Açúcar?
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Notas iniciais
Apesar do incidente da bolada em Ian, os pais dos meninos não foram chamados na escola. O treinador McTree achou que aquilo havia sido apenas um acaso. Ian se sentiu injustiçado com aquilo e pensou que professor só estava tentando proteger August porque ele era bom no jogo e poderia entrar para o time da escola.
Na volta para casa, quando todos os alunos se organizavam para poder entrar no ônibus, Gus viu Ian voltando para casa andando. Aquilo fez o castanho se sentir muito mal e ignorar tudo que o Anderson havia feito para ele naquele dia. Agora o castanho só precisava criar coragem para contar aquilo para seu pai.
Flashback
Todos podiam falar o que quisessem sobre Blaine como pai, mas ele era um pai que se preocupava quando o filho não estava em casa, mesmo sabendo que o menino estava na escola. Um motivo a mais para ele se preocupar, era que o ônibus escolar já havia passado pela sua rua e que só Gus havia descido. Era nesses momentos que o moreno se arrependia de não ter dado o maldito celular para Ian no aniversário do garoto.
Depois de quinze minutos que August havia chegado, Ian entrou em casa. Blaine que estava na cozinha, foi conferir se era o filho.
— Ian, onde esteve? – Perguntou Blaine indo ajudar o menino com a mochila.
— Na escola...? – Dizia como se não fosse óbvio.
— Ian, o garoto do lado chegou há quinze minutos e de ônibus. Por que demorou tanto? – Questionou o moreno.
— Nem me fale desse garoto. – Ian mordeu o lábio inferior com tanta força que logo começaria a sangrar. – Boca aberta. — Pensou ele.
— O que tem ele? O que ele te fez? – Blaine se abaixou ao nível do filho e examinou ele. Blaine percebeu um vermelhidão ao redor do nariz do garoto. – Ele fez isso no seu nariz? Ian dá pra me contar o que aconteceu com você? – Aquilo preocupava o moreno, porque os meninos eram vizinhos e seu filho havia chegado machucado em casa no primeiro dia de aula.
— Nós... Estávamos na aula de Educação Física e ele... Meio que atacou a bola de queimada em mim. Não foi nada de demais. Eu estou bem... – Ian começou a tirar os sapatos.
— Ian, quantas pessoas tinham nesse jogo e como ele conseguiu te acertar?
— Você não vai parar de ficar me perguntando até que eu diga o que realmente aconteceu, né? – Blaine concordou com a cabeça. – Ok. Só sobrou ele e eu. Ele só conseguiu me acertar porque eu quis que ele me acertasse pro jogo finalmente acabar e porque ele blefou antes de finalmente me acertar. – Ouvir aquilo da boca de Ian quebrava Blaine por dentro. Ainda mais com toda a naturalidade que o garoto dizia aquilo.
— E o professor não fez nada? – Ian negou. – Se é assim, eu vou falar com Kurt. – Disse Blaine se levantando.
— Pai, não! – Ian agarrou a perna do pai.
— Ian, me solta. Eu vou falar com ele. Se ele não educou o filho dele, não é problema meu, mas se torna meu quando isso afeta você ou a mim. – Blaine continuou puxando a perna.
— Pai, por favor, não vai. – Blaine parou de tentar se livrar de Ian. – E-eu não sei o que deu em August hoje, mas ele não é uma má pessoa. Nós conversamos na aula de Inglês hoje e ele não me parece ser uma pessoa mal educada ou qualquer coisa de ruim. Por favor, não piore as coisas para mim. Eu sinto que talvez ele possa ser meu amigo...
Blaine viu no filho esperança. O moreno se lembrou de todos os amigos que o garoto havia deixado para trás. Todos que ele havia conseguido com um enorme esforço. Ian não era o tipo de criança que é muito sociável. Ele sempre foi mais na dele e isso acabava prejudicando-o na hora de fazer novas amizades. E se o menino via que poderia ser amigo de August, não seria ele que iria acabar com aquilo.
