Açúcar?
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Notas iniciais
Finalmente Setembro havia chegado e com ele, o início do ano letivo. As semanas para a família Hummel na nova casa haviam sido um pouco confusas, já que pai e filho precisavam se acostumar com a rotina da vizinhança e organizar a casa. Esse tipo de mudança era uma das coisas que Kurt mais odiava, por sentir que cada vez mais caixas e caixas iam surgindo pela casa, como se nunca fossem acabar. Além do guarda-roupa dele que teria que ser reorganizado. Gus ficou aliviado porque depois de uma semana e meia comendo fast foods, o garoto finalmente pôde ter um jantar descente.
Para Ian e Blaine as coisas também estavam complicadas, já que o advogado não conseguia adaptar sua rotina à rotina da vizinhança. O moreno já não tinha a melhor das rotinas no Maine, agora na Flórida as coisas também não pareciam diferentes. Por diversas vezes o moreno acabou se perdendo pelas ruas de Tallahassee por serem muito parecidas. Já Ian, tentava de várias formas achar uma entrada para Hogwarts.
[...]
Kurt entrou vagarosamente no quarto novo do filho, desviando de algumas coisas que estavam no chão e sentou na cama ao lado do menino. O castanho passou delicadamente os dedos nos cabelos castanhos de Gus e depois passou o polegar sobre as bochechas rosadas do garoto.
— Bom dia, Gus. – O garoto afundou levemente o rosto do travesseiro. – Sim, hoje começa seu primeiro dia de aula e já é hora de você levantar. – Disse o castanho sabendo exatamente o que o filho estava se perguntando.
— Por que não nascemos sabendo? – Questionou o menino com o som abafado pelo travesseiro.
— Pode perguntar isso para seu professor de Ciências hoje. – Respondeu Kurt antes de se levantar da cama. – Espero te ver lá em baixo em trinta minutos. Se em dez não ouvir o som do chuveiro, seu banho será na cama. – Disse o homem saindo do quarto.
August resmungou para o travesseiro e se cobriu até a cabeça.
— Mal saí da cama e já sinto uma necessidade gigante da sexta-feira.
[...]
— Ian! – Gritava Blaine batendo na porta do quarto do menino, aquele que ficava em baixo da escada. – Ian Anderson, se você não abrir essa porta agora, eu vou pular sobre aquela escada. – Disse o homem.
Segundos depois, Ian começou a destravar todas as travas da porta. O pai do garoto se perguntava como ele havia colocado aquilo tão rápido. Ian abriu a porta e deu de cara com Blaine de braços cruzados e a pior das feições.
— E-eu posso explicar. – Tentava se explicar o garoto.
— Não me venha com aquela história de que um elfo apareceu para você. – Disse Blaine ainda nada feliz.
— Dessa vez não. O que eu quero dizer é que eu fui dormir tarde pois estava estudando. – Rapidamente a feição de Blaine mudou.
— Estudando? Que bom, Ian. Estava estudando o que?
— Poções. Preciso estar preparado para ir para Hogwarts ano que vem. – Disse o menino todo satisfeito. Blaine teve um momento de decepção e em seguida rolou os olhos. – Eu disse alguma coisa errada? – Questionou o filho.
— Ian, vai tomar um banho porque você já está mais do que atrasado para a escola. Uma escola normal, diga-se de passagem. – Disse o homem de olhos fechados e apertando a ponte do nariz.
O garoto já estava indo para o andar de cima, quando parou na escada e olhou para o pai.
— Pai, será que terei aulas de Ciências? – Questionou o garoto.
— Sim, Ian. Por quê? – Disse Blaine.
— Apenas curiosidade. Talvez podemos aprender sobre poções lá. – Antes que Blaine pudesse dizer alguma coisa, Ian já havia subido.
— Não sei se é de um amigo, livros novos ou de psicólogo que ele precisa. – Sussurrou Blaine caminhando para cozinha para finalizar o café da manhã.
[...]
