa. — culpa era algo recorrente na vida deles, Derek sempre achava que tinha culpa e carregava o mundo nas costas.
– Não, não foi. Esse bebê não podia ser boa coisa, que Malia nunca me escute, mas ele não era de Stiles, era um pouco daquela raposa traiçoeira também. — esse sentimento de que aquele feto era do mal rodeava a mente de Peter desde que descobrira o aborto.
– Só porque ninguém percebeu? — Peter assentiu.
– Quando foi que não percebemos uma criança? Quando nos tornamos tão aéreos que nem conseguimos ouvir os batimentos de um bebê? — Derek concordava, mas isso não diminuía sua culpa por fazer Stiles sofrer. — Parte da sua culpa vai cair por terra quando você conseguir expelir a dor de Stiles, não fique se martirizando, o menino te ama e Malia vai superar, se ela não o fizer, vocês treinam de novo, ela te dá uma surra e fica tudo certo. — Derek quase sorriu com o otimismo atípico do tio.
– Obrigado. — Derek sentindo aquela cumplicidade silenciosa passar por eles.
A noite foi longa para Derek, que tentava deixar fluir a dor de Stiles, mas que não conseguia se livrar totalmente dela. No fundo Derek não queria uma criança entre ele e Stiles, ele não aceitaria, seu lobo não permitiria de nenhuma forma. Malia é seu sangue, mas eles disputam território e isso nunca seria aceitável.
Por outro lado, Derek se sentia culpado por tirar de Stiles a escolha de querer ou não esse bebê em sua vida, assim como tirou de forma violenta essa mesma escolha de Malia. Ele não gostaria de sofrer assim e não se perdoava pelo que fez, mas ele não sabia. Algo em volta daquela criança deveria mesmo estar errado, como Peter disse. Como ele não sentiria? Se ele podia saber quando qualquer um se sentia triste, feliz ou com dor, como não perceber um bebê debaixo do seu próprio nariz?
Hale não aguentava mais tanta dor, toda a dor de Stiles estava indo e voltando para o centro do seu corpo, queimando suas veias e o deixando fraco. Resolveu então se deixar levar. A dor era amiga de seu lobo, essa parte de Derek conhece a dor desde Paige, desde o incêndio, desde todas as quedas, perdas e traições que sofreu, ele e o lobo estavam acostumados com a dor. Seu lobo sempre se agarrava a dor quando queria emergir e Derek sempre buscava a raiva para controlar a si mesmo.
Deixou então a dor invadir seu sistema nervoso e começou a sentir os ossos doerem ao mudarem de estrutura, a gengiva expandir e acolher os dentes lupinos, o pelo crescer e o rabo se formar até que ele estivesse me quatro patas. Os olhos azuis e frios, a visão diferenciada o olfato exagerado e a respiração lupina. Trotou até o quarto e subiu na cama em um impulso, se aconchegou no corpo do humano que dormia tranquilo e conseguiu absorver a paz.
Stiles acordou na manhã seguinte sentindo um focinho gelado em seu pescoço, se virou lentamente percebendo que nada em si doía e que mesmo pensando em todos os acontecimentos da noite ele não conseguia sentir aquele desespero que percorreu seu corpo em algumas horas. Virou e viu o lobo respirando em seu pescoço, assustou-se no início, mas o cheiro de Derek era inconfundível para ele.
Era a primeira vez que Stiles via Derek em forma de lobo, era grande, bonito e macio. O humano experimentou esfregar o corpo na pelagem, cheirou o lobo e o abraçou, achando gostoso aquele contato diferente com Derek. Quase esqueceu da realidade enquanto aninhando ao enorme lobo, acariciava sua pelagem preta e pensava em como ele se sentia seguro perto de Derek.
– Eu te amo tanto, não sei o que fiz para merecer isso. — o menino sibilou acariciando as orelhas do animal. — Obrigado pelo que fez por mim, tenho certeza que foi difícil para você, tenho certeza que te fez sofrer. — o lobo abriu os olhos, aquele azul frio encarou Stiles o fazendo sorrir. — Eu poderia te dar um beijo de bom dia agora, mas não acho que zoofilia seja minha praia. — o menino brincou e o lobo o cheirou se aninhando em seus braços. — Você nunca tinha se transformado para mim antes, é bonito. Não mais bonito que sua carranca de mau humor quando acorda, eu já disse que amo aquela carranca? — o ronronar do lobo indicava a felicidade em ser tratado com tanto carinho. — Eu não quero levantar, não quero falar sobre o bebê ou ver Malia. Estou com medo de enfrentar a realidade, de sentir o ódio dela por você. — o menino suspirou. — A gente bem que podia sumir hoje, não acha? É domingo, seria ótimo dar um passeio bem longe. — Stiles estava divagando. — Eu queria sentir você, claro que posso senti-lo como lobo, mas eu queria sentir você hoje, de um jeito específico. — o menino corou. — Queria você dentro de mim, me fazendo esquecer de tudo. — Stiles estava morrendo de vergonha em falar sacanagem no ouvido de um animal selvagem. — Eu te amo Der. — o menino voltou a beijar o pescoço do lobo ao seu lado.
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