— Tudo bem. – Ian soltou a perna de Blaine. – E-eu te fiz um lanche. Quando terminar, venha para a cozinha. – O moreno começou a se retirar.
— Pai? – Chamou o menino do chão. Blaine se virou e olhou para ele. – Eu te amo.
— Eu também te amo, pequeno. – O homem mandou um sorriso para Ian e voltou para a cozinha.
Flashback
Ian contou tudo para Blaine, mas Gus não mencionou absolutamente nada para Kurt. Ele realmente se sentiu mal com aquilo, sabia que seu pai jamais entenderia seu lado e diria que aquilo foi a pior coisa que ele poderia ter feito. Então o garoto garantia a si mesmo que ele não estava mentindo, ele só estava adiando a verdade.
A semana de aula passou tranquilamente. Ian e Gus não se estranharam mais, mas também não passavam muito tempo um com o outro. Blaine agora levava o filho para a escola todos os dias.
O sábado finalmente havia chegado. August estava no seu milésimo sono, quando o seu despertador começou a soar.
— Ai que coisa. – O menino bateu com toda a força em cima do despertador. O aparelho não parou. Gus bateu novamente, mas nada mudou. O garoto começou a esbofetear o despertador, mas o barulho não parava por nada. Até que ele se irritou e jogou o despertador na parede. Ainda era possível escutar o despertador. – Oh, inferno! – Disse o menino tirando o rosto do travesseiro e olhando em volta do quarto.
— Não vai parar, isso é lá fora. – Disse Kurt entrando no quarto do filho e fechando a janela do quarto do garoto.
— Dá onde vem esse som? – Pediu o menino ainda deitado.
— Da casa dos Andersons. Parece que o senhor Anderson está construindo uma casa na árvore. Tem alguns caminhões aí na frente de casa. O cara nem ao menos se deu o trabalho de tentar fazer a casa para passar um tempo com o menino, ele mandou fazer. – Disse Kurt rindo um pouco.
— Que horas são? – Questionou Gus.
— Sete horas... – Disse Kurt se escondendo atrás da sua caneca com chá.
— O quê? Qual é o problema desse cara? Ele se acha dono do Tallahassee? Acho que os Andersons tem uma coisa em atormentar os Hummels de alguma forma. – Gus se cobriu até a cabeça.
— O que você quis dizer com isso, August? Algum problema com Ian ou Blaine? – Questionou Kurt um pouco intrigado.
— Ignora. É muito cedo em um sábado para eu ficar dizendo coisas que fazem sentido. – Gus estava pedindo aos céus que seu pai acreditasse naquilo e não questionasse mais nada. E August foi ouvido. Apesar de Kurt ter fechado a janela, o garoto ainda escutava a árvore sendo cortada. – Deus, uma bolada não matou ele. Eu não mereço tudo isso como castigo. – August se virou e tentou voltar a dormir.
[...]
— Eu estou a ponto de me jogar da janela do meu quarto ou da escada. – Disse August se sentando à mesa, enquanto Kurt estava tomando um remédio para dor de cabeça junto a pia.
— Vamos nos jogar do seu quarto, assim não suja muito a casa para o próximo morador e eles ainda ficarão com remorso quando virem nossos corpos no gramado. – Kurt massageava as têmporas na esperança de que aquilo o ajudasse junto ao remédio.
Apesar do barulho da serra ter acabado, ainda tinha o cerrote para cortar as tábuas e os martelos pregando as tábuas na árvore. E ainda eram duas horas da tarde e a árvore estava na metade.
— Pai, nos tira daqui antes que eu enlouqueça. Por favor, eu te imploro. – O menino mal conseguia ouvir os próprios pensamentos.
— Tudo bem. Onde quer ir?
— Qualquer lugar. Estou aceitando ir até para a forca ou para guilhotina.