Kurt colocou os ovos mexidos no prato de August assim que o menino se sentou em frente à ele. O menino começou a devorar a comida.
— Você não sabe o quanto sua comida fez falta. Parece que até os ovos são feitos por um chef. – O garoto deu uma pausa para tomar suco. – Até seu suco parece que foi feito em um restaurante. Ei, você não descobriu um restaurante novo e está encomendando comida, né? – Perguntou o menino analisando o suco.
— Não. – Respondeu Kurt rindo e se sentando junto à Gus. – Você me falando sobre minha comida me lembra muito Se.. Seu avô...
— Eu sei que não iria dizer sobre o vovô e sim sobre meu pai. – Kurt sorriu com o canto da boca. — Pai, não precisamos nos policiar para falar sobre o papai. Ele é e sempre será uma figura que viverá em nós dois. Jamais iremos esquece-lo e não falar sobre ele é como se estivesse o ignorando. Relembra-lo não é ruim, seria ruim se vivêssemos para isso, de uma lembrança.
August segurou a mão de Kurt sobre a mesa. O homem em meio aquelas palavras do filho, olhou para o garoto. Gus mandava o mesmo sorriso que Sebastian, aquele sorriso que fazia Kurt se derreter completamente. August era uma perfeita cópia de Sebastian.
— Ok, já pode me devolver o garoto desobediente que responde por August. – Disse Kurt sorrindo e limpando uma lágrima que ainda não havia caído.
Os dois voltaram a comer, coisa que demorou uns dez minutos. August pegou sua mochila e conferiu se estava com tudo certo para poder ir para o jardim esperar pelo o ônibus. O garoto sentiu um cheiro estranho.
— Pai, você está fazendo mais comida? Porque se estiver, ela está queimando. – Disse o menino colocando a mochila nas costas e indo em direção a cozinha. Ele encontrou o pai de frente para a pia, lavando a louça do café.
— Não. – Kurt enxaguou o último copo e colocou sobre o escorredor. — Você quer que eu te prepare um lanche ou vai querer comer na cantina?
— Fico com a cantina. Assim eu posso conhecer alguém na fila e ninguém falará sobre eu estar levando comida no primeiro dia. Mas pode ter certeza que daqui a algumas semanas, levarei de casa.
Kurt tirou o avental e foi até o balcão da cozinha, onde pegou sua carteira e deu cinco dólares para Gus.
— Você sempre tem tudo calculado? – Questionou o mais velho.
— Na maioria das vezes. Agora eu preciso esperar o ônibus. – Kurt se abaixou e beijou o top da cabeça do filho.
O garoto saiu pela porta da frente e ficou esperando o ônibus. August notou que faltavam poucos minutos para o ônibus chegar e que provavelmente em alguns instantes ele conseguiria ver o veículo amarelo na esquina da rua. Outra coisa que o castanho notou, foi que o cheiro de queimado estava ainda maior na rua. O garoto olhou para todos os lados atrás de uma fogueira ou qualquer coisa do tipo, mas a rua estava limpa. Já era possível ver o ônibus vindo de longe. O mais velho dos castanhos foi para porta de entrada para observar o menino.
Em instantes o ônibus parou no meio do jardim dos Hummels e dos Andersons, Gus resolveu ignorar e foi para a porta do veículo. Assim que ficou de frente para porta, Ian saiu correndo de casa. O garoto tinha o rosto um pouco sujo e o cabelo desengrenhado. Também era possível ver um pouco de fumaça preta saindo da casa. August entrou no ônibus com Ian logo atrás. Blaine apareceu na porta com uma frigideira e numa situação pior que a do filho. Kurt olhou para o moreno incrédulo. O castanho teve que entrar antes que caísse na gargalhada com a situação do moreno. O advogado logo fez o mesmo.
— Bom dia, meninos. Eu sou o Carl. – Disse o motorista. O homem lembrava muito o avô de Gus.
