Açúcar?
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Notas iniciais
O moreno estava tendo um sonho muito bom, quando seu sono começou a ser perturbado por um barulho incessável. Blaine se virou na cama para ver se passava, mas não parou. O Anderson só não tentou mais uma vez, porque lembrou que não estava na sua casa e que se houvesse um problema, ele poderia ajudar. O mais estranho para ele, era que o som estava vindo do quarto, mais precisamente na frente dele.
Blaine abriu os olhos, mas ainda demorou alguns segundos para reconhecer o local e os objetos que estavam ao alcance de sua visão. O moreno começou a usar os ouvidos e percebeu eu o som vinha de sua frente. Era Ian. O menino não cessava com um som de ranger de dentes. Além disso, o garoto estava todo encolhido na cama com o cobertor até o pescoço e tremendo até o que a visão turva de Blaine conseguia perceber.
O pai se levantou e foi até a cama do menino. Ian estava de fato tremendo. Sem contar a expressão que ele tinha enquanto dormia, que não era das melhores. Blaine passou a mão sobre a testa do menino e sentiu a mesma ardendo em febre. Naquele momento o moreno entrou em desespero.
— Ian, querido. Filho, acorde! – Blaine chamava o menino, mas ele ainda continuava a apertar seus olhos e se cobrir mais. O moreno resolveu que não o acordaria, porque isso só iria ficar pior se ele escutasse o filho chorando de dor. Blaine o descobriu e viu uma poça de suor no colchão de Kurt. – Droga!
Blaine deu um jeito de pegar o filho no colo e o levou para fora do quarto. Devia ser nove horas da manhã em um Domingo, provavelmente Kurt e August estavam dormindo, então Blaine sabia que não ia preocupar ninguém, nem atrapalhar. O moreno desceu as escadas com um pouco de dificuldade, mas conseguiu. Ele tentava se lembrar de onde havia posto a chave do carro, foi quando lembrou que deixou no balcão da cozinha.
Quando o moreno chegou no cômodo, Kurt estava lá e perto do fogão. Blaine se encolheu um pouco e fechou os olhos.
— Bom dia, Gu- Oh, bom dia, Blaine... E Ian. Algum problema? – Kurt deixou sua caneca em cima da bancada e foi de encontro a Blaine e Ian.
— Ian parece estar com febre e estou levando ele para o hospital. – Blaine pegou a chave em cima da bancada, enquanto Kurt passava a mão pela cabeça de Ian.
— Blaine, Ian está ardendo em febre e você não pode ir sozinho. Você pensou em largar o menino sozinho no banco de trás? Eu vou com você. – Kurt foi até o fogão e desligou o fogo.
— Mas e o seu filho? Ele não pode ficar sozinho.
— Eu vou chamar ele. Dá a chave do carro. – Kurt olhou no fundo dos olhos do moreno. Blaine continuou imóvel. Não que ele não confiasse no castanho, pelo contrário, ele só estava pensando que o castanho estava sendo bom demais. – Vai, Blaine! – O Hummel tirou das mãos de Blaine as chaves do carro e passou correndo pelo moreno. – Vai indo para o carro, eu já chego lá.
Blaine continuou imóvel, mas em instantes se tocou que tinha um filho doente nos braços, então correu para o carro, enquanto Kurt corria para o quarto do filho.
— August, acorda. – Kurt foi invadindo o quarto do filho e procurando algum calçado para o filho. Gus não respondeu. – August! – Apesar do grito de Kurt, o menino ainda dormia profundamente. – Ah, esquece! – Kurt descobriu o menino, que acordou na hora e o colocou em seu ombro.
— Pai, o que você-
— Vou resumir, Ian está ardendo e febre e estamos correndo para o hospital. – Kurt desceu as escadas com o menino em seu ombro direito.
— Pode me deixar no chão? Eu posso correr junto com você. – Pediu o menino. Kurt o deixou no chão e colocou as pantufas do menino no chão para ele calçar. – O senhor está muito estranho, senhor Hummel-Smythe.
