A Última Dança
22 Capítulo 22- Tudo pode mudar
Notas iniciais
Ela estava deitada na cama olhando para o anel que o noivo lhe dera.
–Ainda deitada? Anda muito preguiçosa ultimamente.
Neji que se arrumava para o trabalho adentrou no quarto ajeitando a gravata.
Tenten nada disse.
–Está tudo bem com você? Ele se virou para a mesma.
Nesse instante ela o encarou.
–Sim, tudo.
Sentou-se na cama e então ele se aproximou. Agachou-se e passou a mão pelo rosto da mesma.
–Não vejo a hora de me casar com você.
Ela sorriu. Não foi um sorriso aberto como era de seu costume mas o Hyuuga se deu por satisfeito. Deu um beijo em seu rosto e se levantou.
–Nos vemos mais tarde, não me espere pro almoço, vou ter uma reunião e não imagino a hora que vai terminar.
–Tudo bem.
Antes de passar pela porta ele a observou mais uma vez.
–Eu te amo. Ele disse, e Neji não era muito de dizer essas coisas.
–Eu também te amo Neji, amo demais.
Mais uma vez ele sorriu e então saiu.
Tenten respirou fundo. Sim, amava Neji demais, tanto que estava deixando de ser quem era para agradá-lo, para adentrar nas convenções impostas pela família Hyuuga.
Pegava cada vez menos clientes na empresa de Publicidade em que trabalhava, já que o noivo insistia que ela não devia trabalhar, que ele a sustentaria. Cada vez mais ela deixava de sair com as amigas pra ir a chás e reuniões da “alta sociedade”, e o pior, deixou de dançar para agradar ao noivo.
Sim, Neji estava feliz.
Mas e ela, estava?
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Estava nervosa, dali dois dias viajaria para Tókio para retomar sua empresa. Estudava aqueles papeis, consultava seus advogados, fazia tudo, mas nada tirava de sua mente a imagem do ruivo e aquilo a irritava profundamente.
–Vamos Ino, precisa se concentrar.
E ela lia e relia aqueles papeis, mas só se lembrava dos dois naquela enorme mansão.
Decidiu largar tudo aquilo ali e ir ver o filho.
Quando chegou no quarto o menino não estava lá.
–Amaya! Chamou pelo nome da empregada que apareceu no local instantes depois.
–Onde está o Daisuke?
–Saiu com o senhor Uchiha para a fisioterapia.
Ino olhou novamente para o berço vazio.
–Precisa de mais alguma coisa Senhora?
–Não, é só.
–Com licença.
Cedo assim e Sasuke já havia saído com o filho.
Sentiu-se bem ao perceber o interesse repentino do moreno com o filho, mas aquilo começava a parecer estranho.
Decidiu para com devaneios e voltar para seus papeis.
Era seu destino e o nome da sua família que estavam em jogo
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Enquanto a música tocava ela o segurava e girava com ele pelo salão, que gargalhava como se não houvesse amanhã.
Sasuke estava do lado de fora atendendo uma ligação de urgência da empresa.
Parecia que era só ele não estar presente que o mundo desabava naquele lugar.
Estressou-se, ficou irritado e teve de dar alguns gritos pelo telefone ate por fim desligar o aparelho.
Estava nervoso mas ver aquela imagem tranqüilizaria qualquer um.
Sakura mantinha Daisuke de pé e o segurava pelas pequenas mãos o guiando enquanto a musica tocava.
Ele dava os pequenos passos devagar e desengonçadamente mas parecia se divertir muito com aquilo.
Sasuke se aproximou levemente atordoado.
–Ele está..andando.
Sakura olhou para o moreno e respondeu.
–Não, ele está dançando.
Quando a melodia terminou ela o pegou nos braços e lhe deu um abraço.
–Muito bem, agora oficialmente você dançou antes de andar. Acho que isso significa alguma coisa.
Ela olhou para Sasuke que apenas a encarava.
Como ela podia? Como conseguia fazer uma coisa como aquela?
–Como você consegue?
Ele perguntou.
–Como consigo o que?
–Trazer esse efeito nas pessoas...
Ela sorriu.
–Está vendo Daisuke, esse é seu pai com cara de bobo.
Sasuke fechou a cara.
–Seu filho é muito parecido com você. Só se liberta com a dança, ele só precisava de um estimulo, assim como você.
–Então eu só precisava de um estimulo?!
O moreno sorriu com a lateral dos lábios e se aproximou mais dos dois.
–Isso mesmo. Você era um garoto mimado e inconseqüente, só Deus sabe o que teria sido de você se eu não tivesse te ensinado a dançar.
–Nossa, e só a sua dança foi capaz disso?!
–Exatamente.
–Você é bem convencida, sabia?!
–Estou passando tempo demais com você.
Eles riram.
–Sim, e tem sido perfeito.
Ele se aproximou e o sorriso da rosada foi murchando.
–Acho que já é hora de irmos. Ela disse antes que Sasuke rompesse a barreira imaginaria que existia entre ela e seus lábios absurdamente tentadores.
–Tem razão. Por um minuto esqueci que está acontecendo um apocalipse naquele escritório. E ainda tenho de deixar o pequeno em casa.
–Eu me ofereceria pra levá-lo, mas acho que a mãe dele não iria gostar.
Então ela passou a criança para os braços do pai.