— Bom dia. August Hummel, mas só Gus é melhor. – Disse o castanho indo se sentar no primeiro banco, já que era um dos únicos vagos.
— Dia. Ian Anderson. Pode me chamar de Potter. – O garoto foi se sentar ao lado de Gus, já que era o último lugar vazio. Carl achou aquilo meio esquisito, mas resolveu ignorar e seguir para a escola.
O Hummel tentava ao máximo não perguntar o que se passava com Ian, já que o garoto estava em um estado terrível. Gus se lembrou do que seu pai lhe disse sobre não fazer pré julgamentos. O menino respirou fundo.
— Você precisa de ajuda? Porque parece que você não está-
— Não. Estou bem! – Ian soou um pouco grosso. Mesmo não querendo, mas é que o pai do menino havia o estressado logo cedo. – Meu pai em termos de cozinhar parece o Simas Finnigan. Urg. Olha meu estado. Como eu queria ter minha varinha agora.
Gus não pôde ignorar aquilo. Primeiro ele escutou algo sobre feitiço, agora o garoto estava falando sozinho e desejando sua varinha. O castanho não ficaria tão espantado se seu vizinho voltasse para casa em uma vassoura.
[...]
— Bom dia, alunos. Eu sou Amanda Williams, sua professora de inglês. – Amanda era uma mulher linda. Tinha os cabelos loiros em um coque firme, usava uma blusa social azul, uma saia chumbo e um sapato preto. Ian e August estavam naquela aula juntos. – Quero que vocês façam uma redação sobre o que vocês fizeram nas férias. – Alguns alunos reviraram os olhos e outros resmungaram baixinho. August foi um deles. – Pensando bem, quero que façam uma redação sobre o que vocês gostariam de ter feito nas férias. Me entreguem antes do fim da aula.
Gus rapidamente começou a escrever a viagem que faria com seus pais para o Havaí. Ele escrevia sobre como aquela viagem havia sido preparada, mas havia sido cancelada pela morte de seu pai. August não entrou em detalhes sobre a morte de Sebastian. O castanho escreveu sobre como queria que ela tivesse sido e concluiu dizendo que sua vida estava totalmente diferente atualmente.
Quando estava quase terminando sua redação, um som insuportável começou a soar atrás do garoto. O castanho até tentou voltar a sua atenção para redação, mas era um barulho que o impossibilitava. Quando o garoto olhou para trás para pedir um pouco de silencio, viu que era Ian. O menino usava uma caneta de pena, que com atrito com o papel e a mesa, soltava um barulho terrível.
— Ian, certo? – Disse Gus chamando a atenção do menino. Os alunos estavam em silêncio e o único barulho era o das canetas. Ian olhou para o menino de olhos castanhos e concordou levemente com a cabeça. – Você poderia usar outra caneta? É que eu estou quase no final da minha redação e esse barulho está me incomodando um pouco. Por favor. – Pediu educadamente.
— E-eu só tenho essa... – Ian se sentiu um pouco envergonhado e olhou para os outros alunos para ver se eles também estavam incomodados.
Gus olhou no seu estojo mas não havia nenhuma caneta sobrando para emprestar ao vizinho.
— Você irá demorar? Eu posso esperar você terminar a sua para terminar a minha. – Disse o menino do modo mais simpático possível.
— Tudo bem, não irei demorar. – Ian voltou para sua redação e começou escreve-la rapidamente.
August não pôde deixar de olhar que a redação de Ian tinha umas cinco páginas, sendo que a dele havia mais ou menos vinte e cinco linhas. O menino se encostou na cadeira e esperou por Ian.
— Algum problema, senhor Hummel? – Questionou a professora.
— N-não, já estou terminando, só estou procurando a palavra certa. – O garoto sorriu sem graça. Ao contrário do pai que era ator, August morria de vergonha de ser observado. A mulher voltou ao que estava fazendo e Gus voltou a esperar.