— Não sei o que está insinuando, baixinho, mas é melhor parar agora. – Kurt empurrou o menino para o lado de fora, trancou a porta e os dois correram para o carro de Blaine. August foi para o banco do passageiro e Kurt para o do motorista. – Posso? – Questionou Kurt. Blaine consentiu com a cabeça e eles partiram para o hospital.
[...]
— Vamos começar de novo. – Disse Kurt se sentando ao lado de Blaine na sala de espera do hospital. – Bom dia, Blaine. Dormiu bem? Aqui, tome um gole de café. – Kurt passou um copo de café para Blaine.
August que estava logo atrás do pai, se sentou em um banco na frente ao dois, com um copo de chocolate quente e um lanche. Ele sorriu para Blaine e o moreno repetiu o gesto.
— Bom dia, Kurt. Dormi bem, sim, obrigado. – Blaine tomou um gole do café. – Seu café está uma maravilha. É quase como se você tivesse uma cafeteria na sua cozinha. – Disse Blaine arrancando uma risada de Kurt. Depois de um longo silêncio, Blaine decidiu quebra-lo. – Obrigado. Por tudo. Por me conceder um teto noite passada, por estar aqui comigo, sendo que nem dever seu é, por naquele dia ficar com ele quando eu não pude. – Blaine se referia ao acampamento. Kurt arregalou os olhos. – Sim, eu sei, ele me disse. Ele gosta muito de você e seu filho. Obrigado por serem vizinhos maravilhosos. – Disse Blaine olhando para Kurt e August.
O menino no início juntou as sobrancelhas em confusão por achar que Blaine não sabia da história da bolada e os considerar maravilhosos, mas ignorou e sorriu para o homem. Kurt passou os braços pelo ombro de Blaine e deu um leve abraço desajeitado.
Logo uma enfermeira entrou na sala de espera e tomou a atenção de todos. Blaine e Kurt se levantaram para ouvir notícias sobre Ian.
— O senhor Anderson? – Blaine levantou a mão até a altura do peito. – Ian teve um pequeno distúrbio de febre, o medicamos e ele já passa bem. Ele está acordado agora e pede por uma visita.
— Tudo bem. Kurt, eu vou lá e volto, ok? – Blaine disse direcionado à Kurt.
— Senhor, me perdoe, mas não é pelo pai que ele pede. É por Kurt Hummel. – Disse a enfermeira olhando para Kurt.
O castanho ficou um pouco perplexo, assim como Blaine e August. O viúvo olhou para Blaine por um instante para ver como ele havia ficado, mas o moreno parecia chocado, mas não chateado. Kurt levantou a sobrancelha para ele para poder se certificar.
— Pode ir. Eu fico com o August e depois vou vê-lo. – Blaine voltou a sentar onde estava e mandou um sorriso para Kurt.
— T-tudo bem. – O castanho ainda estava um pouco chocado pelo menino chamar por ele. Eles se conheciam há poucas semanas, não era possível que ele o considerava mais que o próprio pai. – Gus, se comporte. – O menino mandou um aceno positivo para o pai enquanto terminava de comer seu lanche.
— Vamos? – Pediu a enfermeira. Kurt concordou e a mulher começou a sair.
Kurt à seguiu até o final do corredor, onde os dois pararam em frente a um elevador. Depois de alguns segundos, as portas se abriram e eles entraram. Antes do mesmo começar a subir, Kurt pôde ver Blaine o encarando. O moreno não estava bravo, mas nem feliz, ele não tinha um olhar que Kurt pudesse adivinhar como ele estava se sentido. O castanho estava quase não fazendo a vontade do menino e deixando Blaine ir primeiro.