Ele reclamou um pouco mas acabou cedendo.
Enquanto saíam do local, ela lhe fez uma pergunta que povoava sua mente já a algum tempo.
–Sasuke.
Ele parou de descer as escadas e se virou para encará-la.
–Hum?
–Acha que o que estamos fazendo é errado?
Ele olhou para ela, depois para o filho e por fim voltando o olhar novamente para a rosada.
–Não Sakura, não tem como ser.
Ela deu um singelo sorriso e voltou a descer as escadas, dessa vez ficando ao lado dos dois.
Depois de ajeitar o menino na cadeirinha dentro do carro ele olhou para a cerejeira caminhando calmamente pela calçada, se afastando aos poucos.
Olhou para o filho e viu o mesmo também tentando olhar pra trás e depois de não conseguir olhar pra ele levemente choroso.
–Eu sei, também vou sentir a falta dela.
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Andava pela rua olhando algumas vitrines. Havia prometido a Minato ajudá-lo a encontrar uma boa roupa para as danças latinas. Mas nada muito espalhafatoso como provavelmente Tsunade sugeriria.
Ele era uma boa pessoa e um homem incrível.
Queria que o filho fosse assim também.
–Hinata?
Ela olhou para o lado e arregalou os olhos.
Tinha de ser logo ele...o filho.
–Naruto!
–Jamais imaginei ver essa cena, você parada diante de uma vitrine olhando roupas.
–É para ajudar...um amigo.
“Seu pai”, quase disse.
–Você sempre ajudando os outros.
–É, é o meu fraco. E você, o que faz aqui, matando serviço?
Ela riu.
–Você não conta pra ninguém?!
A morena arregalou os olhos.
–Você está mesmo matando o trabalho Naruto?!
–Fui chamado pra ir na empresa Uchiha mas aquele lugar está um caos e Sasuke até agora não chegou, já estava cansado, então dei uma escapadinha.
–E isso não pode causar problemas?
–Não...quer dizer, acho que não, mas também não importa, tem que ser ter alguma vantagem sendo o chefe.
Ela sorriu mais uma vez.
–Então...aceita tomar uma café comigo?Quer dizer, se não for atrapalhar você ajudando seu amigo.
Ela considerou por um momento.
Era obvio que não deveria, seus instintos berravam que não mas...a vontade era maior.
–Tudo bem.
Assim que fizeram seus pedidos ficaram em silencio. Estavam um de frente pro outro naquela cafeteria no centro da cidade.
–Esse lugar me lembra aquela lanchonete em que trabalhei a anos atrás. Você se lembra?
–Como poderia esquecer, você com aquele chapéu com chifres do topo.
–Mas você tinha de lembrar logo dessa parte?
Naruto disse indignado.
–Desculpe, não dá pra evitar.
Eles riram.
–Sabe, tem uma coisa que estou querendo te perguntar já há algum tempo.
Ela parou de sorrir.
–Por que..terapia sexual?
–Acho uma área interessante.
–Bom, eu concordo, sexo sempre é interessante.
O garçom chegou e deixou seus respectivos pedidos. Ele encarou os dois após ouvir o fim da frase do loiro.
Hinata encarou sua xícara de cappuccino enquanto Naruto coçava a nuca.
–Desculpe.
–Não tem problema.
–Então...é só por isso, por achar interessante?
Ela direcionou o olhar para o Uzumaki.
–As pessoas superestimam demais o sexo.
Naruto deu um gole em seu chocolate quente franzindo a testa.
–Como assim?
–Metade das pessoas no mundo pensam que podem resolver seus problemas com sexo, que se o relacionamento está ruim é por falta de sexo, que não se ama sem sexo, que ele resolve brigas, tensões, estresse e tudo o mais. Mas não é bem assim.
–Não?
Ela sorriu novamente.
–Não!
Ela pausou e depois prosseguiu.
–O prazer está todo na sua cabeça, o corpo é apenas um meio de se chegar até ele, mas não o único.
–Acho que posso entender o que está dizendo.
Hinata sentiu-se levemente encabulada com o olhar que o Uzumaki lhe dava.
Deu um gole em sua bebida.
–Me desculpe. Ele disse.
Ela quase engasgou.
–Desculpar você de que?
–Por não ter tentado mais, ido atrás, buscado você.
Hinata arregalou os olhos.
–Não sei do que está falan...
–Sabe. Estou falando de nós dois, do que eu te prometi e não cumpri.
–Isso não importa.
–Importa pra mim.
–Não, não importa Naruto. Você encontrou a mulher que queria pra você e vai se casar, e eu fico feliz por você.
–Fica mesmo? Você realmente está feliz porque vou me casar com a Shion?
Ela ficou em silencio, os olhos azuis dele não desgrudavam dos seus.
Quando por fim ela tomou ar e coragem para falar o celular dele tocou.
Naruto fechou os olhos e o atendeu.
–Alô!
Foi o alô mais irritado que já deu na vida.
–Okay, okay, estou indo.
Ele desligou e tirou a carteira do bolso do paletó, jogando algumas notas sobre a mesa.
Se levantou e antes de sair parou diante dela que apenas levantou o olhar.
–Somente uma palavra sua e tudo pode mudar, é só você querer.
Hinata engoliu em seco enquanto Naruto passava pela porta.
Ela queria.
Deus sabe como queria
CONTINUA
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