Depois de trinta minutos, o sinal do final da aula finalmente bateu. Ian parou de escrever sua redação e foi entregar para a professora. Gus não sabia o que fazia, se avançava em Ian ou se socava o próprio rosto. O garoto tentou escrever uma conclusão para sua redação, mas nada veio. August se esforçou para pensar, mas assim que abriu os olhos para escrever qualquer coisa na folha, a professora já havia pego sua folha com a redação incompleta. E ele nem poderia protestar.
Assim que o menino virou para trás para falar alguma coisa para Ian, o menino já havia saído da sala. Gus bufou e começou a guardar os seus pertences. Ele já havia se dado mal no primeiro dia e na primeira aula. O dia seria longo para August Hummel.
[...]
Ao contrário do que esperava, o dia de Gus havia sido tranquilo e longe de Ian. O menino agradeceu ao céus por não encontrar o vizinho nem nos corredores e nem em salas de aula. A última aula havia chego e ela seria de Educação Física, uma matéria que Gus tinha uma relação de ódio e amor. Poucas coisas prendiam a atenção do garoto: jogos, vôlei e...
— Queimada. Nossa escola tem vencido inúmeros campeonatos de queimada ao longo dos anos e hoje quero ver se algum de vocês tem talento. Pode me chamar de Treinador McTree. Aos que não sabem como é a queimada, aprendam jogando com os que sabem. – O homem soou o apito e todos os alunos se espalharam pela quadra.
Gus poderia se considerar um ótimo jogador. Ele sempre jogou com seus pais. Kurt o ensinava como desviar da melhor maneira e Sebastian a arremessar com precisão. O time do Hummel estava com a bola. Quem estava com ela era um dos alunos da aula de Matemática de Gus, Peter. O ruivo arremessou a bola bem no meio da turma adversária.
Conforme todos se separaram, Gus percebeu que Ian estava no outro time. O menino apesar de parecer um pouco desconfortável, pegou a bola e do fundo arremessou. A bola atravessou todo o ginásio e por pouco quase pegou em August. O castanho mal podia acreditar que aquilo estava acontecendo, era a chance dele se vingar da aula de inglês.
August pegou a bola no seu pé e correu para o meio da quadra. Gus jogou a bola em direção a Ian, mas acabou acertando outro garoto no peito. O menino voltou para o fundo da quadra. Se ele não tirasse Ian, ele teria que tirar de um em um até que só sobrasse o menino dos olhos azuis. E foi isso que ele fez. Assim que uma bola do time adversário veio em direção ao time dele, Gus pulou alto o suficiente para agarrar a bola e eliminar uma menina.
O jogo se estendeu por toda a aula. Faltando cinco minutos para o fim da aula, só restavam dois alunos: Gus e Ian. O Hummel estava vermelho de tanto calor que sentia e Ian estava um pouco assustado, já que o outro garoto parecia que ia se transformar em um monstro a qualquer momento. A bola estava no lado de Ian. Como só restava ele, o menino teria jogar em Gus. Ian pensou que se jogasse em certa altura e na força certa, Gus conseguiria pegar e ele seria eliminado. Então ele jogou bem devagar e esperou Gus pegar, mas o castanho apenas deu um tapa na bola e a deixou cair no chão.
August pegou a bola do fundo da quadra e ficou encarando Ian. Todos na beirada da quadra torciam para um dos meninos. Ian já estava no limite da quadra, não havia como se afastar mais de Gus. O castanho ficou no limite do meio da quadra e moveu o braço para trás.
Gus jogou a bola e Ian se protegeu, mas como não sentiu nada, viu que Gus havia blefado, quando foi olhar para o castanho, sentiu a bola de encontro ao seu nariz.
Ian caiu sentado na quadra. Gus respirava ofegante e ainda encarava o menino. Ian levantou o rosto e revelou o nariz sangrando. O treinador correu para ajudar o garoto. Quando Ian viu que estava sangrando, sentiu o ódio correr por todo seu corpo e encarou August do mesmo modo que o Hummel o encarava.
Ali começava a rixa entre as famílias Hummel e Anderson.
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