Quando o elevador parou no sétimo andar, os dois saíram e caminharam por um novo corredor. Eles caminharam por alguns metros, até que a enfermeira de cabelos loiros parou em frente a uma porta. Do lado de fora, Kurt conseguia escutar o som da televisão. A mulher apontou para a porta.
Kurt colocou a mão na maçaneta, à girou e entrou. O quarto era todo branco, a única coisa colorida eram flores amarelas em cima de uma mesa e a televisão preta. Kurt fechou a porta atrás de si. O menino olhou para Kurt e mandou um sorriso largo.
— Gostei do pijama. – O castanho estava com uma camiseta ¾ e uma calça de moletom de Sebastian. Kurt deu uma girada para o menino.
— Se sentindo melhor? – Perguntou Kurt caminhando e sentando em uma cadeira ao lado da cama do menino. Ian se sentou na cama.
— Sim. Eles disseram que minha febre está abaixando e que provavelmente foi causada pela chuva que eu tomei, mas eu acabei nem notando, por ter ido dormir logo em seguida. – Explicou o menino. – Meu pai está bem?
— Está. Ele ficou preocupado, mas quando lhe dei um pouco de café, ele começou a se acalmar. – Ian sorriu, porque sabia que café poderia fazer milagres com seu pai. – Mas mencionando o seu pai. Por que você me chamou e não ele? – Kurt acabara de fazer a pergunta de um milhão de dólares.
— Queria que você cantasse para mim. Sua voz é tão bonita e me acalma. – Kurt novamente estava chocado. – Meu pai tem uma voz magnifica, mas eu precisava da sua. Não que ela me dê sono, mas ela me faz pegar no sono, como se anjos estivessem cantando para mim. – As bochechas de Kurt estavam vermelhas de tanta vergonha. O castanho abria e fechava a boca, mas nenhum som era emito, muito menos uma resposta. – Por favor. – Implorou o menino.
— Ok, eu canto. Mas você não acha melhor seu pai vir falar com você antes? Ele ficou muito preocupado com você para te encontrar dormindo aqui. – Kurt ainda não tinha muito certeza se era certo fazer aquilo.
— Não tem problema, nós temos muito tempo para conversar depois. – O menino se ajeitou na cama e esperou por Kurt. O castanho tomou um tempo até decidir a música, então começou a cantar.
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
[...]
Depois de mais algumas horas no hospital, as famílias chegaram as duas horas da tarde em casa. A viagem de volta havia sido toda em silêncio. Na verdade todos haviam se calado quando Blaine havia descoberto que Ian havia pedido para que Kurt cantasse para ele dormir.
Kurt estacionou no gramado de Blaine e ficou no lugar. Os meninos foram os primeiros a saírem e correm para entrar na casa do castanho. Tudo parecia ter voltado ao normal, menos a relação do castanho e do moreno. Os dois continuaram em silêncio nos bancos da frente. Kurt analisava os dedos e Blaine o jardim.
— Blaine, eu não-
— Não, Kurt. Deixe-me falar antes de tudo. – Blaine se virou para Kurt. – Eu quero dizer que não estou chateado, pelo contrário, estou feliz. Eu tenho finalmente alguém em quem confiar. Meu filho me provou o que ele me disse. Que ele gosta de você. – Kurt desviou do olhar do moreno, porque estava começando a ficar corado. – Se ele gosta de você, é reciproco, então se você gosta do meu filho, eu também gosto de você e encaro isso como o início de uma grande união.
— Obrigado por entender, Blaine. Não pense que foi algo para competir com você ou nada do tipo. Como eu disse, ele apenas me pediu uma música. Eu cheguei a me negar, mas-
— Kurt, eu conheço o filho que eu tenho. – Os dois riram. – Mas espero que não se sinta enciumado quando Gus pedir algo para mim. – Disse Blaine saindo do carro. Kurt saiu logo atrás.
— “Gus”? Acho que já estou com ciúmes.
Blaine ficou tenso e já ia começar a se explicar, quando Kurt começou a rir. O moreno o acompanhou.
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