— Ok. Vamos para um shopping que tem aqui perto. Você tem cinco minutos para se trocar e entrar no carro. – Kurt pegou as chaves do carro e a carteira no balcão, indo para a porta de entrada.
— Para sumir dessa casa eu consigo colocar um terno em três minutos. Descerei o mais rápido. – Disse Gus correndo para as escadas.
[...]
Os dois chegaram em casa por volta das oito horas. Eles haviam ido para um salão dentro do shopping e recebido uma massagem relaxadora, já que eles estavam fugindo de tudo que fazia barulho. Depois os dois compraram algumas coisas que dariam para os Hudson-Hummel e os Smythes no Natal, além de jantarem no shopping. Os dois estavam tão exaustos que se a casa da árvore ainda estivesse sendo construída, eles assim que deitassem na cama, iriam dormir e nem se incomodariam com o barulho.
Os dois estacionaram o carro no jardim, mas dentro do carro eles não conseguiam escutar nada. Foi quando eles abriram as portas, que eles tiveram certeza que a “construção” havia acabado de vez.
— Finalmente. – Disse Kurt saindo do carro. – Nada contra eles, mas fazer isso em pleno sábado é pedir que sejam assassinados. – O Hummel disse numa altura que só o filho pudesse escutar.
Os dois tiraram todas as compras do carro, Kurt travou as portas e os dois se dirigiram para a porta de entrada.
— Pai, amanhã guardamos isso. Desde que saí daquela massagem a coisa que eu mais quero é dormir. – Pediu August colocando todas as sacolas que carregava em cima do sofá.
— Você leu meus pensamentos. – Kurt fez o mesmo que o filho.
Enquanto o Hummel mais velho ia trancando todas portas e janelas, August ia para o quarto trocar de roupa.
August entrou no quarto e em alguns minutos colocou o pijama que estava vestindo mais cedo. Por algum motivo o garoto sentiu uma curiosidade de ver como havia ficado a árvore, então ele abriu a janela e direcionou seu olhar para o jardim dos vizinhos. A árvore de Ian tinha ficado incrível.
Havia uma escada de madeira que dava uma volta por toda a árvore. A casa em si não aparecia ser muito alta, mas era grande. Ian não poderia reclamar de forma alguma, poucas crianças tem ou teriam uma casa como aquela. Aquilo havia feito August ficar com uma pontada de inveja.
O menino já estava saindo da janela, quando olhou para o próprio gramado. Ele não era capaz de acreditar naquilo.
— P-pai! Pai, vem aqui! – Gritou August.
Kurt que já estava subindo as escadas de qualquer forma, então chegou rapidamente no quarto do filho.
— Precisa de alguma coisa? – Perguntou Kurt na porta.
— Vem ver isso. – Pediu o menino, ainda olhando para o próprio quintal.
Kurt achou estranho aquilo, mas foi ver de qualquer forma. Quando o castanho chegou na janela, a primeira coisa que ele olhou foi a casa da árvore de Ian.
— A casa ficou muito legal. – Gus moveu a cabeça de Kurt para que o castanho olhasse para o gramado. – Mas que merda é essa?!
O gramado dos Hummels estava totalmente sujo. Haviam folhas, galhos que foram cortados da árvore dos Anderson. O que um dia foi um gramado, hoje era completamente coberto por pó de madeira. Era possível ver apenas pequenos vestígios de grama do tamanho de bolas de futebol, fora isso, só pó. Os canteiros de flores que Kurt havia plantado assim que havia chegado em Tallahassee não existiam mais, já que galhos do tamanho de pilastras havia esmagado tudo.
Kurt sentiu todo seu sangue subir, quando percebeu que o gramado do vizinho estava totalmente limpo e intacto. Blaine iria pagar e limpar por tudo que havia feito.
Agora a rixa entre a família Hummel e Anderson estava completa.
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